She Drives Me Crazy

21 Capítulo 21 - Era para ser uma surpresa.


Notas iniciais
Peguem os lenços de papel, e lembrem-se... Odeiem a pessoa certa, e não eu.

Aquela semana se arrastou e Bella não teve mais noticias de Charlie. Era como se ele nunca tivesse aparecido. Ela havia passado aquela semana e a que se seguiu na casa de Edward e como ela não tinha roupas ali, foram duas semanas bem interessantes, mas já era hora de voltar para a vida real.

— Alice, eu preciso falar com você. — Bella disse, enquanto a prima tomava seu chá gelado.

— Claro, Bella, o que é?

— Eu acho que existe uma chance de seu estar grávida. — Respondeu e tudo que Alice fez foi cuspir o chá a um metro de distancia.

— O que? — Ela perguntou ainda se desengasgando e tossindo.

— Respira, Alice. Eu não quero ficar mais nervosa do que já estou.

— Desculpa. Você me pegou de surpresa aqui. Como aconteceu?

— Você quer o que, Alice? Uma aula sobre pássaros e abelhas?

— Não. É claro que não. Eu sei como funciona, eu só quero saber como isso aconteceu, quer dizer, você sempre foi a mais responsável de nós duas. — Olhou para os lados como se estivesse prestes a contar um segredo óbvio. — Além disso, você toma pílula.

— Aquela semana em que Charlie apareceu e você estava com Esme no hospital, eu fiquei com o Edward. Nós tínhamos acabado de voltar. Eu deixei minhas pílulas. Você sabe que eu esqueço as coisas. — Colocou as mãos sobre a cabeça em um gesto claro de desespero. — E se ele pensar que eu fiz de propósito, Alice?

— Bella, se não existisse a possibilidade de você estar grávida, eu te daria um tapa agora mesmo, só por cogitar essa ideia. Sabe que Edward nunca pensaria isso.

— Eu sei, eu sei. — Respirou fundo, baixando as mãos. — Eu estou com medo.

— Você já fez os exames?

— Não. Estava esperando você ir comigo.

— Então pegue suas coisas e vamos.

Bella pegou seus documentos, sua bolsa e saiu com Alice para tirar suas duvidas de uma vez por todas.

— E então? — Alice perguntou ansiosa assim que Bella saiu com os papéis na mão.

— Eu tenho que falar com o Edward. — Respondeu pálida e Alice gritou. — Não grita, sua doida. — Chamou a atenção da baixinha.

— Desculpa. Eu estou feliz por você, Bella. Eu vou ser tia! — Gritou novamente, pulando, e Bella riu. — Você já vai contar para ele?

— Eu não sei. Acho que sim. Na verdade, acho que tenho uma ideia melhor. — Bella disse sorrindo.

— E você não vai me contar?

— Não.

— Bella. — Alice disse frustrada.

— Eu estou brincando. — Bella riu da carinha de cachorro sem dono que a prima fez. — Nesse final de semana é aniversário do Edward. Acho que vou fazer uma surpresa.

~*~*~

Bella estava começando a se arrumar para o encontro com Edward, seria em um restaurante no centro da cidade, o lugar perfeito para contar a novidade, mas queria ter certeza de que estava tudo certo, então pegou seu celular e ligou para ele.

Bella? — Edward disse ao atender.

— A única. — Sorriu convencida e o ouviu rir do outro da lado da linha. — Nosso jantar ainda está de pé?

— Claro. Eu poderia passar aí no seu apartamento para te buscar de táxi.

— Boa tentativa. — Riu. — Eu disse que te encontraria no restaurante.

— Eu tinha que tentar. — Sorriu, jogando de ombros. — Não vai mesmo me contar qual é a surpresa?

— Se eu contasse não seria surpresa, Sherlock.

— Como eu disse, eu tinha que tentar. Te vejo em uma hora?

— Com certeza. — Bella respondeu olhando para a caixa branca em cima da mesa de centro. Nela havia um body branco – de um tema que sabia que Edward adoraria – um par de sapatinhos e um teste de gravidez com resultado positivo, que ela havia comprado na farmácia.

Após terminar de se arrumar – estava maravilhosa em um vestido de alcinha que ia até o meio das coxas, amarelo, ele era folgadinho, mas moldava seu corpo com perfeição, ela calçava uma sapatilha preta com branco e os cachos, na cor mogno, caiam como cascatas em suas costas –, Bella chamou um táxi, pois Gertrudes deu seu ultimo suspiro naquele dia em frente a casa de Edward. Então agora ela usava os taxis para ir de um lugar a outro.

Ela pegou a caixa em cima da mesa de centro e, assim que abriu a porta, paralisou com quem estava a sua frente.

— O que faz aqui? — Perguntou dando um passo para trás, levando sua mão livre instintivamente para sua barriga, ainda lisa.

— Isso é jeito de me receber, Isabella? — Charlie disse enquanto entrava no apartamento.

— Pensei ter deixado claro que você não é bem vindo aqui.

— Sabe, eu pensei que você fosse burra, mas acho que me enganei. — Sorriu orgulhoso — O golpe da barriga? Espero que dê mais certo do que com a sua tia. — Disse com desdém.

— Eu não sei do que você está falando. — Respondeu se forçando a afastar as mãos da barriga.

— Não? Então não tem um pequeno bastardo aí? — Apontou para o ventre dela. — Por isso você agarrou a própria barriga ao me ver? Por nada? — Arqueou a sobrancelha. — Ou, por exemplo, você não foi a um laboratório? — Sorriu vitorioso ao notar o semblante de horror da filha.

— Como sabe de tudo isso?

— Você não sabia que se você informar seu sobrenome e provar ligação com a paciente, eles liberam os exames? — Piscou o olhou para ela. — Você pode pensar que eu trabalho do lado errado da coisa, mas ainda sim sou muito bom no que faço. Eu tenho seguido você, Isabella.

— Por quê?

— Informação é poder. Eu poderia dizer que se não me der o dinheiro, contaria para aquela aberração do seu namorado que você carrega um bastardo aí, mas eu sei que ele não teria problemas com isso.

— Fora. — Bella vociferou.

— Mas o que será que ele diria se pensasse que essa coisinha não é filho dele?

— Eu quero que você saia daqui agora. — Ela disse mais alto.

— Não seja estúpida. Podemos trabalhar juntos. Eu sou seu pai.

— Meu pai? Agora você é meu pai? — Ela rosnou vermelha de raiva se aproximando de Charlie, que deu um passo para trás ao ver a fúria estampada em seus olhos. — Onde estava esse instinto paternal quando aqueles moleques me perseguiam? Ou quando me jogaram de baixo da água fervendo e você não fez nada? Onde estava? Onde?

— Acho que você está exagerando. Na verdade, está sendo ingrata.

— Você tem alguma ideia do que fez comigo?

— Eu tentei te ajudar a ser uma pessoa forte, Isabella. Se esse é meu crime, então sou culpado.

— Você está alucinando tanto assim? Olha para mim. Você tem ideia da merda que fez com a minha cabeça? Você destruiu minha infância. Eu cresci odiando ser quem eu era.

— Isso de novo, Isabella? Você não cansa de se repetir? Eu não queria um filho. Renée quis levar essa gravidez adiante. O mínimo que ela podia ter feito era ter me dado um garoto.

— Eu quero você fora da minha casa. Fora da minha vida e fora da vida do meu filho.

— O mínimo que você pode fazer é dar um herdeiro à ele. Já que sua mãe falhou comigo nesse quesito. — Ele disse ignorando todas as palavras que ela dizia.

— Não que isso seja da sua conta, mas eu o conheço o suficiente para saber que ele amaria nosso filho independente de qualquer coisa.

— Tem tanta certeza? Você nem sabe se ele vai querer essa criança.

— Saia daqui! — Bella exigiu.

— E se a aberração não quiser essa criança? O que você vai fazer? Jogar essa oportunidade com ele no lixo por um bastardo? O cara é um anormal, mas pelo menos tem dinheiro.

— Fora da minha casa! — Bella disse mais alto.

— Ou vai fazer igual a sua tia? Ser mãe solteira? Com uma criação dessas, não poderia esperar mais. — Ele disse com desprezo.

— Não se atreva a dizer nada sobre o Edward ou sobre a Esme. Ela fez o que você não fez. Ela me criou. Ela é minha família.

— Ela é uma vagabunda, que foi burra o bastante para não acabar com o problema quando podia. — Ele retrucou e Bella o acertou com um tapa que fez seus olhos ferverem de raiva.

— Eu disse que você não ia mais encostar sua mão em mim, Isabella. Está na hora de aprender uma lição. — Charlie disse segurando a mão dela e a esbofeteou. Depois do choque, Bella se enfureceu e partiu para cima dele.

— Você nunca mais toque em mim. — Ela gritou o estapeando e Charlie a empurrou, fazendo com que fosse para trás e perdesse o equilíbrio, caindo sobre a mesa de centro, feita de vidro.

Bella ainda estava tomando consciência do que Charlie havia feito e estava pronta para se levantar e revidar.

— Seu filho da... — Mas antes que ela terminasse a frase, sentiu uma pontada na barriga e a agarrou instintivamente. Charlie ainda a olhava, completamente sem reação pelo que havia feito. Ele podia ser um verme, mas nunca havia encostado um dedo em Bella.

— Eu disse para não tocar em mim, menina. — Ele disse sentindo a voz falhar, ele ia dar mais um passo quando Bella agarrou a barra do vestido gemendo de dor. Ao olhar para baixo, Charlie pôde ver o sangue que escorria de seu vestido.

— O que...? — Bella disse tocando no liquido que escorria entre suas pernas e olhando para a mão banhada em sangue. — Não! — Ela disse sentindo dor e Charlie parou onde estava. — Liga para a emergência. — Ela pediu tentando controlar a dor que sentia enquanto Charlie permanecia parado. — Por favor. — Implorou para ele.

— Eu não queria... — Tentou se explicar e ela continuou gemendo de dor esperando que ele a ajudasse.

— Charlie, por favor... Ele é seu neto. — Suplicou para seu lado humano com esperanças de que fosse atendida, mas suas preces não foram ouvidas, porque mesmo atordoado, Charlie conseguiu sair correndo do apartamento, deixando Bella sangrando no chão.

Enquanto isso Edward esperava no restaurante que haviam marcado. Bella disse que tinha uma surpresa para ele, contudo queria contar pessoalmente. Ela já estava mais de uma hora atrasada, quando Edward ligou para seu celular, que depois de chamar, caiu na caixa postal, ele se preocupou, pois Bella sempre atendia. Então respirou fundo e discou outro número na tela do celular.

— Alô?

— Alice, oi. Aqui é o Edward.

— Oi, Edward. Tudo bem?

— Na verdade, eu estou ligando para perguntar sobre a Bella.

— A Bella? Eu não a vi o dia todo. Ela estava animada com o jantar de vocês. Algum problema?

— Esse é o problema. Ela ainda não apareceu. Eu liguei no celular dela, mas ela não atende. Eu acho que vou até o apartamento para ver se está tudo bem.

— Tem certeza? Eu posso...

— Não precisa checar os hospitais ainda, Alice. — Ele disse e ela bufou. — Assim que eu tiver notícias eu te ligo.

— Está bem. — Se despediram e, por fim, desligaram.

Edward pegou um táxi e foi até o apartamento de Bella. No caminho ele continuou tentando ligar em seu celular, mas não teve resposta.

— Boa noite, Henry. — Ele cumprimentou o porteiro. Sua entrada no apartamento era tão comum, que Henry nem avisava mais, Edward simplesmente subia.

— Boa noite, senhor Masen.

— Já pedi para me chamar de Edward. — Ele pediu gentilmente e o porteiro sorriu sem graça. — Sabe se Bella já saiu? Eu marquei com ela e ela ainda não apareceu e não atende o celular.

— A senhorita Bella ainda não desceu, não.

— Tudo bem. Acho que vou fazer uma surpresa para ela então. Obrigado, Henry. — Edward chamou o elevador, mas assim que as portas se abriram um homem saiu de lá. Ele estava tremulo e muito pálido.

— Tudo bem? — Edward perguntou e pôde ver que o homem empalideceu ainda mais ao olhar para ele. Provavelmente pela sua cicatriz, mas ele não se importava mais com isso.

— Eu estou ótimo. — Ele respondeu saindo quase que correndo do elevador. Edward entrou e apertou o andar de Bella. Quando as portas se abriram ele seguiu pelo corredor e sentiu um arrepio na espinha, que eriçou os pelos de seu corpo, ao notar que a porta do apartamento de Bella estava entre aberta.

James Arthur — Impossible

Tell them all I know now

(Diga a eles tudo o que eu sei agora)
Shout it from the roof tops

(Grite isso de cima dos telhados)
Write it on the sky line

(Escreva isso no horizonte)
All we had is gone now

(Tudo o que nós tínhamos se foi agora)
Tell them I was happy

(Diga a eles que eu era feliz)
And my heart is broken

(E meu coração está partido)
All my scars are open

(Todas as minhas cicatrizes estão abertas)
Tell them what I hoped would be

(Diga a eles que o que eu esperava seria)
Impossible, impossible

(Impossível, impossível)
Impossible, impossible

(Impossível, impossível)

Ele se aproximou.

— E-Edward. — Bella gemeu, agarrada a sua barriga. No chão havia uma poça de seu próprio sangue.

— Bella! — Ele praticamente gritou seguindo em sua direção. — Amor? Fala comigo. O que aconteceu? — Ele perguntou sentindo o desespero crescer. Ela tremia e estava muito pálida e fria. Havia perdido muito sangue.

Edward pegou o celular e ligou para a ambulância. Enquanto esperava, continuou a chamar por ela, mas ela não respondia.

— Bella, por favor. — Ele a chamou, o choro contido em sua voz, a puxando para seus braços. Não era forte o suficiente para pegá-la no colo e andar. Precisava de ajuda. Caminhou o mais rápido que conseguia até o interfone e chamou o porteiro.

— Henry? Aqui é o Edward. Aconteceu alguma coisa. Bella foi atacada, eu não sei. Tem muito sangue. Eu não consigo carregá-la. — Ele disse beirando o desespero.

— Eu já estou subindo, Edward. — Henry disse desligando.

Edward continuou a chamá-la quando viu uma caixa no chão, perto da poça de sangue. Nela havia um pequeno body, um par de sapatinhos e um teste de gravidez com resultado positivo.

— Não! — Ele gritou olhando para Bella, ainda mais desesperado e voltando a chamá-la até que ela abriu os olhos.

— Bella. Sou eu, amor. O que aconteceu? — Ele perguntou com lágrimas nos olhos.

— Cha... Charlie. — Foi tudo que ela conseguiu dizer antes de perder a consciência novamente e Edward ficou lá. Sentado na poça de sangue chorando agarrado ao corpo inconsciente dela, enquanto esperava por ajuda.

Notas finais
Charlie fez o pior que podia fazer. Então arranquem o pescoço dele, e não o meu. Comentem, façam perguntas e recomendem!!