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20 Capítulo 19
Notas iniciais
No sábado seguinte, Sophie foi se encontrar com Andrea num parque diferente do de costume. Da última vez que tinham estado lá, perceberam que um vendedor de churros estava encarando demais e acharam melhor trocar de lugar. Além disso, pelo protocolo do MI6, precisavam mudar de lugar a cada seis semanas, então terem de trocar após cinco semanas não foi uma perda tão horrível.
Assim, Sophie chegou primeiro ao local, que era bem mais popular do que os outros pontos em que já tinham se encontrado. Ela simplesmente se sentou num banco próximo de uma fonte (era assim que tinham combinado) e esperou cerca de 10 minutos antes que Andrea aparecesse e se sentasse ao seu lado no banco.
— O que você conseguiu descobrir essa semana? — ela perguntou, sem arrodeios.
Sophie suspirou. Essa não seria uma conversa muito interessante.
— Nada. — ela disse, simplesmente.
— Nada? — Andrea estranhou.
— Nada. — ela repetiu. — Ou ela está muito mais cuidadosa ou os planos deles mudaram. Não tem registro de nenhuma transferência de dinheiro, nenhum telefonema estranho, nenhuma reunião sobre o assunto.
— E tudo está funcionando normalmente?
— Sim. Eu troquei a escuta no início da semana e escutei ela falando de outras coisas, mas não mais sobre desvios de dinheiro para o Sturoyal.
Nota mental: quando tudo isso acabar, contar dos desvios da Araminta pro Ben e, principalmente, pro Anthony, já que é ele quem tem poder lá dentro, Sophie pensou. Estava fazendo o trabalho por uma razão completamente diferente, mas, como tinha descoberto aquilo, se via na obrigação de contar. Eles já estavam sendo prejudicados sem perceber e, bom, só aumentaria as acusações contra ela.
— Acho que agora eles podem estar só esperando o momento certo. — Andrea disse. — Eles já estão abastecidos com armas, bombas e os suprimentos necessários para uma brigada.
— Então não conseguimos evitar que eles se preparassem.
— Não, mas esse não era o objetivo. Não conseguiríamos evitar que eles se preparassem sem expor nossos agentes. Mesmo deter o bombardeio sem que isso acontecesse foi complicado, mas aquele não era o momento certo para acabar com o Sturoyal. Não conseguiríamos chegar em todos naquele momento.
— E agora já conseguiríamos? — Sophie pareceu esperançosa.
— Talvez, mas vamos esperar mais um mês ou dois. É mais certo conseguirmos depois disso.
— Certo. Isso é tudo?
— Do trabalho é sim. Mas você sabe que nunca acaba aqui.
— Nós duas sabemos. — Sophie sorriu. — Como você está?
— Bem. — ela deu de ombros. — A mesma que eu sempre fui.
Sophie franziu o cenho.
— Por que diz que é a mesma de sempre?
— Por que você está diferente. — Andrea disse.
— Eu? Diferente?
— É. Você nem percebeu, mas está sim.
— Diferente como? — Sophie questionou.
— Com um ar meio sonhador, não sei. Mesmo quando você era mais nova, não tinha isso.
— Quando você me conheceu, já tinha sofrido desilusões o suficiente para não ter mais o ar sonhador que uma menina de 18 anos devia ter.
— Então você está se permitindo sonhar?
— Talvez, um pouquinho.
Andrea suspirou fundo, e então sorriu.
— Eu estava mesmo começando a suspeitar que você estava apaixonada.
— Calma lá. — Sophie disse, da forma mais contida que pôde, já que estavam tentando não chamar atenção. — Não acho que esteja apaixonada. — então, como se sua mente estivesse tentando provar que ela estava errada, lembrou da preocupação de Benedict com o seu pulso torcido e da forma como ele a tratava independente de estar machucada ou se sentindo mal. Pensou que quando estava com ele era quando se sentia mais em paz e também que tinha começado a conhecê-lo melhor do que conhecia quase qualquer outra pessoa em Londres, com exceção da mulher à sua frente e Posy. Sophie respirou fundo. — Mas pode ser que esteja chegando lá.
Andrea sorriu. Se fosse em uma outra fase de sua vida, poderia ter começado a rir junto com Sophie, mas agora não, não importava o quanto quisesse. Não importava o quão feliz estivesse por aquela menina — agora uma mulher, ela tinha que admitir — que o destino tinha escolhido para ser sua filha.
— Fico feliz por você, Sophia.
— Eu não sei se eu estou feliz com isso.
— Você é feliz com essa pessoa?
— Sim. Eu gosto muito dele, mas não quero colocá-lo em perigo, e também não quero mentir para ele. Consegui evitar isso até agora, só omitindo o que eu faço de verdade.
Andrea respirou fundo. Já fazia muito tempo que queria falar sobre o assunto com ela, mas a oportunidade nunca surgia. E quando surgia, Sophie mudava o assunto antes que ela pudesse realmente abordar aquilo.
— No nosso ramo de trabalho, é difícil ter relacionamentos. Ou você namora com alguém de dentro e que entenda que você faz o que é necessário, ou arranja um santo que não questione o que você faz para viver. Que não questione porque você vai chegar em casa com um olho roxo de vez em quando ou com uma ou duas costelas quebradas. Mas, não importa em qual das duas categorias a pessoa que você ama cair, você tem que saber que pode perdê-la a qualquer momento. A primeira porque você sabe como são algumas missões e porque a maior parte de nós tem a cabeça fudida demais para que qualquer outra pessoa fique tão perto assim. E a segunda porque chega um momento em que, por mais que a pessoa te ame, ela vai querer saber mais.
— Como Cupido e Psiquê. — Sophie disse, num tom triste, e Andrea concordou. Em algum momento, as "irmãs" ou as suas próprias inseguranças vão te fazer desacreditar da pessoa que você ama, ela pensou. — Você acha que é melhor um santo ou um igual?
— Eu amava um igual. — ela disse, puxando uma corrente que sempre usava por dentro da blusa. Em todos aqueles longos anos que se conheciam, Sophie nunca tinha visto o que era o pingente: uma aliança. — Meu marido era um agente também. Nós dois sempre soubemos que havia uma grande probabilidade de que algo ruim aconteceria com um de nós.
— Eu nunca soube que você era casada. — Sophie estava surpresa de verdade. Andrea era o mais próximo de uma figura materna que ela teve na vida e, bom, acreditava que deveria saber se ela já tinha sido casada. Sabia que havia uma terceira pessoa em sua relação com Conrad, mas não imaginava que Andrea tinha sido casada com ela. Eles nunca mencionavam essa pessoa e Sophie não sabia o que tinha acontecido entre os três.
Ela deu de ombros e deu um sorriso triste.
— Roger morreu numa missão três meses antes de eu te conhecer. Estávamos juntos desde que começamos o treinamento, com 21 anos. Nós tínhamos combinado que seria a última missão e que, depois disso, passaríamos a fazer trabalho burocrático. Ele sempre quis uma família, todo o estereótipo de uma casa grande no campo e, depois de muita insistência dele, eu finalmente estava pronta para desacelerar. O dia em que eu te conheci foi a primeira missão para a qual eu tinha saído depois da morte dele. Te chamar para ir comigo naquele dia foi o ato mais estúpido da minha carreira, mas eu não me arrependo. Você era um talento nato e eu precisava de uma nova dupla.
— Mas e o Poole?
— Bem, ele servia tanto como minha dupla quanto como dupla do Roger, mas não era a mesma coisa. Eu e Roger conseguíamos trocar ideias só com um olhar.
Sophie simplesmente pegou a mão de Andrea por cima do banco e a apertou, tentando passar um pouco de conforto. Aquilo claramente ainda doía, mesmo já fazendo mais de 10 anos. Será que Roger imaginava que, 10 anos depois da sua morte, Andrea, a pessoa mais durona que já tinha conhecido, ainda sentiria sua falta?
— Não consigo nem imaginar o quão difícil foi para você.
— Foi a coisa mais difícil pela qual já passei. Eu perdi o amor da minha vida. — Andrea disse, parando para respirar fundo. — Ambos sabíamos que existia esse risco e foi um risco que valeu a pena correr. Mas eu faria tudo de novo, viveria tudo de novo, mesmo sabendo do fim, se isso quisesse dizer que poderia vê-lo de novo.
— Faria alguma coisa diferente?
— Bom, talvez eu tivesse dito para ele não ir naquela missão, mas ele era teimoso como uma mula e acabaria indo de qualquer jeito. — ela disse, com um sorriso triste. — Isso é algo em você que sempre me lembra dele. E acho que é outra razão pela qual eu te considero a filha que eu nunca tive.
— Eu te lembro dele?
— Sim. — ela deu um meio sorriso. — O tempo inteiro.
Sophie apertou a mão dela mais uma vez.
— Você falou que amava um igual, mas eu sei que tem muita gente que se apaixona por pessoas de fora. E eu sei que Blake Ravenscroft casou no ano passado e que está tudo bem, mas…
— Queria saber de alguém que tivesse algo mais a longo termo?
— Sim.
Andrea respirou fundo.
— Eu vou te contar isso porque conversei com o Conrad antes e ele deixou, mas não sei o quanto a história dele vai te ajudar.
— Ele também tinha alguém?
— Sim. O nome dela era Maya e eles tinham começado a namorar com 16 anos, então ela sempre soube de tudo, e, inclusive, foi ela que o incentivou a entrar no MI6.
— Ela era a mãe da Daisy?
— Sim. Eles tentaram ter filhos por mais de 5 anos antes de a Daisy nascer.
— O que aconteceu?
— Conrad tinha acabado de chegar em casa depois de passar três dias fora numa missão um tanto quanto cansativa. Ela aproveitou que ele finalmente tinha chegado em casa e foi fazer algumas compras, mas, enquanto ia para o mercado, um motorista de caminhão bateu no carro dela.
— Ah não.
— Pois é. Até hoje eu tenho impressa na memória a cena dele tentando acalmar Daisy, que só queria o colo da mãe. Claro que eu estava triste pela morte da minha amiga, mas não conseguia imaginar a dor que ele estava sentindo. Até que, dois meses depois, nossos papéis foram invertidos.
— Vocês dois perderam os parceiros no mesmo ano?
— Foi um ano horrível.
— E por que eu nunca ouvi falar nem do Roger nem da Maya?
— Nós concordamos de não falar e, por muito tempo, eu não conseguia falar do Roger com ninguém que não fosse a minha psicóloga. Foram anos até que eu conseguisse falar algo casual como “meu marido gostava desse bolo”. E até hoje, Daisy é a única pessoa com quem o Conrad fala sobre Maya. Hoje, eu vejo que eu devia ter falado dele com você e com outras pessoas porque me faz bem relembrar, mas não posso voltar no tempo. Não posso dizer para ele não sair da cama naquela manhã.
As duas ficaram em silêncio por um momento, com Sophie apenas tentando processar tudo o que Andrea tinha lhe dito.
— Por que me contou essas duas histórias? As duas acabaram mal.
— Porque, apesar de terem acabado mal, nenhum de nós se arrepende do percurso. E nem sempre precisa acabar mal. Conrad e Maya ainda estariam juntos hoje se não fosse o acidente, assim como eu e Roger. O que eu queria te mostrar é que você pode sim ter algo com alguém e que isso é algo que vale a pena, pelo tempo que durar.
Sophie ia responder alguma coisa, mas o que quer que fosse escapou de sua mente após ouvir duas palavras ditas por uma vozinha conhecida:
— Tia Sophie!
***
Naquela tarde de sábado, Benedict estava de babá de Charlotte para que Anthony e Kate pudessem ir fazer compras. Então, a levou para o seu ateliê, mas ela estava agitada demais para se concentrar em pintar, como acontecia de vez em quando. Afinal, era pedir demais que uma criança de três anos conseguisse se concentrar por uma hora toda semana para poder produzir alguma coisa.
Como passariam a tarde inteira juntos, Benedict resolveu levá-la para o parque que ficava ali perto. Assim, ela poderia brincar no playground com outras crianças até cansar e aceitar simplesmente se sentar para assistir um filme em casa.
Parecia um plano excelente e estava correndo bem…
Até que os dois avistaram Sophie, que estava num banco do parque conversando com uma senhora de meia-idade. Elas pareciam estar tendo um momento e, bem, não era o lugar deles interromper, então Benedict esperaria um pouco para ir lá falar com ela.
Lottie, entretanto, tinha outros planos.
Ela simplesmente saiu correndo na direção de Sophie. Benedict foi logo atrás dela, mas várias pessoas também estavam circulando por ali e, enquanto uma criança conseguia correr e as pessoas simplesmente se afastavam, não davam o mesmo tratamento a um adulto, mesmo um tão alto quanto Benedict.
— Tia Sophie! — Charlotte se jogou em cima de Sophie, querendo um abraço.
Andrea apenas olhou para Sophie, com um olhar que perguntava de onde ela conhecia a criança e por que ela a estava chamando de tia. Tinha suas suspeitas, claro, mas queria saber se eram concretas ou não.
— Oi, princesa. — Sophie respondeu, já a abraçando e com um sorriso para ela. — Cadê seus pais?
— Não sei.
— Você tá perdida? — ela se preocupou. O que teria acontecido?
— Não. — a voz familiar de Benedict soou, já bem próximo delas, e Sophie logo se acalmou. — Ela está comigo, mas te viu e saiu correndo.
— Você deve ter passado na fila das pernas duas vezes pra deixar seu tio comendo poeira assim. — Sophie disse, ainda segurando Charlotte no colo. — Mas você sabe que não é pra sair correndo quando estiver no meio da rua, né? Principalmente se estiver só.
— Eu tava vindo aqui pra ver você. — a menina reclamou.
— Mesmo assim. — Benedict disse, já se abaixando na frente de Sophie para poder ficar da mesma altura que a sobrinha. — É a mesma coisa da escada. Não pode descer a escada sozinha e nem pode andar sozinha na rua.
— Mas tio, era pra ver a tia Sophie!
— Mesmo assim. E ela estava ocupada. — ele virou para Sophie e para Andrea, que observava a troca entre os três com um leve sorriso no rosto. Suas suspeitas estavam corretas. — Desculpem termos atrapalhado a conversa de vocês.
— Besteira. — Andrea disse, acenando com a mão. — É bom ver que a Sophia fez bons amigos depois que cresceu. Sabe, ela era tão tímida que eu tinha medo que não fosse conseguir fazer amigos na vida adulta.
— Julieta, pelo amor de Deus. — Sophie disse, sentindo o seu rosto esquentar involuntariamente. Por que, Andrea? Por que trazer a timidez infantil para o jogo?, ela pensava. — Eu era tímida aos 5 anos, mas bastante tempo se passou desde então.
— Não me lembre disso, por favor. — ela olhou diretamente para Benedict. — Encontrar ex-alunos já bem encaminhados na vida e com idade para ter suas próprias famílias é uma experiência que sempre me faz sentir os anos.
— A senhora foi professora dela? — Benedict perguntou, educadamente.
— Sim, há tanto tempo que nem me lembro mais qual o ano.
— Ela era sua tia da escola, tia? — Lottie perguntou para Sophie.
— Era sim. Tia Julieta.
— Que legal! Ela pintava com vocês que nem a tia Lily e a tia Grazi da minha escola?
— Eu era um pouco mais velha que você, então não, mas ela que me ensinou a ler e escrever.
— Melhor aluna da turma. — Andrea disse, com um sorriso. — Infelizmente, continuava pedindo para eu ensinar as palavras em francês também e isso estava fora da minha alçada.
— Você era uma mini-bilíngue. — Benedict disse, virando para Sophie com um sorriso.
— Me dava um pouco mais de trabalho, mas ela compensava sendo uma aluna exemplar. — Andrea então olhou para o relógio de pulso. — Nossa, olha a hora! Preciso ir, tenho um compromisso em 15 minutos.
— Ah, que pena. — Sophie disse, mas, na realidade, sem sentir um pingo de tristeza. Não gostava da ideia de mentir para Benedict e tinha conseguido evitar até aquele momento, mas, se Andrea continuasse ali, teria de continuar se afundando na mentira. — Espero que possamos repetir algum dia desses.
— Com certeza. — ela sorriu. — Te encontrar aqui foi excelente. E eu acho que mereço um abraço. — Andrea sorriu para ela e Sophie se levantou para abraçá-la. Ela então sussurrou contra seu ouvido: — Um santo.
A única resposta dela foi piscar duas vezes (a forma que tinham encontrado para responder perguntas cuja resposta era "sim" discretamente) e dar um sorriso.
— Tchau.
— Tchau. Foi muito bom te reencontrar.
Andrea se afastou deles.
— Tia, brinca com a gente? — Charlotte pediu a Sophie.
— Lottie, acho que a tia Sophie tem outras coisas para fazer agora. — Benedict disse.
— Na verdade, não. — Sophie respondeu. Lottie pegou uma das suas mãos e colocou a outra na de Benedict e começou a puxar os dois na direção do parquinho, onde ela estava antes. — Eu estava entediada em casa e vim para o parque, torcendo que encontrasse alguma coisa para fazer.
— Você podia ter me ligado.
— Eu pensei que você estaria dando aula para a Lottie e não queria atrapalhar.
— E estaria, mas essa mocinha queria brincar e não pintar hoje. — ele bagunçou o cabelo dela, que olhou para ele estreitando os olhos, numa ameaça clara. Quase conseguia ouvir o “eu vou matá-lo” quando a menina fazia aquela expressão tão típica de seu irmão. — E tudo bem, porque eu mesmo estou precisando de uma pausa do ateliê.
— Encontrou um bloqueio? — Sophie perguntou enquanto Charlotte soltava a mão dos dois e corria para a gangorra, que tinha outra criança ocupando um dos lados. Ele comentou que ainda estava trabalhando na exposição, mas a última informação concreta que ela tinha era que ele tinha os 6 primeiros quadros prontos três semanas antes.
— Muito pelo contrário. — ele disse, enquanto os dois paravam ao lado da gangorra. — Eu estou trabalhando demais e preciso de uma folga.
— Quer fazer alguma coisa na segunda? — Sophie perguntou, o mais casualmente que podia.
Não tinha mais como negar aquilo. Tinha se dito que se afastaria antes de ficar muito sério e continuava com aquela intenção, mas simplesmente chamar aquilo pelo nome não seria admitir o quão sério estava, certo? Decidir o momento certo de sair e conseguir sair seria mais difícil do que ela pensava, mas aquele era um problema para a Sophie do futuro.
— Segunda é…
— Dia dos namorados, eu sei. — ela deu de ombros. — Eu sei que nunca demos um nome, mas você meio que é meu namorado.
Benedict simplesmente a beijou. Se pudesse, congelaria aquele momento em que ela finalmente dava um nome ao que tinham, mas estavam num parque e tomando conta de Charlotte.
— E você definitivamente é minha namorada.
— Isso é sua versão namorado possessivo?
— Não. Calma. — ele colocou a mão [ou uma parte dos dedos (malditos bolsos pequenos de jeans feminino)] num dos bolsos traseiros do jeans dela. — Agora sim.
Sophie riu.
— Então, o que vamos fazer na segunda?
— Eu vou entregar a última encomenda umas 17:30, aí depois disso eu passo para te buscar, pode ser?
— Perfeito. — ela sorriu. — O que poderíamos fazer?
— Bem, acho que é um pouco tarde para tentarmos fazer reservas para jantar na noite com o maior número de encontros do ano.
— Também acho.
— A gente vai jantar? — Lottie perguntou. — Tô com fome.
— Tá meio cedo para jantar. — Sophie disse, mas trocou um olhar com Benedict. Tinha visto um carrinho de pipoca perto da fonte, mas não queria tomar a frente daquela situação. Ela podia ter uma bolsinha com lanches no carro ou algo do tipo, o que seria a primeira escolha.
— E sua lancheirinha ficou no meu ateliê. — Benedict disse. — Mas tem um carrinho de pipoca ali.
— Pipoca! — Charlotte bateu palminhas.
— Vou lá comprar. Vai querer também, Soph?
— Sim, obrigada.
Benedict se afastou, deixando as duas perto da gangorra, com Sophie segurando as costas de Lottie para lhe dar um apoio maior enquanto ela brincava. Ele pediu as pipocas e as observou de longe, sorrindo de leve enquanto percebia as duas rindo por alguma coisa. O pipoqueiro, percebendo que ele estava distraído, tentou acompanhar o olhar dele e logo viu as duas brincando juntas.
— O senhor tem uma família muito bonita.
Benedict pensou em corrigi-lo, mas, realmente importava que ele soubesse os detalhes? Eram sua sobrinha e sua namorada, a mulher que amava, então podia estar se adiantando um pouquinho, mas fazia alguma diferença?
— Tenho mesmo.
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