Shattered By Broken Dreams
5 fate misunderstood
Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo para todos os avengers.
Boa leitura! uhsausha
POV SYN.
O som da risada de Lia encheu meus ouvidos enquanto Matt tirava sarro da sua extrema falta de coordenação com a prancha. Ele estava tentando ensiná-la a surfar mas Lia definitivamente não levava jeito para a coisa.
Engraçado como em poucos dias ela conseguiu nos conquistar tanto. Talvez fosse aquele feeling que Lia tinha que nos deixava tão a vontade com ela.
Bem teria que admitir que ela também havia me conquistado, só que de um jeito que eu nunca pensei que conquistaria. – Depois de uma semana, era para eu ter me esquecido dela, mas essa insistia em invadir minha mente silenciosamente, e quando eu menos esperava lá estava ela para me tirar a paz, enlouquecendo-me aos poucos.
Sim, eu já havia conseguido o que eu queria, mas de algum modo era como se aquilo não tivesse sido o suficiente para me satisfazer.
Apesar daquela noite tivesse sido uma das melhores da minha vida, odiava o fato de ser só eu quem me sentia assim. Liadan estava tão chapada naquele dia que nem deve se lembrar direito do que aconteceu.
Queria senti-la novamente em meus braços, e mais, queria Tê-la para mim e não somente o seu corpo.
Ergui a garrafa de whisky e dei um gole direto do gargalo, ainda observando a cena de longe.
Lia tentou se equilibrar novamente em cima da prancha, porém, caiu exatamente como antes e James riu estridentemente enquanto fazia alguma piadinha sobre isso. Ela não deixou por isso, e então pulou nas costas dele, derrubando-o na água. Riam feito duas crianças.
Não pude deixar de perceber como ele a olhava. – Conhecia meu amigo bem o suficiente para saber que Zacky tinha razão quando disse que James estava praticamente de quatro por ela. Os olhos dele brilhavam toda vez que estava na presença dela, ou apenas tocava em seu nome. Realmente muito gay da minha parte notar isso, mas enfim, não era isso que me preocupava e sim o fato de que eu estava prestes a acabar com todo aquele romance, antes mesmo de começar.
- Você podia ser mais discreto Syn, se ficar secando a garota dessa maneira ela vai acabar percebendo. – Zacky disse sentando ao meu lado, pegou a garrafa da minha mão e bebeu um longo gole. – Mas e então, quando vai partir para a ação?
Tirei os óculos escuros para fuzilá-lo com os olhos.
- Ah qual é Brian, está escrito na sua testa que você tá arquitetando algum plano, não negue. – Falou colocado a garrafa na areia.
Suspirei enquanto colocava os óculos de volta.
- Ás vezes você consegue ser pior que o Jimmy. – resmunguei. – Primeiro diz para eu desistir dela, e agora tá me incentivando...
- Não estou te incentivando. – Me interrompeu, coçando a perna. – É só que eu te conheço Brian, quando você coloca algo na cabeça você consegue, não importa como. Esse negócio de ficar de expectador não faz muito o seu tipo, cara.
A verdade daquilo me magoou mas, tinha de admitir que era verdade. Não costumava desistir de uma coisa até consegui-la. E se para conseguir isso eu tivesse que sacrificar certas coisas, eu o faria.
Ele então continuou, com cara de deboche:
- Além do mais, não aguento mais ter que ficar ouvindo você ficar choramingando no meu ouvido. Lia nem se lembra que transamos no carro, foi especial para mim e não para ela mimi. – Riu alto quando eu dei um soco ao lado da sua barriga. – Quem diria, o grande garanhão de Orange Country morrendo de amores por uma garota.
- Ah cala a boca seu gordo do caralho! Quem disse que eu estou morrendo de amores por ela? Ou melhor, quem disse que Synyster Gates morre de amores por alguém?
Ergueu a sobrancelha, olhando para mim rapidamente.
- Essa garota é fatal. – Disse ainda rindo. – Colocou o nosso cabeça de rato na coleira sem que ele percebesse, e agora você também. – Levantou-se tirando a areia da roupa. – Eu já disse o que eu acho de tudo isso Brian, a partir de agora vou me manter neutro nessa. Faz o que você quiser da sua vida, mas só vou te dar um toque. Toma cuidado por que ás vezes a gente deixa as coisas correrem e quando você vê não dá para voltar atrás.
Aquela última frase lembrou-me vagamente de Michelle.
Fiquei em silêncio tomando um último gole de Whisky.
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POV LIA
Andei pelo corredor do colégio, em meio de risadinhas e provocações.
Inacreditável como uma simples camisa do Slayer pode te transformar em um ser completamente demoníaco aos olhos dos outros. – Não que eu precisasse de qualquer adereço para tal, mas, a camisa era um complemento indispensável para a minha reputação.
Abri meu armário e uma chuva de papeizinhos com símbolos do satã, desenhos de maconha, e com letras escritas “esquizofrenia” caíram sobre ele. Os alunos que passavam no local pararam para olhar, rindo e fazendo comentários maldosos.
Olhei por sobre ombros, e me dei com um grupo de líderes de torcida rindo da minha cara, era claro que foram aquelas vadias anoréxicas que haviam feito aquilo.
Inspirei e soltei o ar lentamente, sentindo meu sangue ferver. Tinha de manter a calma, afinal o diretor havia sido bem claro quando disse que a próxima vez que eu arrumasse problemas eu seria expulsa do colégio.
Eu já contei que botei fogo no uniforme de uma daquelas vadias que riam agora de mim? De verdade, tirar sarro de Metallica chamando-os de "bandinha barulhenta idiota" é pedir para morrer. A garota mereceu o que eu fiz, e eu ainda achei pouco.
O único porém era que agora eu teria que andar na linha se quisesse meu diploma, e isso incluía aturar esse tipo de brincadeira sem poder revidar (o que era uma verdadeira prova de auto-controle, visto o meu temperamento) . – Mas se querem saber, faltavam só mais alguns meses até eu pegar meu diploma e então tudo isso teria volta.
Joguei os papéis no chão, e guardei meus livros. Fechei meu armário com força, e então abri espaço por entre as pessoas para ir embora.
Desci as escadarias do pátio e andei pelo campus planejando a minha vingança contra esses alunos malditos. Quando atravessei parte do estacionamento da escola quase não acreditei.
Brian estava encostado em uma mureta bem na saída do colégio. Vestia uma camisa sem mangas do Guns n Roses e calças rasgadas nos joelhos. E sim, ele estava lindo por sinal.
- O que ele pensa que está fazendo? – Perguntei para mim mesma, tentando me decidir entre me esconder atrás de um pilar, ou correr de volta para o prédio do colégio e me manter lá até que ele fosse embora.
Bem, não pude colocar nenhum dos planos em ação porque ele percebeu a minha presença, e com um sorriso veio em minha direção. Vamos Liadan, ainda dá tempo de sair correndo.
Cravei os pés no chão e desferi meu melhor sorriso de simpatia.
- O que faz aqui? – Perguntei num tom de voz pretensiosamente casual.
- Vim te dar uma carona para casa – respondeu como se fosse óbvio.
Inclinou-se e me deu um beijo no canto da minha boca, se afastando para ver o efeito que havia provocado em mim. Eu odiava isso. – Ficar com as pernas bambas apenas pelo fato de nossos rostos estarem próximos.
Tentei reorganizar meus pensamentos.
- Val me chamou para ir na casa dela. – Disse, agradecendo internamente por Valary ter me convidado para ir à casa dela ajuda-la a pintar as paredes da sala. – Fica no próximo quarteirão, não tem por que eu ir com você.
Ele não se deixou abalar.
- Mas que coincidência, também estava indo para lá agora mesmo. — E completou para que parecesse mais convincente. – O porpeta e Shadz também vão lá depois. Parece que a noite do poker vai ser na casa dela.
Estreitei os olhos para ele.
- Ah é claro que sim. – Falei sarcástica, e então suspirei alto. – Brian, você não está colaborando...
Ele ergueu uma de suas sobrancelhas para mim.
- Eu?
- Já conversamos sobre isso. Aquela noite no Chiefs... Bem, eu nem sei se é verdade, mas enfim, foi um erro.
Brian bufou, como se achasse aquilo engraçado de alguma forma.
- Agora você vem me dizer que foi um erro. Saiba que não fui eu quem te agarrou.
- Para com isso Brian, eu estava bêbada! Que droga! – Hum, muito maduro da minha parte.
- Gostaria que ficasse bêbada mais vezes. – Falou dando de ombros. – Eu gostei daquela noite.
- Eu também.– Mordi os lábios quando percebi o que havia acabado de falar.
Ele sorriu e se aproximou de mim. Fechei os olhos, ao sentir suas mãos subirem sob meu braço lentamente.
- Por que não se desarma Liadan? – O som do meu nome sendo pronunciado pela sua voz rouca me arrepiou. – Está sempre construindo muros em volta de si. Por quê eu sou o único que não posso transpassa-lo?
Então ele achava isso? Mal sabia que era exatamente ele que ruía meus muros, minhas defesas e qualquer sanidade da minha mente. Ele era o único que conseguia transpassa-lo sem a minha permissão, e era por isso que eu não o queria para mim.
Odiava me sentir tão vulnerável.
E então quando me dei conta estava em seus braços, com os lábios junto aos seus. E novamente meus muros ruíram.
Nossos lábios se moviam-se com sede, e ferocidade, quase com... Paixão. Minha cabeça girou, e senti um frio na barriga incomum.
Uma de suas mãos agarrou fortemente a minha cintura, enquanto a outra puxava a minha nuca para mais perto. Minhas mãos segurarem a base de seu pescoço e a outra se enrolava sob seus cabelos. Nossas respirações eram descompassadas e urgentes. Reprimi um arquejo quando senti minhas costas baterem no muro da escola com o peso de seu corpo me prensando.
Ele ergueu uma de minhas pernas com a mão, prendendo-a firmemente ao lado de seu corpo. – Sentia ondas de calor por todo o meu corpo, como se o próprio calor dele estivesse a me dominar.
Quando nossos lábios se afastaram, pousou sua testa sobre a minha.
- Ok, isso não estava entre os meus planos. – Confessou, com o nariz roçando no meu. Compartilhávamos a mesma respiração úmida e quente. Era difícil de pensar com aquele aroma tão bom de tabaco e colônia masculina ainda pairando sobre mim.
- Percebeu que sempre que nos encontramos você me agarra? – Minha voz saiu baixa, quase como uma lástima. – Odeio isso
- Que eu te agarre?
- De perder o controle quando estou com você.
Brian sorriu.
- E isso é bom ou ruim? – Perguntou em tom provocativo.
- Ruim. Muito ruim. — murmurei. Sentindo minha respiração voltar ao normal aos poucos. – Mas ruim de um jeito... Bom.
Balancei a cabeça, confusa em como aquela frase sem sentido fazia tanto sentido para mim. – Tanto sentido que chegava a me dar medo.
- Bem, estamos quites então.
Dessa vez fui eu quem sorri. Empurrei-o gentilmente para conseguir passar.
- Preciso ir. – Disse com um sorrisinho ácido. – E não, eu não quero sua carona.
Seus lábios tremeram, reprimindo um riso, e então me puxou pela cintura novamente, selando meus lábios contra os seus.
- A gente se vê, então. – Disse, me deixando novamente atordoada.
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Um sino tocou após a porta de vidro da lavanderia se abrir.
- Ding Dong! – Exclamei, procurando Jimmy – ô de casa!
Jimmy parou de varrer o chão na mesma hora que me viu, com uma expressão atônita estampada no rosto. Vestia calças jeans pretas e uma camisa do Iron Maiden com o Eddie estampado no meio.
Provavelmente se perguntava o que poderia significar aquela última frase.
- Lia, você por aqui? – Perguntou apoiando a vassoura em uma das máquinas, sem tirar os olhos de mim. – Pensei que fosse para a casa da Val hoje.
— Pois é, eu ia. – Falei, colocando as sacolas de comida e minha mochila cinza em cima de um balcão de madeira. Virei-me para poder encará-lo. – Mas decidi passar na sua casa antes, sabe como é... Só para fazer jus a minha imagem de chata.
Ele se aproximou, checando as sacolas.
- Humm... Comida chinesa. – murmurou pegando uma das caixinhas na mão. – Que cheiro bom.
Ergui uma sobrancelha sabendo que ele tentava se desvencilhar dos questionamentos que viriam a seguir. Se ele achava que fazer comentários sobre a comida iria safá-lo, estava muito enganado.
Comecei com a voz calma:
- Não vai perguntar o que a sua mãe me disse quando eu cheguei à sua casa?
Ele ergueu os olhos para mim, e um sorriso divertido brincou no canto de seus lábios.
- Que eu sou um merda?
Suspirei, sentando-me em cima do balcão.
- Não disse com todas as letras, mas sim. – respondi sendo sincera. Talvez assim ele abrisse os olhos. – Jimmy, qual é o seu problema? Morar em uma lavanderia, sério?!
Ele suspirou alto, colocando a caixinha de arroz novamente dentro da sacola.
- Agh, ela quer se mudar de novo para Long Beach! – Gemeu, enquanto atravessava o local para trancar a porta de vidro e virar uma plaquinha para ‘fechado’. Virou-se para mim com uma careta. – Lia, eu não aguento mais ter que ficar me mudando. Desde meus oito anos de idade eu não sei o que é ficar mais de um ano em uma casa.
Ele balançou a cabeça e então se sentou ao meu lado.
- Eu não aguento mais isso Lia... – Murmurou.
- Olhe pelo lado positivo. Long Beach ainda fica na Califórnia. – Murmurei cada palavra sentindo meu coração se apertar. Só de pensar que não teria mais Jimmy por perto, eu começava a me desesperar. – Não nos veremos com tanta frequência mas, ainda assim, não é do outro lado do mundo...
Ele pousou a cabeça no meu ombro.
- Não é só disso que eu estou falando. – Sua voz parecia cansada. – Estou falando da minha vida. Meus pais me odeiam...
- Que absurdo Jimmy! É claro que não odeiam. – Apressei-me a dizer. – Quando cheguei à sua casa, sua mãe estava branca de preocupação. Ela disse que um dia você simplesmente pegou suas coisas e foi embora...
- Isso não quer dizer nada. — disse me fazendo parar. Levantou-se em um pulo para começar a andar de um lado para outro impacientemente. – A Sra Sullivan que você conhece não é a mesma que convive comigo. – Ele parou e então me fitou com seus olhos azuis, tristes. – Você sabe, eu não sou a melhor pessoa do mundo mas, eles fazem questão de me lembrar disso a todo minuto. Eu não tiro a razão deles afinal, eu não chego nem perto de ser um filho exemplar. Fui expulso duas vezes do colégio, tenho diversas passagens pela polícia, fui expulso também de um reformatório, não terminei a escola, roubava cookies antes do jantar... – Bufou jogando as mãos para cima. – Eu estou me esforçando para melhorar Lia, juro que estou. Só que eles não conseguem ver isso.
Aquela expressão triste definitivamente não combinava com Jimmy, e sem que eu pensasse muito já estava desesperada para fazê-lo mudar de humor.
Desci do balcão e fui até ele colocando a mão no seu ombro, tentando fazê-lo olhar para mim.
- Ei, ei não diga isso! – Falei, quando ele finalmente olhou para mim. – Tá certo, você já fez muita coisa por ai, mas seus pais têm muito do que se orgulhar da pessoa maravilhosa que é. Eu nunca conheci alguém com um coração tão bom, e tão certo de seus valores.
Ele riu alto e eu sorri satisfeita.
- Não acha que é uma hora inapropriada para humor negro? – Ele disse ainda rindo.
- Do que está falando? – Perguntei, e então me dei conta do que havia acabado de falar. – Oh me desculpa! Sabe que eu não estava fazendo piada da sua cardiomegalia.
- Relaxa, eu só estava brincando. Você sempre leva tudo o que eu digo tão a sério... – E então me abraçou apertado, e quando falou, sua voz saiu abafada pelo meu cabelo. – Você já deveria saber que eu só falo besteira, não sei por que continua acreditando nessas idiotices que eu digo. – Riu balançando os ombros. – Ah Lia, obrigado.
- Pelo o que? – perguntei apertando suas costas com a minha mão, também rindo.
Afastou-se de mim, para me fitar.
- Por estar aqui comigo, e por me trazer comida chinesa... E também por defender o Metallica queimando uniformes de líderes de torcida. – Riu quando eu dei um soco de leve no seu braço, e então foi até a porta dos fundos e a abriu. – Vamos, vou te mostrar minha nova residência. – Disse apontando para a sala com a cabeça.
Peguei a mochila e as sacolas, e o acompanhei.
Notas finais
Comentem, viu? o/
Beeeijos, e até o próximo capítulo o/
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