Shattered By Broken Dreams
6 We were more than friends
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Espero que gostem desse capítulo n_n
Boa leitura.
Jimmy e eu passamos por um pequeno corredor escuro, e então ele abriu uma porta que dava para uma espécie de armário cheio de produtos de limpeza, vassouras e rodos. – Apenas o que denunciava que ali habitada uma pessoa era um tímido colchão improvisado de blusas com uma toalha por cima.
- Ok, você dorme nisso? – Perguntei, sem conseguir esconder a reprovação.
Ele deu de ombros entrando e sentando pesadamente no colchão.
- É o que têm, e sinceramente é melhor que meu carro.
Sentei-me ao seu lado examinando o local. – Havia várias prateleiras na parede cinza chumbo, e também várias caixas empilhadas de qualquer jeito pelos cantos. Reconheci também a mochila de rebites de Jimmy e suas roupas jogadas em um canto escondido.
- Jimmy isso é... – Não completei a frase. Aquilo era tão insano que eu sequer tinha palavras. – Você não pode ficar aqui, você sabe, isso é ilegal. Já pensou se seu chefe te pega morando aqui?
— Na verdade eu durmo toda noite com medo que isso aconteça. – Ele disse abrindo uma das caixinhas de comida. – As pessoas vem aqui bater na porta ás três da manhã pra lavar roupa, dá para acreditar?. – Riu enquanto tentava pegar um rolinho primavera com palitinhos de madeira. — Eu sempre acho que é meu chefe, ou algum policial procurando por mim.
Balancei a cabeça de um lado para outro negativamente.
- Sei que você não vai querer voltar para casa, então não vou insistir. – Ele concordou com a cabeça, desistindo de tentar pegar o rolinho primavera com os palitinhos e segurando com a mão. – Eu até ofereceria a minha casa mas, você conhece o meu pai. Eu não sei o que ele seria capaz de fazer se eu apenas propusesse isso. — Também peguei um rolinho e dei uma mordida. – Ei, já pensou em ficar na casa do Zacky?
Ele parou de mastigar e franziu a pálida testa.
- Não sei... Acho que ele me expulsaria logo nos primeiros dias.
- Ele é seu amigo, é claro que ele não faria isso.
- O problema é que eu não quero que ele me aceite por obrigação. – Disse, mas então olhou para mim e completou em tom complacente. – Tá, tentarei falar com ele.
Mudei de posição, sentando sobre as minhas pernas.
- É assim que se fala! Tenho certeza que ele vai aceitar. – Disse. – Ele tem um quarto para guardar uns equipamentos de som, mas, acho que pode encontrar outro lugar para eles...
Ele assentiu sem prestar muito atenção no que eu dizia.
Comemos em silêncio por mais alguns minutos, com uma tensão desconfortável no ar. – O que era muito estranho já que normalmente Jimmy sempre estava falando. Sentia seus olhos queimarem sobre mim de tempos em tempos mas quando eu o olhava ele os desviava de mim.
Aquilo já estava começando a me incomodar.
- O que foi, Jimmy? – Perguntei preocupada com o seu silêncio.
Ele hesitou por um momento e então bufou.
- Não é nada. – respondeu pensativamente, como se estivesse a tentar convencer a si mesmo.
Franzi o cenho sabendo que de fato havia alguma coisa errada com ele.
- Sabe que pode falar para mim, não sabe? – insisti me arrastando para mais perto dele. – Talvez eu possa tentar te ajudar ou...
Me interrompi ao ver a expressão de Jimmy. – Esse observava nossas mãos próximas a milímetros de distancia com os lábios comprimidos. Entrelaçou-a na minha e um sorrisinho brincou timidamente no canto de seus lábios.
— Na verdade, nem eu sei o que está havendo comigo. – Murmurou ainda sem olhar para mim. – E também...
- O quê? Caramba Jimmy, diz logo o que tá havendo. – Apesar das palavras firmes, minha voz saiu tão insegura quanto a dele.
De alguma forma, eu estava com medo de ouvir o que ele tinha a dizer. – Era como se a minha mente estivesse a gritar: Saia imediatamente dai.
Engoliu em seco antes de falar.
- Lia, eu sei que não é da minha conta... – Interrompeu-se como se estivesse reorganizando seus pensamentos e então continuou meio hesitante. – Mas... Você e o Syn... Tá rolando alguma coisa entre vocês? Aquela noite lá no Chiefs, você... – Se interrompeu novamente.
Ergui a cabeça rapidamente para me deparar com duas órbitas azuis a me encararem, esperando a minha resposta com uma expressão que variava entre dúvida e desconfiaça.
Senti meu rosto ficar vermelho gradualmente. Maldita hora para corar Liadan!
Ele analisou meu rosto e encolheu os ombros, Retirando sua mão da minha.
- Ah... – murmurou, voltando a comer aparentemente indiferente. – Entendi.
Pisquei os olhos e abri a boca para falar alguma coisa mas a fechei sem ter certeza do que diria. Fiz a coisa mais sensata que encontrei: Negar.
- Não, Jimmy eu não sinto nada por ele. –– E também... Não aconteceu nada naquela noite.
Aquilo não era bem verdade, já que eu não me lembrava do que havia acontecido com clareza. Tudo o que eu tinha eram descrições e algumas lembranças vagas, nada mais do que isso. Além do mais, não tinha como confiar apenas nas palavras de Brian.
Fora o fato de termos nos atracados atrás da escola. E aquele sentimento que me tomou. – O que eu sentia por Brian poderia ser qualquer coisa, menos um nada.
Ele sorriu de forma despreocupada, apesar da firmeza de seu olhar. – Esses estavam mais cálidos do que de costume.
- Caralho relaxa, foi só uma pergunta idiota minha... Como eu disse, não é da minha conta.
- Jimmy...
- É sério, não se preocupe comigo. – Ele tentou manter a voz firme, mas consegui perceber o quanto aquilo o magoou. Se afastou e voltou a comer, com a testa franzida, imerso nos próprios pensamentos.
Quase pulei quando meu celular tocou no bolso da minha blusa. — Peguei-o, vendo o número que estava ligando no visor.
- Não vai atender? – Jimmy perguntou sem olhar para mim.
Suspirei alto, quando vi que a chamada era de Brian.
- Não é ninguém importante – Disse num murmúrio. Recusei a chamada e coloquei o aparelho de volta ao bolso. O que ele queria dessa vez? – hum, acho que já vou indo.
Levantei-me e peguei minha bolsa, colocando uma das alças sob o ombro.
- Espera, eu te levo até em casa. – Jimmy disse fazendo menção de se levantar, mas eu o impedi com um gesto.
- Não , não, pode deixar que eu vou de ônibus. – Falei. – A porta está aberta?
Ele franziu o cenho, pareceu não gostar muito da idéia mas não retrucou.
- A dos fundos está.
- Tudo bem então. A gente se vê Jimmy. –Falei, com um aceno.
Andei a passos rápidos pelo pequeno corredor querendo sair logo dali. – O vento puro e quente da noite me golpeou, fazendo meus cabelos chicotearem sobre o meu rosto. Fechei a porta atrás de mim com um baque.
Afinal, que conversa foi aquela? Onde Jimmy queria chegar com aquilo?
Caminhei mais alguns metros e parei em um ponto de ônibus.
Ele está com ciúmes sua idiota.
Balancei a cabeça tentando dissipar a voz da minha mente.
- Ciúmes? Não, aquilo foi só preocupação. Claro, preocupação de amigo. – Disse a mim mesma. – Afinal por que ele teria ciúmes de mim?
Sua retardada, ele gosta de você.
- AGH, CALA A BOCA! – Exclamei para o nada.
Parei por um momento, checando se alguém havia visto eu gritando sozinha. – Não acredito que havia acabado de me mandar calar a boca. Por sorte, a avenida estava vazia.
O celular tocou novamente, e eu quis tacá-lo longe.
Apesar de tudo, atendi-o na maior civilidade que pude.
- Caralho, quem é? — Juro, tentei ser delicada.
- Olá para você também, boneca. – Pude sentir o sorriso na voz de Brian. – Tentei te ligar, mas você não atendeu.
- Estava ocupada. – Falei fazendo sinal para que o ônibus que passava parasse. – Mas afinal, me ligou por quê?
- Queria ouvir a sua voz. – Ficou em silêncio por um tempo sabendo que aquilo não tinha colado, e então completou. – E sabe, Val me contou que você não foi para a casa dela.
Sacudi a cabeça e ri. O seu tom de voz sugeria que estava curioso para saber onde eu fui, porém não perguntou.
- Carente, Gates? – Perguntei, dando o dinheiro para o motorista e sentando em um banco ao lado da janela.
- Queria te ver. – Disse ignorando a minha brincadeirinha. – Podemos?
- E se eu disser não, vai fazer diferença para você? – Ele ficou novamente em silêncio tentando interpretar o que eu havia acabado de dizer. — Estou te dando uma deixa para me convidar para sair...
Quase pude ouvir o estalo em sua mente.
- Ah sim, claro, a gente se encontra no Johnny’s Bar, pode ser?
- Ótimo, a gente se vê lá. – Realmente, precisava de algo para esvaziar a mente.
- Certo, estou indo para lá então. — Dito isso, finalizou a chamada.
Fiquei com o celular mais algum tempo na orelha, até que por fim o guardei novamente no bolso.
Encostei minha cabeça na janela do ônibus pensativamente. Novamente aquele mesmo sentimento esmagador de culpa estava a me sondar.
Estaria Jimmy mais do que preocupado comigo? Claro que eu sabia, tanto quanto ele, que sim. Hoje havia tirado a prova disso.
Fechei os olhos com força. – Não queria ver aquilo que estava em minha frente. Talvez se eu ignorasse, ele se se transformaria apenas em uma mera paranoia da minha mente.
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POV Jimmy.
Eu havia errado praticamente todas as notas desde que começamos a tocar, o que certamente não passou despercebido para ninguém. – Mas apesar disso não fizeram nenhum comentário sobre o meu aparente devaneio.
Devaneio que tinha causa e nome. – Liadan Nevaeh Collins. – Essa mesma que estava encostada despreocupadamente em uma parede, vestindo calças rasgadas, botas de combate e uma de suas habituais camisas do Metallica que terminavam abaixo dos quadris. – Também estava armada com seus olhos profundos e cinzentos.
Torcia os lábios em um sorrisinho trocista de vezes em vezes, quando eu errava alguma nota. – Um sorriso que a iluminava por completo, e que para acrescentar, era o meu mais novo vício. Eu não podia deixar de retribuir o sorriso, era quase que um reflexo meu. Mas então não demorava, e sua atenção se voltava para outra pessoa. – Brian e Lia trocavam olhares discretos em meio às músicas. Olhares carregados de palavras mudas.
Era como se ambos fossem correr um para braço do outro a qualquer momento.
Isso se estendeu durante a semana inteira e eu fui obrigado a assistir sem ter o menor direito de falar alguma coisa.
- Ok, Ok. Vamos dar uma pausa. – Matt falou coçando o queixo. – Acho que a gente deveria mudar aquela introdução do refrão para algo mais calmo na guitarra base ai então entra o solo com aquele... – Shadows tentou imitar o som da guitarra com a voz.
- Vai ficar foda. – Zacky disse pegando o resto da cerveja que havia deixado em cima do balcão. Justin e Brian concordaram com a cabeça.
Matt então se virou para mim, procurando uma quarta opinião.
- O que acha, Rev? – Perguntou. – Mudamos a introdução do refrão ou deixamos essas notas só para o final?
Pisquei distraidamente.
- Hã... Acho bom. Quer dizer... Er... Legal
Justin e Matt bufaram em uníssono, enquanto Zacky ria.
- Qual é Sullivan, você realmente tá aqui? – Justin perguntou mal humorado, já indo para fora da garagem com um cigarro na mão. – Quando voltar para a porra do ensaio me avise. – Bateu a porta quando saiu.
Nem ouvi o que Justin havia dito. — Novamente, me peguei olhando claramente em direção dos dois.
Brian havia escapado para o lado de Lia, e agora conversavam e riam sobre qualquer coisa. – Valary também estava lá, mas não era como se ela realmente estivesse participando da conversa. Parecia que Brian e Lia estavam inclusos em algum tipo de mundo particular.
Consegui sentir o gosto acre se formando em minha boca, e minhas mãos se fecharam em punhos quando Brian passou a mão no rosto de Lia. Um gesto aparentemente casual, mas que me irritou profundamente. – Principalmente pelo fato de Lia ter sorrido em reação.
Desde quando eles haviam se tornado tão próximos? Pior, desde quando eu deveria me incomodar com isso?
Bem, desde quando eu me dei conta de que ela significava para mim mais do que apenas uma amiga. Temia que o que eu sentia por ela fosse algo como amor.
Amor. Isso só podia ser brincadeira.
Shadows veio até mim, trazendo duas garrafas de Heineken junto.
- Você tomou seus remédios, cara? – Ele perguntou me fazendo sair do transe. – Porque você não parece nada bem.
Peguei a garrafa que ele me ofereceu e me levantei. Nem havia percebido que ainda estava sentado na bateria.
Limpei o suor que escorria da minha testa com as costas da mão antes de falar.
- Tá parecendo a minha mãe, Sanders. Já tomei a porra dos remédios. – Ri nervosamente, tentando ignorar o casal que estava a minha frente. – Você fica me perguntando isso a todo minuto. Eu sei que eu tenho que tomar eles.
- Sabe, mas não toma. – Matt disse erguendo as mangas da blusa. – Cara, você já foi parar no hospital por causa disso e mesmo assim não aprendeu. – Matt parou e me olhou erguendo as sobrancelhas. – A não ser que haja outro problema.
Minha tentativa de ignorá-los faliu, como eu esperava. Dessa vez Matthew seguiu meu olhar se deparando com eles. Alternou o olhar entre Lia e eu. – Minha boca se comprimiu, e a expressão que se formou em meu rosto me denunciou.
- Lia é o problema? – Perguntou com a testa franzida.
- Claro que não. – murmurei, colocando a garrafa na bancada ao lado. Eles são o problema. Completei mentalmente.
Bem, era tarde demais para negar qualquer coisa, ele já tinha sacado o que estava acontecendo.
- Eu seguro e você bate nele com uma barra de ferro? – Sugeriu, rindo.
- Tacos de Baisebol machucam mais, aprenda isso Shadows. – Disse também rindo alto. – Mas, pra ser honesto, eu não sei se esse é o caso para usá-los.
- Puta que o pariu está rolando um triângulo amoroso aqui e você não sabe que está envolvido? Esse é exatamente o caso Rev. – Sanders disse sorrindo amigavelmente, mas algo no seu tom de voz me fez entender que aquilo era uma crítica. – Brian sempre faz isso. Lembra da Jenny? Darla? Ou aquela loira do primeiro ano que todos nós queríamos pegar... Como era o nome dela mesmo?
- Kate. – Respondi amargamente, lembrando em como era louco por aquela garota.
— Ah, Kate. Pois é, ele pegou todas elas. E todas foram parar no analista uma semana depois. Tudo por que um certo cabeça de rato ficou na defensiva.
- O que você está insinuando?
- Você gosta da Lia cara. – Ele disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Lute por ela.
- Ou acabe com o Synyster e tire ele da jogada, sei disso. – Falei sarcástico, e ele riu.
Sanders tinha esse negócio de ver as coisas como se fosse uma guerra. – A vida dele era como se fosse seu próprio campo de batalha.
Acontece que comigo isso definitivamente não rolava. – Apesar de Brian ser um filho da puta às vezes (nesse caso, um GRANDE filho da puta), ele era meu melhor amigo. Quase um irmão para falar a verdade. Não conseguia vê-lo como um oponente, ou um adversário.
- Por mim a gente linchava ele hoje mesmo, no caminho de casa pra ver se ele toma jeito. Faz tempo que estou devendo uns bons murros nele por perder meu Cd do Guns em uma aposta de bilhar.
Nós dois rimos lembrando-se do ocorrido. – Devíamos ter uns dezesseis anos nessa época, e mesmo assim nunca deixávamos de rir da cara do Brian quando teve que dar a notícia para Shads.
- Estão promovendo um racha e não me incluíram nessa? Quem é a vítima dessa vez? – Zacky perguntou entrando no meio da conversa.
- Você bolota. Iremos cortar um pedaço do seu bacon para o jantar. — Falei.
Shadows se voltou para Zacky, ignorando minha tentativa de mudar de assunto.
- Rev acabou de se tocar que tá apaixonado pela Lia. – Esclareceu sem rodeios.
Esperei pela risada de Zacky tirando sarro com a minha cara, mas ao invés disso, sua expressão ficou grave. – O bolota sabia de alguma coisa.
- E isso é alguma novidade? – Zacky tentou soar divertido, mas sua voz era tensa.
Ergui os braços.
- Tá bom, podem parar com isso. Eu e a Lia somos amigos, porra. – Disse tentando não soar muito alto para que Lia não percebesse que o assunto era ela. – Agora vão assistir big brother e parem de cuidar da minha como se fosse um reality show.
- Você e ela vivem dizendo isso cara. – Matt falou sorrindo. – Você gosta dela, então vai lá e diz pra ela o que sente.
- Eu não tenho nada a dizer. O que tenho por ela é só amizade nada mais... – Meus olhos percorreram a garagem. – Cadê a Lia?
Shadows riu, murmurando um “eu não disse”.
- Relaxa cara, vai ver ela foi só tomar um ar...
- Ah, e o Syn também resolveu tomar um ar? – Falei, dando-me conta que ele também havia sumido. Zacky tossiu inquieto e eu passei a encará-lo. – Ok bolota, o que realmente tá rolando entre ela e o Syn?
Zacky me olhou com olhos arregalados, surpreso pela pergunta.
- Cara eu não...
- Não fode Zacky, só me diz que tá rolando.
Ele suspirou, sabendo que não escaparia dessa.
- Tá, olha, eu não sei direito o que tem ali entre os dois... Mas parece que a coisa tá séria.
- Séria como? — Minha voz ficou subitamente seca.
Eu não sabia se realmente queria ouvir a resposta, mas esperei.
- Séria do tipo... – Tentou encontrar palavras para que parecesse menos grave do que realmente era. — Eu acho que ele realmente tá curtindo a Lia. Tipo, muito.
- Cutindo, muito? – Repeti feito um idiota, tentando sufocar a raiva.
- Ham, acho que o Zacky está tentando dizer que o Syn também está gostando dela... – Matt explicou, piorando a situação. – Ow, calma Rev! Cara senta ai, relaxa.
Me desvencilhei da mão de Matt com certa violência.
- Eu estou calmo, Porra, estou perfeitamente calmo!– Disse alto demais. Tentei abaixar o tom de voz. – Por que eu não estaria calmo?
Por fim, desabei novamente no banco da bateria, respirando fundo. Matt e Zacky se entreolharam, preocupados.
- Caralho, o que eu faço? – Perguntei, frustrado. Aquilo mudava totalmente a situação.
Eu não estava em busca de respostas para ser sincero, mas mesmo assim Matt respondeu.
- Vai lá falar com ela. – Matt sugeriu novamente, como se fosse a coisa mais óbvia a se fazer. — Ou vai deixar que a Lia seja a próxima “Kate” da sua vida?
Levantei em um pulo, tomado por uma onda de motivação.
- É...Eu vou falar com ela. – Disse decidido. Todos já sabiam disso, por que eu continuaria negando? – Que se foda a Kate! Eu vou falar com Lia!
Val, que havia se ausentado também, voltou ao local radiante.
- Vocês não vão acreditar na notícia maravilhosa que eu tenho para dar! – Ela disse vindo saltitante até nós. – Uma gravadora...
- Val, Val, onde está a Lia? Você a viu? – A interrompi, segurando seus ombros.
Valary me olhou assustada com a minha urgência, mas então tamborilou os dedos no queixo pensativa.
- Ela disse algo sobre estar atrasada para a reposição de aula...
- E o Syn, você viu ele? – perguntei com impaciência.
Ela franziu o cenho.
- Ah, ele tá lá fora conversando com o Justin... Jimmy espera, eu tenho uma notícia para dar!
O que quer que ela tinha a dizer, teria que esperar. – Peguei as chaves do carro e sai sem dizer nada.
Passei pela entrada da casa, sem reparar em Brian e Justin, e entrei no carro preto dando partida logo em seguida. – Ela não deveria estar longe do colégio.
Eu não fazia a menor ideia do que estava fazendo, e o motivo da minha urgência – Pior, nem ao menos sabia o que ia falar. Tentei me imaginar me declarando para ela. A cena que se formou era no mínimo cômica.
- Então Lia, à uns quinze minutos atrás descobri que te amo... – Disse enquanto virava a esquina da escola – E é isso, tchau.
Ri alto, ao imaginar sua expressão ao me ouvir falando tanta merda. Talvez ela cuspa na minha cara e me mande se foder. Eu faria isso se estivesse no lugar dela.
- Eu não posso simplesmente chegar nela e dizer isso. Ela não vai reagir bem. – Eu tinha certeza disso.
Freei o carro subitamente, e então me afundei no banco passando as mãos pelo rosto. – Minhas mãos estavam suadas, o que era um péssimo sinal. Ela nem estava aqui, e eu já estava nesse estado. Provavelmente eu nem conseguiria falar nada, e como sempre, estragaria tudo.
Mas tudo bem, só o fato dela saber sobre os meus sentimentos já era o suficiente.
O carro de trás soltou uma sonora buzina. – Foi então que me dei conta que estava parado no meio da rua. Dei uma meia volta e parei do outro lado da escola esperando por ela. Ensaiei o que iria dizer várias e várias vezes, tamborilando os dedos no volante impacientemente. Só esperava que ela chegasse logo, antes de eu perder a coragem de falar.
— Brian, para com isso! Alguém pode nos ver! – Uma voz feminina riu com gosto.
- E dai? Vão ficar é com inveja da mulher maravilhosa que eu tenho.
- Como pode ter tanta certeza de que me tem? – A voz perguntou em tom provocativo.
Eu paralisei no banco do carro. Eu conhecia aquela voz, e principalmente, aquela risada. Olhei pelo retrovisor, e me deparei com os dois:
Synyster a segurava pela cintura enquanto beijava seu pescoço, e Lia tentava se desvencilhar de seus braços. Sorriu antes de se virar para beijá-lo.
O mundo pareceu desabar sobre meus ombros naquele momento . Foi como se todas as minhas expectativas e esperanças houvessem sido arrancadas à força do peito.
A única coisa que eu podia pensar era o quanto eu queria afundar meus punhos na cara de Brian Haner por estar com garota que amava.
A primeira garota do qual eu realmente amei
Notas finais
Mas e então, o que acharam?
Deixem reviews, ok? *-*
Beeeeeeeeeeeeeeijos!
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