Shattered By Broken Dreams
9 Two vibrant hearts could change.
Notas iniciais
Mais um capítulo da fic para vocês.
Bem, não vou ficar falando muito por aqui... Nos vemos nas notas finais :)
Boa leitura!
Acordei desnorteada quando abri os olhos e me deparei com o brilho ofuscante do sol entrando pela minha janela. Estreitei os olhos, esperando que eles se acostumassem com a luz, e me espreguicei, sentindo meus músculos doloridos por ter dormido no sofá.
- Bom dia.
Olhei em volta, procurando a fonte da voz enquanto me sentava no sofá.
- Ah, bom dia pai... – Murmurei baixinho, ao ver meu pai sentado na poltrona ao lado lendo jornal.
Levantei-me percebendo que havia sido coberta durante a noite, e que a televisão havia sido desligada. Fui até a cozinha quase que correndo. – Não me perguntem por que, mas me sentia estranhamente incomodada por ele ter me visto dormindo na sala. Eu normalmente falava durante o sono, e eu tinha medo do que ele podia ter ouvido.
- Dormiu bem?. – Perguntou da sala.
Falei um “Hum”, enquanto abria a geladeira para colocar um pouco de suco em um copo.
- James veio te procurar. – Sua voz pareceu se tornar mais hostil ao pronunciar esse nome.
A jarra de suco escapou da minha mão, fazendo derramar quase metade do conteúdo no chão. Xinguei baixo, colocando a jarra em cima da pia e procurando um pano para limpar aquela sujeira.
- Liadan, tudo bem ai na cozinha?
- Tá tudo bem pai. – Disse apressadamente, ajoelhando-me no chão para limpar o suco. Minhas mãos começaram a tremer, ao me lembrar de Jimmy e tudo o que aconteceu na noite anterior. Pigarreei, tentando desfazer o nó na minha garganta e continuei com a voz pouco menos instável do que eu esperava. – E o quê ele queria?
Por sorte, George nunca foi uma pessoa muito observadora então não notou o sutil embargado em minha voz. Quando respondeu, sua voz estava indignada.
- Não sei, falei que estava dormindo. – Meu pai Bufou alto, e eu o ouvi virando a página do jornal com impaciência. – Mas escute Liadan, a próxima vez que ele tentar invadir a minha casa embriagado, serei obrigado à ligar para a policia. Não quero você andando com esse garoto! Dei uma chance para você, e olhe no que deu.
— Jimmy, seu retardado. – Murmurei para mim mesma franzindo o cenho. Aquilo era bem típico de Jimmy, e eu com certeza teria rido da situação se eu não estivesse tão chateada com ele. Afinal, o que o fazia pensar que eu o ouviria depois de tudo o que ele havia dito para mim? E além do mais, como eu conseguiria olhar novamente para a cara dele sabendo que meu melhor amigo me ama?
Essas e outras perguntas foram repetidas milhares de vezes em minha cabeça enquanto eu tentava dormir (o quê, para ressaltar foi uma tarefa quase impossível).
— Ouviu o que eu disse, Liadan?! – Meu pai perguntou da sala, acabando com a minha linha de pensamento.
- Ouvi pai, droga, eu ouvi! – Gritei da cozinha, enquanto me ocupava em lavar o pano sujo e terminava de tomar o meu suco. – Eu vou, ham, falar com ele.
Contornei o arco que separava a cozinha da sala e me estiquei por trás do sofá, pegando o cobertor enorme com dificuldade, fui em direção das escadas entortando meu pescoço para tentar ver alguma coisa, e não quebrar algum vaso.
- Liadan.
Rolei meus olhos, e me virei.
- Fala pai.
- Sente-se aqui ao meu lado. – Ele deu duas batidinhas no sofá, enquanto pousava o jornal dobrado em um dos braços da poltrona.
Suspirei e fui até lá, deixando o cobertor para trás. – Eu já sabia o que viria a seguir. George com certeza já estava construindo algum discurso sobre moral e ética pela manhã, e agora já estava pronto pra me encher com isso.
Meu pai levantou os olhos escuros para me encarar, mas então os desviou.
- Está cada vez mais parecida com a sua mãe. – Falou com pesar na voz.
Limitei-me a continuar em silêncio, esperando o que estaria por vir. Ele soltou um suspiro longo antes de continuar.
- Sabe Liadan, meu trabalho não me permite estar tão presente na sua vida como eu gostaria.
- Não precisa se preocupar com isso, pai. – Murmurei. Mas ele parecia estar mais preocupado em falar, do que me ouvir.
- Sua mãe sempre disse para que eu passasse mais tempo com você. Que eu deveria me preocupar mais com a nossa família do que com o trabalho. Nunca me perdoei por não ter passado aquele último natal com vocês.
- Você não tinha como saber que a mamãe iria morrer no dia seguinte.
- Você estava sozinha, deus do céu. Uma criança nunca deveria ter passado pelo o que você passou. – Fungou, e então refez sua expressão severa. – Bem, mas o que eu quero dizer é que sou seu pai. E estou disposto a te ajudar pelo o que precisar...
Levantei-me abruptamente.
- Pai é sempre a mesma coisa. Chega! Eu já sei de cor tudo o que você me disse, não precisa ficar repetindo.
Meu pai me olhou alternando a expressão de choque e irritação.
- Você sempre vem com esses discursos moralistas sobre como a ligação familiar é importante, mas quem prefere a porcaria do escritório ao invés da filha é você! Acha realmente que tudo vai mudar com uma simples conversa a cada mês? Você não sabe merda nenhuma do que eu estou passando, então não me venha com essa de tentar se tornar um pai presente à essa altura. Vamos fingir que somos uma família feliz, como sempre fizemos em todos esses anos.
- Nós somos felize...
- Pai, não me venha falar que somos felizes, porque nós dois sabemos que não conseguimos trocar mais do que duas palavras sem começar a discutir.
- Você tem que ser mais flexível. Trabalho feito um condenado, e nenhum centavo vem para mim! É tudo para o seu futuro, a sua faculdade!
- Você é mesmo inacreditável. – Murmurei. – Quer dizer então que a culpa é minha, é isso mesmo?
- Sabe muito bem que eu não disse isso. Esse é o seu problema, as pessoas tentam te ajudar e você as recebe com patadas.
- Tá bom pai, tá bom. Eu sou uma pessoa horrível, que não liga para os sentimentos dos outros. Agora se você já acabou, vou subir para o meu quarto.
Meu pai não respondeu, então tomei isso como um sim. – Talvez eu tenha sido dura demais nas palavras com ele, mas eu precisava liberar toda essa raiva em alguém. Na verdade estava disposta à guarda-las todas para mim, como sempre fiz, porém meu pai tinha que escolher justo hoje para me encher com aquelas suas conversas? Eu não estava com humor e nem cabeça para isso.
Quando cheguei ao meu quarto, joguei o cobertor em cima da minha cama e fui direto para o banheiro tomar um banho rápido. Enrolei-me em uma toalha preta e caminhei até o closet, sem me importar com o rastro de água que estava deixando para trás.
Arranquei a toalha do corpo e me vesti com uma regata branca velha e um shorts preto desfiado. Sentei na beirada da minha cama, calçando meus pares de coturnos, e terminando de secar o cabelo com a toalha. Logo depois, liguei o rádio e então deitei no carpete do quarto, com os olhos fechados.
Ouvi um barulho de chaves, e logo depois o roncar do carro do meu pai. Era muito comum meu pai ser chamado para trabalhar aos sábados, então isso não era nenhuma surpresa.
Devo ter ficado ali por mais uns vinte minutos, até que a minha campainha tocou. Prendi a respiração, desligando o rádio rapidamente. Podia sentir o calafrio na minha nuca ao pensar na possibilidade de ser ele novamente.
Calma Liadan, calma. – Repeti para mim mesma.
A campainha tocou novamente, tirando meu estado de pânico. – Levantei-me do chão e desci as escadas correndo, procurei as chaves no vaso ao lado da porta e a abri, com o coração aos pulos.
- Meu deus Lia, que cara é essa? Parece que viu um fantasma! – Não pude reprimir um suspiro aliviado ao ver que era apenas Val.
- Oi Val.
- Poxa, onde você foi ontem a noite? Aconteceu alguma coisa? Ah, e trouxe sua bolsa.
- É uma longa história... Vem, pode entrar. – Dei passagem para que ela entrasse, e então fechei a porta.
- Pelas olheiras, parece que alguém não andou dormindo a noite. – Falou, fazendo uma careta. – Foi muito ruim com o Jimmy?
Sentei no sofá, ao lado de Val.
- Ele... Disse alguma coisa depois que eu fui embora? – Perguntei, não querendo ir direto ao ponto.
- Bem, ele disse que algo sobre sempre estragar tudo e de merecer o tapa na cara... Mas Lia, o que aconteceu? Ele estava péssimo quando fomos falar com ele.
- E o Syn? Ele apareceu por lá?
- Ele ligou no seu celular, e disse que não ia dar pra ir...
Fiquei em silêncio, e novamente as palavras de James me atingiram. – Claro que Syn estava me traindo. Eu não era tão ingênua a ponto de pensar que ele se manteria totalmente fiel a mim. E por mais que eu estivesse relutante a admitir, aquilo tinha o poder de me machucar profundamente.
Valary se aproximou de mim, afagando meus ombros.
- Querida, eu não vou te julgar, prometo. Estou aqui apenas para ouvir e tentar ajudar.
Eu não tinha ideia de como explicar a ela toda a confusão que era meus sentimentos agora, e tudo o que havia acontecido ontem. Se eu mesma não conseguia me entender, quanto mais outra pessoa.
Olhei para Val, agradecida, e ela sorriu docilmente em resposta. – Apesar desse jeito elétrico, Val era uma pessoa boa. Sabia que ela não estava ali apenas por mera curiosidade, eu podia sentir que ela realmente queria ajudar (mesmo não sabendo como ela poderia fazer qualquer coisa para melhorar a situação).
- Sinceramente, não sei nem por onde começar... – murmurei colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
- Que tal começar pelo começo? – Tentou me acalmar com uma risada. – Vamos, sou toda ouvidos Lia.
Mudei minha posição, sentando-me em minhas duas pernas, só então comecei a contar. Contei sobre o silêncio incomodo entre nós dois, as coisas horríveis que dissemos um para o outro, o estacionamento. Tudo. E val ouviu atentamente, sem dizer uma palavra, apenas assentindo com a cabeça as vezes, me incentivando a continuar quando eu ameaça parar.
- E... Ele disse também que me amava. Mas talvez ele já estivesse bêbado quando disse aquilo. Mesmo assim, ele não parecia tão bêbado... Ah Val, isso bagunçou totalmente a minha cabeça. Já não sei mais o que eu sinto.
- Lia eu prometi que só iria ouvir, mas não resisto! – Ela cobriu a boca balançando os ombros. – Mas tudo bem, acho que posso aguentar até o final.
- Ok, pode falar o que você acha, está liberada do voto de silêncio.
Ela arregalou os olhos e então sorriu.
- Você está apaixonada... – Ela disse, e então para o meu desespero completou com um sorrisinho maroto. – Pelos dois.
- Ficou louca? Claro que não! Sinceramente Val, não sei de onde você tirou isso.
- Oh vamos lá, você prestou atenção em tudo o que me contou?
- Prestei, e não me lembro de ter falado nada disso.
Ela ergueu uma sobrancelha.
- Você sabe muito bem o que está se passando dentro desse coraçãozinho, só não quer admitir.
Senti o sangue subir em minha face.
- Eu não o amo... Nenhum dos dois para falar a verdade. – Disse firmemente. – O que está acontecendo entre mim e o Brian é apenas... Um rolo.
- Um rolo. – Ela repetiu irônica.
- Exatamente. E quanto ao Jimmy, quero mais é que ele se foda. Não quero ver ele nunca mais na minha frente. Ele tentou invadir a minha casa hoje de manhã, Val! – E então acrescentei um detalhe importantíssimo. – Isso de acordo com o meu pai.
- Mas você não estava?
- Estava dormindo.
- Ai meu deus, mas você não acorda nem quando alguém tenta invadir sua casa! Enfim, o que ele queria? Aposto que se arrependeu e veio pedir desculpas.
- Não sei. – Falei, ignorando aquele primeiro comentário. – Mas mesmo que ele venha me pedir, não sei se vou conseguir aceitar.
- Deixa de ser orgulhosa. É claro que ele só disse tudo aquilo por que estava de cabeça quente. Ele sempre foi impulsivo.
Respirei profundamente. – Poderia ser verdade mas eu não dava a mínima. Ele não tinha o direito de ter falado aquilo para mim, não mesmo. E não seria com um simples pedido de desculpas que eu iria perdoa-lo e tudo voltaria ao normal.
As coisas não eram tão simples como eu gostaria.
Valary então pulou do sofá pegando sua bolsa.
- Levanta essa bunda do sofá, vamos sair.
- Pra onde? – Perguntei em uma careta.
- Ainda não sei. Mas você precisa sair pra se divertir um pouco, melhorar esse astral.
Ela me ajudou a levantar e então me rebocou porta à fora, praticamente à força (em outra palavras, ela me expulsou da minha própria casa).
Entramos no corolla azul, e o rádio ligou em volume alto quando o carro deu partida.
- Ah eu adoro essa música! – Ela exclamou acompanhando a letra da música. – It's the end of the world as we know it! – Ela deu uma cotovelada em meu braço, me incentivando a cantar. Rolei os olhos e sorri.
- It's the end of the world as we know it, and I feel fine. – Cantarolei um pouco menos animada que Val.
- Ai que injusto. Você canta melhor que eu! Você deveria participar de um concurso, ficar rica e me ajudar a pagar algum menager pra banda.
- O quê? – Perguntei rindo.
- Tá, eu viajei agora. Mas sério, você deveria me ajuda a organizar as coisas da banda. Nossa, é tanta coisa que eu não estou dando conta! Depois daquele show do Chiefs, os agendamentos de shows estão aumentando cada vez mais! Estou ficando maluca com tantos números! E você é tão boa com contas...
- Val você sabe que é só pedir.
- Eu sei, mas não quero te incomodar com essas coisas. – Virou para me olhar de esgueira.
- Não é incomodo nenhum, é só combinar que a gente resolve isso.
Val então começou a tagarelar sobre como a banda estava ficando cada vez mais conhecida, e sobre como o cd iria melhorar as coisas para eles. Disse também que soube do aparecimento de algumas groupies da banda (dessa ultima noticia, não gostei nem um pouco apesar de ter rido).
Estava distraída com toda essa conversa da Val, até que ela virou uma esquina e eu finalmente reconheci onde estávamos.
- Não, não e não! Val, nós não vamos para lá. Já pensou se Jimmy aparece?
Ela riu com gosto, orgulhosa por conseguir me distrair com toda aquela conversa.
- Sim, nós vamos e não se fala mais nisso. – Ela parou em um semáforo, e virou o rosto para me olhar. – Depois de ter bebido tanto ontem a noite, eu dúvido que ele apareça nas gravações de hoje! Não precisa se preocupar, vai ser divertido, você vai ver.
Não tive como retrucar, afinal, ela era uma Dibenedetto, ou seja, insistente em tudo o que faz. Mesmo que eu falasse que não ela insistiria até me convencer do contrário.
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POV JIMMY
As baquetas voavam pela bateria, sem que eu precisasse pensar muito. – Esse era o melhor da bateria, você só precisava se soltar que o som fluía naturalmente. Era como um jogo de sentimentos, a música apenas dançava de acordo com eles.
Suor escorria pela minha testa e empapava a minha camisa. Eu estava realmente exausto, depois de tanto tempo tocando aquilo. Meu coração batia tão rápido em meu peito que chegava a doer. – Mas eu não me importava. Já não me importava com mais nada.
Continuei tocando, fechando os olhos de vez em quando, sentindo a vibração do bumbo duplo em meus pés, sentindo a vibração de toda a bateria em mim.
- Então o plano é ficar tocando bateria para sempre, ou até seus ossos se pulverizarem?
Zacky estava esparramado no sofá, jogando vídeo game com um pacote de Cheetos no colo. Continuei a tocar, sem me importar com os tiros vindos da televisão.
- Cara, isso tá uma merda. Não consigo ouvir nem meus próprios pensamentos. – Ele deu pause no vídeo game e virou a cabeça para mim e então arremessou um tênis all Star que atingiu em cheio um dos pratos da bateria.
- CARALHO, O QUE VOCÊ PENSA QUE TÁ FAZENDO? – Levantei do banco da bateria com violência, fazendo o mesmo cair no chão.
- Estou te impedindo de ter um ataque cardíaco Rev. Você tá ai desde as dez horas da manhã! – Olhou para a minha expressão e então encolheu os ombros. – Foi mal pela bateria, o tênis era pra ter ido na sua cabeça.
- Tudo bem bolota, relaxa. – Disse suavizando a expressão, e jogando as baquetas de volta pra ele. – Eu só tô...
- Precisando seguir o próprio conselho? É eu também acho cara.
Ri enquanto atravessava a bancada que dividia a cozinha da sala e pegava uma garrafa de cerveja do frigobar. Logo depois fui para meu quarto.
Meu novo quarto era bem mais escuro do que eu gostaria, mas isso era um detalhe completamente relevante comparado à dispensa em que dormia na lavanderia.
Fora que tirando o fato que não entrava luz no meu quarto, o lugar era realmente confortável. – As paredes brancas cobertas de pôster de bandas antigas, e o assoalho de madeira escuro. O quarto não era muito grande, e por isso não necessitava de muita mobília. Só uma cama encostada na parede, um criado-mudo e uma cômoda (que não era muito necessária, já que a maior parte das minhas roupas ficavam jogadas no chão). Havia também uns cds empilhados encima dessa mesma cômoda, e um amplificador ao lado.
Abri a garrafa de cerveja e a coloquei no chão, só então desabei na cama de ferro que rangeu em protesto. Minha respiração estava descompassada, e meu coração parecia explodir em meu peito. – Era sempre assim, eu me magoava e então tocava até chegar à exaustão. Era como uma espécie de autopunição.
Abri a gaveta do criado mudo ao lado da cama e tateei em busca dos frascos de sulfato de cálcio. Desenrosquei a tampa e coloquei uns três comprimidos dentro da boca e engoli tudo com a ajuda da cerveja. Em pouco tempo, elas fizeram efeito e o meu coração foi retomando um ritmo normal, tornando a dor mais suportável.
Grunhi, virando a garrafa para tomar o que restava da cerveja. – Quantas garrafas a mais seriam necessárias para me fazer parar de pensar na Lia?
Nem que tomasse um rio inteiro de cerveja eu a apagaria de mim. – Pensei comigo.
Aquilo era realmente lamentável. Ficar sofrendo por uma garota que sequer pôde olhar para o meu rosto enquanto eu dizia que a amava.
Mas eu também, depois de tudo o que eu havia dito para ela, aquela reação era o mínimo que se podia esperar. Pelo menos eu podia colocar a culpa na bebida. – Ou no simples fato de que tudo o que eu fazia sempre dava merda. Eu sempre estragava tudo, não importava o quanto eu me esforçasse para algo desse certo.
Fora que foi uma péssima ideia ter ido à casa dela pela manhã. – Já não bastava Lia ter falado que me odiava, e ter me dado uma bela marca vermelha no meu rosto. Eu tinha que piorar a situação. — Fechei os olhos me lembrando do ocorrido:
- Quem é você? – O homem perguntou com a voz hostil, e que se não fosse o pai dela eu já estaria tirando satisfações por me analisar com aquela cara de nojo.
- Sou James Sullivan. – Murmurei, incomodado com sua reação ao ouvir meu nome. – A Lia tá em casa? – Perguntei, desviando meus olhos para dentro da casa.
- Lia? – Ele repetiu com apereza, e antes que pudesse corrigir seu nome ele continuou. – Senhor James Sullivan, saia agora da minha casa.
Fechei a cara.
- Como?
- Dede que começou a andar com a minha filha, ela se transformou em uma rebelde! Chega em casa Bêbada, têm arrumado confusão no colégio.
- O que está insinuando? – Perguntei de repente cauteloso.
- Eu não estou insinuando coisa alguma, estou dizendo com todas as letras: Você é uma péssima influência na vida dela. Ontem mesmo ela passou a noite inteira chorando seu nome. Não quero nem saber o que fez com ela, mas quero que vá andar com gente da sua laia e deixe a minha filha em paz!
Suas palavras provocaram uma reação do qual eu não esperava, e então eu logo me vi confrontando o pai dela.
- Não sei se sabe, mas eu sou o melhor amigo dela. – Ou pelo menos, costumava ser, pensei. – E se há uma pessoa que quer o bem dela, sou eu. Se bem que não tem como saber disso já que passa mais tempo no trabalho do que com a própria filha.
A boca de George se retorceu, por um momento eu achei que ele realmente fosse atirar em mim ou algo tipo, mas ao invés disso me interrompeu com a voz ameaçadora.
- Saia já da minha frente, rapaz. E se procurar pela minha filha novamente, serei obrigado a ligar para o policia, fui claro?
O celular tocou embaixo do meu travesseiro, e eu esperei um momento antes de atende-lo sem muito entusiasmo. Infelizmente, não consegui disfarçar o porre.
- Fala Sanders.
- Cara, onde você tá? – Matt perguntou do outro lado da linha. – Você não vem aqui no estúdio?
Levantei a cabeça tentando ver o relógio.
- Hoje é sábado, as gravações começam mais tarde... Você o único que não tá de ressaca?
- Que se foda Rev, a gravadora tá no nosso pé pra esse cd sair até dezembro. – Disse. – Temos que redobrar as horas de trabalho ou eles cancelam toda essa porra. Sabe que os caras de lá são loucos o suficiente pra cancelar um contrato no meio da gravação se souberem que a gente não vai conseguir entregar à tempo.
- Falou o workaholic... Tá certo, já tô indo. – Desliguei o celular antes de ouvir Shads me xingar, e o coloquei no bolso.
Levantei capengando e troquei a camisa suada por outra limpa, com estampa de caveiras e chaves. Olhei para o frasco laranja de comprimidos de cálcio e então os joguei novamente na gaveta. Ninguém precisava ficar sabendo disso.
- Sanders disse pra irmos à gravadora. – Disse para Zacky, enquanto atravessava a sala para o banheiro. – As gravações começam mais cedo hoje.
Ele pareceu não ter ouvido uma palavra do que eu falei. – Estava mais concentrado matando zumbis no vídeo game.
Depois de lavar meu rosto, Passei pela sala e então puxei o fio da tomada da televisão.
Primero ele me fitou perplexo, e então, depois veio a histeria.
- PORRA, CARALHO... – Ele deve ter falado mais uns cinco palavrões antes de continuar. – EU ESTAVA NA ÚLTIMA FASE, CARALHO, POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?!
- Isso é pela minha bateria. – Falei, calçando um par de all star. – Agora se arruma logo. Estamos indo pra gravadora.
Notas finais
Queria agradecer à Karol pelo Review (que foi a única que deixou :/).
Mas enfim, obrigada por lerem até o final, espero que tenham gostado.
Espero também que se pronunciem nos review T-T eu preciso dos comentários de vocês para continuar a história T-T
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