Shattered By Broken Dreams
8 A melody, a memory, or just one picture
Notas iniciais
Bem, comigo não anda nada bem. Aconteceu uns problemas e a minha conta foi apagada :/ Tudo, a Fic, os reviews... Tudo, tudo.
Mas refiz a conta, e postei todos os capítulos anteriores, então se puderem continuar acompanhando eu ficaria imensamente agradecida.
Mas enfim, o capítulo novo está aqui. Espero que gostem :)
Boa leitura :)
Valary parou o carro em frente ao Johnny’s bar, e então virou o rosto para observar a minha expressão aflita.
- E ai, vamos? – Perguntou.
Respirei fundo me recostando no banco do passageiro.
- Estou com medo. – Admiti, sentindo meu coração se acelerar.
Eu não deveria estar tendo um ataque de pânico logo agora, mas só de pensar em Jimmy, Brian e eu em um mesmo ambiente já sentia meu estomago se contrair. – Imprevisível que Jimmy era, eu não fazia a menor ideia de qual seria sua reação ao ver Brian e eu juntos.
- Medo? – Val fez uma careta. – Ah querida, você não está indo para uma sala de execução.
- Na verdade é quase isso.
Ela riu, fazendo seus cabelos castanhos balançarem em volta do seu rosto.
- É só uma festinha. Não precisa ficar assim. – Sorriu para me acalmar. – Você já está tão intima de todo mundo, com certeza você não vai sobrar lá.
- Val, você sabe o que tá havendo entre mim e o Brian, não é? – Perguntei, e ela acenou com a cabeça assentindo. – Então... Jimmy parece não ter aceitado muito bem isso.
- Ah, é por isso que ele está desse jeito com o Syn? Bem que eu desconfiei que algo de errado tinha acontecido. Esses dois viviam grudados, Deus do céu, pareciam irmãos! – Ok, Val não estava me ajudando nem um pouco. Tudo o que ela disse só me fez me sentir ainda mais culpada por tudo isso. Ela pareceu perceber, então continuou . – Mas quem contou para ele sobre vocês dois?
Balancei a cabeça de um lado para o outro.
- Isso eu também queria saber.
- Juro que não tenho nada haver com isso. – Ela disse rapidamente. – Não fui eu quem contou para Matt...
- Espera ai, ele também sabe disso? – Questionei antes dela terminar a frase.
Val fez uma pausa no mínimo dramatica e então começou a me explicar lentamente.
- Lia, os garotos são amigos de infância. Segredos não ficam escondidos por muito tempo entre eles.
- C-céus, então todo mundo já sabe. – Umideci os lábios tentando manter a calma.
Ela mordiscou o lábio inferior, refletindo sobre alguma coisa.
- Val, quando você faz essa cara, é porque vem coisa ruim por ai.
- Talvez a culpa tenha sido minha... – Começou abaixando a cabeça.
- O quê?!
- Naquele dia em que eu recebi o telefonema da gravadora, bem, o Jimmy estava que nem louco atrás de você...
Pisquei os olhos, incrédula.
- Val, eu disse pra você inventar alguma desculpa. O que você disse pra ele? Que eu sai com o Syn?
- Não, claro que não! Eu disse que você tinha ido pra escola repor aula, e que o Syn tava lá fora, mas ele nem esperou eu terminar de falar, e já saiu correndo pra... – Se interrompeu como se estivesse prestes a falar algo que não devia. – Enfim, talvez ele possa ter visto alguma coisa. Foi depois desse dia que ele começou a agir diferente. Ah, me desculpa Lia, juro, não foi a minha intenção...
- Tudo bem Val, não foi culpa sua. – Disse refletindo sobre o assunto. Realmente eu tinha visto um carro muito parecido com o de Jimmy na entrada da escola. Mas mesmo assim, eu não tinha como ter certeza. – Além do mais, isso não foi nada tão grave.
- É, acho que sim...
Ficamos em silêncio por um tempo. Eu sabia que ela não havia me contado tudo o que sabia, mas eu ainda estava digerindo tudo o que ela havia falado. Não estava com pique de insistir para que ela contasse.
Val suspirou, e então apertou as minhas mãos de maneira encorajadora.
- Se você está com medo que ele te trate mal ou algo do tipo, não precisa se preocupar. Por mais... Zangado que Jimmy esteja, não acredito que ele tenha coragem de fazer isso.
- Não é bem isso que me preocupa. – Suspirei, sem saber ao certo como explicar. – Ah Val, não entendo por que ele tem que tornar as coisas tão difíceis. O que eu vou dizer pra ele?
- Não diga nada. Trate-o normalmente como se nada tivesse acontecido. – Valary tombou a cabeça para o lado, avaliando se eu tinha ou não condições de entrar. – Agora é melhor a gente ir. – O celular dela fez um bipe, e então ela o pegou e abriu o visor – Olhe só, é o Matt perguntando se nós nos perdemos no meio do caminho. Vamos lá Liazinha querida, se você tiver um ataque, ou algo do tipo, eu invento uma desculpa e nós saímos dali. Combinado?
Assenti com a cabeça, me arrependendo logo em seguida. Tentei chamar Val para dizer que havia mudado de ideia, mas ela já tinha tirado as chaves do contato e saído do carro. – Fiz o mesmo, batendo a porta do Corolla azul e indo correndo até ela, para acompanha-la.
- Pronta? – Perguntou quando chegamos à entrada.
Olhei de esgueira pela porta. – O bar estava exatamente como eu me lembrava. Pouco iluminado, decorado com as mais diversas bugigangas e as inconfundíveis luzes de neon por cima das mesas. A única diferença era que estava lotado. Muito lotado.
- Estou. – Falei. Na verdade eu não estava pronta mesmo.
- Ótimo, então vamos.
Val e eu entramos dentro bar, e caminhamos por entre as mesas a procura dos garotos. – Johnny’s Bar tinha uma aura completamente acolhedora e quente. Cheirava à cerveja e Rock n Roll. Risadas explodiam pelas mesas espalhadas pelo salão, e o tintilar de copos seguia acompanhado com uma música do AC/DC. Back to black.
- Ah, lá estão eles! – Val exclamou apontando para a mesa redonda onde eles estavam reunidos.
Olhei-os um por um enquanto me aproximava. – Zacky na poltrona do meio, usando um boné preto e uma camisa do Misfits, Matt em uma outra na extremidade da mesa com uma camisa do Guns, gesticulando e conversando, Justin com o cabelo ligeiramente arrepiado bebendo uma garrafa de cerveja, e mais outros dois garotos que eu não conhecia. Brian pelo visto ainda não havia chegado.
Analisei um dos garotos, o alto de cabelo preto, tentado identificá-lo. – Era-me familiar, estranhamente familiar. Quem era ele...
Parei de andar quando esse garoto soltou uma sonora risada jogando a cabeça para trás. Céus, aquele era o Jimmy?
- Olá pessoal! Desculpem a demora. – Val riu, enquanto cumprimentava os meninos. – Tivemos alguns contratempos...
- E a Lia, não veio? – Zacky perguntou.
Valary olhou em sua volta meio desnorteada.
- Ué, ela estava bem aqui agora pouco...
- Não é ela lá? — Justin perguntou apontando para mim com o queixo. Acenou tentando chamar a minha atenção. – Ei, Aqui!
Justin conseguiu não só chamar a minha atenção, como a de todos ao redor da mesa, que se se viraram para me olhar parada que nem uma idiota no meio do bar. A risada de Jimmy também cessou no momento em que me viu.
Obriguei as minhas pernas a recomeçarem a andar, e ao me aproximar da mesa dei um sorriso pretensiosamente casual.
- Ah, me desculpe. Eu me distrai e perdi a Val de vista. – Como eu disse, sou péssima em desculpas.
Zacky deu uma risadinha, confirmando isso.
- Essa é a Lia que tanto falam? – O garoto que estava sentando entre Jimmy e Justin falou, se levantando derrubando umas duas garrafas de cerveja para me dar uma das mãos. — Prazer, sou Johnny.
Johnny sorriu simpaticamente quando apertei a mão dele. – Usava um moicano castanho escuro, e uma argola em uma das abas do nariz. Não pude deixar de notar seu tamanho, apenas pouco mais alto do que eu.
- Falam tanto assim de mim? Lia, prazer. – Me apresentei ao garoto simpático, de voz mansa. Me perguntei até quando ele ficaria segurando a minha mão com aquele sorriso estampado.
- Senta ai pigmeu, tá derrubando tudo, porra. – Matt disse o arrastando para baixo pela camisa.
Zacky fez sinal para que eu me sentasse na cadeira vaga ao lado dele, e eu me sentei cumprimentando os outros com acenos. Observei a mesa repleta de garrafas vazias. – Pelo número, devíamos ter demorado mesmo.
- E o Syn, não chegou? – Val perguntou, sentada ao lado de Matt que já estava com uma dos braços em volta de sua cintura.
- Ainda não. – respondeu tomando um gole de alguma bebida esverdeada.
Os garotos voltaram a conversar animadamente, enquanto eu me perguntava o motivo daquele atraso de Brian. Eu não queria agir feito uma ciumenta possessiva, então controlei o meu instinto de pegar o celular e ligar para ver onde ele estava (apesar de saber que certamente a ligação cairia na caixa postal).
- Ei, Zacky como está indo a gravação do cd? – Perguntei tentando me distrair. – Da última vez que eu fui lá, já tinham gravado as primeiras faixas.
- Ah já estamos quase concluindo a terceira música do disco, só falta gravar umas partes do vocal e do piano. – Zacky disse sorrindo. – Você deveria aparecer lá mais vezes pra nos visitar.
- Eu sei, mas é por causa dos testes finais lá na escola. Não tenho tempo nem de respirar.
Zacky ergueu uma sobrancelha, enquanto bebia um gole da sua cerveja. Parecia não estar totalmente convencido daquilo.
- Sei bem como é... Mas mesmo assim, tenta dar uma escapada pra vim nos visitar. Sei lá, foge das aulas de Física. Garanto que o estúdio é bem mais legal que isso.
- Você não deveria estar me incentivando a matar aulas, Zee. – Disse rindo, e ele deu de ombros. – Mas ok, qualquer dia eu apareço lá.
Continuamos a conversar animadamente, e até Johnny entrou na conversa quando o assunto se voltou (novamente) para o fato ocorrido com o uniforme de uma das líderes de torcida, e eu tive que explicar que não tinha incendiado o vestiário inteiro, que foi apenas um uniforme. – Mas eles pareciam gostar da primeira versão, e insistiram nela veemente enquanto davam dicas sobre como fazer com que a fumaça não chegasse nos alarmes de incêndio.
No meio da conversa, tentei ignorar ao máximo o olhar de Jimmy, que eu sabia que estava fixo sobre mim. Ele havia parado de rir, conversava apenas de tempos em tempos com Justin e Matt.
Não aguentei, e então virei meu rosto em sua direção. – Um arrepio desceu sobre a minha espinha ao me deparar com a intensidade daqueles olhos azuis. Eles estavam tão diferentes do que eu esperava. – Estavam gélidos e críticos. Olhava-me como se estivesse a me acusar silenciosamente.
Apesar disso, tudo o que eu queria era me levantar daquela mesa e ir abraça-lo. Pedir desculpas.
Bem, eu fiquei apenas querendo, por que na realidade tudo o que eu pude fazer era continuar lá, fingindo que nada daquilo estava acontecendo. Apenas sustentando seu olhar.
Sou uma covarde, é isso que sou. Pensei comigo mesma.
— Ah droga, a cerveja acabou. – Justin murmurou virando uma garrafa. – Quem vai buscar?
- Eu vou. – Me prontifiquei, querendo sair dali o quanto antes.
Levantei-me e Val e Matt me deram passagem para o corredor.
- Ei traz uma Heineken pra mim também! – Zacky gritou atrás de mim.
- Pra nós também! – Matt gritou.
Assenti, indo em direção ao balcão do bar, tomando o devido cuidado para não correr. Quando cheguei, apoiei meu corpo no balcão com as mãos espalmadas, respirando profundamente. – Eu ficaria fugindo dele para sempre, afinal? Uma hora ou outra nós teríamos que conversar.
- O quê vai querer? – Uma mulher de cabelos roxos e voz fina perguntou.
Pisquei tentando reorganizar meus pensamentos, enquanto olhava para a mulher vestida com um vestido preto e o que parecia uma rede trançada por cima. Ela colocou a mão na cintura esperando impacientemente que eu abrisse a boca pra falar alguma coisa.
- Cinco garrafas de cerveja e... Uma dose dupla de Uísque. – Estava precisando me acalmar.
- Só um minuto. – Se virou para preparar a bebida e então voltou ao balcão trazendo meu copo. – Aqui está seu uísque.
- obrigada.
- Ham, será que eu poderia perguntar sua idade?
Olhei para cima, assustada e ela esperou a minha resposta com um pano puído na mão.
- Ah, 19 anos. Isso, tenho dezenove anos. – Respondi de modo mecânico, torcendo para que ela não pedisse a minha carteira de identidade.
A mulher de cabelos roxos grunhiu alguma coisa, antes de se virar novamente.
- Certo... Já volto com as suas cervejas. Vou pega-las pra você.
Assenti suspirando aliviada. – Assim que ela saiu de vista, virei o copo de vidro e tomei a bebida em um gole só. Foi uma péssima ideia: Minha cabeça latejou e a bebida desceu queimando em minha garganta.
Sentei em uma cadeira, e apoiei minha cabeça em uma das minhas mãos, com os olhos fechados. E tudo o que eu consegui ver era o rosto triste de Jimmy me encarando na mesa. Eu fiz aquilo com ele?
- Oi. – Pulei ao ver que de repente Jimmy estava ao meu lado. Esse observou o copo vazio de Uísque ainda na minha mão com um olhar reprovador. – Você não tem jeito mesmo. Não acredito que escapou da mesa para beber.
- Ah Jimmy! – Exclamei. – Me assustou.
- Desculpa. – Forçou um sorriso, desconfortável. – Achei que você precisaria de ajuda com as cervejas. – Disse ao dar de ombros, sentando-se ao meu lado.
- É verdade... – Falei, pensando que realmente não conseguiria carregar seis garrafas de cerveja sozinha.
Ficamos assim por algum tempo, até que eu decidi falar alguma coisa para quebrar o gelo.
- Você pintou o cabelo. – Murmurei. – Ficou legal.
- É, valeu. – E novamente, depois disso não falou mais nada.
O mais estranho era que eu estava a beira de um ataque de pânico por todo aquele silêncio. Queria fazer tantas perguntas, queria falar tantas coisas e mesmo assim não conseguia nem abrir a boca. – Estava tentando me controlar ao máximo para não pular aquele balcão e pegar eu mesma as cervejas que estavam demorando para chegar.
- Por que está agindo assim comigo?
Pisquei ao ouvir a voz de Jimmy.
- Agindo assim? O que quer dizer com isso?
- É. Está agindo como se eu não existisse, nem olhou pra minha cara quando chegou aqui. – Disse fitando as próprias mãos em cima do balcão.
Girei meu corpo para ficar de frente para ele. Fuzilando-o com os olhos.
- Espera um pouco, é você quem decide me ignorar de uma hora para outra sem me dar um mínimo de satisfação, e quer que eu aja como? Eu sequer sei por que você está assim comigo.
- Você não é nenhuma idiota Lia. Sabe muito bem por que estou assim. – Sua voz soou seca, porém controlada. – Porque não me contou?
Falei sem pensar.
- E o que você tem a haver com quem eu saio ou deixo de sair, Jimmy? Desde quando eu tenho que te dar satisfações sobre a minha vida?
- Desde quando a pessoa que você está saindo é a porra do meu melhor amigo. – Jimmy levantou a cabeça para mim com a expressão incrédula. – O Syn? Caralho, justo o Syn?!
- É qual o problema nisso? Eu gosto dele, e ele gosta de mim. Você não tem que se meter na minha vida...
- Ah Cala a boca você não sabe o que tá falando! – Ralhou me interrompendo. – Desde quando Synyster gosta de alguém?! Acorda, ele diz essas coisas pra toda garota que passa por ele. Já pensou por que seu namoradinho ainda não chegou?
- Ele deve ter um bom motivo pra isso.
- Então você é mais burra do que eu pensava. Ele deve estar comendo alguma puta numa esquina enquanto você fica defendendo ele.
- Você só está assim porque eu o quis ao invés de você. – Disse tentando reter as lágrimas que ameaçavam sair. Lágrimas de raiva. – Você só está assim porque você é sozinho. Porque você não suporta o fato de que as pessoas possam ser felizes sem você.
- Errado Lia, você é que é sozinha. Sua família é uma droga, e ninguém da sua escola fala com você. E se não fosse por mim também não teria amigos, se é que são seus amigos. – Ele semicerrou os olhos. – Pra quem mais você deu além do Syn? Me diz, o Justin também te come nas pausas do ensaio?
Antes que eu pudesse pensar, minha mão voou em direção à ele estalando em seu rosto num sonoro tapa. Ele me fitou com os olhos arregalados.
- Vai se foder, James! Curta a noite com os seus queridos amigos, então. – Minha voz saiu embargada, enquanto eu tentava limpar as lágrimas que agora escorriam pelo meu rosto. – Eu te odeio, seu otário!
A mulher chegou com as cervejas mas foi ignorada quando Jimmy saiu correndo atrás de mim. Sai do Bar cega pelas lágrimas, sem saber direito o que estava fazendo. Tudo o que eu queria era sair daquele lugar o quanto antes.
- Lia, espera. Me desculpa eu não quis dizer nada daquilo – Disse segurando meu braço com força.
- Não toque em mim! – Ele soltou meu braço mais pela minha reação ao seu toque do que pelo puxão que eu dei. Virei-me para ele, cega pelas lágrimas. – Você quis dizer aquilo sim!Você quis dizer tudo aquilo, quis me magoar quis... quis...
- Lia, para. Por favor, me ouve...
- Eu não quero ouvir mais nada vindo de você! – Gritei para ele, que estava parado a minha frente, ouvindo imponente. – Você não me chamou de puta? Não disse que eu estou sozinha? Eu tinha você. Achava que você era meu melhor amigo James, mas acho que estava enganada.
- Eu ainda sou seu... Amigo, Lia. Eu não quis dizer nada daquilo. – Se aproximou de mim, e tentou me segurar novamente.
- Eu já disse pra você tirar a porra das suas mãos de mim! – Gemi, mas dessa vez ele não me deu ouvidos. Segurou meus dois pulsos com força e me encostou em um carro.
- Não Lia, me ouve. E-eu fui um idiota, eu sei... Mas é por que eu gosto de você. – Ele se abaixou de modo que seus olhos ficassem da altura dos meus, sua boca se abria e fechava enquanto ele tentava reencontrar a voz para falar. – Eu te... Eu te amo Liadan. Te amo muito. E sim, é verdade, eu não suporto o fato de você estar feliz com o Brian.
Ergui meu rosto, para o seu e novamente fui engolida pelas suas órbitas azuis. – Aquelas mesmas órbitas que me queimavam por dentro. Que me queimavam por inteira. – Queimavam como aquelas palavras.
- James me solta, ou eu juro por deus, vou começar a gritar...
Tentei fazer com que aquilo fosse uma ameaça, mas soou mais como uma súplica desesperada. Jimmy então me soltou, dessa vez, sem fazer objeções. – Cambaleei para o lado enxugando as lágrimas com as costas das mãos.
- Eu vou pra casa. – Disse por fim, quando o choro cessou. – Preciso... Esfriar a cabeça. Se perguntarem por mim, diz que. Sei lá, diz qualquer coisa.
- Lia... – Ele começou.
- Sério, eu realmente preciso esfriar a cabeça. Preciso pensar. E não me segue, por favor.
Caminhei pelo estacionamento do bar indo em direção à rua. – Não sei quanto tempo Jimmy ficou parado me observando. E também nem queria saber.
Ainda estava tentando decodificar o efeito que todas aquelas palavras estavam tendo sobre mim. – Meus sentimentos estavam tão bagunçados que a minha cabeça latejava.
Ódio, carinho, medo, afeto... Amor. As lembranças da risada de Jimmy enquanto ele bagunçava o meu cabelo. Ele sorrindo. A sensação de paz sempre que eu estava com ele. Seu cheiro, o cabelo desgrenhado. As lembranças de Brian também vieram... Os beijos dele em meu pescoço, o sorriso dele ao me ensinar a tocar guitarra, a sensação que os toques dele têm sobre mim. – Tudo misturado dentro de mim. Tudo isso vindo à tona ao mesmo tempo.
Caminhei por cinco quarteirões, até encontrar um ponto de ônibus no qual fiquei esperando cerca de meia hora até que um ônibus passou. Dei sinal para que ele parasse e subi.
Vasculhei meus bolsos, e tudo o que encontrei foram algumas moedas. – Havia esquecido a minha bolsa no carro de Val.
- Moço, eu não tenho dinheiro o suficiente... – Comecei com a expressão suplicante.
O motorista viu o estado em que eu me encontrava, e então bufou, e revirou os olhos.
- Tudo bem, pode seguir viagem.
- Obrigada. – Falei, indo como de costume no último banco próximo a janela.
Passei a viagem toda refletindo sobre a minha vida, e o que eu deveria fazer com ela. O ponto próximo da minha casa chegou, e eu desci agradecendo novamente o motorista por ter me deixado seguir viagem.
Desci a rua da minha casa, lentamente. – Queria adiar ao máximo me encontrar com o meu pai. Tudo o que menos precisava naquela hora era ter que ouvi-lo fazendo mil perguntas de onde eu estava, com quem estava, como eu estava e todas essas coisas típicas dele.
Subi os degraus da varanda, me lembrando que minha chave também ficara na bolsa. Dei a volta pela minha casa e subi no beiral da janela da cozinha, que estava emperrada e por isso não fechava. – Apoiei a minha perna na parede enquanto usava o peso do meu corpo em uma espécie de alavanca, fazendo a janela se abrir em um baque. Pulei o beiral e então entrei dentro da cozinha, tomando cuidado de não derrubar nada.
Caminhei meio cega pela cozinha, dando uma olhadela na sala antes de passar para a lavanderia – Aparentemente, meu pai já havia ido dormir e eu agradeci imensamente por isso.
Tirei as roupas do meu corpo, e peguei uma camisola velha com uma estampa de caveira preta, de dentro do cesto de roupas limpas. Passei pela cozinha novamente e após tomar um copo d’água fui até a sala onde desabei no sofá de couro preto. Lá tirei meus coturnos e liguei a televisão em volume baixo. A luz vinda da televisão deixou o cômodo com um cor azulada. Esparramei-me no sofá, deitada de bruços com uma perna pendente no chão. – Passava um noticia qualquer no canal pago, mas eu não estava prestando atenção no que aqueles apresentadores almofadinhas estavam dizendo.
Eu te... Eu te amo Liadan. Te amo muito. – As palavras pareceram gritar em meus ouvidos. E ecoaram e ecoaram e ecoaram, vezes e mais vezes seguidas em minha mente.
Balancei a cabeça novamente, sentindo as lágrimas voltarem a marejar meus olhos. Jimmy. Meu Jimmy. Eu também o amava. Amava tanto que chegava a doer.
E mesmo assim isso não era o suficiente, para nenhum dos dois.
Tudo o que eu queria era que as coisas fossem mais fáceis. Tudo o que eu queria era que ninguém saísse ferido nessa bagunça.
E novamente, eu queria. E apenas queria.
Notas finais
Muito tensa essa briga da Lia e do Jimmy não é? D: aiai.
Não deixem de comentar, viu?
Queria agradecer pelos reviews deixados no capítulo anterior (que foi apagado. Cara... Ainda estou tão mal por ter perdido todos os reviews lindos de vocês DDD;).
E bem, obrigada por lerem até aqui (e por me aguentarem choramingando ;_; )
Beeeijos.
Fale com o autor