Shatter Me
9 Estilhaço de Sonhos
Notas iniciais
Estilhaço de Sonhos
So far away.
Stan:
“Nada fazia sentido.
Eu caminhava sozinho por um lugar escuro e cheio de arvores que tapavam a luz da lua.
Tinha medo do desconhecido como também, receava estar numa enrascada.
A lama dificultava a minha caminhada e eu havia tropeçado e caído algumas vezes, também. Eu estava cego naquele lugar.
— Pa-pa? – Chamo, mas na memória o nome não me parece estranho.
Não tenho mais que quatro anos.
Meu corpo é pequeno, sinto muito frio e estou com tanto medo que ignoro meus sentidos. Estou tão assustado que mal consigo me mexer e quando dou um passo, quase sempre ele é em falso e eu caio, machucando as mãos. Meus joelhos sangram e os meus pés doem por causa das pedras.
— Papa? – Choro, com medo depois de ouvir um rugido.
Nem ao menos Rogue-nii estava ali para me ajudar.
Começo a tossir e meu corpo se curva pela falta de ar.
O breu assusta-me novamente. As sombras, que antes eram minha amigas agora tornam-se monstros.
Um liquido vermelho escorreu da minha boca para a minha mão enquanto tusso. O tal liquido carmesim tem um gosto metálico e ao mesmo tempo é meio doce. A sensação de mal estar que vem com ele é terrível.
— Papa! – Insisto em gritar, tossindo ainda mais.
Escuto passos e depois vejo uma sombra se aproximar com velocidade. Encolho-me no chão, sem importar-me dele estar frio e pegajoso.
Logo depois sou envolvido por dois braços fortes.
— Radios! Fiquei tão preocupado! – Exclama um homem e eu me seguro nele, notando como sua voz e seu cheiro me é familiar.
— Papa... – Murmuro e logo depois consigo ver atentamente o rosto daquele que chamo de pai. É... É Klaus.
— Está tudo bem, Radios-chan. Vamos para casa, agora. – Ele completa, apertando-me mais entre seus braços e dando-me um beijo estalado na testa.
O meu eu daquele tempo fica aliviado, mas o meu de agora está em choque.
Isso não pode estar acontecendo.
Klaus...
Ele... E eu...
Não pode ser verdade.
— Porque você saiu sozinho? – É o que ele me pergunta e me agarro mais a ele como resposta. – Certo, sinto muito. Não vou mais deixá-lo sozinho. – Ele completa, ninando-me enquanto caminha sem medo até o caminho que eu havia feito.
Em poucos segundos avistei um chalé feito de bambus e na porta dele, dois garotinhos brincavam juntos. Um loiro e outro moreno, sendo que o loiro corria do moreno sem pestanejar.
Eu queria brincar com eles.
— Papa... – Começo e ele nega. Talvez já soubesse que eu queria brincar.
— Depois, Radios. – Falou autoritário e choraminguei baixinho.
Havia um loiro a observá-los na porta e sorrir divertido. Ele observa Klaus se aproximar e logo depois fala baixinho:
— Onde ele estava?
— Perdido na floresta. – Estamos mais perto do loiro agora e reconheço a fisionomia jovem de Keith.
Depois disso, Klaus entra e me coloca numa das duas camas do recinto.
Fico sentadinho, com medo da expressão séria que ele faz.
— Você está bem machucado. – Suspira ele ao falar, talvez ele saiba que vai ter trabalho para cuidar de mim. Meu eu não está preocupado, ao contrario, mostra-se feliz por estar ali.
— Papa o nini vai brincar comigo? – É o que pergunto. Meu gêmeo estava bem longe do meu campo de visão.
— É, ele vai. Mas primeiro vamos tratar de você, Radios-chan.
Ele cuidou do meu joelho esfolado, enfaixou o meu braço cortado, mas eu voltei a tossir como antes e mais sangue saiu de meus lábios.
Mirei-o assustado e ele apenas acariciou a minha cabeça, escondendo sua preocupação por trás de um sorriso:
— Não precisa ficar assustado. – Começou ele. – Vou tratar disso. – Sou pego e colocado em cima das suas pernas, notando que os olhos diferentes agora tinham o mesmo tom.
Fecho os olhos pela dor que se alastra no meu peito, mas sinto que ele vai me ajudar. Eu confio nele.
— Shii... Relaxe. – O moreno respira fundo e sigo seu exemplo, fazendo o mesmo.
Klaus coloca a sua mão no meu peito e ali sinto uma pressão forte e quase dolorida. Tenho dificuldade de respirar nesse meio tempo, e novamente o moreno respira fundo para que eu o faça igual. Ofego, sem conseguir e o ar fica preso na minha garganta. Abro meus olhos assustados e ele não para.
Agarro as suas roupas, asfixiado.
— P-pa-pa.... – Consigo gemer.
Quando ele tira a sua mão do meu peito volto a tossir com animo, encontrando ar e voltando a respirar. Lagrimas caem enquanto eu estabilizo a minha respiração entrecortada.
— Desculpe se te assustei... Mas olhe. – Ele mostra uma massa negra e gosmenta em suas mãos. – Eu tirei tudo. – Não sei se sorrio, se começo a chorar ou se me escondo.
Estou confusamente assustado.
— Não precisa ficar tão assustado. – Novamente, ele beija-me na cabeça. – Pode ir brincar com o nini e com o Ting-chan.
Um sorriso grande e caloroso se abre em meus lábios quando começo a correr para fora.
Os dois garotinhos param e vem até mim, me abraçando em seguida:
— Oni-chan! Onde você tava? – Rogue-nii pergunta, com uma mistura de raiva e preocupação.
— É! – O outro concorda, cruzando os braços enquanto eu ficava grudado ao meu irmão por causa do seu abraço.
— Eu me perdi. – Falo, sentindo o rosto ficar vermelho de vergonha.
— Nunca mais vamos te deixar brincar de esconde-esconde, Oni-chan! – Meu gêmeo brinca rindo e logo depois nós dois também estamos rindo.
Observo o homem que denomino de pai na porta a sorrir. Ele parece mais aliviado.
Sorrio de volta.”
...
Acordo e novamente a minha respiração está ofegante.
Puxo algumas das minhas mexas negras para cima, tirando-as do meu olho.
Deixo a minha mente vagar quando sento com as pernas para fora da cama.
A lembrança devia estar errada. Eu odeio Klaus. Odeio-o por ser intolerante e pela sua pose superior, pelo seu jeito de falar comigo nas poucas vezes que nos encontramos e pelo modo que ele tem agido comigo desde então.
Não pode estar certo.
Entrego-me as lágrimas e segundos depois disso sinto uma pressão sutil nos meus lábios. Fecho os olhos e deixo que a caricia dele seja suave e harmônica na minha boca.
E só assim poderei esquecer o meu desespero.
Por fim, me afasto ofegante e seco as lágrimas com as costas da mão esquerda.
— Eu vi você chorando e depois que você não me respondeu tive de ver se você estava ou não acordado. – Explicou-se ele, sentado sobre os meus joelhos. Sua expressão estava bastante doce e me pergunto se não é por pena.
— Você sente pena de mim?
— Não, mas fico preocupado quando você dorme e tem esses sonhos. – Fecho meus olhos e ele encosta sua testa na minha. Aos poucos suas mãos se enrolam na guerra branca e preta dos meus cabelos.
Seus lábios roçam os meus.
— Quero que você corte meu cabelo. – Suspiro, ainda com seus lábios colados nos meus.
— Hum? Agora?
— É, agora. – Antes ele rouba mais um beijo, aproveitando um último toque nas minhas longas mexas.
Suas mãos geladas deslizam do meu pescoço até a coluna, talvez usando o cabelo como desculpa para tocar-me. Ele divide as mexas e coloca cada metade sobre os ombros. Uma metade negra e outro branca.
— Porque?
— Estou cansado dele assim. – Respondo, mas algo dentro de mim quer cortá-lo para que não só Rogue como Klaus possam me reconhecer. – É um saco.
Zeref ri, como às vezes faz, e coloca suas mãos abaixo de zero dentro da minha camisa e desliza-as sobre a minha coluna. Um arrepio se segue disso.
— Eu cortarei, com uma condição.
— Qual?
— Você vai fazer o que eu quiser hoje. – Seu olhar malicioso não deixa de ser doce e, depois de anos, sinto meu rosto ficar quente.
— Que porra de proposta indecente é essa? – Resmungo, escondendo a vermelhidão por alguns instantes.
— Vamos, Radios. Sou tão ruim assim na cama? – Novamente, eu coro.
Puta que...! O que está acontecendo comigo?
— E então? – Minha orelha é mordida com isso. Suspiro em concordância.
— Quero o meu cabelo no tamanho do seu.
Ele faz algo inédito. Franzi o cenho e cruza os braços como uma criança mimada. Cara, alguém drogou a gente noite passada?
— Eu sempre gostei do seu cabelo longo.
— O cabelo é meu, porra. Deixa eu cortar ele, saco! – Esbravejo e ele respira fundo, levantando-se e pegando uma faca.
Ele vai cortar o meu cabelo com uma faca?
E antes que eu pudesse perceber, os fios brancos e negros estavam tremeluzindo na minha frente e caindo na cama. Eram longos e brilhantes, dançando no ar.
— Satisfeito? – O moreno fala, jogando a arma numa parede da casa. Passo as mãos no cabelo e percebo que faz anos que não tenho o cabelo tão curto. Sorrio a isso.
Ao mesmo tempo, vou puxando e alinhando os meus cabelos da melhor forma que possa e talvez até tenha feito alguma coisa de boa, porque Zeref mira-me com uma expressão divertida.
— Você ficou bem assim. – Ele comenta, rindo. É a minha vez de franzir o cenho.
Quero me convencer de que poderei me afastar dele a qualquer hora, mas a cada segundo a mais com ele sinto que o nosso laço fica mais profundo. Mais sensual e profundo, na verdade.
— O que foi? – Se eu disser a alguém que tenho o mago mais forte e perigoso nas minhas mãos me internariam no melhor hospício pago do reino. Mas é apenas sexo.
— É só sexo. – Falo.
— Não é só sexo. – O mago negro responde, beijando carinhosamente. Retribui-o quase imediatamente. – Nunca foi só sexo, Radios. – Puxo-o mais para o meu colo, mordendo seu pescoço em provocação. – Você se apaixonou por mim. – Adivinha ele e mordo-o com mais força, fazendo este se remexer no meu colo.
— Cala a boca. – Seus lábios encontram os meus e sorrio ao jeito sensual que ele tende a se mexer em cima de mim.
É a vez dele de me provocar. Este morde o meu pescoço com força e tenho certeza de que deixou uma marca.
— Ei! Pare de me marcar, bastardo. – Resmungo, colocando a mão no lugar ferido por seus dentes.
— E daí se eu marco o que é meu?* – Com isso arregalo os olhos.
— Não sou seu.
— Ainda. – Ele comenta lambe do meu pescoço até o ombro e faz a minha pele se arrepiar. – Você ainda não é meu.
— É o que vamos ver, bastardo. – Completo, sentindo sua língua deslizar pela minha pele com perversão. Minha respiração fica ofegante.
Ele me beija depois de mais alguns minutos. O beijo é luxurioso e devasso, contrastando os nossos sentimentos e vontades.
— Eu farei você se apaixonar por mim, Radios Cheney. Nem que eu tenha que te matar. – Eu o beijo dessa vez, mais selvagem do que jamais fui. Zeref quase revira os olhos quando me afasto.
— Isso se eu não enlouquecê-lo antes, Zeref.
Tyler:
Stella tocava sua suave lira enquanto eu estava deitado a sua frente.
O palácio estava silencioso e a simples presença daquele som já me acalmava.
Sei que terei de treinar um Dragão, mas ao mesmo tempo, sinto-me receoso por Sting.
Lucy-nee ama-o muito. Mais do que eu jamais imaginei.
Levanto-me e tiro a camisa que tanto me deixa afoito. Só de calças e chinelos, saio do palácio a observar os espíritos menores se divertindo alegremente.
Vários Canis Menor divertem-se transformando-se em animais diferentes e brincam com os novos poderes. Os espíritos do zodíaco também sentem-se satisfeitos com a antiga forma de volta.
— Tyler-sama! – Chama Gemi, um dos gêmeos ruivos. Sua faca dourada pende no cinto enquanto o mesmo corre.
— Gemi. O que quer?
— Na verdade, sou o Mini. – Ele responde e suspiro. Preciso aprender a diferenciá-los logo. – Reiji-sama e Lyko-sama pedem a sua presença no palácio vermelho.
— Está bem. Acompanha-me, jovem cavaleiro?
— Se o Tyler-sama desejar, assim o farei.
Enquanto andava tratei de mudar as minhas roupas normais e campais para as minhas majestosas vestimentas imperiais.
Uma blusa de ceda clara e um calção de couro marrom. Por cima da blusa, um colete de cordões também em couro marrom e botas negras. A capa carmesim era de camurça e a coroa de flores campais brancas e delicadas, como última peça.
A caminhada não havia demorado tanto.
Ao invés disso, minha mente vagou para a minha primeira lembrança no mundo celestial na minha volta. O rei celestial era, na verdade, apenas um tipo de guardião. Era a constelação de Orion, que aguardava a nossa chegada.
Como fui o primeiro, tratei logo de restaurar o meu mundo como aquele que eu me lembrava na terra.
Portanto, o mundo celestial é uma versão mágica e estelar dos antigos reinos de terra mágica.
Cada rei, no entanto, constrói o seu reino como bem entende, apesar de tudo a sua volta parecer a nossa terra natal.
Chegamos ao palácio vermelho, do rei Reiji.
Ele era o homem mais bem afeiçoado entre nós. Sua beleza era tida como mágica entre nós, que agíamos com força bruta. Convenci-me que ele tem o poder das palavras e o dom da divina beleza.
O pequeno Mini despede-se e corre para outro corredor enquanto me dirijo pelo central. O palácio de Reiji era o mais parecido do que o dos outros.
Continuo caminhando até chegar à sala do trono onde ele e o outro rei e melhor amigo se encontravam.
— Saudações, Tyler V. – Reiji fala, com a sua cordial frieza.
— Humpt. – Respondo, sentindo seus olhos me analisarem de cima a baixo. – É bom vê-lo fora dos seus domínios também, Lyko.
— É bom ver que você não perdeu o seu charme rotineiro, Ty. – Ele brinca e o outro morde de ciúme com isso.
— Então, os espíritos de Cavalo e Serpente realmente se dão bem? Que ironia do destino. – Sei do “relacionamento” deles e alfineto.
— Ainda trai Daniel com Rachel? – Com essas palavras de Reiji sou forçado a rir.
— Certo, se vocês querem mesmo saber da minha vida amorosa, precisavam ir um de cada vez ao meu quarto. – Explico-lhes e ambos reviram os olhos. – Então, o que querem falar?
— Você sabe muito bem sobre o que.
Reiji é realmente uma das pessoas mais bonitas que já vi na vida.
Ele tem cabelos vermelhos num tom vivo que, quando chegavam às pontas eram azuis anil e a pele é tão branca quanto um papel. Seus olhos são vermelho-cereja e seus lábios têm um tom tênue de rosa claro. O porte físico é excelente e mesmo assim, ele parece tão delicado quanto Rachel.
Lyko é um pouco diferente dele.
Seus cabelos são brancos no topo da cabeça, mas escurecem quase que gradativamente e as suas pontas são castanhas. De pele branca, ele não tem medo de sair andando pelo mundo celestial sem camisa, como sempre o faz, apenas com as proteções indo dos ombros aos braços e a “capa” pendendo no ombro esquerdo.
— Sei?
— Você é o espírito mais próximo à nossa mestra, Tyler. E pelo que soubemos de Ray, Lucy-sama acabou de perder um filho. – Minha garganta fica seca quando Lyko fala estas palavras. Eu sei muito bem das consequências de não os ter avisado propriamente ou ainda, ter levado Rachel em vez dele mesmo.
— Era a melhor opção no momento.
— A questão não é essa, Tyler. – Continua Reiji, prendendo os longos cabelos com dois pauzinhos negros. – Você conhece melhor do que ninguém os riscos de uma segunda gravidez e ainda, por pior que seja, os efeitos de uma segunda gravidez numa maga celestial.
— Duvido que...
— Não interrompa-nos! – Esbravejam ambos, furiosos.
Fico em silencio, pois sei que eles estão totalmente certos.
— Vou citar a você o exemplo mais próximo da nossa mestra. – O loiro fala, abrindo um pergaminho grande e notoriamente assustador. – Layla Heartphilia, trinta anos. Morreu após uma infecção generalizada depois da perda de um bebê.
— A... A Layla...? – Estou confuso. Como a minha Layla pode ser o exemplo mais próximo de Lucy?
— Essa Layla Heartphilia é a mãe da Lucy. Mas a sua Layla morreu de algo parecido também. – Esclareceu o espírito do cavalo, emburrado. – A questão é que, magas celestiais não sobrevivem a uma segunda gravidez. Às vezes, nem a primeira! – Ele está desesperado. – Tyler a situação é mais seria do que você imagina.
— Não é! Sting não vai fazer nada com a Lucy-neesama até que ela esteja bem o bastante para isso.
— Ele é um dragão! – O espírito da Serpente fala, realmente irritado. – Dragões têm instintos! E ele não vai parar de tentar ter um filho enquanto eles estiverem juntos.
— Não vai!
— Abra seus olhos, Tyler. Lucy-neesama é nova demais para ficar grávida e ainda nem está noiva nem nada. Acha mesmo que o relacionamento deles vai durar?
— O amor para Dragões é algo diferente do que vocês imaginam. É um laço divino que nem eu posso romper. Eu tentei! Testei o amor deles e cada um reagiu de maneira surpreendente. Lucy-nee quase nos deixou e Sting ficou dias sozinho nas montanhas chorando.
— E se algo acontecer a Lucy-neesama agora Tyler?! Se não tiver força suficiente para salva-la? Se ela não estiver em condições de nos suportar na Terra?
— Não eu não deixarei que isso aconteça. Mesmo que tenha de me doar por completo, não permitirei que tal coisa aconteça.
Eles se entreolharam por alguns segundos.
— Reiji, estou indo para casa. Albifacah vai ficar preocupado comigo se demorar-me aqui. – O rei loiro fala, fazendo uma vênia rápida e caminhando até a saída a passos rápidos. Eu o acompanho, caminhando ao seu lado, e depois falo alto:
— Se desejar continuar a conversar, passe no meu palácio, Reiji-san. – Lyko apenas mira-me e demora seu olhar no meu enquanto eu também o encaro.
— Sabe que vou ter que ir visitá-la. Apenas Rachel não a curará completamente. – Ele sussurra, para que o seu nobre e melhor amigo Reiji não escute e tenha um ataque.
— Amanhã visitarei Lucy para treinar um dos dragões que está em sua casa. Você vem comigo. – Se eu permitir é claro.
— Porque tem mais de um Dragão na casa dela? – Ele pergunta e nesse momento nos deparamos com Daniel, que caminhava despreocupadamente com Alana, ou Aries se preferir.
— É como uma medida de proteção que eles fizeram. Unidos são fortes e pretendem proteger a si mesmos dessa maneira. – O moreno responde, intrometendo-se sem precisar. Lyko sorri a ele, estendo a mão para cumprimentá-lo.
— Obrigado pela explicação, Dan-san. – O rapaz fala, tendo o mínimo de respeito pelo moreno apesar de que, sinto que o maior interesse dele é na garota de cabelos róseos. – Alana-chan, é um prazer ver-te novamente.
Dan o encara com seus olhos frios e destemidos por alguns longos instantes.
— Bem, estou indo para o meu palácio. – O espírito da serpente fala calmamente, despedindo-se.
— Boa viagem, Lyko-sama. – Alana responde calmamente.
Daniel está furioso.
— Bem, Dan... – Começo. – O que você falou ao Sting?
— Disse que ele precisava ficar mais forte e completar o Dragon Soul. Entregou o bilhete que pedi?
— Como você quis. Não acha que é demais? Essa pressão que está sobre ele agora...
— Sting é o Rei dos Dragões e também o futuro marido da nossa Nee-chan. Imagine os herdeiros deles. A quantidade de magia que a criança vai ter... Vai ser tão poderosa quanto qualquer um de nós compreende? Sting vai ter que segurar a onda até que ela entenda os seus poderes. Ele tem que ser forte e aguentar tudo, porque é o homem dela e um Dragão também.
Suspiro.
— Dê um tempo para ele descansar, depois.
— Tyler, você precisa saber de algo.
— Saber de algo?
— Lucy vai ficar grávida daqui a poucas semanas.
— Como?!
Keith:
É tudo muito escuro.
Meus passos ecoam sobre a água negra que caminho calmamente.
Eu já estive aqui uma vez. Quando Sting clamava por Weisslogia e precisava libertar seus poderes.
Minha essência foi totalmente drenada naquele momento, mas eu nunca levei a serio que poderia voltar à mente dele. Nunca pensei que ele me chamaria a sua mente novamente.
Mas cá estou eu novamente.
— Weisslogia? – A voz dele chama-me e tenho a impressão de que se eu continuar a caminhar vou encontrá-lo.
— Sting? – É a minha vez de me pronunciar, cego entre todo aquele breu. Não sei se conseguirei manter essa conexão por muito tempo.
No entanto, fico feliz de ver que ele está bem.
— Weisslogia! – Grita ele.
— Eu estou aqui! Por favor, fique calmo. – Respondo, apressando o passo e me deparando com ele. – Estou aqui. – Falo e finalmente ele focaliza o meu rosto. Uma sensação estranha passa pelo meu estomago.
— Eu... – Ele começa, mas depois para. – Pensei que nunca mais nos veríamos.
— Eu também. – Respondo, sorrindo. Ele não se lembra de mim, nem dos momentos que tivemos na ilha e depois das vezes que fui visitá-lo no treinamento.
—Eu... Eu estou confuso. Não sei o que fazer.
— O que lhe aflige?
— O espírito da minha namorada disse que o Dragon Soul não está completo.
— É um espírito especial, não é?
— O espírito dos Dragões.
— Hum.
— Você me ajudou a desenvolver o Dragon Soul, Weisslogia. Como faço para evoluí-lo?
— Porque você quer tanto evoluí-lo? Já não é forte o bastante?
— Eu preciso proteger a Lucy e os meninos. – Confessa ele, com um ar adulto que jamais vi em sua expressão. – Eu nunca me perdoaria se algo ruim acontecesse com eles.
Sorrio orgulhoso. Acho que não poderíamos tê-lo criado de maneira melhor, Weisslogia.
— Ele disse mais alguma coisa? – Minha voz sai docemente calma. Não sei por que, mas tenho a sensação de que preciso parecer calmo.
— Ele disse que ainda não compreendo o espírito do Dragon Soul.
— E o que você acha disso? Acredita que ainda não entende a técnica?
— Eu não sei.
Sorrio mais uma vez, tentando ignorar o fato de que o mestre Acnologia proibiu interferências nas vidas dos Dragon Slayers.
— Você é um dragão, Sting?
— O que? É obvio que sou! – Ele responde-me, mas sinto uma pitada de duvida em suas palavras.
— Você ainda duvida de si mesmo. – Concluo, ainda que meio infeliz – Se você é um Dragão aja como um. Não duvide de si mesmo.
— Mas Weisslogia...!
— Se você não acreditar em si mesmo como vai proteger aqueles que confiam em ti? De nada adiantará o poder se você não tiver a certeza de usá-lo.
Com isso ele fica em silencio, mas noto que ele soluça.
— Eu... Eu tenho medo. Estou com tanto medo... – Vejo algumas lágrimas caírem pela sua face. – Eu tenho medo de não conseguir proteger Lucy como também não protegi a Layla. – Ele soluça mais forte – Como não protegi Rogue e Juliette. Não quero ser fraco, quero mantê-los seguros perto de mim. – Aos poucos noto como as coisas para ele estão difíceis.
— Eu sinto a sua dor, Sting-chan. Mas também não posso dizer-te sempre o que deve fazer. Ao invés disso, digo-lhe que a resposta está mais próxima do que você jamais imaginou.
— Está? Como?
— Você a notará quando estiver por perto. E também... – Por sorte eu estou com o meu brinco. Esse brinco faz conjunto com o que ele tem. São gêmeos e completados pelo colar que dei a Layla. – Eu estou sempre por perto não é? – Tiro algumas das mexas de perto da orelha para que ele também veja o brinco prateado igual ao dele. – E você também tem o colar da sua irmã, então, estamos quase que completamente interligados. Tenho certeza que esses amuletos vão orientá-lo na sua busca.
A minha mente fica turva e sinto que esse esplendoroso reencontro está por acabado.
— Weisslogia! Espere! Não se vá!
— Nós encontraremos novamente, Sting-chan. – Murmuro e com um grito de frustração e de dor provindo dele sou desperto do sonho.
Estou junto do mestre Acnologia, deitado ao lado de uma de seus braços.
— Eu deveria lhe punir? – Ele pergunta quando começo a soluçar. Minha mente está tão confusa que rio e choro ao mesmo tempo.
— Me dê mais tempo com ele. – Imploro, esticando a minha mão para cima, e retendo a barreira que fazia meus olhos arderem ainda mais. Ela fica escura e impede a luz do sol de nos atingir.
— Tudo tem o seu tempo, Keith de Weisslogia. – Acnologia completa e começo a chorar ainda mais, enterrando a minha cabeça em cima dos meus joelhos. Meus braços abraçaram as pernas e fiquei encolhido a tremer, chorando compulsivamente.
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