Shatter Me

9 Estilhaço de Sonhos


Notas iniciais
Então... Nyah parou por algum tempo certo? Então vamos recuperar o tempo perdido com dois capítulos. Boa leitura. Amy ♥

Estilhaço de Sonhos

So far away.

Stan:

Nada fazia sentido.

Eu caminhava sozinho por um lugar escuro e cheio de arvores que tapavam a luz da lua.

Tinha medo do desconhecido como também, receava estar numa enrascada.

A lama dificultava a minha caminhada e eu havia tropeçado e caído algumas vezes, também. Eu estava cego naquele lugar.

— Pa-pa? – Chamo, mas na memória o nome não me parece estranho.

Não tenho mais que quatro anos.

Meu corpo é pequeno, sinto muito frio e estou com tanto medo que ignoro meus sentidos. Estou tão assustado que mal consigo me mexer e quando dou um passo, quase sempre ele é em falso e eu caio, machucando as mãos. Meus joelhos sangram e os meus pés doem por causa das pedras.

— Papa? – Choro, com medo depois de ouvir um rugido.

Nem ao menos Rogue-nii estava ali para me ajudar.

Começo a tossir e meu corpo se curva pela falta de ar.

O breu assusta-me novamente. As sombras, que antes eram minha amigas agora tornam-se monstros.

Um liquido vermelho escorreu da minha boca para a minha mão enquanto tusso. O tal liquido carmesim tem um gosto metálico e ao mesmo tempo é meio doce. A sensação de mal estar que vem com ele é terrível.

— Papa! – Insisto em gritar, tossindo ainda mais.

Escuto passos e depois vejo uma sombra se aproximar com velocidade. Encolho-me no chão, sem importar-me dele estar frio e pegajoso.

Logo depois sou envolvido por dois braços fortes.

— Radios! Fiquei tão preocupado! – Exclama um homem e eu me seguro nele, notando como sua voz e seu cheiro me é familiar.

— Papa... – Murmuro e logo depois consigo ver atentamente o rosto daquele que chamo de pai. É... É Klaus.

— Está tudo bem, Radios-chan. Vamos para casa, agora. – Ele completa, apertando-me mais entre seus braços e dando-me um beijo estalado na testa.

O meu eu daquele tempo fica aliviado, mas o meu de agora está em choque.

Isso não pode estar acontecendo.

Klaus...

Ele... E eu...

Não pode ser verdade.

— Porque você saiu sozinho? – É o que ele me pergunta e me agarro mais a ele como resposta. – Certo, sinto muito. Não vou mais deixá-lo sozinho. – Ele completa, ninando-me enquanto caminha sem medo até o caminho que eu havia feito.

Em poucos segundos avistei um chalé feito de bambus e na porta dele, dois garotinhos brincavam juntos. Um loiro e outro moreno, sendo que o loiro corria do moreno sem pestanejar.

Eu queria brincar com eles.

— Papa... – Começo e ele nega. Talvez já soubesse que eu queria brincar.

— Depois, Radios. – Falou autoritário e choraminguei baixinho.

Havia um loiro a observá-los na porta e sorrir divertido. Ele observa Klaus se aproximar e logo depois fala baixinho:

— Onde ele estava?

— Perdido na floresta. – Estamos mais perto do loiro agora e reconheço a fisionomia jovem de Keith.

Depois disso, Klaus entra e me coloca numa das duas camas do recinto.

Fico sentadinho, com medo da expressão séria que ele faz.

— Você está bem machucado. – Suspira ele ao falar, talvez ele saiba que vai ter trabalho para cuidar de mim. Meu eu não está preocupado, ao contrario, mostra-se feliz por estar ali.

— Papa o nini vai brincar comigo? – É o que pergunto. Meu gêmeo estava bem longe do meu campo de visão.

— É, ele vai. Mas primeiro vamos tratar de você, Radios-chan.

Ele cuidou do meu joelho esfolado, enfaixou o meu braço cortado, mas eu voltei a tossir como antes e mais sangue saiu de meus lábios.

Mirei-o assustado e ele apenas acariciou a minha cabeça, escondendo sua preocupação por trás de um sorriso:

— Não precisa ficar assustado. – Começou ele. – Vou tratar disso. – Sou pego e colocado em cima das suas pernas, notando que os olhos diferentes agora tinham o mesmo tom.

Fecho os olhos pela dor que se alastra no meu peito, mas sinto que ele vai me ajudar. Eu confio nele.

— Shii... Relaxe. – O moreno respira fundo e sigo seu exemplo, fazendo o mesmo.

Klaus coloca a sua mão no meu peito e ali sinto uma pressão forte e quase dolorida. Tenho dificuldade de respirar nesse meio tempo, e novamente o moreno respira fundo para que eu o faça igual. Ofego, sem conseguir e o ar fica preso na minha garganta. Abro meus olhos assustados e ele não para.

Agarro as suas roupas, asfixiado.

— P-pa-pa.... – Consigo gemer.

Quando ele tira a sua mão do meu peito volto a tossir com animo, encontrando ar e voltando a respirar. Lagrimas caem enquanto eu estabilizo a minha respiração entrecortada.

— Desculpe se te assustei... Mas olhe. – Ele mostra uma massa negra e gosmenta em suas mãos. – Eu tirei tudo. – Não sei se sorrio, se começo a chorar ou se me escondo.

Estou confusamente assustado.

— Não precisa ficar tão assustado. – Novamente, ele beija-me na cabeça. – Pode ir brincar com o nini e com o Ting-chan.

Um sorriso grande e caloroso se abre em meus lábios quando começo a correr para fora.

Os dois garotinhos param e vem até mim, me abraçando em seguida:

— Oni-chan! Onde você tava? – Rogue-nii pergunta, com uma mistura de raiva e preocupação.

— É! – O outro concorda, cruzando os braços enquanto eu ficava grudado ao meu irmão por causa do seu abraço.

— Eu me perdi. – Falo, sentindo o rosto ficar vermelho de vergonha.

— Nunca mais vamos te deixar brincar de esconde-esconde, Oni-chan! – Meu gêmeo brinca rindo e logo depois nós dois também estamos rindo.

Observo o homem que denomino de pai na porta a sorrir. Ele parece mais aliviado.

Sorrio de volta.

...

Acordo e novamente a minha respiração está ofegante.

Puxo algumas das minhas mexas negras para cima, tirando-as do meu olho.

Deixo a minha mente vagar quando sento com as pernas para fora da cama.

A lembrança devia estar errada. Eu odeio Klaus. Odeio-o por ser intolerante e pela sua pose superior, pelo seu jeito de falar comigo nas poucas vezes que nos encontramos e pelo modo que ele tem agido comigo desde então.

Não pode estar certo.

Entrego-me as lágrimas e segundos depois disso sinto uma pressão sutil nos meus lábios. Fecho os olhos e deixo que a caricia dele seja suave e harmônica na minha boca.

E só assim poderei esquecer o meu desespero.

Por fim, me afasto ofegante e seco as lágrimas com as costas da mão esquerda.

— Eu vi você chorando e depois que você não me respondeu tive de ver se você estava ou não acordado. – Explicou-se ele, sentado sobre os meus joelhos. Sua expressão estava bastante doce e me pergunto se não é por pena.

— Você sente pena de mim?

— Não, mas fico preocupado quando você dorme e tem esses sonhos. – Fecho meus olhos e ele encosta sua testa na minha. Aos poucos suas mãos se enrolam na guerra branca e preta dos meus cabelos.

Seus lábios roçam os meus.

— Quero que você corte meu cabelo. – Suspiro, ainda com seus lábios colados nos meus.

— Hum? Agora?

— É, agora. – Antes ele rouba mais um beijo, aproveitando um último toque nas minhas longas mexas.

Suas mãos geladas deslizam do meu pescoço até a coluna, talvez usando o cabelo como desculpa para tocar-me. Ele divide as mexas e coloca cada metade sobre os ombros. Uma metade negra e outro branca.

— Porque?

— Estou cansado dele assim. – Respondo, mas algo dentro de mim quer cortá-lo para que não só Rogue como Klaus possam me reconhecer. – É um saco.

Zeref ri, como às vezes faz, e coloca suas mãos abaixo de zero dentro da minha camisa e desliza-as sobre a minha coluna. Um arrepio se segue disso.

— Eu cortarei, com uma condição.

— Qual?

— Você vai fazer o que eu quiser hoje. – Seu olhar malicioso não deixa de ser doce e, depois de anos, sinto meu rosto ficar quente.

— Que porra de proposta indecente é essa? – Resmungo, escondendo a vermelhidão por alguns instantes.

— Vamos, Radios. Sou tão ruim assim na cama? – Novamente, eu coro.

Puta que...! O que está acontecendo comigo?

— E então? – Minha orelha é mordida com isso. Suspiro em concordância.

— Quero o meu cabelo no tamanho do seu.

Ele faz algo inédito. Franzi o cenho e cruza os braços como uma criança mimada. Cara, alguém drogou a gente noite passada?

— Eu sempre gostei do seu cabelo longo.

— O cabelo é meu, porra. Deixa eu cortar ele, saco! – Esbravejo e ele respira fundo, levantando-se e pegando uma faca.

Ele vai cortar o meu cabelo com uma faca?

E antes que eu pudesse perceber, os fios brancos e negros estavam tremeluzindo na minha frente e caindo na cama. Eram longos e brilhantes, dançando no ar.

— Satisfeito? – O moreno fala, jogando a arma numa parede da casa. Passo as mãos no cabelo e percebo que faz anos que não tenho o cabelo tão curto. Sorrio a isso.

Ao mesmo tempo, vou puxando e alinhando os meus cabelos da melhor forma que possa e talvez até tenha feito alguma coisa de boa, porque Zeref mira-me com uma expressão divertida.

— Você ficou bem assim. – Ele comenta, rindo. É a minha vez de franzir o cenho.

Quero me convencer de que poderei me afastar dele a qualquer hora, mas a cada segundo a mais com ele sinto que o nosso laço fica mais profundo. Mais sensual e profundo, na verdade.

— O que foi? – Se eu disser a alguém que tenho o mago mais forte e perigoso nas minhas mãos me internariam no melhor hospício pago do reino. Mas é apenas sexo.

É só sexo. – Falo.

— Não é só sexo. – O mago negro responde, beijando carinhosamente. Retribui-o quase imediatamente. – Nunca foi só sexo, Radios. – Puxo-o mais para o meu colo, mordendo seu pescoço em provocação. – Você se apaixonou por mim. – Adivinha ele e mordo-o com mais força, fazendo este se remexer no meu colo.

— Cala a boca. – Seus lábios encontram os meus e sorrio ao jeito sensual que ele tende a se mexer em cima de mim.

É a vez dele de me provocar. Este morde o meu pescoço com força e tenho certeza de que deixou uma marca.

— Ei! Pare de me marcar, bastardo. – Resmungo, colocando a mão no lugar ferido por seus dentes.

— E daí se eu marco o que é meu?* – Com isso arregalo os olhos.

— Não sou seu.

Ainda. – Ele comenta lambe do meu pescoço até o ombro e faz a minha pele se arrepiar. – Você ainda não é meu.

— É o que vamos ver, bastardo. – Completo, sentindo sua língua deslizar pela minha pele com perversão. Minha respiração fica ofegante.

Ele me beija depois de mais alguns minutos. O beijo é luxurioso e devasso, contrastando os nossos sentimentos e vontades.

— Eu farei você se apaixonar por mim, Radios Cheney. Nem que eu tenha que te matar. – Eu o beijo dessa vez, mais selvagem do que jamais fui. Zeref quase revira os olhos quando me afasto.

— Isso se eu não enlouquecê-lo antes, Zeref.

Tyler:

Stella tocava sua suave lira enquanto eu estava deitado a sua frente.

O palácio estava silencioso e a simples presença daquele som já me acalmava.

Sei que terei de treinar um Dragão, mas ao mesmo tempo, sinto-me receoso por Sting.

Lucy-nee ama-o muito. Mais do que eu jamais imaginei.

Levanto-me e tiro a camisa que tanto me deixa afoito. Só de calças e chinelos, saio do palácio a observar os espíritos menores se divertindo alegremente.

Vários Canis Menor divertem-se transformando-se em animais diferentes e brincam com os novos poderes. Os espíritos do zodíaco também sentem-se satisfeitos com a antiga forma de volta.

— Tyler-sama! – Chama Gemi, um dos gêmeos ruivos. Sua faca dourada pende no cinto enquanto o mesmo corre.

— Gemi. O que quer?

— Na verdade, sou o Mini. – Ele responde e suspiro. Preciso aprender a diferenciá-los logo. – Reiji-sama e Lyko-sama pedem a sua presença no palácio vermelho.

— Está bem. Acompanha-me, jovem cavaleiro?

— Se o Tyler-sama desejar, assim o farei.

Enquanto andava tratei de mudar as minhas roupas normais e campais para as minhas majestosas vestimentas imperiais.

Uma blusa de ceda clara e um calção de couro marrom. Por cima da blusa, um colete de cordões também em couro marrom e botas negras. A capa carmesim era de camurça e a coroa de flores campais brancas e delicadas, como última peça.

A caminhada não havia demorado tanto.

Ao invés disso, minha mente vagou para a minha primeira lembrança no mundo celestial na minha volta. O rei celestial era, na verdade, apenas um tipo de guardião. Era a constelação de Orion, que aguardava a nossa chegada.

Como fui o primeiro, tratei logo de restaurar o meu mundo como aquele que eu me lembrava na terra.

Portanto, o mundo celestial é uma versão mágica e estelar dos antigos reinos de terra mágica.

Cada rei, no entanto, constrói o seu reino como bem entende, apesar de tudo a sua volta parecer a nossa terra natal.

Chegamos ao palácio vermelho, do rei Reiji.

Ele era o homem mais bem afeiçoado entre nós. Sua beleza era tida como mágica entre nós, que agíamos com força bruta. Convenci-me que ele tem o poder das palavras e o dom da divina beleza.

O pequeno Mini despede-se e corre para outro corredor enquanto me dirijo pelo central. O palácio de Reiji era o mais parecido do que o dos outros.

Continuo caminhando até chegar à sala do trono onde ele e o outro rei e melhor amigo se encontravam.

— Saudações, Tyler V. – Reiji fala, com a sua cordial frieza.

— Humpt. – Respondo, sentindo seus olhos me analisarem de cima a baixo. – É bom vê-lo fora dos seus domínios também, Lyko.

— É bom ver que você não perdeu o seu charme rotineiro, Ty. – Ele brinca e o outro morde de ciúme com isso.

— Então, os espíritos de Cavalo e Serpente realmente se dão bem? Que ironia do destino. – Sei do “relacionamento” deles e alfineto.

— Ainda trai Daniel com Rachel? – Com essas palavras de Reiji sou forçado a rir.

— Certo, se vocês querem mesmo saber da minha vida amorosa, precisavam ir um de cada vez ao meu quarto. – Explico-lhes e ambos reviram os olhos. – Então, o que querem falar?

— Você sabe muito bem sobre o que.

Reiji é realmente uma das pessoas mais bonitas que já vi na vida.

Ele tem cabelos vermelhos num tom vivo que, quando chegavam às pontas eram azuis anil e a pele é tão branca quanto um papel. Seus olhos são vermelho-cereja e seus lábios têm um tom tênue de rosa claro. O porte físico é excelente e mesmo assim, ele parece tão delicado quanto Rachel.

Lyko é um pouco diferente dele.

Seus cabelos são brancos no topo da cabeça, mas escurecem quase que gradativamente e as suas pontas são castanhas. De pele branca, ele não tem medo de sair andando pelo mundo celestial sem camisa, como sempre o faz, apenas com as proteções indo dos ombros aos braços e a “capa” pendendo no ombro esquerdo.

— Sei?

— Você é o espírito mais próximo à nossa mestra, Tyler. E pelo que soubemos de Ray, Lucy-sama acabou de perder um filho. – Minha garganta fica seca quando Lyko fala estas palavras. Eu sei muito bem das consequências de não os ter avisado propriamente ou ainda, ter levado Rachel em vez dele mesmo.

— Era a melhor opção no momento.

— A questão não é essa, Tyler. – Continua Reiji, prendendo os longos cabelos com dois pauzinhos negros. – Você conhece melhor do que ninguém os riscos de uma segunda gravidez e ainda, por pior que seja, os efeitos de uma segunda gravidez numa maga celestial.

— Duvido que...

— Não interrompa-nos! – Esbravejam ambos, furiosos.

Fico em silencio, pois sei que eles estão totalmente certos.

— Vou citar a você o exemplo mais próximo da nossa mestra. – O loiro fala, abrindo um pergaminho grande e notoriamente assustador. – Layla Heartphilia, trinta anos. Morreu após uma infecção generalizada depois da perda de um bebê.

— A... A Layla...? – Estou confuso. Como a minha Layla pode ser o exemplo mais próximo de Lucy?

— Essa Layla Heartphilia é a mãe da Lucy. Mas a sua Layla morreu de algo parecido também. – Esclareceu o espírito do cavalo, emburrado. – A questão é que, magas celestiais não sobrevivem a uma segunda gravidez. Às vezes, nem a primeira! – Ele está desesperado. – Tyler a situação é mais seria do que você imagina.

— Não é! Sting não vai fazer nada com a Lucy-neesama até que ela esteja bem o bastante para isso.

— Ele é um dragão! – O espírito da Serpente fala, realmente irritado. – Dragões têm instintos! E ele não vai parar de tentar ter um filho enquanto eles estiverem juntos.

— Não vai!

— Abra seus olhos, Tyler. Lucy-neesama é nova demais para ficar grávida e ainda nem está noiva nem nada. Acha mesmo que o relacionamento deles vai durar?

— O amor para Dragões é algo diferente do que vocês imaginam. É um laço divino que nem eu posso romper. Eu tentei! Testei o amor deles e cada um reagiu de maneira surpreendente. Lucy-nee quase nos deixou e Sting ficou dias sozinho nas montanhas chorando.

— E se algo acontecer a Lucy-neesama agora Tyler?! Se não tiver força suficiente para salva-la? Se ela não estiver em condições de nos suportar na Terra?

— Não eu não deixarei que isso aconteça. Mesmo que tenha de me doar por completo, não permitirei que tal coisa aconteça.

Eles se entreolharam por alguns segundos.

— Reiji, estou indo para casa. Albifacah vai ficar preocupado comigo se demorar-me aqui. – O rei loiro fala, fazendo uma vênia rápida e caminhando até a saída a passos rápidos. Eu o acompanho, caminhando ao seu lado, e depois falo alto:

— Se desejar continuar a conversar, passe no meu palácio, Reiji-san. – Lyko apenas mira-me e demora seu olhar no meu enquanto eu também o encaro.

— Sabe que vou ter que ir visitá-la. Apenas Rachel não a curará completamente. – Ele sussurra, para que o seu nobre e melhor amigo Reiji não escute e tenha um ataque.

— Amanhã visitarei Lucy para treinar um dos dragões que está em sua casa. Você vem comigo. – Se eu permitir é claro.

— Porque tem mais de um Dragão na casa dela? – Ele pergunta e nesse momento nos deparamos com Daniel, que caminhava despreocupadamente com Alana, ou Aries se preferir.

— É como uma medida de proteção que eles fizeram. Unidos são fortes e pretendem proteger a si mesmos dessa maneira. – O moreno responde, intrometendo-se sem precisar. Lyko sorri a ele, estendo a mão para cumprimentá-lo.

— Obrigado pela explicação, Dan-san. – O rapaz fala, tendo o mínimo de respeito pelo moreno apesar de que, sinto que o maior interesse dele é na garota de cabelos róseos. – Alana-chan, é um prazer ver-te novamente.

Dan o encara com seus olhos frios e destemidos por alguns longos instantes.

— Bem, estou indo para o meu palácio. – O espírito da serpente fala calmamente, despedindo-se.

— Boa viagem, Lyko-sama. – Alana responde calmamente.

Daniel está furioso.

— Bem, Dan... – Começo. – O que você falou ao Sting?

— Disse que ele precisava ficar mais forte e completar o Dragon Soul. Entregou o bilhete que pedi?

— Como você quis. Não acha que é demais? Essa pressão que está sobre ele agora...

— Sting é o Rei dos Dragões e também o futuro marido da nossa Nee-chan. Imagine os herdeiros deles. A quantidade de magia que a criança vai ter... Vai ser tão poderosa quanto qualquer um de nós compreende? Sting vai ter que segurar a onda até que ela entenda os seus poderes. Ele tem que ser forte e aguentar tudo, porque é o homem dela e um Dragão também.

Suspiro.

— Dê um tempo para ele descansar, depois.

— Tyler, você precisa saber de algo.

— Saber de algo?

— Lucy vai ficar grávida daqui a poucas semanas.

— Como?!

Keith:

É tudo muito escuro.

Meus passos ecoam sobre a água negra que caminho calmamente.

Eu já estive aqui uma vez. Quando Sting clamava por Weisslogia e precisava libertar seus poderes.

Minha essência foi totalmente drenada naquele momento, mas eu nunca levei a serio que poderia voltar à mente dele. Nunca pensei que ele me chamaria a sua mente novamente.

Mas cá estou eu novamente.

— Weisslogia? – A voz dele chama-me e tenho a impressão de que se eu continuar a caminhar vou encontrá-lo.

— Sting? – É a minha vez de me pronunciar, cego entre todo aquele breu. Não sei se conseguirei manter essa conexão por muito tempo.

No entanto, fico feliz de ver que ele está bem.

— Weisslogia! – Grita ele.

— Eu estou aqui! Por favor, fique calmo. – Respondo, apressando o passo e me deparando com ele. – Estou aqui. – Falo e finalmente ele focaliza o meu rosto. Uma sensação estranha passa pelo meu estomago.

— Eu... – Ele começa, mas depois para. – Pensei que nunca mais nos veríamos.

— Eu também. – Respondo, sorrindo. Ele não se lembra de mim, nem dos momentos que tivemos na ilha e depois das vezes que fui visitá-lo no treinamento.

—Eu... Eu estou confuso. Não sei o que fazer.

— O que lhe aflige?

— O espírito da minha namorada disse que o Dragon Soul não está completo.

— É um espírito especial, não é?

— O espírito dos Dragões.

— Hum.

— Você me ajudou a desenvolver o Dragon Soul, Weisslogia. Como faço para evoluí-lo?

— Porque você quer tanto evoluí-lo? Já não é forte o bastante?

— Eu preciso proteger a Lucy e os meninos. – Confessa ele, com um ar adulto que jamais vi em sua expressão. – Eu nunca me perdoaria se algo ruim acontecesse com eles.

Sorrio orgulhoso. Acho que não poderíamos tê-lo criado de maneira melhor, Weisslogia.

— Ele disse mais alguma coisa? – Minha voz sai docemente calma. Não sei por que, mas tenho a sensação de que preciso parecer calmo.

— Ele disse que ainda não compreendo o espírito do Dragon Soul.

— E o que você acha disso? Acredita que ainda não entende a técnica?

— Eu não sei.

Sorrio mais uma vez, tentando ignorar o fato de que o mestre Acnologia proibiu interferências nas vidas dos Dragon Slayers.

— Você é um dragão, Sting?

— O que? É obvio que sou! – Ele responde-me, mas sinto uma pitada de duvida em suas palavras.

— Você ainda duvida de si mesmo. – Concluo, ainda que meio infeliz – Se você é um Dragão aja como um. Não duvide de si mesmo.

— Mas Weisslogia...!

— Se você não acreditar em si mesmo como vai proteger aqueles que confiam em ti? De nada adiantará o poder se você não tiver a certeza de usá-lo.

Com isso ele fica em silencio, mas noto que ele soluça.

— Eu... Eu tenho medo. Estou com tanto medo... – Vejo algumas lágrimas caírem pela sua face. – Eu tenho medo de não conseguir proteger Lucy como também não protegi a Layla. – Ele soluça mais forte – Como não protegi Rogue e Juliette. Não quero ser fraco, quero mantê-los seguros perto de mim. – Aos poucos noto como as coisas para ele estão difíceis.

— Eu sinto a sua dor, Sting-chan. Mas também não posso dizer-te sempre o que deve fazer. Ao invés disso, digo-lhe que a resposta está mais próxima do que você jamais imaginou.

— Está? Como?

— Você a notará quando estiver por perto. E também... – Por sorte eu estou com o meu brinco. Esse brinco faz conjunto com o que ele tem. São gêmeos e completados pelo colar que dei a Layla. – Eu estou sempre por perto não é? – Tiro algumas das mexas de perto da orelha para que ele também veja o brinco prateado igual ao dele. – E você também tem o colar da sua irmã, então, estamos quase que completamente interligados. Tenho certeza que esses amuletos vão orientá-lo na sua busca.

A minha mente fica turva e sinto que esse esplendoroso reencontro está por acabado.

— Weisslogia! Espere! Não se vá!

— Nós encontraremos novamente, Sting-chan. – Murmuro e com um grito de frustração e de dor provindo dele sou desperto do sonho.

Estou junto do mestre Acnologia, deitado ao lado de uma de seus braços.

— Eu deveria lhe punir? – Ele pergunta quando começo a soluçar. Minha mente está tão confusa que rio e choro ao mesmo tempo.

— Me dê mais tempo com ele. – Imploro, esticando a minha mão para cima, e retendo a barreira que fazia meus olhos arderem ainda mais. Ela fica escura e impede a luz do sol de nos atingir.

— Tudo tem o seu tempo, Keith de Weisslogia. – Acnologia completa e começo a chorar ainda mais, enterrando a minha cabeça em cima dos meus joelhos. Meus braços abraçaram as pernas e fiquei encolhido a tremer, chorando compulsivamente.

Notas finais
Bem, está na hora de explicar: *É uma frase de Shizuo, do anime/manga/doujinshi Durarara. O temperamento de Zef e Stan foi baseado (em partes) neles. Dois sonhos explicativos e difusos. Qual deles foi mais desesperador? O do garoto das memorias ou do dragão esquecido? O que, poderá provir disso? Deixo a vocês essas duvidas e quero que suas mentes matutem sobre isso. Beijos de morango a todos. Amy B.