Shatter Me

10 Estilhaço de Amargor I


Notas iniciais
Bem, de acordo com o novo Nyah, capítulos de mais de 4000 palavras deixam os leitores cansados. Então, a partir de agora, terei de dividir alguns capítulos, para melhorar leitura de vocês. Bem, é isso. Boa leitura. Amy B.

Estilhaço de Amargor

Parte 1

Lucy:

Faz dois dias desde a visita de Rufus e companhia.

Sting tem agido de maneira estranha e ultimamente tenho-o visto com o colar da irmã pendurado no pescoço.

O jantar está quase pronto nesse momento, mas deixo a minha mente vagar de preocupação e nem noto que Mirajane e Erza falam comigo:

— Lucy! – Erza fala alto, estalando os dedos na minha frente. Pisco, com as bochechas queimando.

— Oi! Desculpe, Erza-san! – Murmuro e Nanami olha-me com um sorriso.

— Eu conheço essa sua expressão. – Mira fala. – O que lhe aflige, Lucy?

— Eu conheço essa expressão também. – Nanami, debruçada sobre a bancada. – Aconteceu algo entre você e o Sting?

— Eh?! – As outras duas parecem surpresas e logo Levy se junta a nós todas.

— O que houve?

— Elas estão me interrogando, Levy-chan. – Informo-lhe sorrindo.

— É? Sobre o que, em especial?

— Nada, eu acho.

— E então? É verdade? Aconteceu algo? – Erza quer saber como as outras duas.

— Eu acho que não. Mas ele... Tem estado estranho.

— Estranho?

— É. – Confesso, cabisbaixa. – Distante, talvez.

— Hum? – Vejo o dito loiro entrando pela cozinha. – O que vocês estão conversando? – Ele quer saber, mas antes as garotas jogam um olhar sugestivo para mim. Depois se encararam e quase me emburraram para ele.

— Lucy estava nos contando que queria conversar com você, Sting-kun. – Nanami fala, calmamente e sorrindo.

Meu rosto fica vermelho.

— Conversar comigo?

— É, não é, Lu-chan? – Levy continua e lhe lanço um olhar desaprovador.

— Então vamos ao escritório, se quiser conversar. – Sting diz com um sorriso calmo e frio, quase triste. Isso dói em mim enquanto o sigo sem dizer nada.

A porta do escritório é fechada calmamente e meu olhar segue-o até que ele se sente.

— Então... Sobre o que quer conversar comigo?

Não o olho.

— Lucy...

— O que aconteceu? – Isso realmente o pega de surpresa.

— Eh?

— Você tem estado estranho desde o dia que Rufus veio. Aconteceu algo com você, Sting e agora você não fala mais comigo como antes.

Ele analisa-me em silencio, depois coloca a mão no pescoço.

— Eu estava tentando buscar uma resposta, Lucy. – Responde-me ele, vindo até mim. – Eu tive um sonho com Weisslogia, meu amor. – Confessa.

— Quando?

— Durante a visita de Rufus, eu desmaiei no escritório. – Ele segreda em meu ouvido, ficando com seu corpo colado no meu. – Eu falei com este e ele me falou que a minha resposta estava próxima de mim e que o meu brinco, juntamente com o colar de Layla me ligariam a ele, me ajudando.

— É por isso que...

— Sinto muito se não te dei atenção, mas eu estava tentando decifrar o que Weisslogia me disse e nem percebi que a chave está o tempo todo na minha frente. – O loiro roça seu nariz na minha bochecha e sorrio, abraçando-lhe.

— Sting...

— Sinto muito, se lhe preocupei, mas eu simplesmente... – É interrompido por seus próprios lábios nos meus. Enrolo minhas mãos em seus cabelos e deixo que sua língua seja saudosa com a minha.

Seus lábios deixam a minha boca com uma pressão doce e suave. O aroma cálido que ele tinha era simplesmente divino e ansiedade de estarmos nos beijando verdadeiramente desesperados.

— S-Sting... – Gemo, minhas mãos no seu pescoço. Seus olhos miram-me com carinho.

— Adoro quando você fala o meu nome desse jeito. – Ele sussurra e morde meus lábios.

Alguém bate na porta.

— O jantar está pronto. – Levy fala e Sting quase tem uma crise de riso. Por fim, tenho de responder.

— Já estamos indo. – Falo, com a voz suave. – Só mais uns minutinhos.

— Tudo bem. – Responde, entre risinhos.

Sting enterra o seu rosto em meu ombro tremendo de tanto rir:

— Vamos? – Pergunto, com o rosto corado.

O dragão sorri:

— Por mim, ficaríamos aqui. Continuar, certo?

— Vamos logo. – Eu o puxo pela camisa, porta afora.

Faz muito tempo que decidi levar toda a carga.

Stan:

Minha cabeça doía quando consegui levantá-la.

O quarto em que eu estava era escuro e igualmente frio.

Meus lábios estavam com o gosto metálico e estranho de algo que não sei decifrar, mas sei que já senti.

Consigo me levantar com muito esforço, equilibrando-me com um braço e depois com o outro. Fico frente a frente com o travesseiro antes de tossir e sentir a coisa metálica na minha boca se tornar mais presente.

Eu o sinto quanto tusso uma segunda vez.

Estou de joelhos na cama quando vejo uma sombra se mover na minha direção.

— Radios. – A voz do meu mestre faz com que eu levante a cabeça para mirá-lo.

— Mestre. – Consigo sussurrar.

— Você não poderá mais se lembrar de nada. Em nenhum momento.

— Por quê?

— É a sua sina, Radios. É o preço que você teve de pegar para deixar o seu irmão vivo.

— Rogue... Ele vai se lembrar de mim, pelo menos?

— Não. Nenhum dos dois jamais saberá a existência do outro. – A voz, a mim estranha num primeiro momento é fanha nesse instante. Respiro fundo, doloridamente.

— Posso vê-lo uma ultima vez, então? – Contraponho, sem nem mesmo rebater o fato de nós dois, antes inseparáveis, nunca mais saberemos quem somos.

— Ele está dormindo.

— Não importa. – Revelo, com um pedinte. – É meu ultimo pedido, mestre. – Insisto e ele não fala nada dessa vez, caminhando a passos calmos.

Consigo levantar-me da cama e vejo as bandagens em meus pulsos e no resto de toda a extensão do braço. Mexo o punho para frente e para trás e vejo sangue nas ataduras, apesar de não estar doendo.

Devo ter tomado um chá anestesiante novamente, pensei calmamente tendo alguma dificuldade para me manter em pé sem cambalear.

Meus olhos estão estranhamente turvos.

— Radios? – Ele fala novamente, agora mais perto. Seu rosto estava turvo para mim e antes que eu notasse, sua mão me guiava. – Você está atordoado por causa da perda de sangue. Venha, apresse-se. – A voz está tensa e me pergunto por quê.

Agora estou sorrindo.

— Rogue-nii ficou muito ferido?

— Foi algo terrível para ele, como você bem sabe. Acredito que ele deva estar acordando também. – Revela o mestre, cansadamente.

— Ele ainda se lembra de mim?

— Sim.

Um sorriso maior se abre em meus lábios.

Demoramos alguns minutos para chegar ao quarto em que meu irmão estava. Logo o vi sentado na cama, mirando o nada com seus olhos vermelhos cheios de dor.

— Rogue-nii! – Chamei, esforçando-me para correr até ele.

— Radios! – Ele fala, aliviado. – Você está bem... – Vejo lágrimas escorrerem dos seus olhos e o mesmo começar a fungar. Atrevo-me a apertá-lo em meus braços.

— Você também. – Sussurro, encostando sua testa na minha.

— Eu volto logo. – A voz do senhor de cabelos grisalhos vai desaparecendo à medida que ele desaparece num dos vários corredores do templo.

Ficamos em silencio até que nenhum som fosse ouvido.

— Eu fiquei com medo de ficar sozinho, acredita? – O meu irmão gêmeo fala, com um sorriso envergonhado.

— Eu estarei sempre aqui. – Segredo, em voz baixa e fechando os olhos.

Eu sabia que era mentira. Nunca mais nos veríamos.

— Rogue-nii, eu te amo. – Suspiro.

— Eu também te amo, Radios-nii. – Ele fala, confuso. – Porque está dizendo isso?

— Eu só queria que você soubesse. – Murmurei.

Mas algo me surpreendeu.

Rogue puxou-me para seus braços e por fim, acabamos deitados, um de frente para o outro.

— É bom ficar deitado desse jeito. – Ele fala, casualmente, como se fosse uma brincadeira. – Você é muito quentinho, oni-chan! – Manhoso, ele me faz rir.

— Serio? – Falo, deitando a cabeça em seu ombro.

— Eu já disse que sim. – Responde-me irritadiço, mas depois que sorrio, ele também se da ao trabalho de sorrir.

— Rogue-nii se você perdesse a memória como se lembraria de mim?

— Se eu perdesse a memória? Bem... – Ele olha fixamente meus olhos rubis como os seus – Eu tocaria aquela nossa canção na folha.

Isso me comove de uma maneira única:

— Você tocaria, mesmo?

— Claro. – Seu sorriso me acalma. – Toda vez que o vento soprasse e mexesse nas folhas. Toda vez que um pássaro cantasse na floresta a sua melhor e mais alta canção, juntamente com as flores desabrochando num lindo jardim. Toda vez que eu estiver vendo isso e todas as coisas belas do mundo, tocarei a nossa canção. – Segreda, calmamente. Já estou soluçando. – Radios? Porque você está chorando tanto?

— Eu fico feliz em saber disso, Rogue-nii. – Disfarço.

Estou soluçando bastante quando escuto alguém entrando no quarto. Levanto-me pedinte e então vejo a sacerdotisa do templo:

— Eu vim trazer café para vocês. – Sua voz é doce, calma e gentil. Enxugo os olhos e vejo-a colocar a bandeja cheia de comida para o lanche da tarde nos braços do meu irmão. – Tudo bem, Radios?

— Sim, está tudo bem. – Sussurro.

— Então aproveite o café com o seu irmão, está bem? Eu fiz especialmente pra vocês. Está bem especial.

— Obrigado. – Rogue diz, saudosamente. Logo em seguida ela se vai. – Ué? Não vai comer, não? – Fala a mim, com um pão doce na boca. Rio disso e depois assinto, colocando comida no estomago sem ter um pingo de fome.

— Quer café? – Pergunto, sugando um pouco do liquido quente em meus lábios. Seus dedos pegaram a xícara branca de porcelana das minhas mãos e este fez o mesmo que eu, bebericando com mais graciosidade.

— Está bom. – O ar quente que sai do café vem até mim, com seu aroma de amargor. Sinto esse gosto em meus lábios quando passo a minha língua por eles.

— Adoro café. – Revelo, pegando a xícara dele.

— Então, se algum dia eu perder a memória pararei de tomar café. Não vai ter o mesmo sentido bebê-lo sem você. Vai ficar amargo e vazio, não quente e aconchegante. – Sua voz é calmamente superior e começo a gargalhar ao olhar frio que ele lança rapidamente ao liquido quente e fervente.

— Sem café para você então? E com musicas para mim? Não me parece uma aposta justa. – Contraponho.

— O que sugere então? – E nesse segundo escuto um barulho alto na janela.

— O que foi isso? – Pergunto, quando meu irmão levanta-se para ir verificar. – Rogue-nii... – Sussurro, assustado.

— Tudo bem, só fique quietinho ai. – Pede ele.

E em seguida vejo-o rindo.

— Rogue-nii? – Chamei confuso.

— Olha o que eu achei! – Nunca vi um sorriso maior em seus lábios. Arquei uma sobrancelha quando o vi segurando um ovo gigante.

— De onde você tirou isso?

— Foi isso que bateu na janela.

— Como?

— Eu sei lá! Mas olhe o tamanho desse ovo! Vai nascer uma coisa muito legal dele! – Seus olhinhos brilharam. Analisei bem aquilo.

Não era, nem de longe, um ovo comum.

Era tão branco que fazia os olhos doerem e tinha estranhos desenhos verdes. Eram como os desenhos tribais que estudamos durante as aulas de estudo de magia escrita.

— ...e então? Qual você acha que é? – Rogue pergunta-me e percebo que passei algum tempo encarando o ovo sem escutar qualquer uma de suas palavras.

— Como?

— Radios! – Exclama, aborrecido. – Você escutou o que eu disse? – Ele está falando rápido agora, de tão animado que está.

— Nenhuma palavra, Rogue-nii. – Revelo e ele bufa, sentando-se no chão com o ovo entre as suas pernas abertas. – Na verdade, eu estava reparando nessas marcas no ovo.

— São só marcas tribais. – Ele comenta, mirando o ovo com cautela. – Parecem não conter magia.

— Não seria bom examinar essa coisa? – Ainda estou desconfiado e este apenas resmunga em discordância. Vejo uma idéia nascer com essa descoberta. – Já que você tocará a nossa canção, eu terei esse ovo para lembrá-lo de mim.

— Eh?! – O moreno idêntico a mim reclama, confuso.

— Não importa o que nasça desse ovo, ele vai ser seu e também será como ele fosse a minha representação pra você certo?

— Mas...

— Tudo bem, não quero esse ovo mesmo. – Falo, notando como seus olhos brilhavam de alegria ao notar que o ovo seria somente seu.

— O que você acha que vai nascer dele? – A sua pergunta tem uma leve pitada de medo e levanto-me da cama, sem querer me esforçar muito, e piso no chão frio descalço.

— Não sei. Pode ser qualquer coisa. – Sento-me ao seu lado, mirando o ovo gigantesco. – Acho que vai ser um sapo.

Ele não se contem e ri::

— Porque raios sairia um sapo dai?! – Ele argumenta, mesmo gargalhando.

— Não sei! – Concluo, sorrindo bastante agora.

— Já sei! Já sei como vou chamá-lo! Frosch!

— Frosch? – Não sei se rio ou se choro. – De onde você tirou isso?

— Sapo também pode significar Frog né? Eu só coloquei sch pra ficar bonitinho. – Não sei de onde ele arranjou isso, mas começo a rir casualmente.

— Seria melhor você chamá-lo de Fro.

— E quem disse que eu não vou?

— Ok. Independente do que ele for, sapo ou não, vai ter esse nome?

— Isso.

— Então, tecnicamente, ele vai ser sempre um sapinho não é? – Provoco e isso o faz rir.

— Você é um palhaço, Radios.

— Eu sei. – Respondo sorrindo.

— Radios, chegou a hora. – O mestre falou, entrando e puxando-me pelo braço. Primeiramente gemi de dor, mas depois esperneei e gritei:

— Não! Rogue-nii! – Este me olha assustado e depois compreende os meus sinais.

— Não o leve! – Rogue implorou, deixando o ovo e correndo ao meu encontro. O velho ranzinza havia me colocado por sobre o seu ombro e enquanto eu me debatia e Rogue implorava chorando, meus ferimentos se abriam tanto que as lagrimas ardiam em certos pontos cortados no rosto.

— Rogue-nii! – O mestre olha-o saindo do quarto e chuta-o no estomago e ele se curva de dor, chorando ainda mais:

— R-Radios... – Geme e eu o vejo uma ultima vez antes da porta se fechar completamente.

Minha dor grita alto na minha garganta.

A dor dos ferimentos somada também à dor de perdê-lo me atinge de maneira brusca e severa.

Meus gritos ecoam por todo o lugar e ninguém vem me ajudar.

— Rogue! Rogue! – Gritei uma ultima vez antes de ver a sacerdotisa. Ela olhou-me com pena e depois, o mestre colocou-me no chão.

Um circulo de magia pairava sobre a minha cabeça. Eu estava preso.

— Por favor... – Sussurrei – Por favor... Não me separe do meu irmão...

— Sentimos muito Radios, mas tudo foi premeditado. Está escrito. Rogue é o Dragão Negro.

— Não me importo se ele é o Dragão... – Minha voz é falha por causa da dor. – Só quero ficar ao lado dele... Não me separe dele... Por favor...

— Sinto muito. – Ela fala, tapando meus olhos com uma faixa negra.

Depois disso tudo começou a perder os sentidos.

Mas a dor não desaparece.

...

Estou gritando o mais alto que posso.

Nada mais importa.

Nem a vingança, nem Zeref, nem Acnologia.

— Stan! – Grita ele, fixando meus ombros na cama.

— Solte-me! Solte-me! – Grito, mas a memória confundiu a minha mente e é o meu eu daquela memória gritando.

Ele me segura com mais força e eu me debato como se tivesse sido possuído. Meus olhos vagam pelos borrões e começo a me acalmar quando me vejo no quarto em que dividimos. Quase não havia luz e as poucas velas acessas estavam pequenas quase acabando.

O lugar tinha um ar naturalmente sombrio.

Estou sem ar quando o moreno me solto. Minha garganta dói de tanto gritar e meus braços ficaram dormentes. Minha cabeça lateja de um jeito que nunca imaginei, como se alguém tivesse martelado nela com uma pedra de cinquenta quilos.

Meus olhos ardem pelas lagrimas novamente.

—Você já voltou? – Seu tom é suave e sei que ele sabe que as minhas memórias estão confusas.

Minha garganta se fecha quando eu deveria falar. Tenho dificuldades para respirar fundo e conter a água salgada em meus olhos, mas mesmo assim, digo a mim mesmo que não devo chorar. E se chorar vai ser pelo meu eu do passado, aquele que sofreu sozinho e perdeu o seu amado irmão.

— Você teve uma noite e tanto. – Ele comenta, movendo seus olhos até a janela coberta com a cortina negra. – Você não parou de se mexer. – Revela e fecho meus olhos um pouco, tentando parar de escutá-lo.

Sua voz me faz lembrar do que fiz.

De como o feri machucando a mulher que ele ama.

— Não posso mais fazer isso. – Gemo, olhando-o fixamente agora. – Não posso mais, Zeref.

— Porque? – Sua voz é estranhamente paciente, apesar da sua expressão.

— Porque eu amo o meu irmão. Eu o amo demais.

— Mas o nosso alvo não é o seu irmão, Radios. – Seu tom é notavelmente denso e remexo-me na cama, virando para a esquerda a fim de vê-lo completamente. – Seu alvo é a pessoa que os separou e que, incrivelmente, tomou seu lugar como irmão dele.

— Quem? – Rosno, mesmo já tendo a mínima idéia de quem seja.

— O Rei Dragão, Sting Eucliffe. – A menor citação do nome faz meu subconsciente ferver.

Então era culpa dele, realmente?

— Como você sabe que ele nos separou?

— Eu consegui entrar na mente dele depois que tentaram nos rastrear. Eu vi o momento que ele feriu o seu irmão e como você doou o seu sangue e seus poderes para salvá-lo.

— Então, Sting é o responsável?

— Com toda a certeza. – Um sorriso de escárnio se forma em seus lábios. Imagino o que ele está pensando. – Acho que já é hora de nos movermos. É hora de dar o ultimato.

Sting:

Não consigo dormir.

A ansiedade toma conta de todo o meu ser única e igualmente com a dor da desesperança e a suplica da impiedade.

Estou confuso e com medo.

Levanto, sem acordar Lucy ou alarmar Alois. Sei que não conseguirei voltar a dormir, meus pesadelos estão cada vez piores.

Estou em pânico.

Paranóico, desço as escadas e vejo a sala vazia, as sombras dos moveis pesadas. Miro o piano, que junta uma quantidade fina de poeira e que ansiava pelo uso, desde sempre.

Eu sei tocar piano.

Foi uma das poucas coisas que aprendi e gostei no templo do Dragão. Depois do meu treinamento com Rogue eu passava a tarde toda tocando, quanto tinha condições para isso. Quando Rogue foi abusado por Gazille eu tocava para que ele dormisse.

E veja agora, sou eu quem não consegue dormir. Sou eu quem se sente perdido agora.

Vou até o sofá e ali me estabeleço, mirando o quadro a minha frente. Lucy sentada na cadeira com uma bonequinha nos braços enquanto seus pais ficam cada um de um lado da mesma. Realmente, mãe e filha são idênticas e a mensagem de Tyler martela novamente em meus pensamentos.

Qual a ligação disso com a morte da mãe da Lucy? E como isso poderá nos afetar no futuro?

— Você parece cansado. – A voz de Tyler me tira dos meus devaneios. Ele também mira o quadro da família Heartphilia, sentado ao meu lado.

Vejo Daniel sentado no lado contrario ao tigre e então vejo outros dois espíritos que jamais vi:

— Esse é Reiji, espírito do cavalo e rei do fogo. – Diz o moreno e o rapaz de cabelos vermelhos assente, sorrindo. Este me analisa – E esse é Lyko, espírito da serpente e rei das profecias. – O outro, sentado ao lado do ruivo mexe a cabeça. Seus olhos lilases param unicamente nos meus azuis.

— É um prazer. – Consigo responder.

— Viemos contar algo a você. – Lyko fala timidamente. Sua voz, diferente do que eu imaginava, é calma e transpira uma melodiosa paz.

— Realmente. – Continua Reiji, baixo. – Acho que demoramos demais para virmos.

— Ainda mais se as previsões estiverem certas. – Continua Tyler, com um olhar serio para com os dois.

— Você compreende a responsabilidade da nossa mestra? – O ruivo começa – Em oitocentos anos ela é a primeira a nós libertar. – Uma pausa – Ela tem o sangue de uma rainha nas veias.

— Eu sei disso. – Falo, lembrando-me de quando conversamos sobre isso logo depois do torneio de magia.

— Sting-san. – Lyko atrai a minha atenção. Seus olhos cheios de água salgada. – Se a Lucy-san ficar grávida novamente ela pode morrer. – Um calafrio percorreu o meu corpo.

Um vislumbre da Lucy segurando um bebê nos braços e sorrindo para mim passou pela minha cabeça. Ignorei a dor em meu peito por alguns instantes.

— Então... – Começo, as palavras teimam em ficar na garganta. – Nós não poderemos ter filhos? – A pergunta os faz desviar os olhos de mim. Tyler aperta forte a almofada do sofá branco.

— Sting... – Começa Daniel, mas o interrompo:

— Você tem idéia de quanto Lucy quer ter filhos? Como ela ficou animada quando soube que estava grávida? – As palavras saem dos meus lábios antes que eu possa conte-las. – Tem idéia do quanto eu tenho ansiado para me casar com ela e ter filhos? Vê-la reclamar que está enjoada e discutir sobre o nome do bebê? Como quero poder decorar o quarto e depois trazer meu filho para ficar nele? Ficar varias noites em claro e depois vê-lo começar a andar? – Uma lagrima rude e salgada escorre pelo canto direito do meu rosto. Minha respiração se torna falha e logo em seguida estou em pranto.

— Sting? – As luzes da cozinha se acendem e vejo a minha loira ali parada. Talvez me procurando.

Estou fraco. Fraco e cansado.

— Lucy... – Consigo gemer.

Ela olha de maneira estranha os quatro espíritos ali presentes e depois vem rapidamente até mim. Estou tremendo quando ela me abraça.

— Pelos deuses. O que houve com você? – Pergunta-me assustada enquanto deito minha cabeça em seu ombro. Aspiro o cheiro de seus cabelos e expiro, tentando controlar as lagrimas. – Você está me assustando, Sting. – Revela, quando me aproximo e beijo seus lábios desesperadamente.

Sei que talvez eu não consiga mentir para ela. Sei que, quando nos separarmos eu olharei cada um dos quatro espíritos aqui presentes e poderei voltar a chorar. Sei que trarei mais e mais dor a nos dois.

Não quero que seja o nosso ultimo beijo. Não quero que esse beijo seu amargurado pelas minhas lágrimas. Quero que seja especial e duradouro. Magnífico em minhas memórias.

— O que aconteceu? – Pergunta ela novamente, agora com um ar mais suplico.

— Sting-kun teve um pesadelo, Lucy-nee. – Tyler mente.

Respiro fundo, assentindo.

— Um pesadelo? – Ela me mira desconfiada e assinto novamente, limpando as lagrimas.

— Nos chegamos agora a pouco e o vimos assim. – Lyko responde, nervoso. – Tentamos acalmá-lo, mas só pioramos as coisas.

— Sinto muito se os deixei preocupados. – Consigo murmurar e então Lucy respira fundo e puxa-me para a cozinha. Lá ela pega um grande copo de leite e me dá, depois de deixá-lo morno.

— Eu fiquei assustada quando não o vi na cama.

— Não queria acordá-la. – Confesso, sem muitos delongas.

Talvez eu me arrependa eternamente pelo que vou fazer agora. Talvez sejam os meus últimos momentos de lucidez e/ou sanidade. Talvez seja o ultima que vejo e falo com estas pessoas. Meu ultimo momento com a minha amada ou não.

— Lucy... — Começo e ela mira-me levianamente assustada. Puxo a sua mão e faço seu corpo ficar colado com o meu, ignorando a sensação esmagadora e sensual que vinha dele. Entrelaço seus dedos aos meus e, depois de tirar uma mexa de seu rosto, delineio seus lábios com os meus, mais uma vez.

Culpa, amor, ódio, medo... Tudo gira em minha mente, nenhum querendo ceder ao outro.

— Eu quero que você preste atenção no que vou dizer. — Isso a faz ficar levemente apreensiva, seu corpo cheio de tensão. — Eu vou tentar aperfeiçoar o Dragon Soul. — Nesse instante sinto seu corpo desabar sobre o meu. Tenho certeza de que essas palavras doeram mais nela do que em mim. — E, se eu voltar... — Tiro o pingente de Layla do pescoço, segurando-o forte entre meus dedos. — Quero que você se case comigo. — Termino.

Os espíritos foram os primeiros a voltar do choque, ou pelo menos, Dan voltou rapidamente. Sua expressão era como a de um pai satisfeito com seu filho mais novo e impertinente.

— Sting... — Continua Lucy, com os olhos arregalados de surpresa. Encosto sua testa na minha.

— Eu te amo o bastante para comprometer a minha vida e a minha sanidade a você. — É o bastante. Sei que sou verdadeiro nessas palavras, mas o sentimento de impotência ainda me ronda. Lucy será realmente minha e assim as coisas se ajeitaram?

Não sei, mas espero que, do jeito que está, não fique pior.

— Você aceita, Lucy-nee? — Tyler pergunta, com os olhos arregalados.

— Sim. — Eu a beijo novamente, dessa vez, caridosamente voraz. Mordo seu lábio inferior antes de me afastar. Logo, anseio por algo que não posso.

Tenho de me controlar.

Eu não quero fazer a Lucy sofrer, então tenho que ignorar essa sede que tenho por ela.

— Quer mesmo que eu use isso? É da sua irmã. — Ela contrapõe, levemente injuriada. Sorrio a isso, colocando o colar de brilhantes jóias de quartzo em seu pescoço.

— Ela ficaria feliz sabendo que esse colar está com a pessoa que eu amo. — Respondo e isso, finalmente, a convence.

Seus braços me envolvem de uma maneira serena e sinto seus doce cheiro de morango. Aspiro o cheiro de seu pescoço e percebo o doce cheiro de colônia pos-banho ainda está ali e sorrio.

— Obrigado. — Ela fala por fim e aperta-me mais.

Fico alguns instantes de silencio antes de sentir meus olhos cheios de lagrimas.

— Eu realmente odeio despedidas. — Confesso, limpando uma lagrima teimosa que tinha insistido de cair. Lucy sorri e fica na ponta dos pés para beijar a minha testa.

— Isso não é uma despedida. — Intervém, calmamente.

— Acha que vai escapar de nós todos tão facilmente, Eucliffe? — Tyler fala, dando um tapa nas minhas costas. O lugar ardeu de maneira estranha.

— Olhe algo que não vejo há muito, Tyler V. com razão. — Reiji fala sorrindo. — É claro que você ainda vai ter de se mostrar merecedor da mão da nossa mestra. E se isso acontecer, ainda temos de dar uma festa em comemoração.

— Deixe disso, Reiji. — O rapaz de cabelos loiros de areia resmunga, divertido. — Está escrito e vocês bem sabem.

— Você já é um rei, Sting. Ninguém melhor poderia ficar com a rainha das estrelas. — A voz de Daniel é calma.

Se algo acontecer comigo, cuide bem dela, entendeu?” — Digo por pensamento e ele assente. “Mesmo que tenha que ser a força, leve-a para o mundo celestial. Faça-o.

— Estamos indo. — Diz o loiro e antes de desaparecer, o vi colocar um de seus anéis em meu dedo. — Isso vai ajudá-lo quando necessário, Sting. Faça bom proveito.

— Obrigado Tyler. — Agradeço calmamente.

— Que a sorte esteja ao seu lado, Dragão. — Lyko diz, com seus olhos brilhantes ao desaparecer.

— As estrelas te orientaram quando necessário. — Prometeu Reiji.

— Sangue de milhares de Dragões correm na sua veia agora, Sting. Você saberá quando fazer proveito dele. — Daniel me orienta, colocando sobre a mesa, um de seus anéis. — E isso não é, realmente, um adeus. — E desaparece.

Estamos sozinhos, eu e ela, e agora consigo mirar-lhe:

— Não vou conseguir me despedir dos meninos. — Informo-lhe, sentindo uma dor aguda no peito ao pensar nas lagrimas de Alois, Ryuu e Lecter. Isso me faria parar e não posso me dar ao luxo disso agora.

— Quer que eu converse com eles? — Sua voz não é tão diferente da minha nesse instante.

Eu sou uma droga de namorado, isso sim. E um noivo pior ainda.

— Sinto muito te pedir isso.

— Desde que você prometa que nunca vai me deixar. — Seus dedos apertam novamente os meus. — Mesmo que fique difícil de acreditar, você tem que prometer que nunca vai desistir.

— Eu prometo. — Anuncio, apertando seus dedos também.

E novamente um beijo se seguiu disso.

Notas finais
Esse é o fim da primeira parte. Realmente, eu chorei fazendo a parte do Sting. Muito triste. Mas a pergunta é, se os espiritos sabem que a Lucy vai ficar gravida em semanas, porque fizeram isso com o Sting? Exercitem a suas mentes com mais essa questão. Beijinhos. Amy B.