Shatter Me
15 Estilhaço de Selvageria II
Notas iniciais
Sting:
Todos almoçamos no jardim e depois da uma eu me retirei para deitar um pouco e Lucy me acompanhou.
Deitamos juntos e adormecemos também unidos.
Lucy levantou-se antes de mim, lá pelas três horas e eu logo depois, às três e meia.
Estamos descendo juntos quando vejo Mizuki entrando. Seu rosto estava contorcido de dor e seus lábios estavam pálidos como seus olhos.
— O que houve? — Lucy pergunta, abismada por vê-lo daquela maneira.
Estou em silencio, mas nossa troca de olhares não me deixa nada feliz.
— Nós não pudemos fazer nada... — Geme, sendo abraçado por Lucy. — Era tarde demais...
— O que está dizendo? — Pergunto confuso.
— Suzumme está morto. — Com isso, lágrimas caem novamente pelo seu rosto. E eu, por impulso, afasto-o de Lucy e jogo-o contra a parede, com meu braço sobre o seu pescoço, limitando a quantidade de ar que passava por ali.
— Não brinque com uma coisa dessas. — Rosno.
— Sting! — Lucy replica assustada.
— Suzumme não pode estar morto!
— Oe! O que você fez, Mizuki? — Rogue pergunta, aparecendo rapidamente, com o resto do pessoal ao seu lado.
— Eu não...
— Ele disse que Suzumme está morto.
— Não brinque com algo assim, Mizuki. —Rogue adverte e solto um pouco o pescoço dele.
— Acha mesmo que eu brincaria com algo assim? Que estaria desse jeito por estar brincando? — Eu o solto sem compreender a dor em meu peito. Os magos da Fairy Tail miram-me surpresos.
Rogue está parado, estático enquanto subo correndo as escadas para o quarto, buscando conter não só as lágrimas, mas também não quero que me vejam chorando.
Sento na cama, mas as lagrimas não vem. O choque não permite. Lucy entra no quarto e fecha a porta, notando a minha expressão:
— Sting... — Começa, vejo que ela estava sentindo também, pela morte de Suzumme. Ele era adorado por todos.
— Isso deve estar errado... — Minha voz sai diferente do normal e a negação assusta-me. Meus olhos estão cheios de água, mas a incredulidade barra as lágrimas.
A loira nada diz, puxando minha cabeça para ir de encontro com sua barriga. Passo meus braços sobre a sua cintura, fechando os olhos.
— Temos de ir para a guilda. — Informa, acariciando meus cabelos.
— Hector deve estar arrasado. — Ainda não quero acreditar e por isso beijo Lucy, quase jogando-nos contra a cama. Então batem na porta.
— Sting, preciso ir... — Rogue diz enquanto me levanto da cama, notando que Lucy fazia o mesmo em silencio.
— Você vai para sua casa? — Pergunto, quando vejo sua postura cansada e a pouca vermelhidão de seus olhos.
— Sim, as minhas roupas estão lá. E também, Nanami não consegue se comunicar com Rufus aqui.
— Você sabe que vai ter que levar alguém com você, não sabe?
— Nanami está resolvendo isso.
— Nos vemos na guilda então.
— Sim... — Ele mira a janela e sua expressão fica ainda pior. — Está nevando, Sting.
— Quanta nostalgia. — E assim o moreno vai embora.
— Mizuki disse que eu deveria me vestir de outra maneira. — Lucy começa, quando fico na cama mirando-a. — Mas como?
— Está nevando... Porque não usa aquele seu vestido de inverno longo?
— Mas é branco.
— Acredito que Suzumme iria gostar dele. — Isso finalmente a convence.
A porta está trancada enquanto miro-a trocar completamente de roupa. Vejo-a despir-se e depois, logo após arrumar-se com o vestido branco nossos olhares se encontram:
— Não vai se trocar?
— Eu vou com a minha armadura.
—Pelo menos vista algo por baixo da armadura. Duvide que fique com ela o tempo todo. — As suas madeixas loiras estavam alinhadas e soltas. — Consegue se levantar?
— Sim. — Levanto, aproximando nossos corpos.
Beijo seus lábios calmamente, sentindo cada gotícula de frustração se tornar mais densa e a minha insaciável fome de Dragão queimar dentro de mim. Desço as minhas mãos para a sua cintura e inevitavelmente, aprofundo o beijo.
Lucy se afasta sem ar, ofegante e corada nas bochechas:
— Quer escolher a minha roupa enquanto tomo um banho?
— Pode ser.
Rogue:
Estou em casa, depois de semanas longe.
A casa está com o doce cheiro de lavanda de quando saímos.
Vejo os quadros pendurados na sala, em cima da lareira. Muitas fotos minhas e de Nanami; fotos do casamento, dos jogos e da lua de mel. Fotos de James conosco, de Lucy e Nanami, minhas com Sting. Também do resto da equipe.
Fotos de... Fotos de Suzumme quebradas no chão.
Vou até elas, recolhendo o vidro pontiagudo e quebrado com os dedos nus, vendo a minha expressão amistosa nelas. Como tudo era mais simples antes, como era mais fácil e feliz.
— Rogue... — Só quando Nanami se ajoelha ao meu lado que percebo que estou chorando. — Tudo bem... — Não consigo parar de tremer e inevitavelmente parar as lagrimas — Tudo bem... — Limpo as lagrimas com as mãos e sinto as próprias mãos dela sobre meus cabelos, desleixando as mexas arrumadas. — Vai tomar banho vai, vou tentar falar com o Ni-san. — Levanto, jogo os vidros na lareira e subo, ignorando o olhar de Gazille.
Tomo uma ducha quente, saindo e, com a toalha na cintura, caminho até o guarda roupa. Coloco uma blusa branca, com a calça jeans negra e sapatos sociais. Penteio os cabelos deixando-os naturalmente bagunçados, sem cair sobre os olhos. Coloco a capa sobre os ombros, arrumando as abotoadoras com o símbolo.
“Não seria mais divertido se estivessem parecendo nobres no nosso próprio conselho? Afinal, somos a Sabertooth.”
Sorrio a mim mesmo ao espelho, escondendo as lágrimas sobre ele. Desço as escadas para o primeiro andar, vendo que Nananmi servia chá aos convidados.
— James já subiu... — Ela me informa, servindo uma xícara para mim também.
— Você disse a ele como deve...
— Ah sim, expliquei o costume da guilda.
— Ótimo — Sento na bancada, notando como Levy e Gazille ficam em silencio — Rufus disse algo?
— Ele pediu que eu fizesse as minhas rosas místicas. — Vejo-a com as madeixas carameladas presas num cook apertado — Ele pediu que não demorássemos.
— Então vá se arrumar. — Ela me beija rapidamente para depois subir também rapidamente as escadas. — Se quiserem temos roupas nos tamanhos de vocês. — Não sei porque estou dizendo isso e engulo mais um pouco de chá.
— Porque está dizendo isso? — Levy pergunta.
— Apesar de tudo, não vamos a um enterro comum então, como virão todos os magos da Sabertooth, vocês podem deixar uma péssima impressão neles, ainda mais sendo da Fairy Tail.
— Ficaríamos agradecidos, Rogue-san.
Mostro onde ficam as roupas.
Na verdade elas são de Koichi e de Kin. Eles pediram para deixar algumas das roupas do conselho deles aqui. Kin por viajar demais e Koichi por medo que Kirino as queimasse com seus raios e lazeres azuis.
Nanami desce com James, parecendo definitivamente alguém de sangue azul. Ela usava um vestido vermelho-sangue, com um límpido casaco de pele branco sobre os ombros. O rosto estava com maquiagem bem leve e seus lábios destacados com um pouco de brilho. Seus cabelos caiam em cascata pelos ombros, sendo que estavam mais ondulados que o normal e que a coroa de flores dos jogos estava em sua cabeça.
James vestia-se com uma blusa negra e calças jeans rasgadas nos joelhos. Usava coturnos de cano alto e estava com os cabelos negros alinhados.
— Dê sua capa para ele Rogue. — Nanami diz, enquanto eu obedeço e tiro a minha capa e colocando no rapaz de treze anos mal completados.
— Não me diga que...
— Porque somos da equipe principal. — Responde ela e suspiro. Subo correndo as escadas e pelo caminho vou tirando a camisa com pressa. Na cama, minha roupa já está separada e começo a vesti-la, sem transtornos.
Visto-me todo de preto, do terno ao sapato, arrumo meus cabelos bagunçados pela troca de roupa e miro a coroa de chamas na cama. Era o meu presente de vencedor nos jogos mágicos e somente agora eu notava que ela era importante.
Muito mais para mim do que para os outros.
Abotoei os botões do casaco despreocupadamente, mirando a grossa capa de pele de lince sobre a cama. Normalmente essas peles têm a coloração negra, mas essa, em especial, é branca. Tudo o que a pessoa que me deu disse, nesse caso o tio de Nanami, era que o animal era albino e que estava doente por isso. Visto a pele, deixando a abotoadura muito bem presa. Só então coloco a coroa banhada em ouro negro de jóias rubis.
Desço as escadas rapidamente, sem me importar com a pele arrastando no caminho e vejo Gazille e Levy prontos. Ambos vestidos de preto, Gazille com um enorme cachecol e um chapéu tradicional dos mafiosos, e a jovem ao seu lado com sobretudo que acentuava seu corpo e uma fita negra nos cabelos.
— Estamos todos prontos? — Pergunto e Nanami sorri ao me ver.
— Creio que sim. Ah, comuniquei a Lucy sobre a cerimônia.
— E ela?
— Disse a mim que a única pessoa que ainda não estava pronta era Sting e que se aprontaria melhor com as coroas.
— Isso é bom. Acho melhor irmos logo. É uma longa caminhada até a guilda. — Suspiro.
— Vamos então. — Segurei Nanami pela cintura, guiando-a para fora da casa, acompanhado de James e dos infames convidados. Espero todos saírem e fecho a porta, mirando a minha casa quase tristemente.
— Adeus, lar.
Hector:
Estou sentado no chão, na parede ao lado esquerdo da porta quando alguém bate duas vezes antes de entrar.
É quase notável a postura e a elegância, porém a frieza de seu andar é desesperadora:
— Vejo que ainda está acordado. — Minerva diz.
Não consigo imaginá-la chorando.
— Sinto muito. — Diz novamente, agora sentada sobre a mesa. — Pensei que se te deixasse inconsciente lhe faria melhorar nunca esperei que...
— Eu suportasse um ataque direto seu?
— Exatamente. — Um vestido negro de renda negra, sandálias de salto alto negras e sensuais, luvas até os cotovelos de renda negra.
Longo. Minerva fica irresistível em vestidos longos.
— Vim ver se você pretende participar. Rufus organizou tudo com maestria novamente. — E suspira, cansadamente. — E então?
— Não quero colocar ninguém em risco.
— Se fosse assim, eu deveria estar morta não é? — Ela se levanta e vem até mim, ajoelhando-se na minha frente. Suas mãos acariciam meus cabelos. — Desculpe ter demorado.
— Seria arriscado demais para você. — Justifico, calmamente. O toque me faz fechar os olhos.
— Te trouxe algumas roupas de casa. Estão no quarto ao lado.
— Sting e os outros chegaram?
— Estão a caminho. Não precisa se preocupar. — Acalma-me ela. Com a sua ajuda me coloco de pé e vou até a mesa, esperando enquanto ela pega a minha roupa.
Vou desabotoando vagarosamente a minha blusa coberta de sangue e vejo-a entrar, com um conjunto de roupas que raramente eu usava:
— Achei que seria apropriado. — Uma blusa branca de algodão, com uma calça do mesmo tecido de cor negra. Por cima da blusa branca, um colete negro e depois um terno. Então, o toque final. Um manto longo e ricamente bordado a mão com fios de ouro, cujos desenhos eram de ferozes tigres bem feitos. Uma fita dourada para prender os meus cachos longos e desalinhados.
Visto isso depois que ela limpa o sangue do meu corpo com um pano molhado.
— Meu pai deu isso a você não foi? — Diz ela, depois que termino de me vestir e preciso de ajuda para abotoar o manto.
— Sim, foi meu presente depois de ter virado um mago SS.
— O que Suzumme ganhou? — Perguntou ela, curiosamente.
— A sua mão. — Respondo, mirando fixamente seus olhos surpresos.
— O que?
— Ele recusou e seu pai ignorou o fato de eu estar pedindo-a.
— Quer dizer que...
— Seu pai nunca quis que ficássemos juntos. Seu irmão sempre apoiou a nossa união. — Minerva sorri, escondendo as lágrimas de saudade.
— É bem a cara dele.
— Realmente. — Seguro a sua mão com força e ela deixa de olhar para o chão e mira-me. — Não precisa esconder as lágrimas de mim. — Sussurro.
Aos poucos o aperto provinha dela e não mais de mim e em pouco tempo, eu a abraçava. Os soluços dela estavam abafados por exclamações dolorosas que a mesma fazia. Confortei-lhe, limpando suas lagrimas calmamente e mirando seus olhos cor de ameixa iluminados pelas luzes da sala, mesmo que elas fossem tênues.
— Está melhor?
— Não. — Confessa e sorrio.
— Já é um começo.
Minerva passa as mãos em meus ombros, subindo até o pescoço, tirando a gola da camisa dali e mirando a maldição em sua grande forma.
— Está pior que antes. — Diz preocupada.
— Vou ficar assim até que os magos da Fairy Tail partam.
— Hector...
— Não posso ficar de cama com eles aqui. Sou o mestre e o meu braço direito está morto. Não posso...
— Então descanse.
— Preciso estar presente no enterro.
— Você mal consegue andar.
— Eu assustei a todos. Preciso, pelo menos, me explicar.
— Todos sabem dos seus problemas. Todos sempre souberam sobre os seus poderes e as conseqüências deles. — Suas mãos deslizam pela minha face. — E também nos preocupamos contigo por causa disso. Então, descanse até que eu venha chamá-lo. — E assim me arrasta sala afora, puxando-me para um dos quartos vagos do segundo andar da guilda.
— Sabe que não conseguirei dormir.
— Eu sei que sim. Mandarei todos virem vê-lo, se desejar.
— Tudo bem. — A morena ajuda-me a deitar-me, tirando os adornos prejudiciais ao meu descanso. Assim deito, sendo coberto pela mesma e teimo em observá-la. — Minerva. — Chamo, antes que ela saia do quarto. — Pode vir aqui? — Pergunto, erguendo-me com o apoio do meu próprio braço. Algumas madeixas rebeldes caem quando ela se aproxima.
— O que quer?
— Não quero que você agüente tudo isso sozinha. Estou aqui para isso. Vamos agüentar isso juntos.
— Você já tem carga demais sobre seus ombros, Hector.
— Estou pedindo. — Insisto e dessa vez recebo um beijo como efetiva concordância. Deslizo minha mão sobre seu rosto e aprofundo calmamente o contato, dando um dos nossos beijos mais apaixonados.
— Tudo bem agora? Posso ir?
— Agora sim. — E com isso, me jogo de volta na cama.
Sting:
Lucy está de braços dados comigo, andando como uma definitiva e bela rainha. Ao nosso lado, Alois com Ryuu e Lecter, sendo que o gato ruivo era o mais abalado e cansado. Natsu e o resto dos membros da Fairy Tail vinham atrás de nós, com expressões cansadas e tristemente honrosas.
— Tudo bem com você? — Pergunto à loira, que apenas pisca calmamente.
— Não sei. Como você está? — A indagação vem até mim suavemente, mas vejo a magoa escondida nela. Ah, ela sabia exatamente como eu estava me sentindo.
— Eu poderia estar pior. Estou mesmo preocupado com Hector. — Respondo, apertando seu braço com o meu, apenas me certificando de que ela estava próxima o bastante para ouvir os meus sussurros. — Sabe que ele tem estado inconstante ultimamente...
— Por isso me pediu para trazer Daniel e Tyler, de sobreaviso?
— Eles são mais para sua proteção. — Minto, revelando meia verdade. — E também, acho que não vou conseguir ficar muito tempo aqui, Lucy. No ultimo funeral, eu quase fui morto e também...
— As coisas não estavam como está agora, Sting. As situações são diferentes e as pessoas daquela guilda também. — As orbes castanhas miram-me, prepotentes e sinceras, cuidadosamente manipuladoras. Suspiro, mais indignado que cansado.
— Mas ainda assim...
— Escute. — Lucy me faz olhá-la e então noto como sua expressão mudou. Está mais... Aconchegante? — O passado é passado. Trate de viver o presente e se proteger para o futuro.
— Obrigado, Lucy. — Sorrio, pela primeira vez desde a notícia.
Escuto um assobio e automaticamente viro-me para ver Laxus:
— É normal que a sua guilda esteja com aquele monstro ali? — Lucy para e miro a guilda a minha frente, cuidadosamente.
Nostalgia, como diria meu bom Rogue.
— Esperem aqui. Há tempos não o vejo isso. — Sussurro, com um sorriso doloridamente sincero. Lucy não solta o meu braço e a beijo, tentando acalmá-la.
Meus passos ficam marcados na neve clara e fina e vejo o “monstro” rugir em desagrado com a minha aproximação. Levanto as mãos e sorrio mais uma vez, ajoelhando-me.
— Sempre achei que me reconheceria. — Digo, alto o bastante para que ele me escute. Seus olhos ficam presos nos meus e vejo neles um sinal mínimo de reconhecimento. — Você também cresceu, Sy.
Obviamente, não era um animal comum.
Com um rugido, o monstro passou de animal a homem, com um sorriso igualzinho ao meu, apenas um pouco mais gasto. Ele caminha até mim e depois de me ajudar a levantar, abraça-me com força, enterrando seus cabelos dourados e finos — também cobertos de neve — no meu ombro direito.
— Sting... — Geme e noto que ele, definitivamente, estava me esperando.
— Há quanto tempo, Syler.
— Primeiro o mestre e agora...
— Não pense mais nisso. — Retruco, vendo-o soluçar.
— Eu deveria tê-lo impedido. Deveria ter vindo com ele.
— Duvido que tenha mais culpa que eu nisso.
— Sting... — Ele sorri, com o peito ainda levantando irregularmente e depois mira os outros, ainda me esperando. — Lucy Heartphilia, se não me engano. Sua parceira. — Ele aponta para a loira, agora com Ryuu nos braços, ninando-o calmamente.
— Exatamente. Temos outros convidados também.
Syler olhou-me de maneira interrogativa e depois respirou fundo. Grunhiu em seguida, expondo seus dentes brancos:
— Fairy Tail. — Rosnou.
— Syler, controle-se. — Minha voz foi fria o bastante para deixá-lo com medo. Eu o encaro e vejo o medo nitidamente em seus olhos. — Ou sofra as conseqüências.
— Então os boatos são verdadeiros? O Rei Dragão surgiu depois de tantos anos? — Vi seus olhos nitidamente verdes esmeralda brilharem em desafio.
Sorrio friamente:
— Não é hora de provar nada. Até mesmo um rei deve prestar condolências a alguém querido a ele. — Digo por fim, virando-me e caminhando em direção a Lucy.
Ela me olhava com olhos estranhamente familiares, como quando eu bagunçava os cabelos de Alois e o deixava quando ele estava prestes a fazer algo grande.
— Um velho amigo? — Indaga e sorrio.
— Ele era o discípulo de Suzumme. Chama-se Syler e é um dos melhores metamorfos que conheço.
— Metamorfo? — Alois pergunta e simplesmente noto que ele está ao lado de Lucy nesse instante.
— São magos que usam magia para virarem animais. São raros e também dizem que eram um clã antigo extinto. — Responde Mirajane. — São diferentes de mim e de meus irmãos, no entanto, pois só podem se transformar num animal. Podem virar animais mesmo sem magia. — Ela completa, calmamente.
— Obrigado. — O loiro agradece.
— Enfim. — Continuo. — Ele viajava com Suzumme por todos os lugares. Pelo que sei, costumavam treinar juntos também. Ele deve ser tão forte quanto qualquer um de nós, se lutar a serio.
— Ele parece desolado. — A maga celestial afirma, com a voz dolorida.
— É compreensível. Acabou de perder o irmão mais velho adotivo. — O amargor fica na minha língua, mas seguro a mão de Lucy e a faço andar comigo. — Eu já disse a ele sobre vocês, então não fiquem preocupados. Duvido que ele tente machucá-los.
Alois, que vinha ao meu lado, acabou por andar na nossa frente, impaciente. Eu o encaro no segundo que o mesmo vira-se para falar comigo:
— Preciso ver Hermione. — Diz, simplesmente.
Assinto e Ryuu o segue voando, alvoroçado. Lecter pousa na minha cabeça:
— Mais gente vai vir? — Pergunta Lucy.
— Quando um membro da guilda morre, todos os magos na “ativa” são avisados e os membros afastados são notificados com memorandos. É normal que venham prestar as suas homenagens ao companheiro falecido depois de alguns dias. Apenas quando o mestre Jiemma morreu foi diferente. — Com isso, suspiro. — Muitos dos membros principais estavam fora e o enterro demorou sete dias para acontecer. Foi a primeira vez que vi todos os membros da guilda juntos.
— Até Suzumme veio?
— Brevemente. Ele não agüentou ficar muito tempo. — Vejo como todos estão concentrados em mim agora. — Hector também não agüentou ficar mais que três horas. Ele e Minerva tiveram uma briga terrível por minha causa.
— Pelo incidente?
— Exatamente.
Estamos na entrada agora e ajuda Lucy a subir as escadas por causa do seu vestido longo. Seu olhar passa de mim para o metamorfo atrás de mim e analisa-o, mesmo que rapidamente. Era como se ela sentisse algo sobre ele, que este poderia se tornar um eventual inimigo.
Não sei se alguém além de mim percebeu, mas escutei um assobio e automaticamente ergo a cabeça, vendo Koichi e Kirino sentados na janela do segundo andar.
— Boa noite, Sting. — Dizem, calmamente, com a voz tensa.
— Rogue já chegou?
— Ah sim. Parecia que haviam tirado o resto do fígado dele. — Koichi responde. Seus olhos estão brilhantes. — Isso tirou o resto da saúde de Hector, também.
Isso me alarma.
— O que houve com Hector?
— Apenas o ataque histérico que já esperávamos com a Minerva o atacando e ele entrando em total insanidade.
Um choque percorre meu corpo e entro alvoroçado na guilda.
— Sting! — Lucy exclama, chocada.
— Aquele maldito... — Rosno, subindo de quatro em quatro degraus a escada. Quando dou por mim, estou com o Dragon Soul ativado. A armadura e a capa negras, agora, com a aparência das de Dan, antigamente.
Quando sinto seus poderes corro para o quarto em que ele está e estouro a porta com um chute. Ele respirava ofegantemente e Minerva estava ao seu lado, com a expressão assustada:
— O que você pensa que está fazendo? — Ela diz, chocada.
— Você está louca?! Ele poderia morrer! — Grito, irritado.
— S-Sting... — Geme o moreno, abrindo os olhos.
Olho as marcas e as vejo cobrindo todo o pescoço e subindo até o queixo. Um rosnado mais feroz sai de meus lábios.
— Vocês dois ficaram loucos?! — Elevo a voz, mais uma vez. — Se chegou a esse ponto deveriam ter nos chamado que viríamos correndo!
— Por favor, pare. — Pede Hector, calmamente até. Seus olhos dourados agora quase nem estão mais amarelos.
Respiro fundo três vezes:
— Minerva, saia desse quarto agora. — Ordeno.
— Sting... — Começa o moreno, na cama, tentando se levantar.
— Eu ordeno que você saia desse quarto. — Digo, virando-me para encará-lo. A última coisa que preciso é que ele morra também.
A morena me encara com olhos vazios e sai sem dizer nada, mas posso ouvir seu coração bater cada vez mais devagar. Ansiosamente pela salvação de Hector.
— Não deveria falar com ela desse jeito e nem mesmo comigo... — Mas antes de terminar de pronunciar tais palavras, estas foram engolidas por uma crise absurdamente assustadora de tosse. Depois de poucos segundos, vi que ele tossia sangue e que não era a primeira vez.
— Se eu não for rápido, você morre. É sua culpa esse seu estado lamentável. — Rebato, furioso, mas ele continua com seus acessos de tosse e eu começo a ficar realmente apavorado.
E se eu tiver chegado tarde demais?
— Faça... Logo. — Conseguiu gemer, cuspindo sangue no lençol e no chão.
Apalpo meu pescoço e puxo a corrente, que tinha a chave de Tyler pendurada.
— Abra-te, portal do senhor supremo da terra: Tiger! — O lugar todo treme e o loiro aparece, vestido unicamente de preto, como eu. Ele faz uma mensura rápida a mim e depois se ajoelha na frente da cama de Hector, com os olhos arregalados:
— Uma maldição anulando a outra... — Suspirou, com a voz tensa e surpresa. — Você é um Snow. Acabei por me esquecer disso, uma maldição unida à outra maldição. Isso vai doer muito.
— Se salva-lo. — Digo, mirando os olhos entreabertos, agora, de Hector. O lobo solitário realmente precisa de ajuda.
— Coloque a barreira ao nosso redor. Duvida que a minha mestra e as crianças queiram escutar isso.
Lucy:
Estou me sentindo cansada.
É como se minha energia estivesse sendo drenada por algo.
— Lucy? — Rogue indaga, vendo-me recostada sobre o balcão. Olho-o e sei que devo estar realmente deprimente, pois ele se apressa em vir até mim. Estou me sentindo pior quando ele chega. — O que foi?
— Não estou passando bem. — Informo.
— Acho que é melhor que você se sente. — Diz, preocupado. Nanami vem em seguida, confusa:
— Tudo bem?
— Lucy está passando mal.
— Quer que eu te faça um chá? — Pergunta a jovem de cabelos caramelados. Uma coroa de rosas prende-os de maneira serena e lhe dar um ar luxuoso e angelical. Nem parece que se casou com Rogue alguns meses atrás, ou que perdeu o seu primeiro filho, diferente de mim.
— Não sei. — Respondo. Olho para as escadas e vejo Sting descendo com Tyler e só então percebo que vários minutos se passaram desde que ele subiu correndo as escadas.
Minha mão está junto da de Rogue, como apoio para que eu consiga me sentar. Vejo a expressão pouco amável na face dos dois reis que descem as escadas e suspiro. Sting se apressa e logo vem para perto de mim, logo quando me sento.
— O que houve?
— Sua namora...
— Noiva. — Corrige Tyler e o casal Cheney mira-nos acusadoramente.
— Vocês noivaram e não nos contaram? — Nanami diz e acabo me sentindo pior do que estava. Miro Sting e ele dá um sorriso gasto e suave, beijando a minha testa em seguida:
— Foi a uma semana, antes que eu começasse o treinamento. — Responde ele e noto que seu tom de voz é mais áspero que suave.
— Sting... Tudo bem?
— Sim, não precisa se preocupar. — Murmura e sem querer acabo me preocupando mais. — Acho que a morte de Suzumme mexeu demais com todo mundo. Vou te levar para o segundo andar para que possa descansar.
Então sou carregada por Sting e novamente, sinto que estou debilitada e que não consigo me recuperar.
Quando estamos de costas para todos ouso sussurrar a ele:
— Você já conseguiu superar, Sting?
— Superar o que, exatamente?
— O nosso bebê morto. — Seus olhos azuis estão tristes e distantes agora, mas vejo um lampejo de calmaria e logo após isso o ouço responder:
— Ainda não. E também não sei se irei superá-lo. Mas pretende te dar mais um filho, se é o que você deseja. Nem que para isso, eu precise protegê-la do mundo todo.
— Obrigado, Sting.
— É o que eu preciso entender também, não se preocupe. — Ele sorri e vejo algo que não via há tempos nesse sorriso. Um toque fraterno de confiança.
Estamos tão sufocadas de inseguranças que acabamos nos esquecendo do que realmente somos feitos.
— Vai ficar lá comigo?
— Que noivo eu seria se não ficasse? — Agarro-me mais a sua roupa e sinto o cheiro do seu perfume. Parece madeira e jasmins, mas com algo cítrico e exótico junto. — Não precisa ficar com medo. Estou aqui e nada de mal vai te acontecer.
— Eu sei disso.
Estamos num dos quartos da guilda e vejo que deveria ser bem distante do que o que Hector está.
— O que houve quando você foi ver Hector? — Sua expressão é, no mínimo, assustadora.
— A maldição evoluiu por causa da morte de Suzumme. As emoções foram demais para que ele pudesse controlar.
— E então, Tyler teve de vir?
— Sim e a cena foi terrível, Lucy. Nunca vi algo tão terrível na vida.
— Mas está tudo bem agora?
— Aparentemente sim. — Sento-me e vejo-o demorar o seu olhar em mim. Sinto as minhas bochechas ficarem vermelhas por isso. — Não sabe como senti saudade de você. E também, eu descobri algo.
— Descobriu?
— Sim.
— O que é?
— Algo está para acontecer. — Começa, com a voz calma. — Depois de eras, Acnologia desperta juntamente com Zeref. Isso é um pressagio que muitos ainda ignoram, mas eu deveria ter percebido antes.
— Percebido o que?
— Algo vai acontecer, com relação a nós todos. Envolvendo-nos. — Explica. — É uma das razões do ataque.
— Mas não explica por que...
— Atacaram vocês. Realmente, você está certa. Por isso, acho que faltam algumas peças nesse quebra cabeça. E eu preciso montá-lo, para a sua segurança. — Sorrio, segurando a sua mão.
— Sei que vai fazê-lo, Sting.
— Eu te prometo isso. — Beija meus lábios, entrelaçando seus dedos entre os meus. — Não posso pensar que perderei você. Não agüentaria.
— Sting...
Ele sorri, beija a minha testa e deita a sua cabeça no meu ombro.
Acaricio seus cabelos dourados com a mão livre e sinto-o cheirar o meu pescoço, calmamente. Isso faz a minha pele se arrepiar.
— Sente-se melhor?
— Um pouco. Não sei. Tyler sugou muita da minha magia, sem querer.
— O encantamento que ele fez salvou a vida do Hector, não acho que tenhamos pagado um preço tão alto. E, além disso, era um ritual antigo, que ele mesmo criou para amenizar as suas maldições.
— Ele era muito poderoso na sua época, não é mesmo? — Digo, contente.
— Ah sim. Era o carrasco dentre os outros reis. O único que conseguia praticar magia negra sem ser afetado por ela.
— Realmente, é um dom muito útil.
— Sim.
Escuto batidas na porta e em seguida, Rogue entra.
— Sente-se melhor, Lucy?
— Sim, Rogue-kun. Tyler usou muita da minha magia, foi isso.
— O que ele fez, que preciso usar da sua magia também? — Indagou confusamente, olhando Sting.
— Um ritual de quebra de maldição.
— Quebrou a maldição dele?
— Pelo menos uma delas. Uma das duas que vivem nele.
— Lupus? — O nome me vem rapidamente.
— Exato. A outra... Bem... Ela não pode ser quebrada facilmente e, no entanto, pode ser controlada. Lupus era a fonte de problemas de Hector. Uma vez quebrada ou consertada, pode servir de apoio para que ele use magia irrestritamente. — Explica o Dragão branco, com suavidade e jeito.
— Espero que seja isso mesmo. — O moreno completa.
— Já está na hora de irmos? — Pergunto, vendo a expressão abatida do meu cunhado.
— Sim.
Seguro a mão de Sting quando ele se levanta e a estende para mim. Entrelaço meus dedos nos seus e ergo-me.
— Vamos então.
I am a Sleepwalker!
Stan:
Meus ferimentos estão parando de sangrar.
Mas meus pensamentos ainda estão enevoados.
— ... — Olho Zeref e percebo que ele acabou de dizer algo e que nem ao menos reparei no que era. Eu o olho confusamente e ele sorri, cansadamente — Está pensando no seu irmão?
— Sim. Ainda.
Fico em silêncio por algum tempo e noto que ele olha para algo além de mim e da floresta iluminada pela lua no céu. Parece mais abalado e consternado que antes e detém uma expressão angustiada na face.
Sinto-me perturbado com isso.
— O que houve? — Indago, aproximando-me da pedra em que ele está sentado.
— Eu tenho de parar de me importar com você. — Revela, olhando diretamente para os meus olhos. Os seus estavam escuros e com toques cintilantes de vermelho vivo, cereja e sangue. — Senão, eu vou te matar, sem querer.
— Você não consegue.
— Minha maldição é contraditória em muitos sentidos. Toda vida que eu tiro é adicionada a minha. Toda pessoa que eu me importo morre e todo aquele que eu odeio vive.
— Então quer dizer...
— Você não percebeu, não é? — Ele dá um sorriso gasto e infeliz, cansado. Passa a mirar-me, sem qualquer pudor. — Eu sou tão burro. Tão burro.
— O que você...?
— Eu até devo merecer isso, não é? Sempre viver dessa maneira.
— O que você está dizendo? — Elevo a voz, confuso.
— Tão ingênuo. — Vejo uma lágrima tímida escorrer pelo seu rosto. Ele começa a rir graciosamente, com varias e varias lágrimas caindo.
Levanto-me e vou até ele, alguns metros acima de mim.
Ficamos frente a frente e o mago negro passa a soluçar baixo, tentando se conter sem sucesso. Eu o miro, estranhando aquela reação. Era como se ele mudasse a cada segundo, como se tivesse múltiplas personalidades.
— Eu te amo, garoto. — Sussurra.
Pisco, sem reação por muitos segundos. Então dou mais um passo até ele, aproximando-me o bastante para sentir sua respiração contra a minha, seu perfume me dominando. Roço meus lábios nos seus e automaticamente sou correspondido.
Prendo minhas mãos em seus ombros e depois sou empurrado contra o chão e a grama amortece a minha queda. Seus lábios atacam os meus e deixo, confortável com aquilo.
Quero ver até onde isso vai levar, se morrerei ou não, no final desse beijo.
Nanami:
Nem eu, Lucy ou as crianças conseguimos suportar o funeral. Logo na primeira hora de despedidas, fiquei tão sufocada que Rogue teve de me tirar às pressas dali. Depois que ele me carregou até o segundo andar e depois de entrarmos no quarto, corro para o banheiro e acabo vomitando tudo o que havia comido horas atrás.
— Nanami! — O moreno me segue, preocupado.
Lágrimas salgadas caem pelo meu rosto enquanto ainda estou abaixada e soluço, sem saber muito bem porque.
Então, quando vejo seus olhos vermelhos e lindos acabo recordando-me.
É difícil ver um caixão depois de perder um bebê.
— Vem, eu te ajudo. — Ele segura as minhas madeixas soltas e as prende, ajudando-me a continuar recostada sobre a pia. Depois que lavo a boca e bebo um pouco de agua, levanto um pouco para mira-lo. — Precisa de ajuda? — Mais lagrimas caem e Rogue fica confuso. — Nanami...
— Sinto muito... — Gemi, sendo abraçada calmamente depois.
— Sente pelo que? Por Suzumme?
— Pelo bebê.
— Nanami... Já conversamos sobre isso...
— Mas você sabe que foi culpa minha! Que eu deveria ter te ouvido e que não deveria ter saído sozinha... — Antes que continue, ele me beija calmamente e me carrega para a cama.
Mais lágrimas rolam quando ele me deita.
— Tenho mais culpa nisso que você. Eu sou o alvo, sempre fui e as conseqüências foram desastrosas pra você e para o nosso bebê. Se quiser culpar alguém, me culpe. Desconte toda essa magoa em mim, porque posso viver com isso.
— Não pode...!
— Nanami! — Ele me prende contra a cama, com a expressão seria. — Escuta. Vamos ter outros bebês e agora, temos James e Fro. Temos de cuidar deles... Quando chegar a hora, teremos os seus bebês. Os nossos bebes.
Fecho os olhos com força e sinto seus lábios descerem para o meu pescoço, calmamente. Deixo-me suspirar, abraçando suas costas.
— Prometo, entendeu? Faremos muitos bebezinhos, se é o que quer. — Repete o dragão negro, em tom divertido.
Isso me faz sorrir.
— Obrigado, Rogue.
— Não agradeça ainda. Nem começamos. — Ele desabotoa a camisa e a joga longe, enquanto eu fico apenas mirando com um ar de surpresa o seu sorriso sensual.
Sting:
Lucy está deitada na cama do quarto em que estávamos antes.
Ela está fraca por causa da quantidade de magia de Tyler e também pelo cansativo funeral. Não é de admirar que ela tenha desmaiado antes de terminar, mas mesmo assim...
É um risco.
Sua fragilidade, desde o ataque, tem me preocupado.
Acho que isso só vai mudar quando ela se sentir totalmente segura, com um bebê na barriga e o seu agressor morto.
— Sting? — Sussurra, com a voz mortificada.
— Estou aqui, meu amor. — Acaricio seus cabelos e vejo que ela parece mais frágil do que quando entrei em “coma”.
E parte disso é culpa minha.
— Você andou fazendo o que enquanto eu estava longe? — Pergunto e vejo seus olhos chocolates ficarem desfocados.
— Eu...
— Você ficou sem se cuidar não é? Só cuidando de mim e dos meninos.
— Eu tinha de fazer isso.
— Lucy, você sabe que os seus ferimentos do ataque ainda não estão totalmente curados. Você tinha de se cuidar. Por mim e pelos meninos.
Ela fecha os olhos e suspiro.
— Sinto muito.
— Eu sei que sente. — Digo, enrolando uma mexa de seus cabelos. Ela fecha, calmamente, os olhos e deu um sorriso fraco.
— Nanami está bem?
— Não sei. Pedi que Alois, Lecter e Ryuu fossem vê-la. Acho que não vão incomodar. — Respondo, com um sorriso sacana.
— Interrompê-los?
— Rogue me pediu que ninguém os incomodasse por um tempo.
— Acha que ela possa ter a mesma reação que eu por causa do...
— Ah sim. Rogue mesmo parecia nervoso por causa disso. — Inclino-me e meus cabelos caem sobre os meus olhos. Eles estão irregulares e amorfos, nem tão loiros quanto os da minha noiva.
Sinto as mãos delicadas dela ajeitarem-nos e permito-me fechar os olhos, apreciando o toque que, por causa do meu sangue de Dragão é intenso. Cada toque é irremediavelmente suave e causa um arrepio, um suspiro.
Inclino-me e beijo seus lábios vagarosamente.
— Como eu também estava nervoso. — Sussurro com meus lábios ainda próximos. Não minto. Eu senti que era exatamente isso e vi isso nos olhos de Rogue. A culpa que eu sinto.
— Sting...
— Eu sei do que já prometi, mas... É tão devastador vê-la dessa maneira.
— Não precisa se preocupar.
— Você ainda não entende não é? Só de pensar em perdê-la eu... É insuportável demais para mim, Lucy. Porque a minha vida sem você e as crianças não tem sentido. — Digo, com uma sinceridade profunda e dolorida. — Porque vocês são as coisas mais importantes da minha vida e eu corro qualquer risco para protegê-los. Seja ele qual for.
Vejo um sorriso puro se abrir em seus lábios e sinto-me irremediavelmente forte. Sinto-me feliz e em paz, como se nossa vida ainda continuasse naquele lindo conto de fadas.
— Eu te amo, Sting Eucliffe.
— Eu também te amo, Lucy Heartphilia. — Sussurro e beijo seus lábios novamente, inclinando-me tanto que preciso de uma mão apoiada na cama para permanecer “sentado”.
A porta se abre com um rangido brusco, rígido até e instantaneamente paro o beijo, mirando quem havia entrado. Vejo Erza e seu companheiro Jellal, ambos embasbacados. Permaneço inclinado sobre Lucy, apenas virado na direção deles e miro-os sem qualquer outra expressão além de um momentâneo descontentamento.
Estes, por sua vez, coram.
— Desculpe se interrompemos... — Começa o homem de cabelos azuis, cuja face estava sem o seu costumeiro lenço. A ruiva ao seu lado estava usando um vestido negro e um sobretudo marrom por cima. Estavam, ambos, tentando falar e aquilo me divertiu internamente.
— Viemos ver como a Lucy estava, mas... Já estamos de saída. — Erza vira-se para sair e sinto Lucy tentar se levantar.
— Esper... — Começa, mas assim que se senta e tenta se levantar da cama, vejo sua expressão dolorida e em seguida, seus olhos se revirando. Seguro-lhe antes que caia e bata a cabeça na cabeceira, mas não muito sereno.
Fiquei aterrorizado.
Deitei-a na cama, verificando sua testa com as costas da mão. Estava febril e aquilo, de longe, era um péssimo sinal.
— O que aconteceu?! — Erza pergunta, sem compreender.
— Não sei. — Respondo, num fio de voz.
Cubro-a e depois me levanto, caminhando até a porta, onde os magos da Fairy Tail ainda estavam parados. Afasto-os e recomendo:
— Olhem-na por mim. — Eu os vejo assentir.
Desço as escadas correndo e me deparo com Toshiro de imediato, já que ele chorava na mesa logo a frente da escada, com Kuro ao seu lado, tentando consolá-lo em vão:
— Toshiro! —Chamo, atraindo a atenção de muitos outros da guilda. — Preciso de ajuda.
— Nee-chan está mal? — O albino se levanta, fraternalmente aterrorizado e assinto, com as mãos tremendo.
— Ela está ardendo em febre.
— Ache Rufus e Alois, eu estou indo para o quarto. — Este responde, correndo em seguida para o segundo andar. Não consigo ver Rufus na multidão, ele parece ter desaparecido.
Estou tremendo tanto que parece que tenho alguma doença. Minha mente não está clara, mas a única coisa que sei é que tenho de encontrar Rufus e que tenho de salvar Lucy.
— Rufus! — Grito, desesperado. — Rufus!
— O que está acontecendo? Se esqueceu que estamos num funeral, Sting Eucliffe? — Diz-me ele, aparecendo atrás de mim poucos segundos antes que eu pudesse notá-lo. Viro-me e tenho certeza que a minha expressão desesperada o atingiu em cheio. — O que foi? — Sua voz treme.
— Lucy... Por favor, ajude Toshiro a cuidar dela. — Imploro, com os olhos cheios de lágrimas tendenciosas e desesperadas. Ele assente, calmamente quase correndo para ajudar o rei branco.
Quando dou por mim, estou caminhando no segundo andar, sem sequer olhar para onde estou indo. Eu preciso esfriar a cabeça ou senão, machucarei o próximo que entrar no meu caminho.
Por fim, entro na biblioteca da guilda e me esparro entre os livros, jogando eles das prateleiras e pegando um e outro para atrair a minha atenção.
Um pergaminho cai sobre a minha cabeça.
Um selo vermelho e com a forma de um dragão cuspindo fogo atrai a minha atenção. Nunca o havia visto antes e a maioria daqueles livros ainda eram meus. Trazidos por mim e arrumados por mim e por Rufus.
Quebro o selo e vejo a caligrafia antiga e curvilínea, ante a folha amarela e quebradiça. O texto me assusta num primeiro momento, pois vejo algumas gotas de sangue manchando o papel.
“Não sei quem lê isto, ou se, no caso, está sendo queimado pelas chamas dos outros dragões. Tive medo de escrever isso e sei que morrerei após este escrito.
Há você, jovem dragão desconhecido, deixo esse recado.
No século em que mais de cinco Dragon Slayers viverem sobre a terra e partilharem de conhecimento uns sobre os outros e sobre os seus poderes, será a era em que o humano mais poderoso de todos irá nascer.
Dentre estes Dragões, um rei será escolhido e partilhará da linhagem sanguínea do rei supremo dos Dragões, sendo um dos mais influentes e poderosos no mundo dos dragões.
Mas, sendo do rei ou não, o primeiro filho de um Dragon Slayer dessa geração será o herdeiro do soberano dos Dragões, ou melhor, seu discípulo e futuro filho.
E isso se acorrerá um risco a todas as crianças, de todos. Um inimigo tão poderoso quanto à própria morte, ou a dita morte. Um monstro que destrói tudo o que toca, que me matará depois desta carta escrita.
Um inimigo que só pode ser destruído por três coisas: O Rei soberano dos Dragões, o Rei dos Dragon Slayers e o jovem herdeiro dos Dragon Slayers.
Eu não sou nenhum dos três, só um profeta infame, e serei morto.
Espero que você, que esteja lendo, ainda não tenha sofrido com o dito imortal, mas se já, espero que tenha ajudado. Que seu filho ou você mesmo me vingue e o faça chorar o meu sangue derramado.
Boa sorte, irmão.
Do infante, James E. W.”
Minhas mãos tremeram compulsivamente.
O papel parecia querer rasgar nas minhas mãos.
Pelos deuses... Era isso que Weisslogia queria dizer com o meu filho com Lucy. O herdeiro do soberano dos Dragões é, senão estou errado, Acnologia.
O herdeiro e discípulo de Acnologia.
O bebê mais forte de todos os tempos e que eu deverei proteger de todo o modo, seja meu filho ou não.
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