Shatter Me

16 Estilhaço de Amor Lunático I


Notas iniciais
Agora que eu percebi, esse capítulo tem 15000 caracteres. Então acho que serão, no mínimo três partes. Espero que não fiquem cansados disso, leitores queridos. Ah! Peguem seus lenços de papel, antes de começar. Aproveitem.

Lucy:

Abro os olhos e vejo a luz do sol adentrando a janela. Uma cadeira vazia jaz ao lado da cama, com uma capa branca e um paletó negro.

Dois gatinhos, um de pelagem avermelhada e um de pelagem creme estavam deitados, dormindo ao meu lado e acaricio seus pêlos, sonolenta como eles.

Não vejo ninguém deitado ao meu lado além deles e estranho.

Mas meu corpo doí.

Doí tanto que solto um gemido ao tentar me virar e ficar longe dos gatinhos.

Então escuto algo.

Uma cadeira se arrastando e um suspiro dolorido, involuntário:

— Mãe. — A voz de Alois é cansada e tensa. — Não se esforce.

— Alois... — Sussurro e então o vejo aparecer do outro lado da cama. De imediato vi que ele não havia dormido nada nessa noite.

Mas eu não sabia quanto tempo eu mesma havia dormido.

— Onde está doendo mãe? — Pergunta, arregaçando as mangas da blusa social que usava desde a noite anterior.

— Eu não sei. — Murmuro. O cabelo dele estava bagunçado e arrepiado, seus olhos sem brilho e a postura era de alguém que tinha acabado treinar com Sting, Rogue e Hector ao mesmo tempo. — Onde está seu pai? — Pergunto, notando que a roupa que estava na cadeira era dele.

— Ele desceu pra pegar café, disse que queria estar com tudo pronto para quando você acordasse.

— O que houve comigo?

Uma linha de expressão se tornou presente e instável em seu rosto. Uma ruga na testa e um pouco de suor.

— Toshiro achou que você estava com infecção, mãe. — Responde, com a voz fraca. Vejo uma leve onda de compreensão se passar por mim, mas mesmo assim, um medo aterrador se arrasta atrás dela. — Eu disse que ele estava errado.

— Errado? — Murmuro descrente.

— Eu não acho que tenha uma infecção. Já se passou muito tempo, desde o ataque. Acho que é cansaço excessivo associado ao fato de Tyler ter usado a sua magia e também, ter uma pequena sequela do ataque, ainda cicatrizando.

— Impressionante. — Digo e ele cora.

— Como ficamos num impasse, Toshiro disse que vai trazer um medico amigo dele para examiná-la.

— Obrigado por se preocuparem tanto.

— É porque a gente te ama, mãe. — Diz-me, aproximando-se da cama e beijando a minha testa.

A porta range e passos se seguem depois disso. Escuto o barulho de xícaras e pires tilintando e sorrio.

— Sua mãe está dormindo, Alois. Saia dai. — Sting diz, com a voz amena pela ordem. O loiro mais novo ri disso e não deixo de sorrir.

— Pai, a mamãe já acordou. — Anuncia ele.

Sting deixa a bandeja nas mãos do God Slayer e depois vem para perto de mim, apoiando-se na cama sem machucar os gatinhos.

— Bom dia, Lucy. — Murmura, aproximando-se o bastante para que eu pudesse beijá-lo. O contato se segue calmo e suave, até que Alois pigarreia e Sting se separa, com as sobrancelhas franzidas.

— O que foi? — Resmunga o rei dragão.

— Achei que a mamãe deveria comer primeiro. — Explica, calmamente.

Sting se levanta, colocando a bandeja na cadeira onde o seu terno está. Vejo-o se aproximar novamente e murmurar:

— Acha que consegue se levantar? — Seus olhos azuis estão lindos, como a tempos não vejo. Brilhantes e perolados, reflexos do humor do loiro.

— Não sei.

Segura a minha mão como apoio e me puxa gentilmente, mas logo quando estou começando a me levantar um repuxão se espalha pelo meu corpo e solto um gemido alto de dor. Sting para imediatamente, confuso.

— Onde está doendo? — Pergunta, com urgência na voz.

— Aqui. — Aponto a barriga e ele tira as cobertas de cima de mim, passando a mão sobre o lugar, mesmo que ele ainda esteja coberto com as minhas roupas.

— Tudo bem, quer esperar Toshiro chegar? — Indaga calmamente, mas vejo que sua postura e expressão mudaram drasticamente.

— Sim. — Minha voz sai rouca e o dragão fica tenso com isso.

— Lucy, tem certeza que é só ai que esta doendo?

— Sim, absoluta.

Ele fica do outro lado da cama, onde os gatinhos não estão e coincidentemente, o meu contrario.

— Vai ficar tudo bem. Vou ligar para ele e pedir que venham logo. — Diz, no meu ouvido. — Não quero que se esforce. Alois também não vai deixar.

Assinto vagarosamente e ele beija a minha cabeça, se afastando rapidamente.

— Seu pai... Ele dormiu? — Pergunto ao God Slayer, agora sentado na cama a minha frente.

— Nenhum de nós dois conseguiu dormir.

— Sinto muito.

— Não se desculpe. Você também já fez isso por nós dois, mãe. — O jovem mago diz, tentando me acalmar em vão. — Papai te ama mais do que eu posso imaginar e você também o ama igual, pelo jeito que agem quando suas vidas e sentimentos estão em risco. — Um sorriso calmo se abre em seus lábios — É tão forte... Me da à certeza de que não importa o que aconteça comigo, vocês estarão comigo e me protegeram, me ajudaram.

— Obrigado, Alois.

Ele estava certo.

Amo tanto Sting que às vezes não consigo expressar esse amor em palavras. Que é tão forte que a certeza dele me preenche totalmente, não deixa brechas para duvidas. Porque Sting é meu e nada, nem ninguém, conseguirá nos separar.

Porque fomos destinados a ficar um com o outro.

Toshiro:

— Sua prima?

— É. Ela não anda muito bem e o namorado dela está desesperado por causa disso. — Explico — Ela é a razão da vida dele.

— Ele realmente a ama.

— Com toda a sua vida.

— Todo mundo tem uma razão pra viver, alguma hora. — Diz-me ele.

Apesar dos seus vinte e cinco anos, Ethan é uma das pessoas mais serias e responsáveis que conheci. Ele foi um dos mais jovens estudantes a ingressarem numa universidade, ainda mais em Medicina.

Sempre me respeitou e compartilhou comigo momentos bons e ruins e, antes que ele entrasse na universidade, nos namoramos. É o meu melhor amigo.

Percebo como ele está sonhador e rio disso.

— Amando? — Pergunto e o vejo corar. Sem querer rio ainda mais disso.

— Eu vou ser pai, Toshi. — Revela ele e arregalo os olhos, com um sorriso enorme se abrindo nos meus lábios.

— Não brinca!

— É verdade e estou noivo também.

— Fala serio! Quem é a louca? — Ele franziu as sobrancelhas, mas ri, animadamente depois.

— Era uma paciente minha. Conhecemo-nos no hospital.

— Ei! Isso é contra a lei! Antiético!

— Ei, calma ai. Foi bem depois de ela ter alta no hospital.

— Hum, sei. — Suspiro e ele ri da minha expressão.

— Ela ia adorar te conhecer.

— Marca um dia e eu vou. — Completo.

Continuamos caminhando em silêncio por alguns minutos. A floresta está silenciosa e calma, levemente assustadora. Ethan trás consigo sua confiável maleta de medico e me deparo pensando no meu namorado.

Kuro ficaria irritado ao pensar que estou sozinho na floresta com um ex meu?

Bem, é possível que sim.

— Toshi? O que estava pensando? — O moreno de olhos azuis pergunta, com a expressão confusa. — Você estava olhando para o nada até agora a pouco...

— Er... Não era nada, Etty.

— Me engana que eu gosto, Toshiro. Quem é o cara?

— Ahn? O que está dizendo?

— Estou perguntando como seu melhor amigo, quem é o cara que você gosta dessa vez. — Eu sinto meu rosto esquentar.

— Lembra-se do Kuro?

— Aquele insuportável narcisista? Espera... Não! — Ele ri da minha expressão furiosa e coloca a mão livre no meu ombro.

— Era exatamente por isso que eu não queria falar nada. — Resmungo, chateado pela reação do Ethan. O moreno riu ainda mais, divertidamente.

— Se ele te faz feliz, Toshi, nada tenho pra dizer. E pelo visto, estava preocupado que ele ficasse irritado por estarmos sozinhos não é?

— Como você...?

— Eu sou seu melhor amigo, idiota. — Resmunga.

Mas num instante, vejo os olhos azuis escuros de Ethan se tornarem vagos e seus ombros tremerem. Ele cai de joelhos e quando me abaixo para ver o porque disso, sinto que algo o pressiona, diferente de mim.

Como um humano normal, ele não aguenta o poderio de um mago.

— Etty! O que houve?

— Essa pressão... Você não a sente?

— Não... É tão ruim assim?

E então sinto uma onda abrasadora de poder passar sobre mim, como uma ventania tardia e rápida.

Olho para frente e vejo Sting, pomposamente vestido, esperando-nos calmamente.

Oh, sinto muito. — Diz, mas seu sorriso é pouco acolhedor. Parece desafiador e instável e vejo que ele parece não ter descansado nas ultimas horas. — Não tive a intenção, juro. — Ele levanta as mãos e Ethan dá um suspiro aliviado.

Idiota. — Sussurro.

— Você... Você é... — Ethan está chocado, tremendo.

— Sting Eucliffe. — Dissemos juntos, nos encarando.

— Sting é o noivo da minha prima. — Esclareço.

— Ahn? O que?!

— Fico agradecido que tenha vindo examinar Lucy. — Sting dá um sorriso, terrivelmente, encantador e vejo Ethan o encarar surpreso, até. Eu sorrio a isso, porque Sting não sabe como pode ser bonito e sensual quando quer.

E entendo perfeitamente porque a Lucy-nee o ama tanto.

Esse idiota sabe conquistar as pessoas quando quer.

— Tudo bem, Ethan? — Pergunto e ele assente, sendo auxiliado por mim e levantando.

—Sim, acho que sim. — Murmura.

— Eu vou levá-los para casa.

Ethan me interroga com um olhar, como se dissesse: “Podia ter me dito que o namorado da sua prima era Sting Eucliffe!”.

Apenas sorri a isso e vi que Sting estava uma pilha, apesar de esconder muito bem.

— Você não dormiu essa noite, não é? — Pergunto, mirando-o de costas.

— Nem poderia. Alois estava agitado e Lecter com Ryuu demoraram horas para dormir. Se eu dormisse eles nunca me deixariam em paz.

— Lucy-nee acordou?

— Sim, mas quando eu sai ela já tinha voltado a dormir.

Olho Ethan e vejo que ele nos observa em silencio. Seus olhos azuis estão atentos, captando cada movimento meu e de Sting. Como o ser minucioso que é.

Sorrio a isso, intrigado e animado ao mesmo tempo. Perguntarei o que o deixou tão interessado em nós dois, ou se Sting é o alvo desse olhar.

— Mais gente virá aqui? — Pergunto, adiantando-me dois passos para seguir ao lado de Sting. Quero ver a sua expressão agora, pois se que ela será divertida e realmente é.

Ele fecha os olhos e franzi os lábios, mordendo-os em seguida. Não seguro o impulso de rir e assim o faço, calmamente.

— Quem?

— As outras fadas. — Resmunga ele, inquieto. — Como se eu precisasse de mais gente na minha casa.

Eu o miro seriamente e ele me encara, fazendo com que ambos caiam na gargalhada. Estamos chegando ao território da casa dele, rindo que nem dois condenados.

— É bom ver você rindo novamente, Sting. — Comento, atrasando um pouco o passo para esperar Ethan, mais atrás.

O rei dragão levanta a mão em concordância e sai andando, em direção a sua casa refinada.

Surpreendo-me em ver o quintal todo cheio de neve, apesar de não ter nevado tanto ontem à noite. A paisagem estava coberta por uma camada fina e elegante de neve pura e branca, tingindo não se a casa de Sting, mas nós mesmos que passamos pelas arvores cobertas dela e também da floresta ao nosso redor.

Sting tem uma expressão nostálgica no rosto e então vejo Rogue com Nanami na neve, ambos bem agasalhados, jogando bolas de neve em James e Frosch, que desviam e acertam neles, como se fosse um treinamento de muito mal gosto.

Sorrio quando vejo que eles reparam na gente e jogam uma bola de neve na nossa direção. Estou pronto para me esquivar ou proteger Ethan quando a bola bate numa parece invisível e se desmancha.

Sting apenas continua caminhando e vejo que ele sorri.

— É lindo. Nunca vi lugar mais lindo na minha vida. — Etty suspira, exasperado pela beleza do lugar. Era sim, o lugar mais bonito daquela cidade. Transmitia uma paz insana e dependente que eu tinha certeza que Sting estava quase perdendo.

— É o lugar que escolhi para passar o resto da minha vida. Acho que é apropriado para um rei. O que acha, Toshiro?

— Acho que um rei não poderia escolher um lugar melhor. — Digo, vendo-o parecer mais leve. Rogue se aproxima, esquivando-se graciosamente das bolas de neve voando em sua direção:

— É o médico de que me falaram? — Ele pergunta e Ethan abotoa ainda mais o sobretudo, encolhendo-se nele. Aproximo-me dele, dando um sorriso confiante.

— É, Rogue-kun. É o meu amigo, o Dr. Ethan.

— Não é muito jovem para ser um doutor? — O moreno pergunta, com os olhos rubis presos no meu amigo.

Tinha os olhos de um predador, assim como Etty em certos momentos.

— Creio que não, Cheney-sama.

— Bem... — Digo, reparando na breve tensão — Precisamos nos apressar certo, Sting? — O loiro assente, dando um olhar calmo ao irmão dragão e depois caminhando em direção a casa.

Tudo estava bagunçado e organizado ao mesmo tempo.

Muita gente na casa, como o próprio Sting diz. Vi Erza e Levy na cozinha e o resto dos Dragon Slayers e parceiras na sala de estar, conversando animadamente.

Corro pelas escadas quando percebo que Sting está no topo, resmungando algo e Ethan faz o mesmo, com os olhos atentos. Parece memorizar todos os cantos da casa.

O corredor é iluminado por lâmpadas brancas e dos muitos quartos, vamos diretamente ao ultimo. A porta está fechada e Sting abre-a calmamente.

Na cama vejo Lucy deitada com a expressão mais doce que já em seu rosto. Parece tão em paz, que parecia um anjo, sem que o difuso tempo pudesse mudá-la. Alois tinha caído no sono ao lado da cama, de frente para a loira e quase em cima dos gatinhos, ainda imersos em seus sonhos.

Ethan aproximou-se da porta e ficou ao meu lado, observando Sting entrar e se ajoelhar ao lado da cama, ficando na altura do corpo da minha irmã mais velha.

— Lucy... — Chama ele, tão suavemente que noto como é doce e sensível. Eu sempre fazia aquilo em Kuro quando ele tinha um pesadelo durante a noite na cama. — Meu amor, está na hora de acordar.

Escuto um gemido involuntário da parte dela, contra a vontade de acordar.

— Sting... — Murmura, com a voz manhosa. — Cinco minutos, por favor...

Ele respira fundo e nos olha:

— Vou acordá-la. Podem... Só fechar a porta, rapidamente? — Vejo como seus olhos estão com as cores mais vibrantes e assinto, puxando o petrificado Ethan comigo e fechando a porta, para depois nos encostarmos na parede a frente.

Ele mira-me sugestivamente e rio baixinho disso:

— Deixe-o. Ele fica doidinho com ela falando desse jeito. — Segredo, com a voz baixa. — É a primeira mulher que vejo conseguir doma-lo.

— Está apaixonado?

— Apaixonado? Sting ama Lucy como jamais amou outra pessoa. — Como eu também amo Kuro.

Ele continua olhando a porta e desabotoa os três primeiros botões do sobretudo, deixando a mostra a camisa branca de listras azuis por baixo. Reparo na corrente presa na gola e na tatuagem no pescoço. Este repara que eu o encaro e cobre a tatuagem com a mão:

— É o símbolo que prometi fazer lembra-se? A fênix que renasce, melhor e maior. Que queima e surge de novo, pronta para ser queimada novamente.

— Fico boa em você. — Digo com um sorriso entristecido. Eu nunca tinha me esquecido de algo tão importante quanto isso. Como pude esquecer-me da promessa que fiz com Ethan?

— Pela sua expressão, você se esqueceu dela, não é? — Sinto meu rosto esquentar e ele ri disso, com graça. — Tudo bem, você fez o bastante por mim.

— Fiz?

— Toshi... — Ele sorri e depois, a porta se abre, revelando um Sting um pouco mais bagunçado que antes, saindo do quarto.

O que, pelos reis sagrados das estrelas, ele havia feito naquele quarto?

— Lucy esta acordada. Podem entrar, vou lá fora um pouco.

— O que? Sting! — Resmungo, mas ele já está andando em direção a escada.

Vou até ele, correndo:

— Espere! Não pode deixar a Nee-chan sozinha, ela está...

— Toshiro... Eu não aguentaria vê-lo examinando-a. Eu o mataria só dele estar encostando nela, de respirar o mesmo ar que ela. — Ele segreda, em voz rouca. — É o meu sangue pulsando nas veias, não posso negá-lo.

— Está me dizendo que seu sangue de dragão não permite que você veja outro sequer perto da sua amada? Não sem dizimá-lo?

— Acha que um rei deixaria que algo assim acontecesse? Ela é minha parceira, a única que terei até morrer. É a coisa mais precisa que tenho. Só de pensar que esse cara pode fazer algo, meu sangue ferve, mesmo sabendo que posso estar completamente errado.

— Sting...

— É por isso que estou saindo. E por isso que quero que você fique perto dela e me chame caso tenha novidades ou aconteça algo. Qualquer coisa, Toshiro.

— Certo. — Dou um sorriso gasto antes de virar de costas e andando rapidamente até o quarto. Vejo Ethan conversando com Lucy e Alois desperto, observando-o.

— ... Preciso que me conte todo tipo de informação medica que eu possa usar a partir de agora. Todos os ferimentos por causa de lutas recentes e antigos. Doenças, alergias, qualquer coisa. — Noto que ele estava sentado na cadeira à frente da Lucy e o God Slayer estava sentando na cama, ao lado da maga celestial.

Lucy começou a contar a ele e as historias realmente me surpreenderam. Não me surpreendia que Sting estivesse tão preocupado ou que, Ethan anotasse cada minucioso detalhe para o prognostico.

— E um mês atrás... — Continuou ela, com a voz engasgada. — Eu estava grávida e fui sequestrada, maltratada. Machucaram-me tanto que acabei perdendo o bebê que esperava. — Vejo lágrimas caindo pela sua face e a comoção que isso provoca em Ethan.

Ele tira os óculos e se levanta, tremendo.

— Minha nossa... — Ele murmura aproximando-se. Vejo que ele está mais transtornado do que poderia imaginar. — Eu... Eu... Não sei o que dizer Lucy.

— Então me ajude... — Implora a maga celestial, a beira da histeria. — Me faça parar de sofrer e de machucar quem amo. Cure-me.

Alois está quase à beira das lágrimas e eu estou gorgolejando e soluçando:

— Farei tudo o que estiver ao meu alcance, Lucy. Prometo. — Ele me olha e vejo seus olhos cristalinos pela lagrimas e azuis como a noite sem estrelas e nuvens. — Toshiro, pegue minha maleta, vamos começar.

Sting:

A neve caiu absurdamente e mesmo sem nenhum agasalho, não sinto frio.

Estou caminhando pelo jardim quando sinto uma bola de neve atingir a minha cabeça e me fazer curvar-me para frente, inesperadamente.

Olho furiosamente o idiota que fez isso e vejo Rogue com um sorriso bobo no rosto.

— Imbecil. — Resmungo.

— Vamos ver se você se esquiva dessa, lerdão. — Ele joga varias bolas de neve ao mesmo tempo e defendo, com o escudo automático.

Faço bolas de neve automaticamente e as lanço, acertando-o em cheio.

— Sting! Maldito! — Nanami prende-me ao chão com suas rosas de gelo e me desprendo, enraivecido.

— É guerra que querem? É guerra que terão! — E dai não foram mais disparadas simples bolinhas de neve.

Como tudo que é da Sabertooth é luxuoso nossa guerra de neve não poderia ser diferente. Em poucos minutos Rogue tinha um forte de neve contra mim e minha barreira impenetrável.

E a guerra começou, fazendo-me esquecer de meus problemas momentaneamente. Esquecer-me de tudo o que eu passava.

Fazendo-me virar criança de novo.

E, é claro, os magos da Fairy Tail não perderiam uma algazarra.

Uma guerra generalizada de neve, onde se podia acertar alguém com toda a sua força e pedir desculpas descaradamente depois.

É disso que eu gosto.

Kuro:

Suspirei notando as mínimas partículas do ar que ficaram visíveis tornarem a desaparecer. Encolhi os ombros afastando alguns fios que teimavam em atrapalhar minha visão – mesmo que tudo pelo que eu pudesse ver fossem arvores e pequenos montinhos de neve.

— Está ficando mais frio, que droga. – resmungando meti as mãos dentro dos bolsos do casaco claro. Havia esquecido as malditas luvas em algum lugar.

Continuei o caminho pela floresta, primeiramente eu diria que era um percurso complicado, mas de alguma forma eu já estava me familiarizando com cada fragmento daquele lugar – ainda mais com Shiro inconseqüentemente querendo visitar Lucy a cada hora.

Lucy... Quando Toshiro me disse o que havia acontecido não pude deixar de me preocupar com minha irmãzinha. Possibilidades infinitas rondaram minha mente, mas usei todas as minhas forças para bloquear os pensamentos negativos. Lucy não os merecia, tampouco Sting – apesar de que era inevitável não pensar o pior nessas situações.

Chutando pedras e galhos secos, pisando sob alguns ramos que lutavam para sobreviver, avistei a casa – um tanto quanto isolada demais – de Sting. Nunca entendi por que diabos ele escolheu esse lugar, mas é do Sting que estamos falando, então não há um sentido lá muito bom para isso.

Franzi o cenho, hesitando no próximo passo que daria. Havia algo errado. Algo me dizia, algo dentro de mim; mas não era referente a Lucy ou a qualquer residente que ali se encontrava.

Engoli em seco sentindo as mãos suarem.

Um passo foi tudo o que dei antes de uma pontada em meu peito me dar calafrios. Como se algo não quisesse que eu fosse para lá, ou como se estivesse me avisando de algo que aconteceria. Como um presságio.

Respirei fundo.

– É apenas sua imaginação Kuro, nada mais que isso. – murmurei a mim mesmo, tomando forças na possibilidade de ver Shiro novamente e assim tornei a caminhar em direção a casa.

Os calafrios não me abandonaram nem quando já me encontrava a poucos metros da entrada, muito pelo contrario. Minhas mãos já estavam pálidas e geladas, como se a neve caísse no interior dos bolsos do meu casaco.

Hesitante e dormente sobre o que acontecia a minha volta, atravessei o gramado não tardando em avistar a madeira da porta de entrada da casa elegante e refinada.

Levei a mão ao trinco, hesitando enquanto minha mente gritava algo ininteligível. Respirei fundo fitando a madeira. Porcaria de paranóia!

E antes mesmo de poder recompor a compostura e qualquer senso de dignidade, Nanami abriu a porta estampando um sorriso brilhante que faria até o sol sentir inveja – não minto, ela estava tão radiante quanto nosso grande astro solar e Rogue me mata se me ouvir dizendo isso.

— K-Kuro... – e no instante em que me viu seu sorriso tornou-se tenso, quase assustado.

Franzi o cenho metendo as mãos nos bolsos do casaco novamente. Diabos o frio já estava começando a dar lugar a um calor irritante, mas apesar disso parece que era apenas comigo já que – por ventura – pude ver a Lohr colocar um casaco antes de murmurar algo que não entendi e rumar para o lado de fora da casa.

Sua expressão não estava interessante, na verdade, estava preocupada e até... Ansiosa.

Cerrei o olhar em sua direção, só então notando a guerra de neve que era travada por Sting e grande parte dos residentes que estavam ali, e sim era realmente uma guerra; com direito a fortes e bolas de neve que – não me pergunte como – continham um toque de magia. Até neve com espadas havia!!

Deixei de lado o fato – não tão estranho – de que os magos do lado de fora estavam praticamente se matando sem motivo aparente. Já no interior retirei de cima de mim qualquer vestígio de neve que tenha ficado e bati minhas botas negras no assoalho a fim de me livrar de qualquer resíduo congelado.

Quando já me via limpo segui pela casa não tardando em avistar os fios esbranquiçados como a neve, e num ímpeto um sorriso veio a meus lábios, este que desaparecera no instante em que – ao adentrar mais no outro cômodo – pude identificar outra pessoa. Alguém que eu gostaria que fosse o ultimo ser do mundo próximo – e sozinho – do meu Toshiro.

Em passos silenciosos e calculados aproximei-me do sofá fitando num misto de incredulidade, relutância, medo e ciúmes; a cena com a qual me deparei.

Aquele homem estava de cara enfiada numa prancheta com os cabelos cobrindo os olhos azuis e as lentes dos óculos finos, podia jurar que havia um sorriso em seus lábios enquanto meu, apenas MEU, Toshiro apoiava-se adormecido sobre seu ombro com algumas folhas largadas sobre seu colo, chão e pela mesinha de centro que havia frente ao sofá.

Respirei fundo, sentindo o peito latejar de forma quase palpável e indescritível. Como ele pode?

— Toshiro... – murmurei, atraindo rapidamente a atenção do moreno de jaleco branco que se ergueu assustado pela repentina aparição. O choque do corpo do meu namorado contra o sofá, aparentemente macio, foi o suficiente para desperta-lo aturdido.

— K-Kuro...! – fitou-me alarmado enquanto limitava-me a encará-lo decepcionado, em choque, enciumado... Nunca cogitei que ele pudesse fazer isso comigo, não Toshiro. – E-Eu pensei que...

— Não irei atrapalhar. – num tom frio, digno de Hector, afastei-me.

— Não é isso que você está pensando Kuro!! – gritou se aproximando e segurando meu pulso, me obrigando a fitá-lo nos olhos. – Por favor, deixe-me explicar...

— Explicar o que!? – questionei, o que eu vi já era obvio demais, doloroso demais. Real demais para se crer. – Eu vi!

— E o que você viu!? – questionou-me, se olhos brilhando de uma forma irresistível.

Rangi os dentes, puxando o pulso e enfiando as mãos nos bolsos novamente; tudo sob o olhar decisivo de Shiro, mas atrás deste vinha um moreno. – Ethan – com toda sua elegância e beleza. E preocupação com meu Toshiro!

— O que eu vi? – sussurrei largando um sorriso de canto. – Eu vi você agarrado com ele! – resmunguei apontando para o médico com um aceno.

— O qu... Não! – praticamente gritou meu namorado. – Eu não estava agarrado com ele Kuro, eu estava dormindo, eu...

— Nem quero ouvir. – rosnei entredentes.

Desviei o olhar fitando os arregalados olhos azulados que me fitavam quase revoltados, e logo voltei-me para Toshiro cujos olhos acinzentandos que tanto amo brilhavam assustados. Acanhados.

— Kuro... – sua voz foi baixa e dolorida, e fez com que uma flecha atravessasse meu coração; mas nem de longe a dor de vê-lo sofrer machucava tanto quanto o que vi anteriormente. Fitei-o estender as mãos tremulas em minha direção. – Por favor...

Dei-lhe as costas e afastei-me. Já bastava. Era demais.

Dei alguns passos e, quando tornei a me virar, lá estava Ethan ao lado de Toshiro, típico. Apertei as mãos em punhos e dei as costas, deixando para trás meu amante com lágrimas nos olhos.

Bati a porta da casa seguindo pelo caminho de entrada com uma expressão tão diferente do que acontecia no interior.

— Kuro! – fora a voz de Shiro que me atingira novamente. – Por favor, vamos conversar...

— Me deixa Toshiro! – gritei ainda de costas caminhando pesadamente para longe. Dessa vez eu tinha certeza de que não era apenas o medico e Shiro que me olhavam.

Vários pares de olhos seguiam-me meticulosamente, e antes de adentrar e desaparecer novamente na floresta, pude ver a comoção que se formou perante o pranto de quem amo.

Apertando os punhos e com algumas poucas lágrimas descendo, finalmente, por minha face; caminhei distanciando-me daquele lugar.

— Como pode Shiro...?

Toshiro:

— Me larga, Sting! Eu mandei largar! — Grito, chorando. Debato-me quando ele me segura e puxa meus braços para as costas, me forçando a parar.

— Shiu. Eu mandei ficar quieto.

— Cala a boca! Preciso encontrá-lo... Eu... Eu...

— Você só vai fazer besteira desse jeito. — Miro seus olhos azuis brilhantes de quartzo e paro, tremendo.

Começo a soluçar e quando dou por mim, estou abraçando Sting, que parece surpreso e abraça meus ombros, rudemente. Grito contra seu peito, tamanha a dor que sinto. Eu o quero de volta! Não consigo viver sem esse idiota que me traz café na cama aos sábados e domingos. Que me acorda antes de Mana e Fumiko para que possamos preparar o nosso café juntos. Que me fez conseguir dormir e que me tornou o que sou, apenas dele. E ele é meu... Ou era.

Deuses, eu perdi o homem que amo... Novamente...

— Ei, chega... Está me assustando. — O poderoso Sting Eucliffe diz, com a voz assustada.

— E se você perdesse a Lucy, Sting...? Como se sentiria? — Murmuro e sinto sua mão em meus cabelos platinados, aconchego-me mais perto dele, por causa do frio que passava só de pensar em perder a única pessoa que realmente me amou como fui capaz de amar.

— Toshiro... E-Eu... — Começou e parou Ethan.

Fecho os olhos com força e Sting percebe isso no mesmo instante.

— Venha, vamos entrar antes que você fique doente, Toshiro. — O rei dragão diz, com a mesma suavidade que falava com a noiva. Entro com ele logo a minha frente e vejo os olhares de pena que os membros da Fairy Tail dão a mim.

Sinto-me realmente muito pior com isso.

Nanami e Rogue logo entram também e vejo a Sra. Cheney sentar-se ao meu lado, abraçando-me com força. Enterro meu rosto em seu ombro e deixo-me gemer e chorar ainda mais.

— Nanami... Eu o perdi... — Segredo em voz baixa e incrédula. — Depois de tudo o que fiz... Eu o perdi em alguns minutos. — Ela tenta falar, mas interrompo, com a voz mais manhosa e triste. — Como fui estupido... Eu deveria... Eu vou... — Tento me levantar, mas os dois dragões presentes ao meu lado me puxam de volta para sofá.

— Você precisa esfriar a cabeça. — Diz a Lohr, com um ar decepcionado. — Senão vai fazer uma besteira.

— Besteira é não ir atrás dele! Ele vai fazer alguma besteira! Sei que vai! Deixe-me impedi-lo!

— Você não está em condições de ir. — O dragão negro continua.

— Eu tenho de ir! — Insisto, voltando a chorar novamente.

— Toshiro... — Sting começa, como se estivesse realmente matutando as possibilidades. — Eu vou procurá-lo e até lá, não faça nenhuma besteira ou incomode a Lucy. Entendeu? — O olhar duro de Sting me fez tremer e assenti, mesmo sabendo que descumpriria uma das duas regras, ou talvez as duas ao mesmo tempo.

Deito no colo de Nanami e apoio meus pés no sofá. Sinto-a acariciar as mexas rebeldes que caiam pelos meus ombros, testa e olhos. Mais lagrimas caem quando penso em como eu estava feliz até dois dias atrás.

Em como dizia a Kuro que o amava e que ele ria e dizia que sentia o mesmo. Que tínhamos nos beijado tão intensamente que eu havia permitido que ele me tornasse seu, com nenhum outro havia tornado.

Eu deveria tê-lo avisado de Ethan... Deveria!

— Que droga... Droga... — Murmuro, sentindo uma dor torturante no peito. — É tudo culpa minha...

Nanami olha-me com seus olhos castanhos aveludados e depois sussurra:

— Levante-se... — Eu o faço, limpando as lágrimas com as costas da mão. — Venha, vamos subir.

Eu preciso da Lucy agora, mais do que jamais precisei na vida. — E quebrarei uma das regras de Sting, logo de cara.

Subo a escada correndo, junto com a garota ao meu lado e logo entramos no quarto da maga celestial e do rei dragão.

Ela estava sentada e parecia estar lendo algo, com Alois sentado na cadeira, fazendo o mesmo com um livro diferente. Ryuu repousava no colo de God slayer e Lec no da minha Nee-chan.

Eles param instantaneamente e me nos miram.

Lucy assume uma expressão de terror rapidamente e Alois parece ter visto um fantasma.

— Shiro-chan? O que houve? — Pergunta a loira, deixando o livro de lado.

Corro para a cama e me jogo ao seu lado, chorando novamente. Puxo os finos e agradáveis lençóis de seda dela com as mãos e deito-me perto dela, quase a abraçando:

— Shiro-chan está me deixando preocupada. — Sua voz é suave e seu olhar é quente e protetor — O que houve?

— Kuro ele...

— Ah, aquele estardalhaço lá embaixo. — Sua expressão se torna mais suave ainda. — Pensei que Sting estivesse brigando com o médico. Mas... O que houve?

— Esse médico... Ethan e eu namoramos, Nee-chan.

A expressão surpresa pareceu suave em seu rosto, como se ela a controlasse para não me ferir mais.

— Kuro não gosta dele?

— Ele chegou e me viu dormindo, com a cabeça nos ombros de Ethan. Ele nem quis me ouvir. Pensou que eu o traí... Mas eu o amo. Nunca faria isso... Eu... — Levanto-me um pouco e sinto suas duas mãos no meu rosto, limpando as lágrimas com suavidade.

— Se acalme e depois vá atrás dele. — Ela diz, em tom ameno. — Só assim vão resolver as coisas. Se tranque com ele num quarto, grite com ele na cozinha. Só o faça te escutar.

Limpo as lágrimas, com uma certeza a mais.

Eu vou encontrá-lo e vou me acertar com ele.

Sting não vai poder achá-lo, mesmo sendo quem é.

— Obrigado Lucy-nee. — Murmuro, dando um beijo estalado em sua bochecha e levantando-me.

Corro até a janela e me jogo dela, caindo perfeitamente bem no forte gigantesco feito pelos outros. Saio correndo e meus pés afundam na neve semi estraçalhada da brincadeira. Deixo que meu casaco fique saindo de meus ombros e desabotoando enquanto corro. Nada disso importa.

Preciso encontrá-lo. Preciso dizer a Kuro que Etty está noivo e será pai. Que ele ainda é meu amigo e que, eu não sentia nada além de um terno amor fraternal por ele.

Porque minha vida sem o rei negro não tinha uma droga de sentido.

E se fosse pra ficar sem ele, eu preferiria não viver.

Assim, pensando no que ia dizer, corro sem rumo pela floresta e sem querer sinto algo bater contra o meu peito. Caio no chão, atordoado e miro o que me atingiu.

Ainda está preso em mim e só então percebo que uma faca atravessou meu tórax sem esforço. Entre as costelas e o intestino.

Por causa da correria, sinto ar e a tontura virem até mim com intensidade trágica e frívola.

Não podia desmaiar ali. Iria congelar até a morte ou morreria de hemorragia.

A menos que alguém me mate antes. — Pensei, tonto.

Tiro a faca e vejo meu sangue, esvaindo-se do meu corpo e manchando a neve de vermelha. Forço-me a levantar e enfrentar, o que quer que seja.

Cambaleio entre as arvores, com a tontura se fazendo cada vez mais presente em minha consciência. Fora de mim, me vejo morrendo ali e meus amigos me achando dali a varias e varias horas.

Eu preciso encontrar Kuro... Depois... Eu morrerei em paz, se for o caso. — Penso e arrasto-me, com o ferimento latejando e deixando-me cada vez mais inerme e sem vida.

Cada passo dado eram os mais próximos de serem os últimos.

Então vejo um vulto sentado numa pedra, com neve caindo sobre sua cabeça e as folhas das arvores balançando, como seu cabelo negro, pelo vento.

Estava chorando e soluçando.

Uma imagem que simplesmente feriu-me tanto quanto a faca.

— Kuro... — Murmuro, segurando-me numa arvore.

— Vá! Saia daqui! Fique com Ethan com antes!

— Eu te amo. — Digo e minha sai como um gemido de dor. — Não posso te perder.

— Você conseguiu fazer isso, imbecil. — Sua voz está cheia de magoa e ajoelho-me no chão, sem poder mais resistir à dor que sinto terrivelmente uniforme por todo o meu corpo. Coloco a mão onde a faca estava e ela fica tingida de sangue.

Meus olhos ficam turvos e vejo que ele me mira bambear cair na neve.

Mal consigo conter a queda e escuto-o gritar e se aproximar aos trancos de mim. O sangue flui mais rapidamente e percebo que estou perdendo a consciência.

Ele vira-me e vê o ferimento. Diz palavras vãs de preocupação e me carrega.

Encolho-me contra seu peito e sinto seu cheiro. É aconchegante, como sempre. Divinamente perfeito.

— Eu te amo. Agora e sempre, não importa o que aconteça.

— Eu também te amo, Toshiro e não vou deixá-lo morrer. — Sorrio a isso, sabendo que minha vida estava por um fio.

— Se eu me salvar... Promete que vamos ficar juntos para sempre? — Lágrimas caem pelo meu rosto. Estava frio, mas mesmo assim, elas puderam escorrer quentes e salgadas.

—Você vai se salvar! — Ele diz, exasperado, correndo comigo nos braços. — Não vai me deixar, Toshiro! Ainda temos muito que conversar! — Vejo lágrimas caindo de seus olhos e levanto a mão para tira-las.

— Eu te amo, mais do que amo minha vida.

— Não seja idiota! Se me ama, tem de se amar também. Porque eu te amo. Muito, idiota. — Ele está quase gaguejando e estou sorrindo a isso. — Você é meu, rei branco e não vai fugir disso.

Minha consciência balança, estranhamente desatenta.

Não quero fechar os olhos, mas eles o fazem, mesmo assim.

Notas finais
Eu sei. Nem eu acredito que fiz isso, mas bem... Tudo vai ficar mais claro no próximo. Até lá. (reviews?) Amy B.