Shatter Me

8 Estilhaço de (Des)Confiança


Notas iniciais
Buenos dias, chicos ~

Demorou e demorou, mas finalmente saiu.

Espero que não estejam bravos comigo e se estiverem, perdoem-me e culpem a minha vida espetaculosa (nem tanto).

Mas enfim, desejo um feliz (e atrasado) dia das crianças pra todos e tenho novidades nas notas finais.

Surpresas a parte, o capitulo de hoje.

Amy B.

Estilhaço de (Des)Confiança.

Keith:

A lembrança de Sting faz com que meu ser fique cheio de remorso, mas ainda sim ignoro Grandine e vou até a barreira suprema do mestre.

Sei dos perigos que poderei enfrentar e que, a cada entrada nesse lugar fragmento de tempo da minha vida é consumido.

— Repense Keith. – Insiste ela e a ignoro novamente.

Meus olhos vão se fechando enquanto Klaus esperneava a bater na barreira. Lágrimas queimam novamente em seus olhos, e mesmo fechados, tenho de respirar fundo para afastá-las.

— Keith... – Klaus fala, não sei como ele consegue cuidar de dois garotinhos apesar de tudo. Acho que devem ter a mesma idade de Sting.

O loirinho tem sido mais fácil de cuidar depois da noite em Aloise, mas parece que a chuva pregou uma peça nele e que, inesperadamente, ele havia ficado terrivelmente doente.

— A febre não baixa. – Respondo, verificando como a testa do pequenino estava fervendo.

— Você tem que fazer algo. – O menor de seus gêmeos também era bem frágil e por isso, quase o tempo todo, Klaus o mantinha-o em seus braços enquanto o mais velho caminhava ao lado, segurando a sua calça de brim.

— Eu sei. – Não sou curandeiro. A única pessoa que foi treinada como curandeira deve estar à quilômetros daqui. Sting não abriu mais seus olhos nessas últimas horas.

— Leve-o até Weisslogia. – Sugere o moreno, ninando o mais jovem. O pequeno queria vir até onde Sting estava, pois haviam brincado um pouco antes do loiro ficar doente. Ambos queriam, na verdade, mas Klaus já havia posto o outro na cama.

— Está tarde e ainda, tenho medo que o Sting-chan fique pior. – Revelo e este suspira.

— É melhor arriscar do que perdê-lo, não é? – Eu sei que ele está certo e ver Sting gemer na cama me convence ainda mais.

Levantei da cama, onde estava sentado e peguei um dos meus maiores e melhores casacos para enrolar o Sting. Acordei-o com dificuldade e coloquei-lhe por entre as minhas roupas gigantes. Corri e peguei a primeira blusa de mangas que vi e puxei-o para os meus braços, correndo para encontrar o meu irmão-dragão.

Sting estava meio acordado e meio dormindo enquanto eu corria. Às vezes ele chamava a mãe e às vezes gemia pelo pai. Às vezes, tentava falar o meu nome, mas era inútil e desesperadamente falho. Quando isso acontecia, eu beijava-lhe a cabeça e murmurava baixinho que tudo ficaria bem.

Mas eu tinha medo de que não ficasse.

Cheguei à cúpula dos dragões rapidamente e tive de me equilibrar da melhor maneira possível para enfraquecer a barreira o bastante para que Sting entrasse comigo. O fiz, mas minhas mãos ficaram queimadas e sangrando.

— Papa... – Sting gemeu novamente e como eu senti uma tontura densa se apossar da minha mente. Esse era o resultado de eu ficar sem comer cuidando vinte e quatro horas dele.

— Weisslogia! – Chamei, desesperado. Minha cabeça deu mais uma volta antes de eu cair de joelhos no chão de granito cinza. – Por favor, Weisslogia! – Implorei.

Senti o vento de suas asas bagunçarem o meu cabelo e quase me içarem do chão, o loiro em meus braços nada percebeu.

— Keith. – O majestoso dragão branco com um ar preocupado. – O que faz aqui? E porque tem essa criança nos braços?

— Weisslogia, eu imploro. Se me ajudar, juro que lhe contarei o que farei, mas preciso que me ajude...

Vendo-me daquela maneira ele não me negou tal ato, mas em consequência, Sting ainda não reagia ao tratamento.

— Weisslogia... O que está acontecendo? Por Sting não melhora? – Inquiri, nervoso.

— Ele é um humano comum e este lugar em que estamos é cheio de magia de dragões. Ele absorveu magias conflitantes desde o momento que entrou aqui com você. – Explicou ele, pacientemente. – Para trazê-lo de volta completamente você precisa fazer uma coisa.

— Farei o que tiver de ser.

— Você precisa doar a quantidade certa de poder para o corpo dele. Se doar de menos, ele vai morrer por falta de magia e se doar demais ele vai morrer de intoxicação. – Respirei fundo, engolindo o amargor que a minha língua tinha.

— Oriente-me. – Pedi, suplico.

— Certo. – Weisslogia fala, piedoso. – Pegue-o em seus braços. E aos poucos vá intensificando a sua magia.

Fiz como ele ordenou, ninando o pequeno loiro com cuidado semelhante ao de um pai amoroso. Fechei meus olhos e aos poucos fui intensificando a minha magia.

— Keith, está quase. – O dragão fala, calmamente. Assinto sem abrir os olhos e respiro fundo.

Depois de um minuto, sinto o pequeno se remexer em meus braços.

— Sting? – Chamo, de olhos abertos a mirar surpreso o pequeno.

Vejo-o piscar, abrindo os seus intensos olhos azuis, meio marinhos e ao mesmo tempo meio de quartzo, sendo que, refletiam o meu rosto preocupado e cansado.

— Sting. – Falei, abraçando-lhe com força. Eu senti um alivio denso se formar dentro de mim. Estava tudo bem agora, ele está são e salvo, seguro e saudável.

— Papa... – Sussurrou o pequeno, sorrindo a mim pela primeira vez. O choque de tais palavras foi o bastante para que o meu irmão-dragão interviesse:

— Você tem algo para me contar, não é Keith? – Ele contrapôs e senti um arrepio na espinha.

— É, nós temos.

Klaus continuou a tentar adentrar a barreira, mas cada vão esforço seu foi inútil.

Levantei-me.

— Keith! – Gritou ele. Vir-me-ei a sua direção e este pareceu surpreso. – Por favor, Keith! Não faça isso! – Implorou, mas dei o meu primeiro passo ouvindo isso. – Keith! Escute! Você vai perder mais tempo de vida! Por favor! Por Aloise! – Eu parei no instante que escutei o moreno falando de Aloise. Eu ia dar o próximo passo, mas todo o meu corpo parou em choque.

Aloise.

Forcei-me a dar um novo passo e mais outro e outro, até estar subindo a escadaria.

— Keith! Você não pode fazer isso! Não com esse corpo! – Klaus grita desesperadamente. – Eu imploro! Não faça isso! – Vejo que suas mãos estão machucadas e que, nesse instante, ele começa a chorar. – Você é a única família que tenho! Não posso perder você também! – Gritou ele em pranto.

Respirei fundo.

— Sinto muito, Klaus. – Sussurro alto o bastante para que ele me escute e fique em silencio. – Mas Sting-chan pode estar sofrendo agora, entende? E ele é praticamente o meu filho. Isso dói. Dói demais. – Uma lágrima cai e vejo que Klaus volta a bater na barreira, agora com mais força que o normal. – Não adianta, Klaus. Eu controlo essa barreira.

— Eu não posso permitir que você faça uma coisa burra dessas! – Grita ele.

— Não é você quem decide. – Respondo.

Fecho os punhos e sinto meu coração acelerar novamente. Amo-te Klaus, como meu irmão. Amo também Stef e Jonas, contando também os imbecis do Nolan e do Rixon. Mas não posso viver sabendo que, como Weisslogia e Aloise, fiz Sting sofrer.

Isso dói mais do que qualquer coisa.

Quando a minha mão toca o centro da barreira uniforme de Acnologia, sinto que perderei a consciência. Klaus deixa de gritar e tudo perde o sentido quando o branco chega aos meus olhos.

Finalmente, não sinto mais nada.

Lucy:

Remexo-me na cama, vendo-me sozinha.

Sting já deveria ter levantado e, apesar de tudo, pensei que ele ainda estaria aqui quando eu acordasse.

Esfrego os olhos e, depois de trocar o pijama, desço até o primeiro andar, onde Nanami está sentada no balcão mais perto da janela.

— Bom dia, Nana-chan. – Falo, ainda sonolenta.

— Bom dia, Lu-chan. – Ela responde, do mesmo jeito. – Fomos abandonadas. – Ela comenta, apontando para fora.

Enfim percebo o que está havendo.

Sting está do lado de fora com Alois, Ryuu e companhia. Todos os quatro estão sem camisa, enquanto os gatos estão a se abanar. Rogue está de pé com Alois enquanto James deita-se ao lado de Sting.

— O que eles estão fazendo?

— O de sempre. – Responde-me ela, sorvendo um pouco de café quente. – Treinando ao estilo dos Dragões Gêmeos.

— Eu vou lá fora. – Digo, atravessando a cozinha a passos rápidos. Ela acena e sorri, enquanto eu saio pela porta e cruzo os braços:

— Parece que alguém está ferrado. – Cantarola Rogue, com as mãos nos joelhos. O sol estava realmente bem forte nessa manhã. Sting, ainda deitado, olha para cima até me ver, deixando seu cabelo cheio de grama.

— Ah, bom dia Lucy. – Ele fala sorridente, sentando-se agora.

— Bom dia mãe! – Ryuu fala, alegremente.

— Bom dia, Ryuu. – Ignoro Sting até que ele vem em minha direção.

— Bom dia mãe! – Alois fala dessa vez, desviando dos ataques de Rogue. Sorrio a ele, acenando.

— E então? Está brava comigo? – Ele passa os braços em volta da minha cintura, puxando-me para perto dele. Passo meus braços em volta do seu pescoço.

Eu o beijo, carinhosamente, retribuindo daquela maneira o bom dia que ele havia dado. Quando me afasto, ele sorri.

— Vai treinar até que horas? – Sussurro, calmamente.

— Acho que vamos parar um pouco agora. – Ele confessa. – Rogue, uma pausa talvez? – Ele fala alto o bastante para que o moreno pare e o mire.

— Nanami já acordou? – O Dragão Negro pergunta, curioso.

— Está sentada no balcão sozinha. – Informo-lhe e este suspira.

— Um recesso para o café. – Informa-me ele e sorrio.

James ri e levanta-se, pegando Fro e caminhando na nossa frente.

Os seus passos animados logo são seguidos por Alois que, juntamente com Ryuu ri de algo e corre para contar ao melhor amigo. Lecter, por sua vez, fica sempre perto de Sting, enquanto Rogue se aproxima também:

— Desde que horas vocês treinam? – Pergunto, entrando na casa com o loiro logo atrás de mim.

— Desde que o sol amanheceu. – Rogue responde. – Mas não se preocupe, estávamos ajudando as crianças. Eu vou treinar com o Tyler mais tarde e acho que Sting nem treina hoje.

— É. Sem treinamento por enquanto. – Ele fala, mirando-me com suas orbes azuis e pidonas. Sabia muito bem dos riscos disso.

Sentamos na mesa e depois disso, vi Mira e Erza descerem juntas.

— Bom dia. – Falam, calmamente.

— Bom dia. – Todos respondem em uníssono.

Alois mira James por uns instantes e depois ri, fazendo o moreno revirar os olhos e bufar. Volto meu olhar a Sting e depois a Rogue e sei que eles também perceberam.

— Eu vou fazer o café. Alguém quer algo em especial? – Pergunto, levantando-me.

— Só não me traga café. – Rogue fala e ri com Sting disso, enquanto caminhava calmamente até o fogão.

Depois de alguns minutos eu já tinha feito uma grande porção de salada de frutas, chá com mel, leite com chocolate e omeletes. Ryuu me ajudou a levar alguns dos pratos para a mesa e quando percebi, Laxus e Gazille com Levy já haviam se juntado ao pessoal.

— Nossa Lucy! Você está cozinhando muito melhor agora. – Levy comenta, comendo uma das omeletes. Sorri a isso.

— Eu tenho me esforçado. – Respondo, notando que a xícara a minha frente estava cheia de frutas ao mel. Senti que o dedo de Sting estava naquilo e sorri.

— Realmente. – Laxus comenta. – Há um bom tempo não tomo um café da manhã tão bom. – Ele completa com Mirajane e isso me faz corar.

— Lu-chan... – Nanami fala calmamente. Vejo flores novas brotarem nos mesmos vasos em que as outras começavam a murchar. – O almoço é nosso não é? – Assinto, rindo.

— Pensei que ia treinar comigo hoje, Nanami. – O moreno de olhos rubis fala, quase divertidamente.

— Hum... Serio? Pensei que você ia treinar com o Sting. – Ela revelou.

— Eu vou descansar mais um pouco antes de treinar, Nanami. – O loiro ao meu lado fala, calmamente. Percebo que Laxus o observa antes de voltar a comer. – Além disso, tenho de fazer algumas coisas no escritório.

— O que, por exemplo. – Quis saber ela, curiosamente.

— Tenho de terminar de rever uns documentos que Munakata me enviou um mês atrás e, também, ver se Hector está melhor. Sou elo entre o templo e esse lugar então sou obrigado a entrar em contato sempre.

— Você é bem importante, viu? – Rogue comenta rindo.

Nós quatro caímos na risada.

Nanami:

Apesar de ser o segundo dia nessa casa, mal posso aguentar olhar Gazille e não voar em seu pescoço. Ou talvez dizer umas boas verdades pra ele.

— Nanami? – Rogue chama, ao pé do meu ouvido.

Hum...

— O que foi? – Ele murmura, puxando a minha mão.

— O de sempre, Rogue. Não aguento mais ficar calada. – Sussurro e ele dá um sorriso cansado.

— Não devia deixar isso te importunar. – Ele completa, me dando um selinho demorado.

— É fácil falar. – Estou furiosa com ele. Como ele não quer que eu fale?

— Você ainda não está totalmente recuperada e...

— Ei, você ai. Senhora Cheney. – Gazille fala e todos na mesa param para olhá-lo.

— O que foi? – Tentei controlar a minha voz.

— Não discuta com ele. – Implorou Ro com carinho. – Por mim.

— O que você tanto olha pra mim? – Ele fala e Sting assobia ao ver a minha expressão.

— O que você disse?! – Elevo a voz e Rogue simplesmente suspira, desistindo:

— Gazille, não fale mais nada. – Pediu ele, sabendo que, se dragão de metal continuasse nem ele me pararia. – Por favor, isso vai ficar feio se continuar.

— Eu não tenho culpa se ela fica me secando e você finge que não vê.

Isso foi à gota d’água.

— Eu fico secando você? Como tem coragem de dizer isso?! – Falo, erguendo-me da mesa.

Laxus está de boca aberta e Sting olha acusadoramente Rogue, sinto que querem que a briga continue, no fundo.

— Então porque você fica me olhando?

— Porque eu ainda não acredito que, depois de tudo que você fez ainda tem a coragem de ficar frente a frente com Rogue sem nem ao menos demonstrar um pingo de vergonha ou remorso! – Esbravejo e Sting assobia a isso, sorrindo.

— Você... Você sabe sobre aquilo? – Gazille fica branco.

— Eu sou a mulher de Rogue. – Respondo, rangendo os dentes.

— Não sei o que ele te disse...

— Não sabe o que ele me disse? – Eu rio. – Se contasse a metade das coisas que você fez ao Rogue para sua namorada e seus amigos, duvido que eles ainda falem com você!

— Nanami! – Ele me puxa para longe da mesa e sinto que vou começar a chorar a qualquer momento.

A dor dele é a minha dor. O desespero dele é o meu desespero.

— Não precisava falar aquilo. – Ele comenta, deixando-me de costas para o pessoal da mesa. Mordo o lábio e ele simplesmente suspira. – O que acha que seu irmão faria se a visse assim?

— Eu acabaria com ele. – Respondi sinceramente e ele suspirou novamente:

— Bem, pergunta errada. O que o seu tio faria se a visse irritada dessa maneira?

— Ele me mandaria ir para o jardim e praticar magia até que o jardim ficasse tão encantador que o rei de Fiore ficasse surpreso. – Com isso ele sorriu, beijando a minha testa.

— Quer tentar? – Ele cochicha no meu ouvido, sensualmente.

Isso me faz rir.

— Lucy, eu vou mudar o seu jardim, tudo bem? – Perguntei, ainda deixando uma leve irritação mudar a minha voz calma e rotineira.

— Ah? Tudo bem, eu acho. – A loira responde e com seu olhar sei que estará do meu lado para conversarmos sobre o que acabou de acontecer. – Posso ficar olhando?

— Se quiser.

— Eu vou treinar lá fora com a mamãe. – Fro fala, calmamente com um sorriso.

— Ei! É hora de treinarmos também! – Alois fala e reparo na expressão de James. Normalmente, ele nunca fica de mal humor até que...

— James, me ajudaria? – Chamei e este dá um meio sorriso antes dele levantar-se e caminhar antes de mim para fora da casa.

— Eu vou para o escritório. – Sting fala, levantando-se e depositando um beijo suave na testa da Lucy.

— Vamos? – Rogue fala, puxando-me para o corredor com Lucy e Alois ao nosso lado.

Eu lancei um ultimo olhar a Gazille, deixando claro que, eu era diferente do marido e que, uma hora ou outra o assunto ia voltar.

Sai pela porta e senti a brisa suave do começo da manhã me agraciar com o delicioso aroma da natureza. Eu já me sinto bem melhor.

— Então... – Lucy começa, curiosa. – Falou tudo o que queria? – Ela está sentada com Ryuu e Lecter em seu colo.

— Nem a metade. – Reluto, sentindo os meus poderes faiscarem.

Os brotos de rosa começaram a aparecer de cores e tamanhos diferentes. Alguns delicados e brancos, outros, grandes e vermelhos. O aroma suave e calmo das rosas me acalmou por uns minutos, mas a lembrança da raiva me inundou novamente e, como um passe de mágica, todas as rosas ficaram escuras e assustadoras.

— Ei! O que é isso?! – Alois se assusta, quando uma rosa o segura pelos pés e não o deixa se mover.

— Tem alguém por perto. – Respondo, espalhando as rosas negras por toda a extensão da minha visão.

O silencio predominou o ambiente por alguns segundos e Lucy, que estava sentada, ergue-se com a chave de Pix na mão.

— Fiquem atentos. – Rogue fala, ficando ao meu lado e segurando a minha mão. Depois disso, o jardim já estava coberto rosas negras.

Ouvi passos e em seguida, pude ver algumas sombras aparecerem.

Eram três.

Duas estava juntas e uma caminhava mais a trás, como se estivesse cansada.

— Rogue-kun...

— Fique calma. Não são ameaças a nós. – Ele fala calmamente e vejo que Alois e James pareciam prontos para atacar.

Os passos se tornaram mais altos e agora podia ouvir risadas conhecidas.

— Se você derrubá-la Ichi-chan, Orga-kun vai te matar. – Yukino se faz presente entre risadas calorosas. Ao lado dela, Rufus e atrás deles, Koichi com Lily-chan nos braços.

— Nii-san. – Sussurro, sorrindo.

— Nana-chan! – Koichi fala sorrindo.

— Tia! – Lily também fala, acenando e vindo até mim.

— Há tempos não vejo tais gloriosas rosas negras. Quem foi o imbecil que lhe provocou Imouto? – Ele começa e rio, olhando Rogue.

— Não precisa se preocupar, Rufus. Eu tomei conta de tudo. – Meu irmão solta a mão da namorada/noiva e vem até mim. Eu o abraço forte e ele me dá um beijo na minha bochecha, como quando éramos pequenos.

— Só porque se casou não quer dizer que vai deixar de ser a minha Nanami-chan, viu? – Ele fala calmamente e sorrio, abraçando-lhe novamente. Respiro fundo.

— Obrigado, nii-san. – Sussurro, e ele beijam a minha cabeça, lançando um olhar serio ao meu esposo, que apenas mexe a cabeça para trás e mostra que o problema foi com os convidados de Sting.

— Lucy! – Yukino já está na nossa frente, cumprimentando a dona da casa. – Hector quase não quis permitir que eu viesse. – Ela infla as bochechas e sorrio a Koichi, que trás a pequena no chão agora.

— Lily-chan, que saudade. – Exclamo, agachando e dando-lhe um abraço. – Onde está a sua mãe?

— Ela ficou com a tia Sirene lá na guilda. – Ela responde, quando pego-a no colo para cumprimentar Rogue.

— Tudo bem Lily? – Ele fala beijando a bochecha dela sem pestanejar.

— Hum, tio Rogue.

— Jay! Lily-chan está aqui! – Alois vem até mim correndo esbaforido e sorridente e depois disso, a garotinha de quatro anos praticamente se joga nele.

— Nii-san! – Ela fala, segurando forte nele. São como dois irmãozinhos. James logo se aproxima e faz carinho nos seus cabelos caramelados.

— É bom te ver também, hime-chan. – Ele fala, fazendo-a rir.

— São como bons irmãos, não são? – O mago vidente fala, totalmente encantado. – Parece à gente né, Nana-chan? – Rufus e Rogue não gostam muito do comentário, mas ignoram isso quando vêem Lucy e Yukino as gargalhadas na porta.

— Ei! Já começaram a fofocar e esqueceram de mim? – Brinco, já mais leve e sem raiva. Apenas a presença deles aqui já me deixa tão bem...

— Que isso, Nanami! – Lucy fala, sorrindo com Ryuu nos braços. Logo o gatinho saiu voando, como Lecter e Fro, para ir brincar e conversar com a mais jovem maga da Saber e os God Slayers.

— Só estava contando a Lu-chan que Sirene-chan está quase em trabalho de parto.

— Oh! Serio?

— Você nem imagina como Mizuki está. – O loiro mais jovem entre nós ri, com Rufus. Aos poucos Rogue também se solta e os três conversam sobre a infantilidade e nervosismo de Mizuki.

— Ele vai se tornar pai antes mesmo da gente! E ainda é mais novo que eu! – Rufus exclama, provocando em Rogue uma súbita e contida gargalhada.

— Vamos entrar, quero que conheçam a casa. – Lucy fala, notando que, os curiosos tinham saído da janela. – Vou chamar Sting também.

— Falando nele, onde este traste está? – Koichi fala e Lucy ignora a ofensividade brincalhona direcionada ao amado.

— No escritório.

— Não precisa chamá-lo, Lucy. Nós vamos até o escritório enquanto você mostra a casa para a Yuu-chan. Só precisa nos dizer onde é. – Rufus fala calmamente.

— Atrás das escadas, a porta provavelmente estará trancada então bata cinco vezes sem parar e ele abrirá. – Ela pisca e sorrio, sendo beijada pelo meu moreno antes dele ir com os outros.

— Koichi! – Alois fala rapidamente, entrando com Lily nos braços. – Mais tarde... Mais tarde tocaremos juntos?

— Se você quiser. – O mago das previsões pisca divertidamente, caminhando com os outros dois até a sala que Lucy indicará.

— Então o que vamos fazer? – Yukino pergunta, sorrindo.

— Nós temos que conversar Yuu-chan! – Lucy comenta e eu rio.

E lá vamos nós conversar na cozinha.

Sting:

Eu apenas escuto as batidas na porta e compreendo que, de alguma maneira, Hector me mandou visitas.

Guardo cuidadosamente o bilhete de Tyler no bolso levantando-me.

Não consegui parar de ler esse bilhete desde a hora que o abri. E cada vez que leio, sinto uma pontada forte no peito, misturando a dor e a culpa em meu ser.

Abro a porta e vejo Rufus com Rogue e Koichi a me esperarem. Não deixo de ficar surpreso com a repentina aparição de Rufus aqui. Normalmente, pensei que Hector mandaria Toshiro ou Mana e não o memory maker.

— Surpreso? – Ele fala, adivinhando meus pensamentos:

— Muito mais assustado, Lohr. – Indago, permitindo-lhes a entrada.

Koichi mira as prateleiras cheias de livros do escritório. Ele repara na ordem exposta dos livros e mira confusamente a minha mesa. Nela, pergaminhos amarelados estavam abertos juntamente com livros novos e um bloco de notas recém usado e com tinta fresca. Desenhos sem sentido para ele estavam entre esses objetos assim como uma pena branca no tinteiro e um colar de Layla bem a vista de todos sobre a mesa com meu brinco ao lado.

Sento-me e observo os outros também se sentarem. Recoloco o meu brinco na orelha direita.

— É a primeira vez em anos que vejo você longe dessa coisa. – Koichi comenta e vi um brilho dissonante em seus olhos.

— De quem é esse colar? – Rufus pergunta e miro seus olhos mais intensamente do que jamais mirei:

Da minha irmã. – Minha voz sai sem emoção nenhuma.

— Como você...

— Se vieram para me interrogar sobre isso, por favor saiam. – Eu giro na cadeira, ficando de costas para os três e em seguida levantando, notando que havia esquecido um certo livro em especial.

— Sabe que não, Sting. – O mais novo dentre nós começa, enquanto eu sopro a poeira do livro contra a parede e o abro, folheando até a pagina que eu pretendia verificar algo.

— Então, vai mesmo nos ignorar? – Rogue intervém, notando como eu parecia distraído. Suspiro.

— Eu realmente tenho muito o que fazer. – Revelo, sem falar sobre o que tem me deixado tão atarefado.

Coloco o livro aberto na mesa, sentando-me novamente e mirando-os:

— Como Hector está?

— Ainda de cama, pelo que sei. Minerva foi para a guilda apenas para dar alguns instruções a mim e a Collins. Ela não o deixou sair da cama. Mas pelo menos ele escreveu isso a você, Sting. – Rufus começa, entregando-me um pequeno pergaminho de papel branco.

Pego o papel e o abro na frente deles, lendo a primeira linha e quase tendo um ataque do coração:

Você está sendo observado.”

— O que? – Rogue também lê e exclama estarrecido.

Alguém está te vigiando de perto. Eles são tão fortes não os sentimos.

E tenho certeza que é mais de uma pessoa. Uma dupla extremamente perigosa.

Paro de ler e recosto-me na cadeira, colocando as mãos no bolso onde o bilhete de Tyler estava.

Lucy não pode ficar grávida novamente, Sting”.

E isso é uma questão de vida ou morte, pelo menos para magos celestiais.

— Sting! – Rogue exclama, levantando a voz o bastante para que eu saia dos meus devaneios.

— O que?

— No que você estava pensando? – Rufus pergunta, curioso.

Eu os olho e sei que nunca conseguirei descrever a sensação de mal-estar que se apodera de mim nesse momento.

— Estou preocupado com todos. – Minto.

— Começaremos a fazer patrulhas e...

— De nada vai adiantar. – Koichi fala. – Eles não vão atacar de frente. – Seus olhos, antes sem vida, parecem ganhar o mesmo tom diabólico que os de Mizuki. – Não consigo ver, mas... Os alvos não estão definidos. Eles recuaram por hora.

— O que mais você vê?

— Um deles é extremamente poderoso. E o outro... Não sei... Sua magia é muito familiar, apesar de tudo.

— Familiar? – Contrapõe Rogue.

— Estranhamente familiar. – Koichi pende a cabeça para frente e segura-a com a mão, como se doesse. – Eles perceberam que eu os observava e... – Ele fecha os olhos por um momento e fica em silencio. – Eu estava quase descobrindo onde eles estão. Pelo menos vi que estão longe da cidade.

— Conseguiu algo mais?

— Nada. Não fui de grande ajuda, mas irei continuar tentando. – Ele informa.

— Não. Isso é o suficiente. – Confesso-lhe.

É tudo o que eu preciso.

Quando você souber que eles estão longe de você e de sua família, faça o que Daniel ordenar a você, Sting.

O destino da garota que amamos está em suas mãos.

Tyler

— O que? Sting! Está louco? – Rogue intervém, surpreso e abismado.

— É o que eu precisava saber. Agora sei que não preciso mais ficar tão alerta. Obrigado, Koichi. Realmente, obrigado. – Minha voz é suave e tem uma nota alegre. Os dois loiros se encaram antes de encararem o moreno, e por fim, olham-me acusadoramente.

— Sting, o que você vai fazer? – Eu rio, analisando a probabilidade de chances que eles teriam de que eu dissesse a verdade. O que, no caso, não é mais que um por cento.

— No momento, não importa. Mais importante é assegurar que nossos amigos estejam seguros no templo do dragão.

Rabisco um pedido de desculpas ao mestre por não ter ido visitá-lo ainda e, com palavras firmes, explico detalhadamente a nossa atual situação e imploro que ele seja sensato o bastante para precaver Munakata. Lester também deve ser avisa, mas com certa cautela nas palavras.

Por fim, digo que a situação está estável e que pretendo continuar escrevendo cartas a eles.

— Quer que a mandemos? – Koichi fala.

Assinto sem dizer nada.

Sinto um arrepio e no mesmo instante um livro cai da estante sobre a minha mesa. Ele está aberto numa página que nunca eu havia notado.

Era uma escrita antiga e que, com certeza, eu não conhecia. Nas primeiras linhas imaginei, por causa dos desenhos, uma citação de uma historia sobre Acnologia e depois, um tipo de poema.

Dos Dragões Gêmeos, apenas um seja o profano. – Li a frase sem saber como e olhei o Dragão Negro com receio.

O que aquilo queria dizer? A não ser que...

— Não posso continuar a ler. – Informo, assolado por memórias devastadoras.

— Sting? – O mago das memórias apenas me observa levantar e respirar fundo, enquanto a minha confusão mental parece mais doloroso no seu silencio.

A minha alma não precisava mais dessa lembrança.

Olhei Rogue e novamente vi-o pequeno e num segundo tive um flash de um momento que ele jamais poderá se lembrar. Meu estomago se revira. Não consigo deixar de pensar naquilo e isso me causa um mal estar tão profundo que tenho que me apoiar em uma das inúmeras estantes de livros do cômodo.

— O que houve? Você parece ter visto um fantasma. – Rogue fala tentando me ajudar e o afasto com a mão, quase ofegante.

Minha visão se torna ainda mais turva.

— Pelos deuses, o que está acontecendo com você, Sting? – Koichi é o único que consegue se aproximar para me ajudar quando caio de joelhos.

Agora tudo está turvo.

— Tranque a porta, Rogue, não iremos querer ser incomodados quando ele acordar. – Rufus fala e percebo que estou fechando os meus olhos aos poucos.

Não quero desmaiar.

Mas meu corpo não me obedece de maneira alguma. Quando percebo já estou no mundo negro e profundo dos sonhos.

Notas finais
Bem ninos, uma surpresinha.

Só neste capitulo atenderei e responderei TODA e QUALQUER duvida sobre SM até agora.

(Ã, qualquer uma que seja, não me importa) como presente pra vocês.

E também, está havendo um concurso, do qual sou jurada e queria que alguma de vocês participasse.

Aqui está o link.
http://animespirit.net.br/renatabraga15/jornal/1197437/concurso-de-fanfics-multicultural-fairy-tail

Kisses.

Amy â¥