Shatter Me
14 Estilhaço de Selvageria I
Notas iniciais
Sting:
Rogue é um exímio guerreiro, apesar do tempo que não luta de verdade.
Ele luta contra Laxus com imensa facilidade, desviando dos ataques e barrando os que podem atingir os não envolvidos.
Ele está testando seus poderes, não é?
Está apenas se divertindo com o loiro.
Então está na hora de eu intervir.
— Laxus! Rogue! Parem um segundo. — Peço e eles param no ato, sendo que o punho de Rogue para há milímetros do rosto do mago dos raios.
— O que foi, Sting?
— Vou tornar isso um pouco mais divertido. — Respondo, caminhando até Laxus. Ele estranha a minha postura, mas nada diz. — Eu vou transformá-lo numa Dragon Slayer da terceira geração, Laxus.
— E como fará isso?
Eu não fazia idéia, mas as palavras simplesmente saíram correndo da minha boca.
— Deixe-me ver...
Lembro de ter lido sobre o dragão dos raios.
Recordo-me também de como é a natureza verdadeira de Laxus e tento procurar a resposta em mim mesmo.
E ela chega calmamente, num leve bater de asas de borboletas.
— É isso. — Digo, vendo a pequena mariposa pousar perto do meu antebraço. Sorrio com a idéia estranha que tenho.
— Isso o que? — O loiro pergunta, depois olhando Mirajane, que também estranha.
— A natureza da sua magia é simples e delicada como essa mariposa Laxus, mas pode ser facilmente confundida com algo inofensivo. — A criatura em meu antebraço começa a desaparecer quando jogo-a no ar.
— O que vai fazer com Laxus? — Erza intervém e suspiro.
— Apenas isso. — Apenas dou um soco nele e este voa em direção as arvores.
Todos são pegos de surpresa, mas não sabem que é exatamente o que Laxus precisa. Ele precisa de ira.
— Você perdeu o juízo? — Nanami contrapõe ao mesmo tempo em que Rogue está de olhos arregalados e Lucy está com as mãos na boca.
— Ah, não. Eu acertei o Laxus sem querer. — Provoco e sinto a estática ao meu redor se tornar mais densa.
— O que está fazendo, Sting? — A minha noiva pergunta, confusa.
— Confie em mim, meu amor. Sei o que estou fazendo.
— Se você diz.
A estática está densa e tenho a leve impressão de que é apenas o começo dos poderil dele. Talvez eu deva fazer muito mais do que socá-lo para ter o efeito desejado.
— O que foi Laxus? Não consegue levantar por causa desse soquinho?
— Eu pararia se fosse você. — Lisanna adverte — Nunca viu Laxus com raiva.
— É exatamente o que eu quero.
Um raio passa numa velocidade impressionante contra mim. Bloqueie-o com uma das mãos e sinto que também anseio para lutar. Acho que está nos sangue de todos os dragões, essa ânsia por batalhas.
— Vai ter que fazer melhor que isso. — Revelo, estalando os dedos.
Vejo-o agora, coberto por uma furiosa camada de raios brilhantes e dourados. Lembro-me de como devo proceder a partir de agora e sorrio:
— Você não poderia lutar a serio nem com James com essa quantidade de magia. É tudo o que tem?
Outro raio e dessa vez, meus ouvidos zumbiram por causa dele.
Talvez seja a hora de usar um o presente de Daniel.
— Shion! — Um grande báculo de ouro aparece em minhas mãos e uso-o para barrar mais um dos raios de Laxus. — Vamos Laxus! É só isso ainda?
O outro rosna e seus poderes aumentam quase cinqüenta vezes mais.
— Talvez já seja à hora de fazer algo, não é? — Rogue intervém, impaciente.
— Tudo bem, tudo bem. — Desvio um dos raios de Laxus para a floresta e caminho em sua direção, sem o báculo e com os anéis quase pesados em meus dedos. — Thunder Blood. — Resoluto, esticando os meus dedos e colocando a palma da minha mão em cima do coração do mago da Fairy Tail. Uma onda de magia sai do meu corpo e vai para o dele, voltando da mesma maneira.
Laxus tosse e em segundos cai de joelhos, arfando.
— Pronto.
— O que você...
— Eu destruí o lacrima dentro de você, Laxus. E os poderes do dragão do trovão correm em suas veias. — Estendo a mão e ele se levanta. — Bem vindo à família, genuíno Dragão dos Raios.
Rogue sorri quando Laxus sai de perto de mim e fica frente a frente com ele:
— Agora podemos lutar? — Pergunta a mim, com a expressão nada feliz.
— Se quiserem.
Vejo Rogue acertar um chute forte perto do rosto de Laxus, sendo impedido pelo antebraço do loiro, que segura-o e tenta acertá-lo da mesma maneira.
O moreno desvia do chute, dando uma rasteira no adversário que, inesperadamente, pula e desvia com facilidade. Rogue dá um mortal para trás quando Laxus soca o chão e faz com que toda a terra ao nosso redor trema.
— Isso é que é uma luta entre dragões. — Alois diz, fascinado.
A velocidade de ambos agora é idêntica, mas a força bruta de seus punhos é diferente. Laxus concentra mais suas habilidades nos ataques físicos e sei que Rogue está se segurando, que tem mais truques na manga.
— Nenhum de vocês sabe usar magia não? — Atiço, notando o passo rude que ambos dão depois disso.
— Dark Dragon: Shadows Fusion! — De suas mãos vejo um redemoinho intenso de sombras negras e amarronzadas, sendo que eram densas e pesadas, catastróficas para ser usadas contra magos de magia branca.
Laxus avança quando o ataque está quase pronto para ser lançado. Com as mãos nuas, ele deixa que seu punho cheio de eletricidade vá de encontro com o centro do ataque.
A explosão não tardou a vir.
Cada um foi lançado numa direção, sendo que eu tive de conter as fagulhas perto da minha casa. Fiquei furioso com isso, mas notei o quanto éramos poderosos e que, acima de tudo, seriamos invencíveis juntos.
— Thunder Dragon Roar! — O loiro diz alvoroçado e lança seu rugido bem em cima de Rogue, que sem se mexer exclama:
— Dark Dragon: Ultimate Shadows. — As Sombras nascem da suas roupas e tomam forma, emergindo como um escudo contra os raios de Laxus naquele instante.
Faíscas voaram novamente e Rogue avançou, desviando da linha reta que o ataque fazia e ataca:
— Dark Dragon: Cage Shadows! — Fico surpreso, porque há tempos não vejo-o usar esse ataque.
Pensei que ele gostasse de usar essa técnica apenas em Gazille.
— Isso não funciona comigo! — O outro responde, soltando-se. E noto que Rogue premeditou isso porque vejo a sua postura calma:
— E quem disse que funcionaria? — Vejo seus olhos num tom profundo e onix. — Nightmare of Dragon. — Ele pega Laxus e fico surpreso em vê-lo utilizando uma ilusão.
O loiro fica parado estático e Rogue contrai os lábios, com os olhos fechados. Sinto o tanto de esforço que Rogue faz e também percebo que a técnica não está totalmente terminada.
— Ainda não está terminada. — Nanami diz, também percebendo o esforço do marido. — Acha que dará certo? — Olha-me curiosa, mas meneio a cabeça, sem saber.
— Ele deve ter descoberto isso há pouco tempo.
— Rogue é péssimo com ilusões. — Ela diz, cruzando os braços.
— Isso não é verdade. — Retruco, calmamente. — Rogue é um exímio ilusionista.
— Mas ele nunca...
— Porque o nível de alguém que consegue usar uma ilusão é diferente de quem consegue escapar de uma ilusão. Talvez ele só não soubesse como usar isso ainda.
A ilusão falha e quebra em pedaços na minha frente e vejo Laxus cair por terra, com Rogue ao seu lado. Ambos estão ofegantes e suados, respirando com muita dificuldade.
— O que foi isso? — Laxus pergunta.
— Um pesadelo. — O Cheney responde, virando de bruços. Ele se levanta com alguma tontura e ajuda Laxus a levantar-se. — Obrigado pela boa luta.
— Digo o mesmo.
— Alois, soube que você esteve lutando na minha ausência. — Começo, reparando no silencio que se estalara.
— Sim, eu aprendi a usar mais um pouco dos meus poderes.
— Posso ver?
— Se prometer não lutar comigo. — Reviro os olhos, suspirando.
— Ok. — Volto a minha forma normal, mas estou vestido com uma camisa social branca e uma calça negra.
— Ainda não consigo controlá-los.
— Seria estranho se soubesse.
— Então vai me ajudar?
— Que pai eu seria se não ajudasse? — Bagunço seus cabelos, fazendo-o sorrir. — Mostre-me.
— Não sei como fazer isso. É por impulso. — Confessa e olho a minha loira, que suspira.
— Parece que teremos de dar uma ajudinha, não é? — Ela diz, calmamente.
— Não um rei.
— Ah, de jeito nenhum. — Alois dá um olhar assustado há nos dois e simplesmente sorrio ainda mais. — Abra-te, portal do soberano do gelo, Peixes! — O cavaleiro do gelo aparece e cumprimenta Lucy, animado.
— Lucy-nee! Quanto tempo! Pensei que havia me esquecido.
— Sinto muito, Pix. Sabe como Tyler e Dan são possessivos.
— É. — Ele riu, olhando Alois. — Um deus?
— Sente o poder dele também?
— Quem não sentiria? É tão evidente que só falta a ele os louros dourados. — Alois fica envergonhado e sem jeito com isso.
— Obrigado por me reconhecer.
— Que nada irmão. — Pix diz, calmamente. — Você é da família.
— Porque o Pix? — Pergunta Hermione a Lucy, confusa.
— Ele é ligado a mim, mesmo sendo o que é. — Informa o espírito a garotinha, que assente depois de compreender.
— Eles terão de lutar? — Pergunta Wendy, ao lado de Natsu.
— Ah sim.
— Não pegue leve, Pix. — Falo, vendo-o assentir.
A luta começou rapidamente, com Alois voando sobre o espírito e o mesmo defendendo dos ataques com calmaria.
Trocando chutes e socos, ambos muito bem fisicamente.
Pix e Alois estavam se divertindo juntos, brincando de lutar.
— Se fosse para brincar de lutar eu mesmo teria feito isso, Pix. — Resmungo, notando como isso o muda.
— Snow Angel! — O loiro é congelado e toma a forma de um anjo com grandes e detalhadas asas.
— Apollo Song: Tension! — O gelo explode e vejo o God Slayer vestido de uma maneira diferente, com uma capa lateral branca e uma expressão nada animada.
— Agora as coisas ficam melhores. — Erza comenta.
Pix desvia do primeiro soco de Alois, mas mal consegue desviar do chute que vinha depois e é lançado contra as arvores. Este, com o cabelo cheio de folhas pequenas, levanta-se rapidamente, partindo furiosamente contra o deus a sua frente.
— Union Fusion: Dark Snow! — Pergunto-me como ele faz um union fusion sozinho, mas noto que as sobras dos ataques de Rogue ainda estão ao nosso redor. Foi realmente inteligente.
Todos estão vidrados na luta e aproveito esse tempo para me aproximar novamente de Lucy, que parecia contente com o desenvolvimento do nosso filho.
— Ele realmente cresceu de seis meses para cá, não é? — Ela fala, segurando meus braços em sua cintura.
— Sim.
Uma nova onda de poderes se chocando e dessa vez, Alois se saiu melhor. Vejo que ele ainda tem certo receio em usar seus poderes. Ele tem medo de machucar alguém e assim ele nunca vai se desenvolver totalmente.
— Vendo o pessoal lutar assim, até da vontade de lutar. — Mirajane diz e Lucy sorri, assentindo.
— Que tal um treininho, pessoal? — Pergunta ela, mirando Rogue e Nanami também abraçados como nós.
— Parece divertido. — O moreno completa, casualmente.
Aos poucos estávamos todos conversando sobre como treinar adequadamente.
Alois está sentado no chão e o espírito está de pé ao seu lado, rindo.
Acho que hoje vai ser um dia agradável aos olhos.
Ele se foi.
Nada fará o tempo voltar.
Stan:
O corpo jaz desacordado ante o meu.
Estou de pé, sangrando e ferido, terrivelmente fadigado.
Zeref está a minha frente, mirando o homem que estava ferido terminalmente.
— Ele foi um adversário digno, no final das contas. — Ele mexe no desacordado com o pé, como se o outro fosse um moribundo e que lhe passasse uma doença se fosse tocado normalmente.
— Me proporcionou uma boa luta. — Digo, cuspindo um pouco de sangue no chão. Metade da cidade havia sido destruída e a outra metade estava em chamas. Quase toda, se você levar em conta que o único prédio intacto era o que estávamos hospedados.
O homem, denominado Suzumme remexe-se desconfortável com a dor e me abaixo, analisando seus ferimentos. Ele era realmente forte, porque mesmo com o pulmão esquerdo perfurado não havia morrido.
Vejo-o segurar algo contra o peito e fico curioso.
Retiro a sua mão e vejo ali uma foto coberta por sangue. Na verdade, mais de uma.
Na foto manchada de sangue vejo o rosto sorridente do meu adversário abraçado com uma garotinha de cabelos negros e olhos meio arroxeados. Ao lado dela, um garoto loiro com um gato vermelho na cabeça, sorrindo de orelha a orelha e em seguida, ao lado deles, um garoto moreno com olhos rubis, que sorria timidamente, com um gatinho vestido de sapo em seu colo.
— Rogue... — Murmuro, tirando o sangue de seu rosto.
— N-Não... — Implora o homem. — N-Não v-v-vou dei-deixa-lo mach-chucar o-o Rogue... — Ele consegue se levantar agora, segurando-se em minha perna esticada.
Zeref mira-o descrente, com um sorriso estranho:
— Rogue? Quem é Rogue?
— Rogue é meu irmãozinho. — Ele, todo sujo de sangue e terra consegue se por de joelhos, com os olhos perdidos em uma determinação cega. — Prefiro morrer a...
— Então terá seu pedido concedido. — Zeref está a ponto de atravessar o coração do mago da Sabertooth quando grito:
— Pare!
O tatuado para de respirar por um segundo, notando que eu o havia salvado da morte.
— Dê-me a outra foto. — Ordeno e vejo como o mago negro olha-me furiosamente.
— O-O que?
— Eu mandei dar a outra foto de Rogue que está escondendo no bolso. Dê-me ela.
— N-Não irei. — E tosse sangue.
— Eu irei pegá-la. — Retiro a mão tremula dele e pego a foto.
Era mais recente do que a outra, em que meu irmão devia ter nove ou dez anos.
Aqui ele parecia ter treze anos, vestido como um rapaz normal, de jeans e tênis cano alto. Tinha um estilo meio depressivo, mas parecia engajado com situação. O meu adversário semi morto estava ao lado, com uma expressão divertida também. Ele estava com o braço esquerdo por sobre o ombro do meu irmão, que estava meio inclinado rindo.
Rogue parecia muito feliz.
— Escute... — Começo, vendo Zeref mirar-me desconfiadamente. — Como Rogue é?
— A-Acha mesmo que falarei para você?
Suspiro.
— Espero que você queime no inferno antes de pensar em machucar Rogue novamente. Ouse fazer isso e eu mesmo vou matá-lo. — Admira-me muito que ainda consiga falar, na verdade. O mago negro mira-me e assinto.
— Se você puder, mande esse recado para o lobo. — Reluta, divertidamente. — Diga que o fim dele está mais próximo do que ele imagina.
— Você não pode fazer nada contra Hector.
— Sou muito mais poderoso que ele. — O moreno diz e o semi-morto ri:
— Nos vemos no inferno então.
— Vou levá-lo onde alguém possa encontrá-lo. — Zef diz, percebendo que eu precisava ficar um tempo sozinho.
— Tudo bem.
— Dê-me as fotos, Radios.
Contrariado, olho-as novamente antes de entregá-las a ele.
— Vá para casa e descanse. — Pede o moreno, carregando o corpo sem a menor dificuldade. — Não vou demorar.
E por fim desaparece, levando consigo memórias profundas e vazias.
Tão fatalmente importantes para o homem que sangrava até a morte até poucos minutos.
Gray:
— Acha mesmo que é uma boa idéia ir para Fujima agora? — Gildarts fala, mas o mestre resmunga algo e ele se cala.
— Nem Mira nem Erza entraram em contato recentemente. — Jellal diz, calmamente.
— Acha que todos estão bem? — Romeo pergunta e olho-o com ternura.
Eu estava sentindo falta de Erza, Mira, Wendy e até mesmo do cabeça de fogo. A guilda tem estado mais quieta e todos sentimos com a ausência deles.
— Wendy deve estar sentindo sua falta, Romeo. — Digo e isso o faz corar.
— Vocês estão namorando? — Gildarts pergunta, piscando.
— O que? Não!
— Bem, talvez Laxus tenha espantado todo e qualquer rapazinho que tenha chegado perto dela. — Jellal brinca, com um sorriso divertido.
— Ou talvez não. Se intrometer na vida de uma garotinha não é coisa de homem. — Elfman contradiz.
— Laxus é um exemplo a se seguir. — E com isso, todos rimos.
Mas logo paramos, pois escutamos um gemido de dor.
— Quem será que fez isso? — O mais novo dentre nós pergunta e eu passo a olhar em toda e qualquer direção suspeita.
— Alguém consegue sentir algo? — O mestre pergunta e Gildarts caminha sozinho, floresta adentro.
Eu o acompanho depois de alguns segundos de hesitação, pronto para atacar quem quer que seja.
— Ah... Eu pensei que seria mais fácil eu morrer do que alguém me ajudar. Ainda mais um mago da Fairy Tail. Ou mesmo você, Gildarts. — Uma voz dolorida geme, ofegante e diferente.
— Nunca o vi dessa maneira. — Completa o SS, olhando o homem de pelo menos vinte e sete anos.
Ele estava sentado perto de uma arvore realmente a beira da morte de tão machucado.
— Nem... Eu... — Ele tosse e sangue sai da sua boca. Finalmente vejo o ferimento no lado esquerdo do seu peito e o sangue ao redor do seu corpo.
— Gray... Conseguiria fazê-lo parar de sangrar? — Pede-me, mas o desconhecido levanta a mão quando me aproximo.
— A única pessoa que poderia me salvar está morta. — Vejo-o sorrir. — Estou morrendo e sei disso. Gildarts poderia me faze um último favor?
O ruivo se inclina para frente, apoiando um dos joelhos ao lado do corpo, apenas para ouvi-lo sussurrar em seu ouvido. O homem tosse algumas vezes, mas consegue voltar a falar em seguida. Noto que ele começa a chorar no final e sinto uma estranha piedade tomar conta de mim.
— Faça isso por mim. — Ele mal consegue falar, quase engasgando com na sua saliva cheia de sangue. — Por favor, levem-me para minha casa.
— Onde é a sua casa? — Pergunto, sem ser rude.
— Meu lar é a Sabertooth.
Keith:
Às vezes a perda pode ser esquecida.
Pode ser camuflada por algo vão. Por uma nova decepção ou por um novo amor. Por uma nova musica e por um novo dia bonito.
Às vezes, a perda dói tanto que se torna difícil esquecê-la.
Perder um amigo, um amor, um parente.
Para um dragão a perda é quase inextinguível.
— Eu vi Rogue... — Começa Klaus, chorando. Inclino a minha cabeça para trás e consigo encostar-se à dele. Eu sabia exatamente como ele se sentia. — Doeu tanto... Tanto...
— Eu sei que doeu. — Completo, fechando os olhos e ignorando aquele dia radiante. De costas um para o outro, tentávamos parar de chorar, o que realmente é difícil.
— Eu revivi todas as minhas memórias com ele... Vi-o na minha frente desde o dia que o vi nascer. Eu queria... Queria dizer a verdade... Contar que sou seu pai biológico, apesar de tudo. Contar que a mãe dele jamais me perdoou por tê-los levado dela, que jamais a esqueci.
Realmente, Klaus é o pai de Rogue e Radios.
Lembro-me da historia como se fosse ontem.
“— Onde está Klaus? — Pergunto, caminhando até Nolan.
— Ele está na terra dos humanos.
— O que? Por quê?
— Acho que ele se apaixonou por uma humana.
— Klaus apaixonado? — Aloise ri e Nolan debocha, rindo também:
— Viu, é tão incrivelmente engraçado que mal da para acreditar.
— Sabe onde ele está? — Pergunto por fim, notando que Nolan perderia a paciência comigo em breve.
— Na costa.
Ajudou bastante.
— Obrigado. — Noto que Aloise mira-me, mas desapareço em seguida, para depois sentir contra a minha pele a brisa salgada e fresca do mar.
Começo a andar sem rumo, tentando sentir o poder dele, o que realmente não é difícil.
Depois de caminhar ininterruptamente por dez minutos sinto uma onda de poder abrasadora e sei que é dele. Então corro, sem saber o porquê de tal ato descontrolado.
Vejo Klaus sentado a frente de uma casa, com a expressão transtornada pela dor. Seus olhos perdem o brilho quando me avistam.
— Klaus! — Exclamo, correndo ainda mais quando o vejo levantar-se.
— O que está fazendo aqui? — Noto que ele está tentando proteger alguém, porque sua postura não é nada normal. Ele está tenso e exalando uma quantidade assustadora de magia.
— Vim procurá-lo.
— Por quê?
—Porque ando estranhando o seu comportamento. E, além disso, o mestre conversou comigo ontem.
— Uh?
— Ele disse que já está na hora dos nossos Dragões terem novos aprendizes novamente.
— Agora? — Estranho a sua expressão dolorida. O modo como seus olhos ficam da mesma cor me assusta.
— O que está escondendo de mim, Klaus?
— Eu? Nada.
— Não minta. — Sou rude e ele encolhe os ombros, nervoso. — Vamos, fale logo.
Mas antes que as palavras pudessem sair de sua boca, um choro estridente chega aos meus ouvidos e a conclusão automática atinge a minha consciência.
Ele não podia...
Afasto-o com a mão, visando entrar na casa quando sinto-o me puxar para trás, possessivamente. Caio sentado, mas não menos indignado, pois havia conseguido a minha resposta.
— Você não fez isso. — Resoluto contrariado.
— Cala a boca. — Ordena ele, corado.
— Sabe das conseqüências disso, não sabe?
— Eu mandei você ficar quieto.
— O mestre vai mandar matá-los. — Segredo, numa altura que ele consiga ouvir. — Mesmo sendo sangue do seu sangue.
— Não vou permitir isso. — Vejo a ira em seu olhar e noto como ela me é estranha. Klaus é o meu melhor amigo e apesar das nossas brigas, nunca o vi direcionar esse olhar a mim.
— Nenhum de nós pode descumprir ordens. — Sussurro, por minha vez.
— Não vou permitir que os mate. Amo-os. São minha família como você também é Keith. É como se matassem uma parte de mim.
Ele os ama.
Amor é um sentimento catastrófico para Dragões. Mata-os por dentro, queima sua alma e esmaga a sua sanidade. E eu nada pude fazer para impedir o meu irmão de sofrer.
— Posso conhecê-los pelo menos? — Insisto, fazendo-o suspirar.
— Não faça barulho. — Ordena contrariado e levanto-me, tirando a poeira da roupa. O choro cessou, mas posso escutar um leve ninar calmo vindo de dentro da casa. — O nome dela é Charlotti.
— Hum. — Entro na casa simples acompanhado dele. A primeira vista a casa parece desarrumada, mas percebo o qual organizada está. Vejo Muitas mamadeiras e toalhas, juntamente com pequenos brinquedos de pano delicados. — Onde eles estão?
— No quarto. Mas espere. — Ele me barra ali antes deu entrar. — Prometa-me que não falará nada sobre o nosso passado. Por favor...
— Tudo bem. — Ele não quer assustá-la.
Realmente a ama.
— Charlotti. — Chama ele, calmamente.
Entro no quarto e vejo uma mulher morena deitada numa cama de casal e ao lado dela dois bebes cobertos por mantas azuis. Estou tão surpreso que Klaus praticamente me puxa para perto deles e eu vou, chocado e obediente.
— Klaus... Quem é ele? — Sua voz é doce e bem baixa.
Noto que os bebês devem ter no máximo dias de vida.
— Ele é Keith.
— É aquele seu amigo que me falou?
— Sim. — Também vejo como ela o olha. Sempre com um carinho e uma ternura que desconfio que Klaus queira deixar.
Talvez isso seja bom para ele.
— É um prazer. — Consigo me pronunciar, sorrindo e sussurrando. O meu amigo se aproxima da cama e vai até os bebês, pegando um no colo. Este boceja e o pai sorri, entusiasmado.
— Venha vê-los, Keith. São dois meninos. — A felicidade dele me faz sentir-me culpado pelas minhas acusações do lado de fora.
— Ah, quanta sorte. — Congratulo, aproximando-me.
O bebê é pequeno e frágil, tão delicado quanto um ser com três quilos pode ser.
Ambos têm os cabelos negros e lisos de Klaus, mas noto que o que seguro tem os olhos rubis da mãe.
— É tão pequeno... — Murmurro, com o súbito medo de machucar a criança.
— É incrível que essa criança vai crescer e se tornar tão adulto quanto nos todos, não é?
— Assustador. — Revela Klaus, quase boquiaberto.
Sorrio ante ao choro estridente do outro ecoando pela sala e deixando o moreno confuso. Ele bufa da minha expressão.
— Como vai chamá-lo? — Pergunto, vendo o garotinho em seus braços se acalmar.
— Rogue.
— Apenas Rogue?
— Mas ele terá o meu sobrenome. Então, Rogue Cheney.
— É um nome forte, para uma criança forte. — Segredo, animando a ambos. ”
Sinto uma gota densa no meu rosto e levo a mão até o lugar, entre o olho e a bochecha esquerda.
Toco o lugar e sinto a consistência diferente em minha mão.
Água vermelha?
Água não...
Sangue...
Levanto-me e vejo Klaus adormecido a cair no chão de pedra prateada. Mais uma gota me atinge quando levanto-o sobre meus ombros e coloco-lhe deitado debaixo de uma arvore.
A chuva cai com mais intensidade agora.
Estico minha mão ali e sinto algumas gotas caírem novamente.
Chuva de sangue... Há quanto tempo não vejo isso, acho que desde que sou pequeno.
Os céus choram sangue e não mais água.
E com isso, a nostalgia se instala sobre meu corpo, desmerecendo a forte sensação de cansaço e depois de poucos segundos, nessa guerra silenciosa de sensações, acabo de perder a batalha contra o derradeiro inimigo.
Acabo de cair novamente na armadilha do sono.
Hector:
Algumas pessoas acreditam em maus presságios.
Normalmente, eu deveria ser o primeiro a crer. Mas ignoro terminantemente isso até que se torna inevitável.
Um dia antes da morte de Jiemma eu havia ferido gravemente meu olho direito. E na manhã da morte dele esse começou a derramar sangue e isso me causou muita dor. Dois dias depois o olho parou de sangrar e eu havia recebido um telegrama urgente de Sirene informando-me da morte do meu mestre.
Obviamente, eu deveria parar de ignorar os sinais.
Estou arrumando os antigos álbuns de fotografia da guilda. Fotos minhas, de Minerva e Suzumme; fotos de nós três juntos e dos membros inexperientes na época.
Estou vendo uma foto minha e de Suzumme antes dele ir para a missão Master. Vou tirar a foto do álbum quanto sinto-a rasgar em minhas mãos, cortando apenas Suzumme.
É um mal pressagio ignorado.
Tento pegar outra foto dele, uma dele com Minerva e ela também rasga, cortando, também novamente, o meu amigo apenas.
Mais fotos são rasgadas e isso me apavora.
Uma enxurrada de presságios malditos.
Escuto o barulho de vidro quebrando e saio, procurando-o. Entro na biblioteca e vejo Minerva recolhendo vidro de um quadro de prata com a foto dos classes SS da Sabertooth quando Jiemma ainda era vivo, comigo Minerva e Suzumme juntos e jovens, poderosamente embelezados pelo tempo.
Suzumme.
— Onde está Suzumme, Minerva?
— Não o vejo desde anteontem. — Diz-me e sinto um calafrio percorrer a minha espinha. Saio da sala a passos rápidos e, inevitavelmente, quando estou descendo as escadas vejo Guildarts e mais alguns membros da Fairy Tail entrando.
Um silêncio nada amistoso se estala. Então, eu paro na frente deles, surpreso por vê-los.
— Não pudemos fazer nada. — O mestre interino da Fairy Tail diz a mim e vejo o corpo de Suzumme sendo carregado por ele. Vejo-o sem reagir a qualquer movimento do mago e isso me deixa terrivelmente apavorado.
Gray Fullbuster ajuda-os a descê-lo e então se afastam quando me aproximo:
— Suzumme... — Ajoelho-me, rezando para que ele esteja bem. — Suzumme... — Me prendo a esperança vaga de que ele está brincando. De que quer me assustar de proposito. — Ei, não brinque assim comigo. — Repreendo, mas minha voz sai rouca e falha. Ele está coberto de sangue e areia, com as roupas rasgadas, manchadas, a pele fria. — Suzumme... Por favor... Não... Por favor... — Abraço-o, tremendo. — Suzumme... Não! — Exclamo baixinho, enterrando meu rosto em seu peito, curvando todo o meu corpo com isso. As lagrimas vem rapidamente e também, escuto os gemidos dos magos da guilda aparecerem.
— Não. Não. Não... — Enterro mais meu rosto em seu peito e sinto o gosto do sangue em meus labios.
— O que está havendo? — Minerva pergunta, assustada. Não me atrevo a levantar os olhos, mas limpo o sangue em meu rosto da melhor maneira que posso, manchando minha mão com o liquido carmim e misturando-o as lagrimas salgadas.
Minerva para e o seu silencio me apunha-la ferozmente.
Algo dentro de mim muda.
“— Traga-o de volta! — Ordena Kevinyn em minha mente.
— Sim. Eu o trarei.”
— Vou trazê-lo de volta. — Digo a mim mesmo, afastando-me o suficiente do corpo para fazê-lo. Makarov afasta os seus companheiros de perto de mim.
— Não! — A morena me barra, com a voz rouca.
— Não pode me impedir. — Resoluto, sinto o peso da minha magia se esvair de dentro de mim e um enorme circulo de magia surgir sobre a minha cabeça.
— Você sabe o que vai acontecer se fizer isso Hector! Pare! — Ordena Minerva, tão chocada que mal lembra-se que poderia tentar me parar com sua magia.
Ou melhor, ela se lembra.
— Perdoe-me. Mni̱meío tou máv̱rou mágou. — Meu corpo treme e sinto as letras cravadas sobre a minha pele. A dor se espalha profundamente pela minha carne e meus lábios soltam um grito tão aterrador que assusta a morena. Minha visão fica turva e meus olhos não tem foco, sendo que tremo compulsivamente e meu sangue parece ter virado acido. As sombras encostam suas caudas nas minhas pernas e mais uma exclamação de dor me atinge em cheio, causando uma aversão tenebrosa.
Grito ainda mais quando crescem e tomam meu corpo quase que por completo. Estou perdendo a sanidade. Perdendo o controle da dor.
Ela não é só na alma, agora também atinge meu corpo de maneira escabrosa.
— Você não pode... — Sussurra Minerva, com os olhos cheios de lagrimas de culpa. Estou com a cabeça deitada sobre o peito rasgado e ferido de Suzumme. Junto o ultimo resquicio de força de vontade que tenho e levanto meu tronco, conseguindo me sentar no chão.
— É inútil. — Sussurro, sentindo as minhas mãos já em carne viva por causa do ataque e dos ferimentos causados pelo inicio da minha magia.
— Você não pode fazer isso, Hector. — Mizuki diz e sinto meu corpo ficar pesado, parando de obedecer-me. O maldito está me controlando. — Não há mais o que fazer. Suzumme morreu, apenas... Não torne as coisas piores do que já estão. — Ele chorava, muito. Olho ao meu redor e percebo que a unica pessoa, além dos magos da Fairy Tail, que não chorava era Minerva.
Sei que estou sendo mimado, mas Suzumme era meu melhor amigo. Um dos últimos resquícios da minha antiga família.
Quando finalmente estou tentado a desistir de tudo, sinto uma fisgada avassaladora em meu pescoço e caio bruscamente sobre o peito do moreno morto. Mal consigo respirar e a dor se alastra não só pelo lado esquerdo, onde estava a marca, mas também agora pelo direito e isso era alucinante.
Uma dor tão alucinante que sinto minhas mãos sangrarem apenas no mínimo pensamento de reviver Suzumme. Trazer o tempo dele aqui conosco de volta.
Não posso perder o controle... Não com todos eles aqui...
— Hector... — Minerva sussurra e rasgo a carne do meu pescoço, tentando fazer a queimação parar. Não adianta. — O que...
Mordo os lábios, chorando por mim e por Suzumme.
— Pare! Está louco? — Rufus diz, chocado.
Rasgo a pele do meu pescoço novamente e o sangue escorre com mais intensidade pelas minhas costas e peito. Agora num fluxo triste e assustadoramente continuo.
— Afastem-se. — Consigo resmungar, entre gemidos e golfadas de ar subitas. Mal posso controlar os meus poderes agora.
Estou perdendo o controle de mim mesmo.
— O que está acontecendo aqui? — Makarov exalta-se, confusamente abismado.
— Não posso perder o controle... Não posso perder o controle... — Repito, fechando os olhos e apertando os labios. — Não posso... Não posso...
“— John. — Chamo e vejo-o aparecer em minha frente. — Não posso... Não posso perder o controle...
— Você não vai. — Kevinyn completa. — A maldição está liberta Hector, mas você precisa ter o controle dela, pelo menos, agora. Controle-a como você sempre fez.”
— Tic toc. — Escuto uma voz sussurrar em minha mente. — Tic toc. — A repetição faz meus sentidos se aguçarem ao extremo, mas ignoro isso e sinto o som dentro de mim.
Um relógio...
Segundos de calma, apesar da dor.
— É melhor fazermos algo. — Alguém diz e não reconheço a voz. Estou deitado novamente, mas agora lado a lado com meu melhor amigo. Ambos sujos de sangue e terrivelmente feridos, mas apenas eu respiro.
— Isso é um problema da nossa guilda e nos resolveremos isso. — Escuto a voz de Kuro dessa vez. Por sua vez ele tenta se aproximar, mas Minerva o afasta:
— Você sabe as conseqüências de chegar perto dele agora, não sabe? — Ela diz, quando sinto a dor dos rasgos do pescoço ser maiores que até mesmo as dores provocadas pela maldição. Mas ainda não supera a dor de perder Suzumme. Ainda não.
Coloco a mão no pescoço, tentando estancar o sangue que escorre.
— Sabe que Shiro pode ajudar, não é? — O rei negro insiste, cautelosamente. — Pode fazer você sentir menos dor.
— Essa dor não vai passar. — Respondo, num murmúrio sem vida e incrédulo. Um novo rastro de lagrimas escorre lateralmente pelo meu rosto.
Os minutos passam e consigo, finalmente, me por sentado. Miro os magos da guilda estão chorando nesse momento. Faço um esforço maior para poder ficar de pé.
Eu não consigo ficar totalmente em pé. Cambaleio de um lado para outro, os pés fracos e a consciência também. Mas então, sinto as dores da maldição voltarem e respiro fundo, fazendo um ultimo esforço desesperado de falar:
— Rufus... Poderia organizar o enterro de Suzumme? — Pergunto e vejo-o serio, limpando as lágrimas de Yukino com um lenço.
— Vá descansar Hector. — Responde-me.
Começo a caminhar em direção as escadas e vejo todos se afastarem um passo. Continuo apertando os cortes em meu pescoço com minha direita, mas o sangue ainda flui e eu estou ficando mais fraco a cada segundo.
A maldição está se tornando mais forte agora.
Deixando um rastro de sangue subo as escadas, cambaleando nos ultimos degraus e consigo me dirigir até a minha sala, onde, depois que consigo entrar e fechar a porta, caio sentado quase agonizando.
As dores são cada vez mais fortes.
— Se isso continuar assim morrerei antes do enterro... — Sussurro a mim mesmo, na esperança de reanimar meu ser.
Estou ainda sentado quando sinto a minha pele repuxar e começar a se regenerar. Os músculos são os primeiros a se formarem, seguidos dos tendões e depois da minha pele alva. A queimação surge no segundo depois que a pele está totalmente regenerada.
A marca parece ter crescido.
— Livre-me desse sofrimento. — Sussurro a alma de Suzumme, que vaga em direção à alvorada do paraíso.
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