Shatter Me
24 Estilhaço de Inocência Acometida
Notas iniciais
Lucy:
—Porque Sting está tão estranho? — Aoi pergunta e sinto Rogue se retesar em seu lugar, a minha frente. Sopro o chá quente e olho-a com ternura:
—Ele está cansado e magoado, como os meninos também. É normal que queiram se resolver sozinhos.
Nanami encara a ligação entre a cozinha e a sala:
—James não parece bem o bastante para conversar com Sting.
—Talvez ele seja o único que vai ajuda-lo, Nana. — O moreno convenceu-a, calmamente. O chá, de repente, perdeu todo o gosto doce e deu lugar a um terrível amargor em meus lábios.
Sting era uma das melhores coisas que já havia me acontecido, porém acredito que todos regrediram anos por causa dos incidentes.
—Lu-chan?
—Lucy-nee? — Chamou Aoi por sua vez e senti minha mente estalar e dar atenção a ela.
—Ah?
—Você estava sonhando acordada, novamente. — Comentou o moreno, com um sorriso. — Agora entendo porque você e o loiro se dão tão bem. Feitos um para o outro.
Escutei uma risada gostosa vindo do final do corredor e assim que virei pude ver Sting aproximar-se, com uma galante alegria:
—Acho que estou novamente inclinado a concordar com Rogue. — Suspirou, sentando-se ao meu lado. Roubou a minha xicara e depois do primeiro gole reclamou. — Eca! Que coisa amarga!
Ri disso e senti-o beijar a minha cabeça, antes de me carregar para a sala e dizer aos que permaneciam sentados:
—Aproveitem o seu chá amargo. — E levou-me para o sofá onde me sentou em seu colo, novamente. — As crianças estão se tornando adultas e nós... O que somos?
—Quase casados? — Indago e isso o faz sorrir.
—Seria muito improprio discutir o casamento depois de tanta imaturidade minha.
Rio suavemente disso:
—O que aconteceu? Você não parece normal.
—Reparei algo irreparável, meu amor. — E riu, alegremente, sincero. — Sinto-me tão bem.
—Bem o bastante para treinar comigo? — Sugiro e ele observa-me com dúvida e conhecimento, previsão e sentimento.
—Te proíbo de usar as chaves dos reis.
—Tudo bem. Estamos de acordo. — Concluo levantando e isso faz com que seus olhos azuis faísquem. — Vamos ver se você é tão bom assim.
James:
—Qual é a sua estratégia? — Pergunto, logo depois do loiro sair silenciosamente da sala. Alois estava em seu estado normal.
—Apolo pode curar e reparar qualquer coisa que eu queira. — Respondeu-me, com solene confiança. — Mas ambos teremos de pagar o preço que meu pai falou.
—E qual seria ele?
—Vai ser como se fossemos um mesmo ser, com as memorias e sonhos compartilhados. Então, se eu sentir dor, você sentirá e vice-versa. Seremos como os dragões gêmeos.
—E isso é ruim por que...?
Vi-o corar:
—Pensei que me odiasse. — Sussurrou, com lagrimas nos olhos novamente.
—Olha, sinto muito pela maneira que agi. Estava com inveja de você, porque você estava feliz. Invejei o seu ser e fui egoísta, sem me importar com os seus sentimentos. — Confesso, igualmente emocionado. — Você pode me perdoar, irmão? — Vi-o assentir, sorridente:
—E depois que eu revelar as suas memorias, o que vai acontecer? O que você fará?
—Não sei. — Remexi as mãos sobre as pernas e senti a mão dele juntar-se as minhas, dando-me apoio.
—Então decidiremos juntos.
Alois:
James não parecia temer nada e era isso que mais me assustava na situação. E se víssemos algo que não gostaríamos?
—Não fique com medo. — O moreno assegurou. — Eu desejo saber disso. Quero saber porque meu próprio pai quis apagar as minhas memorias.
—Jay...
—Não pode ficar pior do que está, Alois. Nós não temos tempo cara, aqueles que querem machucar nossa família já estão se preparando enquanto nós perdemos tempo. Precisamos disso para salvar nossos irmãozinhos. — A emoção me fez decidir. Era hora de usar os meus poderes.
Apolo, aquilo que você usou em Toshiro é fraco demais não é?
Sim. E o que você vai fazer vai pedir muito mais de nós dois do que você imagina.
É meu irmão que sofre.
Nunca disse que não íamos fazer, disse?
—Bem, acha que consegue obedecer incondicionalmente Apolo? — Pergunto ao moreno, sentindo o deus dentro de mim resmungar rindo.
—Sim, eu tentarei.
O deus em forma de criança assumiu o meu lugar:
—Olá, jovem Hades. Há muito tempo não nos vemos. — Comentou sorrindo, assisti ao moreno se remexer inquieto.
—Igualmente.
—Vou fazer duas coisas com você antes de desbloquear a sua mente. Preciso que confie em mim e que aguente a dor.
—Você é parte Alois e por isso, já confio em você. E quanto a dor, isso não pode me assustar mais.
—Essa é a atitude de um deus, rapaz. — E segurou no ombro dele, enquanto sorria. — Sente-se, iremos começar.
Alois, preciso que recite cada palavra. Quando entrarmos na mente dele não se separe dele, não importa o que aconteça. Segure sua mão e assistam juntos toda a historia escondida. Estamos entendidos?
Sim.
James estava sentado e seus olhos negros estavam fixos em qualquer mínimo movimento que fazíamos. Ele sabia que conversávamos sem que ele ouvisse.
—Tire a jaqueta e a blusa, pois isso só vai piorar o procedimento.
Observei as memorias de Apolo formarem o procedimento e receei por ele.
Farei o que puder, você sabe.
—Eu vou desligar o seu sistema nervoso central para poder entrar na sua alma, porque é lá que estão bloqueadas as suas memorias.
—Ele pode ser religado?
—Se você for capaz de sair das memorias sim, senão nós três ficaremos presos ali para sempre.
—Então não preciso me preocupar. — Riu.
—Boa sorte. — E colocou a mão sobre a nuca de James, deixando que a nossa magia fluísse por todo o corpo dele. James se retesou no começo, mas depois ficou parado, estático.
Um segundo depois não estávamos mais no escritório e eu, Apolo e James estávamos juntos, de mãos dadas uns com os outros. Apolo parecia ter quatro anos e James estava vestido como ele, deuses gregos autênticos.
—Agora vou retirar o lacre. — Informou. — Fiquem juntos.
—Está bem. — E assim que ia fazer a sua magia parou e olhou-me com um misto de dor e piedade:
—Alois... Quando eu desfizer isso, eu ficarei preso em você. — Fiquei chocado, mas ele continuou. — Não me importo. Ainda somos um, não importa o que aconteça e você, James Cheney, trate de cuidar dele por mim.
—Pode deixar, mestre. — Respondeu o moreno, fazendo uma vênia.
—Muito bem. Ai vamos nós! — E fomos jogados num turbilhão de brilho dourado e azul.
James:
Quando caímos, escutei algo gemer do meu lado. Sua cabeça estava deitada na minha panturrilha e seus cabelos loiros, mais claros que antes, estavam esparramados por toda ela. O céu das minhas memorias era, novamente, azul.
—Vamos levante-se. — Disse ao dolorido.
Ele assim o fez e vi o azul de seus olhos desaparecer completamente. Vermelhos eles estavam, irritados pelas lagrimas que choraria e que guardava. Doía, claro que doía, mas não havia nada a ser feito. O seu preço havia sigo pago, sendo aquelas lagrimas consequências dele, e o meu ainda está por vir. E meu medo estava ali também.
—Para onde iremos? — Perguntou, engolindo soluços. Remexi os meus cabelos, cheios de grama e olhei-o. Estávamos num campo aberto, com muitas arvores envolta.
—Não sei. — Suspirei. — Consegue sentir alguma coisa?
—Na verdade, sim. — Ele pareceu ficar muito mais serio que o normal. Levanto calmamente e vejo-o fazer o mesmo, pois estávamos ambos sérios demais. — É por aqui.
Caminhamos em silêncio por alguns minutos antes de eu perceber o qual familiar era aquela floresta. O verde das arvores e o vento fresco que soprava nas folhas, num formato de pétalas de flor.
—É familiar? — Suspira o loiro.
—Sim. Muito mais do que eu esperava.
Escuto vozes e olho meu parceiro, que assente antes de corrermos. Por entre as arvores vejo-me com dois anos. Os cabelos negros e finos escovados para trás e os olhos vermelhos grandes e brilhantes. Vejo apreensão neles, por breves instantes.
—Bernard! — Chamou minha mãe e virei-me para ela. Os cabelos na cor de mel presos brilhavam quase dourados no sol, naquele dia perfeitamente límpido. — Por Deus, Zef! Quase me matou do coração!
Por fim conseguimos nos aproximar o bastante para vê-lo e apavorei-me por causa da familiaridade de sua presença.
Era um tanto mais alto que eu, com os mesmos cabelos negros que eu, escorridos pelos ombros. Os olhos ora negros ora avermelhados detinham um brilho fantasmagoricamente carregado, mas isso se suavizava em seu rosto jovem e delicado. Até seu porte aparentava pouca rigidez.
—É ele? — Alois pergunta com um notável tom surpreso.
—Sim.
Então percebi, emudecido, o porquê de Sting Eucliffe querer tanto que entrássemos em minha mente. As respostas estavam ali! Agora eu via e tudo me deixava perfeitamente surpreso e descrente, compreendendo o que estava escondido por segredos.
Continuamos a ver a cena.
Meu pai trazia em seu colo um rapaz de, pelo menos, sete anos. Seus cabelos eram totalmente ilógicos, uma metade negra e a outra metade branca, desde a raiz. Seu corpo estava ferido e ele estava, total e completamente, inconsciente.
—Precisamos cuidar dele, Marie.
—Por quê?
—Eu sinto que precisamos. — Ponderou. — Estava caído perto do lago. Olhe seu estado! Precisamos cuidar dele.
Ela pareceu pensar, comigo no colo:
—Traga-o para dentro.
As memorias ficaram escuras por um momento e virei-me para Alois, atordoado:
—Lembra-se do ataque de Levy? Em que eu retirei uma magia negra dela e ambos sabíamos que era familiar, eu muito mais que você?
—Sim. Mas o que isso tem a ver com suas memorias?
—É a mesma sensação que estou tendo agora. A mesma. Como se... Fosse a mesma magia.
—Jay, isso é impossível. Reconhecemos aquela magia porque é do feiticeiro perdido, que deixou resquícios dela nos livros que estudamos. Não podem ser do seu pai!
—E se meu pai fosse o feiticeiro? O deus do templo de Hades?
—Do que está falando?
—Não tenho certeza ainda, mas... Ele não me parece uma pessoa boa.
—Acho que precisaremos ir mais fundo para saber se isso é verdade e espero que não seja.
Sting:
Devia fazer exatamente três graus negativos fora de casa. Logo na primeira baforada do vento senti meus pelos eriçarem-se sem permissão.
Notei como a maga celestial parecia confiante e divertida com algo e perguntei-me o quanto de seus espíritos nela havia.
—Ok, o que faremos? — Pergunto parando perto da janela da cozinha.
—Quero testar algumas técnicas com o meu noivo, como nos velhos tempos.
Sorrio a isso:
—Claro.
Vejo um circulo de magia surgir afrente dela, dourado e magicamente forte, reduzindo a tensão da temperatura ao nosso redor.
—Acho que finalmente consigo me equiparar a vocês todos da guilda. — E sorriu quando um espírito atravessou o portal andando, com a capa balançando ao seu redor. O homem loiro que surgiu, com seus perfeitos olhos azuis translúcidos e seu porte eclético assustou-me. Seu brinco prata e esverdeado balançava no vento, sem que ele se importasse e sobe seu olho esquerdo um pequeno corte surgia, como uma cicatriz esbranquiçada. Era a minha perfeita imagem. — Apresento-lhe: O 13° espirito do zodíaco.
—Como é? — Exclamo estupefato e vejo a expressão deste mudar. Ele levanta os braços e mostra-me cada um dos símbolos do zodíaco, como tatuagens bem feitas por alguém. Então compreendo o que Lucy fez e me arrependo de ter consentido. — Não vai me forçar a isso vai?
—Seria decepcionante senão fizesse. — Respondeu ela com um sorriso doce.
—Alma das almas, dê-me a sabedoria de usar bem seus poderes. — Murmuro, cobrindo meu corpo com a derradeira armadura celeste. — Nada de destruir o quintal. — Aviso-a.
—Claro. Entendeu, 13°? — Ele vira-se para ela e sorri, como se aquilo não estivesse nos planos iniciais. — É só... — Continuou ela a convencê-lo. — Não ir com tudo.
Franzi o cenho.
Ele definitivamente não conhecia seus limites, já decidirá lutar contra mim.
—Vamos lá. — Digo suavemente, sorrindo. — Vamos ver se ele realmente faz jus a minha imagem.
Lucy:
Não há como saber os seus poderes, senão com o mais forte do mundo.
—Não precisa se preocupar comigo. — Falei aos dois ao mesmo tempo, tentando, com o tom pessoal, amenizar o estrago da luta em si.
O borrão azul e dourado de Sting atingiu o espírito mutante e logo senti a onda de poder estremecer a barreira do som. Como se o violino colidisse com o violoncelo, mas o que me pegou desprevenida foi a metamorfose do meu espírito, mudando para alguém que nunca havia visto na vida e que, só a sua simples presença, fez Sting se afastar.
—Weisslogia? — Murmurou ele e ao sorriso do 13° decidi que havia mesmo sido uma má ideia.
Sting:
É como se um idiota cantarolasse as musicas que Weisslogia nos ninava no momento em que percebi que os havia perdido: É o que sinto. Esse desespero que deixa de ser carnal e moral, fez-me odiar esse espirito logo de primeira.
—Fazer isso é algo imaturo. — Digo-lhe, depois do choque.
—Ora, sinto se lhe ofendi, nobre rei. — Disse a voz aveludada e cordial do espirito. Os seus lábios se entreabriram num sorriso tímido, incerto. — Mas não entendo completamente meu corpo ou porque estou agindo assim. E nem sei qual é a minha verdadeira forma.
—Então está tentando se descobrir?
—Exatamente. — Confirmou timidamente, com as bochechas coradas. Seus olhos azuis claros mudaram de direção e fixaram-se na loira, que sorria.
—Não seria mais fácil você se imaginar de uma maneira que goste? Como você gostaria de ser? — Ele fecha os olhos e vejo a transformação ocorrer vagarosamente. Os cabelos ficaram longos e escuros, levemente ondulados. A pele tinha dois tons mais escuros, o que destacou a sua aparência suave e jovem. Usava um sobretudo creme e um lenço vermelho no pescoço, com uma calça negra e uma blusa da mesma cor.
Assim que seus olhos se abriram vi a cor negra que os banhava. Nunca havia visto olhos mais escuros ou profundos, que refletissem a imensidão de um universo pequeno compactado daquele jeito.
—Qual o seu nome? — Perguntou Lucy, destemidamente, tocando-o no ombro. Ele se virou para ela calmamente e sorriu, genuinamente.
—Neah. — Murmurou em seu ouvido, mas foi alto o bastante para que eu o escutasse. — É um prazer servi-la perfeitamente, mestra.
—E é um prazer por ti ser servida. — Cumprimentou ela, dando-lhe um beijo na testa. Suas bochechas coraram com isso.
—Então é ele quem devo derrotar. — Falou a ela, virando-se para mim.
—Quem você tentará derrotar. — Corrijo.
—Isso é o que vamos ver. — Neah responde, fazendo da neve aparecer uma espada. A lamina brilhou com vontade de ser usada.
Dei um passo para trás assim que senti a espada cortar o ar ao meu redor, quebrando os micros flocos de gelo que caiam. Peguei a minha Akuma e virei-me para ele, lembrando que nenhum de nós tinha muita experiência no combate armado.
A espada de aço negro rasgou o chão enquanto eu avançava em sua direção e o choque delas fez a força se estender por todo o meu braço, machucando os jovens nervos. Impulsionei minha magia pelo cabo e pelo metal, como Rogue e vi sua expressão surpresa quando as chamas negras dançaram por sua pele. Seu gládio de gelo caiu despedaçado no chão enquanto seus olhos pareciam se revirar pela dor e pela impotência e vi a sombra da irritabilidade naquele seu olhar cortado.
— Terceira gravidade. — Suspirou contra mim e logo senti meu corpo começar a se arrastar para o chão, a pressão de estar sendo puxado para um buraco sem volta. Mal conseguia levantar a cabeça.
Se isso continuar, meus ossos vão ser triturados.
Senti a espada das minhas costas replicar, como em vida, mas fiz o que tinha em mente mesmo assim.
—O dragão do céu mostre sua face. — Murmuro a mim mesmo, sentindo a gravidade perder seu efeito rapidamente. A face do espírito se franziu:
—Como fez isso? — Resmungou com a mão num cajado de gelo.
—Não é algo que se responda rapidamente. — Objeto, limpando a neve da armadura. — São truques que aprendi agora.
—Ah é? — Satirizou ele, com duvida.
Estalei os dedos e a eletricidade crepitou deles, fazendo barulho.
—São poderes novos. — Comentei.
—Parecem ser interessantes, mas não acredito que consiga me vencer.
—Ainda não?
—Não. — E veio até mim.
Num primeiro momento não entendi o que ele faria e quando o fiz era tarde demais. O poder de Regulus brilhou e ofuscou minha visão e tive tempo apenas de proteger-me com uma barreira de vento.
A explosão ecoava em meus ouvidos quando senti meus pés começarem a congelar. O gelo entrava nas pequenas frestas da armadura e me impediam de me mover.
Senti a flecha vir antes de vê-la. Seu som no ar era aterrador e não tinha como desviar.
—Dê-me sua força, ô meu inimigo. — Cantarolo em minha mente. O gelo chia quando as chamas tomam o meu corpo, fervilhando a armadura agora negra. Consigo mover-me e pegar a flecha, incinerando-a com o fogo azulado. Ele veio até mim no mano a mano e desviei de cada golpe com calma, notando como meu corpo sentia-o de maneira diferente. Diferente de antes, o calor de seu corpo era o que mais me chamava à atenção, muito mais que a percepção do som com os poderes do dragão do céu.
Desviei de um soco cheio do poder de Regulus e coloquei a palma da minha mão suavemente em seu peito, numa fração de segundos:
—Fire Dragon: Sintesmec*. — Os olhos negros dele ficaram arregalados e num primeiro momento vi-o gritar. As chamas se espalharam pelas suas roupas e por seu corpo e mesmo a neve não pode apaga-la.
—Genesis: Unbroken. — Exclamou ele e toda minha técnica desapareceu. O moreno suspira em alivio definitivo. — Pelos reis celestiais! Pensei que não pudesse usar fogo.
—Sou o rei dos dragon slayers. — Admito — Posso usar todos os poderes deles. Usa-los sem pedir, por assim dizer.
—É fantástico. — Aprova, com um sorriso. — Quais outros truques você ainda tem?
Sorrio, desconfiado:
—Não sei.
O desdém o atinge:
—Então terei de descobrir da pior maneira, creio.
Avanço sobre ele, desfazendo-me da armadura enegrecida e com as chamas nas mãos tento acerta-lo. Um martelo gigante de gelo surge em sua mão e ele acerta-me, quando a minha sucessão de golpes ficou previsível. Onde a arma me acertou, peito e tórax, ficou imediatamente congelado e meu pulmão doeu ao tentar mandar ar ao meu corpo.
Cai de joelhos, arfando. Tentei incendiar a minha magia e nada acontece, fazendo-me compreender que a sucessão de magia era superficial ainda e que só os meus verdadeiros poderes poderiam me salvar. Neah vinha até mim, acreditando que aquilo era encenação e fechei os olhos, sentindo o seu calor cada vez mais perto. Perto e perto.
Weisslogia, ajuda-me.
—Perfect Roar — Sussurrei e um escudo de poder surgiu ante o espírito, absorvendo meu ataque. Enquanto ele absorve o ataque, disparo outro, de força oposta que vai até ele vagarosamente, como um míssil teleguiado.
Assim que o atingiu, parei todos os meus ataques, vendo-o cambalear e ajoelhar-se na neve, muito ferido. Seus olhos negros faiscaram antes que ele tossisse sangue na neve:
—Não queria ter de fazer isso. — Confirmou o moreno, despindo o sobretudo e sentando-se no chão gélido. — Realmente não desejava. Mas se preciso derrota-lo para mostrar meu valor, assim será feito.
—Do que está falando? — Pergunto, confuso.
Uma onda de poder desestabilizou o tempo suave que se instalara na luta. O vento cortante uivava nas minhas roupas normais e meus ouvidos piavam por causa disso. A neve subiu em turbilhão ao seu redor e seu grito histérico foi alto o bastante para me fazer cair de joelhos e tentar tapar meus ouvidos com toda a força que tinha, o que ainda não parou o som aterrador.
Quando tudo ficou quieto, era possível vê-lo. Sua blusa negra estava rasgada no ombro, sem parte dele e sua calça, rasgada do joelho para baixo. Sua pele estava mais escura que antes, como se ele tivesse ficado no sol por dez dias inteiros, acinzentada. Cravado em sua testa, todos os símbolos do zodíaco e cada símbolo derramava sangue negro sobre seus olhos. Seus olhos, de fundo negro e íris transparente.
—Neah?
—Olá. — Sua voz sai sensual e densa. Suave, mas feroz.
— O que é isso?
—Isso? — Olhou-se, embasbacado. — Uma outra parte de mim, acho.
—Acha? — Faço Akuma aparecer em minhas mãos novamente e caminho até ele. Vejo-o virar-se para a direção contraria e entendo o porque quando me viro. Lucy está desmaiada na neve, sendo açoitada por ela. — O que...?
—Fui eu, obviamente. Trouxe Lucy para lutar comigo. — Respondeu ele, tocando os símbolos na testa. — É ela que me deixa poderoso. Mas não se preocupe, pois apenas a sua presença me fortalece o bastante para vencê-lo. — E apareceu ao lado dela, tomando-a nos braços e tirando de seus cabelos dourados a neve branca semi-derretida.
—Liberte-a. — Ordeno.
Seu sorriso dócil denuncia Lucy:
—Mesmo que eu quisesse, ela não deixaria, uma vez unida.
—Então vou ter de acorda-la a força... — Deixo os raios amarelados escorrerem da espada para o chão, demonstrando que poderia machuca-lo muito, sem que ferisse minha amada.
Mas nada disso foi necessário, pois logo quando ia avançar em sua direção um barulho desviou minha atenção. Logo vi James espreitar e sair pela porta:
—Podemos conversar uns minutinhos, tio Sting? — Pediu e não neguei depois de ver sua bochecha vermelha e seus olhos cheios de lagrimas.
Alois:
Minha bochecha estapeada estava ardendo e possivelmente vermelha. Olhei novamente para ela, a perfeita imagem da beleza. As belíssimas pedras esverdeadas estavam cobertas por uma brilhante camada de água salgada, que se libertavam de seus olhos e escorriam na bochecha corada. Os lábios vermelhos por estarem sendo mordidos tornavam a face terminantemente angelical.
—Hermione. — Sussurro, vendo-a soluçar.
—Como pode deixa-lo ir! — Resmunga ela sentada no sofá, com as mãos cobrindo seu rosto divino.
—É a decisão dele. — Digo, colocando a mão em seus joelhos. Ela mira-me descrente, injuriada. — Então não há nada que eu possa fazer.
Seus cabelos ruivos desarrumados balançaram, enquanto ela negava:
—É o melhor amigo dele.
—E também seu irmão. — Confesso. — Mas é a vida dele de que estamos falando e é esse tipo de coisa que ele odeia.
Ela se jogou em meus braços, soluçando ainda mais. Suspirando, beijei os seus cabelos, e tentei faze-la parar. Ao mesmo tempo, James abria a porta e entrava em casa com meu pai e minha mãe, que estava sendo carregada por ele:
—Alois, tudo bem? — Foi o que ela perguntou e eu assenti. Hermione estava com o rosto enterrado em meu ombro.
—Vou subir com ela, não precisam se preocupar. — Respondo pegando a ruiva em meus braços solenemente e indo em direção meu quarto. Eu a deito na cama e sento-me ao seu lado. — Mione... Não fique assim. Jay vai voltar, tenho certeza.
—Como pode ter tanta certeza com esse mundo estranho lá fora?
—Eu confio no meu irmão. — Confesso, solenemente. Limpo as lagrimas cristalinas que ali se estalaram e beijo seus olhos, acalmando-a finalmente.
—Desculpe. — Murmurou ela, envergonhada.
—Tudo bem. — Deixo meus dedos dançarem pela sua pele macia e me vejo desejando seus lábios e o seu ardor.
Inclinei-me para os seus lábios e os beijei suavemente, necessitando de um ato de carinho depois de tudo que havia visto nas memorias de James.
Quero poder esquecer, mas é impossível.
Talvez seja por isso que James não consegue olhar mais seu pai adotivo nos olhos. Ou mesmo porque ele teme que eu entenda completamente o que já conclui.
Só quero poder ajudar, mas não há nada a ser feito. O estrago feito apenas começou.
James:
—Enfim. — Digo quando vejo todos eles dispostos ao meu redor. Já não conseguia mira-los sem sentir a culpa pesar em meus ombros. — Eu tomei uma decisão.
—Por isso nos reuniu? — A voz de Lucy saiu suave e calma e virei-me para ela e seu parceiro, que parecia distante. — Para comunicar isso?
—Exatamente, eu...
—Acha que está em condições de ir? — A voz do meu pai adotivo faz um choque percorrer os meus músculos e tento disfarçar tal coisa da melhor maneira possível. Olho-o nos olhos e suspiro:
—A ilusão que tio Sting aplicou em mim me trouxe de volta memorias da minha antiga casa. Memorias de coisa do que havia acontecido com a minha mãe e meu pai biológicos. Ir embora é a única maneira de saber se eles realmente estão bem.
—James, não acha precipitado? — Minha mãe adotiva pergunta, puxando minha mão para sua. — Querido, sair sozinho para o mundo...
—Agora que minhas memorias estão de volta, tenho de fazer algo por eles, seja o que for. — Explico, beijando sua mão suavemente. — Eu tenho um pouco de dinheiro que juntei das minhas ultimas missões e tenho certeza que quanto a isso, não ficarei mal.
—Sente-se preparado para enfrentar o mundo, James? — Pergunta Sting, calmamente. Vejo em seus olhos azuis a calmaria antes da tempestade.
—Se não estiver, aprenderei.
—Não há nada que possamos falar que o convença, não é? — Deduziu o moreno, suspirando. Tinha a expressão cansada no rosto. — Já que é assim, podemos desejar apenas sorte e juízo. — Ele sorriu e levantou-se, igual a todos.
Abracei-os um por um, sentindo as lagrimas brotarem sem permissão.
Como eu podia ir embora para traí-los? São a minha família, que me acolheu sem pensar duas vezes sobre.
—Estaremos sempre aqui para você, não importa o que venha a acontecer. — Meu pai disse-me durante o abraço e apertei-o forte, cheio de remorso.
—Prometo que um dia te digo a verdade sobre mim. — Sussurrei. Ele pareceu confuso, mas assentiu, beijou a minha cabeça e sorriu, como se nenhum dessas palavras tivesse sido ditas.
—Confiamos em você Jay. Volte rápido para mim, querido. — Minha mãe disse. Suas bochechas estavam coradas pelas lagrimas que ela continha.
—Pode deixar. — Respondo.
Stan:
O dia estava cinzento e tendia a chover neve.
Eu não via isso há muito, apesar de ter reparado nela quando visitei Fujima. Não entendo porque, mas a sensação de desespero por causa dela não passa. É como se o céu caísse em mim e me dissesse que o meu tempo está acabando.
Que o tic tac do relógio da vida está prestes a ruir.
—Stanny! — Chamou Zef, em sem projeto.
A arena estava quase completamente pronta e todos os detalhes complementares, estavam sendo incumbidos a mim, obviamente.
—O que é? — Grito de volta, sem me importar de estar no ponto mais alto da construção. Apenas trinta metros de altura.
—Desça aqui, por um minuto. — Ele era um ponto vestido de negro num mar de placas de metal.
Olhei para os lados e vi que nada me pararia se pulasse, nem mesmo ele.
Virei-me de costas e pulei, graciosamente, sem me importar com a altura extrema e assustadora. E assim que pulei vi o céu começar a chorar, como se depreciasse minha atitude infundada. Tudo parecia um borrão claro-acinzentado, sem importância ou logica.
Algumas memorias fragmentaram-se no céu borrado. O cheiro de biscoitos com chocolate da minha mãe; o gosto da agua doce direto da fonte onde meu pai me levará; a brisa matutina na grama recém-cortada; a maciez da pele de Micaela; o som estridente do riso de Zeref; a dor das lagrimas de Rogue; o ardor dos gritos de Bernard. Tudo voltou como estilhaços. Estilhaços de mim mesmo sob mim.
A queda acabava. Era hora de fazer algo.
Imaginei-me numa das arquibancadas de ferro, sentado calmamente, e logo realmente estava. Induzi meu corpo até aquela direção e logo depois estava em pé, ao lado do moreno.
—Foi um belo pulo. — Confessou o homem milenar. Seus olhos vulcânicos estavam em constante erupção, nesses dias.
—O que precisa que eu faça?
—Arrume algumas dessas coisas. — Disse olhando as placas de metal que sobraram totalmente espalhadas pelo chão. Olhei-o com puro amargor e fui em direção às placas.
—Já que você quer. — Sussurro.
Sento-me no chão de areia vermelha e assumo a posição de meditação, com as palmas viradas para cima. O metal começou a ressonar com a minha magia e logo que espiei as placas vi todas ao meu redor, flutuando. Decidi que daria formas a elas, tinha o suficiente delas para isso.
Depois de alguns minutos abro minhas pálpebras e vejo os sentinelas prontos. Um deles era Klaus, com seu sobretudo cheio de ornamentos e sua espada desembainhada sendo que grudado as suas costas estava Keith, imperial como gostava de dizer que era. Havia também o pequeno Bernard, que anda assolando meus sonhos, sentando com uma pequena faca, olhando-me com seus tristes olhos pidões. Regulus também estava ali, com uma coroa bem trabalhada e um báculo cheio de estrelas. Por fim, o homem que havíamos derrotado, o guerreiro da Sabertooth, Suzumme. Suas roupas estavam rasgadas e suas mãos feridas, mas podia ver a palavra SABERTOOTH gravada em seu ombro. Era nesse ultimo que havia a expressão mais raivosa.
Todos tinha o tamanho de seus corpos normais.
—Sentinelas interessantes. — Comentou Zef, analisando-os. Ele e Regulus se encararam de igual para igual. A cabeça de Regulus mexe-se, mas ordenei silenciosamente que ele nada fizesse. — Autômatos, ainda. Cada vez mais você me surpreende.
—Ainda não estão completos. — Suspiro.
Levanto-me e vou até Klaus e Keith, que estavam agora lado a lado. Pego a faca que está na minha cintura e corto um selo de sangue na minha mão. Coloco-o no peito de ambos, tirando suas emoções antigas. Destruindo parte de sua humanidade.
—Você está muito mais poderoso do que imagina, Stan. — Informou ele, ao meu lado.
—Você é meu mestre deve saber que ainda não aprendi tudo o que deveria. — Digo, fazendo o mesmo processo nos outros três autômatos. Os passos de Zef me acompanham como uma sombra. — Ou vai me dizer que sou forte o bastante para me igualar a você e a Sting Eucliffe?
Isso o fez parar:
—Na verdade, você tem razão nisso. — E sorriu, parado no meio do estádio. — Tem mais uma coisa que preciso te ensinar.
—E o que seria?
James:
A Sabertooth estava com as luzes acessas e a musica tocava graciosa e calmamente. Quando entrei, notei como todos pareciam confusos com a minha visita e a minha mochila de viagem enorme.
—James? O que faz aqui? — Rufus é o primeiro a vir até mim.
—Bem, vim me despedir do senhor, tio. — Sorrio a sua expressão surpresa.
—Despedir? Para onde vai?
—Procurar meu passado. Mas não precisa se preocupar porque papai e mamãe já sabem, e me deixaram ir.
—Isso me deixa ainda mais preocupado. — Hector diz, serenamente.
—Ah! Olá, mestre. — Digo solenemente.
—Não sei o que se passou na cabeça dos seus pais e tudo mais, mas não entendo como queira que eu o deixe partir.
—Bem, é uma escolha minha que vim comunicar. A decisão foi tomada.
—Mas você conhece os riscos? — Indagou Yukino, ao lado do loiro.
—Claro. — Eles três se entreolharam e percebi que Hector suspirou, cansado.
—Há alguns anos, fiz o mesmo que você. — Contou ele. — Não sabia nada do meu passado e achava que meus irmãos estavam mortos. Eu saí para o mundo com Suzumme e depois nos separamos meses depois. — E pareceu filtrar algumas informações para mim — É uma jornada solitária e perigosa a qual você vai enfrentar. Não poderemos ajudar em nada, de tão longe.
—Eu sei disso tudo. E agradeço a preocupação, mas minha mãe ficaria furiosa se eu violasse suas memorias levando ajuda. — Ri, calmamente — Eu estou forte o bastante para não ser espancado até a morte.
—Como se isso fosse muito. — Resmungou Rufus e nos fez rir.
—Se é assim, te desejamos boa sorte, Jay. — Yukino abraçou-me, caridosamente. Retribui, memorizando sua amabilidade. Rufus fez o mesmo em seguida, batendo na minha cabeça depois, dizendo que era um símbolo de boa sorte.
Hector assistiu tudo isso silenciosamente e depois me deu suprimentos e mais roupas e cobertores. Entregou-me uma mochila magica e uma cabana, que foi para dentro da minha nova mochila com o resto das coisas que eu já tinha. Ganhei mais uma faca de Koichi e uma bussola de Fumiko. Mizuki deu-me um pedra que chama monstros mortos-vivos para me ajudar e Sirene, docemente, um cajado que busca agua potável.
Agradeci a todos com amabilidade e sai para a neve quase duas horas depois de ter chegado, caminhando pela neve direto para a estação de trem mais próxima, a fim de seguir os trilhos noite adentro e tentar encontrar o primeiro rastro dele. O que logo se mostrou difícil.
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