Shatter Me
12 Estilhaço de Idolatria Parte I
Notas iniciais
Sting:
— Vamos Sting. Temos que continuar. — Weisslogia diz.
Realmente ele tem acabado comigo.
Treinar com um dragão de verdade não é algo fácil.
Weisslogia tem arrancado meu coro como pode.
— Eu não consigo. — Sussurro, com o corpo cheio de hematomas roxos e/ou ferimentos sangrando.
— Se continuar dessa maneira, você não vai conseguir voltar. Não vai conseguir proteger Lucy.
— Não tem nenhum jeito mais fácil e mais rápido de fazer isso?
Weisslogia revirou os olhos:
— Levante-se, molenga. — Eu o faço cambaleante e antes de seu soco me acertar, lhe seguro e torço seu braço.
Recomeçamos a lutar incansavelmente.
Lucy:
A corda do arco está tensa.
— Mais uma vez. — Insiste Alois, persistente. Hermione o mira da janela do segundo andar.
A flecha que disparo passa zunindo pelo jardim e corta o rosto dele, fica presa numa das arvores do jardim.
Alois está ajoelhado quando me aproximo.
— Eu não consigo desviar delas. Já faz quase três dias.
— Talvez você esteja cansado, amor. — Sou doce, porque ele tem se esforçado mais do que deveria. A carga que caiu sobre os seus ombros é maior do que eu suportaria. — Aproveite a presença de Hermione, por enquanto. — Passo o dedão no mais novo corte e ele desaparece.
— É, pelo visto, Hector nunca vai permitir que fiquemos juntos. — Ele afirma, com um muxoxo.
— Não desanime tão cedo.
— Ele não vai deixar.
— As coisas poderiam ser piores. — Exclamei e este riu.
— É, poderiam. — Depois de um dia de conversa, finalmente consigo tirar esse ar deprimente de seu olhar e de seu sorriso. Ele corre para dentro de casa enquanto eu apenas consigo andar calmamente.
A sensação de impotência e de descrença se apodera de mim novamente.
Viro-me para trás e vejo as flechas ainda fincadas no chão e nas arvores. Lancelot vira um arco novamente.
— Estique... — Peço, com o fio na sua máxima tensão. Quando ele está quase estourando, o solto e a flecha zuni cortando o ar e indo em direção à aquela que havia ferido Alois.
A flecha molhada pela seiva da árvore quebra em pedaços quando essa nova a atinge e vejo os fragmentos dourados brilharem contra o sol.
Só assim consigo voltar para dentro de casa tranquilamente.
Meu cabelo está despreocupadamente preso em um rabo de cavalo e estou de regata e calça jeans mesmo. Estava de chinelos que escapavam dos meus pés à medida que eu andava.
— Oh Lucy. — Mirajane fala, mirando-me totalmente desleixada. — Tudo bem?
— Sim Mira, não precisa se preocupar. — Sorrio falsamente e esta percebe na hora. Desvio o olhar depois de alguns minutos e vejo Wendy, James e Hermione conversando com o cansado Alois na sala. Não consigo conter o sorriso que me vem aos lábios, mas logo paro e olho as escadas com receio.
— Lucy, não vai comer nada? — Erza, por sua vez pergunta. Nanami também está na cozinha e ela apenas olha-me com seus grandes olhos negros.
— Estou sem fome. — Respondo, correndo escada acima.
Vejo a porta entreaberta e fico surpresa, pois eu realmente tinha certeza que tinha trancado. Entro e vejo Rogue ao lado da cama de Sting, segurando a mão dele como eu normalmente fazia:
— O que está fazendo aqui? — Disparo, irritadiça.
— Bom dia para você também Lucy. — Ele exclama calmamente e isso me deixa ainda mais irritada.
— Eu pedi que ninguém entrasse.
— Precisava vê-lo. — Confessa, seriamente.
— Por favor, Rogue, eu preciso tomar banho. — Seus olhos rubis ficaram nos meus por mais de um interminável segundo e depois ele saiu, sem dizer uma única palavra.
Talvez Rogue-kun tenha tido alguma sensação ruim.
Como eu também venho tendo.
— De nada vai adiantar ficar assim... — Sussurro a mim mesma, fechando a porta e virando a chave. — É melhor tomar um banho demorado para esquecer isso... — Pego a toalha e me dirijo ao banheiro do quarto, deixando a porta aberta para qualquer futura eventualidade.
Sting:
Estou sentado impossibilitado de fazer qualquer movimento.
E o tempo nesse lugar não passa. É como se eu estivesse numa ampulheta quebrada que não deixa à areia escorrer. Como se os ponteiros do relógio fossem meras invenções como os fabulosos contos de fada.
— Porque você acha que é um dragão? — Weisslogia está mais calmo agora, no entanto. Depois de quase retaliar meu corpo por causa dos machucados, ele finalmente se acalmou depois de um mini ataque de estresse. Nunca o vi tão furioso em toda a minha vida.
— Porque o seu sangue caiu sobre o meu corpo. — Respondo, sem reverter a posição lótus em que estava.
— Se fosse apenas por isso você nunca teria virado o rei dos Dragon Slayers. — Repreendeu, com a voz rude apesar da sua aparência jovem.
— Então por quê? — Quis saber.
— Você e os outros acharam mesmo que era uma mera coincidência vocês sete virarem dragões tão poderosos?
— Nós sete? Somos mais de sete. — Intervenho e seu olhar se torna mais triste agora.
— Três dragões morreram. — Informa, com o tom formal.
— Quais?
— Os dragões dos seus amigos do templo do dragão. — Diz-me e vejo os rostos de Munakata, Lester e o mestre do templo na minha mente.
— Eles perderam a força?
— Apenas a essência que os fortalecia.
— Compreendo. — Minha voz é tristemente calma.
— Vocês e os outros seis em sua casa são os únicos que poderão atingir a essência dos seus dragões.
— Por quê?
— Porque vocês nasceram conosco. Nasceram gravados com a nossa estrela e o laço foi formado nas estrelas. Nenhum de nós pode impedir, foi predestinado muito antes de nós tornarmos os Dragões mais fortes de todos.
— Então você quer dizer que...
— Mesmo que você não quisesse, seria um dragão.
— Uau.
— Mas você ainda não compreende como é poderoso, Sting.
— Não compreendo? Eu sei que sou forte.
— Você não apenas forte, Sting. Você é o Rei dos Dragões. Você é o humano mais poderoso que já existiu nessa era. É o único que algum dia poderá se encontrar com Acnologia.
— A-Acnologia?
— O Rei dos Dragões.
— Minha nossa. — Não sei se estou chocado ou se estou com medo demais para falar mais que essas duas palavras.
— Você não sabe como seus filhos serão fortes. Você nem tem idéia.
— Serão porque Lucy é a maga celestial mais forte que eu já vi em toda a minha vida. — Informo-lhe e vejo algo notoriamente surpreendente em seus olhos: Surpresa.
— Sua namorada é uma maga celestial?
— É. Por quê?
— Sting, você não tem idéia de como tem sorte de ainda estar vivo.
— Que?
— Pense um pouco. — Ele faz uma pequena pausa. — Você é um Dragão e foi escolhido nas estrelas e ela é a dama que controla as mesmas estrelas que o escolheram.
Ele tinha razão.
Depois que encontrei Lucy e ficamos juntos minha vida mudou da água para o vinho.
— Então nossos filhos poderiam ser mais fortes que os outros?
— Serão mais fortes que os outros.
Isso é, se eu tiver filhos.
Alois:
Seis.
Seis dias, seis horas, seis minutos. Seis segundos.
O numero que atualmente me dá pesadelos.
Já faz seis dias desde que meu pai entrou num estado de sono profundo, ou coma, para conseguir ficar mais forte. Todos os dias não passo mais de seis minutos com ele.
Tudo parece realmente confuso e meu corpo também tem estado difuso a tudo.
Minha magia tem estado mais poderosa e estranha. Mal consigo controlá-la.
— Alois! — Hermione ralha, sacudindo-me. — Poxa! É a segunda vez hoje! — Anui, fazendo bico.
— Sinto muito Mione. — Sussurro e recebo uma almofadada na cabeça.
— Sinto muito nada! — Eu a aborreci sem querer e agora ganho isso.
E falando nisso, onde está o James para me ajudar?
— Onde está o traíra do James mesmo? — Pergunto, segurando a almofada pesada do sofá antes dela bater na minha cabeça.
— Ali, olhe. — Segui a direção que seu dedo apontava e vi uma cena no mínimo fofa.
James estava de mãos dadas com a Wendy, a Dragon Slayer do Céu. Ela é realmente bem legal e, apesar do ciúme da Hermione, todos nós ficamos bem amigos dela. E o James sempre quis ser mais que um simples amigo, sabe?
— Acho que logo rola beijinhos. — Comento.
Em vez disso, sinto Hermione me puxar para baixo do campo de visão dos adultos e me beijar de maneira que só ela sabia.
Esses beijos são as únicas coisas que não me deixam louco nesse lugar. Foi o que me fizeram parar de chorar e de continuar a caminhar depois que eu soube do “coma” do meu pai.
Retribuo, mas parece não ser o bastante ainda. Então, estando por cima, intensifico o contato como nunca antes.
Só sei que senti alguém me puxando pela camisa quando as coisas estavam ficando boas.
Rolei diretamente para o chão e bati a cabeça contra o carpete macio, que não amorteceu em nada a minha queda:
— Mas o que... — Resmungo ofegante. Logo vejo o responsável por tudo aquilo. James ria daquilo com Wendy logo atrás de si:
— Eu pensei que vocês iam se engolir ali. — Confessa ele, me deixando furioso.
— Ora seu..! — Começo, mas então, sinto duas mãos suaves e mornas nos meus ombros.
— Alois! — Hermione sussurra, envergonhada. Logo depois, aninha seus braços sobre o meu peito e deita a cabeça sobre meus ombros, serenamente. — E então James... Não fez nada pervertido com a Wendy-chan, fez? — Como vingança, a minha namorada diz e faz o moreno corar dos pés a cabeça.
— Hermione! — Wendy rebate, não menos vermelha.
Logo eu estou tendo um dos meus melhores ataques de riso com a ruivinha. E tenho certeza que demorará algum tempo para parar de rir.
— O que vocês estão aprontando? — Erza aparece sem aviso prévio e tomo um susto tão grande que me afasto rapidamente de Hermione.
— Por todos os deuses do olimpo! Quer me matar do coração é? — Indago, com a mão no peito que batia como louco. James já estava há quase dois metros da Wendy.
— Eu estou vigiando vocês.
— Vigiando? — James faz-se de desentendido e seguro o riso.
— Sabe-se lá o que vocês fazem o dia inteiro aqui na sala. — Mione dá uma risadinha e eu recebo um olhar ainda pior do que antes do moreno.
Talvez eu deva dizer algo?
— A gente fica só conversando, Erza-san. — Falo, com um típico sorriso convincente. — Além do que, estamos tão cansados que só conseguimos ficar deitados o dia todo.
Sei que ela não acredita em mim, mas não tenho outra opção a não ser mentir. Além do que, não posso e não devo aborrecer a minha mãe.
— Treine comigo Erza-san. — Peço, animado.
É um ótimo treinamento.
— Treinar com você?
— Exatamente. Quero ver o quanto fiquei forte nesses últimos dias e nenhum teste seria melhor que esse.
— Alois... — Hermione começa, mas já estou de pé.
— Serei um oponente a altura. — Faço uma vênia e a ruiva sorrir.
— Vamos lá fora. — Ela completa, indo até a porta antes de mim.
O sol banha o meu corpo quando saio pela porta. É quente e trás a mim uma doce sensação familiar. Como uma lembrança antiga e doce.
Mais familiar do que conseguiria descrever.
— Você anda treinando com a Lucy por esses dias, então deve se sentir preparado... — Começa ela, a Titânia. É uma das mulheres mais assustadoramente fortes que já conheci. — Mas vamos ver se você consegue lutar no mesmo nível que eu.
Tudo acontece muito rápido na verdade.
Num minuto estou no chão, parado e ouvindo Erza Scarllet falar calmamente o seu discurso, no outro, no entanto, estou voando em direção ao chão, em queda livre.
Recupero-me do choque no ar e impulsiono meu corpo na direção contraria e finalmente consigo endireitar-me. Caio quase sentado.
— Parece que eu não vou ter tempo nem de respirar. — Murmuro a mim mesmo, preparando-me para quando a visse.
E dessa vez, ela se mostrou, com a sua armadura negra de asas demoníacas a brilhar ante a luz solar.
— Conheça a armadura do purgatório.
— Será um prazer quebrá-la. — Confirmo e esta sorri.
— É o que veremos.
Vamos ao encontro um do outro. Eu correndo e ela voando.
Desfiro um chute alto e Erza defende, segurando a minha perna e me jogando no ar, pronta para atacar-me novamente. Antes que eu possa ser atingido no meio do ar, consigo virar e proteger-me com o braço esquerdo, mas não sem deixá-lo ferido.
Chego ao chão e assim que consigo me firmar ereto, sinto uma dor incompreensível no tórax e vejo que a minha camisa está rasgada e que sangue escorre dali gradativamente. Meu rosto também sangra.
Não quero perder, mas mal consigo ver os movimentos dela! Preciso usar os meus poderes ou irei desmaiar antes de começar a lutar de verdade.
Da melhor maneira que podia, ainda que gemendo de dor, faço a mais antiga posição de luta. Meu pé esquerdo está a frente do meu corpo e estou totalmente apoiado na minha perna direita, levemente inclinada para trás. Meu punho direito está encostando no meu rosto, como proteção e o esquerdo está muito mais a frente, preparado para o ataque.
— Oh, nunca vi uma posição de luta assim. — Confirma ela, com um ar curioso.
— Você nunca enfrentou um deus antes. — Respondo e sinto a magia fluir pelo meu corpo.
Quero ganhar.
Quero mostrar a mim mesmo que sou forte.
Avanço com toda a velocidade que tenho e desfiro um soco rápido contra o peito da fada. Consigo ver a rachadura na armadura quando ela acerta uma joelhada em meu estomago e perco o ar por alguns instantes.
— Vai precisar de muito mais que isso para me derrotar. — Ela avisa quando me afasto alguns passos.
— Eu só estou começando. — Informo-lhe cuspindo um pouco de sangue na grama.
E foi disso que tirei a minha idéia.
Eu estava sangrando.
— Bem... Eu não deveria tentar fazer isso sem meu pai por perto, mas parece que não tenho escolha. — Suspiro cansadamente. — Sangue do meu sangue. Luz da minha luz. Conforto e esperança da minha alma sem ar... — Começo a antes que possa ser acertado com seu chute voador, paro-lhe com a mão. A proteção dourada surge e brilha ante o sol. — Dor da minha dor, carne da minha carne... — Meu braço é envolto de ataduras vermelhas e vejo a proteção em aço, ou ouro, dourada cobrir os meus antebraços e as minhas panturrilhas. Um cinturão com uma pedra ametista aparece na minha cintura e brilha, tanto quando o resto do conjunto. — Alma da minha alma. — Completo e sinto a onda de poder tomar conta do ar a minha volta. Erza já está longe, mirando a minha transformação.
Ela ataca e fico imóvel, parado no tempo, por assim dizendo.
Prevejo o ataque um segundo antes dele acontecer e me abaixo velozmente, acertando um chute raso em suas costas. Erza é mandada para frente e sua armadura desaparece em pedaços quando nos miramos novamente.
Uma nova armadura surge.
Essa brilhante e prateada, tem asas e fica firme com varias espadas girando no ar ao redor.
— Armadura legal. — Falo, voltando a mesma posição de ataque de antes.
— Obrigado. — Vejo as espadas passarem perigosamente perto do meu corpo e desvio, com margem de erro de um segundo para cada espada. São como as flechas da minha mãe, vão apenas para uma direção. Seguem uma linha reta perfeita.
Uma musica começou a fluir na minha mente.
A melodia era linda e calma, e tudo começou a parecer se mover em câmera lenta. No ritmo exato da doce e inesperada melodia.
Mais uma vez, Erza lança suas espadas contra mim e agora, guiado pela melodia, sei o momento exato de desviar e/ou pegar as espadas com facilidade. Quando o ataque termina, estou com duas espadas mão.
— Ora, ora, você parece mais forte agora. — O vento faz as folhas ao nosso redor se agitarem ao ritmo da melodia em minha mente.
Consigo sentir a flauta tocar ao meu lado.
— Eu vou arrebentar todas as suas armaduras. — Digo e sinto algo que nunca senti queimar dentro de mim. Isso me faz ficar confiante.
Estou sedento por uma luta.
— É o que veremos.
E assim os violinos ressoam e tudo vira como eu queria uma doce melodia de batalha.
Ao qual, eu sou o maestro.
Rogue:
Todos estão nas janelas e não sou exceção.
Não sou do tipo curioso, mas essa luta promete ser boa.
Alois versus Erza.
Há tempos não fico ansioso para ver alguém da guilda lutando. Há tempos não sinto esse friozinho na barriga por causa de uma luta.
Erza Scarllet lutou com duas das tigresas mais poderosas que conheço: Lucy e Minerva, ganhando da morena e perdendo da loira.
Talvez seja melhor que eu o pare, ou não.
Isso pode deixá-lo mais forte, não pode?
— O que você acha disso? — Nanami pergunta, aninhando-se em meus braços.
— Acha que veremos um bom espetáculo. — Afirmo entre sussurros calmos e esta sorri.
— Que os seus deuses olhem por ele. — A Lohr ora, calmamente.
Alois, vestindo-se com uma blusa branca pólo rasgada e um short jeans surrado. Ele estava com faixas vermelhas de proteção por todo o braço, em ambos e também proteções douradas até o antebraço e nas panturrilhas. Uma aura dourada agitava sua blusa e seus ferimentos não pareciam mais tão ruins.
Erza invoca suas espadas no ar. Ao todo, devem ter trinta delas girando ao seu redor, brilhando contra a luz de maneira ofuscante.
Com um movimento de braço, as espadas vêm até o loiro, que desvia com extrema facilidade.
Outra remessa de espadas e novamente, desvios perfeitos da parte do God Slayer.
E então eu vi algo surpreendente.
Durou um segundo apenas. Um mínimo segundo de descompasso da parte de Erza e isso foi terrível para ela, pois Alois corre em sua direção e pegando no ar uma das espadas contra ele arremessada e fazendo um corte divinamente mortal na armadura da fada.
No outro segundo que Alois já está longe a armadura dos céus, como eu a denomino por sua aparência, que fica em pedaços e Erza mira surpresa o garoto.
— Já foram duas. — Ele diz, balançando a espada que usara no ataque entre os dedos, com um sorriso confiante. Em seguida arremessou-a como se fosse uma faca e a espada de cabo carmim desapareceu um metro antes de acertar a dona.
— Ora, devo lhe dar os parabéns. Você conseguiu quebrar duas de minhas armaduras.
Vejo o próximo movimento de ambos um segundo antes dele acontecer. Vejo a lança mágica de Alois aparecer repentinamente entre seus dedos e, com a graça de um garoto, ele voa sobre a grama para desferir seu ataque.
Mas, para sua infelicidade ou não, Erza já trocou de armadura e está usando uma que, definitivamente, é assustadora.
A chamada Imperatriz do Trovão finalmente aparece, ressoando e quando as duas lanças se encontram fazem tanto barulho que desconfio que Sting tenha acordado.
O God Slayer movimenta a lança com maestria, tentando expor as poucas falhas na defesa da ruiva o que é quase impossível. Então, como uma segunda alternativa, ataca com mais velocidade e força, fazendo com que cada golpe defendido pela titânia faça eco e que a terra a um raio de um quilômetro trema.
— Acha mesmo que seus raios iram me machucar?! — Alois rebate, quando a lança da ruiva começa a fazer o ar ao redor de ambos rosnar pelos trovões. — Eu sou um Deus!
— Você é apenas um caçador de deuses, garoto! — A maga da Fairy Tail ralha, jogando-o na minha direção. Alois cai deitado, com a blusa branca quase aos pedaços, pegando fogo.
— E-Eu... — Começa, levantou-se.
A parte de trás das suas costas desapareceu e então vejo.
Alois tem uma espécie de cicatriz nas costas. E não uma simples cicatriz, mas sim a cicatriz dos chamados “anjos caídos”. Um formato de V gigante nas costas que demonstra as asas roupadas e os poderes divinos dos deuses esquecidos.
Então ele é mesmo um deus, hã? Isso é uma agradável surpresa.
— Eu sou um Deus. — Sussurra ele, com as mãos nos joelhos a arfar.
Em seguida, vejo algo realmente assustador.
Alois começa a gargalhar, realmente divertido:
— Rogue... O que está acontecendo com ele?
— Abstinência. — Respondo, serio.
— Como?
— Erza acabou de despertar algo que nem Sting conseguiu. — Informo-lhe, segurando suas mãos. — Observe.
— Eu sou muito mais forte que você, Titânia. — Alois ralha, com uma pose digna de Sting em seu momento arrogante. Vejo a semelhança de ambos nesse momento. — Eu vou arrancar suas asas, fada. — Informa e quando percebo noto que a lança já está de volta em suas mãos.
— Fro! — Chamo, percebendo que ele poderia estar longe de mim. Essa sensação foi aterradora. — Frosch!
— Rogue-kun!
— Fro, chame James e Hermione aqui. Agora! — Ordeno e ele o faz rapidamente, voando até a sala e trazendo os dois outros God Slayers.
— Pai! O que está havendo?
— É! Alois não está normal! — Hermione completa.
— Escutem... Essa é a fase quase completa dos seus poderes. — O choque de suas faces é notável. — Alois está desenvolvendo seus poderes reais. Como vocês um dia irão fazer.
— Alois está...
— Se tornando um Deus? — James completa a frase da garota e se encosta sobre a janela ao nosso lado, de maneira que ficasse bem de frente para o melhor amigo.
Alois já avançou em Erza e depois de mover a lança com agilidade, a armadura do trovão estava em pedaços. Um sorriso bobo veio aos lábios do loiro.
— Muito bom. — Nanami diz, surpresa com a velocidade.
— Ele é muito mais forte que isso. — Estou sorrindo agora.
Sting sempre soube. Soube que esses três eram poderosos. Como, eu ainda não compreendo agora, mas sei que ele estava certo.
Eles precisam apenas crescer.
— Três.
A ruiva se reequipa e a veste-se com um quimono roxo e uma lança. Seus cabelos escarlates dançam ao vento e vejo a sua nova armadura desaparecer tão rapidamente quanto chegou. E dessa vez, apenas vejo o borrão que representa Alois nisso.
— Quatro. — Conta ele, divertido.
E uma atrás da outra, cada armadura que Erza reequipa é destroçada calmamente pelo God Slayer.
Passou-se mais de vinte minutos desde que eles começaram a lutar.
— Quantas você ainda tem? — O jovem tigre diz, com uma presença desafiadora.
— O suficiente. — Erza responde, reequipando e depois fazendo Natsu dar urros de alegria aqui ao lado.
Ela estava vestida com a sua “armadura” preferida.
Com as faixas sobre os seios e a calça vermelha, ela apontou sua espada para Alois:
— Eu estava esperando essa roupa. — Parece que será definitivamente a batalha final.
O loiro avança com sua lança rapidamente sobre a ruiva, que desvia, com a força do impacto, faz a gloriosa lança perolada do God Slayer quebrar.
Uma leve onda de descrença e raiva se apodera do pequeno quando ele percebe a arma quebrada e, munido de uma fúria densa, ele avança de mãos nuas contra a ruiva, que não lhe perdoa e corta, brutalmente talvez, seu abdômen.
Sangue jorra pelo ar e um grito de dor provindo de Alois ecoa por toda a floresta.
— Oh não... — Hermione desespera-se, mas então Alois dá-lhe a maior das surpresas movendo-se tão rápido quanto a própria luz.
— Eu mal vi isso! — James diz, incrédulo.
E, por causa dos ferimentos de toda a luta, Alois realmente vai ficando cansado:
— Vamos acabar logo com isso... — Ele diz, em posição de ataque.
Sem querer, sou pego quase enviando a minha espada para ele. Bem... Eu não deveria intervir, na verdade, mas a lança quebrada no chão acabou por me amolecer.
— Vá até ele... — Sussurro, percebendo que a minha espada já estava em suas mãos.
Ele olha para trás e acena em concordância.
— Vamos lá... Eu vou mostrar te mostrar como um deus luta de verdade! — Exclama, deixando a espada no chão e, com grande emoção, agitando seus poderes ao extremo. — Apollo Son... — Erza já estava a caminho e Alois estava no meio do ataque.
Tive a estranha sensação de que ele não conseguiria se opor a Titania e que, tristemente, isso seria terrivelmente devastador para seu corpo.
Tive dez segundos para conseguir pará-los e corri o mais rápido que pude, me pondo entre a ruiva e o garoto, tirando a espada de suas mãos machucadas e empurrando-o para o chão:
— Dark blood! — Ponho-me ante os dois e preparo-me para o tranco do ataque da ruiva, mesmo sem ter treinado adequadamente.
Tudo acontece numa fração de segundo.
O ataque de Erza passa raspando ante a minha face, mas desvio-lhe da melhor maneira que posso e, com agilidade, ataco-a:
— Dark Dragon Shadows. — Minha espada, antes com o loiro, vem para a minha mão e paro a dela, ficando frente a frente com a titânia.
Mínimas faíscas que saem do contato não nos assustam. Mantive-me firme, colocando um dos pés para trás, finalmente consigo suportar o ataque com força.
— Já chega... —Digo, afastando-a sem atacar mais.
Minha única preocupação no momento é o garoto de treze anos jogado no chão sangrando um pouco. Ela está toda suada e arranhada, arfando calmamente quando nos miramos novamente:
— Parece que a luta acabou. — Comenta ela, sorrindo.
Eu carrego o loiro sobre os ombros.
— É, acabou.
Pulo e quando dou por mim estou bem na frente da janela do quarto de Lucy e Sting. Vejo a loira debruçada sobre o Dragão Branco e vejo também a sua notável preocupação.
Lucy estaria rezando?
Bato na janela e esta mira-me surpresa:
— Rogue... O que houve? — Ela fica notavelmente preocupada com o loiro sobre meus ombros e me ajuda a entrar no quarto.
— Alois lutou contra Erza.
— Oh deuses... — Começa ela, tapando a boca de espanto.
Finalmente coloco o God Slayer meio desacordado na cama. Ele geme quando o toca as cobertas e abre os olhos, confuso:
— Mãe...? — Suspira e troco um olhar preocupado com a maga celestial. Ela logo compreende a gravidade da situação.
— Acha que vai precisar de ajuda? Nanami pode vir aqui e...
— Não, eu dou conta. — Informa ela, arregaçando as mangas da blusa de inverno que usava.
— Lucy... Você sabe que não pode cuidar dele sozinha. Você está cansada, pode muito bem pedir ajuda.
— Rogue... — Depois de tantos anos vejo o porquê de Sting sempre ficar tão preocupado com ela. Lucy não tem o menor senso de cuidado próprio. — Eu sei que você quer ajudar, mas não acho que vá fazer nada além de me atrapalhar. Eu conheço Alois melhor do que ninguém e sei o que vai resolver a situação dele agora e quanto a Sting eu posso muito bem...
— O que tem Sting? — Só então percebo que meus pressentimentos estavam totalmente certos.
Sting esta praticamente agonizando.
— Lucy... Você deveria ter me chamado. — Estou realmente irritado com ela. Sting é como um irmão para mim. Como ela pode deixar de me contar que ele estava numa situação dessas?
— Você não entende... — Vejo uma lágrima cair do seu olho esquerdo, soluços tomaram seu peito. — Não entende o quanto é difícil para mim ou para eles. Como é fútil ter de fingir estar bem quando realmente não está.
Mais lágrimas caem e dessa vez sinto um aperto no peito por tê-las feito cair. Sou um idiota mesmo.
— Minha vida está em pedaços! — Sussurra ela.
— Sinto muito... — Digo, realmente atordoado e com a culpa caindo sobre meus ombros. Abaixo a cabeça e em seguida escuto-a fungar.
— Só saia daqui. — Pede Lucy, secando as lagrimas. — Agora. Saia agora.
Faço o que ela pede não muito mais deprimida do que quando havia chegado. Sou um estúpido isso sim. Lucy sempre foi como uma irmã para mim, mas nunca compreendi seus sentimentos como Sting ou Nanami fazem. Tudo o que faço é agir como o demente que sou.
Ah Sting... Quando tudo isso vai acabar?
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