Shatter Me

7 Estilhaço de Convívio


Notas iniciais
Bem, espero que vocês tenham paciência para ler tudo isso, então, desejo-lhes boa sorte.

Tenho certeza de que muitas perguntas serão respondidas e que intrigas serão feitas.

Amor, ódio e muita confusão se misturarão nesse capítulo.

Talvez, apenas talvez, vocês saiam chorando depois disso.

Beijinhos,

Amy #

Hector:

O prazo que dei a Sting termina em um dia.

Amanhã pela tarde, tenho certeza que os dragon slayers já estarão aqui.

Rogue tem se preparado das melhores formas possíveis e depois que avisei que sempre ficarei por perto, ele parou de mandar Alois fazer os comprimidos anti-enjoo.

A recuperação de Nanami e Lucy tem sido muito mais rápida do que eu esperava. Alois e Shiro tem feito juntos um tratamento especial para elas, e entendo o porque de Sting não estar ajudando.

O dragão branco tem preparado detalhadamente sua casa e sua energia para a chegada dos dragões em sua casa.

Com cada dragão vira um parceiro e no caso de Rogue, James e Fro também se hospedaram lá. Realmente é muita gente.

Não posso fazer nada, ele está totalmente certo.

E o pior de tudo, Collins não deu sinal de vida.

—Pai? – Hermione está entrando na minha sala, com a expressão confusa. – Tem um homem lá embaixo abraçando a mamãe e falando que vai matar você.

E parece que ele finalmente chegou.

—Estou indo. – Falo, pedindo com a mão para que ela me espere. Levanto, arrumando a camisa social que havia ficado amarrotada depois de eu ficar tanta horas sentado analisando as minhas possibilidades. Ela está usando um vestido que vai até os joelhos vermelho, com um bolero branco sobre ele e sapatilhas também brancas. – Você falou que Minerva era sua mãe a ele? – Perguntei calmamente, dando a mão a ela descendo juntos as escadas.

—Não. Porque papai?

—Você logo vai entender, pequena. – Eu a puxei para mais perto de mim e beijei seus cabelos, fazendo-a sorrir:

—Hector! Seu conquistador de menininhas! Venha já aqui seu pedófilo. – Gritou o meu antigo parceiro de missões.

Hermione olhou para mim e riu, tanto quanto eu mesmo.

Como eu, ele havia crescido alguns centímetros.

Seus cabelos estavam raspados de um lado só e do outro, parecia que ele havia usado gel para deixa-los espetados. Continuavam negros.

Tatuagens Cobriam seus braços expostos e o pescoço.

Seus olhos continuavam como me lembro. Infames gotas negras em contraste com uma profundidade branca e assustadora.

Ele é meu melhor amigo.

—General S. Collins. – Chamei e ele riu, ainda que segurando a cintura da minha noiva.

—Seu lobo idiota. – Resmungou ele furioso. – Que ideia é essa de deixar vivo o homem que pediu a minha Mi-chan em casamento? – Por um segundo olhei Minerva e ela sorriu.

—Eu a pedi em casamento. – Confesso e ele para de espumar.

—Isso é serio? – Ele olha a morena e esta assente, mas ao mesmo tempo cora um pouco nas bochechas.

—Essa é Hermione, sua sobrinha. – Falei, mostrando a god slayer a ele. Este ficou de boca aberta.

—Hector, não sei você está ficando míope ou sei lá o que, mas essa garota nunca vai ser sua...

—Eu sou adotada. – A jovem de cabelos alaranjados fala com um sorriso. – Quando precisei papai e mamãe me acolheram como se eu fosse a sua filha. Por isso, eu sinto-os como meus pais de verdade.

—Venha cá, garotinha. – Collins pede e solto a mão da pequena para que ela possa ir.

Hermione tem um olhar decidido quando para na frente do meu antigo parceiro e melhor amigo:

—Hum... Sou o tio Collins. Sou o melhor amigo do besta do seu pai e irmão adotivo da sua mãe. – Ele lhe estendeu a mão com um sorriso e Hermione a agarrou com calma.

—É bom te conhecer tio. – Falou ela com um sorriso realmente encantador.

Collins a apertou em seus braços depois disso.

—Não é que quem é vivo sempre aparece? – Rufus entra com Yukino em seus braços, sorrindo ao ver o moreno.

—Esse grandalhão ai é o Rufus-chan? – Hermione é a primeira a rir, sentada no colo do tio. Rufus se aproxima.

—Como o tempo passa não é, Collins-kun? – A albina fala, trazendo comoção ao homem que a oito anos não vinha a guilda.

—Realmente. E quem diria? Rufus e você juntos? Pobre do Rogue-chan.

Mal ele imagina que Rogue está até casado.

—Onde estão os outros? Sting-chan? Rogue-chan? Mizuki-chan?

—Já já devem estar aqui. Encontrei Sting no caminho, ele falou que demoraria uns minutinhos para vir. – O loiro fala, casualmente.

—Vamos nos sentar numa mesa, dai você fala sobre suas aventuras, Collins. – A morena sugere e este assente, carregando Hermione com ele e me fazendo suspirar.

Com ele aqui o clima da guilda parece mais familiar.

—Então Rufus, quando serei Tio? – A pergunta faz Yukino corar e o loiro apenas dá um sorrisinho sem graça.

—Mais tarde conversaremos sobre isso Suzume. – O mago das memorias pisca e faz a todos nós rirmos.

E por fim, entra Orga com a pequena Lily nos braços:

—Pai! Olha, Rufus-jiisan. – A pequena acena ao loiro que simplesmente sorri e acena de volta.

—Caramba! Aquele é o Orga-chan? – Ele arregala os olhos e Hermione termina por rir – E aquela ali é a filha dele?

—É a filha da namorada dele.

—Namorada?! – Isso o deixa mais surpreso.

—Collins. – O god slayer do trovão fala com um sorriso bobo.

—Oi. – A pequena Lily fala, para depois pular para o colo de Yukino.

—Caramba. Onde você conseguiu arranjar uma namorada?

—Na cidade dos jogos. Lá tudo pode acontecer. – O homem, ou o armário por assim dizer, comenta com um sorriso.

—E eu pensando que já havia visto de tudo. Olha que assombração. – Mizuki exclama ao chegar. Sirene está bem do seu lado e sorri:

—Sirene-chan?! Você engravidou a minha Sirene-chan? – Isso o deixa ao mesmo tempo furioso e contente. A jovem de cabelos negros estava já no sétimo mês de gestação.

—Suzume-kun. – Ela fala surpresa ainda. – Quanto tempo.

—Eu que o diga. Da última vez que estive aqui eu a colocava no meu colo e agora você esta gravida! Estou me sentindo muito velho. – Ele murchou e Hermione fez todos caírem na gargalhada com ela.

—Fumiko pega o guarda-chuva de canivete porque hoje chove! – Exclamou Mana aos risos com o parceiro vestido de azul marinho. O rei vermelho correu até a nossa mesa como os outros.

—Parece que os anos não foram legais com você, sensei. – O rei azul fala, provocando risos em mim e em Minerva. Fumiko era o mais apegado ao meu parceiro, tanto que no seu tempo livre, Suzume o treinava.

—Cala a boca pivete. – Brincou o veterano apertando a mão do rapaz.

—Cadê a musica pessoal? Temos que comemorar hoje por que amanhã vai ser uma droga! – Kirino fala, entrando com Koichi ao seu lado. – Pelo deus dos raios! Suzume voltou! – O rosado profere, vindo rapidamente em nossa direção.

—E se não são Kirino e Koichi! Como vocês cresceram, pirralhos.

—E você também ficou mais velho também, velhote. – O rapaz de cabelos loiros responde, fazendo o veterano rir alto:

—Eu devia...

—O que está acontecendo aqui? – Sting pergunta e quando o olho vejo Lucy e Alois ao seu lado. Ryuu e Lecter estão um sobre o ombro de cada um dos loiros.

—Estão fazendo uma festinha e não nos chamaram Sting. – Falou a loira sorrindo.

—Espera... Aquele é o Sting-chan? – Suzume se levanta e quando Sting o vê começa a rir, espantando Lucy e o apadrinhado.

—Só pode estar brincando comigo, Hector. – O loiro caminho até a mesa, sendo que o moreno já havia se levantado e estava fazendo o mesmo caminho. Eles se abraçam – Seu velho idiota! Demorou oito anos para voltar, seu imbecil.

—Como você cresceu! Já deve ter até uma namorada.

—Estou quase pedindo ela em casamento, na verdade. – Responde o loiro, fazendo Lucy corar violentamente:

—Sting! – Replicou a jovem, vendo Alois rir com os gatinhos.

—É ela? – Suzume parece encantado com a loira ao se aproximar da mesma. – Ei, como você conseguiu esse mulherão, Sting-chan? – Isso fez a maga celestial corar novamente.

—Não sou um partido tão ruim assim. – Completou o dragão a sorrir. – Lucy ele é um dos veteranos da guilda, Suzume. – Lucy estende a mão ao homem e ele faz o mesmo. – E Suzume essa é Lucy, a minha namorada e a futura mãe dos meus filhos.

—Ei! Não somos apresentáveis não? – Alois replica por sua vez, causando confusão ao moreno. – A mamãe você apresenta e a gente não! Que injusto!

—Mãe? Você é mãe desse grandalhão? – Collins está tendo um ataque quando Sting responde rindo. – Quantos anos você tem, querida?

—Vou fazer dezoito, mas espere... Alois não é meu filho! Nós o adotamos faz uns meses. – Informou ela, vendo o olhar malicioso do homem para cima dela.

—Você deve se lembrar do Lec, não é? Então esse é o Ryuu-chan. – Sting fala, ignorando o comentário de Lucy antes. – Alois é o God Slayer branco então treinamos juntos.

—Você cresceu, hein Sting-chan. Tem até uma família agora. – O moreno bagunça os cabelos loiros do dragão. – E como está o Rogue-chan? Solteirão?

—Bem, você nem imagina como a vida dele deu voltas.

E nesse segundo, Rogue entra na guilda com Nanami nos braços, rindo com James e Fro:

—Foi o que eu falei. – James graceja, rindo ainda.

—Ei o que está... – Rogue para e leva Nanami consigo, que mira-o confusa.

—Rogue-chan? – Suzume pergunta, com os olhinho brilhando.

—Velhote! – O dragão negro exclama, sorrindo.

—Não me diga que essa é a sua namorada também. – O moreno passa as mãos no cabelo, desconcertado:

—Minha esposa, na verdade.

—Você se casou? Antes do Sting-chan e Rufus-kun? – A indagação me fez rir com os outros. – Que tipo de pacto você fez com o demônio, hein, Rogue-chan? – James e Sting começaram a gargalhar alto e aos poucos todos os presentes riam.

—Muito engraçado, solteirão. – Rebateu o moreno de olhos rubis.

—Bem... – Nanami fala, percebendo que aquilo poderia continuar por um tempo. – Sou Nanami Lohr. – A jovem de cabelos caramelos fala, esticando a mão. Suzume não se mexe.

—E ainda por cima se casou com a irmã do Rufus-kun! – Isso causou-lhe ainda mais surpresa.

Afinal, ele passou oito longos anos longe.

—É, ele me conquistou. – Ela fala e o veterano enfim aperta sua mão.

—E ai tiozão. Sou James. – Fala o moreno, com Fro em seus braços.

—Suzume-san lembra do Fro? Fro gostava quando ele dava bala escondido do Rogue-kun pra ele.

—E ai, rapazinhos. É um prazer James. E é bom vê-lo Fro. – Suzume fala, bagunçando os cabelos de James.

—Parece que vamos reviver velhos tempos. – Comentei.

—Onde está a Aoi-chan? – Perguntou Collins, considerando a falta da “irmãzinha” de Fumiko.

—Já está vindo. – O rei azul responde sorrindo.

—Pessoal escute! – Falei alto o bastante para que todos ficassem em silencio. – Hoje, Suzume vai descansar, mas amanhã vamos festejar a sua volta! Vamos fazer o nosso baile a fantasia agora! – Isso causou grande alvoroço.

—Yupi! – Yukino parecia animada. – Esse ano vai ser dez! – Ela comentou alto com Rufus e comecei a sorrir:

—Venha para a minha sala Collins, precisamos conversar umas coisas. – Apontei o segundo andar e ele assentiu.

—Parece que temos muito o que conversar mesmo. – Sua voz era clara, mas seus olhos ficaram turvos. – Eu consigo sentir Hector.

—Eu sei que sente.

Levy:

O dia amanheceu ensolarado hoje.

Gazille ainda dorme ao meu lado quando me levanto da cama.

Vou até o espelho e vejo que o inchaço da minha barriga já diminui o bastante para que ela volte a ficar normal.

Ainda me sento ferida.

—Você não deveria levantar tão cedo, baixinha... – Murmurou o moreno no meu ouvido, carregando-me.

—Não consigo dormir muito.

—Deveria, já que vamos ficar longe de casa por várias semanas.

—Hum, nem me fale.

As malas estavam arrumadas ao lado da porta e tudo o que deveríamos fazer era nos trocarmos e depois de encontrar o pessoal, ir direto para o trem que partiria as nove horas.

Fizemos isso e quando chegamos na guilda encontramos uma grande faixa de despedida ali.

—Porque fizeram isso? – Gazille pergunta a mim e dou de ombros até notar Mira vindo até nos dois:

—Levy-chan! Se sente melhor hoje?

—Sim, Mira. Estou ótima. – Respondo sorrindo. – Todos já chegaram?

—Só faltam o Natsu e a Lisanna.

—Como já era de se esperar. – Completa Erza sorrindo a mim.

—Você vai com a Wendy, né Erza? – Perguntei e a ruiva assentiu.

—É melhor do que a Wendy ir com o Gray, com certeza. – Com isso, eu comecei a rir.

—Ei pessoal! Vamos?! – Natsu, com Lisanna entre seus braços pergunta.

—Sim! – Responderam Mira, Wendy e Erza falam enquanto eu miro Gazille que sorri.

—Parece que estamos partindo não é, Levy? – O dragão de ferro comenta, saindo da guilda com o braço em torno da minha cintura. Era melancólico.

—Parece que sim.

Ameno.

Stan:

—Vou voltar para o templo da Micaela. – Informei a ele, com a minha mochila pronta.

—Não tente enfrentar Klaus agora. – Avisou ele. – Não sem eu estar por perto. Ele vai te matar.

—Eu não vou fazer nada. Apenas vou descansar naquele templo.

—Espere eu te achar.

—Tenho opção?

Natsu:

A viagem demorou quatro longas horas.

Assim que descemos na estação, percebemos que ninguém nunca havia estado naquela cidade e que ninguém sabia o caminho para a Sabertooth.

—E agora? – Perguntei.

—Acho que seria mais fácil se seguíssemos aquela bandeira dourada com o símbolo da Sabertooth. – Levy comenta e todos seguram o riso.

—Façamos isso então. – Laxus fala, liderando o grupo.

. Pelo caminho reparamos como a cidade era calma e organizada. Caminhamos por quase quinze minutos quando nos deparamos com a entrada da guilda. Ela estava enfeitada com algumas fitas coloridas, mas apesar disso parecia mais normal que a nossa.

—Vamos entrar? – Wendy pergunta, puxando a blusa da ruiva.

Olhei Laxus e ele assentiu:

—Vamos lá. – O loiro começa a emburrar a porta e automaticamente, as duas armaduras que estavam nas laterais da mesma se movem e impedem a nossa passagem com as suas lanças.

—Ei ei. – Gazille reclama.

—Quem diria que o próprio Laxus Dreyar não conseguiria passar por uma simples portinha. – Alfinetou uma voz que me era conhecida dos jogos anteriores. O Rufus Lohr em pessoa nos assistia.

—O que você faz aqui? E que roupa é essa? – Perguntei arqueando uma sobrancelha quando o vejo vestido como um anjo. As longas asas brancas não chegavam a encostar-se ao chão e a sensação que eu tinha era de que elas eram reais.

—Rufus! – Chamou Yukino, vestida com asas bem menores que as dele. Ela usava um vestido branco que combinava com as roupas alvas do loiro.

—Vamos entrar antes que a festa comece de verdade. – Ele falou-lhe, quando ela parou ao seu lado. Ele estalou os dedos e as armaduras moveram-se e abriram a porta. – Muito bem Koichi, você está ficando bom com esse negocio de marionetes. – Foi nesse segundo que percebi os fios brancos e finos controlando as armaduras. E depois, um rapaz de longos cabelos loiros pulando no chão ao lado dos dois anjos.

—Não é? Estive praticando desde ontem a noite. – Informou o rapaz com um sorriso. Vestia-se como um ventríloquo. – Assustei Lucy pela manhã.

—Imaginei isso quando ouvi o grito dela mais cedo. – Yukino fala contendo um sorriso. – Vamos entrar. Ei, venham também. Koichi promete que não fará mais travessuras com vocês. – O sorriso que ela dá mostra como ela pode ser ameaçadora quando quer.

Segurei a mão de Lisanna ao entrarmos. Fomos os primeiros.

O lugar era luxuoso o bastante para que a Fairy Tail parecesse uma pocilga, com todo o respeito. Lustres com velas acesas e tremeluzindo, ante luzes coloridas e chamativas que piscavam. Toda a mobilha era de madeira negra e brilhante, mesmo que quase fosse impossível de vê-la. Um grande salão de dança e um balcão movimentado. Uma guilda realmente espetacular de ser visitada.

—Bem vindos, magos da Fairy Tail! – Uma garotinha do tamanho da Wendy com cabelos alaranjados fala. Ela está vestida de bruxinha. – Papai o espera, venham comigo. – Chamou-nos, enquanto o loiro ao seu lado ficava em silencio. Ele, as vezes, olhava para os lados e sorria.

Uma música suave e romântica tocava na festa e alguns casais dançavam. Alguns de vampiros, outros de lobisomens, diabinhos. Tinham fantasias diversas e estranhas também.

—Finalmente chegaram. – Hector fala, vestido com orelhas de lobo e também com um rabo murcho. Ao lado dele, Minerva estava com um gorro vermelho na cabeça. – Pensei que não viriam.

—É, nós também não aguentamos a viagem. – Laxus fala e Mira aperta seu braço pela grosseria. Erza e eu trocamos um olhar suspeito.

E num segundo, um homem com um machado de quase dois metros de largura. Ele sorriu e colocou sua mão na cabeça da morena, puxando-a depois para perto dele.

—Divirtam-se crianças. – Falou com seus olhos negros.

E nesse segundo eu escuto a batida aumentar e o som também.

As batidas faziam muitos se remexerem na grande pista do salão. Alguns rapazes dançavam em grupinhos. A música era antiga, mas todos a conheciam e dançavam com passos antigos e novos.

As luzes piscavam em várias cores diferentes.

Pude ver Lucy e Sting sentados num dos bancos do balcão. Ela vestia-se com um colete de couro e uma saia rodada e preta. Sting estava com uma espada na cintura, colete e calça jeans rasgada.

—Natsu... – Lisanna chama, puxando a minha mão.

—O que foi?

—Você está bem?

—Mais ou menos... – Respondo, para depois beijar-lhe.

—Alo, alo. Aqui é o Dj de vocês, o Shiro-kun. – Falou um rapaz magrelo com a fantasia de coelhinho. – Hoje é o dia em que os nossos mais queridos amigos vão começar a ficar trancafiados na casa do Sting. Então, comemorando a falta que a Lucy e a Nanami faram em nossas vidas vamos dedicar essa música a elas. – Muitos começam a gargalhar com isso e então vejo que Sting é um deles:

—Alguém avise o Usagi que eu vou fazer, e muita, falta nas suas vidas. – Gritou o loiro, já que a musica estava mais baixa.

—Nem é exibido. – Comenta Erza baixinho, mas faz todos nós reunidos rirmos.

—Alguém diga ao metido a caçador de vampiros que ninguém liga pra ele. – Alfinetou alguém no meio da multidão e mesmo com a música alta podia-se ouvir as risadas.

—Cale a sua maldita boca, Kirino! – Ralhou o loiro a rir.

Pude ver Lucy cochichar algo na orelha dele e este desatou a beijar-lhe o rosto. Depois vi também o loiro que estava na porta se aproximar deles sorrir e depois pular no balcão. Ele sorria quando remexia suas pernas para cima e para baixo, cochichando algo no ouvido da loira.

—Alois! – Replicou ela, com as bochechas coradas. – Devia te deixar de castigo!

—Ei! Foi o tio Rogue que disse! Só estou passando um recado. – Este levanta as mãos e sinto Erza me cutucar no braço. Eu a observo por um instante e vejo que Wendy está olhando fixamente para ele.

—Psiu, Lisanna. – Chamei, colocando meus lábios em seus ouvidos. Ela me mira com seus lindos olhos azuis. – Acho que a Wendy está caidinha por aquele rapazinho ali. – Ela sorri a isso e também sorrio.

—Acho que alguém está apaixonada... – Cantarolou Gazille.

A pequena corou e enquanto nos riamos o loiro se aproximou:

—Estão bem acomodados? – Perguntou ele e quando me recuperei do choque, Laxus olhou Mira, que deu um daqueles seus sorrisinhos cordiais:

—Bem, Wendy-chan está com sede. Pode ajuda-la? – A indagação dela fez a azulada ficar totalmente vermelha.

—Alois não pode ajuda-la agora. – A mesma garota vestida de bruxinha fala, passando os braços pela cintura do rapaz.

—Mas eu posso. – Um outro completou. Devia ter a mesma idade deles dois, vestido de príncipe. – Não sou o deus branco, mas quem sabe posso ser útil? – O sorriso que ele dá surpreende até mesmo a garotinha que balançava a varinha sobre a cabeça dele.

—Seria ótimo. – Completou Erza, emburrando a pequena para fora de mesa.

—Erza-san! – Ela anuiu, retorquida.

—Sou James, ao seu dispor. – Ele lhe estende o braço e mesmo acanhada, a jovem dragon slayer aceita tal ato.

Ao se afastarem, vejo que a garota de cabelo laranja é a namorada do pirralho de cabelo loiro. Eles se beijam no meio da multidão, sorrindo um ao outro enquanto se esquivam de algumas luzes.

—Pena que aquela garota puxou ele. – Mira comenta, com um muxoxo. – Imagine que bonitinhos eles ficariam juntos!

—Mira, Alois já tem namorada. – Falei, apontando o beijo que ele dava na bruxinha.

—Esse daí não perde tempo mesmo. – Laxus comenta e como um vulto, vejo que o dragão negro está ao lado de Sting, falando algo em seu ouvido.

O dragão branco parou um segundo, olhou-me e depois olhou o moreno. Assentiu levemente e depois sussurrou algo no ouvido da maga estelar.

—Eles estão falando algo entre si. – Comentei a Laxus e este assentiu.

—É, parece que sim.

—Estão fofocando em como você está lindo, Natsu. – Provocou o moreno, fazendo Levy rir. Erza e Mira apenas se entreolharam com sorrisinhos desconcertantes.

—Vai se lenhar, Gazille. – Retruco, bufando.

Escuto passos perto. Um, dois... Cada vez mais perto. Deixei de olhar a minha mão junta a de Lisanna e mirei o loiro que se aproximava:

—Rogue falou que vocês pareciam mal aqui dentro e vejo que ele está certo. Vocês parecem fadas num potinho de geleia. – Provocou, mas senti que não era tão ruim quanto antes.

—É bom que tenham percebido. – Alfineta Gazille.

—Vamos logo Sting. – O moreno fala, com uma garota realmente bela ao seu lado. Ela murmurou algo no ouvido dele quando mirou o dragão de ferro na mesa.

—Alois está vindo com Hermione. Ué, onde está James? – Lucy pergunta confusa.

—Com a dragon slayer do céu. – Rogue Cheney responde, com um sorriso estranho.

—James não perde tempo. – Comenta o loirinho, sendo que a garota estava sendo abraçada por ele. Num segundo, Lucy fala algo em seu ouvido e eles se separam.

—Ele não tem jeito mesmo. – A garota que estava com o Cheney fala e embora eu já a tenha visto nos jogos, não me lembro do seu nome.

—Minerva e Hector vão mesmo conosco? – Sting pergunta a baixinha e ela assente.

—Papai disse que tem assuntos a resolver na sua casa.

—Assuntos a resolver? Seu pai tomou aquele certo uísque novamente? – Brincou ele e ela mostrou-lhe a língua.

—Eu imaginei que viria Erza. – Lucy fala para a surpresa de todos. – Imaginava que Wendy nunca viria sozinha.

—Como sempre, você continua perspicaz Lucy. – A ruiva responde com um sorriso.

—Voltamos. – James fala, entregando a pequena para mim. – Demos algumas voltas, mas foi divertido não é? – Wendy corou, embora assentisse.

—Estão todos aqui, finalmente? – Hector de repente aparece com Minerva.

—Você finalmente chegou. – Retorquiu o loiro e percebi que nem todos falavam naquele tom com o mestre da guilda.

—Deixe de ser chato, Sting. Quer que Suzume mate metade da guilda enquanto estivermos fora? – Minerva intervém, com a expressão entretida.

—Humpt.

—Nós vamos ou não? – Rogue apressa antes que eu ou Laxus o façamos. – Caso não tenham percebido, todos tem que levar malas pesadas para a casa no fim do mundo.

—Está dizendo que a minha casa é no fim do mundo, Cheney? – Lucy fala e ele dá um sorriso amarelo.

—Sabe que te adoro, cunhadinha.

—Que falsidade! – Alois diz, rindo.

—Eu vou pegar as minhas malas, vai. – A garota com o dragão negro fala, revirando os olhos. – James, faça o favor.

—Certo.

—Rogue, deixa de ser esse emo imprestável que você normalmente é e vai ajudar a sua mulher. – Sting fala – Você tem dois minutos. – O loiro fala seriamente enquanto o moreno bufava e seguia James e a garota. – Vamos espera-los lá fora. – Apesar de tudo, fui alegremente para fora daquela guilda.

Lucy olhava a guilda quando passei pela porta, ela parecia pronta para dizer adeus quando o rapaz que comandava a música falou:

—Você é a nossa irmãzinha. – Informou e vi que ela mirou o namorado por uns instantes. – A nossa princesinha, entendeu?

—Shiro-chan... – Ela murmurou e antes de sair pela porta, mandou alguns beijos a ele.

—O que foi isso? – Perguntei confuso e Sting me respondeu:

—É como um até logo, na nossa guilda. É mais fácil dizer o quanto a pessoa é especial para você quando ela está partindo. É muito mais fácil que um adeus. – Com seu tom melancólico ele fez Hector mirar o céu. – É comum nessa guilda, dizer eu te amo para um companheiro.

—Somos todos irmãos. – Minerva completa. – Todos criados juntos.

—É uma das qualidades da Sabertooth, Natsu. – Informou-me Lucy, com um ar triste de despedida.

—Os dois minutos acabaram. – Hector fala, dando a morena as orelhas que ainda estavam em sua cabeça. – Ele sabe o caminho, não sabe?

—Ninguém além de nós quatro sabemos, Hector. – Revelou ele.

—Vamos? – O Cheney fala, carregando duas malas marrons enquanto James carregava uma preta e tinha Fro na cabeça.

—Está na hora. – Falou Alois.

Algo parecido com uma ansiedade estranho brotou dentro de mim. Como seria a casa em que a Lucy mora agora? Será que é bonita?

—Já que estamos todos aqui, vamos? – Lucy pergunta e vê todos nós assentirmos.

A caminhada começou calmamente.

Saimos da cidade e entramos na floresta, apesar dos protestos de James.

—É o caminho mais rápido e também o mais seguro. – Revelou Sting com um ar serio. – Você quer ter que percorrer toda a cidade para chegarmos na minha casa?

—Se é assim... – James completa, realmente convencido.

Continuamos a caminhar, quando Lisanna puxou a minha mão para ficar junto da sua.

—Eles parecem normais. – Falou ela agarrada, agora, ao meu braço. Beijo o topo da sua cabeça.

—É, bem normais. – Reflito, embora seja um pouco frio.

—Acha que vão lutar uns contra os outros? – Mira pergunta a Laxus.

—Tudo vai depender deles. – Respondeu o loiro, estranhamente calmo.

O caminho que tomamos cortou ainda mais a floresta. Alois e James riam de algo, ambos falando com a ruivinha. Lucy conversava com Minerva e com a namorada do Cheney. O mestre da Sabertooth comentava como aquela parte da floresta era diferente, enquanto o Cheney assobiava uma canção com uma folha:

—Você ensinou isso a ele? – Levy pergunta, confusa.

—Ele que me ensinou isso. – O moreno responde.

—Como? – Pergunta Erza, contrariada.

—Eu era o mestre dele quando ainda treinava no Templo do Dragão.

—Existe um Templo do Dragão? – Pergunta Wendy, surpresa.

—É obvio que existe. – Sting fala – Como também existem igrejas e templos aos deuses, porque não existia pelo menos um templo para as criaturas mais poderosas do mundo? – Isso faz a melodia da pequena folha se tornar mais alta e harmoniosa.

A musica era triste e o vento cantarolava um assobio fraco e afinado, quase entrando em sintonia com o moreno. Uma sinfonia de despedida.

—Rogue, por favor... – A namorada dele fala e percebo que há algo diferente no dragão negro. Ele não aprece tão bem assim, reparando agora.

—Isso me faz lembrar do meu pai. – Informou-lhe ele.

—Então porque você o matou? – Disparou Lisanna, como quem não quer nada e Sting ou Hector pudesse fazer algo ele nós respondeu:

—Você jamais compreenderá a dor de perder algum querido e ainda mais, jamais compreenderá os sacrifícios que fiz por isso. – Ele responde, com a folha antes tocada desaparecendo em cinzas negras. – Uma vida por muitas não é? É, pelo menos, um sacrifício justo para salvar dezenas de inocentes? – Seus olhos faiscaram por uns instantes e antes que ele falasse mais, a garota puxou-lhe pelo braço e caminhou a frente de todos. Ela lhe falou algo que não pude compreender, mesmo com a minha audição e ele balançou a cabeça, assentindo e beijando o rosto dela em seguida.

—Estou indo a frente. – Hector fala, desaparecendo de repente. Após isso, uma fina camada de neblina começou a aparecer.

—O que é isso? – Pergunta Mira.

—É o que acontece nessa parte da floresta. – Lucy responde calmamente considerando o comportamento de Rogue ao seu lado. – É um sinal de que estamos mais perto de casa. – Sting se aproxima dela diz uma palavra em seu ouvido e se afasta. Alois também vai na frente com ele.

—Fro quer saber onde estão Lecter e Ryuu. – Pergunta o gatinho de fantasia. Olhei para o meu ombro onde Happy estava e percebi que ele ainda estava dormindo.

—Eles estão em casa nos esperando. – Lucy responde a ele.

Charles repousava nos braços da Wendy e Lily nos de Levy.

Finalmente vemos a casa e o meu espanto não pode ser maior.

Ela é quase duas vezes maior do que eu imaginava. Com uma faixada branca e uma varanda. Uma arvore no jardim da frente e também um balanço nela. À uma distancia de quinhentos metros da casa, Alois Sting e Hector estavam parados e nos esperavam.

—Vai desfazê-la agora? – Minerva pergunta e percebo que onde eles estão está uma enorme barreira invisível.

—Só estávamos esperando vocês. – O pequeno rapaz loiro fala, com um sorriso.

—Vamos fazer isso logo. – Sting fala.

A barreira branca aparece e os desenhos de dragões e algum deus estranho aparecem. Cobria toda a extensão da casa e parecia penetrar o chão.

—Fury... – O rapaz loiro fala, colocando suas duas mãos na barreira e tentado enfraquecê-la. A barreira tremeu completamente e a energia dele começou a fazê-lo brilhar.

—Ele está... – A ruiva começou falando, tensa.

—Ele está treinando. – Sting responde-lhe, com um sorriso satisfeito.

Mas a barreira expulsa-o com ferocidade e este cai, com as mãos em carne viva:

—Mais uma vez... – Insiste ele, mas o seu responsável apenas nega com a cabeça.

—Uma tentativa lembra? – Isso o faz ficar emburrado e Sting coloca sua mão onde estava uma das dele. – Dragon Force. White Sun. – Recita o dragão e a barreira desaparece e forma uma pequena bola de magia em suas mãos. – Você ainda não está pronto.

O rapazinho bufa e Lucy sorri, puxando-o pelas mãos.

—Bem vindos a minha casa. – Sting Eucliffe completa e me pergunto se não é bom viver assim.

Victory our dead!

Stan:

“—Rogue... – Chamei, sem conseguir dormir. Ele se virou para mim e percebi que ele também devia estar há bastante tempo acordado.

—Radios? O que foi?

—Tive um pesadelo. – Confessei, encolhido na cama.

—Foi tão ruim assim? – Perguntou ele, a meia luz da lua.

—Foi terrível. – Afirmei, com os olhos fixos nele.

—Conte-me. – Fiquei em silencio, sem saber se podia ou não contar. – Sou seu irmão mais velho, Radios, estou mandando você contar. – Ordenou em tom serio, embora eu soubesse que ele não gostava de falar dessa maneira.

—Eu sonhei com você morrendo. – Segredei baixinho e ele pareceu um pouco surpreso. – Eu estou com medo, Rogue-nii... Eu não quero ficar sozinho. – Sou o menor de nós dois e também o mais frágil. Rogue me protege de tudo e todos. Ele é tudo para mim.

—Você não vai ficar sozinho. – Falou ele, se aproximando de mim. – Eu não vou deixar você sozinho. – Eu me agarro a ele e começo a soluçar pelo terror do sonho. – Eu prometo, entendeu? Vou cuidar de você, não importa o que aconteça, oni-chan. – Vou fechando meus olhos e sinto a segurança de estar perto dele.

—Eu sei que você vai, Rogue-nii. – Murmuro a cair no sono.”

Abro os olhos e minha respiração esta ofegante. Estou suando bastante e sinto os calafrios e arrepios que o sonho me trazem.

—Parece que você continua tendo esses sonhos. – Vejo que Zeref finalmente veio me buscar para continuarmos o que começamos.

—Ainda não consegui me desvencilhar deles. – Falei, sentando-me. Observo como ele está vestido casualmente e me pergunto como e o porque disso.

—Eu observei o seu irmão hoje, Stan. – Informou-me. – Ele toca a mesma melodia na folha que você tocava quando era menor.

—Ele é quem me ensinou isso. – Respondo, embora a sensação de insegurança ainda esteja presente em meu ser.

—Se arrepende de ter feito a mulher que ele ama sofrer?

—Não. – Condize-me mentir, porque nesse momento, não sei o que pensar.

Rogue... Meu irmão Rogue... O que mais poderá estar escondido em minha mente ao seu respeito?

O que mais penejarei ao descobrir?

—Seus olhos dizem outra coisa. – O lendário Zeref fala, tirando um cigarro de dentro do bolso do casaco. A chama de seu isqueiro tremula vermelha, amarela e azul.

—Eles são as portas da alma. – Sussurrei lembrando de Micaela. – Não tem mais volta.

—É, realmente não tem. – Completou ele dando uma tragada demorada, soltando a nuvem de fumaça cinza na minha direção. – Agora vamos dar xeque, meu bispo. – Informou-me, tirando as cinzas da ponta e vendo-as cair no chão.

Sting:

—Alois, leve-os para os quartos. – Falei quando percebi que Lucy caminhava em direção ao sofá.

Fui rapidamente até ela:

—Tudo bem? – Perguntei quando ela colocou a mão na cabeça.

—Estou um pouco zonza pela caminhada. – Informou-me.

—Devia ter nos avisado Lucy. – Repreendeu-lhe Minerva.

—Eu vou buscar um copo de agua para você. – Falou Hector, apressadamente.

Estranhei o comportamento dele, mas tive de ignorar isso e me concentrei na loira.

—Você não deveria ter se esforçado tanto. – Sussurrei com os lábios em seus ouvidos.

Escuto um copo quebrando e vejo que Hector tombar para frente e cair no chão.

—Hector! – Minerva fala, assustada.

Vou com ela até ele, juntamente com Lucy. Ele está pálido e também respira ofegante. Abre os olhos quando Minerva coloca sua cabeça em seu colo:

—Chame Rogue para mim, por favor... Só ele... Pode me ajudar... – Implorou ele quando cheguei perto o bastante para ouvi-lo gemer. Natsu e Erza estavam no andar de baixo quando Rogue apareceu descendo a escadaria:

—O que houve? – Perguntou ele.

—Rogue... – Hector sussurrou, num fio de voz. – Preciso que me cure.

—Eu? Te curar? Não é mais fácil pedir a Alois ou a...

—Tem que ser o sangue do dragão negro... – Informou o moreno, respirando com dificuldade. – Só isso vai me ajudar.

—Rogue por favor... – Minerva praticamente implora, quando Hector fecha os olhos. – Por favor. – O moreno ainda estava receoso, mas mesmo assim teve de fazê-lo.

—Como farei isso? – Ele me pergunta, tremendo.

—Faça um corte fino no seu pulso e deixe que algumas gotas de sangue caiam nos lábios e nos olhos do lobo. – Falou uma voz a mim conhecida. Tyler envolvia Lucy pela cintura com seu braço esquerdo e havia chegado num momento oportuno. – É o ritual de cura para amaldiçoados, então o faça rápido. – O loiro tinha uma coroa diferente em sua cabeça, era pequena e quadrada, com joias esmeraldas e brilhantes.

—Ritual? – Pergunta Laxus.

—Não temos tempo para isso, se a maldição ficar mais forte ele vai morrer. – O loiro fala, puxando o pescoço de Hector para a esquerda e nos mostrando uma marca negra que crescia a cada minuto. – Rapido!

—Está bem! – Rogue fala, rasgando seu pulso com as unhas e deixando que inúmeras gotas caiam sobre o rosto de Hector. As gotas pingavam na testa do moreno e escorriam por seu rosto, contornando suas expressões de dor. Algumas gotas caiam sobre a boca do moreno, porque Rogue tremia.

—Afastem-se. – Tyler ordena e vejo que suas túnicas mudam absurdamente. A coroa muda completamente seu formato, virando uma coroa pontiaguda e feroz. As vestes carmim e creme mudam para negras e as mãos nuas de Tyler são cobertas por luvas de couro.

—O que está acontecendo? – Hermione pergunta.

—Fiquem em silencio. – Ordena o rei tigre em tom ameaçador. – “Homo homini lupus.” – Recita o tigre e Hector grita de dor.

—O que você está fazendo?! – Minerva fala quase indo na direção dele, mas a impeço, percebendo que é apenas um ritual para ajudar o noivo dela.

—Minerva, não! – Insisti, puxando-a pela cintura antes que ela pudesse fazer algo.

—Sting!

—Não! – Ordeno.

—“Homo homini lupus.” – Recita novamente Tyler e isso faz com que Hector abra os olhos. – “Homo homini lupus”.

—Homo homini lupus. – Repetiu o moreno em transe.

—Isso. – O rei tigre sorri quando o sangue de Rogue começa a sair do chão e ir até o lobo. – Está feito. – Suspira ele, cansado.

—O que você fez? – Interroga-lhe Minerva.

—Eu apenas fiz com que a maldiçaõ dele ficasse adormecida.

—Como? – Perguntei, vendo o choque nos magos da Fairy Tail.

—Eu conheço aquela maldição. Eu a praticava muito com meus inimigos, apesar dessa ser realmente muito mais forte que o normal e também... – Ele parou por alguns instantes, fitando o vazio.

—Tyler? Também o que? – Lucy pergunta, sabendo que ele não lhe negaria a resposta.

—Aquela maldição não é uma das comuns. É a maldição Lupus e só duas pessoas sabem usa-la. – Ele faz novamente uma pausa e olha firmemente para mim – Eu e o homem que hoje vocês chamam de mago negro.

—Está dizendo que... Zeref amaldiçoou Hector? – Perguntei quase incrédulo.

—Ele tem tal poder já que eu... – Ele abafa uma risada forçada – Já que eu mesmo o amaldiçoei com a Corpus.

—Corpus? – Pergunta dessa vez Gazille.

—É uma maldição esquecida. Eu a lançava em pessoas que cometiam crimes mortais contra alguém no meu reino, mas apenas Zeref sobreviveu. Humpt, quem diria que eu voltaria a praticar magia de redenção.

—Você sentiu a maldição se manifestando e por isso veio? – Lucy adivinha e ele assente, olhando Hector novamente.

—Onde quer que eu o leve? – Pergunta o loiro a mim e analiso a situação com cuidado.

—Leve-o para sua casa, que fica a um quilometro daqui ao norte. – Confirmei e este assente. Lucy toma a palavra dessa vez:

—Ty, você consegue levar Minerva e Hermione com você?

—Sem dificuldades, Lucy. – Ele afirma, com um brilho dourado em seus olhos.

Num segundo, vejo todo seu corpo brilhar, juntamente com a sensação de que a casa vai desabar. Ele some, seguido de Hector com Minerva e Hermione. Deixa um rastro dourado no ar a minha volta como um aviso e vejo em minha mão um papel.

Sem que ninguém perceba, eu coloco a folha no bolso da calça e vou até Lucy, reparando que ela mira as chaves negras em seu molho de chaves estelares. Ela me olha de maneira urgente e depois assente rapidamente, como se entendesse algo e que tivesse sido eu a contar a ela o fato.

—Lucy suas chaves... – Natsu fala e olho imediatamente para elas, reparando que uma chave em especial brilha. Justamente a mais perigosa delas.

—Isso é um mal sinal, Sting. – Comentou ela, um tanto apavorada. – E eu não posso traze-lo... Isso me custaria...

—Não se preocupe com isso, eu o farei lá fora. – Confirmei e todos os presentes ficaram confusos.

—O que você está dizendo? – Laxus reclama confuso.

Ryuu e Lecter observam-me. Alois está na porta me esperando.

—Podem vir se quiserem. – Informei-lhes. – Ou podem observar da janela.

Meus passos foram rápidos em direção a porta e quando sai, vi que Natsu, Erza, Gazille e Wendy tinham saído também, contando Rogue e James. O resto ficou dentro da casa, observando pela janela. Até mesmo Lucy não quis sair.

—O que vamos fazer? Levantar a barreira? – Alois pergunta e sorrio para ele.

—Levantar a barreira seria muito fácil. – Falo a ele, sentando-me no chão. Ele continua em pé e mira-me confuso. – Quero que você se afaste e vá ficar perto dos outros. – Ele tem a expressão confusa, mas entende que preciso fazer isso sozinho.

—Vou te observar, pai.

Os passos do god slayer se afastavam com velocidade e o cheiro da grama era calmo. Eu sabia que aquele chamado da chave era para mim. Sabia que Tyler vir ajudar Hector não havia sido simplesmente por coincidência. Só queria entender o porquê disso agora, uma semana depois da Lucy perder o bebê.

—De uma nuvem nascem os dragões. E de uma gota de sangue seus caçadores. – Uma pausa, pois sinto ele está próximo. Eu sinto a sua energia pulsando no meu corpo. Eu sinto sua essência, sinto sua alma como sentiria de Weisslogia ou a de qualquer outro dragão. – Mas do calor das almas nasce o rei dragão. – Recito a última parte, notando que ele aparecerá num clarão e esse clarão havia destruído quase que um ¼ do meu jardim.

—Minhas saudações, dragão branco. – Ele fala, com sua notória armadura vermelho-sangue. Seus cabelos estava presos num rabo por uma fita e caiam sobre o ombro esquerdo, deixando-os a mostra.

—Saudações, espirito dos dragões. – Reluto, embora minha voz saia calma.

Ele se senta e penso se conseguirei deixa-lo aqui por muito tempo. Apesar de eu ser forte, o desgaste que sofri nesses últimos dia não se compara ao que eu tinha antes. Estou fraco.

—Você está fraco. – Completa ele. – Nunca vai conseguir proteger Lucy dos perigos que viram dessa maneira, Sting Eucliffe.

—E de nada vai adiantar você vir me falar isso. Não temos muito tempo, diga o que eu preciso fazer. – Estávamos frente a frente e eu sabia que todos nos escutavam. E pouco me importava.

—Você precisa desenvolver completamente o Dragon Soul.

—Espere... Não o completei? Ainda não?

—Você ainda não compreende o que é o Dragon Soul, Sting. – Falou ele, com uma voz enfadonha e notória. – Mesmo que seja prematuro, você precisa desenvolver pelo menos a metade da técnica.

—E como eu faço isso?

—Essa é a maneira difícil. – Revelou ele, arrancando um punhado de grama de onde estava sentado. – Você teria de morrer para evoluir o Dragon Soul completamente, na melhor das hipóteses.

—Você só pode estar brincando. – Meu tom o faz ficar serio.

—Eu sei que você já ficou entre a vida e a morte em alguns de seus treinamentos durante a sua vida. Algumas vezes, você ficou quase sem magia nenhuma e seu corpo entro em um coma profundo para regenerar-se. – A lembrança disso veio rapidamente a minha mente. Layla que cuidou de mim por um período de duas semanas. Lembro-me agora que ela achou que eu morreria em seus braços algumas horas da noite. – Layla ficou assustada não é? – Pisco surpreso e percebo que ele leu a minha mente.

—Saia da minha mente.

—Você não pode negar. O que aconteceu durante seu treinamento com Gilbert? O que você se lembra disso?

—Não estou afim de correr esse risco. Não agora, com tanta coisa em jogo.

—É isso ou considerar perder Lucy. O que você quer fazer? – Isso, definitivamente, me matou por dentro. Lembrei de como tinha sido e que a sensação de ficar imerso no oceano denso da minha mente era profundamente aterrador. Eu sentia que nunca mais voltaria.

—Eu terei de fazer isso novamente? Mesmo com os riscos de eu nunca mais voltar? – Isso o faz ficar em silencio por uns minutos.

—Prometo nunca deixar a Lucy desamparada. – Isso me fez suspirar.

—Obrigado, Daniel. – Sussurro. Levanto-me e ele continua sentada e me pergunto o porquê até que a resposta ruge em minha mente. Sorrio a isso, sem compreender os seus reais motivos, mas caminho calmamente até Natsu e seus amigos. – Aquele ali é Daniel, o espirito imperial que guarda o dragão nas estrelas, ou seja, a alma celeste de todos os dragões. – Falo, causando-lhes surpresa. – Como vamos ficar aqui sem tempo definido, perguntem a ele como fazem para ficar mais fortes. Tenho certeza que ele vai atendê-los da melhor forma que puder. – Não sei porque estou sendo gentil, nem porque me sinto confiante.

Natsu é o primeiro a ir, vendo que eu falava a verdade. Wendy e Erza entraram para falar com Laxus. Eu me aproximei de Rogue.

—Porque ele está indo falar com Dan? – Pergunta Alois confuso, e vejo que os dois morenos ao seu lado estavam da mesma maneira.

—O espirito do dragão vai dar uma orientação aos dragon slayer que quiserem. – Confirmei, vendo Natsu sentar-se à frente do espirito:

—Sting disse que você me ajudaria a ficar mais forte. – Ele começa. – Mas antes quero lhe perguntar uma coisa, já que você tem uma conexão com os dragões da terra.

—Pergunte-me o que quiser, Natsu Dragnell.

—Quero saber se meu pai, Ingell e os pais dos meus amigos, Grandine e Mettalicana, ainda estão vivos e onde eles estão.

—Eu os sinto, Natsu, embora não possa dizer certamente a sua localização. Sei que estão bem e que possivelmente adormecidos num sono profundo.

—Não sabe mesmo onde eles estão? – O rosado insiste e o moreno olha-lhe com certa pena.

—Não, infelizmente. – Daniel fala e pelo seu tom percebo que ele mente – Não quer se tornar mais forte, Dragnell?

—É claro que quero. Farei o necessário para defender aqueles que amo.

—Era isso o que eu esperava escutar de você. – Um sorriso maroto surgiu em seus lábios – Apesar de você quase ter se tornado o rei dragão anos atrás, Sting tomou o seu lugar quatro meses atrás, certo? – Posso ver a sua carranca. – Mas não desanime-se. Você, e todos os outros, também podem encontrar a sua essência.

—Como?

—Você precisa aprender a controlar a sua fúria interior e depois começar a utilizar o fire blood. – Explica o espirito. – O Fire Blood é a representação de toda a sua força, é a sua essência de dragon slayer se mostrando completamente. Você está muito próximo de conseguir alcançar esse poder. Talvez Sting ou Rogue, que fizeram esse treinamento com dois mestres diferentes possam ajuda-lo.

—Obrigado, eu acho. – Natsu fala e antes que ele possa se levantar Daniel completa:

—E mais uma coisa, Natsu. Existe, na nossa sociedade de dragões algo chamado hierarquia. Acnologia é o mais forte, seguido pelos outros dragões e depois vem Sting, como dragão rei.

—Isso quer dizer que...

—Quer dizer que tecnicamente, ele é seu superior. – Isso faz Rogue sorrir. Tecnicamente, então, ele também era o superior do Dragnell.

—Você está me tirando uma com a minha cara? – Ele fala e isso deixa o espirito realmente furioso.

—Ele é mais forte que você e está mais apto a fazer coisas que você nem sonharia em fazer.

Natsu se levanta e sem olhar para trás, vai em direção a casa. Nós dois trocamos um olhar antes dele entrar na minha casa e sorrio vitorioso quando ele grunhi e entra.

—Eu acho que ele ficou irritado. – Rogue completa infame.

—Você acha? – Eu e Alois falamos juntos e só o menor sorriu. Suspirei e dei de ombros sem saber o porquê, observando Wendy se dirigir ao espirito do dragão.

—Vou entrar. – Informo-os.

—Fique tranquilo, ninguém vai destruir ainda mais o seu quintal. – Segredou o moreno comum ar divertido.

—Meu irmão, não duvide dos magos da Fairy Tail. – Sussurrei.

Keith:

—Mais uma vez! – Insisti, mesmo com meu corpo a rugir de dor. Klaus estava tão ensopado de suor quanto eu.

—Keith, já chega... Estou cansado. – Ralhou ele, a arfar.

—Chame Nolan então! – Ordenei. – Não posso parar agora! – Ofeguei aos gritos e vejo Rixon vir em nossa direção.

—Saudações, dragão branco. – Ele fala, com seus olhos verdes iluminados por pequenos raios e seu cabelo branco espetado.

—Venha lutar comigo, Rixon. – Peço.

—Consegue me enfrentar pelo menos?

—O que tenho a temer? – Ralhei com um sorriso e ele deu uma risada abafada por um descaso.

Nunca senti meu corpo ficar daquela maneira. A dor no mais profundo dos ossos quando um dos raios de Rixon caiu dos céus e me atingiu. Tenho certeza que meu grito acordou Ignell, Grandine e Mettalicana.

—Maldito seja você, dragão dos raios. – Falo, caindo de joelhos.

—Vamos, não foi tão forte assim. – Ele ri, sentado em uma pedra. – Mas pensando bem, Klaus deu um trato em você, não é?

—O que? – Meu rosto fica vermelho de fúria.

—Mostre-me que não então. – Seus olhos verdes brilham enérgicos e levanto, correndo até ele e desferindo um soco que destruiu a pedra que ele estava e ainda quebrou grande parte do chão de pedra do lugar. Rixon não estava no chão. Ele era o único dentre nós dez que conseguia voar.

—Sinta a força do dragão branco, Rixon. – A chuva começa a cair sobre o meu corpo, mas as gotículas de agua logo evaporam devido a minha temperatura corporal. Meu poder entrando em ebulição. – Eu vou te destruir. – A minha lendária espada surge e isso faz o próprio Klaus sorrir. – E Klaus vai recolher todos os seus pedacinhos, Rixon.

—Você pode tentar. – Ele gira a sua, também lendária, lança de raios. – Mas será que vai conseguir?

Lucy:

Natsu entra em casa bufando e logo vai para o sofá onde Lisanna também estava. Ele enterra, prontamente, seu rosto na curva do pescoço dela e esta parece confusa com a atitude dele.

Vou até a cozinha e vejo Ryuu e Lecter a mirar-me:

—O que houve? – Pergunto calmamente a eles, acariciando as orelhinhas fofas do Ryuu-chan.

—Você e o papai parecem cansados. – O gatinho creme fala.

—Estamos bem, Ryuu.

—É obvio que não estão! – Lecter contrapõem, injuriado. – Desde o ataque nenhum de vocês parece bem.

—Só se passou uma semana Lecter. – Informei-o. – Não é tão fácil assim se recuperar. – Pela primeira vez em meses eu o peguei no meu colo. – Olha, eu vou fazer de tudo para fazer o seu Sting-kun feliz entendeu? Não importa o que aconteça comigo, eu vou fazê-lo sorrir.

—Ele só vai sorrir se você sorrir. – Isso me pegou de surpresa o bastante para que eu ficasse sem palavras por uns instantes. – Sting-kun gosta mais de você do que eu imaginei e agora eu percebo isso. – Tal explicação o deixa um pouco sem graça – Ele só vai ficar feliz quando você estiver feliz. Isso é o importante. – Eu, finalmente o coloco no balcão de mármore. Ajeito calmamente o seu pequeno colete e percebo o gatinho azul mirando-me. Sorri para ele antes de voltar a prestar atenção em Lecter:

—Sting é a minha razão de estar aqui, Lec. Sem ele, eu estaria muito pior, mas... Ambos estamos no nosso limite.

—Eu quero te ajudar mãe. O que posso fazer? – Ryuu intervém e a sua atitude faz um sorriso se abrir em meus lábios.

—Eu vou me recuperar com o tempo, Ryuu. – Minto. Sei que essa dor não vai cessar por um bom tempo. Sei também que preciso contar isso a Sting, mas tenho medo do que tal confissão possa representar no nosso relacionamento. Tenho medo de deixa-lo pior. Passos se aproxima:

—A sua mãe é bem teimosa, não Ryuu? – Sting fala e vejo que ele sorri.

—Hum!

—Eu quero pedir um favorzinho. – Sting faz, mostrando que deveria ser bem pequeno com os dedos. – Podem ir até o quarto e arrumar a cama? Daqui a pouco eu vou ter que carregar a sua mãe para lá.

—Pode deixar pai! – Ryuu fala animadamente. Lecter também parece feliz:

—Eu vou ajudar, para que o Ryuu não fique enrolado naquelas cobertas. – Eu sorri para ele e este me sorriu de volta. Talvez isso fosse o começo da nossa grande amizade.

—Obrigado. – Sting fala e depois que os mira subindo o corredor beija-me de maneira tão intensa que penso se não é um sonho.

Seus lábios carnudos fazem uma pressão gentil ante os meus, mesmo que as nossas línguas flutuem e brinquem uma com a outra. Suas mãos chegam ao meu quadril e ali se instalam, dando um rápido aperto. Envolvo seu pescoço com meus braços e quero que ele intensifique ainda mais. Quero que o vazio que sinto por causa do bebê perca o sentido nesse beijo. Quero que toda a dor que sentimos se esvazie perto desse sentimento.

Ele se afasta uns milímetros, ainda de olhos fechados e encosta sua testa na minha. Algo em sua postura me deixa assustada e curiosa:

—Escute-me... – Ele fala, roubando um beijo suave de meus lábios, tirando o pouco de ar que poderia restar em meus pulmões. – Daniel me disse algo. – Ele completa depois que termina de me beijar. Eu sabia que existia uma conexão entre ele e Daniel desde o momento que consegui a chave. Sabia que de alguma maneira, toda vez que via Dan sentia Sting. Sai de meus devaneios quando ele pressiona seus lábios contra os meus novamente, mas dessa vez foi apenas isso, um contato com gostinho de quero mais. – Ele disse que o meu Dragon Soul ainda não está completo. – Informou-me e pela sua expressão notei que as suas próximas palavras me machucariam. – E para evolui-lo eu preciso... – Sem conseguir completar, Sting apenas mira meus olhos e vejo que lagrimas se formam nos seus. Tamanho o seu desespero.

—O que você precisa fazer? – Perguntei abismada, ainda com os braços envoltos em seu pescoço.

—Eu preciso morrer. – Informa-me e sinto uma onda de desespero tomar conta do meu ser. Estou tão chocada que preciso sair de perto dele uns minutinhos. Senão eu começaria a chorar em pranto.

Tiro meus braço do seu pescoço e consigo desvencilhar suas mãos do meu quadril. Este me olha em puro pânico, mas continua imóvel. Vou até a pia e abro a torneira. Pego o primeiro copo de agua que vejo e coloco-o sobe o fio de agua que cai. Quando o copo está pela metade eu o tiro e o bebo num gole só.

Pouco antes de eu começar a chorar, Sting aparece atrás de mim e segura-me pela cintura, preocupado.

—Sinto muito. – Falo a ele, pois sei que essa reação que tive lhe machucou muito. A primeira lagrima cai quando este vira-me, pressiona meu corpo contra a pia e me abraça. Consigo sentir que ele está soluçando.

—Isso me deixou apavorado. – Segredou ele em meu ouvido. – Mas se eu não fizer isso... Se eu não evolui-lo posso perder você. – Cada palavra doía mais em mim do que nele e eu sabia que ele também sentia tal dor. Eu o amo demais para perdê-lo.

—Você não vai me perder. – Garanti, embora parecesse um falsete.

—Não posso mais correr esse risco. – Ele responde, seriamente. – Dan prometeu que cuidaria de você. E sei que Tyler também o fará.

—Por favor, Sting... – Implorei, deixando que mais lagrimas rolassem. – Por favor.

—Não faça isso comigo. – Ele fala de volta. E eu sei que me ver chorando acaba com ele das piores maneira possíveis. – Já é difícil e...

Eu o abraço forte com medo.

Aquilo parece uma despedida.

—Você se lembra quando lutei contra Ian? Que fiquei imerso em meus poderes? E que apenas você me conseguiu tirar de lá? – Ele confessa e fico um pouco menos tensa. – Eu ficarei imerso mais tempo dessa vez e pretendo dominar completamente aquela área. Se eu me perder, só você pode me salvar Lucy.

—E seu eu não conseguir? Se não for tão forte? – Aquele sensação desesperada ainda não havia ido embora.

—Você me salvou mais vezes do que posso contar Lucy. É a minha parceira e eu sei que vai conseguir... – Somos interrompidos por passos na cozinha e viro o rosto para ver quem é.

Nanami.

—Nana-chan? O que foi?

—Sting... Rogue ainda está lá. Isso está me deixando preocupada. – Informa-nos ela, quase em desespero. – Ele não me escuta, parece em transe. – Miro rapidamente o loiro e ele assente, beijando rapidamente o topo da minha cabeça e saindo a passos rápidos para fora.

Sting:

O que Dan está fazendo?

Rogue está imóvel afrente do mesmo. Mas sei que ambos sentem a minha presença quando me aproximo.

—O que está fazendo? – Pergunto a Dan, quase furioso. Laxus parece interessado na cena.

—Estou canalizando as emoções dele. – Daniel está sentado como se meditasse e antes que possa perceber, eu puxo Rogue e o faço cair de costas no chão. O moreno abre os olhos confuso e surpreso e Dan sorri a mim. – Você não gosta dos meus métodos?

—Ele não pode fazer isso. – Quase rosnei e mostrei a ele uma serie de memorias embaralhadas. O brilho de seus olhos ônix se tornam mais intensos com isso.

—Porque não? – Rogue quis saber realmente irritado e simplesmente falo:

—Ele ainda não está pronto, Daniel. E você sabe que ainda não é a hora, Rogue. Por acaso se lembra quando canalizei minhas emoções? Quando quis matar aquela certa pessoa e o que isso causou a Lucy? Como fiquei quando Weisslogia apareceu?

—É diferente! Não vou tentar matar ninguém.

—Você nem sabe se vai ou não. Se você perder o controle agora pode machucar até Nanami. – Isso o faz ficar em silencio e percebo que tenho-o em minhas mãos. – Porque quer canalizar os sentimentos dele? Rogue é forte o bastante para começar a aprender o Dragon Soul. – Retorqui, irritadiço com a conduta do espirito.

—Se ele estiver alheio a certas emoções poderá leva-lo ao Dragon Soul com mais rapidez.

—É arriscado e perigoso. Se algo der errado, terei de mantê-lo trancado em uma jaula até botar um pouco de sanidade em sua cabeça oca.

—Não vai dar errado. – Rogue fala.

—Há outros meios, Daniel e você sabe muito bem disso. Se descartar o método que vou usar devem haver mais cinco que ele pode usar.

—Todos demorariam mais que semanas.

—É melhor perder semanas de treinamento que matar pessoas importantes. – Isso faz o espirito torcer os lábios. Eu ganhei essa discussão. – Gilbert falou a mim do método da morte, do método da fúria, o método da dor e o método do desespero.

—Tirando a morte, a fúria e o desespero são bem eficazes. – Comenta o moreno, mesmo que a contragosto, Rogue nos observa.

—Qual é o mais eficaz? – Eu olho Dan e praticamente imploro com a mente para que ele não fale o que eu estou pensando em fazer. Já me basta morrer, não quero levar o meu melhor amigo junto.

—O desespero. – Dan completa. – Você é bom com ilusões, Cheney?

—Tirando o fato de eu conseguir torturar uma pessoa com minhas memorias, sou uma droga com ilusões. – Eu sorrio.

—Seu treinamento com Tyler acontecerá todas as manhãs. – Dan fala e vejo Rogue em choque por saber que o tigre vai ser seu mestre.

—Vamos que Nanami está preocupado com você sua anta. – Isso o faz levantar.

—Estou entrando. – Ele fala, quando caminho a sua frente em direção a casa. Sorrio, como se tivesse cumprido uma missão.

Keith:

—Keith está tão exausto que nem consegue falar. – Rixon fala, deitado na direção contraria a mim.

—Eu estou treinando desde ontem a noite. – Revelo notando que o sol já estava se pondo. – Ainda não comi uma grama de nada.

—Alguém providencie comida para esses mortos de fome. – Klaus ralha rindo, com Nolan ao seu lado. Jonas ria de algo qualquer enquanto Stefan continuava de cenho franzido:

—Até quando vocês vão brincar de treinar? – O dragão venenoso contrapõe, com os olhos arroxeados semicerrados.

—Faça-me o favor Stef! – Retrucou Rixon, realmente ele não estava disposto a ouvir o sermão do rapaz.

—Faça me o favor?! Zeref voltou a agir! – Ele revela, já que era o único que conseguia seguir Zeref a distância.

—Novamente? – Jonas intervém, quase indiferente.

—Nenhum de vocês entende a real situação que estamos.

—E qual é ela? – Quis saber Rixon.

—Zeref sabe a profecia. – Meu coração deu um salto e um trovão rugiu no céu. A terra tremeu e um vulcão entrou em erupção. As trevas ofuscaram o dia.

—Porque não disse isso antes? – Rosnou Klaus. Eu mal podia me mexer pará-lo.

—Eu o proibi. – Menti e vi que Stefan sabia que seria melhor assim.

—Você o proibiu?! – Nolan fala, puxando-me pela gola da camisa. – Sabe a gravidade da situação em que estamos?

—Apenas você não a entende. – Ralhei, já sentado.

—Keith! Está louco?! – Jonas fala realmente irritado.

—Não posso fazer nada. Eu ordenei isso pensando no melhor para todos. – Menti na cara dura e o garoto de cabelos dourados assentiu veementemente.

—Keith, você tem ideia do que você fez? Pode ter acabado com todas as chances que já tivemos.

—Não podemos intervir. – Falei.

—Ah, faça-me o favor! – Rixon intervém. Meus olhos se fecham involuntariamente.

Aos poucos, tendo me desligar deles e pensar no que Zeref pode estar tramando. Qual seria a relação dele e do bastardo? Qual a ligação que eles podem vir a ter? O que a união deles pode representar para os nossos dragon slayers?

—Keith! – Grita Klaus. Meus olhos se abrem e vejo que eles formaram um circulo ao meu redor em busca das respostas. – O que você pensa que está fazendo?! – Inquiriu o moreno, com seus olhos desiguais a me mirar.

—Eu preciso de um momento com o mestre. – Sussurro, calmamente. Meu corpo ainda está dormente de tanto lutar.

—Não vai ter esse momento até nos explicar o que aconteceu. Porque faz isso?! – Nolan grunhi e Stefan vem ao meu encalço.

—Já pensou no que ocorreria se não tivéssemos certeza? O que poderíamos fazer a um inocente?

—Inocente? Onde aquilo é inocente? – Rixon dispara e tento me colocar de pé, sem sucesso.

—Já basta! – Falo o mais alto que posso e deixo todos em silencio. – Eu sou o guardião da barreira e eu decido o que deve ser feito. – Minha voz sai mais duro do que eu desejaria. – Eu vou ter com o mestre novamente. – Informo-os e sei que se eu desejar com muita força estarei junto da barreira do mestre.

Fecho os olhos com força.

Poucos minutos depois não sinto mais no mesmo chão frio que antes. O lugar em que estou não está molhado pela chuva de Rixon ou pela destruição que eu causei com a minha espada.

O chão é feito de pedras acinzentadas e unidas pelo seu encaixe perfeito. Apesar de parecer frio, consigo sentir o calor que o sol intenso da manhã lhes causou. Agora, meu corpo úmido e o calor das pedras contrastam a beleza do que acabei de fazer. Menti para os meus melhores amigos a fim de salvar outro. Agi como um idiota mesmo não sendo necessário e ainda posso ter colocado em risco a vida de inúmeros inocentes. Posso ter colocado em risco a vida do meu herdeiro.

—Seu tormento é louvável, Keith de Weisslogia. – Fala uma voz que a muito eu não escuto.

—Você sente pena de mim não é, Grandine? – Resoluto e vejo a pequena esfera que, em essência, representa os poderes do dragão dos céus.

—O que você fez, apesar de perigoso é louvável. Você ajudou um amigo.

—Mas posso ter matado inocente com isso. – Era estranho. Normalmente, qualquer dragão que não Weisslogia ou Acnologia me odiavam. O desprezo era visível em seus olhares.

—Você ainda é inexperiente. – Ela comenta.

Sinto uma onda de inferioridade e incredulidade se apossa do meu ser e ao mesmo tempo, lembranças de Weisslogia e Aloise. Lembranças até mesmo do pequeno e fofo Sting, que pode estar chorando nesse momento por minha causa.

Quero chorar, mas as lagrimas não caem. Talvez elas saibam que isso só arrancará mais um fragmento do meu coração e que, fluentemente, se eu começasse nunca iria parar.

Sinto que, se fosse mais perceptivo, poderia ter feito algo. Eu poderia ter parado Zeref da ultima vez que o senti nas redondezas da ilha ou quando ele treinava com Radios ao longo da costa marítima de Fiore.

—É tudo culpa minha. – Informo-lhe, com a voz densa pela ânsia de chorar – Eu vi os sinais e os ignorei.

—Você não poderia saber. – Ela completa.

—Eu vi! E os ignorei. – Revelo. Sinto meu coração dar um salto, mas entendo que a barreira está ligada aos meus poderes novamente. A cúpula dos dragões está sobe o meu comando novamente.

—O tolo se acha sábio... – Começa ela.

—E o sábio se acha tolo. – Completo, intensificando ainda mais a minha tolice. Weisslogia era a pessoa mais sabia que eu conhecia e ele estava morto. Acnologia é meu mestre e também meu amigo, mas odeio importuna-lo com coisas que só o fazem suspirar e repetir que preciso de mais discernimento e compreensão, além de enfatizar que devo seguir o meu instinto. – Grandine, o mestre mostrou algum sinal de seu despertar? – Eu sabia que ela, quando eu não estava por perto, monitorava gradativamente tudo ao redor de Acnologia.

—Aparentemente, não. – Afirmou. – O que vai fazer, Keith? Pensa em entrar novamente na barreira que fiz? – Eu tento me levantar e percebo que minhas pernas parecem melhores agora. Consigo pôr-me de pé num salto e noto que as minhas roupas ainda estão molhadas e sujas. – É arriscado demais. Sabe que não pode ficar entrando naquele lugar levianamente.

—Pareço fazer algo leviano? – Isso a faz ficar em silencio. – Eu posso ter matado Sting. Posso tê-lo ferido gravemente ou ainda posso ter destroçado a sua alma. Posso ter matado a sua garotinha ou inibido qualquer chance do garoto de Ignell estar são para qualquer coisa.

—Mas os riscos por você ir até lá são...

—É menos do que terei de explicar aos outros. Por favor, Grandine, prometa-me que fará com que eles se acalmem e que não tentem ultrapassar a barreira. – Eu tiro a minha camisa molhada e me deparo com alguns arranhões nas minhas costelas. Meu rosto estava cortado e ardia em lugares que a terra e a agua estavam. Sentei-me no chão e respirei fundo:

—Você não pode fazer isso! – Insistiu ela.

—Você não manda em mim. – A minha insolência poderia custar a minha vida.

—Weisslogia nunca lhe permitiria fazer tal coisa.

—Ele está morto. – Suspiro calmamente. Junto minhas mãos como se fosse rezar e sinto alguém bater na barreira e abro os olhos. Klaus tenta, inutilmente, desvencilhar o controle que fiz quando ele não estava por perto. Isso o deixa furioso. Sei que isso é mais do que meu corpo jamais suportaria e sou pego dando um breve sorriso.

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Eu vou te proteger, Sting-chan.

“—Sting? Onde você está? – Pergunto.

Ele é tão pequeno que ainda não compreendo como Weisslogia vai treina-lo.

—Papa? – Escuto seu choramingo e vou ao seu encontro.

Ele está encolhido debaixo da cama do chalé onde vivo com Klaus. Do outro lado do recinto vejo dois garotinhos dormindo numa mesma cama e o meu companheiro deitado com a cabeça encostada na cama, sentado no chão de madeira frio. Eu, pelo menos, tinha um lençol para deitar-me e ainda um para cobrir-me.

—Sting. – Sou tomado por uma imensa piedade e ainda uma suplica fraternidade. Ele deve ter menos de dois anos e meio. – Está com medo dos raios? – Eu o puxo novamente para cama, sentando-me ao seu lado. O pequeno agarra a minha coxa direita, fechando os olhos com força.

—Mama... – Implora ele e eu sou imerso no sentimento da culpa. Eu o tirei dos pais, é minha culpa se ele continua a chorar copiosamente. – Mama... – Geme, fungando.

—Está tudo bem. – Eu acaricio a sua cabeça e ele se encolhe. Tenho medo de fazer mal a ele.

—Papa... – Chama ele baixinho e isso faz com que eu me sinta mais monstruoso que o normal.

—Sting. – Fala, puxando-o para o meu colo. Levanto-me com ele em meus braços e sou pego de surpresa quando este parece ainda mais aterrorizado. – Shii... Você precisa dormir. – Eu faço como Aloise tem feito com a garotinha que ela cuida. Pelo que Klaus havia me falado, a criança que se tornaria o seu dragon slayer havia adoecido. Então, como Poluscka nos abandonou, ela tratou de cuidar da recém nascida.

Apoio a cabeça do pequeno no meu ombro e arrumo o resto do seu corpo com os braços. Ele continua a fungar, mas, pelo menos, parece mais calmo.

—Eu vou cuidar de você. – Murmuro, apenas para que ele possa me ouvir. Este, ao menos mira-me depois que digo isso.

—Mas e a... – Coloco a mão esquerda na sua cabeça, acariciando-a. Ele funga mais uma vez.

—Eu prometo que veremos a mama daqui a pouco, Sting-chan... Agora você tem que dormir. – Noto que ele nunca vai dormir, não importa se eu o balançar a noite toda.

Ele não vai dormir!

Por fim desisto e o coloco na cama. Ajoelho-me a sua frente e percebo que seus grandes olhos azuis de quartzo miram-me.

—O que a mama faz quando você não consegue dormir? – Pergunto calmamente, mesmo sabendo que vai ser bem difícil dele me responder. E também, some o fato dele ser pequeno e frágil e de eu não ter nenhuma experiência com crianças a não ser por Stef. E eu quase o derrubei de cabeça em uma pedra!

—Tetê! – Ele me responde e suspiro. Espero, realmente espero, que tetê seja leite.

—Eu vou ir ali fazer tetê para você. Acha que pode ficar quietinho? – Ele nega e dou um suspiro ainda mais longo e cansado. Sting-chan é pequeno e requer muito mais cuidado e atenção do que eu jamais imaginei.

Tenho a sensação de que sou novo demais para cuidar de uma criança como ele. Eu realmente preciso de ajuda.

Pego-o em meus braços, aninhando-lhe da melhor forma possível. Outro trovão ruge em meus ouvidos e o loirinho em meus braços estremece. Beijo o topo da sua cabeça quando ele volta a choramingar com mais força e puxo-lhe ainda mais para perto do meu corpo quando abro o guarda-chuva branco.

A chuva caia de maneira ruidosa e batia em algumas folhas, caindo em mim e frequentemente na minha panturrilha.

O chão estava escorregadio e eu estava tentando me equilibrar da melhor maneira possível, tendo em vista que Sting estava tremendo em meus braços e o chuva juntamente com o vento quase levava o nosso único salvador, leia-se guarda-chuva, que nos protegia da densa agua fria.

Demorei dez minutos para chegar até o chalé de Aloise, num caminho que normalmente não levo nem dois minutos.

—Aloise! – Chamei, tão desesperado quanto o pequeno para sair logo da chuva. – Izzy! – Chamo-lhe.

—Keith? – Ela aparece na porta, segurando uma vela. O vento quase a apagou duas vezes.

—Preciso de ajuda. – Roguei e depois disso, o vento bagunçou de tal maneira os meus cabelos e os de Sting que este começou a chorar em meus braços, mesmo ainda estando protegido. – Por favor. – Implorei por fim, vendo que ela aceitaria.

Entrei no chalé com os sapatos sujos de lama e folhas velhas, com as roupas de dormir ensopadas até quase as coxas e com o pequeno em meus braços, mais aterrorizado do que nunca.

—O que aconteceu com vocês? – Ela pergunta, tirando o Sting dos meus braços quando ele começou a soluçar e eu a tremer.

—A chuva. – Respondo, com os dentes batendo.

—Ah, entendo. – A morena apenas prendeu o cabelo e voltou-se para o garotinho que estava em pé, balançando-se de medo. – Qual o seu nome? – Perguntou carinhosamente, abaixando-se.

—Ting... – Tentou dizer o menor e sorri, falando seu nome em seguida:

—Sting Eucliffe. – Os olhos azuis do pequeno voltam-se para mim e depois, novamente, para a garota a sua frente.

—Você tem medo da chuva, Sting-chan? – Confesso que nunca vi alguém melhor com crianças do que Aloise. Juro mesmo, Stefan é o que é apenas por causa dela. Ele assente veementemente e me dou ao luxo de ir até a porta, verificando que a chuva estava cada vez pior e que, na melhor das hipóteses, eu teria de dormir lá com ela. – Keith eu vou pegar um cobertor para o Sting, quer também? – Estou inclinado no batente do chalé e nego com a cabeça, mesmo que eu já sabia que vou ficar realmente muito doente.

—Minha prioridade agora é o Sting. Cuide dele e depois vemos o que você fara comigo. – Isso a faz rir. Sting vai para seus braços de bom agrado e vejo que numa das três camas do recinto está o herdeiro de Nolan. Ele dorme calmamente com um ursinho branco sobre os seus braços e tem o cabelo rosa e espetado.

Na cama ao lado, um neném é mantido aquecido sobre diversas cobertas e respira calmamente.

Não vejo Nolan em lugar algum.

—Keith, venha aqui. – A garota me chama e vou, mesmo que esteja sujando todo o chalé em que ela vive.

Sting ainda não está deitado. Ele toma uma mamadeira cheia de leite, mas não parece nem um pouco cansado.

—Pode ir descansar, eu vou faze-lo dormir. – Segredei baixinho e ela assente, indo verificar o garotinho de cabelos rosa antes de deitar-se com o(a) recém-nascido(a). As orbes azuis miram-me pidonas. – E então garotão? Não está cansado? – Ele nega, ainda sugando o conteúdo da mamadeira. Suspiro. – Acho que vou ter que te contar uma história, então? – Ele inclina um pouco a cabeça, notoriamente confuso. Apesar de tudo, é realmente muito fofo. – Bem... Era uma vez um dragãozinho teimoso. – Apertei o seu nariz e sei que ele sorriu ainda mamando a mamadeira. – Ele tinha medo dos raios que faziam Cabum! – Tentei, de maneira ridícula, imitar o som dos raios e rio de mim mesmo depois. – E ele não conseguia dormir. – Vejo que a mamadeira é menos interessante agora, pois seus olhos estão fixos em mim. – E dai, ele sempre chorava... E chorava. – Fiz como que chorava e ele sorriu. Ganho um bocejo. – E toda vez que ele chorava, o dragãozão beijava a testa dele e o cobria. – Fiz como recitei, beijei sua testa e o cobri. Podia ver os seus olhos fechando. – E ele dizia: Boa noite, Sting-chan. – Este finalmente deu sinais de que iria dormir.

Fiquei longas horas com ele, acariciando seus cabelos e guardando o seu sono até que, sentado no chão como Klaus, eu adormeci.”

Sting:

Obviamente eu me sinto um idiota.

A noite chegou rapidamente e com ela, uma silenciosa animosidade entre todos. E finalmente chegou a hora do jantar.

—Eu estou preocupado com a Minerva. – Completa Lucy, ainda deitada na cama ao meu lado. Alois estava no meu escritório procurando um livro para mim faz quase uma hora.

—Sei que Tyler fez o melhor que podia.

—Eu sei disso. Mas... Eu sei como ela se sente. – Ela comenta, debruçada sobre meu peito, agora. – A sensação de impotência é terrível. É como se você pudesse ver-me morrendo e não pudesse fazer nada.

—É terrível mesmo. – Sussurro, lembrando quando Lucy ficou de cama logo depois da nossa chegada. Aqueles quatro dias foram alguns dos piores da minha vida.

—Acha que eu devo tentar falar com ela daqui a pouco?

—É melhor não. – Sugiro, vendo-a inclinar-se e deitar a cabeça no meu peito. – Deixe-a descansar.

—Hum. – O monossílabo faz-me rir. Não entendo o porquê na verdade, mas começo a rir. – O que deu em você, anormal? – Brincou Lucy e senti que fui atiçado a beija-la.

O que realmente não demorou a acontecer.

E antes que eu aprofundasse o beijo alguém entrou de supetão no quarto.

—Oh, desculpe! – Diz a pequena Wendy vermelha – Sinto muito. – Eu sorrio para Lucy.

—Tudo bem. – Concluo. – Não tem a menor importância. – A maga estelar se levanta. Ela caminha formosamente até a garotinha. Vejo o seu sorriso para com a pequena.

—O que foi Wendy?

—Ah... É que a Mira-chan fez o jantar e me pediu para avisa-los. – A maga estelar vira para mim e faz uma expressão surpresa que me faz rir.

—Obrigado Wendy. Já vamos descer. – Completa ela, fechando a porta quando a jovem sai do seu campo de visão.

—Acho que Alois deve ter ficado na cozinha. – Sugiro.

—Ah, você acha? – Sua ironia me faz alargar o sorriso.

Levanto-me e vou até o nosso guarda-roupa gigante, escolhendo uma blusa branca normal e continuando com a mesma calça. Mirei-me no espelho e vi que eu estava com uma cara tediosa e de sono. Lucy, por sua vez, parecia muito bem. Vestiu-se com uma regata e uma calça jeans e antes que saísse eu coloquei um dos meus casacos em seus ombros.

—Para que isso?

—Você está muito bonita apenas para descer para jantar. – Informei-lhe, deixando bem evidente o meu ciúme.

—E você também! – Anuiu ela.

—Ah, fala sério! Você parece uma princesa e eu sou só o cavaleiro molambento! – Com isso começamos a rir um do outro.

Eu segurei a sua mão e saímos do quarto juntos, as vezes trocando olhares e sorrindo. Quando chegamos ao primeiro andar todos estavam sentados, menos Rogue, Nanami, Alois e James que não estavam presentes.

—Onde está o Alois? – Perguntei aos já sentados e todos negaram com a cabeça.

—Alois! – Grita Lucy, levemente preocupada.

—Estou indo! – Ele responde e escuto seus passos rápidos até nos dois. Ryuu e Lecter estão em seus braços.

—Onde você estava até agora? – Perguntei com o semblante sério e Lecter se adiantou e responde:

—Estávamos procurando uma coisa no escritório.

—E o que seria isso? – É a vez de Rogue perguntar, descendo com Nanami a seu lado. James vinha despreocupadamente atrás.

—É... Bem... – Lucy cruza os braços e Ryuu mira-me pidão:

—Podemos comer antes?

—Eu os deixaria no sofá até que contassem a verdade. – Sugere o god slayer negro, entre risinhos.

—Traíra! – Alois retorqui, irritadiço.

Revirei os olhos, Nanami sorria:

—Sting-kun, podemos ver isso depois? Eu estou morrendo de fome! – Ela anui fazendo bico e Rogue logo intervém, como o bom cachorrinho que é:

—Vamos?

—Depois conversaremos sobre isso, Alois. – Digo com um olhar digno de medo exatamente por esse motivo. Odeio quando ele tenta aprontar e não me conta, e realmente odeio quando ele faz alguma asneira que eu tenho que corrigir depois.

—C-Certo... – Gaguejou ele e isto fez Lecter rir bastante:

—Você é incrível Sting-kun. – Ele fala, vindo para o meu colo enquanto Ryuu sorria nos braços da Lucy.

—Fro acha que Alois-kun aprontou algo bem feio. – O gato de fantasia fala calmamente e vejo a influência de James nele. Quando que, há alguns meses, Fro falaria tão abertamente conosco?

—Pare de deturpar as coisas James! – Insistiu ainda o loiro, indignado.

—Alois, faça o favor de se sentar. – Fala, constatando que a ideia dele ter mexido em algo que não podia me incomoda o bastante para me deixar de péssimo humor. Ele senta-se na segunda cadeira ao lado da principal, na qual eu me sentarei. Laxus está sentado de frente para mim.

—Isso está cheirando muito bem né mamãe? – Ryuu está instalado no colo da loira ao meu lado enquanto Lecter espia tudo do topo da minha cabeça.

—Claro, a Mira quem fez. – Lucy comenta com um sorriso e vejo que nenhum de nós deixa de sorrir ao vê-la dessa maneira. Por causa do que vem acontecido, é mais difícil ver sorrisos verdadeiros na Sabertooth.

—Realmente. – Laxus completa, com um sorriso definitivamente satisfeito. Pelo que percebo ele ainda guarda certa afeição pela minha namorada, não amorosa, mas o companheirismo que existia em sua guilda para com ela.

—Podemos começar a comer?! – Natsu fala e vejo Nanami segurar o riso com Rogue. Será que todos os dias serão assim? Nós nos odiamos, mas nós respeitamos o bastante para sentarmos juntos ante a mesa e comermos.

—Pode Natsu, vá coma logo. – Erza fala, rabugenta o bastante para fazer Alois sorrir.

Não começo a comer ainda.

Fecho meus olhos por uns instantes e sei que Alois faz o mesmo com James e Rogue.

Os menores rezam aos seus deuses, pedindo proteção e coragem e nós, os velhos rabugentos, queremos apenas redenção e paz. Apenas por um curto período se tiver de ser.

Quando abro os olhos todos os outros na mesa estão voltados para mim e sinto minhas bochechas quase ficarem vermelhas de surpresa. O que foi? Nunca viram ninguém rezando antes de comer?

—O que estavam fazendo? – Pergunta Wendy a Alois, já que este estava a sua frente.

—Virou um costume nosso rezar aos nossos deuses antes de comer. E parece que o papai e o tio também rezam, só não me pergunte ao que. – Ele dá de ombros quando termina de falar, mirando o prato que Lucy fazia para ele.

—Eu rezo a Skiadrum. – Rogue fala, levando um bocado da comida de seu prato aos lábios.

—E eu a Weisslogia. – Sinto que não estou mentindo porque na maioria das vezes que fecho os olhos para meditar por alguns minutos lembranças minhas de quando eu e Weisslogia comíamos juntos flutuam na minha mente e as vezes peço que seja assim com a minha família. Que eles sejam felizes.

—Porque?

—É uma forma de velar as suas memorias, pelo que sei. – Nanami intervém, mirando o marido. Ele assente com um sorriso de agradecimento.

Miro Lucy por uns instantes e ela aponta o prato com o dedo. Não sinto a mínima vontade de comer. E então ela coloca comida no meu prato, percebendo que eu não estava com muita vontade de comer:

—Você vai ficar anêmico. – Contrapõe.

—Eu não fico anêmico desde que... – Ia completar a frase, mas as palavras morreram em minha garganta. A culpa é uma droga e ela parece mais forte perto dos outros dragon slayers.

Por fim, comecei a comer.

—Lucy... – Erza começa – Como conseguiram essa casa? – Tenho a impressão de que ela queria perguntar isso desde o começo.

—Ganhei de presente do Sting.

—Você deu a ela uma casa de presente? – Laxus contrapõe notoriamente sorridente.

—É, fazer o que? Duvido que ela quisesse ficar onde estávamos. – Dei de ombros.

—Imagine o que ele me fez passar quando fui comprar a minha então. Tínhamos que disputar pra quem ia falar com o corretor primeiro. – Informou o Cheney e eu ri disso, lembrando que havíamos empatado.

—Estou tentando imaginar vocês dois indo comprar uma casa. – Nanami riu com Lucy e depois Alois teve uma crise de riso com James e os gatinhos. Depois de algum tempo todos da mesa riam.

—Porque eles estão rindo? – Pergunto a Rogue, quando as risadas continuaram depois de alguns minutos.

—Sei lá, acho que tem algo nessa casa. – Ele fala a franzi o cenho. O moreno sorri.

—Você é um emo desgraçado mesmo. – Retruquei quando ele sorriu ainda mais.

—Então... – Levy começa, sentada de frente para o casal Cheney. – Há quanto tempo vocês namoram? – Rogue olhou Nanami e a mesma mirou Lucy enquanto o Cheney mordia o lábio para conter um riso histérico. – Eu disse algo errado?

—Ah, não. Imagina. – A maga das flores contrapõe suavemente – Mas você cometeu um pequeno engano.

—Engano? Que tipo de engano?

—Não estamos namorando. – O Cheney fala e vejo que todos param de comer para ver o que ele tem a falar.

—Como não?! – Natsu retorqui surpreso.

—Somos casados. – A senhora Cheney fala, mostrando a mão com a aliança dourada e bem feita. Todos na mesa parecem surpresos.

—Vocês são casados?! – Todos ficam muito surpresos. Lucy sorri.

—Foi há alguns meses atrás. – Comenta o moreno casualmente, como se não fosse nada demais.

—Então aquele big casamento... – Mira começa, com os olhinhos brilhando.

—Era o nosso. – Completa a maga ao lado do Cheney, com um sorriso cordial.

—Quanto tempo vocês já estavam juntos? – Lisanna pergunta, curiosa.

—Cinco meses.

—Não foi cedo demais ou... – Erza não deu por terminar a frase, mas essa simples insinuação fez o Cheney ficar tão vermelho quanto um pimentão:

—Não. – Começou ele, respirando fundo. – Eu sabia que ela era a pessoa certa e que, se não tomasse uma atitude rápido, o irmão dela nos separaria alguma hora. – A ultima parte foi mais um gracejo do que a verdade e Nanami riu disso:

—Ele quase o matou quando soube, pelo que Lucy me contou. – A jovem de cabelos caramelados cometa e Rogue beija sua bochecha sorrindo.

—Então... Quem é seu irmão? – Wendy pergunta e fecho os olhos para não rir. Juro, se eu ver o rosto do Rogue ambos vamos rir tanto que nem agua gelada vai ajudar.

Mas Alois começou antes de nós dois. Ele riu tanto que teve de sair da mesa e James foi junto, tentando controlar o riso.

—Serio, agora estou mesmo bastante curiosa! – Mirajane intervém e Lucy mira o Cheney, quase dizendo: “Você tem que falar antes que o Sting fale e você sabe como vão ser as coisas depois.”

—Feliz e infelizmente, eu me apaixonei pela irmã mais nova de Rufus Lohr. – Todos ficaram surpresos.

—Rufus tinha uma irmã? – O gato azul de Natsu pergunta.

—Pelo visto sim. – Natsu responde, dando de ombros e voltando a comer.

Vi o meu prato vazio e agradeci a mim mesmo por ter comido tão rápido. Rogue também já tinha terminado.

—Agradeço pela comida, estava realmente esplendida. – Fala, reclinando-me um pouco numa vênia e saindo da mesa, deixando Lecter lá a degustar mais alguns pratos. Rogue faz o mesmo:

—Muito obrigado.

Antes, porém de eu me afastar da Lucy sussurro em seus ouvidos:

—Estarei lá no escritório com Rogue e os meninos. Qualquer coisa... – Ela assente e depois beijo sua bochecha.

Rogue está me esperando ao pé da escada. Seus olhos rubis fixos no dragão de ferro.

—Vamos subir? Preciso te mostrar algo. – Interfiro no contato visual antes que alguém perceba. O dragão negro mira-me com casualidade e contornamos as escadas, entrando no cômodo atrás delas.

O escritório era tão grande quanto qualquer um dos quartos, e forrado com tantos livros que Lucy ficou abismada nos primeiros dias. A maior parte deles, documentos e anotações sobre dragões, rituais e mapas do templo do dragão e, as vezes, algumas informações secretas sobre a elite dos dragões e Acnologia.

—De onde você tirou tantas coisas? – Ele fala, indo até uma das prateleiras e vendo um livro que atraiu sua atenção: Coisas sobre magia negra.

—Estavam na guilda e eu apenas trouxe de volta para casa. Algumas coisas eu mesmo fiz e outras ganhei de Gilbert.

Numa das últimas estantes de livro havia um pequeno papel escrito dragões. Ali, toda e qualquer informação sobre sua localização, seu jeito e seus poderes. Que tipo são e há quanto tempo permanecem escondidos. Como matar um e depois ficar mais forte, como também o legado de Acnologia a cada dragon slayer.

—Isso é realmente incrível. – Ele comenta, vendo vários títulos sobre Skiadrum. – Onde conseguiu isso?

—Digamos que você nunca foi o preferido do mestre. – Ele sorri a isso.

—Traidor de uma figa.

Logo depois disso, James e Alois adentraram o recinto casualmente.

—Você disse que precisava falar conosco, tio. – James começa curioso.

—Estou pensando em retomar o treinamento de vocês. – O brilho em seus olhos se intensifica. – Digamos que, eu tenho algumas anotações sobre os seus deuses que vocês ainda desconhecem. – Usando os meu poderes, incito um livro a vir até mim e este é exatamente o que necessito nesse momento.

—Yupi! Treinamento! – Alois comemora.

—Ambos ficaram sobe nossa supervisão e não deverão treinar um com o outro, entendido? – Ordeno e eles assentem, ainda animados.

—Nada de treinar com algum dragon slayer escondido. – Rogue intervém e eles acatam a isso também.

—Nada de usar magia incontrolavelmente. Nada de tentar fazer coisas que vocês não conhecem ou não sabem. – Continuo – E nada, nada mesmo, de rituais. Se eu ver algum de vocês dois...

—Eu prometo, nada de rituais. – Alois fala erguendo as mãos.

—Que horas, Sting? – O moreno pergunta-me.

—Logo pelas seis e meia, quando todos estiverem dormindo e que seria mais fácil deles dois se concentrarem.

—Certo. – O outro assente.

—Amanhã começaremos a treinar ao estilo dos dragões gêmeos. – Completa o moreno com um sorriso corriqueiro e divertido.

—Preparem-se para sofrer. – Termino.

Notas finais
Enfim, mais um capitulo grande.

Como dizia um grande autor, o diabo está nos detalhes, mas creio que ainda não são detalhes o bastante para satisfazê-lo.

Pequenos diabinhos, creio também.

Então, queridos leitores, o que vocês acham desses detalhes? Confusos ou esclarecedores?

Mereço reviews? E ainda recomendações?

#AmyKiss.