Notas iniciais
Olá meus amores e minhas amoras, como vocês estão? Espero que bem. Desculpem não ter atualizado no sábado como prometi, mas meu hamster ficou doente e eu realmente não estava com cabeça para pensar em fanfic semana passada. Foram quase dois anos na companhia dele e, infelizmente, ele faleceu nessa segunda-feira =,( ainda estou um tanto triste com isso, mas já estou melhor, então, eis me aqui para atualizar a fic. Bem, espero que gostem do que preparei para esse capítulo. E o próximo já será um pouco maior que os anteriores. Boa leitura.

Joseph não contou ao pai sobre o beijo que o tio havia lhe dado. Em vez disso, ele tentou se manter ainda mais invisível que de costume e passou a sair de seu quarto apenas para fazer as refeições e para ir a escola, pois tinha medo de que Erick descobrisse sobre aquilo e o punisse, embora ele nem entendesse como o beijo poderia ser considerado sua culpa, afinal não pedira por ele.

Sendo a única criança da casa e com um pai que passava mais tempo no escritório que em qualquer outro lugar, foi difícil para Joseph não ficar entediado. Suas únicas companhias eram suas HQ’s, o vídeo game e seus lápis de colorir, então, ele dividia seu tempo entre essas três atividades. Às vezes, quando já estava enjoado de jogar os mesmos jogos e não tinha mais nenhuma nova HQ para ler, ele apenas desenhava por horas a fio, até que seus dedos ficassem doloridos ou até que sua imaginação, que sempre foi muito fértil, nem mesmo conseguisse pensar em algo novo para colocar no papel.

O desenho que havia feito para o tio, no entanto, permaneceu intocado dentro da pasta, pois ele não queria concluí-lo se isso significava que teria que se aproximar de Andrew de novo. Toda vez que se lembrava dos lábios do tio tocando os seus e de sua língua molhada tentando invadir sua boca, ainda sentia vontade de vomitar e não queria repetir a dose.

— Precisarei viajar — foi o que seu pai lhe comunicou algumas semanas depois. — Passarei cinco dias em Barcelona. Você ficará bem apenas com a babá por esse tempo?

Joseph assentiu. De todo modo, não é como se seu pai fosse mudar todos os seus planos de viagem caso ele dissesse que não. Erick não se importava. Além disso, sua babá não era tão ruim assim. Joane não era do tipo amorosa, mas levava a serio suas responsabilidades.

— Ótimo. Meu voo sai amanhã bem cedo. Nos vemos em cinco dias — seu pai concluiu e foi isso.

Quando a porta bateu atrás dele, Joseph se esforçou para não chorar. Não era como se Erick fosse o pai mais presente do mundo, mas aquela casa era enorme e sem outra alma viva para habitá-la, mesmo que fosse apenas para que ele pudesse ouvir alguns passos humanos ecoando pelos cômodos, ele tinha certeza de que se sentiria ainda mais solitário. E talvez tenha sido por isso, por sentir tanta falta de algum contato humano que não fosse apenas o que sua babá lhe dava por obrigação que Joseph tenha tomado coragem para sair de seu quarto e seguir até o do pai.

Erick estava organizando sua mala quando ele bateu à porta.

— Precisa de alguma coisa? — Os olhos azuis de seu pai, que eram tão parecidos com os seus, se fixaram nele.

Joseph hesitou. Era difícil pedir qualquer coisa quando os olhos de seu pai pareciam tão duros e impenetráveis.

— E-eu...

— Não tenho a noite toda, Joseph. Se ainda não sabe o que quer me dizer, volte quando souber ou espere eu retornar de Barcelona na próxima semana — Erick estatuou, se adiantando para fechar a porta do quarto novamente.

— Eu quero um cachorro — Joseph disse simplesmente.

Erick o encarou.

— Um cachorro?

— Eu vou cuidar dele — Joseph prometeu. — Vou alimentá-lo e dar banho e vou ensina-lo a fazer as necessidades no lugar certo. O senhor nem vai notar que ele está aqui, eu prometo.

Os olhos de Erick o esquadrinharam por um momento e Joseph tentou não ceder ao nervosismo enquanto isso.

— Não — foi o que seu pai respondeu por fim e Joseph sentiu a esperança em seu rosto murchar.

— Não?

— Não quero um cachorro pulguento fazendo bagunça por essa casa. Já não basta o trabalho que você me dá?

— Mas...

— A resposta é não, Joseph, e não insista. Não quero saber de nenhum bicho nessa casa — Erick fechou a porta e Joseph passou um bom tempo parado diante dela pensando no quanto aquilo era injusto.

Ele não dava qualquer trabalho ao pai. Na verdade, não fosse a mensalidade de sua escola e outros gastos como esse, seria difícil Erick sequer notar que havia outra pessoa vivendo naquela casa, já que Joseph mal saía do quarto e fazia o possível para se manter fora de seu caminho.

Tomado pela raiva, Joseph decidiu que arranjaria um animalzinho para si, mesmo que seu pai não permitisse. Não seria um cachorro como era sua vontade, mas nada o impedia de comprar ao menos um peixe escondido. Não era como se o animal fosse sair de seu aquário afinal.

Por isso, nos cinco dias em que Erick passou em Barcelona, Joseph usou o dinheiro de sua mesada para comprar um pequeno aquário com um peixinho colorido em um pet shop próximo de sua escola, aproveitando que sempre ficava alguns minutos esperando pela babá após a aula. Sua babá não disse nada quando o encontrou com o embrulho suspeito nas mãos, mas Joseph já esperava por isso. Joane não se importava muito com o que ele fazia desde que não se machucasse ou se metesse em alguma encrenca que colocasse o emprego dela em risco.

Joseph decidiu batizar o peixe de Salazar – em homenagem a Salazar Sonserina, um dos quatro fundadores de Hogwarts e de sua Casa favorita na saga Harry Potter — já que o peixinho possuía uma coloração meio esverdeada que o lembrava da bandeira da Sonserina.

— Eu vou ser um ótimo dono, você vai ver — Joseph prometeu ao peixinho.

E durante pouco mais de três semanas ele foi mesmo. Alimentava o peixinho da maneira que a dona do pet shop o havia ensinado, limpava seu aquário e trocava a água regularmente, até mesmo tinha comprado alguns enfeites para decorar o espaço e deixar Salazar mais confortável ali dentro daquela caixa de vidro, mas todo o seu esforço em cuidar bem do animalzinho foi em vão quando voltou da escola numa tarde e encontrou seu pai em seu quarto, o esperando.

— Posso saber o que é isso? — Erick apontou para o aquário em sua cômoda.

Joseph fez o que pode para resistir ao impulso de lhe responder mal e apenas abaixou a cabeça. Erick suspirou.

— Eu disse que não queria nenhum bicho aqui dentro, Joseph.

— Mas o Salazar não incomoda ninguém — Joseph tentou argumentar. — Eu cuido bem dele. Dou comida, limpo o aquário, faz quase um mês que o comprei e o senhor nem sabia.

A expressão de Erick endureceu e Joseph desejou ter ocultado essa ultima parte.

— Você desobedeceu às minhas regras e comprou um peixe enquanto eu estava fora?

Joseph abaixou a cabeça novamente.

— Acha essa atitude correta?

— Não, senhor.

— Então, porque me desobedeceu?

— Eu queria muito um bichinho — Joseph explicou. — Nunca tive um antes e, às vezes... Às vezes, me sinto muito sozinho aqui.

Erick se colocou de pé e Joseph fechou os olhos, se preparando para levar um tapa ou coisa assim, mas, em vez disso, o que seu pai fez foi muito pior que agredi-lo.

— Não. Por favor — Joseph choramingou quando viu o pai pegar seu aquário e seguir direto para o banheiro, abrindo a tampa da privada. — Se eu não puder ficar com ele, eu posso encontrar outro dono, pai. Por favor, por favor.

Mas Erick não se comoveu. Ele simplesmente atirou o peixinho dentro da privada e acionou a descarga. Joseph correu até lá desesperado, mas não pode fazer nada para salva-lo, então, se debruçou sobre a tampa fechada da privada e se deixou chorar por Salazar, antes de Erick arrastá-lo de volta ao quarto.

— Isso é para que você aprenda a não me desobedecer nunca mais — Erick estipulou, retirando seu cinto e distribuindo alguns golpes descuidados nas pernas e na lombar de Joseph. — E antes que eu me esqueça — Erick completou ao finalizar a surra e recolocar seu cinto no lugar —, você está de castigo.

Mas Joseph não se importou.

Os vergões causados pela surra ardiam como o inferno e levariam algum tempo para sarar, mas nada se comparava com a dor que ele estava sentindo depois de ver seu peixinho descer descarga abaixo. Salazar era um bom peixe, não merecia o fim que teve.

— Eu o odeio — Joseph sussurrou para si mesmo.

Seu castigo durou exatamente duas semanas ou, pelo menos, foi o que Joseph pensou. Como ele não fazia muitas coisas, não havia muito de que Erick pudesse privá-lo, então, ele basicamente o proibiu de jogar videogame, mas não é como se Joseph perdesse tanto tempo com jogos também. Seu hobby favorito era desenhar e, isso, Erick não o proibira de fazer.

Foi em uma manhã de sábado como qualquer outra que as coisas naquela casa pareceram desandar de vez. Joseph notou que algo estava errado quando, logo cedo, viu a movimentação atípica de seu pai, que dava vários telefonemas e recebia outros tantos em resposta. Erick costumava ser um homem ocupado, mas seu celular nunca tinha tocado tantas vezes em um período tão curto e também não era comum ter um monte de homens em ternos pretos visitando sua casa àquela hora da manhã.

Ele tentou prestar atenção em tudo sem se intrometer no caminho de ninguém, mas quando seu tio Andrew também apareceu por lá algumas horas depois, Joseph preferiu se esconder no quarto.

Ele até mesmo rezou, quando ouviu as batidas em sua porta, para que fosse qualquer um menos seu tio indo visita-lo, mas Deus não parecia muito disposto a ouvir suas preces naquele dia.

— Posso entrar? — Seu tio perguntou, já abrindo a porta e Joseph resmungou baixo, enfiando-se rapidamente sob as cobertas enquanto fingia dormir.

Andrew entrou mesmo assim.

Joseph sentiu quando ele se aproximou e se sentou na beirada de sua cama, fazendo seu colchão afundar levemente.

— Você não está dormindo de verdade, está? — Andrew riu. Joseph não respondeu. — Vamos, Joe. Eu sei que está acordado. Seu pai precisou sair para resolver umas coisas com a Brianna e vou ficar aqui já que sua babá está de folga. Você já tomou café?

Joseph abriu os olhos. Apesar de ser quase onze horas, ele não tinha tomado café ainda, mas não foi essa parte da conversa que o interessou.

— Brianna está aqui?

— Não. Ela estava há uns dez minutos, mas saiu com o seu pai para resolver algo importante. Acho que eles vão demorar um pouco.

— E o Aaron? — Joseph quis saber.

— O que tem ele?

— Ele estava aqui também?

— Não — seu tio estranhou a pergunta. — Por quê?

Joseph deu de ombros, desconversando.

— Por nada.

Andrew o encarou com curiosidade. Não entendia o interesse repentino do sobrinho pelo filho da namorada de seu pai. Joseph geralmente não se interessava por nada além de desenhos e HQ’s. Porque estava preocupado com um pirralho bobo de cinco anos de idade?

— Vocês dois são amigos?

Joseph engoliu em seco e negou com veemência. O fato de sua mãe tê-lo trancado no quarto por quase um dia inteiro, deixando-o com sede e com fome apenas porque ele havia elogiado Brianna ainda martelava em sua cabeça mesmo após tanto tempo e ainda o apavorava.

— Foi só uma pergunta — mentiu.

Andrew concordou com um aceno.

— O molequinho vai estar melhor em alguns dias, não se preocupe.

— Como assim melhor? Ele está doente?

— O pai dele morreu — Andrew respondeu e viu os olhos de seu sobrinho se arregalarem um pouco, antes dele tentar encobrir o susto com uma falsa indiferença.

— Quando aconteceu?

— Ontem à noite.

— É por isso que está essa bagunça aqui?

— Sim. Ele era um ex-sócio da empresa do seu pai e a imprensa está deixando todos loucos atrás de declarações e reportagens em primeira mão.

— E como ele morreu?

— Foi suicídio — Andrew respondeu, sabendo que Joseph entenderia do que se tratava apesar da pouca idade. — Uma tragédia, de fato. Ele se matou na frente do filho e era o aniversário do garoto. O momento é complicado, mas seu pai está cuidando das coisas.

— Ah — foi tudo que Joseph conseguiu responder.

Ele imaginou como Aaron devia estar se sentindo naquele momento. Devia ser difícil perder alguém dessa forma e embora ele não fosse muito apegado aos seus próprios pais, se Erick ou Celine se matassem diante de seus olhos, ele teria problemas para lidar com aquilo. Ou, pelo menos, ele achava que teria. Na verdade, depois de tudo, ele já nem sabia mais.

— Você fica fofo quando está concentrado — Andrew comentou tirando-o de seus devaneios. — No que está pensando?

— Em nada.

— Seu pai me contou que você adotou um peixe, é verdade?

— Sim. Ele também te contou que o atirou na privada? — Joseph questionou, chateado.

Seu tio riu.

— Contou, mas achei que ele estivesse brincando. Quer dizer, não é todo dia que o CEO de uma empresa com o porte da White Run sai atirando peixinhos coloridos em privadas, certo?

— Não é engraçado — Joseph reclamou e Andrew tentou se conter.

— Tudo bem, Joe. Não precisa ficar bravo — Andrew se colocou de pé e se aproximou da mesa onde Joseph costumava se sentar para desenhar, dando uma boa olhada nos esboços largados ali. — Você tem desenhado bastante, não é? Já terminou de colorir aquele pirata que fez para mim?

Joseph estremeceu com a ideia. Sinceramente, às vezes tinha vontade de atear fogo no desenho, mas a arte tinha ficado tão boa... Era uma pena que a tivesse prometido para alguém como seu tio.

— Ainda não terminei.

— Desistiu dele?

— Não. É só que... Bem, eu estou sem inspiração ultimamente — Joseph mentiu. — Eu ainda vou terminar, só não vai ser... agora.

Andrew cravou seus olhos nele e sorriu, fazendo Joseph congelar instantaneamente. Ele odiava o fato de que seu tio o assustava tanto que ele nem conseguia se mexer, mas era exatamente isso que acontecia quando Andrew se aproximava demais.

— Talvez eu possa te ajudar — Andrew concluiu, caminhando novamente em sua direção e tudo que Joseph conseguiu fazer foi observá-lo, petrificado. — Que tal eu te dar um pouco de inspiração?

Então, sem qualquer aviso, Andrew puxou a boca do sobrinho para junto da sua e Joseph só pode rezar para que aquilo acabasse logo, já que estava com tanto medo que sequer apresentou resistência, mas não acabou.

Seu tio Andrew parecia bem mais ousado que da última vez, não apenas explorando a boca do garoto com sua língua como também o corpo magro e pequeno deste com suas mãos, fazendo Joseph desejar sumir. Ele queria poder se trancar dentro de si mesmo, encontrar um recanto seguro e longe daquelas mãos horrendas e foi nesse momento que sua mente viajou até Aaron e a interação que os dois tiveram naquele final de semana no chalé que seu pai alugara.

Ele não conseguiu se impedir de rir com as lembranças do garoto seguindo-o como uma sombra e depois se atrapalhando todo enquanto tentava ler uma HQ dos X-Men. Aaron não sabia ler direito naquela época, pois ainda era muito novo e seus erros fizeram Joseph se divertir muito aquele dia assim como sua cara de bravo.

— Do que está rindo? — Andrew se afastou dele e Joseph agradeceu aos céus por isso, mas ainda assim não conseguiu parar. Aquilo pareceu irritar seu tio. — Acha isso engraçado? Do que está rindo, Joseph? Eu tenho cara de palhaço por acaso?

Mas ele não respondeu. Não conseguia em meio às risadas causadas pelas poucas lembranças que tinha do garotinho bobo que confundiu o Wolverine com o Homem Aranha.

Sentindo-se humilhado pela crise de riso de um moleque de sete anos, Andrew se afastou e saiu do quarto batendo os pés. Em seus olhos, havia um aviso claro de que ele não riria assim da próxima vez, mas Joseph não se importou com aquela ameaça silenciosa. Só estava grato por, naquele momento, ter conseguido se livrar de Andrew.

Ele nem notou quando as risadas se tornaram lágrimas de alívio, mas quando finalmente conseguiu parar com o choro e enxergar sem problemas novamente, levantou-se, foi até sua mesa e se ocupou fazendo um novo desenho para Aaron.

Dessa vez, faria um pirata para o menino e, talvez, não precisasse se arrepender dessa decisão como havia se arrependido da ultima.

Notas finais
Então, galerinha, o que estão achando da fic até aqui? Eu espero que estejam gostando e que esteja conseguindo transmitir um pouco de quem é Joseph. Nesse momento da fic, ele ainda é uma criança, mas muita água vai correr por essa ponte ainda até que o Joseph se torne o personagem que conhecemos. Espero que continuem acompanhando. Obrigadinha e até o próximo capítulo. Talvez eu consiga postar hoje a noite se tiver um tempiho para editar algumas coisas, mas o mais provavel é que eu poste amanhã que é quando terei mais tempo livre. Vamos ver. Bjokas.