Notas iniciais
Olá, pessoas. Voltei com mais um capítulo quentinho para vocês. Espero que gostem. Boa leitura.

Quando saiu do hospital, cerca de quatro dias depois daquele que considerou ser um dos piores da sua vida, Joseph já havia tido tempo para internalizar todos os acontecimentos e se conformar com a triste realidade que o esperava fora dali.

Ele não ficou surpreso ao descobrir que, embora seu pai não fosse despachá-lo para a Suíça no primeiro voo que encontrasse, Erick o havia tirado do colégio em Londres e o matriculado em outro, no extremo norte do país. O que Joseph não esperava, no entanto, era que o colégio em questão fosse um internato militar, bastante conhecido por suas regras rígidas e sua política de transformar meninos em homens – tudo o que Erick mais queria.

Logo em seu primeiro dia na nova escola, Joseph já foi obrigado a cortar o cabelo e a retirar todos os piercings e brincos que possuía. Suas roupas despojadas foram substituídas pelo uniforme padrão de tom cinza e sua bagagem foi milimétricamente revistada a procura de qualquer item que estivesse fora das diretrizes do colégio. Como ele não tinha muitas coisas consigo quando chegou, não houve muito que a diretoria pudesse apreender de fato, mas isso não o deixou menos indignado com toda aquela invasão de privacidade.

Entre os itens proibidos que Joseph achou mais estranhos estavam: armas brancas, drogas lícitas, ilícitas ou bebidas alcoólicas, filmes ou revistas com teor pornográfico e jogos de azar. Joseph se perguntou por que as pessoas achavam que um aluno levaria coisas assim para dentro do colégio, mas depois de ver como os dias naquele lugar eram chatos, mentalmente desgastantes e intermináveis, ele realmente sentiu falta de ter algo com que pudesse se distrair – fosse um simples jogo de baralho ou uma garrafa de vodca. O fato de que não podiam usar qualquer aparelho eletrônico pessoal, como celular ou notebook, só tornava tudo ainda pior e ele não se sentia a vontade o suficiente para tentar se enturmar com o restante dos garotos ali, que já tinham seus grupinhos formados, então, passava a maior parte do tempo sozinho no dormitório ou se esgueirando pelos jardins.

Nesses momentos, Joseph sempre acabava pensando muito em Nathan. No que ele estaria fazendo àquela hora, se já tinha conseguido zerar os jogos dos quais vinha levando uma surra, se ainda resmungava e franzia as sobrancelhas a cada equação matemática que precisa resolver nas tarefas de casa... Joseph sentia falta de cada coisinha sobre Nathan, desde suas piadas ruins até a forma como ele passava horas em silêncio ao seu lado, apenas observando-o desenhar. Não ter qualquer notícia do garoto o fazia sentir que havia algo de incompleto em seus dias, mas se fosse para mantê-lo seguro e longe das garras de seu pai, Joseph suportaria os momentos de solidão naquela escola sem reclamar.

E assim os dias foram passando, um após o outro e sempre mais insuportáveis que o anterior, até que começaram a não fazer mais tanta diferença. Joseph deixou de marcá-los no calendário e também deixou de ficar observando os carros que paravam no estacionamento todos os sábados de manhã já que nenhum deles estava ali para buscá-lo.

Segundo as normas da escola, a cada quinze dias os alunos recebiam permissão para irem para casa durante o final de semana, mas os novatos só ganhavam esse direito após trinta dias de permanência ali e, obviamente, Erick não o autorizou a sair mesmo após esse período. Parecia que seu pai tinha simplesmente esquecido de sua existência e Joseph não estranhou essa atitude, afinal, Erick o ignorava mesmo quando estava ao seu lado, imagine agora que estava a quilômetros de distância.

Lá por volta do terceiro mês encarcerado naquele lugar, Joseph já havia se conformado com o fato de que talvez nunca mais visse a civilização de novo, então, ficou realmente surpreso quando o final de semana chegou e o diretor o chamou até a sala para que ele pudesse assinar sua autorização de saída.

— É sério que vão me dispensar? — Joseph encarou o papel a sua frente sem realmente acreditar nisso.

— É o que diz o formulário, certo? — O diretor respondeu sem muita paciência. Ele era um velho ranzinza que gostava de se exibir em seu uniforme militar cheio de medalhas e que, normalmente, gritava com os alunos no meio do corredor. Joseph nunca o vira sorrir. — As despensas são às 07h da manhã de sábado e vocês devem retornar ao colégio no domingo até às 23h. Atrasos serão punidos com atividades disciplinares.

— Tudo bem. — Joseph assinou o documento sem fazer mais perguntas, embora mentalmente se questionasse o porquê de seu pai ter decidido lhe tirar do colégio após tanto tempo ignorando sua existência, mas não foi difícil descobrir.

Assim que colocou os pés em casa, foi informado de que Erick havia marcado um brunch com August Normán e sua família e não foi difícil juntar dois mais dois e entender que os planos de seu pai para ele e a filha do Sr. Normán não haviam mudado nada. Aquilo o irritou. Tinha concordado em se afastar de Nathan após as ameaças, mas de jeito nenhum aceitaria se envolver com a filha de um de seus investidores apenas por interesse. Não era esse tipo de pessoa.

— Você age como se isso fosse uma proposta, mas eu não estou te perguntando se você concorda com os meus termos — Erick o alertou. — Estou te dizendo que é assim vai ser.

— Sabe que isso não é justo.

— E quem foi que falou em justiça? — Erick se aproximou e ajeitou a gola da camisa social azul e sem graça que o estava obrigando a usar naquela manhã com muito mais força do que era realmente necessário. — Lembre-se de que eu ainda tenho aqueles papéis e que posso ferrar com a vida do seu ex namoradinho facilmente, portanto, sou eu quem dito as regras aqui, não você. Entendeu?

Joseph cerrou os punhos, mas assentiu uma vez para mostrar que havia entendido.

— Agora que estamos de acordo, é bom que você seja gentil com todos os nossos convidados, especialmente com a Lucille. E não se esqueça de que qualquer gracinha da sua parte hoje será a última, Joseph. Não me teste.

— Não vou — Joseph respondeu entre dentes, sem se preocupar em mascarar a raiva que estava sentindo. Não queria participar daquele circo, mas também sabia que não podia se recusar a obedecer as ordens de seu pai a menos que quisesse colocar Nathan e sua família em apuros. E Joseph, é claro, não queria.

— Eles chegaram — Brianna os avisou da porta do quarto. Ela estava usando um vestido rosa elegante e seus olhos se demoraram em Joseph por alguns segundos ao vê-lo na roupa social que Erick havia escolhido. — Joseph, você está especialmente encantador hoje — ela o elogiou, mas o garoto não se deu o trabalho de agradecer ou retribuir. Não estava com saco para aquilo.

Eles receberam August Normán, sua esposa e filha no hall de entrada da casa e Joseph seguiu todas as ordens que Erick havia lhe dado mais cedo: apertou a mão de August com confiança, elogiou a elegância de Stella – sua esposa – e foi extremamente gentil com Lucille, se prontificando a ajuda-la a retirar o casaco e até puxando a cadeira da mesa para que ela se sentasse. Erick devia estar no paraíso com seus bons modos. Joseph, por outro lado, sentia-se em um inferno particular.

O brunch prosseguiu de maneira calma. Christopher estava encantando a todos com seu charme infantil e Joseph se limitou a responder quando lhe faziam alguma pergunta e a sorrir para Lucille sempre que a flagrava o encarando quando achava que ele não estava prestando atenção. Aaron, até onde ele sabia, estava na casa da avó e Joseph se perguntou se ele ainda o odiava pelo soco no nariz que havia lhe dado na ultima vez em que se viram. Provavelmente sim.

— Porque você não mostra a Lucille o nosso jardim — Erick disse a certa altura, logo após a sobremesa, enquanto introduzia algum assunto de negócios casualmente na conversa com o Sr. Normán. A mãe de Lucille e Brianna há muito haviam se envolvido em um assunto sobre os desafios da maternidade e outras questões femininas pelas quais ele não tinha o menor interesse, então, ficou até feliz de ter uma razão para se retirar dali.

— É claro — Joseph respondeu ao pai e, então, voltou-se para a jovem sorridente sentada ao seu lado. — Me acompanha?

Lucille assentiu e estendeu a mão para que ele pudesse ajuda-la a se levantar e, então, eles deixaram a mesa, mas não antes que Joseph pudesse ouvir Brianna comentar com a mãe dela sobre o quanto os dois jovens ficavam bonitinhos juntos. Ele teve que se esforçar muito para não revirar os olhos com força.

— A tarde está bem agradável, não está? — A garota comentou, apreciando a brisa leve que soprou assim que eles pisaram na área externa da casa.

Joseph olhou para ela.

Naquela tarde, Lucille estava usando um vestido midi branco, cuja saia era de renda e possuía alguns strass brilhantes. O cabelo loiro da jovem estava preso em um rabo de cavalo alto, com algumas mechas soltas ao redor do rosto e sua maquiagem era leve, mas destacava bem o azul vibrante de seus olhos. Ela era bonita, tinha um sorriso cativante e, surpreendentemente, não era tão insuportável quanto ele imaginou que seria, tendo em vista que ela era uma garota rica cujos pais sempre mimaram com todos os luxos que o dinheiro era capaz de comprar, mas ainda assim Joseph não conseguia ver nada de interessante nela. Ele se perguntou se os dois poderiam ser bons amigos ou, quem sabe, o casal bonitinho que Brianna havia mencionado antes, caso as coisas fossem diferentes e ele não estivesse ali apenas porque seu pai o estava obrigando. Não tinha uma resposta para aquilo e, agora, diante de todas as circunstâncias, era provável que nunca a tivesse.

— O clima na primavera é geralmente melhor que em outras épocas – ele respondeu seco.

Lucille sorriu.

— Isso é verdade. Aliás, a casa da sua família é muito bonita — ela disse, casualmente, enquanto eles caminhavam até o jardim.

Joseph concordou. Aquela era a época do ano da qual ele mais gostava. A grama parecia um tapete verde e macio e as flores já haviam desabrochado, deixando um perfume característico no ar. Além disso, o clima era mais ameno e o céu excepcionalmente mais azul, o que fazia a propriedade parecer realmente mais acolhedora do que costumava ser.

— O seu cabelo ficou legal assim — a garota emendou. — Quero dizer, eu também gostava dele como era antes, um pouco mais comprido, mas você ficou bem desse jeito.

— Valeu.

— Notei que também tirou os brincos — ela completou.

Joseph percebeu que ela parecia nervosa. Suas mãos estavam inquietas, como se ela não conseguisse decidir onde coloca-las e ela estava sempre corando daquele jeito meio bobo, que ele até acharia um pouco encantador, não fosse pelo fato de que precisava se envolver com ela mesmo que não quisesse.

— Exigência da escola nova — ele respondeu sem delongas.

— Ah — Lucille sorriu, envergonhada. — Achei que apenas queria mudar o visual, mas assim ficou bom também.

— Obrigado — Joseph se forçou a abrir um meio sorriso para ela, afinal, ela parecia uma pessoa legal e não tinha culpa do que estava acontecendo em sua vida atualmente.

— Como é na sua nova escola? — Lucille continuou. — Está gostando?

— Não é o pior lugar do mundo — ele deu de ombros.

— Lá é tipo um internato? — Ela questionou, curiosa. — Seu pai comentou algo a respeito com o meu pai, mas eu não entendi bem.

— Sim, é um colégio interno. Nós temos dormitórios e tudo mais. Às vezes, é como morar em uma dessas repúblicas de universidade.

— Deve ser interessante. É um colégio misto?

— Não, é apenas para garotos.

— Ah — outro sorriso passou pelo rosto de Lucille, mas esse Joseph não soube identificar. — A parte ruim deve ser não poder voltar para casa no fim do dia, não é?

— É meio chato, sim, mas temos permissão para passar um fim de semana fora a cada quinze dias, então, não é tão terrível quanto parece.

— Entendi. Mas quinze dias é bastante tempo. Sua namorada deve ficar com saudades de você.

— Eu não tenho namorada — Joseph respondeu e, só então, percebeu onde a garota queria chegar com toda aquela conversa sobre sua nova escola. Sentiu-se meio idiota por cair em uma cilada tão comum.

— Posso ser sincera com você, Joseph? — Ela perguntou de repente.

Joseph quis dizer que não, mas sabia que Erick acabaria com sua raça caso estragasse as coisas com a herdeira dos Normán, então apenas engoliu a malcriação e disse:

— É claro.

Lucille parou e olhou para ele.

— Bem, eu não sei como dizer isso sem parecer uma completa idiota e espero que você não ria de mim, mas eu... eu meio que tenho uma paixonite por você já há algum tempo — ela confessou.

Joseph pensou em fingir surpresa, mas não achava que era tão bom ator quanto Christopher era, então, mesmo correndo o risco de parecer convencido e estragar tudo, ele apenas assentiu e disse:

— Eu sei.

Lucille corou.

— Acho que eu não tenho sido muito sutil, não é?

— Não muito — foi o que ele respondeu e, mesmo sem querer, acabou rindo porque a garota ficou tão envergonhada que até suas orelhas ficaram rubras. Além disso, ela parecia querer cavar um buraco no chão naquele instante e se enterrar dentro dele.

— Droga! Você deve me achar uma idiota agora.

— Não acho.

— Ah, por favor! — Lucille bufou. — Eu sou... extremamente sem graça e você deve ter uma fila de garotas bem mais interessantes que eu correndo atrás de você o tempo todo.

— Na verdade, eu não tenho — Joseph foi sincero.

— Qual é!

— É sério — ele confessou, sem saber muito bem o porquê de estar falando sobre aquilo com ela. — Olha, eu não sou a pessoa mais sociável do mundo, tá? Não costumo sair e, como você já sabe, atualmente estou estudando em um colégio só para garotos, então... sem filas. Não tem garota nenhuma correndo atrás de mim.

— Fala sério!

— É sério — ele enfatizou. — Eu não sou tão popular quanto você imagina, Lucille. Na verdade, eu sou até meio antissocial.

— Você não me parece antissocial.

Joseph revirou os olhos.

— Qual é? Você já reparou bem em mim?

— Acho que reparei até bem demais — Lucille confessou e dessa vez foi Joseph quem ficou sem graça. — Você é quieto e calado, é verdade, mas não me parece ser tímido, sabe? Eu acho que você tem uma postura super segura e esse seu jeito mais reservado é bem charmoso, na verdade.

— Eu não sou nada disso.

— Acho que você é quem não tem reparado muito bem em si mesmo, Joseph, porque isso já é um consenso.

— Consenso entre quem? — Ele quis saber.

— Ah, as meninas do escritório fofocam, sabe? — Lucille deu de ombros e Joseph não conseguiu conter o riso.

— Elas me viam uma ou duas vezes por mês durante duas horas. O que é que elas sabem sobre mim?

— Espero que não muita coisa — Lucille sorriu. — Eu sou um pouco ciumenta.

Agora que ela havia confessado seus sentimentos por ele, não se importava muito em esconder o que estava pensando. Ela havia se sentido atraída por Joseph desde a primeira vez em que colocou seus olhos nele e, desde então, as poucas coisas que conseguiu descobrir sobre o garoto só fizeram com que essa atração aumentasse. O problema é que Joseph era alguém difícil de alcançar. Lucille havia tentado chamar sua atenção durante meses, mas parecia que ele nunca a notava. Aquela era a primeira oportunidade que estava tendo de realmente conversar com ele a sós e ela não se perdoaria se deixasse esse momento passar em branco.

— Estive pensando e... será que você aceitaria sair comigo essa noite? — Ela perguntou sem rodeios.

Joseph quis dizer não.

A simples ideia de ir a um encontro com Lucille, não porque tinha interesse na garota, mas porque seu pai estava interessado na fortuna dela o fazia se sentir mal. Não queria iludir ninguém daquela forma e tão pouco achava que Lucille merecia algo assim, já que no pouco tempo que pararam para conversar ela pareceu ser uma boa pessoa, mas não tinha como recusar. Erick o tinha nas mãos e Joseph sabia disso. Ele não ousaria arriscar o bem estar de Nathan e de seus pais por causa de sua consciência pesada.

— Eu adoraria — respondeu se esforçando muito para que sua expressão facial não traísse aquilo que sua boca estava dizendo. Lucille pareceu contente.

— Cinema ou jantar? — Perguntou animada

Joseph deu de ombros.

— Você escolhe.

— Acho que prefiro sair para jantar— ela sorriu para ele. — Conheço um restaurante ótimo, cujo dono é um amigo antigo do meu pai. Posso conseguir reservas para nós dois hoje a noite.

— Por mim está ótimo.

— Perfeito então. Você pode me buscar em casa às sete?

— Claro— Joseph tentou sorrir de volta, mas não foi nada fácil.

Sentia-se a pior pessoa do mundo por estar fazendo aquilo e até podia ouvir a voz de Nathan em sua cabeça lhe dizendo o quanto aquilo era errado, mas obrigou-se a parar de pensar tanto sobre o assunto. Como seu pai havia dito: ele não tinha outra escolha. E foi assim que, naquele sábado à noite, Joseph se viu sentado na mesa de um restaurante chique no centro da cidade com Lucille à sua frente.

Uma coisa Joseph pode perceber rapidamente durante o jantar: apesar de ele não estar ali por vontade própria, isso não significava que Lucille era uma má companhia. Contra todas as possibilidades, acabou descobrindo que a garota era uma pessoa gentil e bem humorada que, apesar de ter nascido em berço de ouro, não tinha aquele ar soberbo que algumas garotas ricas tinham. E ela era bem divertida, na verdade. Culta, mas não ao ponto de fazer com que essa característica se tornasse algo chato; e muito inteligente, mas não ao ponto de fazê-lo se sentir estúpido. Na maior parte do tempo, eles conversaram sobre assuntos cotidianos e Joseph se surpreendeu ao descobrir que a garota também gostava de quadrinhos e tinha até uma colação de bonecos funko dedicada à Mulher Maravilha em seu quarto. Foi interessante e inesperado. Aos seus olhos — e provavelmente aos olhos de qualquer um — Lucille era como uma boneca de porcelana cara, mas a verdade é que ela escondia uma personalidade forte e muito carismática debaixo de todas aquelas roupas de grife.

Talvez, por isso, Joseph tenha ficado ainda mais surpreso quando olhou o relógio e se deu conta de que já eram quase dez horas da noite. Ele imaginou que aquele encontro com Lucille seria como um calvário interminável, mas na verdade foi tão tranquilo que ele nem viu as horas passarem. Apesar de tudo, tinha gostado de estar ali.

— A gente podia se ver de novo no próximo fim de semana que estiver fora da escola — Lucille sugeriu. — Daqui quinze dias, certo?

— Isso mesmo.

— E você escolhe o lugar dessa vez — ela propôs.

— Vou pensar em algo bacana para fazermos até lá — Joseph concordou e se aproximou para se despedir dela com um beijo respeitoso no rosto, mas se surpreendeu quando a garota virou a cabeça e depositou um beijo nada casto em seus lábios.

De principio, ele não soube como reagir. A única pessoa que o beijara daquela forma antes tinha sido Nathan, mas o beijo do rapaz era totalmente diferente do beijo de Lucille. O beijo dela era delicado, macio... Joseph estranhou a sensação da pele sedosa em contato com a sua e o gosto doce do gloss de morango em seus lábios, mas após um instante, decidiu que não se sentia tão desconfortável com aquilo quanto pensou que se sentiria. Beijar Lucille era algo diferente do que costumava ser com Nate, mas não era ruim.

Então, ele a beijou de volta e percebeu que beijá-la era algo com o qual poderia se acostumar caso tentasse. O problema era que ele não queria tentar. Não quando o beijo dela não o fazia sentir um décimo da euforia que sentia quando os lábios de Nathan tocavam os seus e, com certeza, não quando seu pai era o mais interessado em tudo aquilo. Embarcar em algum tipo de relacionamento com Lucille parecia errado de tantas maneiras Joseph nem sabia por qual delas começar a enumerar, mas para a sua sorte, a garota encerrou o beijo antes que ele resolvesse afastá-la por si só.

— Te vejo em quinze dias, Joe — ela disse dirigindo-se até o carro de sua família, onde o motorista já a esperava. — Vou sentir saudades suas.

Joseph apenas assentiu, pois não poderia dizer o mesmo. Embora Lucille tivesse se mostrado uma garota muito legal, ela jamais significaria para ele o mesmo que Nathan significava. Talvez ninguém no mundo, fosse homem ou mulher, pudesse significar. A conexão entre eles era diferente. Algo tão profundo que mesmo quando ele gostaria de poder arrancá-la do peito para tornar tudo mais fácil, era impossivel.

E era nisso que estava pensando, enquanto caminhava calmamente até o estacionamento para pedir um táxi, quando sentiu um punho pesado acertar seu maxilar. Por um instante, tudo o que Joseph conseguiu distinguir foi o concreto da calçada onde caiu, mas ao se colocar de pé, ainda meio desnorteado por causa do golpe, viu o rosto de Danny — o amigo aprendiz de traficante de Nathan — encarando-o com raiva.

— Mas que merda, Danny! Você quase arrancou um dente meu! — Joseph protestou. — Que droga você pensa que está fazendo?

— Eu? Que droga você pensa que está fazendo, seu mauricinho fodido do caralho?

Joseph não entendeu.

— Você ficou doido?

— Não, foi você quem ficou! — Danny o empurrou e Joseph cambaleou alguns passos para trás, mas conseguiu se manter de pé. — Não faz nem um mês que ele se foi e você já está por aí, se agarrando com alguma barbie riquinha na frente de um restaurante chique?! O Nate era bom demais para você!

— Do que está falando? — Joseph o encarou sem conseguir processar a informação.

— Você está se fazendo de otário para cima de mim, Joseph? Sabe muito bem do que estou falando, porra!

— Eu não sei, Danny. De que merda você tá falando?!

Danny olhou para ele, parecendo analisar cada micro reação sua. Por fim, sua expressão raivosa se abrandou e ele o encarou com algo que se assemelhava a pena.

— Você não sabe mesmo, não é?

— Não sei o que? — Joseph questionou nervoso.

O garoto não respondeu imediatamente. Seus olhos fitaram o chão por alguns segundos, antes que ele os voltasse novamente para Joseph e dissesse:

— O Nathan morreu, Joe.

Notas finais
Ai meu coração! Vocês esperavam por isso? Espero que tenham curtido o capítulo (apesar das circunstancias) e que estejam ansiosos pelos próximo. Vejo vocês em breve!