Notas iniciais
Olá, Não tenho muito para dizer aqui porque acabei de falar muito no capítulo anterior, mas boa leitura. Espero que gostem do capítulo.

Algum tempo após aprender sua primeira grande lição, Joseph encontrou sua mãe sentada no grande sofá do hall, com uma taça de champanhe caro repousando entre seus dedos longos e finos. A echarpe de seda elegante que ela estava usando ao sair, agora, estava jogada em um canto do sofá e seus sapatos de salto estavam caídos, de qualquer jeito, próximo aos seus pés. O fecho de seu vestido de gala cor de grafite estava aberto de forma a deixar seu tronco a mostra, revelando a lingerie fina que ela usava por baixo e, atrás dela, um jovem loiro e alto – tão precariamente vestido quanto sua mãe – massageava lhe os ombros, fazendo-a suspirar baixinho.

Joseph não se lembrava do nome dele. Nos últimos meses, foram tantos os rapazes que haviam passado por sua casa que ele tinha desistido de decorar seus nomes e simplesmente os chamava de “o novo amigo da mamãe”, já que era assim que ela sempre os apresentava a ele no inicio.

— Querido — a voz de sua mãe soou meio arrastada quando ela o avistou parado no meio da escada, ainda indeciso entre continuar seu caminho ou voltar para o quarto —, o que faz fora da cama essa hora?

Joseph deu de ombros.

Sua babá o havia colocado para dormir cerca de uma hora antes, mas ele estava sem sono, então, ficou se revirando na cama, observando as formas geométricas que sua luminária lançava no teto até se cansar.

O novo amigo de sua mãe cochichou algo em seu ouvido e ela assentiu, minimamente para ele, antes de se levantar e caminhar na direção de Joseph, meio trôpega.

— Mamãe está ocupada agora, anjinho — ela o segurou pelos ombros magros e o empurrou levemente escada acima, de volta ao quarto. — Por favor, volte a dormir — então, ela o deixou lá dentro e ele passou o resto da noite tentando ignorar os gemidos e as risadas escandalosas que ecoavam pela casa sempre que sua mãe trazia um novo amigo.

Joseph já não se importava tanto.

Aquela tinha se tornado sua mais nova rotina e ele entendeu rapidamente que sua mãe havia trocado as noites de bebedeira e choro por noites de sexo com estranhos jovens e bonitos que, às vezes, conseguiam permanecer em sua casa por tempo suficiente para que Joseph os odiasse. E, sim, ele sabia o que a palavra sexo significava. Sempre foi inteligente e curioso demais para o seu próprio bem e não havia nada que a internet não pudesse lhe ensinar. Além disso, ele havia flagrado sua mãe duas ou três vezes na sala, fodendo com alguns de seus amigos anteriores, então, conhecia bem o conceito e a prática, apesar de não entender porque os adultos faziam aquilo. Parecia nojento.

Na manhã seguinte, quando se dirigiu até a cozinha para tomar o café da manhã, Joseph resmungou consigo mesmo ao ver que o novo amigo de sua mãe ainda continuava ali.

— Você deve ser o Joseph — o cara loiro o cumprimentou com um sorriso.

— Sou e você não vai durar muito — Joseph comentou despreocupado, colocando leite em seu cereal.

O novo amigo de sua mãe parou de sorrir e olhou feio para ele. Nenhuma novidade.

Joseph já tinha passado por situações como aquela várias vezes e elas sempre começavam e terminavam da mesma maneira. Os caras tentavam conquista-lo e o tratavam como um filho ou como um melhor amigo na esperança de conquistar sua mãe, mas quando viam que isso não iria acontecer, deixavam a mascara cair e passavam a trata-lo como um monte de lixo sem importância. Ele quase caiu na primeira vez, mas depois de tantas, já tinha aprendido.

— Olha aqui, seu merdinha, eu e a sua mãe estamos juntos, goste você ou não. Então, é melhor deixar essa onda de bebezinho ciumento e ir se acostumando, tá legal?

Joseph não respondeu. Não valia a pena discutir se os caras nunca duravam mais que uma semana mesmo.

Para sua infelicidade, no entanto, aquele durou.

Após um mês juntos, sua mãe já dizia a todas as suas amigas que estava perdidamente apaixonada e que Erick Hamilton tinha ficado no passado, mas Joseph não tinha certeza se Andrea – esse era o nome do cara novo – também se diria tão apaixonado por ela, caso sua mãe não pagasse todas as contas dele, usando o dinheiro que tinha recebido de seu pai após o divórcio.

Andrea se auto proclamava um artista, embora Joseph tivesse visto poucas coisas mais feias que seus quadros na vida. Talvez por isso, ele nunca tenha conseguido vender nenhum deles, mas isso não impediu sua mãe de construir um estúdio em casa, para ele, quando eles começaram a morar juntos algum tempo depois.

Às vezes Andrea passava horas ali dentro, pintando suas aberrações artísticas e Joseph sempre ria quando ele apresentava suas novas telas, o que já havia lhe rendido mais de um castigo só naquela semana.

Naquele dia, porém, zombar da nova criação de Andrea lhe rendeu muito mais que isso.

— Você se acha muito engraçado, não é pirralho? — Andrea o interceptou a caminho do quarto e Joseph ergueu os olhos para encará-lo.

— Não tanto quanto as coisas horríveis que você pinta.

— Você acha que pode fazer melhor? Um pivete desses!

Joseph estufou o peito.

Ele ainda nem tinha sete anos completos, mas já tinha uma língua afiada e não se poupava de usá-la.

— Na verdade, eu posso fazer melhor sim — respondeu malcriado.

Ele sempre gostou muito de desenho e vinha aprendendo algumas técnicas em seu tempo livre enquanto tentava evitar sua mãe, o artista medíocre que ela sustentava e toda a frescura que envolvia os dois. Joseph não se considerava um grande artista, na verdade, ele sabia que embora desenhasse muito bem mesmo com sua pouca idade, ainda tinha muito que aprender. No entanto, melhor que Andrea ele certamente era e não se importou em provar.

— Pode escolher qualquer um nessa parede para você se inspirar — disse ao abrir a porta do quarto e mostrar seus desenhos para Andrea. Ele vinha trabalhando nisso há um tempo e, agora, tinha uma parede quase cheia de desenhos expostos. Estava orgulhoso.

— Então, é assim que você perde o seu tempo? — Andrea comentou adentrando o cômodo. Seus olhos esquadrinharam toda a parede e ele torceu o nariz para aquilo. — Sua mãe devia era te mandar para um internato para ver se você começa a fazer algo de útil na vida.

Então ele fez a ultima coisa que Joseph imaginava que ele faria: começou a arrancar todos os seus desenhos da parede e rasga-lo em pedaços.

Joseph quase entrou em desespero. Ele havia passado meses organizando aquela parede, desenhando até tarde da noite e escolhendo apenas os melhores para colocar ali. Agora, em questão de segundos, Andrea tinha destruído quase todos.

— Tira as mãos das minhas coisas, Andrea — Joseph gritou, tentando impedi-lo de continuar com aquela destruição. Ele pulou e tentou arrancar os desenhos das mãos de Andrea, mas era pequeno demais para alcança-los mesmo que tentasse bravamente.

— Você acha que essa porra é arte?! Um monte de rabiscos ridículos e personagens idiotas de quadrinhos. Vai se foder, pirralho. Vou te ensinar a respeitar o meu trabalho e você vai pensar duas vezes antes de rir de mim de novo! — Andrea pegou um desenho do Wolverine que Joseph havia levado quase uma semana para finalizar e o rasgou em dois.

Ele sentiu seu peito doer.

Estava guardando aquele desenho para Aaron, queria entrega-lo para o garoto quando se encontrassem de novo, mas seu pai nunca mais tinha vindo busca-lo, por isso, ele havia decidido deixar o desenho na parede junto com os outros enquanto esperava a oportunidade aparecer. Agora o desenho estava destruído e ele nunca mais conseguiria fazer outro igualmente bom.

— Seu filho da puta! — Joseph partiu para cima de Andrea tomado pela raiva e o namorado de sua mãe o acertou com um soco que o desmontou por inteiro e o deixou zonzo por tempo suficiente para que o ele terminasse de rasgar suas coisas e destruir seus lápis e folhas de desenho.

— Espero que isso te deixe inspirado, pivete — Andrea jogou os últimos pedaços dos desenhos sobre seu rosto e saiu do quarto, deixando Joseph caído no chão, cercado pelo que antes eram suas coisas favoritas naquele quarto.

Ele quis chorar ou talvez já estivesse chorando desde que levara aquele soco, mas seu nariz parecia ter se quebrado e havia tanto sangue escorrendo em por seu rosto que ele não sabia se realmente havia lágrimas misturadas a tudo aquilo ou não.

Foi sua mãe quem o levou ao hospital naquele dia e, embora Joseph fosse o único ali com um nariz quebrado e dezenas de desenhos destruídos, ela estava brava com ele e não com Andrea. Sua maior preocupação era que Joseph tivesse estragado seu relacionamento e ela apontou o dedo em sua cara mil vezes, gritando sobre o quão malcriado ele sempre era.

Ao chegar ao hospital, os médicos estranharam a fratura que ele tinha no nariz e lhe perguntaram como aquilo tinha acontecido. Joseph não soube responder. Sua mãe havia dito que ele deveria mentir e dizer que tinha se machucado brincando, mas ele não se lembrava dos detalhes e não quis dizer nada com medo de deixar sua mãe ainda mais irritada caso errasse.

O resultado de seu silêncio foi ainda pior.

No fim, os médicos decidiram chamar a polícia para cobrar explicações de sua mãe e os policiais não acreditaram quando ela disse que ele havia tropeçado e caído enquanto jogava bola no quintal. Depois de alguma insistência, Joseph acabou por lhes contar toda a verdade já que tinha medo do que poderia acontecer caso mentisse e apenas torceu para que aquilo não o colocasse numa encrenca.

E não colocou. Não da forma como ele imaginava, pelo menos, mas houve muitas consequências depois.

Andrea acabou tendo que cumprir uma detenção de seis meses por agredir um menor e sua mãe teve que responder a um processo do conselho tutelar, o que resultou na perda de sua guarda.

Joseph não sabia dizer quem ficou mais bravo com tudo isso: sua mãe por perder o namorado e ter que responder à tudo aquilo na justiça ou seu pai por saber que agora que sua tutela lhe pertencia teria que lidar com ele.

De qualquer forma, uma semana após o encerramento do processo, Joseph se viu tendo que arrumar suas malas para ir morar com o pai. Ele não sabia o que esperar daquilo. Nunca havia sido próximo de Erick e, às vezes, seu pai o assustava mais que as noites de bebedeira de sua mãe ou suas crises histéricas.

Além disso, Erick nunca tinha tempo para ele.

— Esse aqui vai ser o seu quarto — Erick o acomodou em um dos cômodos do segundo andar, parecendo ter escolhido o lugar a esmo. Joseph não reclamou a acomodação. O quarto tinha uma varanda que dava para o jardim e era maior que o quarto que ele tinha em sua antiga casa, mas ainda que Erick o tivesse atirado em uma masmorra, ele sabia que não teria coragem de reclamar. Não com seu pai. — Tire da mala apenas o que for usar essa noite, a empregada virá arrumar o restante amanhã de manhã, ok? Vamos precisar te matricular numa nova escola, então, quero que esteja pronto para sair às sete. Não se atrase.

Erick saiu do quarto sem dizer mais nada e Joseph correu os olhos por aquele lugar vazio e gelado, imaginando se seria muita covardia dormir com a luz acesa naquela primeira noite na casa nova.

Talvez ele já pressentisse que viver sob o mesmo teto que seu pai poderia ser pior que tudo que ele já suportara com a mãe e, talvez, Erick tivesse passado tanto tempo longe do filho que já não sabia como lidar com uma criança daquela idade, mas a questão é que, na manhã seguinte, Joseph obviamente não estava pronto para sair a sete.

E, obviamente, ele descobriu bem rápido que mão de seu pai era bem mais pesada que a de sua mãe.

Notas finais
Bem, gente, por enquanto é isso. Espero que tenham gostado e nos vemos novamente na quarta feira, ok? Me deixem saber o que estão achando da fic e, mais uma vez, obrigada por lerem. Bjos!