Notas iniciais
Olá amoras e amores, Era para eu ter postado esse capítulo há uns dois dias, mas me enrolei toda com as minhas coisas do trabalho e só tive tempo de começar a organizá-lo agora a noite. Inclusive, eu revisei, mas é meia noite de um domingo, então, não dá para confiar na minha capacidade não, por isso, qualquer erro, por favor me avisem. E como compensação pela demora em começar a postar, deixarei os dois primeiros capítulos disponíveis para vocês hoje, ok? Obrigada por embarcarem comigo em mais uma fic e eu espero que gostem. Estão prontos para conhecer o Joseph? Espero que sim. Boa leitura.

Joseph sentiu o ardor do tapa em seu rosto, mas não reagiu. Era sempre pior quando ele chorava, então, apenas manteve seus olhos presos ao chão, pressionando os lábios com força na tentativa de evitar que algum ruído escapasse por eles quando o segundo tapa – que ele sabia que viria – o atingiu.

Era um sábado à noite e sua mãe havia passado da conta de novo. Ele podia ouvir o tilintar das pedras de gelo contra o vidro enquanto ela enchia o copo com mais uma dose que não seria a última, já que ela só parava quando estava praticamente desacordada no chão da sala. Joseph conhecia a rotina. Na manhã seguinte, ela acordaria de ressaca e reclamaria sobre o fato de que até os passos mais silenciosos dele faziam sua cabeça latejar. Talvez ela se lembrasse de que o havia agredido sob a alegação de que ele era muito parecido com o pai e, então, ela choraria e o abraçaria e pediria desculpas enquanto prometia jamais encostar nele novamente, só para no fim da noite voltar a fazer o mesmo porque ainda não conseguia lidar com o divórcio.

Joseph já não se importava.

Seu pai havia saído de casa há cerca de seis meses, mas não é como se ele fosse realmente presente antes disso. Seu trabalho consumia noventa por cento de seu tempo e, nos outros dez, Erick preferia esquecer que tinha uma família, então, Joseph não o via muito, mas sua mãe jurava que eles eram perfeitos juntos antes de Brianna aparecer e abrir suas pernas para ele.

Joseph não entendia o significado na época, mas as amigas de sua mãe pareciam concordar e, por vezes, palavras como “vadia”, “puta” e “cadela” eram utilizadas para descrevê-la. Joseph acabou aprendendo o significado dessas palavras depois.

— Aquele filho da puta ainda vai se arrepender – sua mãe cambaleou pela sala falando com ninguém em específico. – Eu dei tudo a ele e o que aquela vadia tem a oferecer? Nada! Ele vai perceber isso em breve, vai sim. E, então, ele vai voltar para nós e seremos uma família de novo.

Os olhos turvos dela pousaram novamente sobre Joseph e ele tentou não respirar alto demais para não chamar sua atenção. Em momentos como aquele ele gostaria de poder se camuflar junto à mobília, mas tudo que podia fazer era ficar ali, parado, desejando que a mãe o ignorasse. Mas ela nunca o ignorava. Não nesses momentos.

— Você vai se comportar, não vai querido? – Ela voltou a se aproximar dele, acariciando sua bochecha já avermelhada pelos dois últimos tapas que ele recebera. – Quando seu pai voltar para casa você vai ser um bom menino para ele, certo? Não vai deixa-lo bravo como antes, assim ele não irá embora de novo.

Joseph assentiu.

Duvidava que seu pai fosse voltar para casa algum dia, mas se era naquilo que sua mãe queria acreditar, então, ele concordaria com ela. De todo modo, ela ficaria brava com qualquer outra resposta.

— Você se parece tanto com ele – sua mãe sorriu minimamente, erguendo seu queixo para olhá-lo melhor. Joseph tentou não se encolher. – Porque tinha que ser tão parecido com aquele desgraçado traidor?

E, então, ele recebeu mais um tapa, seguido de outro e de outro e se amaldiçoou por simplesmente ter nascido naquela família de merda. Também amaldiçoou seu pai por ter ido embora, sua mãe por ser uma bêbada psicótica e Brianna por ter aparecido em suas vidas e tirado de sua casa a única coisa que ainda mantinha aquele lar são.

Ainda assim, na manhã seguinte, Joseph acordou cedo e deixou que sua babá cobrisse os hematomas em seu rosto com corretivo antes de leva-lo para a escola. Sua mãe continuava caída sobre o tapete da sala, exatamente como adormeceu na noite anterior, com a garrafa de uísque vazia largada a seu lado e, por um instante, Joseph desejou que ela não acordasse.

Na escola, ele se manteve ocupado com suas tarefas enquanto o restante de seus colegas fazia algazarra durante os horários livres. Ele não se enturmava muito e seus pais já haviam sido chamados para comparecer à sua escola por causa disso tantas vezes quanto ele havia sido mandado para a sala do conselho, mas por fim, seus professores decidiram considera-lo apenas muito introvertido e desistiram de tentar fazê-lo interagir com as outras crianças. Joseph agradeceu por isso.

Não é que ele gostasse de ficar sozinho ou não sentisse falta de ter alguém com quem brincar, mas as outras crianças o deixavam desconfortável. Elas sempre falavam sobre as brincadeiras novas que tinham aprendido com seus pais ou sobre o lanche diferente que suas mães haviam preparado no feriado, algumas contavam sobre as pegadinhas nas quais tinham caído por causa dos irmãos, outras sobre os truques novos que tinham ensinado a seus cães.

Joseph nunca teve um cão. Nem mesmo um gato ou peixe. A coisa mais próxima de um pet que ele já tivera, foi quando encontrou um passarinho caído em um canto do jardim e tentou cria-lo como seu, mas o pássaro morreu dois dias depois e sua mãe o deixou de castigo por trazer um animal que certamente estava doente para casa. Seus amigos riram dele na escola quando ele contou a história e ele foi para o banheiro chorar naquele dia.

Agora ele já não chorava mais.

No fim da tarde, quando Joseph voltou para casa, sua mãe já estava repousando sobre a chaise longue da varanda com uma taça de suco nas mãos. Ela não falou com ele, nem mesmo durante o jantar quando eles se sentaram frente a frente durante quase quarenta minutos. E Joseph foi para a cama cedo naquela noite, mas não conseguiu dormir.

***

Três semanas depois, ele estava em um carro com seu pai a caminho de um chalé no interior da Inglaterra. Era a primeira vez em quase sete meses que eles se viam, mas Erick não pareceu muito afetado pelo reencontro, na verdade, fazia cerca de meia hora que ele o bombardeava com regras e avisos e Joseph fingia ouvir todos eles enquanto olhava para a paisagem do lado de fora.

Ele já estava cansado da viagem. Havia se cansado antes mesmo de sair de casa, quando precisou passar quase vinte minutos sozinho dentro do carro, enquanto seus pais discutiam do lado de fora. Sua mãe ameaçou se matar duas vezes, seu pai disse a ela para ir em frente ao menos três e, então, eles finalmente seguiram viagem.

Ao que parecia Brianna queria conhece-lo e seu pai queria fingir que estava animado com a ideia de um fim de semana em família, embora não estivesse.

Joseph também não estava.

Ele soube por sua mãe que Brianna também tinha um filho, dois anos mais novo que ele e, definitivamente, não queria conhecer o garoto, mas acabou conhecendo de qualquer maneira.

O garoto se chamava Aaron, possuía grandes olhos verdes e cabelos loiros muito claros e Joseph achou engraçada a forma como ele meio que se escondeu atrás da mãe quando ela pediu que ele os cumprimentasse. Ele não acreditava que seu pai havia lhe trocado por aquele bebê chorão como aquele.

Então, durante o fim de semana inteiro, Aaron ficou andando atrás dele como uma sombra. Se Joseph ia se refrescar na piscina, ele também ia. Se Joseph ia para sala assistir TV, ele também ia. Se Joseph ia para o quarto, ele também ia! O único lugar onde se via livre do garoto era no banheiro, mas ele não podia se trancar por horas lá dentro sem levar uma bronca, então, encontrou uma árvore bem alta no quintal e a escalou, apoiando-se no galho mais grosso para ler uma das HQ’s que havia trazido para passar o tempo.

Aaron não sabia escalar.

Joseph sorriu.

— Você nunca vai descer daí? – A voz irritante do garoto se fez ouvir lá de baixo. Ele estava sentado aos pés da árvore havia pelo menos meia hora e Joseph vinha tentando ignorar sua presença, mas estava difícil.

— Não, nunca – ele respondeu a contragosto.

— Nem para jantar? – Aaron insistiu. – Minha mãe fez cachorro quente. Você não quer?

Joseph suspirou, mas não respondeu.

Ele queria um instante de paz.

— Você está lendo o que? – Aaron virou a cabeça de um lado para outro como um cachorrinho, tentando ler o título. – É uma revistinha do Homem Aranha?

Joseph franziu o cenho. Acaso o garoto era burro? O Wolverine estava bem nítido na capa, com suas garras a mostra e tudo e sequer havia alguma coisa vermelha na roupa dele para ser confundido com o Homem Aranha.

— É X-Men, sua besta.

— O que é X-Men? – Ele perguntou e Joseph o olhou lá de cima quase indignado.

— Você não conhece os X-Men? – Aaron sacudiu a cabeça, negando. – Em que mundo você vive?

Então, Joseph desceu da árvore e atirou a HQ para ele que a agarrou por um triz. Aaron abriu um sorriso.

— Está me dando sua revistinha?

— É só um empréstimo e se amassar, vou dizer ao monstro do lago para comer os seus pés à noite – Joseph avisou.

— Aqui não tem lago.

— Não importa, ele pode vir pela tubulação de água.

— E como ele vai caber nos canos? – Aaron correu atrás dele quando Joseph se afastou, voltando para o chalé.

Joseph revirou os olhos.

— Ele é feito de água, oh coisa burra – concluiu o obvio e Aaron exclamou um “aaah”, concordando.

O restante do tempo que passaram no chalé, eles gastaram lendo as HQ’s que Joseph tinha na mochila e Aaron pareceu gostar bastante da historia dos X-Men. Joseph tentou explicar para ele um pouco sobre cada personagem e o que estava acontecendo, visto que aqueles não eram os primeiros volumes da saga e ele não teria como entender tudo sozinho.

Assim, quando os pais de ambos se despediram no dia seguinte e eles precisaram voltar cada um para sua casa, Joseph deixou a última revistinha com Aaron, já que ele não tinha terminado de ler e prometeu que traria o restante da próxima vez que se encontrassem.

Aaron agradeceu e Joseph ganhou até mesmo um abraço sem jeito dele antes de entrar no carro. Foi esquisito, mas ele sentiu vontade de rir disso durante todo o caminho até em casa, pois Aaron era engraçado.

— Aquela vadia acha que pode te comprar com um fim de semana cheio de lanches e algumas horas na piscina – sua mãe reclamou, pouco depois que seu pai o devolveu a ela. – Não quero você com eles de novo, entendeu? Não importa se seu pai vai vir até aqui e lhe prometer o mundo, você não vai. Aquela cadela acha que pode te conquistar também, mas você não precisa de uma segunda mãe.

— Ela até que é legal – Joseph comentou distraído e sua mãe parou de retirar as coisas de sua mochila para encará-lo.

— O que foi que disse, Joseph?

— Que ela até que... – ele não concluiu a frase, pois a mão de sua mãe foi mais rápida e acertou seu rosto com força.

— Nunca mais repita isso, entendeu? – Ela o acertou de novo. – Nunca mais. Aquela mulher destruiu nossa família. Ela não é legal, criança estúpida. Não quero ouvir você dizer essas coisas dentro da minha casa.

Joseph a encarou assustado e ganhou outra bofetada por isso.

— Repita o que eu disse, Joseph. Me deixe saber se você entendeu. Repita!

— Ela não é legal – ele disse com um fio de voz. Sua mãe lhe bateu de novo.

— Mais alto!

— Ela não é legal – ele repetiu, forçando as lágrimas a não escorrerem por seus olhos. Sua mãe pareceu satisfeita dessa vez.

— Está de castigo – anunciou, jogando sua mochila sobre a cama de qualquer maneira. – Vai ficar aqui dentro até ter aprendido essa lição – então ela saiu do quarto e o trancou ali dentro sem pensar duas vezes.

Joseph não reagiu. Estava muito ocupado tentando não chorar, mas quando conseguiu conter as lágrimas, percebeu que estava com fome. A viagem do chalé até ali tinha sido longa e ele não havia comido nada desde então.

— Mãe – ele se aproximou da porta pousando as mãos sobre a mesma. – Eu já aprendi a lição, não vou fazer de novo. Por favor, me deixa sair?

Mas sua mãe não respondeu. Nem naquele momento, nem algumas horas depois quando ele se jogou contra a porta chorando e muito menos quando ele parou de chorar e simplesmente se encolheu no cantinho, com fome e sede demais para continuar gritando.

Ele soube depois que sua mãe havia bebido até cair naquela noite, mas entre o momento em que ela o trancou no quarto e o momento em que sua babá o encontrou, já quase desacordado e fedendo a urina devido ao tempo que ficou ali dentro sem poder usar o banheiro, mais de vinte e quatro horas já haviam se passado.

E, assim, Joseph aprendeu sua primeira lição: ele nunca mais diria a ninguém que Brianna era legal.

Notas finais
Então, galerinha, esse foi o primeiro capítulo e eu espero que vocês tenham gostado. Acho que os três ou quatro primeiros capítulos serão assim mais curtinhos, mas depois eles vão começar a ficar mais longos. Quem já tiver uma opinião a respeito do que leu sobre o Joseph até agora, por favor, não se acanhe e me deixem saber o que estão achando nos comentários. Obrigada por lerem e... Vamos para o próximo capítulo? Vejo vocês lá.