Olhei para casa onde eu havia passado os ultimo dias e quase cai pra traz com tanta Luxuosidade e exuberância, na porta da frente passamos por uma escada rodeada por flores de todas as cores(pensem em algo assim http://www.osmais.com/wallpapers/201211/lindo-jardim-florido-wallpaper.jpg).

A cidade era a coisa mais linda que já vi em toda minha vida, cheia de luz, flores, pássaros, as pessoas sempre sorridentes e gentis!

A cada rua eu me impressionava ainda mais com a beleza de tudo.

Minha mãe me explicou que a cidade era protegida por magia e que ela se “tele transportava” pelo mundo para dificultar possíveis invasões...

Apenas Seres celestiais tinham permissão para andar livremente por ela, até por que para entrar era preciso passar por uma nuvem de luz que cegaria um ser comum ou das trevas.

A conversa fluía naturalmente enquanto caminhávamos, ela perguntava eu respondia, ela desejava saber dos meus gostos por musica, comida favorita, escola, amigos...

Ao falar de Jully e Janny senti meu coração se apertar, eu sentia falta delas, e o mais importante, me lembrar delas fez com que eu me lembrasse de Jon, o que me fez começar a chorar instantaneamente.

Ao me ver naquele estado minha mãe decidiu que era hora de voltar, no caminho de volta permanecemos caladas, o que achei bom, pois não desejava explicar meus sentimentos em publico...

Em casa fomos recebidas por Miguel que nos esperava para almoçar. Ao ver meus olhos vermelhos ele logo deduziu os motivos e senti uma mudança instantânea no ar.

–Que bom que voltaram, Eva a comida está pronta, posso mandar servir?

–Acho bom, nos vamos nos lavar e já descemos...

–Tudo bem.

Subimos as escadas e minha mãe me deixou em meu quarto, considerei minhas opções, continuar trancada em meu quarto ou ir almoçar com todos na sala de jantar?

Pelo meus estado de humor deduzi que o melhor era continuar em meu quarto, eu não queria conversar com ninguém e nem estava com fome, na verdade eu só queria que a dor partisse, mas ela não partiria pois ele não estava aqui e nem estaria...

Parte de mim queria esquecer o que passou e voltar para os braços dele mas a outra dizia que era loucura, que ele era um assassino sanguinário responsável pela morte de meu irmão...

Em meio a meus devaneios ouvi a porta ser aberta e me virei pensando que encontraria minha mãe a me esperar para o almoço, em seu lugar dei de cara com Miguel portando uma garrafa parecida com a da noite anterior.

–Me desculpe entrar assim...

–Sem problemas.

Ele ficou me olhando por alguns segundos sem falar nada ate que o silencio ficou insuportável e me virei para escrivaninha onde me sentei. Ele enfim falou me estendendo a garrafa azul.

–Acho que isso pode te ajudar...

Virei-me pra ele e engoli em seco antes de responder.

–O que é isso?

–É uma poção...

–O que ela faz?

–Ela vai entorpecer sua dor...

Pensei por alguns segundos e assenti para que ele me entregasse. Ele caminhou até mim e peguei a garrafa, no processo nossos dedos se tocaram brevemente, o que causou um arrepio estranho por todo meu corpo.

Virei o liquido de uma só vez e no mesmo instante notei a diferença, eu ainda me lembrava da dor e dos motivos que havia me levado a ela, apenas não sentia resultados...

Miguel continuava a me olhar com expectativa, abaixei a garrafa até a mesa e o encarei, um sorriso bobo brotou em meus lábios e ele respirou com alivio.

–Obrigada Miguel.

–Não por isso, vamos descer?

–Vá na frente que já desço...

Ele saiu parecendo mais leve e tratei de me aprontar, era estranho saber que eu deveria estar sofrendo por amar um cara que me enganou, naquele instante eu me sentia idiota por todo o choro, mas algo me dizia que assim que os efeitos passassem eu me arrependeria...

Suspirei decidida a ignorar meus pensamentos, eu queria diversão e encontraria diversão custe o que custasse.

Desci as escadas me sentindo leve, vestida com uma blusa branca soltinha, um micro shorts jeans e uma rasteirinha. Todos os rostos se voltaram para mim com expectativa. Miguel foi até a ponta da escada e estendeu a mão para mim. Aceitei sem pensar duas vezes e sorri docemente. Ele me guiou pela sala e pude sentir o olhar de todos a me fitar.

Na sala de jantar a mesa já estava preparada, Miguel ajudou a me acomodar e sentou-se a meu lado, notei que em momento algum ele soltou nossas mãos, vendo a direção de meu olhar ele desviou o rosto parecendo constrangido.

Decidi preencher o momento com um pouco de conversa.

–O cheiro está maravilhoso.

Izzi me olhou meio desconfiada, mas resolveu não se manifestar, entendendo a deixa minha mãe começou a falar.

–Ah querida Miguel é um dos melhores na cozinha...

Virei-me para meu acompanhante surpresa.

–Então você é o responsável por tudo isso?

–Faço o que posso...

Minha mãe gargalhou.

–Hora Miguel não seja modesto!

–Eva, por favor, assim vai me deixar encabulado!

–Não seja bobo.

–Bem Miguel, então vamos provar e verei se você está sendo modesto ou minha mãe exagerada!

–Claro que sim.

O almoço foi servido e me senti no paraíso, era tudo tão maravilhoso, tão delicioso, cada prato novo com um sabor diferente. Comi tanto que achei que iria explodir.

No fim a sobremesa foi servida, torta de amoras, mouse de morango e salada de frutas.

Sentei no sofá ao lado de Miguel.

–Incrível; você tem mãos de fadas, estava tudo perfeito!

–Não é pra tanto!

–Estou sendo sincera.

–Eu tive ajuda, a Shelby fez a maior parte...

Me virei para garota no canto da sala que até aquele momento parecia alheia a conversa ao seu redor.

–Parabéns, vocês formam uma bela dupla.

Ela me lançou um olhar feroz. E disse entre dentes antes de sair a passos firmes da sala.

–Tanto faz.

Encarei o local onde ela estava há segundos sem saber o que dizer a seguir, Miguel se mexeu desconfortável ao meu lado, minha mãe olhava indignada para todos os cantos parecendo querer dizer algo Izzi por sua vez se levantou apressada.

–Ally, por favor, me desculpe, minha irmã é assim mesmo...

–Está tudo bem...

Ela pediu desculpas mais umas dez vezes antes de sair apressada no rastro da irmã...

Depois disso a conversa foi ficando mais descontraída, meus anfitriões fizerem questão de me contar cada detalhe sobre a vida de um anjo, seus dons, seu trabalho, suas lutas, suas crenças...

Eu ouvi fascinada cada um dos detalhes contados por eles, era um mundo totalmente novo do qual eu deveria me conscientizar e aprender a amar...

No fim eu me sentia exausta e louca por um bom descanso.

Miguel me acompanhou até meu quarto, onde me entregou uma nova garrafa, sorvi cada gota do liquido já conhecido e adorado.

Devolvi a ele o recipiente vazio e caminhei até minha cama, meus sentidos foram saindo de foco e em poucos segundos cai num sono profundo livre de pesadelos.

Os dias foram passando, logo duas semanas se foram sem que eu sequer percebesse. Izzi sempre que me encontrava fazia questão de ser educada, cheia de risos emanando felicidade e bondade, a irmã por sua vez não voltou a ser grosseira comigo, desconfio que minha mãe tem algo a ver com o feito, mas permaneci na minha, fazendo com que nossos curtos esbarrões se baseassem em simples acenos de cabeça e carrancas...

Notas finais
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