Shadows Of The Soul- Livro 2
27 Capitulo 27
Em uma determinada tarde decidi que já estava na hora de explorar o lugar por mim mesma e sai de casa sem avisar a ninguém, fui andando em direção a floresta, prestando atenção aos detalhes a minha volta para não me perder, a cada passo sentia a civilização ficando mais distante e a natureza tomando seu lugar.
Depois de algumas horas encontrei um lago de água azul cristalina, com a ponta dos dedos provei algumas gotas, totalmente pura, deliciosa... Cansada decidi que me refrescar seria uma boa idéia, olhei em volta e constatei que não havia uma alma viva ao redor, me despi deixando apenas as roupas de baixo. A água estava numa temperatura ótima, e meu corpo logo relaxou. Eu já ia caminhando para encosta quando uma sombra pairou por cima de mim, saltei pra traz assustada com o coração a mil. O intruso ficou ali me olhando de baixo a cima, com esforço o reconheci como Miguel. Relaxei no mesmo instante. Fui saindo da água e espremendo meu cabelo enquanto conversava com ele.–Ei, você me assustou, nem sei o que pensei, sou uma boba mesmo não?... Caminhei mais alguns passos até perceber que ele continuou parado me encarando. Com sacrifício ele começou a falar.–Você... Esperei com expectativa o que viria, mas para minha decepção ele continuou apenas olhando. Levei cerca de 5 segundos pra entender o que veio a seguir, Miguel caminhou em minha direção e tomou meus lábios com os seus, no inicio docemente logo depois com força, como se ele não conseguisse ter o suficiente de mim, eu por minha vez me vi preenchida por ele de um modo estranho, eu me senti bem como não me sentia há muito tempo, um calor foi subindo pelo meu corpo, me apoiei em seu pescoço enquanto suas mãos passavam por meus braços e costas... Cada toque trazia uma nova onda de choques me impulsionando a querer mais... De repente senti um estalo em minha cabeça e o empurrei pra longe de mim, ofegante, como ele não estava esperando por minha reação acabou caindo sentado. Minha cabeça doía, meus pensamentos estavam embaraçados, o que eu havia acabado de fazer? Ele me encarou do chão com um misto de desejo e surpresa. Sem saber o que dizer, agarrei minhas roupas e corri o mais depressa possível em direção a floresta escura. Corri tanto que meus pulmões começaram a formigar de dor, meu coração martelar em meus ouvidos, parei próximo a uma arvore e me sentei em seu caule tentando recuperar meu fôlego, com as mãos tremulas vesti minhas roupas tentando não pensar no que acabara de ocorrer, quando me senti recomposta mais uma vez deixei que os sentimentos me invadissem... Meu amor por Jon, a raiva pelo que ele fez, a saudade que eu sentia dele, a indecisão em perdoá-lo, a volta de minha mãe, o fato de eu ser um nephilim, Miguel me beijando, eu o desejando... No que eu estava me transformando? Como minha vida havia mudado tanto em questão de dias? O que eu realmente queria? O que estava acontecendo comigo? Tantas perguntas e nenhuma resposta visível. Quando em fim voltei para casa encontrei minha mãe no portão com um ar de preocupada estampado na face. Ela foi logo me abraçando.–Filha eu estava tão preocupada com você...–Está tudo bem, eu precisava apenas de um tempo...–O Miguel me disse que você queria ficar sozinha, mas o que aconteceu?–Nada que eu queira falar...–Tudo bem, se quiser conversar lembre-se que estarei sempre aqui.–Obrigada. Ela me abraçou pólos ombros e subimos as escadas, caminhei a seu lado calada, por sorte não nos deparamos com uma alma viva se quer pelo caminho até meu quarto, onde minha mãe me deixou com um beijo na testa e um afago na cabeça. Tranquei a porta e me joguei em minha cama, eu precisava pensar qual o próximo passo a seguir. A dor em meu peito era forte, mas me fez bem, pois eu sabia que estava viva e consciente, os dias que passei naquele lugar pareciam estranhos a mim, era como se eu tivesse sido outra pessoa... Num segundo me decidi, eu iria voltar para casa, enfrentar Jon, escutar o que ele tinha a dizer, ele merecia isso... Me levantei e coloquei minhas antigas roupas, as mesma com que cheguei naquele lugar. Já ia saindo do quarto quando dei de cara com Miguel. Fiquei ali olhando pra ele, me negando desviar o olhar. Em fim ele quebrou o gelo, e pra minha surpresa veio em forma de afirmação.–Vai partir.–Tenho que voltar...–Não é ter, mas sim querer, eu pensei que talvez... Ele deixou que sua voz morresse aos poucos, mas de algum modo eu sabia como completar sua frase, ele pensava que algo havia mudado e que depois do incidente eu ficaria...–Eu não posso; me desculpe. Vi uma chama de ódio brotar em seus olhos e por um segundo tive medo.–Você o perdoou depois de tudo o que ele fez?–Eu tenho que escutá-lo.–Pra que? Ele vai te enganar ou pior até, ele pode te ferir. Ele é o pior dos monstros, um maldito assassino. De repente eu não estava mais na defensiva, quem ele pensava que era pra falar do Jon?
Caminhei mais pra perto e dei-lhe uma bofetada com mais força que o esperado. Foi só depois que notei a platéia a assistir. Minha mãe, Izzi, Shelby, uma moça com cara de japonesa, três rapazes morenos e uma garotinha. Shelby, que me encarava com ódio, caminhou em minha direção determinada, mas foi impedida por minha mãe.–Se encostar nela, te mato.–Ela não é uma de nos...–Ela é minha filha.–Vocês estão cegos, será que não conseguem enxergar? Ela não quer ser como nós.–Shelby, só vou falar mais uma vez, se afaste da minha filha AGORA.–Tudo bem, depois não digam que não avisei... A garota saiu pisando duro, com o restante do grupo em seus calcanhares deixando a mim, Miguel e minha mãe com um dilema em mãos...–Mãe...–Chega, volte pro seu quarto, conversamos depois. Olhei boquiaberta pra ela.–Não. Ela se virou pra mim e vi um brilho estranho em seu rosto.–Não?–Não, eu vou voltar para o colégio. Ela gargalhou e por um segundo pensei que talvez eu estivesse imaginando tudo aquilo, mas a situação era real, e eu tinha que sair dali. Esperei pacientemente que ela se focasse mais uma vez.–Querida, você não vai a lugar nenhum que inclua “vampiros” na vizinhança. Olhei pra ela desafiadoramente. Decidi que iria pegar passado.–Eva, você pode ter me gerado, mas esse fato não muda sua ausência. Esse “vampiro” é meu namorado, e eu vou sim vê-lo, nem que pra isso tenha que me afastar de você definitivamente. Uma lagrima brotou em seus olhos e notei que eu havia ultrapassado todos os limites, mas já era tarde, eu não voltaria atrás. Esperei paciente por sua resposta.–Tudo bem, mas o Miguel deve ir com você.–Mas...–Nada de mais, eu já estou abrindo mão de muito, lembre-se disso. Suspirei em desistência, melhor uma baba do que brigar com ela. Miguel que havia permanecido calado até o momento se virou para minha mãe em reverencia.–Eva, talvez queira reconsiderar, acho que Izzi seria uma melhor opção no momento...–Miguel não sei o que está acontecendo entre vocês e nem me importo, a única coisa da qual tenho certeza é que você é o único realmente capaz de trazer minha filha de volta sã e salva...–Eu agradeço a confiança, mas insisto...–Basta! Já me cansei, se me derem licença vou me retirar, vocês podem partir ao amanhecer. E com isso ela partiu me deixando a SOS com meu novo guarda costas. Miguel já ia se retirando quando o parei com um leve toque no ombro, a boa e velha eletricidade ainda presente.–Hum, me desculpe, eu me excedi...–Esta tudo bem, eu não deveria ter falado daquele modo com você...–Olha, eu vou falar com ela, você não precisa ir se não quiser...–Está tudo bem, é o meu trabalho...–Sobre o que aconteceu no lago...–Não! Por favor, não vamos falar disso...–Tudo bem...–Boa noite Allyce.–Boa noite. Entrei para o quarto e me joguei com toda força nas almofadas do chão, chorei até dormir, e pela primeira vez em dias os motivos não foram olhos azuis e brilhante, mas sim pretos como a noite...
Fale com o autor