Shadows Of The Soul- Livro 2
21 Capitulo 21
Abri meus olhos com dificuldade, por um instante eu não sabia onde eu estava ou como havia chegado até ali, as imagens dos acontecimentos anteriores me invadiu em cheio, eu estava no prédio buscando meus livros logo depois de sair vi uma luz que instigou minha curiosidade, então tudo ficou muito brilhante e apareceram as três sombras.
Ao me lembrar de tudo isso me levantei num salto a procura dos seres desconhecidos e os encontrei próximos as arvores, a luz que me invadiu anteriormente já totalmente apagada deixando apenas a escuridão. Sentei-me ereta tentando espantar o gelo que se apoderara de meu corpo, uma das sombras deu um passo em minha direção e escorreguei mais pra traz por impulso, percebendo minha apreensão o desconhecido parou, eu ainda não podia ver seu rosto por conta das sombras. Levantei-me disposta a correr quando senti algo totalmente inesperado, era como se uma nevoa invadisse minha mente aos poucos,paralisei no mesmo instante. Tentei expulsar a estranha força de minha cabeça, mas ela continuava ali, cavando cada vez mais fundo em minhas memórias, eu vi minha vida passar frente a meus olhos, cada segundo de minha existência, uma voz aveludada falou e me assustei, pois não foram meus ouvidos que registraram o som. “Fique calma, em um minuto você vai entender tudo, te garanto, apenas não resista...” Tentei falar, mas meus lábios pareciam selados por alguma força maior, então apenas pensei, rezando para que a “conversa” funcionasse em mão dupla. “Saia agora de minha mente” Canalizei toda minha ira nessas palavras e no instante seguinte foi como se uma luz tomasse conta de meu corpo, o que iluminou a clareira a minha volta, me fazendo entender quem eram as três sombras. Izzi, Shelby e Miguel me encaravam boquiabertos, uma nova onda de imagens me inundou, mas dessa vez eu sabia que era diferente, essas imagens vinham de dentro de mim, e assim eu me vi, muito pequena, nos braços de uma mulher, seu rosto era o mesmo que vi durante a batalha que tivemos messes atrás, aquela mulher com assas iluminadas, e eu sabia que era minha mãe, ela parecia desesperada e angustiada, ela gritava algo em uma língua estranha para um homem sentado atrás de uma mesa de escritório, tentei correr até ela a fim de reconfortá-la, mas minhas mãos atravessaram seu corpo resplandecente, sua voz foi ficando mais alta e suas palavras começaram a ganhas sentido. “Não posso partir, será que não entende?” “Você não tem outra escolha Eva” “Eu tenho sim, posso ficar e lutar, protegê-la com minha vida se necessário” “E no que isso ajudaria? Pense bem, ela ainda é humana” “É por isso mesmo que tenho que ficar” “Aqui você é tão humana quanto ela, vamos, pense com clareza, se você for comigo agora terá seu cargo, suas assas, sua vida de volta, não é isso que sempre quis?” “É o que eu queria, agora é diferente, tenho que pensar nela...” “Eu te dou minha palavra que no momento certo você poderá voltar a vê-la...” “NÃO” “Eva, por favor” Minha mãe me apertou mais em seus braços de forma protetora, abaixei minha cabeça, pressionado minhas mãos em meus ouvidos tentando fazer com que tudo sumisse, eu não queria mais ver ou ouvir qualquer uma dessas coisas... Mas eu continuava ali, e as vozes continuavam a discutir, um choro de criança irrompeu e levantei minha cabeça pra ver uma mulher vestida de vermelho me tirar dos braços de minha mãe, que por sua vez estava se debatendo em meio a dois homens musculosos com ar de seguranças de boates... Mesmo sabendo que de nada adiantaria corri de encontro a minha mãe a fim de ajudá-la, assim que minhas mãos atravessaram seu corpo tudo foi se dissolvendo a minha volta, cai de joelhos, lagrimas escorriam por meu rosto, soluços escapavam de meus lábios enquanto uma dor profunda invadiu meu peito, senti frio e medo, eu queria sair dali mas meu corpo não respondia a meus comandos, senti-me impotente enquanto um novo cenário se montava em minha frente. Dessa vez me vi em uma sala com a mulher do vestido vermelho, que ainda segurava meu “eu bebe” parecendo levemente irritada, no sofá avistei meu pai, muito mais jovem, diferente do executivo que hoje conheço este parecia um jovem no inicio de carreira, que mal sabe se vestir... Ele passava os dedos trêmulos pelo cabelo enquanto encarava um maço de folhas em sua frente. Assisti incrédula enquanto ambos discutiam... “Querido, facilite as coisas pra nos dois, você só precisa assinar utilizando seu sangue...” “Eu não gosto de seus termos” “Se não quer aceitar minha proposta Harry terei de retirar a ajuda que proporcionamos a você...” “Eu não posso ficar com essa...” A mulher se balançou de um lado pro outro demonstrando impaciência... “Criança, é isso que ela é, apenas uma criança indefessa que precisa de um pai, e é isso que você deve ser pra ela...” “Não existe outro modo? Vocês podiam levá-la pra outro lugar, um abrigo ou algo assim...” “Sim Harry, nos poderíamos, mas esse é um ultimo recurso, e isso te deixaria sem nada...” “Eu fui enganado durante todos esses anos, ela não pode me deixar sem nada...”
“A escolha não é dela...” “Exijo vê-la.” Fechei meus olhos com força torcendo para que tudo desaparecesse, eu não podia suportar vê-los falar de mim assim, como se eu fosse um objeto... Minha garganta queimava, minha cabeça doía, me arrastei até um canto e a cena foi se transformando outra vez, mas antes que mudasse pude ver meu pai assinando as folhas com um liquido espesso e vermelho, aceitando um pacto que mais parecia feito pelo diabo...
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