Encolhi-me o Maximo possível tentando manter minha respiração regular enquanto as cores tomavam suas novas formas.

Eu estava em uma cabana de madeira com poucos moveis a minha volta, o céu anunciava por entre uma pequena janela no canto oposto ao que estou que uma tempestade tomava conta da floresta ao redor, na parede a minha esquerda uma porta antiga de madeira me separa da chuva e a direita uma lareira com um fogo já acesso iluminando o pouco espaço.

Minha respiração foi se acalmando enquanto os segundos iam passando, continuo sozinha, começo a pensar que talvez eu de alguma forma tenha sido tele transportada pra outro lugar até que a porta se abre com um baque, relâmpagos cortam a noite, trazendo consigo a silueta de dois corpos, eu me encolhi ainda mais esperando ser interrogada...

Ao invés disso os dois entram como se eu não estivesse realmente ali, o que prova que continuo em meio às imagens do passado.

Fixei minha atenção na primeira pessoa que logo notei se tratar de uma garota em seus 20 e poucos anos, ela caminhou pra mais perto da luz do fogo e notei sua extrema beleza, pele clara, cabelos brancos como a neve, olhos verdes, cílios longos, corpo esbelto, ela era o ser mais perfeito que já conheci...

Involuntariamente levantei e caminhei dois passos em sua direção, mas parei abruptamente ao notar o segundo visitante.

Era como me ver em um espelho, o mesmo formato do rosto, lábios, cor do cabelo e por fim os olhos. Ele era minha imagem em forma masculina.

Grudei meu corpo a parede mais próxima enquanto os dois entravam e sentavam-se próximo a lareira, estavam em meio a uma forte discussão.

–Sophia seja razoável...

–Razoável? Está louco Ethan?

–Ally ainda é um bebê, eu preciso ter certeza que nada de mal vai acontecer a ela...

–Eles não vão permitir...

–Ninguém tem que saber...

–Eu imploro, se me ama fique!

Fiquei parada ali, vendo dor passar na face do garoto, ela mordeu o lábio enquanto esperava. Ele suspirou e olhou nos olhos dela.

–Eu te amo mais que a mim mesmo, mas infelizmente não posso fazer o que me pede. Agora tente outra vez.

–Eu estou exausta...

Ele semicerrou os olhos e falou com uma voz aveludada e autoritária.

–Sophia...

–Ahh, maldição, me de um segundo.

A garota fechou os olhos e balbuciou algumas palavras numa língua desconhecida, o fogo tremeu criando formas desconexas, Sophia reabriu os olhos e balançou a cabeça com desanimo.

–Desculpe, ainda não vejo nada...

Ele a abraçou de forma protetora.

–Tudo bem, eu já sabia que seria assim.

–Apenas volte em segurança, eu estarei aqui à espera dos dois, seremos uma família grande e feliz.

–Sim, nos seremos, minha irmã vai te amar tanto quanto eu te amo!

–É o que espero!

Ela ergueu a cabeça e selou seus lábios em um beijo apaixonado, desviei o olhar sentindo que estava a invadir a privacidade de ambos.

As imagens foram se transformando, vi de relance Ethan em sua busca por mim, a cada nova imagem meu coração dava um pulo a mais de alegria, em algum lugar eu tinha alguém que me amou, que me procurou. Eu o vi em meio ao branco do Alasca, as arvores do Arizona, as praias do Brasil, as pirâmides do Egito...

Esperei até que a imagem se decidisse por uma, para minha surpresa foi uma rua escura e vazia.

Procurei em volta um motivo para estar ali e avistei algo jogado no chão alguns metros à frente, parecia um grande embrulho, uma lâmpada piscando em uma loja próxima era a única fonte de luz proveniente no lugar...

Parte de mim desejava apenas esperar que a imagem desaparece, enquanto a outra sabia que se eu quisesse chegar ao fim teria que me mexer.

A contra gosto caminhei em direção a luz, rodeei o embrulho e me arrependi no mesmo instante, a cena em minha frente fez com que meu estomago desse mil voltas, pois em minha frente, caído em uma poça de sangue, estava Ethan, suas roupas totalmente rasgadas, o corpo mutilado e os olhos antes tão verdes quanto os meus sem cor.

Cai a seu lado desesperada, isso estava errado, ele tinha que acordar, lagrimas rolavam de meus olhos enquanto eu encarava seu corpo inerte. Tentei gritar por ajuda, mas foi em vão, minha voz ainda perdida em algum lugar dentro de mim. Um barulho a minha esquerda chamou minha atenção, e eu soube que o assassino ainda estava ali, com dificuldade me levantei decidida, avistei um homem e um garoto parados mais a frente, de costas para mim, as mãos do homem pingavam gotas de um vermelho vivo, o sangue de meu irmão, me apressei ao notar que as imagens já estavam desaparecendo, eu estava disposta a procurar o agressor, cheguei a ele no mesmo instante que as lojas sumiram, como que pressentindo minha presença ele se virou e eu gritei de algum modo encontrando minha voz, pois parado ali no meio do nada estava Jon com sua face desfigurada pela sede de morte.

Deixei que meu corpo tombassem no cascalho da floresta, me abracei forte ainda gritando, uma dor latente invadiu meu peito, respirar se tornara algo insuportável.

Mãos fortes e quentes me imobilizaram, mas não me importei, eu só queria poder desaparecer, quem sabe assim a dor partisse?

Com esforço virei meu rosto para cima, apenas para constatar o que eu já sabia, meu salvador se tratava de Miguel, olhai pra alem dele e notei as garotas me avaliando com um misto de medo e pena.

Enterrei meu rosto no peito de Miguel, a ultima coisa que queria é que outros sentissem pena de mim...

Miguel colou seus lábios em meu ouvido e foi dizendo palavras estranhas que me entorpeceram os sentidos, em poucos segundos meu corpo foi se tornando mais leve, a dor foi se afastando e junto com ela minhas forças, ele se virou para Shelby dando ordens e gesticulando para floresta, eu ouvia as palavras, mas não conseguia encontrar um sentido...

Miguel se levantou comigo ainda em seus braços, sem esforço algum, como se eu pesasse menos que uma pluma.

Deixei minha cabeça repousar na curva de seu pescoço, notei uma luz se acender mais a frente, mas meu corpo se negou a olhar na direção, ao invés disso me senti compelida a olhar para os arbustos atrás de nos.

O que foi o suficiente para quebrar a barreira feita por Miguel, pois parado entre as arvores estava Jon, e em seus olhos vi o mesmo ódio e sede de sangue que encarei em meus pesadelos, fechei meus olhos e comecei a gritar mais uma vez...