Shadows Of The Night
1 Capítulo 1
Um feixe de luz me acordou. Olhei em volta, uma fresta da janela aparecia por entre as pesadas cortinas violetas. Estava suando muito. O pesadelo tinha sido real até demais, não estava com um bom pressentimento. Sempre fui muito intuitiva. Sempre que tenho pesadelos, tem alguma coisa errada. Olhei a hora no pequeno despertador em cima do criado-mudo. Nossa! 06h35min. Bem cedo. Mas, considerando o pesadelo, dormir não era mais uma opção. Levantei da cama, cambaleando. Entrei no banheiro, e deixei a banheira encher. Voltei ao quarto e fui até o closet. Calça jeans, camiseta branca de mangas curtas, e uma jaqueta jeans preta. Ah meu Deus! Quase esqueci a pulseira da amizade. Se as garotas me vissem sem, eu estava morta. Peguei meus allstars velhos, e coloquei tudo em cima da cama. Voltei ao banheiro. A banheira estava cheia. O banheiro parecia uma sauna. Tirei ao pijama e entrei na banheira quente. Fechei os olhos, e as imagens voltaram a minha mente. Sangue, dor, desespero, e medo. Abri os olhos. Fora o pior pesadelo em dois anos. As coisas estavam ficando estranhas. Tentei relaxar. Continuei meu banho. Respirei fundo, e mergulhei. Sempre fui boa com água. Conseguia ficar bastante tempo sem respirar. Fazia natação desde criança. Às vezes, parece que eu sou melhor dentro da água do que fora. Deixei os pensamentos bons me invadirem. Hoje seria um longo dia. Preparativos pro baile do mês que vem. Era aniversário da escola e eles sempre faziam um baile nessa data, todo ano. E eu sempre era encarregada de cuidar da decoração, e também de fazer maquiagem e cabelo das minhas três melhores amigas. Éramos amigas desde sempre... Conhecíamos-nos desde os 11 anos. Anna, Jullia, Milla e eu Nathalie. Sempre nos defendíamos. Quando éramos pequenas, Jullia era alta demais pra apenas 11 anos, e Milla o oposto dela, sempre a menor, eu tinha dentes de coelho, mal conseguia fechar a boca, e Anna falava errado. Nós nos defendíamos. E quando começamos a crescer, as coisas mudaram pra nós. Jullia ganhou um concurso de modelos por ter a altura suficiente, sem falar que era ótima com esportes, Milla foi ficando cada vez mais delicada, e sua baixa estatura a deixava mais linda, eu usei aparelhos ortodônticos por três anos, e meus dentes ficaram perfeitos, e Anna deixou de ser esquisitinha, foi numa fonodióloga, e parou de falar errado. As quatro garotas mais estranhas, se tornaram as quatro mais lindas, populares e cobiçadas da escola. E tudo graças a nossa amizade, e ao nosso pacto. Calma, não tem nada a ver com satanismo e oferendas. Logo depois de nos conhecermos, numa tarde, matamos aula, e fomos até o bosque atrás da minha casa, nós quatro fizemos o juramento de fidelidade, e amizade eterna. Escrevemos um texto em quatro folhas diferentes, depois colocamos quatro coisas importantes para nós em uma caixa junto com os textos, e por último, cortamos o dedo e unimos os dedos e juramos, depois pingamos um pouco das gotas de sangue na caixa, e a fechamos e enterramos. Não éramos mais ‘’amigas’’ e sim irmãs. Desde então, sempre estivemos juntas.
Jullia participava do time de voleibol da escola, Milla era do clube de desenho, ajudava a diretora a redecorar a escola de ano em ano, Anna era líder de torcida. E eu, era presidente do grêmio estudantil, do clube de jornalismo e do coral. Todos da escola nos amavam nos idolatravam. Coisa boa? Pra uns sim, mas não pra mim. Mesmo que você seja a melhor pessoa do mundo, a mais linda, ou até a mais inteligente. Mesmo que você for super popular. Sempre vai ter alguém contra você, tendo inveja, e tentando se vingar. Bom, nunca fomos maldosas nem nunca nos achávamos, porém sempre tinha alguém que nos odiava. As meninas sempre me dizem que eu assisto muito filmes, mas, eu acho que devemos encarar a verdade. Toda a coisa tem um preço. Um preço caro demais a ser pago.
Percebi que estava a tempo demais embaixo da água, voltei pra superfície e respirei fundo, o ar encheu meus pulmões e eu sorri. Terminei o banho e me sequei com a toalha. Saí do banheiro e a diferença de temperatura de um ambiente pra outro fez minha pele doer e se arrepiar. Fechei a porta do banheiro e peguei minha roupa em cima da cama, me vesti rapidamente. Meu cabelo era sempre temperamental, quando o dia estava pra chover, ele ficava cacheado, e quando o tempo ia ficar bom, ele ficava liso. Isso era estranho, mas a cabeleireira disse que era reação a umidade. Infelizmente o tempo pra semana era de chuva, então precisei secar meu cabelo com secador e fazer chapinha. O que sempre demorava. Fazer chapinha em um cabelo que caía até a cintura, e era super grosso não era uma tarefa fácil. Mas eu era super acostumada com isso. Então sentei em frente à penteadeira, que tinha um espelho super grande, e comecei a difícil tarefa. Como esperado consegui queimar os dedos três vezes. Pelo visto a minha caixa de band-aides ia ficar vazia.
Depois de meia hora, terminei. O esforço valeu à pena. Meu cabelo preto pendia até a cintura, estava brilhoso e escorrido. Bom resultado. Olhei o relógio. 07h15min. Precisava me apressar. Passei uma camada fina de delineador e outra de rímel. Depois passei brilho labial e calcei meus velhos allstars. Peguei minha mochila e desci para o café da manhã. Mamãe estava preparando tudo, papai lendo o jornal e a pequena Mia colorindo um dinossauro de vermelho. Papai me percebeu entrando na cozinha.
- Bom dia princesa. Está linda. – disse ele.
- Bom dia e obrigada papai. – sorri.
- John, o senhor Blinks ligou, e parecia um pouco impaciente. – mamãe colocou ovos fritos no prato do papai e olhou pra mim. – Ah, e querida, pode levar a Mia pra creche? Eu a busco, juro. Uma das minhas modelos quebrou o pé e preciso arranjar outra até o mês que vem. – ela disse e sorriu, mamãe era estilista e tinha uma galeria, sua linha de roupas era a mais vendida do ano, segundo o jornal The New York Times.
- Levo sim mãe.
- Sarah, porque não chama aquela amiga da Nathalie?- perguntou o papai.
- Ah, ótima idéia! Filha, diga pra Jullia passar no meu escritório amanhã à tarde.
- Digo sim. – respondi engolindo minhas panquecas e empurrando meu suco de laranja. Precisava me apressar. – Mia, come depressa. Temos que ir.
- Ta bom. – ela respondeu. Sorriu, e correu pro segundo andar, e voltou vestida com a fantasia de fada, que incluía asas rosa brilhante.
- Tudo bem, vai assim mesmo, não tem tempo de se trocar mais. – a peguei no colo. Ela abriu um grande sorriso, e as bochechinhas coraram. Com cinco anos, ainda vivia no mundo das fadas e das princesas. Mamãe a colocava em concursos de beleza desde que ela aprendeu a andar. Já tinha ganhado todas as vezes que concorreu. Era inclusive a mini miss São Francisco.
Coloquei-a no banco de trás do carro. E dirigi até a creche. A entreguei, e depois segui até a escola. Quando cheguei Anna estava esperando no estacionamento. Usava o uniforme das líderes de torcida.
- Não ta com frio? – perguntei.
- Sim. Mas, hoje tem treino, e como capitã das líderes de torcida, preciso dar o exemplo. E aí? Já pensou na decoração do baile? – ela perguntou.
- Na verdade não. Tentei ontem à noite, mas tava sem criatividade, e minha cabeça estava explodindo. Denny ficou me ligando a noite toda.
- Ah, e por que não atendeu? Ele é bem gatinho. E é do time de basquete. Além disso, pelos amassos da última festa, achei que daria em namoro. – ela disse com seu ar malicioso.
- Nem me lembra. Ele é gatinho, mas um crianção. A mentalidade dele é mais atrasada que a da Mia.
- Sabe o que eu acho? Você tem medo de compromisso. – ela disse.
- Não! Não é bem assim. Eu só acho que se é pra ter um relacionamento, então que seja maduro e duradouro. Mas os garotos daqui só têm beleza. Não são maduros.
- Ah, mas eu e o Lenon estamos juntos faz cinco meses e ele tem sido bem maduro... bom, na medida do possível. – ela disse.
- Bom você deu sorte. Eu vou esperar o cara certo. Ah, e quando as garotas chegarem, quero que diga tudo o que rolou ontem na sua casa com o Lenon.
- Tudo bem, mas vamos esperar a Milla e a Jullia.
- Não precisa mais. – disseram Milla e Julllia juntas.
- Ah, estão aí. – disse Anna.
O sinal tocou, e corremos
- Nos falamos no almoço. – eu disse.
Andei até a aula. Na classe a professora, pediu uma redação de 25 páginas. Tédio eminente.
Bolas de papel, ótima desculpa pra dar uma volta pela sala. Arranquei uma folha do caderno e a amassei, levantei e andei até o lixo, voltei caminhando lentamente pra minha mesa. Quando me sentei, notei um bilhete, escrito com letras recortadas de revistas. Abri.
“Diga adeus a sua vida.”
Larguei o papel na mesa como se ele tivesse queimado meus dedos. Mas que merda é essa? Tentei pensar melhor. Podia ser só uma brincadeira.
É claro, só uma brincadeira, de muito mau gosto, porém apenas uma brincadeira.
- Senhorita Odonnel! Preste a atenção na aula, por favor! – a senhorita Lurdes pediu. E continuou passando suas lições de espanhol.
O sinal tocou, e eu levei um susto. Gritei.
- Senhorita Odonnel, foi só o sinal. Acalme-se. – disse ela outra vez. Todos riram. Assenti e juntei minhas coisas, fui a primeira a sair da sala. Dos corredores vinha tanta gente que eu me senti sufocada. Alguma coisa naquele bilhete me fazia sentir mal. Segui até as próximas aulas.
Quando à hora do almoço chegou, eu corri até a cantina, e fiquei esperando na mesa de sempre. Logo as garotas chegaram. E se sentaram ao redor da mesa, tagarelando sem parar. Anna começou a falar sobre a noite super quente que teve com o Dan. Mas eu estava mais interessada no bilhete, me concentrei. Tentei lembrar de algum motivo, tentei pensar em algo que eu pudesse ter feito.
- E então meus pais chegaram e ele se escondeu no meu armário, me cobri com o cobertor e meus pais pensaram que eu estava dormindo, depois o Lenon pulou a janela e foi pra casa... Hm, Terra chamando Nathalie... – disse Anna.
Olhei pra ela, e todas começaram a rir.
- Ei, você ta tão desligada. O que aconteceu? – perguntou Milla.
-Eu... ah...bom, eu recebi um bilhete estranho, mas não sei que me deu. – mostrei pra elas.
Elas o analisaram e tiraram dos bolsos outros iguais.
- Também recebemos. – disse Jullia.
- Que estranho. Mas não estão com medo né? – disse Anna.
Fiquei quieta.
- Ah, qual é Nathalie. Vai ficar abalada com isso? Deve ser algum idiota tentando nos assustar. Não se assuste ou o trabalho dele vai estar feito. – disse Milla.
- Tem razão... Eu vou... esquecer. – eu disse.
Mas eu não ia esquecer. Aquilo ficava martelando na minha cabeça. O sinal pro fim do almoço tocou.
- Bom, então. Hoje à noite, festa na casa do Lenon. Todo mundo lá, ok? – disse Anna.
- Eu não sei como chegar até lá. Ah, e Jullia, mamãe quer você no escritório amanhã, ela precisa de uma modelo. – eu disse
Jullia deu um pulinho animado e bateu palmas.
- Nathi, eu te levo. – disse Milla.
- Obrigada Milla. – sorri.
- Okay, então eu te pego as oito ta? – ela avisou.
- Ta bem.
Corri pra próxima aula.
O dia todo foi os pensamentos sobre o bilhete. Aquilo não saía da minha cabeça, ficava pensando naquilo. Meu pesadelo. Eu sabia minha intuição nunca falha.
O último sinal tocou. Fui pro estacionamento. Peguei meu carro e fui pra casa.
Quando cheguei, estava sozinha, Mia ainda tava na creche, mamãe e papai iam continuar no trabalho até a noite.
Subi, e coloquei meu pijama. Peguei um pedaço de bolo, e me sentei na sala pra assistir TV. A grande labradora Judith, se deitou no sofá ao meu lado. Fiquei assistindo ao canal Disney. Era meu preferido desde criança. O tempo passou rápido, o dia havia passado, e a noite se aproximava. Resolvi tomar banho. Depois que a banheira encheu, me joguei nela, e relaxei. Não sei por quanto tempo, mas fiquei de molho lá.
Ouvi a porta do andar de baixo abrir. Estranho. Papai e mamãe só chegariam daqui a algumas horas. Eu sempre tive a audição bem aguçada. Mas aquilo me deu um arrepio. Decidi terminar o banho. Levantei da banheira. O banheiro estava tomado por uma névoa de vapor, mal conseguia enxergar.
E então, a luz se apagou. Tudo ficou escuro, tateei a porta e a abri, enrolei bem a toalha. E saí do quarto. Desci as escadas devagar, a labradora começou a latir com violência. Cheguei ao andar debaixo, a porta estava escancarada. O vento frio tocou minha pele nua. Achei estranho. A cadela latiu mais alto, e então algo me empurrou. E a porta bateu forte, depois de alguns segundo a luz voltou. Levantei-me. A cadela não parava de latir. Afaguei suas grandes orelhas.
- Calma garota, vai ficar tudo bem... foi só... – parei no meio da frase, pois eu não fazia idéia do que acontecera. E nada ia ficar bem. Não tinha explicação. Tudo o que eu sabia é que o medo em mim ficava maior a cada segundo.
Percebi um bilhete no chão. Abri-o, e eram outra vez, letras recortadas de revistas.
“Perigo. ’’
Era tudo o que dizia. Aquilo estava ficando muito assustador, muito mesmo.
Olhei no relógio. 07h35min. Merda! A maldita festa na casa do Lenon. Corri pro meu quarto. Olhei no guarda-roupa. As festas do Lenon eram sempre extravagantes, ele era rico, e os pais deviam estar em um cruzeiro. Dentro da casa era aquecido, e todo mundo ia de vestido claro. Vestido... encontrei um preto, comprimento de oito dedos acima do joelho, tomara-que-caia, básico e lindinho. Peguei uma escarpain preta. Soltei o cabelo, penteei e deixei-o como estava, retoquei a maquiagem, e peguei meu casaco preto que descia até o tornozelo. Era bem elegante, pelo menos pra chegar até lá, obvio que o tempo não ia colaborar hoje.
Milla buzinou, e eu desci correndo. Deixei um bilhete pra minha mãe, e tranquei a casa. Corri até o carro da Milla e entrei.
Ela usava um vestido branco com estampa de flor, de uma alsa só, uma sapatilha branca. Os cabelos médios soltos, maquiagem leve. Estava tão linda. Seu rosto meigo era quase angelical. Olhou pra mim e sorriu.
- Parece uma princesa do Rock. – comentou ela sorrindo.
- E você parece à rainha das fadas. – ela sorriu
- Onde está o Anddy? – perguntei.
- Vai me esperar na festa.
- Awn, vocês ficam tão lindos juntos.
- Obrigada. Nós apenas nos amamos. Ele é sempre tão meigo. Ontem me deu um boque de flores. Depois me levou pra ver as estrelas. Ele me respeita sabe? Sei que é o cara certo.
- Fico feliz por você!- sorri. – Hoje... agora na verdade, acabou de acontecer uma coisa muito estranha.
- Sério? O que? – ela perguntou curiosa.
- Bom, eu estava no banho, e então, as luzes se apagaram do nada. Aí eu desci e a Judith estava latindo muito. A porta tava escancarada, e alguém me empurrou, eu caí. Daí essa pessoa fechou a porta e a luz voltou. E eu achei no chão perto da porta, outro bilhete, só que esse dizia “perigo”.
- Ai meu Deus! Meu Deus Nathi. Se fosse comigo, eu morreria de medo, sério. Mas você chamou a polícia?
- Não. Até porque, se eles viessem seria perda de tempo, quem fez aquilo, deve ter fugido, e eu não me machuquei, então, tudo bem, além disso, era tarde e você tava chegando.
- Mas que estranho, tem certeza de que você está bem? – ela perguntou. Seus olhos me analisaram e se mostraram cheios de preocupação.
- Eu to sim. – respondi.
Chegamos. A rua estava tomada de carros estacionados, dava pra ouvir a música até no fim do quarteirão.
Milla estacionou, e entramos na festa. Estava tomada de gente. Mal dava pra andar. Conhecia todos eles, eram todos da escola. Milla logo encontrou Anddy, e eu me misturei, andei até a cozinha pra pegar algo pra beber. Deixei o casaco no carro, ainda bem. Se estivesse com ele no meio de tanta gente, não ia chegar em casa com ele inteiro. A cozinha estava cheia, claro. Sentei-me em uma cadeira na bancada. Um garoto cheirando a álcool sentou do meu lado. Olhou pra mim.
- Oi gostosa. – disse ele chegando perto. Seus olhos estavam nos meus seios. – Que tal a gente subir e você me mostrar do que é capaz?
- Da o fora Jason. – o empurrei. Ele colocou a mão na minha perna, e tentou me beijar. – Me solta.
Ele continuou investindo, me agarrou, não conseguia me soltar. E então ele foi arrancado de cima de mim. Logo ele levou dois socos e estava no chão. Que o socou cuspiu nele.
- Não é assim que se trata uma garota seu babaca. Peça desculpas. Agora. – ordenou.
Jason olhou pra mim, e em meio ao sangue que saia de sua boca e nariz, ele tossiu e balbuciou “Desculpa Nathalie”.
Olhei em direção ao garoto que me salvou. Era alto. Cabelos escuros, olhos verdes, lábios perfeitos, nariz reto, muito, muito bonito. Uma beleza jovem, porém forte. Simplesmente o cara mais lindo que eu já vira. Ele vestia uma camiseta pólo branca, calças jeans pretas e uma jaqueta de couro preta estilo motoqueiro. Ombros largos e músculos definidos. Ele ajudou Jason a se levantar, e se virou de costas. Ai meu Deus, que comissão de trás. Que bum bum lindo!
-Obrigada. — agradeci. Ele me entregou uma coca-cola. – Você me salvou.
- Ah, foi um prazer. – disse ele. Sentou do meu lado. — Mas e então, qual é a dele?
- Ah, Jason, é o capitão do time de futebol. Quando vai pra festas, enche a cara, provavelmente não vai nem se lembrar amanhã. Só vai sentir a dor, mas nem vai saber o porquê ou quem. Ele sempre da em cima das garotas das festas. Não é a primeira vez que ele faz isso. Mas hoje ele pareceu mais forte. Da última vez, eu quebrei um dente dele com um soco.
- Durona. – ele sorriu. – Mas, me diz qual seu nome?
- Nathalie Odonnel. E o seu? – perguntei. E tomei um gole, estava morrendo de sede.
- Samuel Baker. Mas pode me chamar de Sam. – ele disse.
- Quantos anos... Sam? – perguntei.
- Fiz 19 ontem. – ele disse.
Hum... dezenove? Perfeito.
- Eu tenho 17. Mas... então, feliz aniversário. – eu disse.
— Ah, obrigado. – ele sorriu, e percebi que ele tinha covinhas. Awn! Que fofo. Ele pegou minha mão e se levantou. — Quer dançar? Doce Nathi.
Sorri e levantei. A música era lenta, andamos até a pista de dança. Que na verdade era só o centro da sala da casa. Mas era imenso. Muitos casais dançavam. Entrelacei meus braços ao redor do pescoço dele, e ele fez o mesmo em torno da minha cintura. Ficamos olhando um pro outro. Algo em mim se agitou. Ele sorriu. Senti vontade de beijá-lo. Mas não queria investir nisso, não queria parecer oferecida nem ia dar uma de fácil. Ele parecia ser maduro, então ia esperar que ele tomasse iniciativa. Ele me puxou mais pra perto, nossos rostos ficaram a centímetros um do outro, mas ele era um pouco mais alto sorte que eu estava de salto. A música terminou. Mas ele não me soltou. Outra música começou. Mas era um rock. Porém ele não me soltou. Apenas tocou meu rosto.
- Você é tão linda... Sabia que seus olhos ficam verdes com essa pouca luz? – ele reparou. Fiquei chocada. Todos os garotos com quem eu saía, nunca me diziam coisas assim, apenas me chamavam de coisas como ‘’gostosa’’, ‘’gata’’. E nunca reparavam que meus olhos mudavam de cor.
Nossos rostos iam se aproximando, mas o meu celular tocou. Levei um susto, senti seus braços firmes me soltarem. Droga! Coloquei o celular no ouvido.
- Alô?
- Nathalie, desculpa te chamar agora, mas é que a Judith não ta bem. Eu e o seu pai vamos levar ela pra veterinária. Precisa vir cuidar da Mia. – disse minha mãe.
- Ah, não! Mãe, ela ta bem? – perguntei.
- Não sei. Vem logo.
- Ta bem, já to indo. Tchau. – desliguei o celular.
- Está tudo bem? – ele perguntou.
- Não sei. A nossa labradora passou mal, minha mãe e meu pai vão ter que levar ela pra veterinária, preciso ir agora, pra cuidar da minha irmã mais nova.
- Ah. Quer que eu te leve? – perguntou ele.
- Espere. Não saia daqui. – eu pedi, e ele assentiu.
Corri até a Milla. Que estava dançando com Anddy. Cutuquei-a e ela olhou pra mim.
- Milla, deu um problema com a Judith. Mamãe me ligou. Preciso ir.
- Ah, eu te levo, só deixe pegar minha bolsa. – ela disse.
- Não! Não precisa, não quero estragar sua festa, fica. Eu arranjei carona. – eu disse, dei um abraço apertado nela. – Obrigada.
Voltei até onde estava Sam.
- Vamos? – perguntou.
Assenti e andamos até o carro dele. Era uma BMW prata. Mostrei o caminho até minha casa. Ele dirigiu, e logo chegamos. Ele estacionou na frente da minha casa.
-Bom, está entregue. – ele sorriu e disse.
- Estou mesmo. Obrigada.
- Quando precisar me chama. – ele disse dando uma piscada.
- Olha que eu chamo mesmo. – eu disse.
Ele se aproximou, e eu congelei, seu rosto estava tão perto do meu que eu podia sentir sua respiração. Ele colocou sua jaqueta de couro em meus ombros. E olhou nos meus olhos. Deu-me um beijo na testa.
-Boa noite Nathalie. – ele disse com a voz doce.
Sorri.
- Boa noite, Sam. – abri a porta do carro. Uma onda de adrenalina tomou meu corpo. Voltei ao meu banco e me joguei sobre ele. O envolvi com meus braços, em um abraço forte. Seu perfume inundou minhas narinas. Fechei meus olhos e sorri. Depois o soltei. E saí do carro, corri até a porta de casa, sem olhar pra trás. Entrei dentro de casa, e só então ouvi o carro sair. O cheiro dele estava em mim, e estava na jaqueta. Sorri. Minha mãe e meu pai passaram por mim, com a Judith nos braços. Saíram porta a fora dizendo ‘’Depois ligamos’’.
Mia estava adormecida no sofá. Suas bochechinhas estavam coradas, e a almofada com muita água. Parece que ela tinha chorado. Peguei-a no meu colo, e subi com ela. Entrei no meu quarto e a coloquei na minha cama, tirei suas botinhas, e a cobri com meu cobertor. Com o que tinha acontecido hoje, eu não iria deixar dormir sozinha no quarto dela. Ainda mais com nós duas sozinhas em casa. Saí do quarto rapidamente e tranquei a porta da sala, depois voltei ao quarto. Era estranho não ter a Judith deitada ao pé da minha cama. Lágrimas brotaram nos meus olhos. Tentei afastá-las com as lembranças desta noite. Pensei no sorriso de covinhas do Sam. Lembrar dele fazia minhas pernas tremerem. E pensando agora, como ia entregar o casaco dele? Esqueci de pegar o número, ou o e-mail. Ai, mas que burra!
Sentei em frente ao computador. Os dois bilhetes ainda estavam ali. O medo me atravessou. Olhei no relógio. 00h45min. Um vento gelado me arrepiou. Olhei pra janela, mas ela estava fechada, a porta do banheiro e do quarto também. Estranho. Uma sensação estranha tomou conta de mim. Senti medo. Levantei e tirei a roupa da festa. Peguei uma calça larga de moletom e uma camiseta de manga comprida, velha e larga. Perfeita. Desliguei a luz, meu quarto ficou iluminado apenas pela fraca luz do abajur, andei até a cadeira da escrivaninha, e peguei o casaco do Sam. Deitei ao lado de Mia, desliguei a luz do abajur. Tudo ficou escuro. Sabia que seria mais uma noite de pesadelos, então abracei forte a jaqueta e deixei o aroma dela me envolver. Sabia que se meus pensamentos chegassem nele, ajudaria muito.
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