Notas iniciais
Esse capítulo é narrado pela Milla.

O bilhete me dava medo, mas eu precisava ser forte, Sabia que Nathalie era a única que se sentia como eu, mas ela sempre fora tão sensitiva, talvez meu medo se desse a isso. Ela sempre sabia quando algo ia dar errado, e pelo que me parecia, ela estava sentindo isso. E se aquele papo todo de que tudo tem o lado ruim, que ela sempre dizia fosse verdade? E se alguém quisesse fazer algo contra nós por sermos populares? Tentei ignorar isso. Não queria ficar paranóica.

- Eu não sei como chegar até lá. Ah, e Jullia, mamãe quer você no escritório amanhã, ela precisa de uma modelo. – Nathalie disse. Ela estava pálida como papel.

Jullia deu um pulinho animado e bateu palmas.

- Nathi, eu te levo. – eu me ofereci.

- Obrigada Milla. – ela sorriu. Ela sempre sorria, mesmo que a situação era ruim. Aquilo aqueceu meu coração. Tirou-me um pouco a preocupação. Depois de ajeitar os dentes Nathalie ficou bem bonita. Na verdade ficara linda.

- Okay, então eu te pego as oito ta?- perguntei.

- Ta bem. – ela sorriu outra vez, e correu até sua aula.

Jullia e Anna também saíram.

Andei devagar até a aula de artes.

Aquele bilhete maldito ficou na minha cabeça a aula toda, o resto das aulas pra falar a verdade. Nunca tantas professoras chamaram minha atenção. Estava distraída demais na verdade. O sinal pra ir embora tocou, suspirei aliviada.

Caminhei calmamente até meu carro.

Anndy estava escorado no capô a minha espera. Quando me aproximei, ele deu um sorriso doce, e me abraçou. Passei os braços por sua cintura. Ele me beijou. Segurança e calor. Esse era o sentimento. Toda preocupação e medo desapareceram. Ele olhou pra mim e sorriu. Inclinei-me e o beijei outra vez. Ele sorriu. Afastei o rosto outra vez e ele segurou o meu com as mãos. Tirou a franja do meu rosto e beijou minha testa enquanto me abraçava forte.

- Te amo, sabia? – ouvi sua voz grossa.

- Sim, e eu amo você. – respondi.

- Como foi seu dia princesa? – perguntou.

- Bom. E o seu? – menti.

- Puxado. Mas eu te vi no corredor, parecia aflita. Não tem nada que queira me contar? – perguntou com ar de preocupado.

- Não era nada, eu só... eu e as garotas recebemos bilhetes iguais com letras recortadas dizendo “Diga Adeus a sua vida”. Eu só tava preocupada, só... isso.

-Eu vou descobrir que fez isso e vou acabar com ele. Não se preocupa princesa, eu te protejo. – disse ele me dando um beijinho na ponta do nariz.

- Obrigada meu amor. – o abracei.

-Vai à festa hoje à noite? – perguntei

- Claro gata.

- Quer ir com a gente? Primeiro eu passo na Nathalie e depois a gente te pega. Que tal?

- Eu adoraria, mas, preciso levar meu pai pra ver meu avô, então eu vou direto. – ele disse fazendo biquinho.

- Ah, ta bem. – respondi.

Ele me beijou. Puxou-me mais pra perto.

- O motel fica logo ali na esquina! Podem ir se quiserem. – uma voz irritante.

Anddy olhou, eu me virei. Era o Matt. Um cara fortão, com cara de mau, com uma voz chata e irritante.

- Não, obrigado. – respondeu Anddy.

- Bom, então vamos nessa, cara, tem reunião na casa do treinador. Se quisermos ir pra festa, melhor corrermos. – disse ele. Andy o fuzilou com os olhos. Olhou pra mim e me deu um beijo de tchau.

- Te vejo na festa gata. Te amo. – disse ele seguindo Matt.

- Até. – respondi, e entrei no carro. Dirigi rápido, não queria ficar sozinha no estacionamento, não parecia seguro.

O trânsito colaborou, cheguei em casa rápido.

Mamãe estava no quarto, se arrumando, ia sair com as amigas. Abri a porta do quarto dela devagar.

- Mãe, cheguei. – avisei.

Ela colocava os brincos. Usava um vestido azul escuro. E saltos altos. Estava muito bonita. Sorri ao ver ela se arrumar.

- Docinho, a mamãe vai sair hoje. Se você for sair com o seu namorado, por favor, tenha juízo, porque eu não vou criar mais nenhum bebê! – ela deu uma gargalhada e beijou minha testa. – Volto pela manhã. Te amo. – ela sorriu pegou a bolsa e saiu.

Saí também e subi até o banheiro do corredor, tomei um banho quente e demorado, tinha bastante tempo ainda.

Comi alguma coisa leve. E então fui me arrumar.

Vasculhei meu closet. Encontrei meu vestido branco com estampa florida que tava perdido há séculos. O coloquei. Ainda servia bem. Peguei minhas sapatilhas brancas. Soltei o cabelo e o deixei como tava, ondulado. Passei uma maquiagem leve. Apenas lápis, rímel, batom coral, e blush rosadinho. Olhei no espelho. Estava bom. Coloquei um colar simples e me sentei na cama com o caderno, e comecei a fazer algumas anotações e desenhos. Logo perdi a hora. Olhei no relógio. Estava na hora de ir, tinha que passar na casa da Nathalie. Tranquei a casa, e entrei no carro, dirigi até a casa da Nathalie. Ela saiu da casa, com o casaco, sobretudo preto. Entro no carro, estava pálida e parecia assustada. Tirou o casaco, revelando o lindo vestido preto. Estava linda parecia até uma...

- Parece uma princesa do Rock. – comentei

- E você parece à rainha das fadas. – ela sorriu.

- Onde está o Anddy? – perguntou

- Vai me esperar na festa.

- Awn, vocês ficam tão lindos juntos. – ela disse fazendo uma carinha fofa.

Ela sempre fora, linda, inteligente e super cobiçada por todos os garotos da escola. Não entendia o porquê de nunca ter namorados. Ela só dava amassos em festas, mas depois disso, ela deixava o garoto de lado.

— Obrigada. Nós apenas nos amamos. Ele é sempre tão meigo. Ontem me deu um boque de flores. Depois me levou pra ver as estrelas. Ele me respeita sabe? Sei que é o cara certo.

- Fico feliz por você!- ela disse. Parecia sincera. Era uma ótima amiga.

– Hoje... agora na verdade, acabou de acontecer uma coisa muito estranha. – ela tremeu só ao falar.

- Sério? O que? –perguntei curiosa.

- Bom, eu estava no banho, e então, as luzes se apagaram do nada. Aí eu desci e a Judith estava latindo muito. A porta tava escancarada, e alguém me empurrou, eu caí. Daí essa pessoa fechou a porta e a luz voltou. E eu achei no chão perto da porta, outro bilhete, só que esse dizia “perigo”.

- Ai meu Deus! Meu Deus Nathi. Se fosse comigo, eu morreria de medo, sério. Mas você chamou a polícia? – perguntei alarmada.

- Não. Até porque, se eles viessem seria perda de tempo, quem fez aquilo, deve ter fugido, e eu não me machuquei, então, tudo bem, além disso, era tarde e você estava chegando.

- Mas que estranho, tem certeza de que você está bem? – perguntei. Estava tão preocupada, a analisei, para ver se estava machucada.

- Eu to sim. – respondeu dando um sorriso. Era o sorriso que ela dava, sempre que queria nos acalmar. Mas sabia que nada estava bem, e agora, eu estava ainda mais preocupada. E se isso fosse acontecer com todas nós? E pior, se acontecesse algo perigoso?

Procurei um lugar pra estacionar, porque o lugar estava terrivelmente cheio.

Saímos do carro, eu o tranquei, e entramos na festa. Esprememos-nos pra passar. Anddy estava na porta esperando por mim. Percebi que Nathi se sentiu deslocada. Mas ela olhou pra mim e sorriu, e continuou no meio da multidão. Anddy me abraçou e me entregou um copo de coca-cola.

- Ah, qual é! Eu quero beber de verdade. – reclamei.

- Princesa, se não em engano, você está dando carona hoje, além disso, você ta de carro, então, nada de álcool. – ele disse beijando minha testa.

- Ta bem amor. Obrigada por cuidar de mim.

- É um prazer princesa. — ele disse.

- Vamos dançar. — puxei ele pra pista de dança.

Dançamos várias músicas. Percebi uma agitação perto da bancada onde estavam as bebidas. Jason estava dando em cima da Nathalie. Colocou a mão na perna dela, ela o empurrou, ele insistiu e a agarrou, tentando beijá-la e tocando em seu corpo. Ela não conseguia empurrá-lo, como fazia em outras vezes. E nem conseguia dar seu famoso soco-quebra-dentes. Um cara, muito, muito sexy e gato, o tirou de cima dela e começou a brigar com ele. Quando Jason estava no chão, ele o fez dizer algo a Nathalie, que não dava pra ouvir. Ele se aproximou dela, e eles começaram a conversar. Parei de olhar, ia dar privacidade. Voltei a dançar

Anddy pegou minha mão, e me levou até o jardim. Era imenso, e perfeito. Anddy se soltou de mim, pegou minha mão e se ajoelhou.

- Sabe... antes de você chegar na minha vida, eu achava que ela estava completa, achava que tudo estava perfeito. Mas então, você apareceu e mudou tudo. Eu percebi desde o primeiro ‘’oi’’, que você era tudo o que eu precisava. – disse ele. Olhei pra ele corando. – Eu sei que a gente é jovem. E que você não ta preparada. Mas eu juro que vou te amar pra sempre, cuidar de você, te fazer feliz, cada segundo da sua vida. Você concederia a mim o prazer de se tornar a minha esposa? – ele perguntou.

Esposa? Com 17 anos? E agora? Eu amava aquele garoto, mais que a mim própria, mas não estava preparada pra me casar. Mas não queria dizer não. Não queria perde-lo.

Puxei-o para um banco, e olhei nos olhos dele.

-Anddy, você sabe que é o único pra mim. E que eu o amo mais do que tudo. Mas, eu não posso me casar agora. Olha, pode esperar a gente se formar, e eu conseguir meu emprego e casa? – perguntei.

- Sim. Espero o tempo que precisar.

- Então, eu quero, quero ser sua esposa.

Ele me abraçou me erguendo do chão. Colocou-me de volta ao chão, olhei pra ele, e pulei em seu pescoço. Ele saiu pra trás, e eu por cima dele. Eu o beijei. E depois me deitei ao seu lado.

- Essa foi a coisa mais linda que já fizeram pra mim. Isso é tão lindo, que me da vontade de chorar, esse momento é perfeito. – eu disse com lágrimas brotando, eu deitei minha cabeça em seu peito. E ficamos ali. Olhando as estrelas.

- Quando você pensa no futuro. O que você pensa? – perguntei curiosa.

- Uma piscina de chocolate, talvez. – ele gargalhou. Dei um tapinha de leve em seu peito.
— Eu to falando sério. – tentei parecer séria.

- Ta bem. Eu vejo, eu e você, numa linda casa, na mesa de jantar, junto com nossos filhos, comendo uma bela ceia de natal. Felizes e sorrindo. – ele disse. Eu o abracei forte e o beijei. Ele olhou pra mim e sorriu. – Ah, e claro. Minha piscina de chocolate. – ele completou, rimos juntos.

Ficamos juntos olhando o céu.

- Ei, vamos comemorar lá na festa? Nosso noivado. — pedi, e levantamos.

- Ótima idéia gata. – ele disse.

Entramos na casa. Estava dando uma música lenta. Olhei em volta. Nathalie estava dançando com o bonitão que salvou ela. Jullia estava dando uns amassos bem quentes no Matt, perto da escada, e Anna estava subindo com Lenon pro andar de cima. Deu uma risada baixa. Voltei a me concentrar naquele momento perfeito com Anddy. Pelo menos até Nathalie correr até mim.

- Milla, deu um problema com a Judith. Mamãe me ligou. Preciso ir. – disse ela com pressa.

- Ah, eu te levo, só deixa pegar minha bolsa. – eu disse.

- Não! Não precisa, não quero estragar sua festa, fica. Eu arranjei carona. – ela disse me deu um abraço apertado, e carinhoso. – Obrigada.

Ela se virou e saiu com o mesmo garoto.

- Parece que alguém vai se dar bem hoje a noite. – disse Anddy.

- Não, ela ta com problemas, percebi pela preocupação na voz. – eu disse.

- Que estranho. Ela sempre resolve os problemas, nem parece que tem.

- Na verdade, ela sofre em silêncio. Uma mania muito preocupante que ela tem.

- Bom, ela tem vocês pra apoiá-la. Então sempre fica tudo bem. – ele disse, me beijando.

Ficamos assim, nos beijando. Percebi que precisava chegar mais perto, ter ele pra mim. Ele me puxou pra um canto. E me pegou no colo. Me beijava. Seu abraço era forte, e seguro, a minha volta. Ele me fazia sentir segura. Ele me levou até o andar de cima, em um quarto.

Deitamos na cama, e os beijos se tornaram mais fortes. Mãos ágeis arrancando meu vestido. Passei a mão por seus ombros largos e fortes.

Sinal de alerta! Não queria me deixar levar pelo calor do momento. Ainda não era a hora certa. O sermão da minha mãe surgiu na minha cabeça naquele segundo. Segurei a mão dele. Ele me olhou com preocupação.

- Ta tudo bem? – perguntou preocupado.

- Você vai ficar muito bravo se eu te pedir pra esperar...? – perguntei.

- Claro que não. Me desculpa, por estar indo tão rápido. Sei que não devia ser assim. Desculpe – ele disse me ajudando colocar o vestido.

- Ta tudo bem. – eu dei um beijinho rápido nele, e me levantei. Descemos. Olhei no relógio. 01h50min da manhã. Hora de ir. Precisava entregar alguns trabalhos amanhã, e não tinha terminado eles ainda.

- Preciso ir. – disse a ele. O beijei, peguei minha bolsa e saí da casa. Ele me seguiu, mas entrei no carro e saí. Sabia que se olhasse pra trás não ia conseguir ir.

Dirigi até em casa. Estava tudo realmente escuro.

Tentei acender a luz, mas não acendia. Corri até a cozinha e achei a lanterna. Olhei por tudo. E então a porta bateu atrás de mim. Meu sangue gelou.

- Mãe? – perguntei.

Sem respostas, o medo tomou conta de mim. Algo passou por mim. Apontei a lanterna para todos os lados. Mas não vi nada. O medo me fazia soar frio, pensei em manter a calma. Mas estava difícil.

- Quem está aí? – gritei. Sem resposta.

Corri até o telefone. Estava mudo. Merda. O celular ficou no carro.

Barulho na cozinha.

- Quem está aí? Pode parar com a brincadeira! – o pavor estava tomando conta de mim. Barulho nas facas da cozinha. Corri. E me escondi atrás do sofá. Desliguei a lanterna. Passos... Cada vez mais perto. Percebi a silhueta contra a luz vinda da rua. Era alta. Aproximava-se, tentei correr, mas tropecei e caí. Percebi o brilho da faca. A lâmina afiada. Sabia o que ia acontecer, gritei, mas a pessoa levantou a faca e a enterrou na minha perna, depois tirou, a dor tomou conta de mim, senti o sangue fluir e escorrer quente pela minha perna. Gritei de dor.

- Não! Por favor! Pare! – eu gritava me arrastando. Deitei de bruços e rastejei até a porta da frente, mas a cada impulso uma facada. A dor me deixou paralisada. Tentei contar, quantas eram. Mais de dez até agora. Sabia que estava ensopada de sangue. Virei de frente, e recebi mais duas facadas, uma na barriga e outra no seio esquerdo. A dor estava me deixando desrnoteada, eu gritava, mas ninguém parecia me ouvir. Parei de lutar, sabia que não ia escapar. Não desta vez. Meus instintos me mandar fingir de morta, e eu o fiz. Parei de lutar. O agressor parou um pouco de me esfaquear. E então recomeçou.

- Sei que não está morta! Ainda está respirando, idiota! – a voz saiu abafada, quase inaudível, não sabia se era masculina ou feminina, apenas sabia que estava desmaiando. Apaguei. E então voltei a mim, outra vez. Não entendia como ainda estava viva, pois não parava de levar facadas, meu corpo não tinha mais forças, mas meu cérebro não aceitava. Fechei os olhos, ainda gritava, berrava, urrava de dor. Nunca rezava, mas naquele momento, eu o fiz, pedi em silêncio, pra morrer. Pra fazer a dor passar, pra eu parar de respirar, a dor era forte demais pra eu querer viver. As facadas cessaram. Ouvi a porta bater, e tudo ficou quieto. Pensei na minha mãe, seu rosto doce, se transformando em pavor ao me ver. Pensei nas minhas melhores amigas. Como ia sentir falta de ouvir elas, de estar com elas. E pensei no Anddy, meu amado Anddy. Não íamos nos casar. Não íamos ter um casal de filhos e não íamos ser felizes pra sempre. Ah, me desculpe, querido. Pensei. Quebrei a promessa de nunca deixá-lo.

Aos poucos, a dor ia aumentando, e meu tempo, acabando. Respirar doía piscar doía, tudo fazia meu corpo doer.

Tudo estava ficando escuro. Até que ouvi a voz da minha mãe na porta, ela estava rindo. Tudo clareou. Ela apareceu no meu campo de visão, e deu um grito de pavor, começou a chorar inconsolávelmente. Ela gritava, sua dor era grande. Segurou minha cabeça em seu colo. Olhei pra ela, usei todas as minhas últimas forças e sorri.

- Eu... amo...v-você...mamãe. – eu disse. E então, tudo ficou escuro. Minha dor desapareceu, junto com tudo. Estava tudo escuro, e então eu sorri. A dor não era mais parte de mim. Estava flutuando em um breu sem fim...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.