Shadowhunters- 4 temporada- Luz e escuridão

18 Em um mundo de deuses e monstros, eu era um anjo


Simon já transformado como um vampiro, andava pelas ruas de Nova York rapidamente, ele não queria e também não podia voltar para o instituto.

Algumas noites atrás, teve a melhor relação com a mulher que ama, havia tomado o sangue dela, ansiava por aquilo na hora.

Ele apenas não esperava que ficaria viciado em seu sangue, ele não esperava que iria perder o controle, ele apenas não esperava que precisaria de muito mais sangue do que pudesse tomar.

Que sensação era aquela que ele sentia? Ele estava louco pelo sangue de outras pessoas, ele queria mais do que poderia suportar, ele estava deixando sua loucura tomar o controle, e o que transtornava e o repudiava, era o fato, de que, apesar de tudo isso, dessa vontade brutal de matar para se alimentar, ele se sentia vivo, o sangue que tomava o fazia sentir vivo.

Ele parecia como a noite, ele se assemelhava a uma escuridão sinistra e desconhecida, afinal, ele sabia do que precisava, mas não podia ter, então, ele procurava nos pescoços de outras mulheres.

Ele tinha uma sede que não podia saciar, ele era como a lua também, perdido e solitário na noite condenado por um estigma divino, mas deslumbrado pela luz.

Assim, voltando para a realidade.

Ele estava andado, em becos e esquinas, pronto para atacar qualquer pessoa que aparecesse, então, ele a encontrou, uma mulher qualquer.

Uma linda mulher qualquer, que se parecia, mas não era a sua Lizzy, mesmo assim, ele se aproximou dela, e falou, em seu ouvido:

— Doce moça, andando sozinha pela rua, no auge da noite, onde os monstros geralmente saem para brincar? Sinto muito, mas sua tolice lhe custará caro, minha querida- ele pega o pescoço dela, e a coloca contra a parede, enquanto ela tenta defender-se, porém, é óbvio, que ele é mais forte que ela.

Simon Lewis então morde seu pescoço, deliciando-se, satisfazendo-se e saciando-se da bela garota. Quando percebe que a mesma havia morrido, ele a joga no chão, desprezando-a como uma vadia. Ele então, foi em busca de mais para consumir.

Enquanto isso, Jonathan após ter conversado com a Ethel e ter perdido o controle, temendo machuca-la, saia pela escuridão da noite, ele via as sombras de suas ações do passado e os demónios que o controlavam e o atormentavam em cada passo que dava.

Irritado com isso, ele soca uma parede, e grita pela escuridão da noite, para seus espectros sombrios e demónios interiores:

— Deixe-me em paz, por favor, eu imploro- ele então, ajoelha-se, socando o chão. Sentindo-se sufocado pelos seus demónios e pelas trevas.

Ele então, vê no auge de sua escuridão e de sua loucura, uma alucinação: ele mesmo matando a Ethel, enforcando-a, em um mausoléu sombrio.

Jonathan Morgastern, apavorado, começa a chorar, lágrimas escuras, quase como sangue podre que escorrem por seu rosto, ele então, sente seus olhos ficarem negros e seus cabelos brancos, asas escuras saíram de suas costas, e ele voaria no céu, pelo cemitério que estava enquanto o mesmo pegava fogo. Quase como um Apocalipse.

Naquela alucinação, naquele sonho, ele havia matado Ethel, e a ruiva era sua salvação, agora que ela estava morta, ele era bem-vindo ao inferno.

Atormentado por tudo aquilo, ele fecha seus olhos fortemente, e tudo desaparece, e a escuridão que antes lhe dava dor e sufoco agora lhe dava paz

E após abrir de novo, sabendo que não era real, ele se levanta, e grita para o vazio:

— Não, pelos anjos, eu não suporto mais isso- ele grita em plenos pulmões irritado.

— Moço, está tudo bem? — Uma moça qualquer e gentil o perguntou, ele notou que não estava sozinho ali, e que uma moça desconhecida estava preocupada com ele.

Jonathan, mesmo afogado em suas próprias trevas, percebe a gentileza de uma estranha, e se afasta.

Ele tenta se recompor, respirando fundo para acalmar a tempestade interior. E quando, consegue.

Agradece com um gesto de cabeça, tentando sorrir apesar de tudo que passou.

Em um ponto distante da cidade, onde as ruas se encontram com as sombras mais densas, os destinos desses dois seres sobrenaturais amaldiçoados parecem convergir.

Simon, ainda sedento por sangue, se cruza com Jonathan, cujo rosto revela a escuridão de sua alma.

Um olhar penetrante entre eles, uma conexão entre a escuridão e as trevas que compartilham.

Então, o vampiro vendo sua próxima vítima conversando com Jonathan, decidi se aproximar ainda mais da dupla.

E sem pensar duas vezes, a morde por trás.

Jonathan assustado com aquilo que vê, decidi confronta-lo:

— Simon Lewis, mas o que pensa que está fazendo? — Ele então, pega o pescoço de Simon e o coloca contra a parede, deixando a moça que fora gentil com ele, ir embora.

Simon, surpreendido pela intervenção de Jonathan, encara-o com olhos escuros. Em sua expressão, uma mistura de ódio e cansaço, revela uma fera acuada pela intervenção inesperada.

Jonathan, olhando nos olhos de Simon, sente a força sobrenatural do vampiro, mas a determinação em seus próprios olhos não vacila.

Então, o vampiro responde:

— Sinto muito, estou viciado no sangue dela, Jonathan, eu perdi o controle, eu a quero de volta, mas não posso tê-la, quero voltar para o instituto, porém, não posso- ele mostrou-se vulnerável, chorando desesperado. Envergonhado

— Controle-se, homem- Jonathan gritou, diminuindo o aperto no pescoço do vampiro, mas isso foi um erro

— Ah, eu vou me controlar, Morgastern, assim que eu beber mais sangue- Simon determina, já se inclinando na direção do pescoço de Jonathan, tentando morder o pescoço dele, Jonathan segura a mandíbula de Simon, impedido que ele o morda. Fazendo com que o vampiro volte para a parede

— Escute aqui, se você tentar me morder novamente, eu vou arrancar todos os seus dentes, um por um, até que você seja obrigado a engolir o seu próprio sangue, você quer isso? — Jonathan pontua cada palavra dita, apertando a mandíbula do vampiro, e o Simon responde com um não de cabeça.

Jonathan o solta, e continua andando novamente para instituto, até que ele se vira e vê o Lewis atrás dele, e o vampiro fala:

— Espera, Jonathan, eu sinto muito, eu retomei o controle- o vampiro disse, tentando alcança-lo

— Se já retomou o controle, volte para sua amada, está perdendo seu tempo comigo- Jonathan sugere grosseiramente

— O que você estava fazendo andando pelas ruas a essa hora da noite? — Perguntou Simon, para Jonathan, ignorando as palavras dele.

— Engraçado, eu poderia perguntar a mesma coisa, se já não soubesse a resposta- respondeu Jonathan frio

— Vai me responder ou não? — Questionou Simon, já perdendo a paciência

— Está bem, eu estava conversando com ela, e decidi ir embora, rapidamente, para não machuca-la- Jonathan respondeu um pouco abalado

— Ethel? — Simon perguntou, ele poderia estar falando de Clary, mas ele a conhecia e saberia que ela tem receio de conversar com o irmão, ele poderia estar se referindo a Izzy, mas Simon, conhecia sua amada, jamais ela conversaria com Jonathan novamente, então, apenas sobrava Ethel. Quando Jonathan fez sim com a cabeça, Simon o questionou novamente: — está se apaixonado por ela?

— Claro que não, eu só não consigo mais ficar perto dela, sem temer machuca-la – Jonathan respondeu de prontidão, descartando a possibilidade daquilo.

—Deixe-me perguntar uma coisa a você, há algumas noites atrás, em um bar, você a machucou, e não teve nem receio de fazê-lo, muito menos remorso por ter feito, por que agora seria diferente? Por que agora está com medo de machuca-la?

— Eu não sei, naquela noite, eu não estava conseguindo controlar meus demónios, deixei ser levado por eles, e naquela noite mesmo, Ethel tentou exorciza-los, e por um tempo deu certo, mas depois, eu voltei a ser controlado por eles... e hoje mesmo, ela me perguntou se os demônios que estão dentro de mim vão parar de me controlar e eu apenas respondi que, se os anjos que estão com ela, me ajudassem mais, mas... é uma ilusão, eu já me conformei que vou ficar assim para sempre, eu já perdi as esperanças de mudar, vou continuar sendo um monstro, afinal, e quem seria capaz de amar um monstro?- ele desabafava tudo, com um misto de ódio e de dor em sua voz rouca.

— Ethel ama você, Jonathan, não desista- Simon disse para Jonathan, e continua andando enquanto o outro ficou parado, ponderando o que havia acabado de ouvir

— Mas o que foi... que você disse? — Perguntou Jonathan, voltando a andar

— Que Ethel ama você... acha mesmo que se ela não o amasse, ela não tentaria de todas as formas mudar você? Acredite, se ela não te amasse, ela já teria desistido de você, há muito tempo. — Simon falava convicto, enquanto olhava para o companheiro de viagem, ainda parado, ouvindo e absolvendo tudo que o vampiro lhe disse.

— E quanto a você? Acha que conseguirá ficar de frente para Isabella sem querer morde-la? – Mudando de assunto, Jonathan questionou

— Eu não sei, Jonathan, talvez sim, afinal, eu retomei o controle, provavelmente momentaneamente- respondeu incerto o vampiro.

— Sim, eu acredito que seja momentaneamente mesmo...nós somos criaturas das trevas, Simon, somos feitos de escuridão, não temos controle, queremos sangue e dor descontroladamente, todos nós- Jonathan disse sombrio, com uma certeza profunda em sua voz, como se o que ele falou fosse a verdade absoluta, e para ele, na mente dele, depois de tudo que ele viveu, realmente era.

— Eu nunca fui assim, eu .... Eu sempre fui um humano comum, tornei-me vampiro há pouco tempo, Jonathan, eu não quero sangue e dor, não quero escuridão e nem trevas.... Eu só quero a mulher que amo. — Determinou Simon Lewis, com uma voz grave, com lágrimas dançando em seus olhos.

— Sinto muito, Lewis, você pode ter virado um vampiro há pouco tempo, mas ainda assim é um. E sim, você quer sangue e dor e você quer desesperadamente. Você pode não ter nascido nas trevas e escuridão, mas você está preso nisso, quer você queira ou não, está no seu sangue, correndo em suas veias e tem que lidar com isso. — Jonathan Morgestern segurava com força os ombros do vampiro, com uma voz sombria, fria e grosseira, com uma lágrima escorrendo em apenas um olho.

Simon engoliu em seco, lágrimas escorrendo livremente em seu rosto, ele então, não aceitando o que Jonathan dizia, segura o pescoço dele. Apertando-o com uma expressão de ódio, enquanto falava em seu ouvido:

— Eu me recuso a ser assim, você poder ser assim o quanto quiser, eu me recuso- solta o pescoço de Jonathan e continua caminhado. Aparentemente abalado pelo que ouviu.

Morgastern o olha por trás, e determina com afinco:

—você pode fugir disso o quanto quiser, mas nós dois sabemos o que você é e o que sempre vai ser- Jonathan engoliu em seco assim como Simon, e continuou andando.

— Vai para o inferno- Simon gritou para ele, mas eles estavam perto um do outro, e quando Simon percebeu que ele estava voltando para o instituo junto com ele, o vampiro o parou, protestando:

— Você realmente acha que eu vou deixar você voltar para o instituto, depois do que você acabou de dizer?

— Não sou eu que estou descontrolado, e além disso, eu preciso voltar, não apenas Ethel mas Clary também está lá. Minha irmã, minha rainha, ela precisa de mim. – Discordou e afirmou Jonathan tirando a mão de Simon dele.

— Na verdade não precisa, ela passou anos da vida dela sem saber da sua existência e estava muito melhor assim- disse o vampiro com ódio

Jonathan fechou o punho, mas se manteve calmo, confirmando que ele sabia se controlar, pelo menos quando não tinha medo. Mas o que Simon disse depois, ele teve que se esforçar muito para se controlar novamente:

— . Na verdade, eu fui um irmão muito melhor do que você- falou Simon novamente com um fio de voz

— Você a amava romanticamente, você a beijou várias vezes, não ouse dizer que é um irmão melhor do que eu, você foi apenas o melhor amigo eu fui o irmão de sangue- Gritou Jonathan, perdendo o controle, mas sem machucar o vampiro.

— “Você a amava romanticamente, você a beijou várias vezes”, estamos falando de mim ou de você? — Questionou Simon afiado.

— Pelo menos eu nunca tive medo de morder a mulher que amo por ser um vampiro- disse Jonathan o desafiando.

Simon perdeu o controle, e o empurrou na parede, com suas presas abertas, prestes a morde-lo novamente, mas o Jonathan exclama satisfeito por estar certo:

— Ah, aí está, o descontrole, a raiva, o ódio, mais do que moldados pelas trevas somos movidos por ela. E nós dois sabemos disso- Afirmou com certeza, o empurrado.

Resignado por ele estar certo, ele se acalmou, e continuou andando. Ambos caminhavam dessa vez silenciosos, mas tentando manter o controle.

Eles se olhavam com raiva e as vezes até com fúria, mas no decorrer do caminham eles percebiam que ambos estavam certos.

— Então, agora você aceitou a verdade? — Questionou Jonathan, depois que chegaram na igreja abandonada, que era instituto

— Essa é a sua verdade, não a minha- respondeu Simon Lewis, abrindo a porta

— Você quer discutir tudo aquilo novamente? — Perguntou Jonathan impaciente

— Não. Apenas não desista de Ethel, a Ethel é sua redenção, assim como Isabelle é a minha- Simon colocou a mão no ombro do caçador de sombras, e entrou no instituto

Jonathan Morgestern entrou na igreja e viu Maryse Lightwood.

Seu coração pareceu congelar por um momento ao se deparar com ela ali, ele não estava com muita paciência para que ela pudesse falar para ele. Ele estava com medo de ser expulso, mas ela não era mais a líder do instituto.

Maryse estava parada no centro da sala, com seus braços cruzados, e um vestido curto com mangas longas, seus cabelos soltos e escorridos caindo em suas costas.

E ela estava olhando fixamente para ele com uma expressão mista de raiva e desconfiança. Ela era uma figura imponente, com sua postura rígida e seu olhar penetrante, lembrando a todos ali quem ela era: uma matriarca e uma protetora.

Jonathan se aproximou lentamente, sentindo o peso do seu passado e a culpa que o consumia. Ele sabia que Maryse tinha motivos para desconfiar dele, afinal, ele era o filho de Valentane , o homem que causou tanto sofrimento à sua família.

— Maryse Ligthwood, o que está fazendo aqui?- Perguntou frio

Maryse observou-o por um momento, seu olhar penetrando profundamente na alma dele. Então, com uma expressão séria, ela o respondeu:

— Vim verificar se realmente meu filho estava acolhendo um monstro como você aqui, e infelizmente, ele realmente está- ela disse friamente.

Ele respirou fundo, com raiva e com ódio, e querendo não perder o controle, quando Simon, Izzy, Jace Magnus, Alec, e principalmente Clary e Ethel, o observaram receosos com que a mulher mais velha havia dito.

— Podemos conversar as sós? Por favor? — Perguntou Jonathan, com a mão em punho. Maryse olhou para a mão de Jonathan e o esforço dele para controlar a raiva, e com isso deu um sorriso de canto. Logo, logo ela conseguiria o que queria.

Jonathan e Maryse se afastaram do grupo, adentrando uma sala lateral da igreja. O clima tenso era palpável enquanto se encaravam em silêncio por alguns momentos.

— Jonathan Morgestern Fairchild, Filho de Valentine, filho adotivo de Lilith, e quando veio aqui pela primeira vez, fingiu que era um caçador de sombras, Sebastian Verlac, capturou sua própria irmã e a forçou a ser má como você, matou milhares de pessoas, e por fim, Clary o matou, o que está fazendo aqui?- ela falava os erros do passado dele, com nojo e friamente.

— Faltou a parte que me trazem de volta, eu faço um acordo com Asmodeus, tento matar a Ethel, não consigo e quebro o pacto- Apontou o Jonathan, continuando os erros e os acertos que fez.

— Obrigada por me lembrar disso, eu tinha esquecido- Pontuou Maryse, sarcástica e séria.

— Tudo bem, tudo bem, sei que fiz tudo isso, mas eu não tenho culpa de ser filho de Valentine muito menos de ser filho adotivo de Lilith- Disse ele sarcástico

— Ah, é claro, não podemos culpar os filhos pelos pecados dos pais, mas você mesmo cometeu vários pecados, e foram os que eu acabei de dizer- disse calmamente Maryse, rondando Jonathan como um caçador caça a presa

Jonathan sorriu, e se aproximou de Maryse com passos lentos, e ela se afastava a cada passo, ele a colocou contra a parede.

— Sra. Lightwood, minha paciência está se esgotado, apenas saiba que eu mudei, ou pelo menos estou tentando mudar.

— Você pode dizer que está mudando, mas nós dois sabemos, quem é e o que sempre vai ser, um monstro- Observou Maryse, séria e enojada, pela aproximação dele.

Jonathan conhecia aquelas palavras, era um reflexo do que havia dito para Simon há algumas horas. E ele odiou ouvir aquilo e por isso pegou o pescoço dela, querendo enforca-la.

— Cuidado, Maryse posso matá-la, aqui e agora, se você preferir- Avisou ele, se afastando dela, com raiva, demorando para soltar o pescoço da mulher. E com raiva, a matriarca desfere um tapa no rosto do rapaz, que a olha com raiva.

— Isso, Jonathan, faça isso, então, você vai provar o meu ponto para Clary e principalmente para Ethel e para todos do instituto: que é incapaz de mudar- Maryse com poucas palavras o afetou, e ele foi em direção da porta, pronto para abri-la.

Mas o que ele ouviu foi pior do que tudo que ouviu antes:

— Está se afastando pela Ethel, não é? Você a ama mesmo, não é? Ou pelo menos, está se apaixonando por ela, não é? Mas vamos ser sinceros, você nunca vai tê-la, você pode viver por 100 anos e jamais será digno daquela garota.

Jonathan simplesmente deu um soco na porta e a abriu rapidamente, vendo todos ali, e quanto seu olhar encontrou o de Ethel, ele desviou o olhar, e foi para a estufa do instituto. Ethel queria ir atrás dele, realmente queria, do mesmo jeito que fez na noite do bar, mas se conteve. Ele precisava de um tempo sozinho, e ela lhe daria esse tempo. Ela então, também foi para longe dali. Sendo também observada pelas pessoas restantes.

Enquanto isso, Simon Lewis observava a cena de longe, sentindo uma mistura de emoções. Ele sabia que Jonathan era uma figura controversa, mas também reconhecia a angústia e a dor que o consumiam. Talvez, no final das contas, eles não fossem tão diferentes assim.

Enquanto refletia sobre isso, Simon sentiu uma mão suave em seu ombro. Ele se virou e viu Izzy, com um olhar preocupado em seu rosto.

—Você está bem? — Ela perguntou, sua voz suave e reconfortante.

— Não- Afirmou o vampiro, olhando para Clary, para que ela tirasse Jace, Magnus e Alec da sala, para que ambos pudessem conversar. A ruiva entendeu e os chamou para uma caçada, eles aceitaram, deixando o casal sozinhos. Depois que foram embora, a morena questiona o namorado:

— O quer que dizer? Você some por semanas, volta, e simplesmente, não está bem? Por que? — Izzy o enche de perguntas, mas preocupada

— Eu matei pessoas, Isabelle, principalmente mulheres- Simon foi direto, mas arrependimento estava estampado em sua voz

— O que? — A morena tinha entendido, é claro, mas ela não podia acreditar no que tinha ouvido. Ela já estava exaltada e ficando um pouco irritada, porém, manteve o controle.

— Eu perdi o controle, desde aquela noite, eu fiquei obcecado pelo seu sangue e eu não pude tê-lo, eu ... eu precisei de sangue de outras pessoas, mas o sangue que mais me saciava era de mulheres parecidas com você- Simon explicava com lágrimas nos olhos, pela justificativa que havia dado.

— Como você ousa? Depois de tudo que passamos juntos, quem é você? — Isabelle estava com o rosto banhado em lágrimas, entretanto, sua voz era fria como gelo e tinha um olhar repleto de rancor e medo para com o vampiro

— Eu sinto muito, eu te amo, eu.... Eu sou o mesmo Simon Lewis, Isabelle, eu retomei o controle, sou eu- O moreno tentava se aproximar, mas ela se afastava. Izzy o olhou com desprezo e pede:

— Fique longe de mim, por favor e você acha que é ... “O mesmo Simon Lewis”? Não, o homem que eu amava jamais ia fazer isso, o homem que eu amava repudiava a ideia de matar pessoas, o Simon Lewis que eu amava era atormentado pela ideia de simplesmente tomar sangue humano. Não, você não é ele. O Simon Lewis que eu amava, não era um monstro. — Ela falava ácida e rouca, quase como um sussurro. Mas mais lágrimas saíram de seus olhos castanhos.

— Por favor, Izzy, eu...- Lewis tentava falar com ela, mas ela já havia dado as costas, e estava preparada para ir embora

— Vai para o inferno, Simon Lewis- a morena foi direta para o vampiro, e o barulho de salto alto ecoava pelo assoalho do instituto enquanto Isabelle Lightwood deixava a sala, com lágrimas nos olhos e uma dor em seu coração por deixa-lo.

Simon Lewis, por sua vez, foi para uma capela que tinha no instituto, já que era uma igreja abandonada, e ele tinha perdido, talvez para sempre, a mulher que ele amava. Ele colocou os pés no lugar santo, e pôde ver uma cruz com Jesus crucificado, velas vermelhas com chamas acesas e um altar, cadeiras de madeiras em cada lado do lugar sagrado.

O moreno fez o sinal da cruz e se ajoelhou em uma cadeira, dizendo:

— Perdoe-me, Deus, pois eu pequei- após isso, ele se levantou pegou uma cruz que estava disposta no altar, e com olhos fechados ele se feriu com a ponta da cruz, sentindo todo seu corpo queimar como o inferno, ele queria desesperadamente gritar, mas ele não podia. Era um fardo que ele precisava carregar. Era uma punição que tinha que se submeter. E ele faria por ela, Isabella Ligthwood, e apenas por ela.

Enquanto o vampiro que tinha perdido o controle se punia, Clarissa Fairchild Morgestern tinha voltado de uma caçada, com seus amigos para deixar seu amigo e sua parabatai, a sós, e quando ela percebeu que Jonathan não estava lá, ela ficou preocupada com o irmão, e foi falar com ele, na estufa. Ele estava sentado em um banco de madeira, com as mãos nos bolsos e o olhar perdido no horizonte.

— Jonathan, você está bem? — Clary perguntou, aproximando-se devagar.

— Não, Clarissa, não estou, eu sou um monstro, esqueceu? — Ele respondeu exaltado

— Eu ouvi o que a Sra. Ligthwood disse, todos nós ouvimos, Jonathan, mas já conversamos sobre isso, você está mudando, você não é um monstro, e está cumprindo a promessa muito bem. — Clarissa disse suavemente

— Não, Clary, você não entende, eu não estou mudando, não de verdade. Eu sou um assassino, um monstro, e sempre serei. Não importa o que eu faça, não importa o quanto eu tente, não posso escapar do que sou — Jonathan respondeu, com um tom de desespero em sua voz.

Clary sentou-se ao lado dele no banco de madeira, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. Ela olhou nos olhos dele com ternura.

— Jonathan, você é meu irmão, e eu te amo. Não desista de si mesmo, porque eu nunca desistirei de você, e além disso, você está cumprindo a promessa, está protegendo Ethel, está livre e principalmente está progredindo

— Essa promessa, Clary, eu não preciso mais dela, como você disse estou livre e Ethel está a salva e protegida, eu não quero mais fazer isso.

— Jonathan, me escute, Ethel é sua redenção, e você precisa protege-la- assegurou a ruiva colocando as mãos nos ombros dele.

— Sim, Clarissa, todos dizem que é Ethel é minha redenção, e eu concordo, mas eu não posso mais protege-la sendo que eu nem mesmo confio em mim mesmo- ele levantou-se, e quando o fez, ele a viu, Ethel.

Ela estava ali, ouvindo a conversa e com um rosto assustado, e quando Clarissa percebeu que o irmão não se movia, ela se levantou também, e pôde ver a amiga. Que falava surpresa e se sentindo traída:

— Então, é essa a grande promessa que fizeram, proteger-me em troca da sua liberdade? — Ethel descobre, olhando para Jonathan que simplesmente calou-se, enquanto sua irmã explicava.

— Sim, Ethel, eu queria que meu irmão se redimisse e queria que ficasse segura, apenas isso não foi uma decisão muito fácil, e você entende, não é? — Clary disse suave

— Não, eu não entendo, e pensar que eu a admirava, pior do que isso, eu te amava, e você me traiu, tomou-me como uma pessoa fraca que precisa de proteção — explicou o anjo, já brava com a justificativa dela

— Ethel, eu não te traí, eu não quebrei sua confiança, eu a retomei, eu queria a redenção dele e queria que ficasse salva- Desesperada Clary, tentou se explicar

— Você já disse isso, mas quantas vezes vou ter que dizer isso: eu não preciso da sua proteção, eu sou um anjo forte e não um ser humano fraco- Confirmou a ruiva olhando nos olhos de Clary. E a caçadora pôde ver fogo nos olhos de Ethel

— Ninguém disse que você era fraca, Ethel- tentou mais uma vez se defender, mas a Ethel a ignorou completamente, dirigindo-se para Jonathan

— e quanto a você, todas as coisas boas que fez, todas as mudanças que fez, todas as vezes que me salvou, tudo foi isso foi uma grande mentira não é?- ela apontava o dedo na direção dele, brava e com olhos brilhando de lágrimas.

— Não, não é assim, você está completamente errada, Ethel- Enquanto falava, ele já estava um pouco exaltado, mas ainda mantinha a calma

— Então, prove, Jonathan, prove como estou errada- a ruiva gritou, assustando não apenas Jonathan mas Clary também.

— Eu provo sim, Ethel, eu sou um monstro, um maldito monstro, em busca de redenção, e isso é patético para caramba- ele segurava os braços dela com força, enquanto gritava, com seus rostos a centímetros de distância

— Não, você querer sua redenção não é patético, o que é patético é você se esconder atrás de uma promessa com Clary, sua irmã, para ter a redenção, o que é patético é saber que você fez tudo o que fez não por vontade própria mas para cumprir uma promessa, isso tudo é patético- Ela grita para Jonathan se soltando dele, e quando termina de desabafar tudo, ela simplesmente saí da estufa. Deixando os dois irmãos surpresos e culpados.

Ela havia chegado no centro do instituto, vendo Jace ali, mexendo no painel de controle, provavelmente procurando por Asmodeus, e quando ficou do lado dele, não escondeu a cara de brava e cruzou os braços, murmurando reclamações, como uma garota mimada. Jace percebeu ela ali, e perguntou curioso com as atitudes dela:

— Posso saber o que aconteceu com você, para agir feito uma criança mimada?- questionou a olhando

— você sabia que os irmãos Morgestern fizeram uma promessa para me proteger em troca da liberdade de Jonathan?- ela o olhou, ainda com os braços cruzados

— Então, você descobriu- o loiro observou, suspirando

— Você sabia disso- Ethel afirmou, percebendo o que estava acontecendo ali. Sua voz indignada.

— Clary me contou, quando eu fui tirar satisfações com ela, depois que você foi esfaqueada por Jonathan- Jace se defendia, ainda a observando

— E você, decidiu não me contar- ela concluiu, murmurando

— Não era o meu fardo para carregar. Não era o meu segredo para contar- Jace levantou as mãos como um sinal de redenção, se justificando por não ter contado a ela.

Ethel sorria de canto, pensando o porque que ela estaria tão preocupada e indignada com o fato de que ele não tinha contado o que sabia? Então, sua mente lhe deu uma reposta plausível, eles não eram próximos, nunca foram, talvez nunca sejam.

— Nós não somos muito próximos, não é? Você me odiava quando nos conhecemos, não?- ela verbalizou o que pensava, o olhando

— Eu não te odiava, eu só não confiava em você, é diferente- justificou olhando para a tela

— Eu não o culpo por não ter confiando em mim, eu trouxe a Clary de volta ao instituto sim, mas eu era um anjo possuído por um demônio e nem sabia disso, e se não fosse por você, talvez, eu ainda estaria com aquele monstro possuindo-me — ela disse, agradecendo sublinamente em sua fala

— Não, se eu não tivesse te esfaqueado, você encontraria um jeito de tira-lo de você sozinha, você é forte, Ethel, eu não me arrependo do que eu fiz, mas ainda assim, sinto muito por isso- o loiro disse sorrindo

— Não sinta, Jonathan fez a mesma coisa comigo e eu fiz a mesma coisa com Magnus, acho que todos nós estamos quites- ela sorriu e ele riu.

— Voltando para a promessa, Ethel, eu sei que você acha que as pessoas que te amam não deveriam te proteger, mas eu sei que o único intuito de Clarissa é encontrar a redenção para o irmão- o caçador ficou sério novamente

— Eu sei, ela mesma me disse isso, diversas vezes, o problema não é vocês quiserem me proteger, o problema é saber que as mudanças que Jonathan fez e ás vezes em que ele me salvou, não foram por vontade própria, mas sim, para cumprir a promessa feita pela irmã- ela se exaltou um pouco, porém, ainda estava calma.

—Eu entendo, porém, independente do motivo, Jonathan está livre e está mudando e você está a salva, e isso que importa para mim.- ele colocou a mão no ombro dela e sorriu. Entretanto, foi embora logo em seguida.

A ruiva sorriu também, talvez o fato de que eles não sejam próximos, tenha os aproximado, e talvez, ele se importe com ela, mais do que ela pensava.

Enquanto, ela ponderava se deveria perdoar os irmãos Morgestern depois da conversa com Jace.

Tessa estava verificando se ainda tinha algum resquício de trevas em Magnus, e Alec, seu marido estava com ele.

Quando Tessa, percebeu que aquele resquício de trevas não apresentaria problemas, ela se afastou do feiticeiro, avisando para ambos os homens o que havia percebido, e antes de ir embora ela ouviu o arqueiro, dizer-lhe:

— Obrigada, Theresa Grey, por nos ajudar- Alec agradeceu solene

— fico feliz em ajuda-los, um casal tão lindo quanto vocês, nunca vi o Magnus tão feliz quando está com você. Você, Alexander Ligthwood- Bane, é a redenção de Magnus Ligthwood- Bane, e qualquer pessoa pode ver isso- A Feiticeira de cabelos castanhos, ainda usando vestimenta vitorianas, disse sem tirar um sorriso no rosto.

—Mais uma vez obrigada, Tessa- dessa vez quem disse foi Magnus, e o mesmo sorriu acolhedor

— vou deixa-los a sós, para conversarem- ela disse, antes de deixa-los, sorrindo pelo casal estar bem

Os dois assentiram, e vendo-se sozinhos novamente, Alec voltou-se para seu marido, sentando-se em sua poltrona e disse:

— fico feliz que esteja bem e bom novamente, Magnus

— Meu querido Alexander, bem eu sempre estive, mas sim, é realmente maravilhoso ser bom novamente. Não ser atraído pela escuridão, não ser possuído pelas trevas, é realmente gratificante sentir essa sensação- disse Magnus, calmamente, olhando para seu marido com ternura e sentando em sua frente, mas na cama que dividiam no instituto.

— Eu sei como é sentir essa sensação, todos nós aqui, já sentimos isso- Concordou Alec

— Você deve me achar um monstro, por eu ter tentado matar você e Ethel e meu pai ter tentado matar Jace e Clary? Não é?

— Não, Magnus, nós já conversamos sobre isso, você não um monstro, nunca foi e jamais será, não para mim. E sobre Asmodeus, não podemos culpar os filhos pelos pecados dos pais- Respondeu aflito o rapaz tentando fazer o homem que ama entender aquilo de uma vez. Mas mantendo a compostura.

— Não, não podemos, Alexander, mas eu já cometi pecados, iguais ou até piores do que meu pai, eu feri, eu torturei e matei pessoas, fiz coisas as quais me arrependo. E nós já termos conversado sobre isso, não muda o fato, de que eu sou um assassino, tanto quanto Jonathan, tanto quanto meu pai. — Magnus disse, preocupado com a reação dele, mas era a mais pura verdade o que ele dizia.

— Você mudou, é muito simples, Magnus, você pode ter feito tudo isso que disse, você feriu, torturou, matou pessoas, e isso é horrível, tudo bem, mas você mudou, você é um bom homem agora e é o homem que amo- Alec finalmente se levanta e fica de frente para Magnus, segurando seus ombros.

— Ah, querido Alexander, você realmente deve ter sangue de anjo correndo em suas veias, porque somente um anjo como você poderia compreender e continuar amando alguém como eu- O feiticeiro disse, segurando o rosto de seu amado com ambas as mãos.

— Você é o homem que eu escolhi para amar, e vou ama-lo para sempre- Alec, sorriu e Magnus também. O casal se beijou, selando o amor que sentiam um pelo outro.

Decidida a perdoar os irmãos Morgestern pela promessa que fizeram sem consulta-la, depois da conversa com Jace.

Ethel os procura pela instituto, fazendo novamente o caminho para estufa, já que eles poderiam estar lá ainda. Porém, enquanto caminhava ela ouvia gemidos.

Preocupada com que ouviu, ela finalmente, descobriu a origem dos sons, e ficou ainda mais assustada quando percebeu que vinha da capela.

Enquanto refletia sobre suas ações e suas consequências, Simon percebeu algo se movendo na sombra da capela.Ele se virou para ver quem estava lá e viu uma figura familiar se aproximando lentamente.

Era Ethel, que o via fincar a cruz em si mesmo, e quando fazia isso pequenas veias negras cresciam em seu corpo, e o mesmo ficava pálido e quando tirava o objeto as veias desapareciam.

Apavorada com o que viu, ela segura o braço dele e o impede que ele faça aquilo novamente, e pergunta indignada:

— Simon, o que pensa que está fazendo?- ela retirou o objeto de sua mão.

— Eu sinto muito, eu tinha que fazer isso, estou me punindo pelos meus pecados, Ethel. Eu matei pessoas- ele explicou, sentindo-se envergonhado por sua fraqueza.

— o que? Por que?- A ruiva questionou desesperada

— Eu fiquei viciado no sangue dela, no sangue de Izzy, eu não pude tê-la, então, matei outras mulheres parecidas com ela- Simon chorando desesperado explica, colocando as mãos nos cabelos, com sangue seco escorrendo em seu corpo.

— Simon, você é um assassino, não uma vitima, pare de agir como uma- Ethel colocou o objeto no altar, segurando os ombros dele, logo depois.

— Perdoe-me, eu não tive escolha, o que eu deveria ter feito?- o vampiro se afasta, com ódio das questões da ruiva

— Poderia ter rezado- ela sugere, se exaltando, ela ia continuar mas o vampiro a interrompe

— Rezado? Eu já fui católico há muito tempo, Ethel, depois do que eu me tornei, acha mesmo que alguém lá no céu ouviria?- Simon segura os ombros dela, e a sacode

— Eu teria ouvido... eu teria ouvido, e talvez te desse conselhos melhores do que se punir por crimes que você mesmo cometeu- Ethel grita, se afastando dele, depois se acalma, questionando novamente:

— contou a alguém sobre isso?- sussurrando

— Jonathan impediu que eu fizesse mais uma vítima e eu contei para a própria Isabela, e ela falou para eu ir para o inferno... e quando eu faço isso- ele fincou-se novamente e depois o tirou, sem gritar, mas claramente sentindo dor- dói como o inferno- ele murmurou irritado e chorando.

—Tenho certeza que ela não falou para você ir para o inferno, literalmente, Simon, ela está abalada e com razão, você passou dos limites- Ethel mais uma vez tirou a cruz das mãos do vampiro, se aproximando dele com cautela.

Dolorido, cansado e com vergonha, ele entrega a cruz para o anjo, e Ethel o abraça. Simon Lewis chora mais uma vez no ombro da ruiva. Com tudo o que tinha feito.

— Obrigado, Ethel. Eu não sei o que seria de mim sem você ao meu lado — ele disse sinceramente, sentindo-se grato por tê-la em sua vida. Sussurrando.

— Estou aqui, meu amigo, estou aqui- eles se soltaram, e ele olha para ela sorrindo e ela ficou séria- Agora, Simon, limpe esse sangue e vai se limpar, para o almoço, Maryse está aqui e aparentemente Luke também vai chegar para nós almoçarmos, eu não sou a líder do instituto, mas eu acredito que vamos ter um almoço em família hoje.

Simon assentiu, limpando o sangue de seu corpo e seguindo as instruções dela para se preparar para o almoço

Enquanto isso, Ethel respirou fundo, tentando se acalmar, olha para Jesus crucificado na parede da igreja, e sussurrando disse:

— Perdoe pai, ele não sabe o que faz- Ethel fecha os olhos, e os abre, sorrindo, continuando dizendo:

— Se outro anjo fosse enviando para me ajudar a salva-los, todos eles, eu agradeceria, Raziel- ela disse solenemente.

Com lágrimas nos olhos ela sai da capela, sem perceber, deixando um rastro de fogo por onde passava. Uma figura angelical apareceu, com asas negras e um belo rosto. Sorrindo estranhamente.

Todos estavam reunido na mesa, para o almoço, Simon, Isabela, Clary, Jonathan, Ethel, Magnus, Alec, Maryse e Luke.

Havia tensão no ambiente, e todos estavam em silêncio, todos se olhando com receio de puxarem assunto, talvez pela intensidade da conversa que já tiveram entre si.

—Luke, desculpe-me por tê-lo machucado, quando nos nós vimos pela última vez, eu estava possuída, não queria machuca-lo, sinto muito- Ethel disse quebrando a tensão e o silêncio, querendo pedir desculpas para ele já há muito tempo

— Está tudo bem, Ethel, eu e Maryse não estamos preocupados com você morando aqui, mas sim, com ele- O homem negro disse, aceitando as desculpas da ruiva, porém, apontando para Jonathan, mostrando que eles estavam preocupados com a presença dele no instituto.

Jonathan olhou para Luke, seus olhos com uma sombra escura, e com um sorriso, ele disse:

— Luke, eu mudei, está bem? Ou pelo menos estou tentando mudar- Confirmou para o lobisomem

— Ah é claro, como se um homem fosse mudar de um dia para outro- Alfinetou a irmã de Alec, Isabela Lightwood, Jonatahn olhou diretamente para ela, ele sabia que quando ele se passou por Sebastian Verlac, ele a tinha enganado mais que os outros, afinal, ela havia se interessado por ele e confiava nele, entretanto, eles amavam outra pessoa agora, ela o Siomon e ele a Ethel.

Por isso, ele apenas disse, sem um pingo de emoção em sua voz:

— Não foi de um para outro, querida, acredite- disse sarcástico e sem emoção.

— Está bem , se você diz, vamos mudar de assunto, Clary, querida, não está percebendo a presença de alguém que você não via a dias? Um certo vampiro nerd?- A ruiva olhou para a morena, e voltou sua atenção para Simon

— Tem razão, Izzy. Simon, onde esteve durante esses dias? Por que não voltava para o instituto?- Questionou a ruiva, preocupada

— Eu estava matando mulheres para tomar o sangue delas- cansado de dizer a mesma coisa para as pessoas, ele respondeu sem expressão, sem emoção e sem um pingo de preocupação, deixando com exceção de três pessoas, que seriam Jonathan, Izzy e Ethel, extremamente preocupados, assustados e horrorizados pelos feitos do vampiro.

— Deve ter tido uma boa explicação para ele ter matado pessoas não é, Simon?- Perguntou clary, depois de ter retomado a compostura.

— Sim, eu me viciei no sangue de Isabella quando eu o tomei e como não pude mais toma-lo, eu procurei em outras mulheres- respondeu sincero. Isabella levantou-se da cadeira que estava sentada e disse para a Clarissa:

— Sim, Clary há realmente uma boa explicação para ele ter matado mulheres, ele é um assassino e um monstro, aliás, seu irmão e seu melhor amigo são monstros, e não há nada que podemos para mudar este fato.- disse a morena com lágrimas nos olhos.

Todos ficaram atordoados com essa conversa, e Maryse a mãe de Isabelle, também levantou-se, dizendo para todos:

— Bom, parece que o almoço já acabou, devemos voltar para a casa, Luke, mas antes, quero mais alguma coisa

— O mundo da sua filha está desabando, o nosso mundo está desabando e você simplesmente vai embora, o que você quer? Dessa vez- Jace, que estava calado até agora questiona a mulher que o criou

— O sangue de Ethel, para a clave- respondeu a matriarca simplesmente. Seu rosto era uma máscara de determinação e autoridade, apesar das tensões ao seu redor. Ela estava decidida a cumprir seus deveres para com a Clave, independentemente das consequências.

—Mâe, eu pensei que já tínhamos conversado sobre isso- tentou dizer o líder do instituto, Alexander.

Porém, a própria Ethel, tomou a iniciativa, dizendo:

— Não, Maryse se você quer o meu sangue, venha pegá-lo- a ruiva angelical disse se levantado, já com fogo nos olhos literalmente.

— Ethel, o que pensa que está fazendo?- questionou Alec, segurando seu braço

— tomando minhas próprias decisões- ela soltou-se do aperto em seu braçao, olhando para ele

— Do que você está falando?- Alexander perguntou indignado

— Você não faz parte disso, você não entenderia...- ela saiu de perto deles e ficou no centro da sala, asas com fogo sairam de suas costas, ela estava em chamas, literalmente e continuou:

— Estou cansada das pessoas tomarem decisões por mim, estou cansada das pessoas me tratarem como uma criança que precisa de proteção, como se fosse uma criatura fraca, eu sou um anjo, e um anjo com raiva que sabe tomar decisões. Então, Maryse, se quer meu sangue, venha busca-o

A sala ficou em silêncio, todos os presentes absorvendo as palavras e a presença imponente de Ethel. Suas asas flamejantes irradiavam poder, deixando claro que ela não estava para brincadeiras.

Maryse e os demais olhavam para ela, surpresos com a transformação e a firmeza de suas palavras. Por um momento, até mesmo Maryse pareceu hesitar diante da intensidade da expressão de Ethel.

Porém, a matriarca tomou coragem , ficou de frente para a Ethel, deu um passo em frente, e disse determinada:

— Eu vou, mas lembre-se os o poder pertence aqueles que o pegam- pegou uma espada, e apontou para Ethel

— Você não quer meu poder, Maryse, isso seria pretensão de mais para você, você só quer meu sangue e vai tê-lo se lutar comigo e me ferir.

Ethel, com sua postura firme e suas asas ardentes, não recuou diante da ameaça. Ela encarou Maryse com determinação, seus olhos refletindo a mesma intensidade que as chamas que emanavam de suas asas.

Alec, Magnus e os outros membros do Instituto observavam a cena com preocupação, cientes das possíveis consequências de um confronto entre duas figuras tão poderosas.

Querendo ajudar sua mãe a retomar a conscieência, Alec segurou o braço de sua mãe e a questiona:

— Tem certeza que quer fazer isso?

— Também sou capaz de fazer minhas próprias decisões, meu filho- Alec soltou o braço de sua mãe, e se afastando.

Maryse avançou, sua expressão determinada, a espada empunhada com confiança. Ela estava pronta para cumprir seu dever para com a Clave, mesmo que isso significasse enfrentar um ser tão poderoso quanto Ethel.

Ambas lutavam bravamente, Ethel com fogo angelical e Maryse com a espada, e quando parecia que Maryse não conseguiria nem um pingo de sangue da ruiva a matriarca surpreendeu a todos, fazendo um corte profundo no braço de Ethel. Conseguindo assim o precioso sangue angelical que tanto queria. E antes que pudesse se curar, a ruiva pegou um recipiente e colocou seu próprio sangue nele.

Ethel recuava, segurando o braço ferido. Seu sangue angelical escorria, uma visão tão poderosa quanto angustiante para aqueles que testemunhavam a cena.

— Aqui está meus sangue, faça bom proveito- a ruiva fala segurando o recipiente em sua mão

Maryse, com sua expressão determinada, não vacilou. Ela pegou o recipiente, sabendo da importância desse líquido para a Clave. Seus olhos refletiam a seriedade da situação, mesmo enquanto Ethel olhava para ela com uma mistura de choque e dor.

Os outros presentes na sala permaneceram em silêncio, absorvendo a magnitude do que acabara de acontecer. Magnus observava com uma expressão sombria, enquanto Alec parecia dividido entre a lealdade à sua mãe e a preocupação com Ethel.

Por fim, Maryse ergueu o recipiente com o sangue angelical, sua expressão triunfante. Ela olhou para Ethel com uma mistura de triunfo e pesar.

—Você fez a escolha certa, Ethel. — Maryse disse, sua voz firme. — O poder da Clave agora está seguro, graças a você.

Ethel permaneceu em silêncio, seu olhar fixo em Maryse. Com fúria em seu olhar, ela foi embora.

Enquanto ela ia para o corredor, sentiu alguém atrás dela, era Jonathan, curiosa, ela virou- se para ele, enchendo-o de perguntas:

— O que você quer de mim, Jonathan? Quer meu sangue também? Meu perdão, meu corpo, minha alma, meu coração? O que você quer de mim?- cansada de tudo e todos, a ruiva angelical, questionou o homem por quem estava se apaixonando.

— Me contento com seu perdão, perdoe-me por tudo, por ter feito aquela promessa, por ter te tratado como uma criança, como uma pessoa fraca, quando fiz aquela promessa, jamais pensei que pudesse pensar assim, me perdoe- Jonathan estava com cansado também, e havia se apaixonado pela ruiva também, e sua voz estava carregada de uma carga emocional muito grande.

— está perdoado- ela falou finalmente, como já queria perdoar os irmãos morgestern antes de ver o Simon se punindo pelos seus pecados, ela aceitou o perdão dele. E ia embora, pensando que tinha acabado, mas ele a segurou pelo ombro.

— Me contentei com seu perdão, mas sim, quero seu sangue, seu corpo, sua alma e seu coração, e quero desesperadamente.

Ethel sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando Jonathan falou. Era como se todas as emoções que ela havia guardado estivessem à beira de transbordar. Ela virou-se para encará-lo, seu olhar buscando respostas nas profundezas dos olhos dele.

Seu corpo ficou em chamas novamente, suas asas apareceram novamente, ela se aproximou ainda mais dele, sussurrando:

— Você me quer, então, venha me pegar- ela sorriu, maliciosa.

Ambos se beijaram.

O beijo deles era ardente, cheio de desejo e anseio, como se estivessem tentando capturar cada momento com intensidade desesperada. Ethel sentia-se consumida pelo fogo do desejo, suas mãos explorando cada centímetro do corpo de Jonathan, como se estivessem buscando conforto e redenção nos braços um do outro.

Jonathan correspondia com fervor, seus próprios sentimentos transbordando em cada toque, cada carícia. Ele se entregava completamente ao momento, perdido no calor e na paixão que os consumia.Por um instante, tudo ao redor deles desapareceu, o mundo reduzido a apenas os dois.

Ambos pegavam fogo literalmente, Ethel andava até seu quarto, onde iria originalmente, e enquanto andava, um rastro de fogo, se formava nos corredores.

Ninguém parecia perceber.

Mas alguém percebeu, alguém que eles não viam que estava ali. Um homem de cabelos castanhos, e uma roupa vitoriana, segurando uma bengala, ele se aproximou do fogo, e o tocou, suas asas apareceram e ele voa sob o teto. Observando-a.

—Te encontrei, finalmente, anjinha — Mathias, o anjo enviado pelo próprio Raziel, fala sorrindo. Sarcástico e misterioso.Era como se estivesse ali não apenas como um espectador, mas como um guardião silencioso, pronto para intervir quando necessário.