Jonathan e Ethel estavam deitados na cama, vestidos, no dia seguinte, um olhando para o rosto do outro, mas Ethel acordou, observou o rapaz a sua frente, e sorriu.

Levantou-se da cama, e olhava para a janela com braços cruzados, seus cabelos ruivos brilhavam com o sol da manhã que saia da janela. Preocupada com o atrito que tinha causado no dia anterior com Maryse, ela virou-se novamente para a cama.

Vendo que Jonathan já tinha acordado, ela ficou mais aliviada, e disse para ele:

— Bom dia- ela sorriu suavemente

— Bom dia, Ethel- ele devolveu o sorriso, completamente atordoado com a beleza e a bondade dela

— Você acha que eles entenderam, o meu conflito com Maryse? Acha que eles entenderam os meus motivos? Acha que eu deveria ter lutado contr ela? Estou preocupada, Jonathan com a reação deles- questionou Ethel, aflita, segurando as mãos dele, estavam perto da janela, os dois.

— Ethel, essa é a sua jornada, eles não têm que entender absolutamente nada- Respondeu Jonathan, acariciando o rosto dela.

— E no meio do meu caos, estava você- ela segurou a mão de Jonathan em seu rosto

—Sim, mas Ethel...- Jonathan ia continuar, entretanto, Ethel o interrompeu

— estou com uma vontade incontrolável de beija-lo agora- a ruiva falou sussurrando

— Eu sou um monstro, lembra-se, eu cometi pecados, eu matei pessoas- ele tentou convence-la

— Você vale cada pecado- ela murmurou, o beijando, então,ela parou o beijo e o abraçou, dizendo: — Além disso, você não pareceu muito preocupado com isso, quando me beijou ontem, na hora do almoço. Passamos o dia e a noite juntos, e você, não se importou com os pecados que cometeu.- Ela sorriu maliciosa, sob o ombro dele.

—Ontem estava no meu limite, estava ardendo de desejo de tê-la, e quando você mostrou suas asas e pegou fogo, foi o ápice para mim- Jonathan respondeu, se soltando do abraço, mas segurando os braços dela gentilmente

— Bom, se você quer me tirar do fogo, mostre- me que está disposto a se queimar- Ethel respondeu séria.

— Eu quero, desesperadamente, ser digno de amar você, eu não quero mais ser um monstro, eu não quero mais ser um pecador, eu quero ser digno de amar um anjo como você- Jonathan fala sério também, colando sua testa na dela. Os lábios roçando um no outro

— Sabia ,que um dos rituais para purificação dos pecados é o fogo? Nós nos queimamos ontem, Jonathan, você é digno, para mim, você é digno.- A ruiva afirmou, o abraçando .

Jonathan Morgestern a beijou, mas esse último beijo da manhã durou pouco, a ruiva soltou os lábios dele, segurando seu rosto, ela disse:

— Preciso ir, devem estar preocupados comigo, com você... conosco

— Eu não me importo- Jonathan diz, encostando os lábios nos dela

— Mas eu sim- ela se afastou dele, mas ainda segurava a mão de Jonathan.

Jonathan assentiu, os olhos brilhando com a visão de Ethel, ele se sentia cada vez mais atraído por ela. E aparentemente, ela por ele. E isso fez jonathan sorrir mais.

—Eu volto o mais rápido possível- prometeu Ethel, inclinando-se para dar um último beijo suave nos lábios de Jonathan antes de se afastar dele.

Quando a ruiva saiu pela porta, eufórica de felicidades por ter se entregado de corpo e alma para ele, por ter se entregando a alguém que há tempos nutria sentimentos. Ela estava esperando se encontrar com Clary, ou com qualquer outra pessoa do instituto, entretanto, ela deparou-se com um anjo que há muito tempo não via.

— Você- ela exclamou surpresa, se afastando da porta, para não chamar atenção de Jonathan ou de outras pessoas.

— Olá, Ethel, sentiu minha falta?- O ser angelical com roupas vitorianas e uma bengala, a cumprimentou e fez uma pergunta, extremamente sério, como se ele estivesse ali para cumprir ordens apenas, realmente estava

— O que você está fazendo aqui?- A ruiva questionou, cruzando os braços, olhando-o irritada

— você não rezou ontem de manhã, para Raziel pedindo desesperadamente um outro anjo para ajudá-la a salvar seus amiguinhos?... Aqui estou eu.- O moreno deu um sorrisinho de lado, em deboche

— Eu não preciso de você, não preciso de nenhum anjo para me ajudar mais- Ethel esclareceu, querendo ir embora, mas manteve-se no lugar ao ouvir o que ele disse:

—Não foi o que me pareceu ontem, você disposta a lutar contra aquela mulher, disposta a dar-lhe seu sangue a ela, desperdiçando o precioso sangue de nossa espécie — ele falou com desprezo e nojo, com o simples fato que ela lutou contra Maryse por seu sangue. Ela não queria fazer aquilo, mas ela precisava

— Eu não lhe devo satisfações, e eu não vou ficar discutindo com você no meio do corredor- Não querendo mais conversar com um ser que não a via muito tempo, ela realmente, saia do corredor, mas parou na metade do caminho, ouvindo a voz masculina

— Volte comigo para o céu, este é o único jeito que vejo de ajudar a si mesma e a seus amigos- Ele disse, apoiando-se em sua bengala, com um rosto sério

— Eu fui expulsa do céu, por desobedecer ordens de um superior, acha mesmo que eles me aceitariam de volta?- Ethel revidou indignada, voltando para ele, com raiva.

— Você foi expulsa sim, por desobediência, isso é uma lástima, mas sua casa foi e sempre será o céu- ele tentou dar-lhe um sorriso para tranquiliza-la, mas este soou falso.

— Minha casa é aqui agora, onde tem pessoas com sentimentos, onde há pessoas que me amam- Ethel olhava para a porta fechada de seu quarto, onde Jonathan ainda estava. Sentindo o olhos ficarem cheio de lágrimas.

— Você sempre foi uma tola sentimental, francamente, Ethel — Dessa vez quem se indignou foi o anjo, que perdeu a paciência com a colega angelical

— Ajude-nos a destruir Asmodeus, e voltarei com você para o céu, isso é uma promessa- Ethel disse, ignorando o comentário anterior dele, propondo uma oferta.

— Seu namoradinho diabólico, concorda com isso? Ao menos contou a ele seu plano?- Mathias questiona, rondando-a, observando-a

— Ele não é diabólico, Mathias- Ethel disse, com fúria, olhando para nenhum lugar em especifico.

— Ah, então, admite que o ama? Livre- se dele, Ethel, ele é um pecador e pecadores não sabem amar- Ele parou de costas a ela, se apoiando na bengala novamente.

— está se referindo ao Jonathan ou da mulher que abandonou?- Ethel questionou de volta, virando-se para ele.

— não a coloque nisso, Ethel- Mathias avisou, olhando-a furioso.

— Ah, então, admite que a ama? O que houve com ela?Como ela está?- Ela perguntou, realmente preocupada com a mulher que apenas ouvira falar

— eu não sei, eu não me importo- Mathias disse, dando as costas, novamente

— você a perdeu de vista- Ethel concluiu

— eu não pude mais observa- lá, é doloroso demais- Ele deixou-se cair uma lágrimas de costas para a ruiva.

— Mathias... Eu sinto muito — Ethel quis colocar a mão no ombro de seu colega angelical, mas ele prevendo isso, vira de frente para ela. Dizendo:

— Eu não preciso da sua piedade, ajudarei você e seu pequeno grupinho a derrotar Asmodeus, então, a levarei de volta ao céu, tem a minha palavra- Mathias disse. Dessa vez ele querendo sair de lá o mais rápido possível, já que não estava gostando do rumo que estava levando, então, encerrou a conversa.

— Espere, Mathias, não quer que eu o apresente aos meus amigos?

—Bom, eu já os conheço, não tenho interesse em conhece-los melhor, acredite

— Muito bem, então- ela disse, suspirando, passando por ele, e encontrando quase todos na sala de controle, exceto Jonathan. Até mesmo Tessa, que ainda não havia indo embora, observando Magnus ainda, ou qualquer outra pessoa, para impedir de se tornarem malignos

Mathias observando seu movimento, não teve escolha a não segui-la. Parando atrás dela, não querendo chamar atenção para si.

Cansado de ficar esperando pelo retorno de Ethel, e preocupado com o bem estar dela, Jonathan saiu do quarto, ouvindo uma voz que ele desconhecia, não querendo chamar atenção para si também, ele ficou parado na porta do quarto de Ethel. Ouvindo a conversa que se seguia:

Clary que estava observando o telão, voltou sua atenção a Ethel, perguntando, com um misto de alegria e preocupação:

— Ethel, que bom que está aqui, estávamos preocupados, o que houve com você e Jonathan, ontem, o dia inteiro?- a ruiva perguntou um pouco maliciosa, nem reparando no homem ao lado da amiga

— Não aconteceu nada entre nós, Clary- Ethel disse um pouco envergonhada

— Vocês passaram o dia e a noite juntos, Ethel. Não me diga que não aconteceu nada — Clary franziu a testa, e falava claramente desconfiada.

— Nós apenas conversamos, Clary, e talvez tenhamos nos beijado algumas vezes — Ethel sentiu seu rosto corar levemente. Ela não queria discutir sua vida pessoal na frente de Mathias ou de qualquer outra pessoa

— Apenas conversaram?- Clary questionou e sorriu maliciosamente.

Jace que estava do lado dela, deu uma cotovelada de leve no braço da namorada, alertando ela com humor:

— Clary, pare com isso- Porém, Clarissa apenas olhou para o namorado, divertida.

Jonathan, que ainda estava parado na porta do quarto, não pôde deixar de sorrir com a conversa das duas. Mas ele ficou atento, ao ouvir a pergunta da voz que parecia ser a Isabella:

— Ethel não vai nos apresentar esse seu belo amigo?- A morena se interessou em saber, com um leve tom de flerte. Fazendo Simon olha-la com ciúmes.

Ignorando a voz sensual de sua outra amiga e o olhar de Simon com ciúmes, a ruiva angelical respondeu:

— Este é Mathias, um anjo que Raziel enviou para nos ajudar a derrotar a Asmodeus.- Esclareceu e apresentou Ethel. Mathias simplesmente acenou para eles com a cabeça.

— Um anjo, sério? Há dois anos atrás, anjos só desciam na terra para conceder desejos, por que agora os anjos têm descido para a terra com mais frequência?- Questionou Clarissa em alerta. Preocupada com isso, mas ao mesmo tempo feliz por ter mais pessoas ou anjos para ajuda-los

— Porque está acontecendo uma pequena rebelião no céu, vamos dizer assim, uma grande mudança na hierarquia, isso se deve, é claro, e é bastante óbvio, a Ethel, que desobedeceu ordens de seus superiores, fazendo assim, com que outros anjos sejam obrigados a resolver a bagunça que ela fará no caminho, devido a isso, eles vêm na terra com mais frequência- Respondeu Mathias, olhando para Ethel, pelo canto do olho. Tentando ao máximo não ficar irritado com ela. Ele sabia como os humanos poderiam ser cruéis.

Todos os presentes olharam para ela, até Jonathan, a observou, preocupado e intrigado, pelas costas dela.

Os olhos de Ethel se fecharam de culpa, e antes que ela pode responder alguma coisa, Clarissa disse:

— Que fique bem claro, que eu não pedi que ela desobedecesse as ordens de seu superior, aliás, até seria muito melhor se ela mesma tirasse, meus poderes, runas e memórias. Eu já havia me resignado, sabia meu destino. Assim, não teria tentando fazer uma promessa com meu irmão para protege-la e depois ela surtar com a Maryse, quase colocando fogo no instituto — ela disse severa, trocando olhares entre Ethel e Mathias

Mathias ficou olhando para Ethel, que ficou chocada com as palavras de Clary, ele sabia como os humanos poderiam ser cruéis, já que conhecia os pais da mulher a qual se apaixonou. Jonathan deu vários passos para chegar mais perto dela, mas ele parou, quando ouviu de Ethel:

— Clarissa Fairchild Morganster, precisamos conversar, a sós- ela foi até a outra ruiva, segurando seu braço, querendo ser gentil, e a levando para uma sala particular. Fechando a porta atrás delas com cuidado para garantir privacidade. A expressão séria de Clarissa contrastava com a preocupação evidente nos olhos de Ethel. Elas se encararam por um momento antes de Ethel tomar a iniciativa:

— Perdoe-me, Clary, por ter dito todas aquelas coisas, desculpe-me por ter perdido a compostura ontem, eu aprecio que vocês quiseram me proteger, eu apenas queria ter sido consultada antes, eu já perdoei o Jonathan por ter feito essa promessa com você, e com certeza, ele também me desculpou... agora, por favor, Clarissa me desculpe, já que eu já a perdoei

Clary respirou fundo, o rosto suavizando um pouco diante das palavras de Ethel.

— Oh, me desculpe, Ethel, eu fui uma estúpida, por ter dito tudo aquilo na frente de todos, eu aprecio que você tenha se recusado a obedecer ordens, para retirar tudo de mim... Mas, você me trouxe novamente a esse mundo, você trouxe de volta tudo o que eu perdi... E é isso que importa para mim.

Ambas se abraçaram, perdoando uma a outra, como amigas e principalmente como irmãs.

Jonathan abriu a porta acompanhado

Jonathan estava parado ao lado de Mathias enquanto observava Ethel e Clary se abraçarem, aliviado ao ver que as coisas pareciam se acalmar entre elas. Ele olhou para Ethel com uma mistura de preocupação e carinho, querendo se aproximar para confortá-la, mas também respeitando o momento entre as duas amigas.

Ambas pararam o abraço, quando os viram, e Ethel foi em direção ao Jonathan dando-lhe um abraço, mas ele não correspondeu.

A ruiva angelical ficou preocupada, e o soltou, olhando para ele, perguntando:

— O que foi...?- Ethel começou, mas ele próprio, a interrompeu

— Por que não me disse que um amigo angelical seu, iria nós ajudar?- ele perguntou, um pouco... enciumado para ela

— Jonathan, eu não sabia que ele viria.- A Ethel, ruiva angelical, o olhou com uma determinação, pontuando cada frase com uma pausa.

— Houve algo romântico entre vocês? Pode ter ainda algo romântico entre vocês?- O ruivo mais escuro foi direto nas perguntas

Ethel o olhou mais uma vez, ela sabia que ele poderia ter essas dúvidas em relação a eles, porém, ela não sabia que ele seria tão direto, ela abriu e fechou diversas os lábios, formulando uma resposta, mas antes que ela possa responder, uma vez masculina na porta respondia por ela

— Por Deus, não- respondeu Mathias, ainda no batente da porta, e quando sentiu os olhares de Ethel, Jonathan e Clary sobre ele, e ainda os olhares dos outros do instituto em suas costas, ele limpou a garganta e continuou:

— Quero dizer, perdoe-me por me intrometer nessa pequena discussão de vocês, e também nesse pequeno relacionamento de ambos, mas entre eu e Ethel, não há nada de romântico, nem terá. Somos apenas amigos, bom, nem isso somos, somos apenas colegas angelicais, que recebemos e cumprimos ordens- ele parou e observou a Ethel, continuando: — A maioria delas, pelo menos.

Ethel deu-lhe um sorriso divertido, mas com um leve tom de culpa, pela última frase dita por ele, e virou-se para Jonathan.

Clary percebendo isso, querendo deixa-los a sós, os avisou, indo até a porta ao lado de Mathias, querendo dizer para ele deixa-los também:

— Eu vou deixa-los a sós para conversarem, Mathias...Acredito que o Alec está chamando para uma reunião

— é claro, sra. Fairchild, vamos deixa-lo a sós.- respondeu o anjo, saíndo da sala com a Clary, deixando-os sozinhos.

Jonathan e Ethel ficaram sozinhos na sala, um silêncio tenso pairando no ar. Jonathan olhou nos olhos de Ethel, buscando respostas e tentando entender os sentimentos conflitantes dentro de si. Ele se aproximou dela, pegando suavemente suas mãos.

— Ethel, me desculpe por ter desconfiado de você- Ele disse com a voz trêmula

— Jonathan, não existe sentimentos no céu, nunca houve, anjos são criados para obedecer e cumprir ordens, não há espaço para romances no céu, nunca irá. Anjos são guerreiros não amantes- A ruiva dizia com uma voz amargurada e um pouco conformada, aquela tinha sido sua vida por longos anos. E agora, ela estava livre.

— Você está fazendo um ótimo trabalho, sabia? Tentando me amar, esperando que eu mude, esperando que eu tenha a minha redenção, esperando ansiosamente para poder me amar... Eu espero que todo o tempo que você está perdendo esperando, valha a pena no final- ele dizia com a voz suave, colocando a mão no rosto dela. Ele queria dizer que a amava, ela sabia. E ela mesma queria dizer que o amava também. Porém, os dois estavam sofrendo com falta de coragem

— Vai valer a pena, Jonathan, você sabe que vai valer a pena- Esse era o jeito de dizer para ele que o amava. puxando-o para um beijo apaixonado.

O beijo foi longo e intenso, como se ambos quisessem selar aquela promessa com o calor dos lábios. Após o beijo, eles se abraçaram. Um acordo silencioso que ficariam apoiando um ao outro sempre.

Então. Os dois saíram da sala, de mãos dadas, prontos para se unirem aos outros e enfrentar o que quer que viesse pela frente. Quando entraram na sala de controle, encontraram o grupo reunido e aguardando. Clary, Jace, Alec, Magnus, Tessa, Simon, Isabelle e Mathias estavam todos presentes, prontos para a reunião.

— Então, eu chamei todos aqui para dizer que uma outra pessoa vai nós ajudar a derrotar Asmodeus, de uma vez por todas- disse Alexander o líder do instituto

— Mas não acha que temos pessoas o suficiente para detê-lo ?- perguntou Jace, um pouco irritado pela decisão do líder

Alexander o observou surpreso, pela pergunta, no entanto respondeu com calma para o amigo:

— Toda ajuda é bem vinda, Jace, Asmodeus é perigoso demais, e precisamos de toda ajuda possível- respondeu o líder com calma, porém, com um olhar acusador e um pouco irritado

Jace aceitou e concordou, um pouco receoso, irritado até.

— Quem é essa pessoa que está pensando em convocar para nós ajudar, Alec?- questionou Clarissa, querendo acalmar o namorado e o resto da pessoas.

— Ada Salazar, originalmente do instituto da Espanha, mas tranferida para o instituto de Londres, ela afirma que está em boa forma e pronta para a batalha depois de ter se recuperado.- Após ter tido isso, ele mostrou uma foto para eles.

Uma foto de uma moça apareceu no telão, sua pele em tom de oliva, olhos âmbar quase verde, e cabelos curtos até os ombros com uma franja curta, na imagem ela trajava um casaco de lã, e aparenta usar uma blusa regata azul.

Ela parecia fraca e frágil, entretanto, seu olhar mostrava força e um pouco de ódio. Como se estivesse preparada para enfrentar tudo.

Realmente estava,

Ao ouvir o nome dela e vê a foto no telão, Mathias sentiu-se desconfortável em sua cadeira ao lado de Ethel, e até engoliu em seco, a ruiva percebeu, o desconforto dele, e até sentiu-se preocupada pelo amigo, porém, não fez nada para confortá-lo. Mas o ser angelical parecia pálido ao vê-la em apenas uma foto.

— Depois de ter se recuperado do que exatamente?- Quis saber Izzy, olhando desconfiada para a garota na tela a sua frente.

— Aqui não diz, é confidencial- Respondeu o líder do instituto olhando para seu tablete, também parecendo suspeito.

— Você sabe quando ela vai chegar?- Demandou Mathias, ainda aparentado estar desconfortável e pálido. Alexander não parecia notar, no entanto, o olhava com desconfiança.

— eu não sei, mas acredito que seja ainda hoje, por que a pergunta?- Respondeu ainda o observando, e até mesmo o questionou.

— Bom, a pergunta mesmo que tenha sido dirigida a você, não lhe dizia respeito e a resposta, claramente, não o envolvia, então, não deveria se preocupar com assuntos que não são do seu interesse — Mathias respondia com uma calma, muito falsa, e com uma gentileza que não era dele. Risos foram ouvidos de várias pessoas. Ele não se importava, entretanto.

— Isso foi um jeito formal de dizer que não é da minha conta?- Alexander o questionou sério com um pingo de divertimento, com as sobrancelhas levantadas.

— Veja como quiser, agora se me dão licença, tenho assuntos mais importantes para tratar

Ele disse arrogante e superior e deu às costas a todos e disse para si mesmo:

— como sair daqui o mais rápido possível.

Ethel queria ir atrás dele, estava preocupada com ele, mas mesmo não se moveu, tinha seus próprios problemas para lidar,Jonathan, percebendo a preocupação de Ethel, segurou sua mão com firmeza, ela sorriu para ele.

Mas sua atenção foi quebrada quando ouviu uma conversa paralela durante a reunião, que parecia que já tinha acabado.

Simon observava a garota nova com um sorriso gentil e um certo interesse repentino, ele queria que eles fossem amigos. Ela parecia frágil e necessitava de um abraço. Simon a ajudaria a se enturmar quando ela viesse, ele faria questão disso.

— Está se interessando pela nova garota? Sim, é claro que precisamos de sangue novo para nós ajudar a derrotar Asmodeus, porém, um aviso, se está querendo provar o sangue dela, cuidado. Pode ser tão viciante quanto o meu, ou até pior- A voz de Isabella quebrou o pensamento do vampiro.

O mesmo a observou e quando ela iria embora, ele segurou seu braço, dizendo:

—Izzy, pelo amor de Deus, eu já retomei o controle, eu já parei de matar pessoas, eu não estou viciado em seu sangue mais, o que preciso fazer para você me perdoar- Simon implorava pelo perdão de Isabelle, enquanto segurava o braço dela gentilmente.

— Eu jamais vou perdoa-lo, Simon, nem tente insistir- Disse a morena, soltando seu braço das mãos do vampiro

Ela foi embora rapidamente, ele tentou ir atrás dela, mas parou no caminho, sentiu lágrimas encherem seus olhos.

Ethel levantou-se, ainda preocupada com seu amigo, indo até ele, colocando uma mão em seu ombro.

— Simon, o que foi?

— é a Izzy, ela não quer me perdoar, eu cometi erros, mas eu a amo- ele disse sombrio

— Eu sei disso, Simon, eu vou falar com ela- Ethel se prontificou, mas ele segurou o braço da ruiva

— Não faça isso, Ethel, eu imploro, nós humanos precisamos resolver nossos próprios problemas, sei que quer ajudar, mas nem tudo precisa de sua ajuda- O vampiro soltou o braço dela, e foi embora, Jonathan que escutava tudo, aproximou-se dela.

— Você ouviu o que ele falou?- Ethel questionou para o Jonathan, com raiva

— Sim, e eu concordo com ele- Respondeu ele colocando as mãos nos ombros dela, e foi embora, logo em seguida.

Agora que ela estava sozinha, ela decidiu ignorar os conselhos de ambos, e foi onde a Isabelle estaria.

Ethel a encontrou na capela, sentada, olhando para as próprias mãos, aquilo a preocupou, ela se aproximou da morena, mas não sentou-se ainda:

— Você está bem?- A ruiva colocou a mão no ombro da morena

— Estou ótima, na verdade- Respondeu com um sussurro.

— Você deveria perdoa-lo, o Simon, quero dizer- Sentou-se Ethel, com uma voz suave

— O que está fazendo aqui? Pensei que estivesse na reunião- Isabelle foi direta, olhando para a ruiva no banco ao seu lado, seu tom era um pouco irritado

— A reunião acabou, praticamente- Ethel afirmou, firme.

— Eu nunca vou perdoa-lo, ele matou mulheres, tomou sangue delas, se viciou em meu sangue- Isabelle levantou-se, apoiando-se no altar, sentindo os olhos ficarem marejados e sua voz cheia de desprezo e nojo pelo que ele havia feito.

— Você também se viciou em sangue de vampiro, Isabelle, não seja hipócrita- Revoltou-se Ethel, se levantando também.

— A diferença entre mim e Simon, é que eu não matei pessoas- Isabelle também se revoltou, olhando para ruiva, indignada.

— Não, mas teria feito, se não tivesse ajuda, de seus amigos, de seu família e de Simon, você precisava deles e eles a ajudaram, Simon precisa de você agora e você precisa dele- Ethel argumentou segurando os ombros da morena, tentando convence-la

— Você está se apaixonado por jonathan Morgastern, não é?- Isabelle perguntou suave.

— Sim, acredito que eu esteja... Perdidamente apaixonada por ele- A ruiva, fechou os olhos, soltou os ombros dela e segurou as mãos dela invês disso.

— Ele é um monstro tanto quanto Simon, ou até pior, tem certeza que ele é o homem certo para você?- Izzy questionou mais suave ainda, apertando as mãos da ruiva com delicadeza e força

— Eu não sei se ele o homem certo para mim, Mas... Eu me importo com ele, ele se importa comigo. Ele me apoia e eu o apoio. Eu o faço feliz e ele faz-me feliz, e para mim, tudo isso importa- Ela solta as mãos dela, e abraça seu próprio corpo, sorrindo.

— Você não precisa de um homem para ser feliz- ela segurou os ombros da ruiva

— Não preciso , tem razão, mas eu quero. Sabe o quanto foi difícil para mim, ver todos os meus amigos dançando naquele pequeno baile, depois da cerimônia Parabatai que você teve com a Clary? Eu estava cercada de amigos, Isabelle, e estava completamente sozinha. Então, não, não preciso de um homem para ser feliz, mas eu tenho uma grande capacidade de amar... E eu sei que você não consegue perdoa-lo ainda, porém, tenho certeza que você ainda o ama- A ruiva estava exaltada enquanto dizia essas palavras, entretanto acalmou-se depois, deixando sua voz mais delicada.

— Sim, Ethel, eu ainda o amo, e isso deixa as coisas muito piores, pois quem seria capaz de amar um mostro?- A morena perguntou tremula e chorosa para ruiva

— Nós duas, aparentemente- Sua voz, também estava trêmula,mas seus olhos azuis estavam suave e gentis para amiga.

Isabelle soltou um riso fraco, embora ainda estivesse lutando contra as lágrimas. Havia uma verdade dolorosa nas palavras de Ethel, uma verdade que ela não podia mais negar.

— é isso que somos, Ethel? Domadoras de feras? Tentando desesperadademente amar homens que podem jamais mudar?Procurando encontrar qualquer resquício de bondade na maldade deles, para podermos amar-los? Eu não quero ser reduzida á “homens” e a “romances”, eu sou muito mais do que isso, sou uma caçadora de sombras, pelo amor do anjo, o que estou fazendo da minha vida?- A morena disse tudo isso olhando para o Jesus crucificado na capela. Sua voz suave mas com toques irritados

— Você é uma caçadora de sombras expecional, Isabelle Lightwood, mas tem sentimentos. Precisa de seus amigos e da sua família e do homem que ama. Não pode passar o resto de sua vida apenas caçando demônios, tem que tomar cuidado para não se tornar um... Você pode levar o tempo que for para perdoa-lo, só não o despreze, não finja que não o ama.

Isabelle respirou fundo, absorvendo as palavras de Ethel. Havia uma luta interna evidente no rosto da morena, um conflito entre seu orgulho, sua dor e seu amor por Simon. Finalmente, ela assentiu, como se tivesse chegado a uma resolução interna.

— Obrigada, Ethel- A morena abraçou a ruiva. Enquanto se abraçavam, Clary havia chegado na capela.

— Eu senti um sentimento de tristeza vindo de você devido ao nosso vínculo parabatai, como você está?

Isabelle olhou para Clary e assentiu, enxugando os olhos rapidamente.

— Estamos bem, Clary. Ethel me ajudou a ver as coisas de uma perspectiva diferente. Eu ainda tenho muito o que processar, mas vou tentar perdoar o Simon.

— ótimo, a novata já chegou, vim chama-las para cumprimenta-la- Disse a ruiva com um sorriso.

Isabella e Clarissa, foram, enquanto havia ficado Ethel, por ter viso o Jonathan se aproximando dela.

— Está tudo bem por aqui?- perguntou Jonathan, atrás de Ethel

— Tudo ótimo, na verdade — respondeu ela, com um sorriso

— Você a convenceu perdoa-lo, então?- Ele ficou de frente para ela

— Eu coloquei essa ideia na cabeça dela, sim- Ethel lhe disse séria

— Mesmo o Simon ter falado para não fazer isso?- Jonathan se indignou

— Eu não sou boa para cumprir ordens, você deveria saber disso- Ethel o olhou confusa

— Não foi uma ordem, Ethel, foi um pedido, e você acabou de quebrar a confiança dele- ele cruzou os braços

— E desde quando você se importa? — Ela questionou, olhando- o nos olhos

— Bom, saber que Simon matou e tomou sangue de outras mulheres e não da mulher que ama, fez-me importar com ele- Jonathan disse aquilo sem remorso e sem receio, fazendo-a olha-lo com indignação, confusão e um pouco dor

—Você só consegue ver o pior em si mesmo, Jonathan, e por isso só vê o pior em outras pessoas também- A ruiva disse com a voz embargada e trêmula, enquanto colocava a mão em seu rosto.

— O que posso fazer? Sou um homem quebrado, Ethel, e eu agradeço que esteja querendo desesperadamente me consertar, e realmente, não quero que falhe... Mas a verdade, é que não sei amar.- Jonathan disse em um fio de voz, olhando para a ruiva.

— Vamos cumprimentar a novata, está bem?- ela ignorou completamente o que Jonathan disse. Porém, ela sentiu uma dor muito grande ao ouvi-la.

Ela não acabou de dizer para a amiga, que o amava, que ele se importava por ela, que ele a apoiava e principalmente que a fazia feliz?

E realmente ele fazia. Para ela, ele sabia muito bem amar. Ela pegou a mão de Jonathan e foram cumprimenta-la:

Ada estava vestida com um casaco comprido, de cor bege, com um corte clássico e lapelas largas. O casaco também possui um broche ou detalhe decorativo na forma de flores brancas e douradas presas por uma corrente dourada. Um vestido justo de manga comprida e gola alta, na cor preta. Botas pretas de cano médio com salto alto. As botas complementam o vestido preto e uma carteira pequena na cor bege, combinando com o casaco, com uma alça de corrente dourada.

Ela estava tão linda quanto Mathias se lembrava, havia uma confiança nela que antes não estava lá e receoso ele viu uma loucura em seu olhar. E ele não gostou nada daquilo, a Ada que ele conhecia não era louca. Ele havia falhado no seu propósito de protege-la?

Então, ele observou sua amada, cumprimentando todos, e quando chegou nele, ele ficou pálido. A morena deu a mão para ele beijar, e enquanto Mathias beijava sua mão, ela sussurrou em seu ouvido:

— Quando está pequena reunião acabar, vou para seu quarto, para nós conversamos á sós- Ela beijou seu rosto, e isso fez Mathias engolir em seco, e com a voz rouca disse:

— é claro, Sra. Salazar- Mathias disse com dificuldade.

Quando a reunião finalmente terminou, Ada se despediu formalmente de todos, agradecendo a recepção calorosa, e começou a se afastar. Mathias, visivelmente abalado, se dirigiu ao seu quarto, sabendo que Ada logo o seguiria.

A Ada estava de camisola e roupão, mas ainda estava linda.

— Você está tão linda quanto no dia em que eu te perdi- Mathias segurou o rosto dela, lágrimas desciam pelo seu rosto.

— Você quer dizer desde o dia em que abandonou — Ada fechou os olhos ao toque dele, mas os abriu novamente, retirando a mão dele de seu rosto e se afastando dele, com raiva.

— Não faça isso comigo, Ada, não agora, o céu precisava de mim, naquela época, eu precisei voltar — Mathias se virou para ela, ainda segurando sua bengala. Hesitando se aproximar dela, pelo menos por enquanto.

— O céu precisava de você, certo, mas e quanto a mim? Para você o céu é mais importante do que eu?- Ada voltou-se para ele, e ela não hesitou em se aproximar dele, mas indignação, raiva e dor por ter ouvido aquilo.

— Você está brincando comigo certo? Eu cometi o maior pecado de todos, me apaixonei pela mulher que precisava proteger. Você não entende? Eu quis descer porque eu a amava e me queriam de volta. Não vê? Os anjos podem se separar do céu mas o céu jamais se separa dos anjos- Mathias ousou dar um passo a frente, porém, parou, irritado e contrariado pelo que acabou de ser acusado.

— prove que ele estão errados, fique aqui, fique comigo — Ada disse suave, colocando a mão em seu rosto.

— não posso fazer isso, não posso cometer os mesmos erros do passado, não, eu prefiro ser um perfeito soldado do que um bom homem- Mathias recuou. Como um bom anjo da guarda, arrumou sua postura e fechou suas expressões suaves e gentis.

— Tudo bem, se essa é sua decisão tudo bem, eu me pergunto se você tem um coração para ser um bom homem- Ada deixou cair sua mão ao seu lado, decpionada , e com a voz em fio de voz.

— Você sabe que eu tenho, ele bate desesperadamente por você- Mathias gritou para ela, com lágrimas escorrendo de seus olhos.

Porém, já era tarde, Ada Salazar saía do quanto de Mathias e iria para seu próprio. Com dor e com raiva por ter perdido aparentemente, a única mulher que amou na vida ir, novamente.

Ele então, com excesso de raiva, quebrava os poucos objetos que tinha naquele quarto, dando um grito gutural de fúria.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.