Notas iniciais
Chega, chega de capítulos, estão ficando mal acostumados XD Capítulo curtinho, mas capítulo 4 é especial, cherry bombs

Estou no meu quarto, onde acordei dois dias atrás, no meio da noite, assim partindo para uma misteriosa sala com Jade. Na síde, não nos falamos muito, só no jantar trocamos algumas palavras. As coisas são tão solitárias aqui... tudo o que eu quero é arrombar essa porta inútil e atravessar o cemitério, então correr até minha casa, onde abraçaria meus tutores.

Mas não é bem assim.

– MORGANA, ME DEIXA SAIR! – grito.

Espero algum tempo, mas não tenho resposta. Corro até a porta e começo a esmurra-la.

– MORGANA, JADE, JANE, ALGUÉM ME DEIXA SAIR! – grito novamente, desta vez chutando a porta também.

Ando rápido para trás o máximo que consigo, até esbarrar na cama. Tomo impulso e corro para a porta, no último momento elevando a perna e chutando-a. O resultado foi uma perna quase quebrada.

Gemo de dor e apoio-me na cama para levantar. Tento de novo, mesmo mancando, desta vez usando o ombro direito para esmurrar a porta.

– MORGANA, ABRE ESSA PORTA! – grito.

Corro na direção da cama de novo, em mais uma tentativa de arrombar a porta. Quando estou quase lá, a porta se abre com tudo. Escorrego com minhas meias no chão de madeira, sem conseguir parar. A porta bate com tudo em meu rosto.

Caio para trás, gemendo e cobrindo o rosto.

– Ai, deuses, desculpe-me Nichole, não vi você. – diz Jane. Depois começa a me inspecionar, curiosa – Perdeu uma luta de rua?

– HÁ-HÁ, muito engraçado. –resmungo, me apoiando no chão para levantar.

– Vem, vamos lavar esses machucados. – diz, levando-me pelo braço até o banheiro.

Jane me faz sentar sobre a pia e ficar quieta. Ela tira um lenço de corações vermelhos amarrado no cabelo louro, então o molha e passa em meus hematomas. Faço uma careta.

– Bem feito, quem mandou esmurrar a porta do quarto? – reclamou.

– Quem mandou trancar a porta do quarto? – retruco.

Jane abre e fecha a boca, como se fosse responder, então fica quieta o resto do processo. Quando enfim acaba, ela olha para meu rosto, não necessariamente nos olhos, então diz:

– Pronto. – anuncia, então sai do banheiro.

– JANE! JANE, ESPERA! – corro atrás dela.

Saio do banheiro e numa derrapada, vejo Jane seguindo para a esquerda. Corro atrás dela, que ao notar meu ritmo, corre mais rápido. Sigo-a por vários corredores, até que ela entra na sala que fiquei em meu primeiro dia na síde. Já estava prestes a segui-la, quando ouvi vozes.

Vozes, vozes de todos os cantos. Sigo as vozes, então paro em uma porta quase em frente à porta de acesso à sala. Encosto o ouvido na porta e reconheço as vozes de Jade e Morgana, giro a maçaneta e entro.

– NICHOLE, NICK, EI! – grita Jane, entrando na sala atrás de mim.

A grande biblioteca é recheada de prateleiras de livros em todas as paredes, sem um centímetro descoberto. No espaço restante, no centro do cômodo, há mesinhas de vidro e cadeiras e máquinas de Doritos e Coca- Cola.

– Francamente, Jane, qual o sentido de “distrair” para você? – pergunta Morgana, sentada em uma das mesinhas com Jade.

– Desculpe, Morgana. – diz Jane – Ela é... insistente.

– Ah, deixe! – diz Morgana – Então já está decidido, ela saberia logo mesmo.

– Saber o que? – pergunto.

Jade se move, inquieta.

– Hum... o bilhete, continha uma mensagem extremamente importante, Nichole. Ele pode criar algo muito, muito ruim e é... hum... talvez seja o único jeito... de nos livrarmos do banimento à síde. – ela explica.

– Espere, quer dizer que...

– Quer dizer que vocês três vão partir para uma jornada. –diz Morgana.

– Jornada? – pergunto.

– Precisamos ir para a Irlanda, procurar pistas sobre o local indicado, Nick. – pronuncia-se Jane.

Passo alguns segundos encarando-as. Então rio de histeria, negando com a cabeça.

– Não, não, NÃO! – grito, então saio da biblioteca. Corro até meu quarto e abro o armário, jogando as roupas que usei há dois dias atrás na mochila escolar.

Saio do quarto com a porta batendo, então caminho batendo o pé até a porta de entrada.

– Nichole, aonde vai? – pergunta Morgana.

– Olha, tudo bem você me levar para cá, nesse lugar subterrâneo embaixo de um cemitério e me dizer que eu sou uma fada, tudo bem, eu posso aceitar isso! Agora me levar para a Irlanda? Você por acaso é louca?! Já não basta tirar o pouco da vida normal que me resta, Morgana?! Já chega, eu vou embora! – saio da sede e bato a porta com força, correndo pelo corredor quadrado de pedras.

– ESPERE, NICK, NICK! – grita Jane.

– NICHOLE! – grita Jade.

– Não, meninas. – escuto a voz de Morgana antes de escalar as paredes e encontrar um alçapão levando ao cemitério – Ela fez a escolha dela.

Puxo a tampa do alçapão e a abaixo. Reviro os montes de terra até ver a escuridão do cemitério, então puxo a terra para os lados, tentando improvisar uma passagem. Passo meu corpo magro pela passagem improvisada e fecho o alçapão.

Consegui. Eu saí da síde, posso voltar a ver meus tutores e levar minha vida pacata de antes.

Então por que não estou feliz?