Shadow
2 Swimming Through The Stars
Sasuke tinha se comprometido em ficar cuidando de sua esposa, mas estava pensando em algo antigo esses dias. Será que tudo ficaria bem? Isso afetaria Sakura? Não sabia. Tinham conversado a respeito à um ano atrás — Naruto, Kakashi, Sasuke Sakura e outros — mas nada foi resolvido de forma concreta. Naquele tempo, Sakura estava grávida do filho que perdeu e suas atenções foram apenas para ela e seu filho. O tipo de sentimento que consume qualquer um, em toda situação. Era mais que uma responsabilidade, era uma vida.
( — Se alguém perguntar, eu estou comendo muito. Apenas. — Sakura disse, com os seus seis meses de gravidez. Sasuke sorriu e deixou escapar um som que variava entre riso e indiferença. Depois que o assunto era só esse, nunca pensou que ela poderia estar tão animada com um sonho dele. De qualquer jeito, viria. A vontade de criar, com os seus ombros, um filho se tornou mais especial do que uma urgência em continuar a linhagem Uchiha. É claro que ambos almejavam que, no futuro, onde as coisas fossem mais fáceis, os Uchihas seriam lembrados através de um casal com muitas dificuldades.
Sakura ajeitou o vestido. Pensou em algumas coisas mas, em Suna, ninguém a conhecia direito. Ou conhecia, já que ela salvou a vida de tantas pessoas na guerra.
— Você está ótima. — Ele disse, por fim, vendo que ela realmente se importava com o fato de estar grávida. Sasuke já a viu se queixar de muitas coisas, mas, no escuro, ela acariciava a enorme barriga como se fosse algo frágil, dependente. Então ele se conformava. Porque ele pensava que a vontade de manter o clã Uchiha era tão grande por parte dela, que as queixas eram superficiais.)
Se sentia um homem novo: nada de sangue, mortos, pensamentos negativos, mentiras... Era o ser mais escuro por si mesmo e ainda conseguia manter uma luz ao seu lado, lhe beijando a face como se fosse Deus na Terra. Já havia se tornado um pai exemplar antes de seu filho nascer. Era sua segunda chance de poder vivenciar o sentimento paternal. De uma forma tão nova e limpa do que era antigamente.
Era engraçado recordarem do que eram antes de se conhecerem como marido e mulher. Eram jovens. Apenas desejando um final feliz para si mesmos. Sakura, a mais sonhadora, se tornou contida e reservada, mas nunca perdeu o jeito gracioso e amigável de olhar para o mundo. Ria quando tudo era um desgraça, mas chorava por dentro. A força, graça, paixão de um anjo.
Desde que se abriram um para o outro, o peso mais difícil de carregar desceu das costas. Sakura estava disposta a ouvir. O que seja; não interessava. Ele podia ter matado crianças no Ano-novo, mas isso não diminuiria os pensamentos amorosos direcionados a ele. Então, quando menos ele estava esperando, seu coração frio e marcado com teias de aranha, contou à ela. Cada pedaço. Os seus medo, suas histórias mais tristes. Nada disso o pegou de surpresa quando como ela aceitou as palavras mais frágeis. Isso o tocou. Definitivamente, isso fez o seu coração pensar em como ele havia desperdiçado o seu tempo com pensamentos que diziam "ela é rúptil, jovem e não entenderia".
De qualquer forma, ele só queria que ela ficasse com ele. Era tudo que Sasuke precisava, mesmo que isso não soasse bem para ele.
— Eu vou falar com Naruto — O homem disse. Pegou algumas coisas no quarto e escovou os dentes. Sakura estava ansiosa mais do que qualquer coisa naquele instante. Sairia viva? Sua incapacidade de beneficiar Sasuke com um simples presente, que hoje em dia, muitas meninas sem idade para isso fazem, "era um fardo". Ele ao menos conversava sobre isso. Apenas disse que preferia não falar. Era doloroso falar com sua esposa sobre algo tão trágico. No fundo, Sasuke pensava que ela estava se culpando e com razão, embora ela gostasse de engolir todos os seus pensamentos pouco autoconfiantes.
Sasuke logo saiu depois de receber um beijo carinhoso em sua bochecha.
(...)
— Então é definitivo? — O Hokage apoiava ambas as mãos ossudas na mesa, esperando ouvir um "não" perfeitamente. Mas não foi isso que ele ouviu de Sasuke. Pessoas entravam e saiam constantemente da sala do Hokage, com problemas grandes ou pequenos. Depois que tudo se resolveu na guerra, as coisas pareciam estar mais insignificantes e sem tanta urgência em suas resoluções. Sasuke fez uma breve explicação das variações de humor de sua esposa e como ela estava tocada com as decisões desde o começo. Ficou com os nervos à flor da pele, mesmo que não tenha admitido para ele. Não era possível que teria de recorrer a algo tão... diferente... Sempre que lembravam o porquê de estarem fazendo isso, recebiam uma resposta: o filho que Sakura estava esperando. Poderia ser, até mesmo filha. Decidiram guardar segredo de si mesmos até chegar até a pessoa que "poderia" ajudar em alguma coisa.
— Já conversamos sobre como vai ser daqui para frente, então... Está tudo melhor do que há dois meses atrás com ela. — Sasuke completou.
Naruto lembrou, em apenas alguns segundos, que a pessoa que estava falando ali, na sua frente, já insinuou que Sakura deveria se "preocupar mais com suas tarefas ninjas do que com namoro". Isso foi, até certo ponto, tão nostálgico que Naruto, consequentemente, sorriu. Como um bobo. Uma súbita interrogação cruzou no rosto de Sasuke. Como ele poderia estar sorrindo sobre isso?
— O que houve? — Sasuke pensou. Como ele deveria esperar, Naruto está apenas bancando o garotão. Ele nunca aprendia...
— Nada. Só... vocês merecem ser felizes. Independentemente do que vocês precisem fazer. Eu respeito isso. — Naruto respondeu. Sentou na sua grande cadeira e, depois de conversar com Sasuke, desejou boa sorte para ambos. Era tão diferente, agora... Que tipo de Sasuke que Naruto havia visto em sua vida que ficaria com alguma garota ou tentaria salvar a vida de uma filha? Nunca. Isso era tão novo e tão puro que era impossível esquecer que, na verdade, era Sasuke que deveria ter sido tratado daquela forma durante sua infância.
As casas iam desaparecendo conforme o tempo ia passando. Era alegria, mas não havia como negar que passariam dias e semanas longe dos amigos. Viviam e pretendiam nunca abandonar aquela vida em Konoha, mas para permanecer nela, era necessário ir embora.
Duas horas de viagem depois, Sakura sentou-se na sombra de uma árvore, cansada. Bebeu água e perguntou se Sasuke não queria parar, por alguns minutos. Ele estava bem cansado, pois já não conseguia descansar na vila. Ele sentou ao lado dela, compartilhou a água do cantil com ela e Sakura apoiou sua cabeça no ombro do marido. Estavam carregando muitas coisas e, de alguma forma, conseguiram passar tanto tempo em baixo de um sol escaldante.
— Se eu não conseguir...
— Sakura, você vai.
(...)
— Pensei que vocês iriam chegar só amanhã! — Karin disse, abrindo a porta. A casa era clara e pouco parecida com o estilo das que haviam em Konoha, mas era, aparentemente, confortável.
— Eu estava cansada. — Sakura disse e logo Karin lembrou. Ela está grávida... Nunca teriam pedido ajuda dela se não soubessem que ela é ajudante de Orochimaru. Sasuke guardou algumas coisas num quarto que Karin indicou e perguntou se Sakura iria tomar banho. Ela consediu, dizendo que já iria. Sakura chegou até Karin, que estava na sala, arrumando algumas coisas.
— Eu agradeço. Muito mesmo. Eu não sei o que seria...
— Não estou fazendo isso por você. Estou fazendo isso por Sasuke. Não quero que o clã Uchiha, um clã tão importante, morra simplesmente porque alguém foi incapaz de dar à luz a uma criança. — Friamente a mulher disse, despedaçando o coração de Sakura.
— Entendo. Mas mesmo assim, obrigada. — E com isso, Sakura saiu, deixando Karin sozinha e indo a caminho do quarto. Ela pensou em tantas coisas... Como poderia ser tão inútil? Será que pensavam a mesma coisa dela? Era tão visível? Os passos fracos até o quarto ecoavam e irritavam Karin. Não a odiava, mas sentia ressentimento por parte de Sasuke. Ela, escolhida por ele, não poderia lhe dar a menor das coisas que ele pedia? "Isso é fácil demais e ela não consegue. Parabéns, Sasuke". É como se a genialidade dele estivesse sumindo com o tempo. Isso não é a cara dele.
— Tem água quente aqui. Você está bem? — Sasuke perguntou. Não escutou a conversa das duas porque não era importante. Havia uma banheira, mas o banheiro era simples. Karin disse que poderiam usar o quarto e ficar quanto tempo achavam necessário. Sasuke só queria poder arrumar as coisas logo depois que o bebê nascer. Não se sentia bem na casa de alguém, muito menos morando nela.
— Sim, estou. — Mentiu. Não era boa em mentiras, mas era o melhor que poderia fazer, agora.
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