Shadow
3 Honey It's Raining Tonight
Banheira.
Uma invenção vinda dos deuses que faz você pensar "como diabos alguém vive sem isso?", ou você não pensa em nada porque já está dormindo.
Sakura relaxou os músculos tensos. Sasuke se perguntava como estava, já que tinha andado tanto para uma mulher grávida. Ela não reclamou porque não queria admitir que deveria estar sentada ao invés de estar andando tanto. Não queria ser inútil em alguma outra situação. Balançou a cabeça e tocou nas bolhas de sabão que se formavam. Explodia cada uma, como uma criança. Sorria, passava as mãos molhadas no cabelo e respirava o cheiro gostoso do sabão. Percorreu a ponta dos dedos ao longo dos braços, espalhando a espuma. O Uchiha abre a porta e lava o rosto na pia, sem se preocupar com a banhista.
— Como era na Taka? — Sakura, de repente, pergunta. Toda a sua atenção está relacionada a Karin. Perguntava não por nenhuma outra coisa a não ser curiosidade. Queria saber mais sobre a mulher que falou um comentário verdadeiro, mas doloroso. Havia mencionado que fazia isso pelo seu marido com uma convicção duvidosa e Sakura pareceu não entender bem isso. Desde quando isso era apenas por ele? Tinham combinado tudo: nada seria fora do esperado, a não ser o resultado de todo o esforço. Mesmo assim, não conseguia entender o que havia de errado consigo mesma para Karin não gostar de sua presença.
— Por que isso, de repente? — Ele respondeu com uma pergunta. Não era a melhor hora para ambos, mas estavam, pelo menos, levando em consideração a existência dos dois ali.
— Curiosidade. — Sakura falou. De algum jeito, Sasuke lembrou que Karin poderia ter despertado alguma coisa em Sakura, que a fez ficar tagarela de uma hora para outra. O que poderia ser além disso? As duas estavam conversando, sozinhas, e isso não parecia ser legal. Ele pensou em responder, mas queria muito ficar calado e deitar-se.
— Tudo bem. Nós tínhamos relações próximas que envolviam, definitivamente, me ajudar. — Sasuke disse. Era verdade: cada um se sacrificaria para ver o líder mais perto de seus objetivos. Aquilo era uma brincadeira bem séria. Todos eram muito leais e, enquanto o grupo existia, estariam unidos. Até onde Sasuke quisesse.
— Só? Você sentia falta de um grupo? Fazer objetivos em conjunto, é isso? — Ela questiona, enquanto Sasuke abre o box e se senta perto dela. Tira o cabelo rosa da boca de Sakura e responde com um olhar terno:
— Acho que sim.
Na hora de dormir, Sakura deita olhando para o teto. Sentia ele se mexer um pouco, o que não acontecia muito. Pensou sobre o que faria depois que o bebê nascesse. Iria voltar e fingir que não houve nada? Nunca tinha pensado em sair, mas depois que lembrou de como foi difícil perder aquela criança, sabia que correr atrás do futuro do seu próprio filho era o mais correto a se fazer.
Se Sasuke não conversava, ficou bem pior. Se não saia de casa, passou a ficar na cama. Era tão depressivo e nojento, o ambiente, que nada parecia funcionar. Se ele não tivesse visto primeiro que seria ele quem deveria recuperar a autoestima de sua mulher, estariam separados agora. E as palavras de Naruto, com certeza, nunca seriam ditas. Não poderiam chamar um ao outro de "esposo" ou "esposa".
A situação dos dois era bem complicada: não podiam falar normalmente, mas sorriam ternamente para não jogar a culpa em alguém e começarem uma briga. Poderiam estar muito chateados, mas nunca deixariam o outro levar a culpa de algo. O único fator que fazia tudo correr bem era o nascimento do filho e o amor que estavam descobrindo durante o casamento. Sakura sempre foi apaixonada e nunca negou, mas Sasuke... ele estava disposto a começar encaixando o que sentia, desvendando o quebra-cabeça. Era tudo tão confuso e sem sentido que ele pensou em deixar tudo correr por si mesmo. Mas se fizesse isso, quantos outros homens não estariam dormindo ao lado dela, agora?
Ela sussurrou um "boa noite". Sasuke teria respondido (hábito aprendido desde o quinto dia de casado), mas fingiu não ouvir porque ela pensou que ele estaria dormindo. Mesmo que abraçá-la fosse sua intenção, a forma trágica que morte cruzou na vida deles foi tão grande que mal podia permitir uma boa noite de sono. Queriam ficar bem consigo mesmos e depois compartilhar a felicidade do dever cumprido, da vitória garantida com o outro de novo. Não ser mais tocada como era antigamente era um péssimo costume obtido a partir do terceiro mês de gestação, mas ela compreendia. Até nisso ele era cuidadoso. Tinha uma sorte tremenda: casou-se com a pessoa mais cobiçada da vila, desde que estava observando, ficou grávida e agora, essa fase é só mais um período que iria acabar.
Isso movimentava tudo: esperança. Sem um pouco de esperança, nada daquilo que haviam planejado poderia dar certo. Era um tiro no escuro, mas não havia lugar mais claro para atirar. Quando Sakura finalmente dormiu, Sasuke olhou para ela e além de boa noite, disse:
— Estarei esperando você amanhã, quando acordar.
(...)
Karin deu um jeito para que a cozinha bagunçada ficasse em ordem em apenas meia hora. Aquela não era bem a sua casa, mas era o lugar mais seguro e mais cheio de "aparelhos médicos" que sua casa, e também, mais perto de Konoha. Fez algo próximo a um café da manhã — nada comparado, obviamente, com a destreza recém descoberta de Sasuke na cozinha — e colocou a mesa. Não queria nada demais com isso tudo. Ter ajudado Sasuke foi algo feito no calor do momento, pois ouvir a voz dele novamente foi algo relaxador. Não esperava que tivesse casado e que pensasse em crianças.
Sua vontade de conquistá-lo se tornou menos relevante. Queria muito estar na pele de Sakura agora — mesmo com as dificuldades maternas — para provar ser forte e fazer a "diferença" que Sakura não pôde. Ridículo, ela pensava. Como diabos esse mulher foi conquistar o coração dele? Quando eu a vi pela primeira vez, ela estava tentando me matar!
Era ira, paixão, admiração... Tudo menos amor. Isso é claro como água, já que nunca mediu esforços para fazer algo por Sasuke pelo o seu reconhecimento, e não porque verdadeiramente se importava. A mesa estava quase pronta, quando Sasuke entra, e coloca a água no fogo. Karin tinha feito o café, mas talvez, ele esteja pensando em fazer chá. Mas não: Sasuke pergunta onde está o pó de café enquanto procura na despensa perto dali.
— Eu já fiz café. — Karin responde, chamando a atenção de Sasuke. Ele a olha e, depois de algum tempo, volta a procurar sozinho pelo ingrediente. Karin não entende o que aconteceu, mas levemente sentiu a irritação crescente nos olhos dele. Era algo incomum, já que ele possuía o hábito de não expressar nada fisicamente.
— Muito indecente, me tratar assim. Eu dou casa e comida e é desta forma que sou paga? Acho melhor você-
— Isso não inclui tratar mal as pessoas, Karin. — Sasuke falou. A mulher que continuava parada, olhando para ele e suas mãos agitadas, vasculhando os armários. Nunca poderia pensar em falar mal a respeito dele, então, do que ele poderia estar falando? Isso é alguma coisa que Sakura poderia ter dito a ele?
— Como assim? — Ela questiona. Senta na cadeira e, atentamente, busca escutar a resposta dele. Sakura estava demorando muito, mas depois de tudo o que houve ontem, descanso seria melhor que ouvir esse pequeno desintendimeto na cozinha.
Enquanto Sasuke não dava ouvidos, Sakura dormia tranquilamente no quarto, como um anjo. Sua respiração era mais lenta e espaçosa. Pouco se mexia, mas a cama estava bastante bagunçada. O lençol cinza cobria o seu pescoço, embora estivesse fazendo calor. Ela nem ao menos sentia. No seu mundo interno e utópico, desejou nunca ter perdido um filho. Gostaria de poder apagar essa lembrança dolorosa de sua mente, porque estava afetando muito sua vida. Inconciente, levantou um braço, procurando algo. Cansou-se e parou de mexer o membro. Não escutou nada da conversa de apenas algumas frase da cozinha.
Quando encontrou o que procurava, Sasuke resolveu dizer:
— Eu vi como Sakura estava diferente, ontem. O que você fez? — Sasuke disse aquilo que incomodava-o profundamente. Não era atoa que nem dormir tenha conseguido direito, depois que, em algum momento da noite, perto do amanhecer, levantou-se assustado com a hipótese de ter acontecido algo com seu filho e sua esposa. Suando frio, demorou alguns minutos para se aclamar e voltar a dormir.
— Nada demais; só conversamos — Ela disse, querendo pôr um fim na conversa. Sasuke não se convenceu nem com a mentira de sua mulher, muito menos com a de Karin. Parecia que Sakura saiu bem mais prejudicada na conversa que Karin, pois não estava relaxada ou contente por terem conseguido chegar ali.
(…)
Sakura acordou, e finalmente, conseguiu olhar para Karin sem mágoa. Muito ressentida, jurou não abrir a boca sobre nada do que disseram ontem para Sasuke.
As mentiras, com eles, eram muito claras. Sakura não podia mentir bem, já que sempre era sincera. Sasuke não gostava disso e achava que não havia necessidade de mentir para ninguém. No fundo, estavam juntos porque Sasuke encontrou em Sakura uma companheira que tem capacidades de criar, com ele, os filhos tão desejados. Sentia um forte e inexplicável amor por ela, mas nunca deixava passar em branco que o clã Uchiha era quase tão importante quanto o casamento dos dois.
Na sala, olhavam para os mais diversos objetos pendurados, soltos, desengonçados ou organizados. Segundo Karin, Sakura poderia ser avaliada daqui a alguns dias — talvez na próxima semana. Haviam olhares felizes, mas que se lembravam o porquê de estarem na casa dela, contemplando a oportunidade de conseguirem resolver o que estava quebrando seus corações por dentro.
— Eu posso dar uma olhada. Não sou especialista, mas vou ver o que posso fazer a respeito.
Sasuke concordou com a cabeça e segurou a mão de Sakura.
(…)
Com o tempo passando rapidamente, a barriga de Sakura ficava cada vez maior. A chegada da tão esperada criança animava os dois, mas enchiam também, recordações melancólicas de um tempo que deveria ter sido feliz.
Quando ficaram juntos, após o episódio com Toneri, as coisas se moviam muito devagar. Cada vez mais Sakura se perguntava o que iria fazer depois de ter confessado seu amor durante anos e, agora pode desfrutar da presença da pessoa que lhe causava felicidade. Sasuke tentava mostrar, com o tempo, que também poderia corresponder aos sentimentos, já que pequenas coisas o incomodava. Quando tocou, carinhosamente em sua testa, desejou que ela entendesse o significado, mas ela não estava muito segura em sua condição: não sabia sobre Itachi e sua relação com Sasuke, o que dificultou a compreensão do gesto carinhoso.
Aquilo foi tão libertador, que por um tempo, conseguiu acalmar as expectativas para a volta do amor da vida de Sakura. Consegue lembrar, até hoje, de como foi sentir a ponta dos dedos de Sasuke tocando sua testa. Foi simbolicamente incrível. Um momento único e especial depois que ela entendeu como Itachi e Sasuke eram ligados através disso. Não imaginava que, ficando tanto tempo a pensar que isso não era nada demais e ignorar, poderiam ter levado toda a "mágica" embora, se Sasuke não estivesse ali.
Respirou fundo, e esperou que Sasuke estivesse completamente a vontade para contar tudo o que sentia para uma garota que ele já considerava ser mais que uma amiga.
— E se não for um menino? — Ela refletiu. Estava lendo alguns livros sobre o assunto mais importante em questão e olhou para Sasuke que estava quase cochilando ao seu lado.
— O que tem? — Ele, indiferente graças ao sono, respondeu. Ela largou o livro no criado mudo e acariciou as costas do marido deitado na cama. Era uma mulher sortuda, mesmo depois de tudo o que houve. Seu marido poderia ser tudo, mas era uma pessoa mais generosa e protetora. Seu casamento não foi melhor pelo inesperado destino, mas está concentrando todas as suas energias no dia mais importante.
— Que nome você daria? — Ela falou. Sabia que se quisesse uma resposta era só acariciá-lo gentilmente. Teria funcionado melhor se ele não estivesse tentando dormir.
— Não sei. Fique a vontade para escolher essas coisas.
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