Notas iniciais
Hey gente, cap novo. Então, sobre esse cap queria falar sobre ele. Vi vários comentários anteriores sobre o Pov do Jeremy. E nesse capítulo vai ter um, mas eu queria dizer que ele não vai interferir na história principal, então se você gostou e quiser acompanhar vai ser ótimo, mas se você não se sentir a vontade com isso a leitura dele não vai ser essencial a história, você não tem que ler ele para acompanhar. Então é isso. Boa leitura. O cap tá um pouco mais curto, mas eu pretendo postar outro até quarta feira. Bjinhos.

POV’S Jeremy

Será que existe um jeito de fazer a amizade voltar ao normal depois de um beijo? Talvez. Mas quando você é um cara e beijou seu amigo? Provavelmente não.

Então estranho é o mínimo para descrever minha situação atual com Kol. Para começo de conversa eu estava confuso e completamente fora da minha zona de conforto. Eu nunca beijei um cara antes, nunca sequer pensei sobre isso. Minha amizade com ele começou de forma natural, eu me importava com ele, muito. Na verdade Kol foi o melhor amigo que tive em muito tempo. Mas então aconteceu o beijo e agora eu não sabia mais como eu me sentia.

Ele ainda era meu amigo e eu continuava a me sentir bem do lado dele, mas tudo parecia tão completamente diferente. Não era ele, ele não agiu estranho comigo depois disso nem nada. O problema era eu. Eu me sentia diferente. Sentia como se finalmente tivesse descoberto algo em mim que eu jamais compreendi.

As últimas semanas passaram tão rápido que eu mal tive tempo de registrar. E nesse meio tempo eu e Kol nos cruzamos poucas vezes. Eu achava que deveríamos conversar. Mas ao mesmo tempo tinha medo disso. Então achei que no casamento da Caroline teríamos uma oportunidade de conversar, mas então o casamento não aconteceu e tudo ficou ainda mais complicado depois.

Então na semana seguinte fomos até o lago para o casamento da Caroline e foi perfeito. O tipo de coisa que eu iria querer um dia. Amor de verdade. Querer passar a vida inteira com alguém.

Caminhei um pouco as margens do lago observando sua superfície espelhada e ameaçadora. Quer dizer, não é bem ameaçadora. Mas é assustador, não saber até onde você vai poder descer, se vai conseguir subir ou mesmo o que vai encontrar lá.

― É incrível não?

Me virei rapidamente para Kol a meu lado. Ele olhava o lago, mas diferente de mim, ele estava encantando com o que via.

― É discutível.

Respondi.

― É um desafio Jeremy. Até onde você pode chegar, se vai vencê-lo ou permitir que ele te vença. E no final, descobrir que talvez seja uma das melhores experiências da sua vida.

― Ou ele pode simplesmente te vencer e ser o fim de tudo.

Comentei, só então percebendo que estávamos falando de muito mais que o lago.

― Talvez. Ou talvez você seja apenas covarde e não queira se arriscar. Mas onde estaria a graça da vida se tivermos medo de nós mesmos?

Respondeu ele olhando para mim, e eu não soube o que dizer. Porque no fundo ele estava certo. Eu estava com medo do que eu poderia descobrir se me olhasse mais de perto. Medo do que eu poderia ver em mim mesmo.

― Melhor eu voltar.

Falou ele e já ia se afastando.

― Kol! Espere!

Ele parou mas não me olhou nos olhos.

― Sobre o que aconteceu aquele dia, eu...

― Não precisa falar nada Jeremy. ― Falou ele me interrompendo. ― Eu entendo.

― Você não sabe o que eu ia dizer.

Ele riu sem humor.

― Claro que eu sei. Você está confuso e não quer isso. Seja lá o que “isso” signifique.

― Eu não entendo o que eu estou sentindo Kol. E não posso arrastar você para minhas dúvidas. Não quero que você seja só um teste, que no fim das contas talvez dê simplesmente errado. Eu não quero te magoar. Nunca.

Todas essas palavras vieram naquele segundo e eu tive absoluta certeza delas. Não precisei pensar sobre isso, apenas senti. Kol era importante demais para mim para que eu o perdesse dessa forma.

― Você se importar mais comigo do quê com o que você está sentindo talvez seja o motivo pelo qual eu queira ser seu teste.

Respondeu ele e seus olhos não desgrudaram dos meus um segundo sequer. E então eu senti em cada fibra do meu corpo que Kol estava em minha vida. E sempre estaria. Mas eu é que precisava decidir como.

POV’S Esther

29 anos atrás...

Parei de caminhar e observei o quadro. Não que eu estive interessada nele. Só que me sentia exausta. Tinha medo de dar um passo sequer e desabar. Não era uma coisa física. Mas algo que me consumia de dentro para fora.

Minha vida era o quadro perfeito. Uma linda casa. Um marido rico e que me dava tudo que eu quisesse. Dois filhos lindos... Mas a realidade era completamente outra. Minha casa era fria e sem amor, meu marido um homem duro e inflexível, e eu mal olhava o rosto dos meus filhos.

Continuei olhando a pintura enquanto as pessoas davam a volta e passavam direto por mim, sem se importar ou sequer saber o quão sozinha e vazia eu me sentia. Assim que eu chegasse em casa haveria uma briga. Mikael detestava quando eu passava muito tempo na rua, ele era candidato a governador, e achava que tudo que eu fazia podia influenciar sua maldita campanha. Só que eu não me importava. A política era só algo que ele usava para fugir da sua própria vida. Fingir que não existíamos. Isso nos destruiu, mas ele se negava a ver.

Mikael remoia aquela dor por anos e parecia querer nos punir por isso. Estendendo sua amargura para nós. Como se nos ver sofrendo o fizesse se sentir melhor.

― Gostou do quadro Senhora?

Falou alguém e eu demorei a olhar para ele, pois até isso parecia difícil. Mas quando o fiz, encontrei um par de olhos verdes quase hipnóticos.

― O quê?

Perguntei sem saber direito o que responder.

― Perguntei se a senhora gostou do quadro.

Então eu finalmente o notei. Eram duas mãos entrelaçadas, os dedos se roçavam levemente nas pontas, mas a união era visível em cada pedaço de pele que se encontravam.

― É lindo.

Falei.

― A senhora parece um pouco triste.

Falou ele e se aproximou um pouco. Suas roupas estavam sujas de tinta e eram simples, mas ele parecia tão seguro e calmo. Dei um sorriso frio. Ultimamente ele era tão freqüente que me assustava.

― Talvez um pouco.

Respondi a ele.

Ele pegou o quadro e o estendeu para mim.

― Leve. A arte tem o poder de tocar a alma das pessoas.

Eu o peguei de suas mãos, e observei seus dedos roçarem de leve minha pele ao fazê-lo. Então puxei a mão rápido e olhei em volta. Era tão estranho sentir um toque tão... confortável.

― Melhor eu ir.

Falei a ele que acenou com a cabeça.

― Seria uma honra vê-la de novo Senhora. Seus olhos são lindos demais para que eu não tente chegar pelo menos um pouco perto disso com minhas tintas.

Um rubor se espalhou por minhas faces e eu fui para casa.

Assim que cheguei fui para a biblioteca, colocar o quadro lá. Mikael raramente vinha aqui e talvez nunca o veria. Depois me afastei para observá-lo. Era lindo.

― Onde você estava?

Mikael berrou as minhas costas e eu me virei assustada, então os olhos dele pousaram no quadro.

― É isso? Perdendo tempo com essas bobagens quando deveria estar cuidando dos seus filhos?

Apertei os lábios com força, eu não queria discutir com ele, realmente não era assim que eu queria passar o resto do dia.

― Estava numa reunião com as damas do Clube, como você mesmo sugeriu... querido.

Ele passou por mim e tirou o quadro da parede.

― E onde conseguiu isso? Uma de suas amigas o pintou?

― Elas não são minhas amigas e eu comprei isso de uma vendedora de rua.

A mentira passou por meus lábios bem antes de eu pensar direito sobre isso. Mas aquilo tinha sido especial demais para que eu deixasse Mikael estragá-lo.

― É ridículo.

Falou Mikael e o jogou no chão, quando eu me inclinei para pegá-lo ele pisou bem no meio e o rasgou.

― Não!

Tentei alcançá-lo mas ele me segurou pelos ombros.

― Se preocupe com algo que seja importante para mim Esther.

Eu me soltei de suas mãos e subi correndo para o quarto.

Aquilo era um pesadelo. Minha casa se tornou um pesadelo. E a única coisa ligeiramente boa que aconteceu Mikael ameaçava arrancar de mim. Mas eu não deixaria. De jeito nenhum. Eu o veria de novo. O mais rápido possível.

POV’S Klaus

Parecia que eu não conseguia respirar direito. Um peso comprimia meu peito o tempo inteiro, e eu só me dei conta disso quando ele sumiu. No segundo que ela disse “sim”. Sim. Apenas isso, teve o poder de fazer como eu me sentisse completo de novo. A semana tinha sido tão cansativa. Eu me sentia esgotado, e o começo desse fim de semana pareceu ainda pior. Eu sentia como se Caroline estivesse escapando por entre meus dedos. Mas agora toda essa angústia acabou. Ela era minha esposa. Minha.

Observei seu rosto tranqüilo enquanto dormia com a cabeça apoiada em meu colo. Foi a primeira vez nessa semana que eu a vi dormir de verdade. Sorri involuntariamente ao olhar seu rosto. Já estávamos quase chegando e teríamos duas semanas perfeitas para curtir apenas um ao outro sem mais nada para nós preocupar.

Chegamos ao aeroporto pouco tempo depois, ela caminha ao meu lado ainda um pouco sonolenta.

― Onde estamos?

Perguntou ela.

― Nas ilhas Phi Phi, na Tailândia.

― Tailândia? ― Perguntou ela empolgada.

― Sim, um dos lugares mais bonitos que eu já vi, não consegui pensar em outro lugar para passar nossa lua de mel.

Eu beijei seus cabelos e seguimos para o hotel.

Eu já me sentia mais leve a cada segundo que passava. Estar com Caroline, num lindo lugar e com nada além de nós dois para me preocupar. Era perfeito.

Subimos para o quarto e assim que passamos pela porta eu a puxei para os meus braços.

― Meu Deus como eu senti falta disso!

Falei sentindo o gosto da sua boca e inalando profundamente para que seu cheiro maravilhoso invadisse meus sentidos. Ela passou as pernas por minha cintura e puxou minha camisa.

― Preciso de você dentro de mim o mais rápido possível.

Suas unhas rasparam meu peito e eu ofeguei. Sentindo as emoções e o desejo aflorarem tão depressa que parecia que eu ia explodir.

― Calma, amor. Eu quero aproveitar você. Sem pressa.

― Tenho uma idéia melhor: rápido agora e devagar depois. Temos o dia inteiro.

Eu ri com sua pressa, mais ainda porque ela estava tão distante nos últimos dias, nós dois estávamos, isso nos exauriu, mas agora parecia que tudo aquilo não passou de um sonho ruim do qual nós dois acordamos casados.

Fui em direção a cama e a deitei, então ela rolou por cima de mim e espalmou as mãos em meu peito, enquanto tirava a camiseta e o sutiã. Eu me deliciei com a visão de seu corpo. O toque de nossas peles ecoava dentro de mim. O que eu sentia por Caroline era visceral, intenso e tão entranhado em mim que quando estávamos juntos, eu precisava senti-la perto, precisava sentir seu corpo para me sentir completo. Era como se fossos um só, um corpo divido em dois, que só estava inteiro quando sentia sua outra metade.

Puxei seu rosto em direção a mim e a beijei com paixão, praticamente devorando sua boca, e ela me recebia com a mesma fome, sentindo o mesmo desejo que eu, dominá-la.

Deitei por cima dela e puxei suas calças pelas pernas e tirei as minhas próprias. Quando senti o calor de seu corpo sem barreira nenhuma um rugido grave ressoou no fundo da minha garganta e eu não pude mais esperar. Rápido agora e devagar depois. Com um movimento do quadril eu estava dentro dela, sentido sua carne quente e molhada me abraçar intimamente.

― Merda.

Soltei e ela mordeu o lábio e arranhou meu peito. Aquilo me excitou ainda mais. Caroline era a santa e a pecadora, doce e avassaladora. Seu desejo era tão incontrolável quanto o meu, a volúpia e a luxúria queimavam dentro de nós com a mesma intensidade.

― Mais rápido Klaus, agora.

Então eu dei o que ela pediu com todo prazer, estoquei dentro dela furiosamente, sugava seus lábios como se só aquilo me deixasse inteiro. Ela gemia na minha boca e se mexia de encontro a mim como se me quisesse ainda mais fundo.

Um espasmo dominou seu corpo e ela se contraiu inteira gozando. Afastou um pouco os lábios para respirar e seguro meu rosto, olhando no fundo dos meus olhos.

― Eu amo você.

Sussurrou ela para mim e aquilo arrancou de mim a última gota de prazer que eu podia sentir. Gozei furiosamente, sentindo um turbilhão tão grande de prazer e amor por ela me dominar que parecia que o chão não estava mais sobre mim.

― Eu amo você. Sempre.

Falei em seu ouvido sentido o peso da última semana desaparecer completamente de mim.

Ficamos abraçados sem nos mexer por um tempo. A conexão entre nós tinha sido tão intensa que eu não podia pensar em mais nada a não ser seus braços.

Mas era biologicamente impossível ficar assim para sempre então fomos tomar um banho e voltamos para a cama tempos depois.

― Quanto tempo vamos ficar aqui?

Perguntou-me ela.

― Duas semanas. Foi o máximo de tempo que consegui.

― É mais que o suficiente.

Comentou ela rindo e voltou a me abraçar, descansando a cabeça em meu peito.

― Como era seu relacionamento com a Hayley?

Falou ela depois de um longo silêncio. Aquele não era absolutamente um assunto que eu gostaria de tratar na minha lua de mel.

― Caroline não vamos falar sobre isso. Por favor. Só vai aborrecer a nos dois.

― Eu não vou ficar brava. Eu juro. Só... queria entender.

― Não tem nada para entender. Acabou.

Ela não respondeu e isso me pós em alerta imediatamente. Se tem uma coisa que eu aprende recentemente é que qualquer palavra era melhor que o silencio em se tratando de Caroline.

― Não sei bem se era um relacionamento. ― Falei suspirando ― Nós saímos as vezes. Íamos a eventos juntos. Não conversamos praticamente sobre nada. E fim.

― Você transava com ela?

Que ótimo! Revirei os olhos.

― Raramente. Hayley era artificial demais. E eu me sentia... desconfortável? Não sei bem. Mas eu me sentia mal tendo qualquer contato mais intimo com ela, dada a natureza da nossa relação. Sem falar que ela sabia que eu não era fiel. Então sexo era estranho, para dizer o mínimo.

― Hum...

Falou ela.

― O que quer dizer “hum”? Pensei que você não fosse ficar brava.

― Eu não estou brava. Só que ela acabou com meu casamento. Eu só precisava entender um pouco mais.

Eu ergui seu rosto para que ela olhasse nos meus olhos.

― Não faz mais diferença. Você é minha esposa. A única mulher que me importa. Simples assim.

Ela tocou meu rosto e eu respirei fundo.

― Mas ela não é a única coisa que precisamos resolver em nossas vidas Klaus.

― Eu sei. Mas tudo isso pode esperar pelo menos duas semanas não é?

― Acho que sim. Mas você vai ter que me manter bem ocupada durante esse tempo.

― Com prazer.

Nós dois rimos e eu a beijei.

As coisas não estavam tão perfeitas em minha vida como parecia aqui nesse quarto com minha mulher. Eu teria que enfrentar isso e bem rápido. Mas eu ia nos dar uma folga de todos os problemas que pairavam em minha cabeça e aproveitar Caroline.

Notas finais
E então? O q acharam? =D