Notas iniciais
Olá meninas! Levei bem mais tempo do que eu gostaria, mas aqui está o penúltimo capítulo dessa fic que aprendi a amar, espero que gostem, e como quero fazer um final perfeito para essa história, me digam, deem suas opiniões, o que vocês esperam para o final?

Caroline

Nossos sentimentos fazem coisas engraçadas com o tempo. Já senti isso algumas vezes, na verdade bem mais vezes do que eu gostaria. Eu e Katherine estávamos paradas no quarto olhando Amy dormir, esperando ouvir o telefone tocar, ou alguém abrir a porta. Mas estava demorando demais. E por mais que eu não quisesse pensar que eram más notícias eu não conseguia me livrar da sensação.

Porque éramos assim? Sempre esperávamos más notícias antes mesmo de ouvi-las?

Eu me lembro de quando eu era criança e esperava sempre coisas boas, acreditava até o último segundo. Como no natal quando eu tinha sete anos e eu queria uma bicicleta de presente, mas quando olhei embaixo da árvore havia uma caixa bem menor. Eu sabia que não era uma bicicleta, mas acreditei até o último segundo que aquilo fosse o que eu queria, como se fosse se transformar magicamente na bicicleta. Mas não se transformou, e eu fiquei triste por alguns segundos, até meu pai trazer para mim com um grande laço vermelho. E eu respirei aliviada, pensando que acreditar até o último segundo valia a pena.

E foi o que eu fiz quando minha mãe morreu, acreditei até o último segundo, acreditei até vê-la imóvel e fria, eu esperava que o melhor acontecesse. Mas não aconteceu. E então as más notícias vieram depois, e eu sempre estava esperando por elas. Esperando que algo iria dar errado.

E agora eu parecia a cada segundo que passava esperando por más notícias.

E me sentia uma pessoa terrível. Katherine estava aqui com sua filhinha deitada, e um bebê por nascer. Levantei-me da cama e desci para beber um pouco de água.

Mas eu tinha feito isso não foi?

Quando perdi meu filho, eu não quis tentar de novo, não queria que algum ruim acontecesse de novo. Achava que não podia lidar com algo assim. Então não tentei por medo de fracassar.

Entrei na cozinha mas desisti de beber alguma coisa, eu duvidava que algo passasse por minha garganta naquele momento.

E então ouvi o som da porta se abrir. Congelei por um milésimo de segundo e prendi a respiração, mas então disparei porta a fora o mais rápido que consegui.

Klaus estava acabando de entrar e eu me choquei com ele tão desesperadamente que joguei seu corpo para trás fazendo com que nós dois nos batêssemos na porta.

― Graça a Deus! Você o encontrou?

Perguntei me agarrando a ele querendo sentir um pouco de conforto e calma. Afastei meu rosto para olhar em seus olhos e ele deu um pequeno sorriso cansado.

― Sim.

Fechei meus olhos com toda força e o abracei novamente.

― Vim buscar a Katherine, estou levando ele a um outro hospital.

Me soltei um pouco dele mas continuei segurando sua mão.

― O que houve?

Perguntei enquanto íamos em direção as escadas.

― Ele ainda está um pouco grogue, mas parece que foi um assalto, largaram ele na beira da estrada e um caminhoneiro o encontrou tempos depois e o levou para aquele hospital.

― Mas ele está bem?

― Ele levou um tiro no ombro e alguns machucados no rosto, mas está estável.

Assim que abrimos a porta do quarto Katherine deu um pulo da cama e se levantou colocando as mãos na boca como se tivesse medo de perguntar.

― Eu o encontrei Katherine.

Falou Klaus finalmente e as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto ao mesmo tempo que um enorme sorriso de alívio se abria. Fui até ela e a abracei forte.

― Vá vê-lo eu fico aqui com Amy.

Ela balançou a cabeça e saiu, Klaus parou um pouco me olhando e então eu senti uma força me puxando para seus braços, como se fossemos imãs sendo arrastados para mais perto o quanto antes. Nossos corpos se encontraram e eu segurei seu rosto com as mãos ele me puxou pela cintura e me beijou, profundamente e apaixonadamente, deixando-me sentir seu gosto e sentir que ele estava ali comigo. Corri os dedos por seus cabelos e fiquei na ponta dos pés tentando sentir o máximo possível da sua proximidade. Aos poucos ele foi diminuindo o ritmo e afastou um pouco o rosto.

― Amo você.

Sussurrou em meu ouvido depois beijou minha testa e saiu.

― Também amo você.

Respondi muito embora ele já tivesse saído. Toquei meus lábios ainda sentindo o gosto da sua boca na minha. Respirei fundo várias vezes depois me virei indo me deitar ao lado de Amy.

Olhei seu rostinho lindo no sono, e sabia quanta esperança podia haver numa criança. Quantos coisas boas elas sonhavam e acreditavam ser possíveis. Mas também quantas coisas nós íamos deixando de acreditar com o tempo, quantas coisas ruins esperávamos que acontecessem.

Lembrei de Klaus, e mais recentemente lembrei do quão perto estive de perdê-lo, de quão perto aquele acidente chegou de tirar meu marido de mim para sempre. Coisas ruins aconteciam o tempo todo. Mas deveríamos mesmo parar de acreditar por causa delas?

Deveríamos parar e esperar até que já não fosse possível dar o passo seguinte?

Ergui a mão e toquei os cabelinhos de Amy, aproveitando o silêncio do quarto para pensar. Eu não me considerava uma pessoa covarde. Mas temer fazer algo só por não querer sofrer não era também covardia?

E mais importante, eu queria ser uma pessoa covarde?

Klaus

Estávamos quase chegando ao hospital para onde transferimos Elijah, e eu pensei no quão diferente tinha sido essa viajem, de quando eu vim verificar se era ele. O medo aterrador de que pudesse ser tarde, o desespero em pensar de que de fato seria tarde. E a angustia e a impotência de não ter podido fazer nada.

Tudo isso me fazia sentir terrível, e tinha feito, até que eu cheguei lá e o vi. Mesmo sentindo a raiva borbulhar por dentro ao vê-lo ferido, não se comparava ao alívio de saber que ele ficaria bem.

Katherine desceu do carro antes mesmo que eu terminasse de estacionar, e entrou no hospital. Eu a segui o mais rápido que pude, a atendente me informou que ele já estava no quarto e nós dois subimos para vê-lo.

Quando entramos no quarto Katherine disparou para a cama e segurou sua mão, eu também fui para o seu lado olhando de novo seu rosto querido.

― Elijah?

Chamou Katherine, suas pálpebras tremeluziram um pouco e ele abriu os olhos devagar. Senti a alegria dominar meu corpo e toquei seu braço

― Katherine?

Falou ele com a voz rouca, Katherine enxugou uma lágrima e se curvou abraçando-o.

― Você me deu um susto e tanto.

Falou ela por entre as lágrimas.

― Sinto muito, eles chegaram de surpresa e entraram no carro, me fizeram dirigir, tentei fazer algo, mas...

― Shhhh, não precisa ficar falando disso agora, o importante é que você está aqui.

Ele sorriu um pouco e ergueu o braço tocando em seu rosto.

― Eu só conseguia pensar em vocês.

Ela segurou sua mão e beijou a palma, depois colocou-a sobre sue ventre.

― É bom esse ombro ficar bom logo, porque em breve teremos duas crianças para cuidar.

Eu pisquei surpreso, e Elijah também, mas logo seus olhos se encheram de lágrimas e ele acariciou gentilmente a barriga de Katherine. Seus olhos não se desviaram em momento algum e eu me senti um estranho naquele momento tão íntimo e precioso.

Saí de lá e me encostei na parede do lado de fora. Um momento precioso demais para descrever. Eu estava feliz por meu irmão. Ele tinha a família que tanto quis e mereceu, que agora ia ficar ainda mais completa. Eu tinha também minha família com Caroline, e também estava feliz por isso. Mas num momento assim não deixava de me sentir um pouco vazio. Pensando que meu filho talvez já tivesse nascido, talvez ele me deixasse acordado a noite toda, e eu com certeza ia adorar até mesmo aquilo.

Fui buscar um café e respirar um pouco. Quando voltei para o quarto Katherine estava saindo de lá.

― Ele quer água.

Acenei com a cabeça e entrei no quarto.

― Irmão.

Cumprimentei assim que entrei.

― Temos que parar de ficar assim, um no leito de hospital e o outro zanzando por aqui e tomando esse café horrível.

Ele riu um pouco e eu fui até ele segurando sua mão.

― Bom, eu tenho mais um filho a caminho, certamente esse é um bom motivo para pararmos com isso.

Nós dois rimos, mas ele foi ficando sério de repente.

― O carro...

― Não. Katherine já disse e eu vou repedir, não pense em nada disso. Apenas em ficar bom, o restante fica por minha conta.

― Obrigado irmão.

― Não me agradeça, você fez e faria o mesmo por mim.

Toquei seu ombro e então Katherine entrou.

― Vou dormir aqui com ele Klaus, e a Amy...

― Não se preocupe, Caroline e eu cuidamos dela. Qualquer coisa me liga ta bom?

Ela acenou e eu sai de lá voltando para casa. Estava sendo uma noite péssima e eu me sentia exausto, não fisicamente, mas emocionalmente.

Subi as escadas e fui ao quarto de hospedes onde Amy estava, e encontrei Caroline deitada ao seu lado fazendo carinho em sua cabeça.

Ela ergueu os olhos e me viu, depois sorriu um pouco, eu fui até ela e me deitei ao seu lado.

― Eu costumava gostar de um carinho nos cabelos quando me sentia assustada.

Eu abracei sua cintura e respirei fundo.

― Você seria uma boa mãe.

Sua mão congelou no ar por alguns segundos, depois ela continuou a acariciar os cabelinhos dela em silêncio. Eu queria falar com ela sobre isso. Queria lhe dizer o quanto aquele acidente, o bebê de Elijah, estar convivendo com a família do meu pai estava mexendo comigo. Mas todas essas emoções estavam a flor da pele demais, e eu tinha medo de magoá-la ao invés de fazer bem a nós dois, e tinha medo de ela não estar pronta ainda, e pressiona-la demais parecia péssimo para mim.

― Você também seria um bom pai.

Respondeu ela baixinho muito tempo depois, e então caímos no silêncio até que a vi relaxar em meus braços e adormecer.

Ficamos com Amy mais duas noites até Elijah ter alta e voltar para casa. Seu ombro estava cicatrizando bem e ele não teve nenhuma outra lesão mais grave. Os policiais estavam tentando encontrar os bandidos, Elijah contou a polícia que eles o abordaram quando ele parou num sinal vermelho e o fizeram dirigir para um lugar distante, depois o roubaram e atiraram nele. Daí por diante ele não sabia explicar se o colocaram no porta malas e nem onde o deixaram, quando ele acordou estava no hospital. Os bandidos só tinham levado dinheiro e outras coisas pequenas que eles poderiam levar, então ficaria um pouco difícil de rastrea-los, mas estava sendo feito o possível.

Elijah não parecia muito preocupado em pegar os bandidos, na verdade ele parecia querer esquecer tudo e seguir em frente, cuidar da sua filha e do bebê que estava por vir. E eu entendia esse sentimento. Ficar remoendo coisas que causam sofrimento só aumenta o sofrimento.

E agora chegando em casa, eu sentia falta de Amy. Tinha sido divertido brincar com ela e contar milhões de história para fazê-la dormir, e quando ela foi para embora, a casa pareceu estranhamente silenciosa. Coloquei a pasta em cima da cama e tomei banho depois desci para tomar um copo de uísque.

Caroline ainda não havia chegado, e isso me dava um pouco de tempo para pensar, muito embora eu achasse que pensar demais não era a melhor opção. Não era difícil conversar com Caroline, nunca foi. Mas agora eu ficava pensando se devia falar, se ela se sentiria magoada ou pressionada parecia bem mais complicado do que deveria.

Mas acontece que, não é que eu quisesse ter filhos exatamente nesse segundo, mas eu queria falar sobre isso. Recentemente eu descobri o peso de uma família de verdade. E isso se devia principalmente ao fato de estar conhecendo meu pai, tinha sido estranho no começo, mas não era mais. E sentir-me parte de uma família, sentir o cuidado que um pai deveria ter com um filho estavam despertando sentimentos que eu julgava estarem silenciados, pelo menos por um tempo.

Só que não estavam mais, e eu pensava nisso, pensava acima de tudo agora que eu via Caroline se dedicando e seguindo tão bem na carreira. Ela era uma modelo, gostava e se orgulhava disso. Então não deixava de passar por minha cabeça quantas coisas poderiam estar em segundo plano para ela que não estava para mim.

E mesmo sendo um pouco complicado, eu sabia que deveria conversar com ela, deveria falar sobre aquilo.

Mas quando ela chegou em casa, sorrindo e me beijando, falando coisas como “fazer coisinhas no chuveiro”, eu deixei a conversa para a noite seguinte.

Acontece que ficou também para a noite seguinte, e na outra noite, e na outra noite... E sem que eu percebesse, já tinham se passado mais de três meses e as palavras não saiam da minha boca.

Bom, meu histórico de não falar algo não era muito bom, e por “não era muito bom” leia-se era péssimo. Então era de se esperar que meu humor não estivesse muito bom. Embora eu vergonhosamente descontava nos meus pobres funcionários todo meu mal humor, e quando Caroline chegava com suas fotos e ideias sobre onde ainda não havíamos feito sexo na casa nova eu fiquei melhor rapidinho.

Era triste, mas real.

Eu estava no balcão comendo um sanduíche quando ela chegou, e dessa vez tenho que confessar, ela estava tão radiante que eu tive para por um momento apenas para apreciar sua beleza.

― Oi!

Falou ela e me deu um beijo. Depois roubou o sanduíche da minha mão.

― Estou faminta!

Eu bebi um pouco de suco e ela estendeu o envelope com novas fotos para que eu visse.

― Aposto que você vai amar estas.

Ela deu uma piscadinha e devolveu o sanduíche ao prato. E certamente três meses com uma conversa presa na garganta não fizeram muito bem ao meu autocontrole.

― Com certeza vou adorar, afinal, ultimamente tenho visto você mais nas fotos que pessoalmente.

Ela ficou parada no lugar me olhando, e sua expressão foi se fechando.

― Isso não é verdade.

Levantei e coloquei o copo na pia, depois joguei o resto do sanduíche no lixo.

― Sim, é verdade. E eu estou feliz por você, você gosta do que faz, tem bastante sucesso. Mas, não é muito bom ter você comigo praticamente na hora de dormir.

Ela cruzou os braços na frente do peito.

― Não me lembro de você reclamar por me ver lá na hora de dormir.

Seu espírito combativo estava de armas postas, e o meu também, parei na frente dela.

― Se lembra de quando eu estava com amnésia? E a única coisa eu você se lembrava de fazermos juntos era sexo? Bom, a situação não melhorou muito.

Minha voz soou carregada de sarcasmo, e eu me preparei para muitos desaforos vindos dela. Só que ela não fez isso, ela descruzou os braços, e seus olhos se encheram de lágrimas. Foi então que me dei conta do grande babaca que eu tinha acabado de ser.

Ela pegou as fotos de cima do balcão e me deu as costas sem dizer coisa alguma e subiu para o quarto.

― Droga!

Resmunguei e fui atrás dela. Eu gostava de pensar que eu tinha mudado muito desde que nos conhecemos, que eu não era mais apenas um idiota. Mas só porque eu não era mais um idiota não significava que eu não me lembrava de como ser, e essa estupidez que eu tinha acabado de fazer era uma amostra grátis disso.

Quando subi as escadas ela tinha jogado as fotos no meio da cama e estava tirando a roupa para tomar banho.

― Sinto muito, eu só... Sinto sua falta e fui um babaca.

Ela me olhou de lado como se não quisesse se quer me dirigir o olhar.

― Esse silêncio não é muito bom, então...

Ela estava tirando o sutiã, e se virou nessa hora, com os olhos borbulhando de raiva, então veio até mim pisando duro e enfiou o dedo no meu peito.

― Eu também sinto sua falta, um pouco menos quando você é idiota, mas também não fico sendo um babaca arrogante por isso, fico?

― Eu já disse que sinto muito.

― Eu sei disse, e provavelmente eu vou te perdoar, porque eu te amo, e amar um babaca não é muito fácil. Mas por enquanto eu quero que você cale a boca e olhe a droga das fotos!

Então ela foi para o banho, querendo parecer durona, embora o fato de ela estar de calcinha com laços não ajudava muito. Então eu sorri e fui atrás dela, puxando-a pela cintura antes que ela entrasse no banheiro.

― Sinto muito, de verdade.

Então eu a beijei, passando a língua por seu lábio inferior, ela me abraçou pela cintura e suspirou por entre meus lábios. Então eu me afastei um pouco e ela sorriu.

― Eu vou passar mais tempo em casa, prometo.

― Não importa quanto tempo você vai passar em casa, eu vou te amar cada segundo do meu dia, estando perto ou longe de mim. Você roubou meu coração Caroline Mikaelson, e não tem mais jeito para mim.

Ela se inclinou e beijou o canto da minha boca.

― Olha as fotos, tenho certeza que você vai gostar.

E então se desvencilhou dos meus braços e entrou no banheiro.

Eu peguei o envelope e sentei na cama, tirando as fotos.

Na primeira ela estava em pé com um vestido branco olhando para os pés.

Na segunda aparecia seu rosto e os dois dedos enfiados em sapatinhos de bebê fingindo andar.

Na próxima ela estava deitada com um vestido aberto na barriga e um imenso coração desenhado nele.

Senti meu coração acelerar no peito e olhei a próxima.

Nela suas mãos estavam tocando seu ventre, os cabelos voando e seu olhar transmitia tanta ternura que meu peito transbordou de amor.

E de desejo de vê-la assim, exatamente dessa forma com nosso filho crescendo dentro dela.

Na próxima o ângulo da câmera mostrava seus cabelos louros e seus dedos, como se ela olhasse algo, e em suas mãos um teste de gravidez, com a palavra “positivo” em destaque.

Meus dedos ficaram meio dormentes e a respiração totalmente irregular, um formigamento se instalou no meu peito e senti meus olhos queimarem. Meus dedos tremeram ao passar para a próxima.

Dessa vez ela estava deitada de lado, com dois ursinhos em cada lado da barriga, e cada um deles tinha uma plaquinha, “menino?” “menina?”. Quase não consegui segurar a última, ela vestia uma camiseta branca, seu rosto estava um pouco vermelho e os olhos marejados de lágrimas. Estava escrito “Klaus, o melhor pai do mundo”.

As fotos escorregaram por meus dedos, e senti lágrimas escorrendo por meu rosto, quando ergui os olhos Caroline estava lá, enrolada com um roupão e com o rosto coberto de lágrimas.

― Você vai ser um ótimo pai.

Falou ela e então eu me levantei num pulo e a peguei nos braços, sua boca estava molhada com nossas lágrimas mas eu queria sentir o gosto dela o mais rápido que eu conseguisse. Então a ergui nos braços, e rodei com ela pelo quarto. Sentido-me mais feliz do que jamais julgaria capaz.

E então eu percebi mais uma vez, porque ela era a metade da minha alma, um pedaço de mim sem o qual eu jamais poderia viver. Porque eu não precisava falar para que ela soubesse do que eu precisava. Eu não precisava lhe dizer com palavras, ela simplesmente sabia, e me dava tudo que me faria inteiro.

Por isso eu a amava, porque ela era a metade do meu coração que batia fora do peito. Metade essa que agora batia ainda com mais força pois carregava um pedaço de mim dentro dela, um fruto de nós dois e do que sentíamos um pelo outro.

― Eu amo você.

Falei com a voz rouca quando consegui finalmente soltá-la e coloca-la no lugar.

― Nosso bebê está aqui dentro de mim Klaus, quentinho e seguro.

Falou ela secando as lágrimas do rosto e então eu caí de joelhos na frente dela, abrindo o roupão bem devagar expondo seu ventre. Que eu amava, que eu muita vezes beijei apaixonadamente, e que agora carregava meu filho.

Inclinei a cabeça beijando sua barriga e ela passou a mão por entre meus cabelos.

― Nosso bebê.

Falou ela para mim e eu fechei os olhos.

― Nosso Bebê.

Experimentei pela primeira vez em muito tempo. E as palavras enviaram arrepios por todo o meu corpo.

Felicidade. Da forma mais pura. Da maneira mais completa que alguém pode sentir. Minha mulher estava em meus braços, com nosso filho crescendo em seu ventre. E eu me sentia o homem mais feliz do mundo. Pois tinha ali, dentro daquele quarto, e entre meus braços, meu mundo inteiro.