Notas iniciais
Hey gente cap novo, um me desculpe monumental para vcs. Tive uns probleminhas aqui e não pude escrever. Bjos e boa leitura.

Damon

― Azul ou verde?

Perguntei a Elena indo para a cozinha. Eu nunca fui muito bom em administrar a ansiedade, e hoje estava sendo ainda mais difícil.

― Azul.

Respondeu ela pegando a gravata azul da minha mão e colocando na minha camisa. Começando a dar o nó. Eu nunca fui bom em controlar a ansiedade, mas olhar para os olhos castanhos de Elena tão perto de mim e tão confiantes ajudava muito.

― Pronto, agora parece um executivo de respeito.

Falou ela e me beijou depois voltou para a pia para preparar nosso café da manhã.

Um executivo de respeito.

Se alguém falasse isso a mais ou menos um ano atrás eu iria rir. Na verdade iria gargalhar. Damon Salvatore saindo da bagunça na qual eu me meti e virando um grande executivo parecia algo hilário e impossível, até mesmo para mim.

Eu não me sentia capaz de andar com minhas próprias pernas a um bom tempo. Então Elena apareceu e me disse que acreditava em mim, e que eu podia ser um cara grande. Eu acreditei nela, e acreditei em mim também. E agora eu estava conseguindo. Elena era uma mulher fantástica e merecia alguém a sua altura.

Então eu trabalhei cada segundo que eu tinha livre, dormi quatros horas por noite e hoje era a grande inauguração do meu hotel. Fazer alguém se orgulhar de mim era inimaginável, mas agora era real. Estava acontecendo, e me fazia sentir tão bem que eu poderia cantar.

Fui até Elena e a abracei pela cintura inspirando seu cheiro e beijando seu ombro.

― Eu amo você sabia?

Ela riu e se virou me beijando.

― Sabia.

Ela tentou sair mais eu a segurei no lugar e ergui sua cintura sentando-a na bancada.

― Damon! Os Wafles vão queimar!

Ela tentava me empurrar, mais eu comecei a beijar seu ombro e pescoço.

― Além disso você não pode se atrasar na inauguração do seu próprio hotel!

― Quanto tempo ainda temos?

Pergunto abaixando a alça do vestido e beijando sua pele nua.

― Menos de uma hora para tomar café e chegar lá...

Mas no final sua frase morreu num suspiro.

― Hum...

Falei subindo minhas mãos por sua coxa. Eu gostava de saborear cada pedacinho do corpo de Elena, bem devagar, gravando suas curvas na minha memória. Para que eu pudesse me lembrar delas com precisão. Afinal gerenciar um hotel não seria fácil, e Elena estava fazendo faculdade medicina, então nós dois sabíamos que nosso tempo livre seria praticamente inexistente. Por isso cada minuto tínhamos tinha que ser aproveitado.

Eu desci mais as alças do vestido expondo seu peito e suspirei olhando-os tão próximos e quentes, ergui as mãos para tocá-los. E ela mordeu o lábio e envolveu as pernas em minha cintura.

― Não deveríamos estar fazendo isso...

Falou ela e eu mordi seu lábio inferior.

― Que tal gastarmos essa hora comigo dentro de você?

Então cravei os dedos em suas coxas puxando-a contra mim, sentindo a mesma descarga elétrica que eu senti na primeira voz. Como se fosse impossível parar, como se eu precisasse dela para continuar respirando.

― Sim...

Ela gemeu a palavra numa rendição deliciosa e completa. Rendição que não existia só na nossa cama. Mas a cada dia que vivíamos juntos. Nós rendíamos ao nosso amor e a nossa vida juntos. Numa plenitude desenfreada que me fez completamente e inabalavelmente louco por Elena Gilbert.

Klaus

Flores eram uma boa ideia. Caroline gostava de flores e elas eram uma forma de dizer “está tudo bem e estou feliz por você”. E eu realmente estava, embora passar as duas últimas horas pensando nela sendo fotografada não tenha sido um happy hour. Eu não era um homem das cavernas, e confiava implicitamente na minha esposa. Mas a exposição podia trazer consequências bem ruins, e eu pensava se ela estava pronta para isso. Ver as pessoas falando das nossas vidas tinha sido muito difícil para ela, e eu tinha medo de que isso só a ferisse .

Então eu a deixei na cama de manhã com um beijinho e um “arrase naquelas fotos”. E agora passeava pelos corredores da floricultura tentando escolher as flores perfeitas para a ocasião. Era uma coisa simples e fácil, mas as ideias na minha cabeça bem recentemente não pareciam nem um pouco fáceis. Mikael e Esther tinha ido embora dois dias antes, Finn foi com eles como o esperado. Rebekah foi morar em Los Angeles com uma amiga, Kol estava morando eu seu apartamento com Jeremy. E eu e Caroline tentando encontrar nosso tempo.

Eu já pensei várias vezes sobre como seria ter uma vida simples e fácil. Ter um pai e um mãe com quem jantar no dia de ação de graças, ter lembranças bobas da infância como ralar o joelho e aprender a andar de bicicleta, e ter um trabalho sobre o qual eu sequer pensaria quando chegasse em casa, apenas abraçaria minha mulher e beijaria seu rosto sentindo a perfeição de cada segundo.

Eu talvez seria um homem melhor, talvez sorrisse para estranhos na fila, provavelmente não ficaria defensivo com qualquer expressão de simpatia, e talvez não fosse tão duro com os outros ou comigo mesmo. Talvez eu não sentisse que era falho demais, talvez não sentisse que por mais que eu lutasse eu não conseguia estar estável, e por mais que eu quisesse achar que nada me abalaria, aquela cicatriz, agora escondida por entre meus cabelos me lembrava do quão perto eu cheguei de perder o pouco que construí.

Eu queria ser simples e fácil. Queria ser um homem melhor. Mas não parecia que eu estava conseguindo. Eu passei semanas sem lembrar o rosto da mulher que eu amava, e nesse meio tempo eu a maltratei mais que a qualquer pessoa. Uma pequena falha, e eu não consegui estar lá. Eu empurrava meus problemas para ver depois, e por causa de um sinal vermelho, quase não houve depois.

As vezes parecia que eu estava mais perto de ser o que eu gostaria, mas também parecia irremediavelmente longe.

Dei mais alguns passos olhando um buquê de rosas brancas com as pontas levemente avermelhadas e minhas mãos correram por meus cabelos. Senti a cicatriz na ponta dos dedos, já havia feito isso tantas vezes que já sabia exatamente onde ela estava. Quantos amanhãs haveriam para que eu tentasse ser melhor? E quantos já se passaram sem que eu conseguisse? E quando não houvesse mais amanhãs, eu simplesmente não pensaria neles, ou saberia tudo que eu não fiz quando tive a chance?

― Klaus?

A voz soou bem do meu lado e me despertou dos meus pensamentos e eu me virei olhando-a.

― Kara.

Falei as palavras sem inflexão na voz. Não era uma pergunta, ou uma afirmação, era uma constatação do fato. O fato que era na verdade, a filha do meu pai biológico, que eu conheci e gostei antes de saber quem era ela. E que agora me olhava de um jeito estranho, não vendo um conhecido, ou mesmo um amigo, mas vendo um irmão que ela tentava reconhecer em mim. Ela sabia.

― Tudo bem? Faz tempo que não nos víamos.

Ela tentou sorrir um pouco, mas eu não sorri. Por dois motivos: porque ela era minha irmã, e porque ela era minha irmã. Primeiro ela era minha irmã e eu não a conhecia, sequer sabia de sua existência até poucos meses atrás. E segundo, ela era minha irmã e eu só conseguia ficar na defensiva, erguendo meus sólidos muros de hostilidade ao meu redor.

― Sim.

Respondi secamente.

― Vim comprar flores para minha mãe.

Explicou ela me mostrando um grande buquê de azaleias em sua mãe.

E então um grande impasse se instalou dentro de mim. O que responder? Interessante? Não, porque não era interessante para mim. Bom? Eu não a conhecia, como poderia saber o que seria bom?

― É aniversário dela, papai e Sean ficaram em casa preparando o jantar e eu vim pegar as flores.

― Bom.

Bom. Era bom receber flores no aniversário, pensei.

Olhei de novo para o buquê de rosas, e minha postura rígida fazia o suficiente em dizer que eu não estava interessado em conversa, Kara permaneceu parado ao meu lado, e imaginei que ela diria que precisava ir ou qualquer coisa do tipo.

― Quer jantar conosco?

Isso não era definitivamente o que eu esperava, então eu me virei para ela e ergui uma sobrancelha.

― Quer que eu vá no jantar de aniversário da sua mãe?

Meu tom era aborrecido e até irônico, um leve rubor se espalhou por seu rosto e ela olhou para as flores em seus braços.

― E porque você pensaria que isso é uma boa ideia?

Perguntei ceticamente e então ela trocou o peso de uma perna para outra desconfortável, e eu imaginei que agora ela diria que precisava ir. Mas ela não o fez. Ao invés disso ergueu os olhos para mim, determinada.

― Eu sei que você não nos conhece, e que não existe razão nenhuma para você querer ir. Mas você é meu irmão, eu não conheço você, nem você me conhece, mas você é meu irmão. Isso pode não significar muito para você, mas significa para nós.

Ela sorriu quando terminou de falar, e eu sabia que aquilo poderia ser bom. Mas ainda não era. Ainda machucava.

― Eu mal conheço você e não conheço sua mãe. Então eu não acho que signifique coisa alguma eu estar lá.

Então me virei novamente e tirei o buquê da prateleira. Mas ela não saiu do lugar.

― Meu pai nunca pintou, nunca. Desde que eu me lembro. Eu sabia que ele tinha sido pintor, mas eu nunca o vi pegar um pincel. Até você aparecer. Até ele conhecer você. Então ele pintava e sorria enquanto fazia isso, e eu ficava encantada com aquilo. Você fez por ele algo que nunca conseguimos. E ele nos contou sobre você e mesmo tendo te visto uma única vez eu me senti grata a você pelo que você fez.

Eu encarava a prateleira a minha frente, meu peito se comprimia um pouco com um misto de tristeza e felicidade.

― Quando soubemos do seu acidente papai ficou arrasado, ele assistia TV cada segundo do dia, querendo saber notícias. Sempre que ouvíamos seu nome todos prendíamos a respiração ao mesmo tempo, com medo de que fossem más notícias. E a noite, quando nós já estávamos dormindo, minha mãe rezava por você, todas as noites, para que você ficasse bem. Então não sei se você sabe, mais significaria muita coisa você estar lá.

Então eu me virei para ela novamente, pronto para cortá-la de forma taxativa e ir embora dali. Mas foi como se um interruptor fosse desligado. De repente eu não queria afastá-la, nem empurrar meus problemas para a frente. Afinal, quantos amanhãs ainda haveriam?

― Você veio de carro?

Perguntei olhando por cima da sua cabeça, eu com certeza não conseguiria dizer muito mais coisas que isso, afinal falar sobre o que eu sinto não era o ponto forte da minha personalidade.

― Vim de táxi.

Ela respondeu eu acenei com a cabeça.

― Eu levo você.

Eu disse e então eu coloquei as rosas no lugar, ela passou no caixa com as flores e eu indiquei meu carro.

O caminho foi silencioso até sua casa, e isso foi bom. Me permitiu pensar, e me deu tempo para absorver tudo isso. Eu estava indo conhecer a família do meu pai biológico, não era tão terrível quanto eu imaginei que seria a sensação de estar aqui. Mas poderia ser mais estranho do que eu pensei também. Uma família feliz, na qual jogavam uma bomba como um filho desconhecido, não era promissor.

Peguei meu celular do bolso assim que estacionamos. Kara saiu e me esperou do lado de fora. Fiquei olhando seu nome na tela enquanto chamava, várias vezes, tanto que eu comecei a batucar os dedos no volante.

― Alô?

Atendeu ela e eu fechei os olhos, conseguindo sorrir um pouco, sua voz era um bálsamo para minha alma.

― Oi, onde você está?

― No estúdio, as fotos vão demorar um pouco mais do que pensei.

Suspirou ela e eu olhei para a casa suspirando também.

― Acho que não vou chegar a tempo do jantar, sinto muito. Mas posso lamber a sobremesa do seu peito se você quiser...

A voz dela soou mais baixa e até um pouco ofegante e eu sorri de novo.

― Me subornado com favores sexuais Caroline? Você deveria se envergonhar...

Ela riu junto comigo e eu me senti bem mais calmo.

― Não se funcionar...

― Considere-me convencido. Nós vemos mais tarde.

Respondi a ela.

― Klaus, está tudo bem?

Sua voz perdeu um pouco o tom de piada e senti preocupação por mim, e eu me perguntei como ela conseguia me entender assim, sem sequer estar comigo, ela parecia saber quando algo não estava bem.

― Em casa conversamos.

Respondi, porque na verdade não tinha certeza se realmente estava tudo bem.

― Amo você.

Falou ela e desligou e isso com certeza fez com que eu me sentisse melhor, então abri a porta e saí. Podia ser bom, isso era uma possibilidade. A outra era que fosse ruim, mas se fosse, eu ficaria bem. Eu tinha Caroline e tinha aprendido que as coisas podiam sempre ficar bem.

Então caminhei ao lado de Kara pelo curto jardim até a entrada da casa.

Ela abriu a porta e eu entrei atrás dela. O cheiro de bolo de carne e batatas assadas dominavam o ambiente e eu parei um pouco olhando em volta. A sala era espaçosa e... aconchegante. Dois sofás grandes e uma poltrona estavam de frente para uma lareira, que estava acesa e fazia uma luz vermelha se espalhar pela sala. Ergui meus olhos e vi muitas fotos em cima da lareira dei um passo a frente mas parei. Nas paredes haviam vários quadros, e em uma delas uma prateleira cheia de medalhas e troféus.

― Eles estão na cozinha.

Falou Kara tocando meu braço e eu me virei mas não andei. Minhas pernas estavam travadas. Eu podia ver aqui naquela sala uma família, com uma vida simples e fácil, risos e brincadeiras. Histórias antes de dormir, beijos roubados enquanto preparavam o jantar. Simples e fácil. E eu estava ali, no meio da sala deles, tentando entender como seria viver assim, tão drasticamente fora da minha realidade que parecia outro mundo.

― Kara você conseguiu encontrar as...

A frase de Andrew parou no meio quando ele me viu. Nossos olhos se cruzaram e ele deu um passo a frente, eu me retesei e ele parou, seus olhos marejaram e ele abriu a boca como se fosse falar, mas não disse nada.

Ouvi alguns passos vindo pelo corredor, então uma mulher surgiu ao lado de Andrew. Ela era baixinha, com cabelos loiros e rugas ao redor dos olhos castanho claros, ela piscou algumas vezes quando me viu, e eu pensei que tinha sido uma ideia terrível ter vindo aqui.

― Ah meu Deus você está bem!

Ela quase gritou ao lado de Andrew e correu até mim me dando um abraço tão apertado que expulsou o ar dos meus pulmões.

― Eu fiquei tão preocupada quando vi aquelas coisas na Tv.

Disse ela ainda me abraçando com força, sua cabeça mal chegava a meu ombro e ela parecia genuinamente feliz por eu estar bem.

Então ele se afastou um pouco de mim, uma lágrima escorria pelo canto do rosto e ela sorriu. Depois segurou meu rosto com ambas as mãos e virou olhando o cabelo.

― Eles disseram que você machucou a cabeça, ainda dói?

Perguntou ela e eu estava tão chocado que nem consegui responder. Então mais alguém entrou na sala, dessa vez um garoto, parecia ser um pouco mais novo que Kol, seus cabelos eram curtos mas ele parecia extremamente com a mãe, quando sorriu de orelha a orelha isso ficou ainda mais acentuado. Então ele veio até mim e socou meu ombro.

― Você nos deu um belo susto! Eu pensei que seria um azar descomunal, ter acabado de encontrar um irmão e ele ser achatado dentro de um carro.

Falou o garoto ainda sorrindo e eu olhei atônito para aquela família.

― Sean! Ele não foi achatado! Que coisa feia de se dizer!

Reclamou a mulher e eu travei os dentes tentando não sorrir. Mas pelo amor de deus, achatado dentro de um carro? Eu? Foi exatamente assim que me senti, mas ouvi as palavras alto parecia ridículo demais para ser verdade.

― Sinto muito querido, ele só está brincando.

Falou ela e tocou meu rosto. Querido? Porque eles me tratavam assim, como se eu fosse um deles? E não um estranho que de fato era verdade? Kara limpou a garganta ao meu lado.

― Mamãe, vocês estão assustando ele.

Eu realmente estava assustado. Estava preparando para cordialidade, ou até mesmo hostilidade. Mas não estava pronto para esse carinho, não estava pronto para essa família que parecia achar que eu já fazia parte deles.

A mulher ficou meio constrangida, mas segurou meu braço.

― Vamos jantar, aposto que vocês estão famintos.

Então ela me puxou para cozinha.

― Eu estou!

Falou Sean atrás de mim, ao que Kara revirou os olhos.

― Você está sempre faminto.

Então eu me vi cercado por eles e quando me dei conta já estava a mesa. Andrew me olhava em silêncio, mas sorria o tempo todo.

― Vamos agradecer Susie.

Falou ele, então eles deram as mãos e Susie agarrou a minha também.

― Obrigada senhor por nosso jantar.

Falou ela e todos repetiram exceto eu, que ainda tentava digerir o que estava acontecendo.

― E obrigada por mais um ano de vida, e esse ano, um obrigada especial por nosso querido Klaus estar comemorando conosco e bem. Amém.

Ela terminou a oração e começou a servir o jantar. A essa altura eu duvidava que conseguiria comer coisa alguma. Eu não esperava que fosse assim, e aquilo estava me apavorando. E mais ainda, não esperava me sentir tão bem com a estranha receptividade dessas pessoas.

― Então Klaus, como está a Caroline?

Kara me perguntou e eu ergui os olhos do garfo que eu analisava.

― Está bem.

Respondi simplesmente, eu não sabia o que mais conversar com eles, então achei que a melhor opção era estar com a boca ocupada, enchi um pouco mais o garfo e enfiei na boca, mastigando bem lentamente.

― Precisa trazê-la aqui para conhecermos sua esposa Klaus.

Comentou Susie ao meu lado e eu acenei com a cabeça.

Eles falavam, muito. Todos eles, exceto Andrew que ainda me olhava cautelosamente, como se tivesse medo que eu explodisse bem ali na sua mesa e jantar. E eu o entendia, afinal da última vez que conversamos eu o expulsei da minha casa. Mas agora tinha algo um pouco diferente. Mesmo que essas pessoas fossem calorosas demais, muito mais que eu estava acostumado. Eu estava pronto para dar uma chance. Eles também faziam parte da minha família.

― Você tem pintando filho?

Perguntou Andrew e eu parei o garfo no ar, levei alguns segundos para conseguir olhar para ele.

Filho? Eu era filho dele, mas não pensei que queria ouvi-lo me chamar assim, e não pensei que os sentimentos explodiriam assim. Tanto que eu parecia quase incapaz de falar. Então coloquei o garfo no prato e me levantei.

― Com licença.

Eu precisava de um pouco de ar.

Abri a porta da frente e sai respirando profundamente.

― Filho?

Chamou Andrew as minhas costas e eu estremeci um pouco.

Era bom. Ser chamado de filho. Com o real significado da palavra. Ouvir aquele tom de preocupação e carinho que os pais tem pelos filhos. Ouvir aquilo dirigido a mim. Não para me chamar, ou para perguntar algo. Era mais como se ele quisesse me dizer que ele estava aqui.

Então eu mi virei para ele, senti as lágrimas arderem em meus olhos.

― Eu pensei que não queria ter você na minha vida, pensei que só me machucaria como todos os outros que já fizeram isso.

Então ele deu alguns passos em minha direção e segurou meus ombros.

― É isso que nós somos filho. ― Falou ele fazendo o gesto de cabeça para dentro da casa. ― Uma família, e queremos que você faça parte dela. E mais que tudo, eu quero que você seja meu filho, quero te dar o pai que você merece ter, nunca mais eu vou te magoar Klaus, e vou estar aqui por você, sempre.

Então ele me abraçou, seus braços ao redor de mim reafirmavam suas palavras. Ele era meu pai, e estaria aqui por mim. Então eu o abracei de volta.

Pela primeira vez desde que eu descobri a verdade sobre ele, eu me permiti sentir meu pai, sentir que eu tinha um pai que me amava.

― Eu amo você filho, e sempre vou amar. Me perdoe por não ter estado lá para te proteger.

Meus olhos se fecharam e eu senti lágrimas escorrendo por meu rosto. Porque ele me protegeria, me colocaria para dormir e perguntaria se eu estava bem. Andrew podia ser meu pai, e o estava sendo agora.

― Eu perdoo você.

Respondi baixo e não dissemos mais nada. Não dissemos mais nada até enxugarmos nossos rostos, voltarmos para a sala jantar, e de novo ouvi-los tagarelar e me incluir na conversa como se sempre tivessem feito isso. Não foi preciso dizer nada quando Susie enfiou um pedaço de bolo nas minhas mãos para levar para Caroline e puxou meu rosto me dando um beijando. Nem quando sai de carro enquanto eles acenavam da porta.

Cheguei em casa e fui para o quarto, deixei o bolo em cima da cama e fui para o banho, ainda sorrindo. Deixei a água escorrer por meu corpo e apoiei minhas mãos nas paredes. Então ouvi o Box abrindo e as mãos de Caroline envolverem minha cintura.

― Oi.

Disse ela e eu sorri mais ainda, entrelaçando meus dedos nos seus.

― Oi.

Ela beijou minhas costas e eu suspirei feliz com seu toque.

― Como foi seu dia?

Perguntei a ela.

― Ser fotografada é mais divertido do que eu pensei, meu dia foi ótimo. Trouxe algumas fotos para você ver.

― Que ótimo.

Respondi me virando e puxando seu corpo para mais perto e beijei seu pescoço.

― E o seu?

Perguntou ela beijando meu peito.

― Muitas reuniões chatas, e eu jantei com meu pai e a família dele.

Falei isso casualmente, mas então ela se afastou e me olhou sorrindo.

― E como foi?

― Eles conversam muito, e são amorosos demais, me fizeram até trazer bolo para você.

Eu revirei os olhos, mas não estava o mais remotamente aborrecido.

― Ou seja, basicamente uma família.

Falou Caroline. Eu a puxei de novo apoiando o queijo em sua cabeça e deixando seu corpo quente me abraçar e me transmitir seu amor.

― Basicamente uma família.

Repeti sorrindo de novo e respirei aliviado e feliz. Tinha sido um ótimo dia.