Notas iniciais
Hey gente! To super em dívida com vcs e sinto muitíssimo por isso, mas não pretendo nem vou de maneira alguma abandonar a fic, só estou tendo problemas em encontrar tempo para escrever. Por isso tenham paciência e não desistam dela também. Bjos e boa leitura.

Klaus

Eu sempre achei que seria complicado ver o rosto de Caroline nos Outdoors. Porque normalmente os modelos que estavam lá não pareciam reais, eram apenas personagens representado algo. E eu não desejava vê-la dessa forma. Não queria ver uma pessoa diferente no rosto da minha mulher.

Porém surpreendentemente não era assim que eu me sentia ao encarar seu rosto um pouco além da janela do carro. Ela sorria e olhava para a câmera, mas eu podia vê-la ali, a mulher que eu amava, seu sorriso sincero e sua beleza natural que eu tanto admirava, e que no momento podia ser admirada também por todas as pessoas que passavam.

O carro seguiu seu caminho e aos poucos a imagem dela ficou mais distante e em segundos eu a perdi.

Me recostei no assento. Era bom contemplar minha vida da maneira que estava agora, quer dizer, não pensar tanto em trabalho e sim em chegar em casa, conversar, sorrir ou até mesmo brigar com Caroline. É surpreendente observar como coisas pequenas e banais nos fazem felizes, e em como você pode depender delas para ter um bom dia. E ainda mais surpreendente o quanto as coisas ruins perdem a força se não nos deixarmos engolir por elas.

O motorista abriu a porta e eu desci do carro indo em direção a entrada. Assim que a vi, senti uma leveza no peito e fui caminhando devagar em direção a porta, com uma impaciência tão sutil que eu demorei bastante a me dar conta. Aquela euforia contida, mas ao mesmo tempo gratificante de quando sentimos que voltamos ao nosso lar.

A alguns anos minha casa era um ambiente transitório, apenas servia para eu me trocar e dormir no meio tempo de ir trabalhar e ir para alguns bares de vez em quando. Mas hoje era algo desejado e recebido com festa.

Mas como nada era perfeito mesmo, entrei em casa para encontrá-la vazia. Subi para o quarto e tirei o paletó, tirando meu celular do bolso, só então me dando conta do alerta de mensagem. Sentei na cama e levantei o rosto para o quadro de Caroline que agora tinha voltado para o nosso quarto. Abri a mensagem.

“Hey Klaus, eu vou chegar um pouco mais tarde hoje, as fotos demoraram um pouco mais do que deveriam”

Franzi a testa aborrecido.

“Eu sei que você acabou de franzir a testa... Mas prometo que não vou demorar. E assim que chegar vou beijar muito você até passar certo?”

Sorri involuntariamente. Desde quando eu tinha virado essa massa de hormônios masculinos totalmente manipuláveis por Caroline?

“Amo você.”

Completou ela e a mensagem terminou.

E eu me dei conta do momento em que me tornei um homem totalmente entregue. No momento em que aquelas palavras saíram dos seus lábios.

No segundo em que eu percebi que era amado, e mais ainda. Que eu desejava ser amado. Joguei o celular na cama e fui para o banho, mesmo eu querendo me aborrecer por ela estar aqui eu não conseguiria.

Porque ela chegaria feliz, me contando como foi seu dia, e eu acabaria feliz junto com ela. Eu não concordei muito com toda essa história de modelo no inicio, mas isso fazia um bem tão grande para ela que hoje já era impossível que eu não aprovasse.

Mesmo querendo esconde-la do mundo e protegê-la de todas as formas eu agora via que não daria certo por muito tempo. No segundo que ela começou a aparecer para o mundo não em fotos tiradas rapidamente ou em momentos difíceis, mas sim sorrindo e olhando com confiança para a câmera, todos começaram a ver como eu a via. Linda, confiante e segura. Pronta para mostrar para o mundo que não era uma garotinha ferida e sim uma mulher forte e poderosa.

Nossos horários estavam se chocando as vezes, mas sempre que estávamos juntos, cada segundo separados parecia distante e sem importância, e era isso que me importava.

Sai do banho e vesti uma calça no closet, enquanto terminava de abotoar a calça ouvi o som estridente e insistente do telefone. Devia ser Caroline, avisando que ia se atrasar ainda mais, fui para o quarto já pensando no que ela poderia fazer para me compensar por isso, mas assim que o fiz vi um número desconhecido.

― Alô?

Perguntei, quando atendi a chamada.

― Klaus? É a Katherine.

Ergui uma sobrancelha sem entender.

― Oi Katherine, está tudo bem?

Ela demorou um pouco de responder e eu mudei o peso de uma perna para outra.

― Está... eu acho. Olha, o Elijah está aí com você?

Seu tom era normal, mas uma ansiedade misturada a preocupação era perceptível em suas palavras.

― Não. Por quê?

Ela deu um suspiro desapontada.

― Por nada, quer dizer, provavelmente não é nada. É só que ele ficou de buscar a Amy na escola e não foi, ele não costuma fazer isso, e ele também não está atendendo o celular.

Andei um pouco pelo quarto com os alarmes de preocupação soando insistentes em minha cabeça. Elijah era um homem consistente, e até certo ponto, previsível. Com certeza não era do seu feitio sumir sem dar notícias a suas esposa.

Katherine respirou fundo do outro lado da linha.

― Eu vou continuar tentando entrar em contato mas se ele ligar para você ou aparecer me avisa está bem?

― Tudo bem e assim que ele chegar você me liga também.

Eu desliguei o telefone mas não consegui relaxar, desci para o escritório e enchi um copo com uísque, enquanto verificava com o escritório se Elijah ainda estava lá. Mas ele não estava, segundo a segurança do prédio ele saiu de lá cinco da tarde, exatamente quando deveria buscar Amy na escola. Então para todos os efeitos ele tinha a intenção de fazê-lo, só que alguma coisa o impediu de fazer isso.

Disquei o número dele, sem esperar muita coisa, mas não consegui deixar de me desapontar e me preocupar ainda mais quando caiu na caixa de mensagens.

Bebi todo o uísque do copo num gole, sentindo queimar minha garganta enquanto passava, eu queria conseguir ser otimista, e pensar que tudo ia ficar, mas não era da minha natureza esperar o melhor, e eu não conseguia parar de pensar que alguma coisa muito grave estava acontecendo com meu irmão naquele mesmo segundo.

Continuei andando pelo escritório de um lado para o outro esperando o telefone tocar e ter alguma boa notícia, porém isso não aconteceu, depois de quase duas horas esperando eu peguei as chaves do carro e me dirigi até o apartamento deles. Embora eu achasse improvável, talvez ele tenha chegado e eles apenas tenham esquecido de me ligar.

Quando toquei a campainha a porta foi aberta quase no mesmo segundo, Katherine sorriu com esperança porém esse sorriso sumiu no momento em que ela me viu.

― Nenhuma notícia?

Perguntei enquanto entrava, olhei em volta da sala e vi Amy sentada no sofá abraçando os joelhos e olhando para a porta.

― Nada. ― Respondeu Katherine ― Eu estou tentando não ficar assustada mas está ficando cada vez mais difícil.

Fui até o sofá e tentei sorrir para Amy.

― Olá pequena, como está?

Ergui os braços e a peguei no colo, ela me apertou com força, mas seu pequeno rosto estava anormalmente sério.

― Oi tio.

Respondeu ela e eu dei um beijo em sua bochecha enquanto passava as mãos em seus cabelos.

Me voltei para Katherine, a preocupação obscurecia seus olhos e a tensão era palpável. Tanto em mim quanto nela.

― Vamos para a minha casa, é melhor que fiquem conosco, enquanto tentamos descobrir o que fazer.

Ela balançou a cabeça em negativa.

― E se ele chegar e não estivermos aqui?

― Avisaremos ao porteiro que se ele chegar ele deve nos ligar imediatamente, mas agora não é bom que fiquem aqui esperando Katherine, principalmente pela Amy.

Ela continuava com os bracinhos apertados em volta do meu pescoço, e mesmo que ela não compreendesse a real gravidade da situação, ela estava assustada e preocupada com o pai.

O olhar de Katherine caiu sobre a filha em meus braços, e mesmo parecendo achar que não deveria, ela concordou e saímos de lá.

Enquanto eu dirigia para casa comecei a pensar nas opções que tínhamos no momento. Primeiro tentar localizar o carro, nossos carros eram monitorados pela seguradora, então não deveria ser muito difícil descobrir onde estava.

Estacionei na garagem, e entramos em casa, Katherine foi a cozinha preparar um pouco de leite para Amy enquanto eu ligava para a seguradora. Eles disseram que iam acionar o GPS e me ligariam de volta em vinte minutos. Enquanto eu desligava o telefone vi Caroline entrar, ela deu um grande sorriso para mim, mas eu estava angustiando demais para responder então apenas fui até ela e a puxei para meus braços apertando-a o mais forte que pude e inspirando seu cheiro, para trazer um pouco de calma ao caos que eu sentia prestes a chegar.

― Oi. ― Falou ela me abraçando também e dando um beijo em meu pescoço. ― Tudo bem?

― Não.

Respondi, e resumi com poucas palavras a falta de notícias de Elijah e a preocupação crescente de que algo estivesse acontecendo, ou que já tivesse acontecido.

Seu rosto foi ficando sério e ela apertou os dedos nos meus.

― Vai ficar tudo, vamos descobrir onde ele está.

Falou ela e eu consegui sentir um pouco, por breves minutos eu consegui sentir que as coisas ficariam bem e que provavelmente toda essa preocupação era em vão.

Mas essa sensação boa durou pouco, a seguradora ligou dizendo que localizaram o carro a quase 200 quilômetros do escritório, não havia sinais de arrombamento, mas o aparelho de som e o GPS foram roubadas e a chave estava na ignição.

Desliguei o telefone com a boca seca olhando para Caroline na minha frente, enquanto Katherine e Amy voltavam a sala.

Tínhamos noticias não tínhamos? Uma luz de que algo realmente aconteceu, e agora que sabíamos de fato ficaria mais fácil lidar com isso. Porém a verdade por trás daquela simples informação, era que podia ser tarde. O carro não foi arrombado, ele foi roubado, o que significaria dizer que Elijah estava no carro quando o fizeram, mas não estava mais por perto. Então eis a pergunta terrível, que eu queria a resposta mas ao mesmo tempo tinha medo de ouvi-la: Onde ele estaria?

― Klaus? A seguradora ligou?

Perguntou Katherine se aproximando e então eu olhei para Amy, ela também estava em expectativa, parecia esperar que eu lhe desse boas notícias, mas estas infelizmente não eram, e enquanto não soubéssemos de fato o que estava havendo, eu não podia assustá-la, era o mínimo que eu poderia fazer.

― Porque não leva a Amy lá para cima Caroline, aposto que ela vai adorar ver suas roupas de modelo.

Falei forçando um sorriso para ela, Caroline apertou meus dedos e não disse nada, apenas foi até Amy e a pegou no colo. Katherine me encarava sem piscar e eu a encarei de volta.

― Aposto que você vai ficar mais bonita que eu nas roupas Amy, o que acha?

Falou Caroline enquanto elas subiam as escadas.

― Acharam o carro.

Ela colocou as mãos na boca e deu um passo a frente.

― Ele... estava lá?

― Não. Mas o carro não foi arrombado, a chave ainda estava na ignição, isso quer dizer que foi roubado e ele estava no carro.

Ela assentiu e uma lágrima rolou por seu rosto.

― E o que fazemos agora?

Mas antes que eu pudesse responder meu celular tocou de novo, eu o atendi rapidamente.

― Alô?

― Sr. Mikaelson? Temos mais notícias a respeito do veículo que encontramos.

― Sim?

― Nós enviamos nossos peritos no local e... foram encontradas manchas de sangue no porta malas do carro. Eu sinto muito.

Fechei meus olhos no mesmo segundo.

Eu sinto muito.

Era isso que dizíamos quando algo muito ruim aconteceu a alguém, algo que não poderíamos fazer coisa alguma, apenas dizer “Eu sinto muito”. E esperar que em algum momento as coisas ficassem melhores.

Eu sinto muito queria dizer isso não é? Coisas muito ruins.

Coisas muitos ruins que aconteceram com meu irmão.

Eu senti como se garras afiadas se enterrassem em meu peito, eu as senti me sufocando e me fazendo sangrar.

Finalizei a ligação sem nada dizer, quando finalmente abri os olhos Katherine me olhava, esperando que eu dissesse algo, que eu a fizesse ter esperanças, ou que acabasse com ela completamente. E me lembrei de quando eu estava perdido, em coma em uma cama de hospital, sem saber se voltaria. Elijah esteve lá por Caroline, ele a ajudou a seguir, e ele merecia de mim que fizesse o mesmo por elas agora. Que estivesse ali e as fizesse crer até não haver mais chance alguma.

― Vamos ligar para as delegacias e hospitais. Ele pode ter procurado a polícia ou ter se machucado durante o assalto. Não sabemos se deixaram a carteira dele, então até onde sabemos ele pode estar sem identificação e precisa que nós o encontremos.

Ela acenou com a cabeça e partimos para o escritório. Ela foi na minha frente, meus passos estavam um pouco mais lentos e incertos.

Eu não estava mentindo, ele poderia estar numa delegacia ou hospital, mas eu sentia como se estivesse escondendo dela coisas muito importantes, coisas que eu no lugar dela precisaria saber. Mas até onde eu conseguiria manter viva a esperança delas lhes contando algo que quase acabou com a minha?

Engoli em seco e forcei meus pés a seguirem adiante, quando entramos em meu escritório não dissemos coisa alguma, apenas pegamos a lista telefônica e iniciamos nosso trabalho. Aos poucos as palavras “Preciso que verifique se um homem de aproximadamente 30 anos deu entrada está noite”, saiam automaticamente e ecoavam em nossas cabeças. No começo nos permitíamos alguma esperança, quando recebíamos alguns “Sim, vamos verificar”, mas com o passar dos minutos até essa pequena esperança parecia se esvair e ser até dolorosa.

Nossos dedos trabalhavam silenciosamente nas teclas do telefone, algumas vezes nossos olhos se encontravam e eu não sabia bem se o que eu via nos olhos de Katherine era determinação ou desespero, mas tinha cada vez mais a sensação que com o tempo, esses dois sentimentos se confundiam até mesmo nos meus.

Descansei o telefone por um momento olhando o último número da lista, sabendo que eu deveria terminar logo com isso, mas ao mesmo tempo com medo de ser só mais uma decepção. Caroline chegou na porta e eu ergui os olhos para ela, seu rosto estava limpo e ela vestia uma calça folgada e camiseta.

― Tentei fazê-la dormir mas ela está chamando você.

Falou ela para Katherine que deixou o telefone na mesa, talvez até com certo alívio.

― Vou ficar um pouco com ela.

Murmurou para nós sem se virar e saiu do escritório, então Caroline olhou para mim novamente e eu estendi os braços. Não precisei dizer nada, mas ela veio para meus braços e se aconchegou em meu corpo. Eu apertei-a contra meu peito e fechei os olhos por um momento.

― Alguma notícia?

Perguntou baixinho, e eu inspirei seu cheiro, tentando me acalmar um pouco.

― Até agora nada.

Então ela se apertou um pouco mais em meus braços e eu beijei sua testa me afastando um pouco para pegar o telefone, mas ainda sim entrelacei meus dedos aos dela, pouco tempo depois acabei percebendo que eu parecia estar me preparando para notícias ruins.

― Preciso que você verifique se um homem de aproximadamente trinta anos deu entrada esta noite.

Repeti monotonamente a mesma frase, esperando a mesma resposta. Ouvi um bocejo do outro lado da linha.

― Um momento.

A voz do outro lado soou estridente e preguiçosa, e eu revirei os olhos de novo. Porque parecia tão fácil ser o portador de más notícias? Aquele tom monótono é o mesmo que diria a uma mãe que seu filho acabou de morrer, ou a uma esposa que seu marido estava em coma. Apenas repetir frases ensaiadas, num tom lento e desagradável. Parecia fácil.

― Senhor?

Repetiu aquela voz insuportável e eu quase desliguei o telefone antes que ela dissesse qualquer coisa.

― Um homem deu entrada aqui mais cedo, ele não tem identificação e está desacordado, o senhor sabe alguma outra característica?

Eu apertei tanto os dedos de Caroline que provavelmente devo tê-la machucada, mas a sensação era de algo prestes a explodir muito próxima a mim e eu não saberia mais nem mesmo onde eu estava.

― Como ele está?

Perguntei apertando mais o telefone em meu ouvido.

― Desacordado Senhor, preciso que me dê alguma outra característica para que eu verifique.

― Eu estou indo para aí.

Desliguei o telefone e puxei Caroline de novo para meus braços, agora eu finalmente conseguia respirar.

― Eu tenho que ir até lá, preciso ter certeza de que é ele.

Depois beijei seu rosto, peguei meu casaco e sai o mais rápido que conseguia me movimentar.

Caroline

Fiquei parada no meio do escritório observando Klaus sair. Ele parecia esperançoso, mas a preocupação ainda carregava suas feições, e isso só poderia significar que o que quer que tenham dito a ele não eram totalmente boas notícias.

Me abracei sentindo um pouco de frio naquele cômodo, e decidi subir. Ficar um pouco com Katherine e Amy.

Provavelmente era melhor não dizer nada a elas ainda, pelo menos até que eu tivesse certeza de que Klaus descobriu alguma coisa boa.

Porque era tão difícil ficar bem por um tempo?

Pensei enquanto subia as escadas.

O universo devia ter o senso de humor de um garotinho perverso que queima as formigas com uma lupa.

Nossa vida parecia uma grande tempestade. Quando pensamos que estamos nos estabilizando, uma onda enorme nos atira para todo lado e tudo sobre os nossos pés parece incerto e aterrorizante.

Bati na porta do quarto e entrei, Katherine estava sentada de pernas cruzadas na cama enquanto Amy dormia tranquilamente, ela levantou os olhos quando eu entrei, mas logo abaixou e observou atentamente a filha. Eu me aproximei e sentei na ponta da cama.

― Ela me acalma.

Falou ela e eu olhei seu rostinho também.

Tudo sobre os nossos pés era incerto e aterrorizante, mas tínhamos pessoas que amávamos e nas quais poderíamos nos agarrar até que estivéssemos seguros e firmes.

― Eu estou grávida.

Falou Katherine e fitei seu rosto surpresa.

― Minha nossa, isso é ótimo, meus parabéns!

Ela sorriu um pouco e levantou a mão tocando a cabecinha de Amy.

― Eu não contei para o Elijah. Achei que teríamos tempo. Quando eu descobri pensei em contar logo, mas brigamos por uma bobagem qualquer que eu sequer me lembro, no dia seguinte eu estava exausta, e achei que poderia deixar para o dia seguinte, depois achei que devia fazer algo de especial, e agora... Parece que não temos mais tempo.

Um nó se formou em minha garganta e eu me aproximei segurando suas mãos.

― Vamos encontrá-lo Katherine.

Ela acenou, mas minhas palavras não pareceram fazer efeito algum.

― Eu esperei quatro anos para contar a ele que tínhamos uma filha, e agora esperei para contar que estava grávida. E não consigo deixar de me perguntar, o quanto mais eu vou esperar, para me dar conta de que a vida não vai esperar mim? E que talvez, o homem da minha vida nunca vai saber sobre o pedacinho dele que está dentro de mim?

Os olhos de Katherine se encheram e lágrima e eu apertei seus dedos nos meus.

Mas não soube dizer mais nada.

Na verdade não pude.

Porque a terrível verdade era que nossas vidas eram uma grande estrada, e fazíamos aquela longa viagem no escuro, sem saber ao certo onde vamos, nem os obstáculos que teríamos que enfrentar no caminho, apenas tentávamos não nos perder nas curvas e sempre seguir adiante.

Mas eu entendia como ela se sentia. Devastada e impotente, sem saber se existia algo a fazer, apenas esperando e sentindo nossos corações se dilacerando os poucos.

Me aproximei um pouco mais e a puxei para um abraço.

― Eu não sei te dizer o que vai acontecer, nem se vai ficar tudo bem. Mas você não está sozinha. Vamos fazer o possível para ajudá-lo e trazê-lo para casa e estamos aqui com você, está bem?

Ela acenou e um soluço se formou em sua garganta.

Mas eu continuei abraçando-a, enquanto os minutos passavam, e esperávamos que nossos homens voltassem para casa.