Notas iniciais
Hey gente! Cap novo! Boa leitura!

Caroline

Eu me sentia calma e feliz. Com os braços de Klaus ao meu redor me embalando gentilmente eu tive a primeira noite de verdadeiro descanso em semanas.

As coisas estavam voltando aos eixos devagar, era como ver o sol surgir depois de uma tórrida tempestade. Sorri ainda de olhos fechados e me virei em seus braços tocando seu peito. Quando abri lentamente os olhos vi que Klaus já estava acordado e me olhava com um pequeno sorriso nos lábios. Vê-lo assim depois de tudo que aconteceu me deixou tão feliz que até meus dedos dos pés se curvaram ante a intensidade daquela emoção.

― Bom dia.

Falou ele beijando a ponta do meu nariz.

― Bom dia. Dormiu bem?

Perguntei a ele e ele negou rapidamente.

― Minha mente parece querer recuperar a atividade das últimas semanas e não consegui dormir muito.

Meu sorriso diminuiu um pouco. Não era fácil. De maneira nenhum. Klaus passou semanas sem saber o que tinha acontecido com sua vida, e agora estava tentando equilibrar o que ele se lembrava, e mais as coisas que ele aprendeu a sentir quando não lembrava.

― Quer conversar sobre isso?

Ele esticou mão e acariciou meus cabelos.

― Eu adoraria dizer que não, mas ignorar não vai fazer com que os problemas sumam.

Concordei com a cabeça enquanto ele olhava por cima da minha cabeça.

― Preciso acertar as coisas com meu pai.

Falou ele, e então eu percebi o quanto aquele termo era subjetivo nessas circunstâncias, e ele pareceu perceber também pois suspirou,

― Com os dois. Preciso deixar de lado minhas mágoas e ver como as coisas podem ficar entre mim e Andrew. Mas antes disso também preciso por um ponto em tudo que aconteceu entre mim e Mikael.

― Você vai contar para seus irmãos?

Perguntou meio sem querer, porque pela expressão um tanto cansada ele parecia ter passado a noite pensando nisso, e no entanto não ter idéia do que fazer.

― Ainda não sei. Os Mikaelson são conhecidos por enterrar certas verdades, mas eles merecem saber o que aconteceu, acontece que tenho medo do que isso vai fazer com eles. Quebrar os frágeis laços que ainda unem minha família.

Eu segurei seu rosto e o fiz me olhar.

― Só é possível quebrar laços que já estejam estragados, os que forem verdadeiros continuaram lá.

Falei e ele concordou com a cabeça, depois beijou minha testa e se levantou.

― Para onde você vai?

Perguntei enquanto ele entrava no banheiro.

― Preciso trabalhar. Já passei tempo demais longe da minha empresa.

Fiquei parada olhando para a porta fechada. E esse era o Klaus, mal tinha recuperado a memória e se recuperado do acidente e já queria estar no controle de tudo outra vez. Eu tinha lutado ferrenhamente com ele nas últimas semanas para mantê-lo longe do trabalho, mas eu sabia reconhecer uma batalha perdida quando via uma, ele não ficaria em casa nem que eu o algemasse na cama.

Então apenas me levantei e fui me preparar para o trabalho também. Quer dizer, se é que eu ainda tinha um. Pois falei com meu chefe sobre precisar ficar fora por um tempo, até Klaus melhorar, ele concordou nos primeiros dias mas depois parecia muito insatisfeito com nosso arranjo. Eu amava meu trabalho, mas também amava meu marido e ele era minha prioridade.

Mesmo assim troquei de roupa e peguei uma carona com Klaus para o escritório. Thomas já tinha se recuperado e foi dirigindo. Desci do carro pensando o quão bom era voltar aquela simples rotina, depois de me ver sem ela, até aquela carona para o trabalho e os resmungos de Klaus sobre eu não dever trabalhar me fizeram falta.

Assim que entrei no prédio soube que havia algo errado, o segurança me parou e me pediu que o acompanhasse. Não soube o que fazer, apenas o segui, mas quando nos dirigimos para a sala do RH não tive dúvida do que aquilo significava.

Então depois de algumas desculpas esfarrapadas sobre ter contratado uma pessoa com o perfil mais adequado que o meu eu sai de lá com uma caixa com alguns pertences e um cheque de indenização que eu sequer abri para saber de quanto era.

Peguei um táxi e voltei para casa, tentando organizar as idéias e o que eu deveria fazer dali para frente. Pensei em ligar para Klaus, mas provavelmente não seria uma boa idéia. Aquilo reascenderia uma velha discussão e eu não queria que aborrecimento nenhum estourasse nossa bolha pelo menos por enquanto.

Eu arranjaria outro trabalho, sempre fazia isso. Apesar de não ter formação eu sempre adorei conhecer coisas e aprender diversas delas. Até escolher algo que eu iria querer fazer pelo resto da vida. Isso eu aprendi com minha mãe. Ela sempre me disse que ser bom naquilo que se faz, não significar ser feliz com aquilo. E que eu deveria ser feliz com meu trabalho, não apenas boa. Então agora mais que nunca eu arregaçaria as mangas e começaria tudo de novo.

Decidida, eu coloquei a caixa com minhas coisas no closet e resolvi fazer algo para me ocupar até que Klaus chegasse. Então reorganizei nossas roupas nos armários, enchi o escritório dele com fotos nossas e fui fazer um jantar. Fiz espaguete a puntanesca (um dos poucos pratos que eu sabia fazer bem), e como ainda tinha um tempo decidi fazer alguns cupcakes para sobremesa.

Coloquei uma música e estava rodopiando pela cozinha quando meu celular deu um alerta de mensagem, tentei fazer um moon walker para chegar até ele mas acabei tropeçando e quase caindo no chão. Profissão de dançarina: descartada.

Peguei o celular e vi que era uma mensagem de Klaus.

“Vamos jantar com os Mikaelson hoje. K.”

Engoli em seco e fui enfiar o espaguete na geladeira, mas meus dedos pareciam meio dormentes.

Eu queria apoiar Klaus com isso, e estaria lá com ele. Mas o problema que não era só o pesadelo dele que eu enfrentaria, mas agora também o meu. Porque a última vez que eu vi Mikael Mikaelson eu perdi meu filho e não era definitivamente alguém que eu desejasse ver.

Klaus

Eu estava em silêncio. E Caroline também estava. Nós dois estávamos imersos em pensamentos, sobre o que aquela noite significa e o que fazer depois disso.

Eu não tinha visto ou falado com Mikael depois que soube sobre Andrew, e não era algo que eu desejasse de fato fazer, mas era necessário. Se tem algo que eu aprendi foi que o passado pode te sugar e te arrastar para trás sempre que você pensar em dar um passo a frente, então eu precisava deixar tudo resolvido e encerrado, para dar lugar ao que quer que pudesse acontecer de agora em diante.

Olhei de lado para Caroline, ela observava a rua com a expressão um tanto preocupada um tanto temerosa, e eu me senti mal por não ter conversado sobre isso com ela da forma que deveria, estiquei a mão e segurei a sua, ela voltou a atenção para mim e dei um pequeno sorriso.

― Desculpa jogar isso para cima de você desse jeito, mas eu queria resolver qualquer coisa que ainda tenha ficado entre mim e ele.

Comentei e ela apertou meus dedos, tentando me passar apoio e confiança.

― Eu sei, vai ficar tudo bem.

Falou ela e eu continuei a segurar sua mão até chegarmos a casa dos meus pais.

Pelo que entendi meus irmãos estariam aqui, todos eles, deveria ser algo familiar e agradável, mas em si tratando da minha família eu não tinha certeza se isso de fato aconteceria.

Mas para minha surpresa aconteceu.

Quando entramos meus irmãos vieram me abraçar, todos muito felizes que eu tenha recobrado a memória, e eu não me senti desconfortável com eles, de forma nenhuma. Elijah veio até mim com sua filha nos braços e ela sorriu ao me ver. Caroline sorriu também e a pegou no colo brincando e conversando com ela.

Esther veio me abraçar assim que todos se afastaram e eu me retesei um pouco, não estava acostumado a isso, principalmente vindo dela, embora os últimos acontecimentos tenham jogado por terra tudo que eu entendia sobre o meu relacionamento com meus pais.

Vi Mikael um pouco no canto, mas sua expressão não era compenetrada ou maldosa, ele parecia até um pouco feliz, enquanto nos observava pela sala, conversando e rindo. Nossos olhares se cruzaram por uma fração de segundos mas ele o desviou tão logo se deu conta disso.

Deveríamos conversar? Havia algo a ser dito? Eu não sabia dizer nenhuma dessas coisas, mas pela primeira vez desde que eu me lembro, estar com minha família e com Mikael no mesmo ambiente não foi uma experiência angustiante, parecíamos de fato uma família.

Aquilo me deu esperança.

Sentimento que eu tive poucas vezes durante a vida, mas que passou a fazer parte de mim, tão logo Caroline passou a ser minha vida. Pensei enquanto a abraçava pela cintura no momento que nos encaminhávamos para a sala de estar para uma xícara de café. Mas ela estava muito quieta, seus ombros estavam rígidos e sua postura tensa.

― Tudo bem?

Perguntei baixo para que só ela escutasse.

― Sim, só preciso ir ao banheiro.

Falou ela e saiu, pensei em ir atrás dela para conversamos mas então ouvi um só e parei olhando para Rebekah que estava com um sorriso radiante no rosto.

― Você me deve essa.

Brincou ela e puxou meus braços. Era uma música lenta, estilos anos oitenta. E foi durante essa música que eu soquei seu parceiro do baile ao ouvir alguns garotos no banheiro rindo e contando que ele alugou um quarto num motel para eles.

― Não faça isso comigo Bekah.

Falei enquanto ela girava em meus braços.

― Já disse, você me deve essa.

Pensei em parar, mas não senti vontade disso. Minha irmã era uma garota teimosa e superficial, mas ver o sorriso em seu rosto me encheu de alegria, então comecei a dançar com ela.

― Tenho que gravar isso, nunca se sabe quando vamos precisar de uma carta na manga.

Falou Kol arrancando gargalhadas de todos, e então Amy se levantou e começou a rodopiar a nossa volta. Elijah com os olhos encantados pela filha segurou suas mãozinhas e dançou com ela também. Foi um momento único, talvez algo que eu jamais tive com meus irmãos.

Eu me senti livre, era como se as garras de Mikael tivessem sido arrancadas de mim finalmente e eu conseguisse respirar aliviado. Naqueles segundos eu senti que poderia esquecer a dor do passado, enterrar meus demônios o mais profundamente que eu conseguisse e finalmente me permitisse ter uma família. Sorri e beijei o cabeça de Rebekah olhando em volta para aqueles rostos queridos. Havia apenas um que não era, mas ele não estava lá.

Parei olhando para todos os lados.

― Onde está Mikael?

Perguntei para ninguém em especial, e como tal, não obtive resposta. Então aquela sensação de liberdade sumiu rápido, onde estava Caroline?

Fui em direção ao banheiro querendo apenas me certificar que estava tudo bem com ela, quando ouvi a voz dele.

― Só me escute.

Falou ele.

― Me deixe passar, por favor.

Ouvi a voz de Caroline num suspiro angustiado e um arrepio gelado desceu por minha nuca.

― Eu não queria que aquilo acontecesse. Não sabia que estava grávida.

Falou ele então eu estaquei no lugar, como se batesse numa parede invisível.

― Você foi lá para magoá-lo, porque é isso que você faz, só que acabou atingindo a mim e ao meu filho. Então porque você não nos deixa em paz? Já não basta o que perdemos?

― Eu não tinha a intenção de fazer a mal a você.

― Faz mal a mim você machucá-lo, não existe distinção, e eu jamais te verei como um homem melhor, então saia da minha frente!

Falou ela e ouvi alguns passos, que pararam abruptamente.

― Me solta!

Falou ela em tom mais alto e então em me pus em movimento imediatamente, as palavras deles ecoavam na minha cabeça tentando achar uma explicação diferente mas era impossível. Caroline nunca me contou o que aconteceu na noite em que ela perdeu o bebê. Agora eu sabia. Mikael. Arrancando de mim algo que eu mal tinha ganho.

Empurrei a porta e o vi no corredor segurando o braço de Caroline.

A fúria desceu por meu peito e explodiu em mim com tanta violência que eu mal conseguia pensar, então avancei para cima dele empurrando-o na parede e acertando seu rosto com um soco, tão forte que senti meus dedos formigando e o sangue começar a escorrer por sua boca.

Mas eu não parei. Nem poderia parar, meu corpo parecia uma massa respondendo ao simples instinto de proteger a quem eu amava. Mikael tinha me batido inúmeras vezes, mas nunca feriu tão profundamente quanto isso, quando soube do que ela fez a nós, quando vi suas mãos perversas tocando-a.

Ouvi um grito atravessar a névoa de ódio que queimava em meu corpo, mas sequer olhei para o lado, alguém tentou me segurar, mas eu continuava a segura-lo, então vários braços me puxaram para trás, eu quase rugi, vendo-o ainda me olhando tentando fazer o sangue parar de escorrer do nariz.

― Se você encostar um dedo sequer na minha mulher de novo eu acabo com sua vida!

Berrei para ele enquanto alguém me mantinha a distância. A fúria cega por aquele homem borbulhava dentro de mim, mas meus olhos procuraram por ela, que estava a um canto observando a cena com o rosto banhado de lágrimas, puxei meus braços.

― Me soltem!

Berrei e eles demoraram um pouco, mas acabaram por fazê-lo então eu fui até ela e a apertei em meus braços, como se só assim pudesse me certificar que ela estava bem, depois me afastei um pouco e olhei para Mikael.

Elijah e Finn estavam do seu lado, como que para me impedir de chegar perto dele novamente.

― Você acabou com minha vida, nunca me defendi de você de todas as vezes que você me batia, nunca fiz nada além de ficar e deixar você tirar sangue de mim, e não me arrependo de ter agido assim. Você era só um valentão querendo me ver reagir, e eu nunca te dei esse prazer, mas agora que eu sei que o sangue que você tantas vezes fez escorrer sequer é o mesmo que corre nas suas veias eu nunca mais permitirei que você chegue perto de mim de novo, e se você chegar perto dela, mesmo que por engano, eu vou fazer você se arrepender de cada segundo da minha vida que você transformou num inferno.

As palavras saiam da minha boca carregadas de ódio e raiva, eu encarava seu rosto esperando que ele falasse algo.

― O quê!?

Perguntou Elijah e então eu me virei para ele, percebendo o que eu tinha dito, então ouvi um murmúrio atrás de mim e vi que todas estavam lá, nos encarando, com incredulidade e choque, Rebekah deu um passo a frente, seu rosto estava vermelho e ela parecia prestes a cair no choro.

― Nick... isso é verdade?

Perguntou ela olhando de mim para Mikael e eu detestei vê-los me olhando daquele jeito. Eles nunca souberam. Eu guardei toda a dor para mim mesmo durante anos, e nenhum dos meus irmãos tinha idéia do que se passava entre mim e Mikael. Por mim eles não saberiam, não precisavam saber. Mas ver seus rostos chocados agora me fez pensar que eu também estava mentindo para eles, exatamente como Mikael.

― Ele não é meu pai.

Falei a eles decidindo que a verdade tinha que ser dita, independente das conseqüências.

― Esther teve um caso, e eu sou o fruto desse caso. Mikael sabia e me odiava por isso. E não apenas me tratava mal e dizia coisas horríveis como vocês presenciavam. Existiam muito mais coisas que vocês nunca viram e que eu suportei durante anos.

Elijah deu um passo a frente e parecia estupefato e horrorizado com minhas palavras.

― Porque você nunca disse nada? Porque passou por isso... sozinho?

― Porque era minha dor Elijah, não precisava ser a de vocês também. Eu não queria ficar longe de vocês, mas era a única opção.

Conclui enquanto eles ainda nos olhavam sem saber o que dizer.

― Você permitiu isso?

Perguntou Elijah olhando para Esther que parecia congelada no lugar com os olhos arregalados, mas as palavras de Elijah pareciam tê-la despertado.

― Claro que não! Eu não sabia o que estava acontecendo, pensei que seria o melhor para nossa família. Vocês são tudo que eu tenho filho, nunca duvidem disso.

Seu olhar era suplicante mas então ouvi Kol estalar os dentes, e vir para o meu lado.

― Tudo que você tem? Sério? Somos só os acessórios da sua família perfeita, os filhinhos bem sucedidos que você quer exibir.

― Não diga isso Kol. Eu não quero exibir vocês, eu os amo como vocês são, você pode não acreditar nisso mas...

Kol deu uma risada debochada e a interrompeu.

― Tem razão, eu não acredito. E quer saber porque? Você não nos conhece mãe. Você nunca se preocupou em saber quem somos de verdade, desde que parecêssemos felizes e mostrássemos isso as pessoas. Rebekah não passava de uma boneca na sua casinha. Finn é uma sombra de você. Elijah vivia atormentando por causa das suas mentiras. Klaus passava o inferno nas garras do seu marido, e eu sou gay e você nunca percebeu isso. E ainda quer que nós acreditemos que você é só uma mãe desamparada com filhos problemáticos? Faça-me o favor!

As palavras de Kol iam ficando mais altas a medida que ele continuava. Todos nós vivíamos em nossos próprios mundos. Cada um com suas dores, mas agora parecia um pouco mais leves quando compartilhávamos isso.

Esther nos olhava sem saber o que dizer.

― Eu quero que vocês sejam felizes.

Falou ela por fim com um suspiro, e pela primeira vez eu vi a máscara cair de seu rosto, sua expressão era cansada e profundamente infeliz.

― Eu sinto muito que não soube fazer isso do jeito certo, mas eu só... Queria que vocês fossem felizes.

Senti Rebekah ficar do nosso lado.

― E passou pela sua cabeça perguntar se estávamos felizes?

Perguntou ela num fio de vez e um soluço passou pelos lábios de Esther.

― Sinto muito. Eu falhei com vocês.

Começou ela e Mikael se levantou olhando para mim.

― Ela não foi a única que errou. Eu fui... um monstro, especialmente com você Niklaus.

Falou ele mas eu não senti absolutamente nada. E então seus olhos se fixaram em cada um dos meus irmãos vendo a raiva em cada um de seus rostos.

― Finn não foi nosso primeiro filho. Tivemos uma garotinha... perfeita. Freya era meiga e carinhosa e seu sorriso era a coisa mais brilhante que podia imaginar querer na minha vida. Eu posso não ter sido um bom pai para você, mas fui para ela.

Falou ele e eu respirei fundo, sem entender o que aquilo significava, ou sem nem ter idéia de que aquilo tinha acontecido.

― Na noite em que Finn nasceu Freya estava doente, com um pouco de febre, então achei melhor vir para casa com ela a noite, enquanto sua mãe se recuperava. Eu li para ela dormir, e vi que ela estava quente, mas a febre cedeu mais cedo, imaginei que cederia de novo. Mesmo assim sentei numa cadeira em seu quarto, imaginando que poderia estar ali se ela sentisse alguma coisa.

Ele respirou fundo, agora parecia perdido no passado e mal nos olhava.

― Não sei se ela me chamou, só sei que quando acordei ela não estava mais respirando.

Terminou ele e respirei fundo novamente, mesmo sem querer, pude imaginar a dor de sentir isso.

― Perder Freya fez alguma coisa morrer dentro de mim. E eu não estou contando isso para que vocês sintam pena de mim, ou entendam. Mas a morte dela me fez parar de querer sentir qualquer coisa boa. Parecia errado depois de sentir o corpo gelado da minha filha nos meus braços. Então tivemos Elijah, e eu mal consegui sentir qualquer coisa, Você e Finn corriam pela casa brincando e eu me sentia apenas aborrecido pelo barulho.

Ele fez uma pausa, e dessa vez seus olhos se voltaram para mim.

― E então você nasceu. Você era carinhoso com seus irmãos, era talentoso e bom. E eu me ressentia ao ver que você podia ter isso. Você podia ser assim, um garoto que sequer era meu filho, tendo a vida que minha Freya já não podia mais. Eu tinha raiva de você pelo que você representava, e tinha raiva de mim mesmo por mim sentir assim. Eu não era mais o homem que eu fui para Freya, e destruir sua vida era um jeito de destruir qualquer coisa que ainda tivesse restado em mim.

Senti uma dor crescente no peito ao ouvir essas palavras. Dor. Era a melhor forma de descrever minha vida até bem pouco tempo atrás.

― Não vou tentar me desculpar. Ou dizer que sinto muito. Porque não vai mudar o que eu fiz, e você merece pelo menos isso de mim. Não me ver tentar mudar o passado.

Então ele olhou para meus irmãos.

― Vocês são meus filhos, e eu não sei quem vocês são de fato, e provavelmente nunca saberei. Porque eu nunca quis saber, nunca quis ser nada além do pai que ficava por aí brigando com vocês pelo barulho.

Ele deu um sorriso um tanto amargurado.

― E agora, quando vejo no que se tornaram, eu lamento ter perdido isso. Porque sei que perdi. E agora, depois de tanto tempo, quando olho para Amy, com seu sorriso tão parecido com minha Freya, eu sinto que não quero mais perder. Mas que talvez já seja tarde.

Eu me sentia um pouco dormente. Tantas emoções corriam por meu corpo que era impossível focar em uma delas. Dor, raiva, magoa... Tudo isso queimava meu peito, e ele tinha razão. Por mais doloroso que tenha sido para ele tudo que aconteceu, nenhuma daquelas palavras apagavam o inferno que eu vivi. E entender isso não fazia com que eu me sentisse melhor.

― Sinto muito por ter acabado com o que podia dar a vocês.

Conclui ele então saiu de lá nos deixando para lidar com todas aquelas coisas. Tudo que significava e tudo que nos fazia sentir.

― Sinto muito por ter falhado.

Falou Esther e o seguiu, então senti os braços de Rebekah ao redor de mim. Seguido por Kol e Elijah. Meus irmãos se apertaram ao meu redor e eu abri os braços o máximo possível querendo senti-los o mais próximo possível.

― Essa família é uma droga.

Começou Kol com a voz meio embargada.

― Mas é a nossa família.

Concluiu ele e eu acenei com a cabeça.

― Sempre e para sempre.

Terminou Elijah e eu os abracei ainda mais apertado sentindo suas palavras se firmando dentro de mim. Eles eram minha família. E eu ficaria com eles e lutaria por eles.

Senti dedos quentes tocarem minhas costas e fecheis os olhos sentindo seu toque sem precisar de mais nada para saber que era Caroline. A outra parte da minha família por quem eu lutaria pelo resto da minha vida.