Notas iniciais
Hey gente! Saudades? kkkkk, estive viajando por isso a demora. Boa leitura. Beijinhos

Cliquei em enviar e me recostei na cadeira aliviada. Tinha passado quase o dia inteiro preparando esse contrato e o babaca sempre inventava alguma coisa para reclamar. Hoje era quarta feira, e o humor dele estava particularmente ruim, o que traduzindo para minha realidade de assistente, significa um café a cada meia hora e intermináveis reclamações sobre como eu não consigo preparara-lo de forma descente.

Eu tinha mais ou menos três minutos até ele notar que eu tinha enviado o contrato e começasse a reclamar por algo mais. Passei a mão pelos cabelos e suspirei. Tirando meu chefe, eu estava me dando bem trabalho. Já tinha aprendido quase tudo que precisava fazer para ele, me acostumado à rotina e feito alguns amigos. Max me procurou na segunda de manhã, para perguntar o que houve, eu resmunguei uma desculpa esfarrapada me lembrando do que exatamente eu tinha feito na sexta a noite. Ele foi super compreensivo e me convidou para sair com eles de novo na sexta. Fiz uma nota mental de não mencionar ao cretino o que eu iria fazer, caso ele inventasse mais uma gracinha.

Olhei para a foto minha e de Elena que estava em cima da minha mesa e sorri. Finalmente estávamos respirando aliviadas. Deveríamos ter dezesseis anos na foto e estávamos vestidas de animadoras de torcida. Quase revirei os olhos com a lembrança, era um contraste e tanto balançar pompons e dar piruetas no ar a nossa vida atual.

Ele abriu a porta abruptamente, levei um susto e tanto. Depois jogou várias folhas que eu tinha escrito de manhã na minha mesa.

― Digite isso. Eu quero ler o relatório não traduzir, uma garota de 5 anos têm a caligrafia melhor que a sua. E ligue para a Royale confirmando o horário de hoje a tarde.

Apertei as mãos com força tentando controlar a raiva.

― Já fiz isso.

Respondi por entre os dentes e tive o prazer de ver um leve tom de surpresa nos seus olhos.

― Que bom que finalmente está fazendo seu trabalho.

E entrou na sala dele batendo a porta como uma adolescente rebelde. Mostrei o dedo do meio para porta e revirei os olhos.

― Meu irmão desperta emoções... intensas nas pessoas.

Olhei atônita para o lado e corei dos pé a cabeça. Era o irmão dele, e tinha me visto mostrar o dedo! Por favor que um raio caia na minha cabeça agora!

― Sr. Mikaelson, sinto muito... eu não queria...

Eu gaguejava de forma patética, e ele apenas me olhava divertido.

― Sem problemas. Eu cresci com ele e o conheço bem. E, além disso, me lembro de já ter pedido para me chamar de Elijah.

Sorri sem graça e juntei os papeis na minha mesa. Estava tão rígida quanto uma tábua. Elijah era educado e simpático, sempre me cumprimentava animadamente quando me via. Como pessoas com o mesmo DNA poderiam ser tão diferentes?

― Ele está disponível?

Perguntou ele apontado para a porta.

― Está sim, pode entrar.

Ele se virou e entrou na sala eu respirei fundo. E comecei a digitar o documento quando meu celular tocou, olhei no visor e vi a foto de Elena.

― Alô?

― Caroline, temos um problema.

Sua voz estava nervosa e parecia bastante preocupada.

― O que houve?

― O Sam me ligou hoje. Disse que temos que desocupar o apartamento até amanhã.

O sangue fugiu do meu rosto. Sam era dono do pequeno apartamento que alugávamos, o cara era meio barra pesada, mas só encontramos esse apartamento, e quando a vida te dá limões...

― Como assim? Por quê?

― Provavelmente por algo que nem queremos saber, mas ele disse que temos só até amanhã.

― E como vamos conseguir um apartamento tão rápido?

― Não tenho a menor idéia, e não temos dinheiro para pagar o adiantamento Caroline. Não sei o que vamos fazer, ele não vai dar mais tempo...

― Vamos dar um jeito, Elena.

Minha voz soou incerta até para mim.

― Tudo bem, mais tarde nos falamos.

Ela deu um suspiro cansado e desligou.

Coloquei as mãos no rosto. O que faríamos?

O telefone da minha mesa tocou e peguei involuntariamente.

― Alô?

― Já digitou?

Ele praticamente berrou do outro lado. Afastei um pouco o fone do ouvido.

― Já estou levando.

Ele bateu o telefone na minha cara. Peguei o relatório e comecei a digitar. Mas o problema do nosso apartamento não saia da minha cabeça. As idéias pareciam ter fugido, eu não conseguia pensar em nada que nos tirasse dessa enrascada colossal.

Terminei de digitar e imprimi uma cópia. Depois me levantei e bati na porta, ele nunca responde quando eu bato então entrei assim mesmo.

Ele ergueu os olhos para mim, seus olhos estavam muito irritados. Entreguei o documento e ele puxou da minha mão sem dizer nada. Passou os olhos por cima depois jogou na mesa.

― Está cheio de erros, será que você não consegue fazer uma única coisa bem feita?

Aquilo foi um tapa na minha cara. Apertei os lábios com força.

― Preste atenção no que está fazendo! Conserte agora!

Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Ele era um cretino sádico além de tudo.

― Pare de latir ordens para mim! Se quer a droga do seu relatório digitado, digite você mesmo!

Não pude conter essas palavras, a fúria percorria meu corpo inteiro. Se eu desse um passo na direção dele, eu com certeza iria pular em cima dele e lhe dar um bom tapa.

Ele pareceu chocado no começo, depois seus olhos se estreitaram.

― Vá ao RH imediatamente.

Pisquei algumas vezes sem entender. Até que a ficha caiu. Ele estava me demitindo. Não! Agora não!

Abri a boca para me desculpar, mas fechei imediatamente. Ele parecia tão arrogante, e eu não lhe daria o prazer de me fazer implorar.

Sai da sala e ouvi o telefone tocar. Suspirei cansada e tirei o fone do gancho.

― Alô?

― Caroline. Liguei para o seu celular mas você não atendeu.

― Eu estava... ocupada.

― Vi alguns apartamentos, mas precisamos de um fiador e talvez se...

― Eu fui demitida Elena.

As palavras passaram por meus lábios quase impulsivamente, ela se calou por alguns minutos.

― O quê?

― Eu fui demitida.

― Meu Deus Caroline! Você está bem?

― Não sei. Estou saindo agora. Mas não se preocupe, vou arrumar outro.

Ela não respondeu e sabia que estava se lembrando dos dois meses que fiquei desempregada. Passei a mão pelos olhos, se tinha um momento que eu estava sem opções, esse momento era agora.

― Eu vou tentar... conseguir meu emprego de volta do restaurante. Ele não vai reclamar em me contratar de novo eu acho.

― Ficou maluca? Você não pode voltar lá, aquele cara quase estuprou você! Se você pedir o emprego de volta estará praticamente autorizando ele a fazer de novo!

― Estamos sem opções, e quase sem teto Elena! Não têm jeito!

― Olha só, não faça nada agora está bem? Em casa conversamos.

― Ok.

Pus o fone no gancho. Sentindo um nó se formar na garganta, sentia-me tão fraca e encurralada. Peguei a bolsa e pus no ombro.

Ouvi a porta dele se abrir, e ele ficou parado me olhando.

― Entre na minha sala, agora.

Ele disse por fim. Eu não queria brigar nem discutir, entrei cansada e esperei em frente a mesa.

Ele passou a mão pelos cabelos, parecia não saber o que dizer. E isso era no mínimo surpreendente. Por fim levantou os olhos e apoiou o queixo na mão.

― Você... Bom você normalmente não comente tantos erros, então... Acho que posso dar mais uma chance para você concertar isso.

Estreitei meus olhos desconfiada, ele nunca falou assim comigo. Pelo menos não quando estávamos vestidos.

― Porquê está fazendo isso?

― Porque eu... ― Ele suspirou e limpou a garganta ― Ouvi sua ligação. Imagino que estava preocupada por isso cometeu tantos erros.

Ele tinha sido compreensivo? A surpresa me paralisou totalmente.

― Não precisa ficar tão chocada, não sou um imbecil completo.

Um sorrisinho se formou em meu rosto e respirei aliviada.

― Eu vou concertar o relatório então.

― Espere, você têm que se mudar?

― Sim. Até amanhã.

― Eu tenho... Alguns apartamentos de aluguel, e você é minha funcionária, posso alugar um para você se quiser.

Fiquei tão feliz que mal pude raciocinar.

― Sério? Seria maravilhoso! Mas têm que ser algo dentro do que podemos pagar, eu posso...

― Quanto você paga atualmente?

Falei o valor e ele balançou a cabeça.

― Amanhã de manhã, vou mandar alguém ir na sua casa buscar suas coisas.

― Obrigada Sr. Mikaelson, de verdade. Eu nem sei como...

― Não se preocupe. Agora vá arrumar os relatórios.

Ouvir sua teu normal de irritação me fez sorrir, e voltei para minha mesa tão feliz que poderia até cantar.

Narrador: Niklaus

Peguei o telefone assim que ela deixou a sala, e disquei o número de Damon. Ele era responsável por um prédio, e iria me ajudar bastante agora.

― O Alto comando me ligando? Fiquei até com medo agora.

― Sem gracinhas Damon. Têm algum apartamento disponível aí?

― Têm sim, mas um casal vai vir olhar hoje.

― Cancele. Organize tudo, vou alugar para minha... Para uma funcionária.

― Seus funcionários podem pagar o aluguel daqui?

― Isso realmente não é da sua conta. Vou mandar o endereço, por email. Amanhã de manhã você vai buscar a mudança delas. Toda documentação de aluguel e fiança, vão ser resolvidos diretamente comigo. Você só têm que acomodá-las.

― Sim senhor, chefe!

― Damon... Seja... Discreto sobre isso.

Pude ouvir o sorriso irônico que ele deu.

― Tudo bem.

Desliguei o telefone e passei a mão pelos cabelos. Pensando na quantidade de problemas que isso me traria, mas sem poder resistir. Só de saber que ela iria para as garras de um estuprador nojento, já me dava vontade de socar alguma coisa. Caroline me tirava do sério, e me fazia sentir coisas que eu adorava e odiava ao mesmo tempo. Era irracional, mas não tinha nada que pudesse fazer.

Desde aquele noite no bar tudo que eu fazia era pensar nela, em seu corpo, sua pele, seu gosto... cada curva, cada toque... Meu corpo inteiro se acendeu ao pensar nela. Desde que eu quase a ataquei na limusine, parecia quase incontrolável o desejo que sentia. Tudo nela despertava todos os meus instintos, suas roupas, suas voz, até quando ela me olhava com raiva me excitava. E ter uma ereção quase constante acabava com meu humor. E Hoje quando ela me afrontou eu senti vontade de agarrá-la e transar enlouquecidamente em cima da mesa. E eu tinha que controlar isso, eu não podia ficar com ela, e ainda por cima era minha funcionária. Mandá-la embora parecia a melhor solução, mas se tê-la por perto já estava ruim, tê-la longe seria bem pior.

Me recostei na cadeira. E agora ela iria morar em um dos meus prédios, um lugar de fácil acesso, e com total privacidade... Como eu iria conseguir ficar longe dela agora?