Notas iniciais
Hey gente, cap novo. Obrigada pelos lindos comentários do cap anterior, eu li todos viu? E adorei, só não consegui responder. Boa leitura.

Caroline

Existem momentos de nervosismo extremo na vida de uma pessoa. Aqueles segundos em que tudo parece se mover em Câmera lenta, ou rápido demais. Em que você não sabe se as coisas darão certo, ou se vai tudo por água abaixo.

Bom, eu me sentia assim nesse momento. Dentro da limusine, a caminho da igreja. A caminho do meu casamento.

Os sentimentos eram tão aterradores que me apavoravam, mas ao mesmo tempo eu me sentia em êxtase.

― Tudo bem?

Perguntou Jeremy segurando minha mão. Eu forcei um sorriso para ele, mas com certeza não pareceu nada real.

Jeremy ia comigo até o altar. Eu pensei muito sobre isso nos últimos dias, mas acontece que, meu pai, não era a pessoa que eu gostaria que me entregasse a meu marido. Por mais que eu desejasse que não fosse assim, meu pai tinha me perdido no segundo em que foi embora. Os Gilbert foram minha família quando minha mãe morreu, e já que Grayson não estava mais aqui, Jeremy era a pessoa que eu gostaria de dividir esse momento.

― E você, tudo bem?

Perguntei a ele sorrindo. Nos últimos dias Jeremy parecia bem distante e confuso, mas ele não queria falar comigo sobre isso e eu respeitava seu espaço.

― Quer dizer, com o fato de estar levando a garota que era a melhor amiga gostosa da minha irmã e depois acabou sendo minha irmã também ao altar? Claro, porque teria algum problema?

Nós dois rimos e eu senti o nervosismo aliviar um pouco.

― Obrigada por fazer isso Jeremy. De verdade.

― Sem problema, você é minha irmã também lembra?

Respondeu ele e me puxou para um abraço.

Depois respirei fundo e pensei de novo em tudo que me aguardava.

Hoje no fim do dia, toda a tensão que passei nas últimas semanas terá acabado e tudo que vai restar sou eu e o Klaus. Quer dizer, tensão é pouco para chamar o jeito que eu fiquei quando as notícias do meu casamento pipocaram na mídia. Eles desenterraram todas as histórias possíveis sobre o término de Klaus com Hayley e inventaram mais outras mil. Foi terrível. Ver nossa vida escancarada como se fossemos uma atração para as pessoas. Klaus tentava me acalmar sobre isso, dizendo que a imprensa farejava dinheiro, e por mais que ele não quisesse, sempre ia existir esse tipo de coisa, então eu deveria aprender a ignorar. Não era fácil, mas suponho que, em algum momento, eu conseguiria não me importar tanto.

A limusine parou e minha respiração ficou presa na garganta.

― Está pronta?

Perguntou Jeremy e me estendeu a mão. Eu respirei fundo. Não tinha falado com Klaus desde ontem, mas ele estava aqui agora, só bastava que eu saísse daquele carro e tomasse coragem.

― Estou.

Respondi a Jeremy sentindo uma energia renovada ao saber que logo, logo eu estaria nos braços dele, e tudo ficaria bem.

Jeremy abriu a porta e nós descemos.

E foi aí que percebi que alguma coisa não estava bem.

Elena, Damon, Stefan e Elijah estavam na porta da igreja, todos com expressões sérias e preocupadas.

― O que houve?

Perguntei olhando para eles e apertando forte os dedos de Jeremy.

― É melhor você esperar na limusine um pouco Caroline.

Falou Elijah finalmente.

― Como assim? Por quê?

Eles se entreolharam sem saber como responder.

― O que aconteceu?

Exigi, já sentindo o pouco de controle que eu ainda tinha me escapar totalmente.

― Klaus ainda não chegou.

Falou Elena por fim e o silêncio reinou entre nós.

― Não chegou? Como não chegou? O Klaus nunca se atrasa...

Murmurei pateticamente, mas as coisas não estavam fazendo sentindo para mim. Onde ele estava? Porque não chegou?

― Não sabemos. Ele não atende o celular e Marcel acabou de me dizer que ele não está em casa.

― E onde ele está então?

― Não sabemos.

Falou Damon e eu me senti dormente, como se aquilo não estivesse acontecendo agora, nem comigo.

― Ele não falou com nenhum de vocês hoje?

― Na verdade...

Olhei para Damon esperando que ele terminasse, mas ele parecia não saber como continuar.

― Fale logo Damon!

Eu quase gritei, chamando a atenção de alguns convidados que estavam parados na porta nos observando.

― Ontem a noite, depois da despedida de solteiro, não o vimos mais. Achamos que ele tinha ido para casa, ele estava detestando aquilo, então não nos preocupamos que ele tivesse fugido. Mas, então, hoje de manhã Marcel foi a casa dele para buscá-lo. Ele não estava lá. E parecia não... ter passado a noite lá.

― Não...

A palavra se engasgou em minha garganta. E eu não sabia o que pensar, nem como reagir a isso. Isso não podia estar acontecendo...

Levei a mão a garganta tentando sufocar um soluço, meus olhos ardiam e me sentia prestes a vomitar. Klaus não estava aqui. Não chegaria. Ou chegaria?

Olhei para Elena, tentando ver algum fio de esperança em seus olhos para me dar força. Ela entendeu, pois deu um passo em minha direção e segurou minha mão.

― Volte para a limusine Care, vamos descobrir o que aconteceu.

Ela apertou meus dedos e eu respirei fundo.

― Eu posso dizer a vocês o que aconteceu.

Todos nos viramos para o som daquela voz. O choque bateu em mim com força, seguido por um arrepio gelado na espinha.

― Hayley.

Consegui dizer. Ela estava com um vestido vermelho sangue, o cabelo preso num coque, a maquiagem ressaltava seus traços. Estava deslumbrante.

― O que você está fazendo aqui?

― Bom, pensei que vocês queriam saber o que aconteceu com o Klaus.

― O que você fez com ele?

Perguntei dando o passo em sua direção.

― Nada demais, ele vai acordar e voltar para casa. Eventualmente.

Ela deu um sorrisinho debochado e olhou em volta. Fazendo-me olhar também, todos os convidados estavam do lado de fora nos observando agora. Um Flash pipocou perto de mim fazendo-me piscar e olhar para ele.

― Ele não quer você.

Soltei, não fazia muito sentido para a situação. Mas foi tudo que passou pela minha boca.

― Oh, eu sei. E eu também não quero ele. Veja bem, eu não dormi com seu noivo. Essa nunca foi minha intenção.

― E qual foi?

Ele deu um passo ficando a centímetros do meu rosto.

― Você acabou com meu casamento. Só estou devolvendo o favor.

E com isso ela deu as costas e foi embora. Na mesma hora mais flashs pipocaram a nossa volta, eu piscava olhando para todas as direções, sem saber o que fazer.

― Vamos sair daqui.

Alguém disse e me puxou pelo braço me enfiando na limusine.

O carro arrancou tão logo as portas se fecharam.

Eu olhei para frente, sem conseguir nem ao menos chorar. Parecia que meu coração ficou aos pedaços na porta daquela igreja.

Klaus

Meus olhos não abriam. Por mais força que eu fizesse era como se estivessem colados. Aos poucos a consciência ia voltando para mim. Mas meu corpo não parecia responder na mesma velocidade. Meus braços e pernas pesavam uma tonelada, meus músculos ardiam em certos pontos. Mas eu não conseguia me virar. Não conseguia me mover.

Respirei fundo, devagar. Tentando reunir forças. Quando eu estava prestes a desistir, finalmente minhas pálpebras tremularam e abriram. Não reconheci nada do que vi. Forcei meu corpo a erguer meu tronco, gemendo de dor no processo e olhei em volta. Estava num quarto totalmente estranho, tentei levantar da cama, mas minha cabeça estava pesada.

― Mas que droga eu estou fazendo aqui?

Murmurei para mim mesmo e fui cambaleando até o banheiro jogar um pouco de água no rosto para clarear as idéias. Me olhei no espelho, estava com olheiras fundas, parecia que não dormia a dias. Olhei um pouco mais para baixo, vendo algo estranho no pescoço. Olhei mais de perto. Purpurina rosa. Fiquei encarando aquilo até que meus olhos de arregalaram com a lembrança. A despedida de solteiro.

Procurei meu celular no bolso. Estava desligado. Merda. Que horas são? Meu casamento. Caroline.

Sai correndo do quarto com o coração disparado no peito.

Vai dar tempo. Precisa dar tempo. Fiquei repetindo as palavras para mim mesmo e disparei pelo saguão de um hotel de segunda indo direto para a rua. Ouvi alguém gritar me mandando esperar, mas eu não dei ouvidos e abri a porta de um táxi que tinha acabado de deixar uma mulher.

Berrei o endereço da igreja para ele, já sentindo o desespero ameaçando me engolfar. Isso não devia estar acontecendo. O que aconteceu? O que eu estava fazendo naquele lugar?

― Rápido! Precisa ser mais rápido!

Gritei para o motorista que me encarou aborrecido pelo retrovisor. Mas eu não estava nem aí. Tinha que chegar a meu casamento. O mais rápido possível.

A viagem foi angustiante. Pareceu que tinha levado horas. Mas ele finalmente chegou, eu abri a porta e desci antes mesmo que ele terminasse de estacionar. Disparei para dentro da igreja.

Encontrando-a vazia.

― Não. Não...

Repeti essa palavra como se pudesse de fato mudar alguma coisa. Mas não havia nada, nem ninguém. Não havia casamento, não havia Caroline.

Cambaleei pelas escadas e me sentei com a cabeça enfiada nas mãos.

Eu perdi. Meu próprio casamento. O momento em que a mulher que eu amo seria finalmente minha esposa. Meu porto seguro, e única coisa boa que tinha me acontecido nos últimos tempos.

Eu mal podia acreditar que isso era verdade. Que eu tinha deixado que isso escapasse. Será que eu realmente era tão danificado a ponto de não merecer um pouco de paz e felicidade?

― Você não pagou a corrida.

Resmungou o taxista e eu ergui a cabeça para ele. Passei as costas das mãos para enxugar meu rosto.

― Preciso ir para casa.

Levantei da escadaria e voltei para o táxi dizendo a ele meu endereço.

― Que horas são?

Perguntei quando ele deu a partida.

― Quase duas da tarde.

Ele respondeu e eu fechei os olhos me recostando no banco. Merda. O casamento era as dez. Eu tinha que ter estado lá. Mas não estava.

Dessa vez não prestei atenção no tempo que levou para chegar. Ou sequer quanto de dinheiro eu dei ao taxista para pagar a corrida. Quando entrei no elevador eu só sabia que precisava chegar até Caroline, e não perdê-la de vista nunca mais.

Abri o apartamento e entrei pensando em subir direto para o quarto. Mas parei ao vê-los na minha sala. Elijah, Damon, Stefan, Kol e até Marcel.

Todos me encararam em silêncio. E eu também o fiz. Não havia nada que pudesse ser dito.

― Onde ela está?

Perguntei por fim, e eles se entreolharam sem responder.

― Perguntei, onde ela está?

Repeti com os dentes serrados.

― Lá em cima com Elena.

Damon respondeu e eu já ia começar a subir quando Stefan parou na minha frente.

― Dê um tempo a ela Klaus. Não foi nada fácil.

Ele me encarava, e eu sabia que ela só estava tentando protegê-la. Mas aquilo não estava certo. Ninguém precisava protegê-la de mim.

― Saia da minha frente Stefan.

― Klaus, pense um pouco no que é melhor agora.

― O melhor agora é que você saia da minha frente e não fique entre mim e a Caroline. Nunca mais.

Conclui com os dentes trincando e subi esbarrando em meu ombro. Abri a porta do meu quarto de uma vez querendo desesperadamente vê-la. Ela se assustou quando eu entrei e levantou do colo de Elena. Ambas me encaram. Elena com raiva explicita. Mas Caroline... Não havia nada. Seus olhos pareciam vazios.

― Caroline.

Falei entrando no quarto, ela fechou os olhos e passou os braços em volta de si mesma. Elena levantou da cama e trincou o queixo. Depois saiu do quarto batendo a porta. Ela sabia que precisávamos conversar.

Sentei na cama ao seu lado. Queria tocá-la. Mas tive medo que se eu o fizesse ela se afastasse de mim.

― Eu sinto muito, eu não sei o que houve, eu só...

Ela finalmente abriu os olhos, e eu me calei. Sentindo um arrepio gelado passar em minha nuca. Eu queria ver qualquer coisa. Raiva, medo, angustia, acusação. Mas eles estavam frios.

― Eu sei o que houve. Hayley fez alguma coisa com você e... Você não estava lá.

Hayley. É claro. A última coisa que me lembro era de beber alguma coisa com Hayley depois... Merda. A bebida. Como pude ser tão estúpido?

― Eu queria poder voltar atrás e nunca ter ido para longe de você ontem. Por favor, me perdoe. Deixa eu concertar isso, deixa eu dar a você tudo que você merece.

― Não precisa se desculpar, não foi culpa sua.

― É claro que foi! Eu fui um idiota, eu só... Sei que não te mereço Caroline, mas por favor me dê outra chance.

Ela olhou para frente e respirou fundo.

― Eu preciso ficar sozinha Klaus.

Foi sua resposta. E eu senti o desespero me engolfar. Eu a estava perdendo.

― Por favor Caroline, não faça isso. Não me odeie.

― Eu não te odeio. Eu só... quero que você me deixe sozinha.

― Eu faço o que você quiser, qualquer coisa que você me pedir. Só não me deixe.

Eu segurei suas mãos e as senti geladas sob meu toque.

― Eu não estou te deixando. E o que eu realmente quero que você faça por mim é me deixar sozinha.

Ela falou com a voz meio quebradiça e puxou as mãos das minhas.

― Tudo bem. Eu posso fazer isso. Posso te dar espaço se você precisar, só não... Não vá embora.

Ela apenas me olhou e eu saí do quarto. Mas antes de bater a porta ouvi um soluço tão carregado de dor que me atingiu em cheio e eu cambaleei para frente. Sua dor ecoando a minha.

Nosso dia. Aquele que deveria ser um dos mais especiais de nossas vidas se tornou um pesadelo. Um do qual eu não conseguia acordar. Era como se ela estivesse escorrendo por meus dedos. De novo.

― Não!

Soquei a parede sentindo todas as emoções que eu tinha represado por tanto tempo borbulharem para fora. Eu me curvei segurando meu peito que ameaçava se partir em dois. Tudo que eu vivi, tudo que eu passei. Mikael, Andrew, Esther... Caroline. Parecia demais para eu suportar. Sentei-me no chão sentido a parede contra minhas costas. Ouvindo os soluços de Caroline juntos com os meus próprios.

Não sei quanto tempo eu demorei ali, deixando toda aquela dor sair de mim, quando notei alguém sentar ao meu lado e colocar um copo de Uísque na minha mão.

― Eu não posso perdê-la.

Falei para ninguém em especial, talvez para mim mesmo.

― Então não a perca.

Falou Marcel e eu me virei para ele.

― Você é Niklaus Mikaelson. Mostre a ela que você a ama e vai lutar por ela.

― Eu não sei o que fazer...

― Mas vai saber. Você foi a pessoa que me ensinou que, por piores que sejam suas cartas, é sempre possível virar o jogo.

E com isso ele se levantou e me deixou lá. Sozinho. Pensando. Como conseguir reconquistar minha garota.