Sexy Fire - Klaroline
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Bati o telefone com tanta força que provavelmente deve ter quebrado alguma coisa. Mas minha paciência tinha se esgotado, se eu ouvisse mais uma única vez “Oi, aqui é a Caroline, deixe seu recado que eu ligo de volta.” Eu provavelmente explodiria.
Desde aquela cena sem o menor sentido na minha casa aquela manhã, eu estou tentando ligar para ela. Eu não tinha entendido nada do que aconteceu, e nem imaginava o que eu poderia ter feito para mudar seu humor tão bruscamente.
Eu estava com os nervos a flor da pele, como um vulcão prestes a entrar em erupção, cada célula do meu corpo parecia prestes a explodir. Estávamos bem, ela tinha me perdoado, passamos um final de semana incrível juntos, depois aparece aquele idiota do ex-namorado e para completar ela surta na manhã seguinte?
Não me considerava um homem ciumento, nunca liguei muito para esse tipo de coisa. Mas ontem quando vi aquele cara abraçando minha namorada daquele jeito, eu queria socar alguma coisa no mesmo segundo, eu sabia que ele tinha sido um babaca com ela, mas eles tinham ficado juntos três anos, e por mais que eu odiasse admitir, ela ficou abalada por ele. E isso me fazia pensar se ele não era o motivo pelo qual ela saiu da minha casa daquele jeito.
Peguei meu celular para tentar ligar de novo para ela, e vi um alerta de mensagem de voz. Apertei para ouvir antes mesmo de ver de quem era.
“Hey Klaus... Sou eu... Marcel. Eu sei que você não quer me ouvir nem me ver, mas eu realmente preciso conversar com você. Você deve me odiar agora e acredite em mim, eu me odeio também, mas eu... Nunca quis trair você Klaus, eu só queria fazer algo, algo pela vida de alguém assim como você fez pela minha. Só... Me ligue quando você quiser me ver está bem? Não importa quando, só me ligue.”
E simples assim a mensagem acabou. Passei a mão pelos cabelos e me recostei na cadeira. Por mais que eu quisesse ficar com raiva dele, esse sentimento enfraquecia cada vez mais dentro de mim. Marcel era importante demais para mim, para que eu simplesmente pudesse apaga-lo da minha vida, mas eu ainda não estava pronto para falar com ele. Estava tudo recente demais, eu precisava de mais tempo.
Eu não tinha ideia do que ele quis dizer com fazer algo por alguém. Será que ele tinha conhecido alguém? Ou ajudado alguém? Mas se ele realmente ajudou, porque ele simplesmente não me pediu? Porque precisava me roubar?
Esse dia estava sendo mesmo uma droga. Primeiro Caroline? Agora Marcel? O que mais poderia dar errado?
Peguei as chaves do carro e minha pasta e saí da sala. Ainda faltavam mais de duas horas para encerrar o expediente, mas eu não ia conseguir ficar aqui mais nenhum segundo. Passei pela porta sem nem ao menos olhar para a nova secretária. Ela já tinha mandado e-mails errados, derramado café na minha mesa e simplesmente começou a chorar quando eu pedi que refizesse um contrato. Era quase tão inútil quanto as outra vinte que vieram depois de Caroline.
Cheguei em alguns minutos na garagem e entrei no carro. Decidido a encontrar Caroline e conversar com ela imediatamente. Assim que pus o carro em movimento meu celular tocou. Ativei o sistema de som do carro.
― Alô?
― Niklaus? Sou eu, Elijah.
― O que você quer Elijah?
Não estava com um pingo de paciência para conversa fiada agora.
― Nossa, pelo visto a conversa não foi tão boa assim...
― Conversa? Que conversa?
― A conversa que a nossa mãe foi ter com você.
Apertei os dedos no volante tentando me controlar, aquelas definitivamente não eram noticias que eu gostaria de ouvir.
― Eu não conversei com ela, ela ligou para você?
― Não. Ela disse que ia até sua casa hoje de manhã, falar com você.
― Espere aí Elijah, nossa mãe está aqui? Em Nova Iorque?
― Não só nossa mãe, como a família inteira, Kol, Rebekah, Finn... Eles chegaram ontem. Pensei que você soubesse.
Quase não estava mais prestando atenção as palavras de Elijah. Esther tinha estado na minha casa de manhã... E Caroline estava lá de manhã. Então foi isso, elas se encontraram.
― Onde eles estão Elijah? Em que hotel?
― Hotel? Se prepare para vê-los por aqui bastante tempo irmão, eles estão em uma casa, aparentemente nossa mãe a comprou a algum tempo, só estava esperando um motivo para vir.
― Me mande o endereço, agora.
Elijah me passou o endereço e eu me dirigi imediatamente para lá. Tinha que ver o que Esther tinha dito Caroline, e mais importante, tinha que deixar bem claro que ela não tinha nada a ver com minha vida.
Cheguei a casa cerca de vinte minutos depois. E tive certeza absoluta que não era algo temporário, eles estavam aqui para ficar. A casa tinha o mesmo estilo imponente e meio antiquado em certo ponto, da casa deles na Inglaterra. Nem estacionei direito e já fui entrando na casa.
Esther estava de costas para mim quando cheguei, parecia estar arrumando um arranjo de flores.
― Você foi até minha casa hoje?
Ela se virou para mim sorrindo e veio em minha direção como se fosse me abraçar, levantei a mão para mantê-la longe. Ela parou e me olhou de um jeito que eu conhecia bem, desaprovação, felicidade... e arrependimento.
― Sim, eu estive na sua casa, mas você estava dormindo então eu fui embora.
― E nesse meio tempo você não encontrou alguém por lá?
― Se está se referindo a uma mulher seminua andando pela sua casa, sim eu tive o desprazer de encontrar.
― E o que você disse a ela?
― Ela não foi correndo te contar?
― Não. Me diga agora, o que você disse a ela?
― Não disse nada que você mesmo já não saiba, ela não é mulher para você.
Trinquei os dentes e me aproximei dela.
― Eu vou dizer uma única vez, minha vida não é da sua conta. Não se atreva a tentar se intrometer entre Caroline e eu.
― Você é meu filho. É claro que é da minha conta! Você deixou ela enfeitiçar você Niklaus! Está deixando uma qualquer estragar seu futuro.
― Ela não é uma qualquer!
Minha voz soou tão alta que ecoou por toda casa.
― Eu sou quero o seu bem filho, só quero proteger você de mulheres aproveitadoras, Hayley é uma...
― Hayley não é mais nada para mim. E você nunca me protegeu do que deveria, então acho que é um pouco tarde para isso.
Ela abriu a boca como se fosse falar algo, mas fechou rápido. Eu não queria saber, não queria nem estar aqui, minha família me trazia uma enxurrada de lembranças, algumas boas, mas a maioria ruins. Eu me sentia divido, entre querer que eles fossem uma família de verdade, e querer que eles ficassem o mais longe possível. Eu detestava me sentir desequilibrado desse jeito.
― Então você acha que essa mulher vai fazer bem a você? Te fazer feliz? Porque não vai Niklaus!
― Tenho certeza que serei bem mais feliz do que já fui minha vida inteira!
― Niklaus!
Aquela voz me fez parar quase imediatamente. Olhei em volta e o vi descendo as escadas, com as mãos nos bolsos, a expressão séria, mas esboçando um pequeno sorriso. Mikael. Ele me olhava como se eu fosse uma criança e tivesse fazendo uma malcriação qualquer.
― Não fale assim com sua mãe garoto.
Ele falava a palavra com tanto sarcasmo “garoto”, de uma forma ruim e pejorativa. Do jeito que falava quando eu de fato era um garoto. Ele caminhou até nós e parou do lado de Esther pousando a mão em suas costas. Vistos assim eles pareciam um casal feliz e normal em uma casa perfeita, mas eu conhecia as piores faces de cada um e sabia mais que ninguém o quão podres poderiam ser se olhássemos mais de perto.
― Eu já estou cansado de vocês tentarem fazer escolhas por mim. Já chega.
Minha voz saiu bem mais baixa agora, eu odiava que ele fizesse eu me sentir tão pequeno e fraco, mas não havia nada que eu pudesse fazer a respeito. Só tinha que dar o fora dali o mais rápido possível. Desde que eu consigo me lembrar eu evito a qualquer custo estar no mesmo ambiente que Mikael, a não ser que eu não tivesse nenhuma opção, e eu definitivamente tinha opções agora.
― Eu vou embora, e fique longe da Caroline.
― Espere Niklaus. Acho que devemos conversar um pouco.
Ele se afastou um pouco e indicou uma porta um pouco ao fundo.
― Não tem nada a conversar, é minha vida, não diz respeito a vocês.
― A vamos lá Niklaus, ter uma conversinha entre pai e filho, como já não fazemos a anos. Você não se importa não é querida?
― Claro que não. Só se lembre filho que eu e seu pai só queremos seu bem.
Fui andando em direção a porta que ele me indicou sentindo minhas pernas pesarem como chumbo. Será que Esther tinha ideia do quanto aquelas palavras estavam erradas?
Ele entrou logo atrás de mim na sala, que a julgar pela decoração deveria ser um escritório. Ouvi Mikael trancar a porta quando passou e eu nem sequer me virei, fui em direção a mesa e apoiei as mãos no encosto da cadeira. Esperei que ele começasse, eu já tinha uma vaga ideia de onde isso tudo ia terminar, mas travei os dentes disposto a não dizer sequer uma palavra além do necessário.
― Você é tão impulsivo filho... O mundo nem sempre gira ao seu redor sabia?
Ele caminhava de um lado para outro na sala. Ao ouvi-lo me chamar de filho senti uma onda fresca de raiva, eu me lembrava perfeitamente da época em que adoraria ouvi-lo me chamar assim, como eu queria que ele ao menos sorrisse ou demonstrasse uma gota de afeto, mas ele nunca o fez, e mais que tudo, eu me lembrava vividamente, como se tivesse acabado de acontecer, o minuto exato em que eu passava cada segundo do dia torcendo para ele sequer notar minha presença.
― Foi uma bobagem colossal você ter rompido o noivado com a Hayley, mas já cansei de me surpreender com as coisas estupidas que você faz.
― Se você não esperava nada diferente de mim, não deveria estar surpreso não é?
― Eu já cansei de tentar transformar você num homem de verdade Niklaus. Mas acho que eu já te falei várias vezes que você tem que respeitar sua mãe, e não aborrece-la com suas bobagens.
― Então diga a ela para não se intrometer na minha vida.
― É impressão minha ou você está tentando me dizer o que fazer?
Eu podia sentir que ele estava bem perto de mim agora. Minha respiração saia em lufadas rápidas e eu queria tanto ir para longe dele que sentia meu peito queimar.
― Acho que eu preciso te lembrar de quem eu sou não é mesmo?
Apertei meus dedos com tanta força na cadeira que senti pontadas de dor nas minhas unhas. Eu nunca realmente esperei que acabasse, ou que ele me deixasse em paz, mas eu estava bem mais forte agora, não era mais um garotinho, e se era isso que ele queria, eu não lhe daria o prazer de me fazer implorar.
― Como se eu pudesse esquecer.
Disse aquelas palavras muito baixo, quase para mim mesmo e cerrei os dentes. Determinado a não deixar um som sequer passar por meus lábios.
Ele abriu um cofre na parede e tirou algo lá de dentro, depois veio até mim e começou a erguer minha camisa. O toque dos seus dedos na minha pele fez meu estomago embrulhar. Seu toque despertava coisas tão sombrias dentro de mim que comecei a respirar com dificuldade.
Ele deixou minhas costas expostas depois se afastou um pouco. Meus músculos se tencionaram me preparando para o que viria. Eu quase podia vê-lo sorrindo atrás de mim. Eu sabia que no fundo o que ele queria era me ver fraquejar, mas eu jamais daria a ele o prazer de fugir como um garotinho assustado.
Ouvi um estalo no ar e o impacto contra minhas costas fez minha pele arder no mesmo segundo. Não movi um musculo sequer, embora meu primeiro instinto fosse me afastar daquilo. O próximo impacto foi precisamente no mesmo lugar, a ardência ficou muito mais forte. Mas eu o conhecia bem demais para saber que ele não iria parar agora, e que aquilo era só o começo.
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