Notas iniciais
Hey gente! Sexy Fire voltou!!!! Eeeeeba! Demorou um pouco mais que prevíamos pq o tempo ta escasso. Mas já estamos de volta, então sem mais delongas, boa leitura!!

POV’S Klaus

Flash Back on

― Nick! Nick!

Rebekah estava me chamando. Ela estava chorando. Mas eu não podia parar. Meus pés batiam rápido no chão enquanto eu corria para casa, subi as escadas o mais rápido que consegui e entrei no meu quarto. Bati a porta e entrei embaixo da cama.

Papai ficaria uma fera. Ele sempre ficava uma fera comigo. Rebekah ainda estava chorando lá em baixo. Eu não queria que ela se machucasse. Estávamos só brincando e ela acabou caindo e ralando o joelho. Mas ele não entenderia. Ele nunca entedia. Ele disse que eu tinha dez anos agora e tinha que proteger meus irmãos.

Tentei ouvir algum barulho vindo do corredor. Mas não escutei nada. Eu não queria que ele me achasse. Ou ele ficaria bravo e brigaria comigo de novo. Parecia que o papai ficava bravo comigo o tempo todo.

De repente a porta se abriu. Eu cobri a boca com as mãos para não fazer barulho. Ele fechou a porta.

― Eu sei que você está aqui. Sai daí agora ou vai ser pior para você.

Falou ele. Sua voz estava muito zangada. E eu fiquei com medo dele brigar comigo.

― Niklaus! Saia daí agora mesmo!

Gritou meu pai. E eu me encolhi embaixo da cama.

― Você quer mesmo ficar aí escondido feito uma garotinha? Sua irmã tem seis anos e é bem mais valente que você seu covarde!

Eu não gostava que ele falasse assim. Não queria que ele me chamasse de covarde. Saí devagar de debaixo da cama. Ele estava de pé no meio do quarto. Olhei para os meus pés. Ele estava muito bravo e eu não queria chorar. Ele ficava ainda mais bravo se eu chorasse.

― Só podia ser, se arrastando pelo chão feito um verme. Olhe para mim enquanto eu falo com você garoto!

Levantei o rosto para ele e esperei. Ele ia começar a gritar agora. Sempre gritava. E me dizia coisas ruins, eu começava a chorar e ele gritava mais ainda.

― O que eu falei sobre seus irmãos?

Perguntou ele.

― Que eu tinha que tomar conta deles.

Respondi num fio de voz.

― Mas você deixou sua irmã se machucar não foi?

― Não foi minha culpa pai, só estávamos brincando.

― Foi sua culpa sim! Tudo é sua culpa!

Eu não podia chorar. Não podia chorar. Olhei para baixo de novo.

― Olhe para mim Niklaus!

Falou ele com raiva, mas eu não obedeci. Sentia lágrimas nos meus olhos e não queria que ele visse. Então ouvi ele tirar o cinto. Olhei para cima, seu rosto estava vermelho de raiva. Eu tive medo. Muito medo.

***

― Klaus? Está dormindo Filho?

Mamãe entrou no quarto. Mas eu não queria me levantar, não queria ver ninguém. Minhas costas estavam doendo. Papai me odiava.

― A babá disse que você passou a tarde toda aqui no quarto. Está tudo bem?

Ela sentou na ponta da cama e eu me sentei também.

― Está sentindo alguma coisa?

Eu não podia mentir. Papai sempre ficava bravo quando eu mentia.

― Minhas costas estão doendo.

― Como assim suas costas?

Eu não queria falar, então levantei a camisa e mostrei as marcas a ela.

― Ah meu Deus! Quem fez isso com você?

― O papai.

Ela levantou da cama na mesma hora e saiu do quarto. Eu queria que ela ficasse. E cuidasse de mim.

Ouvi gritos do lado de fora. Entreabri a porta para ver. Eram meus pais.

― Nunca mais encoste no meu filho!

― Ele é um garoto fraco e vergonhoso e a culpa é toda sua!

― Ele é só uma criança, você não pode culpá-lo pelo que aconteceu!

Fechei a porta e voltei para dentro. Eles estavam brigando por minha causa. Coloquei um travesseiro nos ouvidos para não ouvir os gritos. Não consegui dormir. O sono vinha e voltava o tempo todo.

Já era muito tarde quando a porta do meu quarto se abriu, levantei rápido e papai me pegou pelos braços e me sacudiu.

― Você é covarde e patético, teve que correr chorando para a mamãe não foi?

― Desculpa, pai.

― Não peça desculpas! Dá próxima vez que você for fazer fofocas para sua mãe, vai ser muito pior entendeu bem? Se você acha que está doendo agora você não viu nada do que eu posso fazer.

Ele me soltou na cama e eu me encolhi, depois saiu batendo a porta.

Puxei o cobertor até a cabeça.

“Não contar a mamãe. Não contar a mamãe.”

Repeti para mim mesmo enquanto as lágrimas escorriam por meu rosto.

Flash back off

― Eu sou seu verdadeiro Pai.

Uma vez quando eu tinha cinco anos eu caí na piscina. A água invadiu meus pulmões, meu peito ardia e um zumbindo se formou em meus ouvidos. Eu batia meus braços e pernas, mas nada adiantava. Até que senti alguém segurar meu braço e me puxar para cima. O ar entrou em meus pulmões e de repente tudo se tornou nítido.

Foi exatamente assim que eu me senti com aquelas palavras. Perplexo. Sem chão, sem reação, sem palavras. Minha cabeça parecia ter entrado em parafuso. Até que senti os dedos de Caroline apertarem os meus. Aquela sensação me trouxe de volta. Eu respirei fundo e encarei minha mãe e... Andrew no meio da sala.

― O quê?

Consegui perguntar baixo. Aquilo não podia ser verdade. Não tinha como ser verdade. Mikael era meu pai. Nada daquilo fazia sentido.

― Depois que o Elijah nasceu meu casamento com seu pai teve uma crise terrível. ― Esther começou a falar, mas meus olhos não se desviavam de Andrew. ― Você conhece o Mikael e sabe que ele não é uma pessoa fácil. Na época ele estava envolvido com os políticos e nada mais importava, ele me afastou e praticamente esqueceu da nossa família. Não era muito fácil cuidar de dois meninos sozinha, com um marido que eu não via, e quando ele aparecia nós só fazíamos brigar.

Ela fez uma pausa e respirou fundo.

― Então eu conheci o Andrew. Ele pintava divinamente, e a arte era uma distração para mim. Nós nos aproximamos e nos tornamos amigos. Então, depois de um tempo nós... Bom, eu engravidei de você.

Nenhum pensamento conseguia se formar em minha cabeça, suas palavras poderia ser tudo que eu mais queria ouvir a 18, mas agora?

― Eu e Mikael não tínhamos nada a um bom tempo, então é claro que nós sabíamos que o filho não era dele. Mas como eu disse, ele estava envolvido com política e não seria nada bom para a imagem dele um divorcio. Meus pais também não aceitariam uma filha divorciada, então ele aceitou criar você como se fosse filho dele.

De todas as coisas que eu ouvi está noite essa era possivelmente a mais falsa possível.

― Eu era um pintor iniciante quando descobri que sua mãe estava grávida. ― Andrew começou a falar. ― Eu podia vender 10 quadros em uma semana, mas também podia passar dez meses sem vender sequer um. Saber que eu seria pai foi a melhor coisa que podia ter me acontecido. Mas quando eu pensei o que realmente isso significava... Eu não podia cuidar de vocês. Sua mãe tinha dois filhos e estava acostumada a uma vida que eu não podia dar a ela ou a vocês. Tudo que eu mais queria na vida era te ver crescer, levar você na escola, te ensinar a andar de bicicleta...

Um sorriso se formou em seu rosto quando ele falou, mas se fechou logo depois.

― Mas e se eu não pudesse te dar uma bicicleta? E se, quando eu te levasse a escola você tivesse vergonha de mim? Eu nunca quis te abandonar, mas eu não podia tirar de você a vida que você poderia ter com ele. A coisa mais difícil que eu fiz na vida foi te deixar, mas eu fiz isso para que você pudesse ter uma vida que eu não poderia te dar filho.

Concluiu ele e me olhou cheio de mágoa e arrependimento.

― Não me chame assim.

Falei a ele.

― Assim como?

A raiva borbulhou em meu peito e tudo veio a tona. Cada segundo da minha vida me bombardeou impiedosamente.

― Não me chame de filho.

― Klaus por favor, eu sei que você está magoado, mas você precisa entender que...

― O que eu preciso entender? ― Minha raiva explodiu e minha voz ecoou pela sala vazia. ― O que exatamente eu preciso entender? Que vocês tiveram um caso? Que eu fui um efeito colateral do que vocês fizeram?

― Não é nada disso Klaus, eu te amava mais do que tudo, eu só te deixei pelo seu próprio bem filho. Eu queria o melhor para você.

Durante a minha vida inteira eu tinha me transformado numa bomba relógio. E bom, agora era a hora de explodir.

― Meu bem? Você não tem idéia do que você está dizendo! Mikael me odiava, cada segundo do dia ele me odiava pelo que vocês fizeram, e já que ele não podia se vingar de vocês ele descontava tudo em mim!

Eu apertei os dedos de Caroline nos meus, parecia que sua presença era a única coisa que me impedia de enlouquecer completamente.

― Você sabe quantas vezes eu vestia as roupas caras que ele me comprava para esconder as marcas no meu corpo? Tem idéia de quantas vezes eu brincava com todos os brinquedos que ele me deu só para fingir que me machuquei com eles? Sequer imaginou quantas noites eu chorei até pegar no sono com medo do que ele poderia fazer no dia seguinte?

Lágrimas quentes escorriam por meu rosto. A humilhação ameaçava me engolfar. Mas eu precisava falar. Esther cobriu a boca com as mãos e chegou mais perto.

― Não! Filho... isso, não pode ter acontecido. Ele prometeu. Prometeu que não faria de novo!

Uma risada carregada de sarcasmo passou por meu lábios.

― Você não tem idéia do que acontece na sua própria casa Esther. Talvez se você cuidasse dos seus próprios filhos isso não precisaria acontecer.

― Porque você nunca me contou filho? Eu não deixaria ele fazer isso com você.

Ela estava chorando agora e Andrew estava parado no lugar. Com a expressão carregada de dor e choque.

― Você nunca pode me proteger. Foi você que me colocou naquela casa. Eu passei a minha vida toda pagando pelos erros de vocês.

Andrew deu alguns passos em minha direção como se fosse me abraçar mas eu ergui o braço para detê-lo.

― Por favor Filho, me perdoe. Eu sei que não mereço, mas me dê uma segunda chance. Eu amo você.

Enxuguei as lágrimas dos olhos com as costas da mão e dei um passo a frente ficando com o rosto a centímetros do dele.

― No começo eu sonhava que eu tinha outro pai. Alguém que estava procurando por mim e me amaria. Mas com o passar do tempo até isso se tornou doloroso. Eu nunca ouvi meu pai, ou o homem que eu achava que era meu pai dizer que me amava, sequer dizer que gostava de mim. E sabe o que eu estou sentindo ao ouvir isso de você agora?

Dei um passo a frente, encarando seus olhos, que só agora eu notei serem absurdamente iguais aos meus.

― Nada.

Minhas palavras doeram nele, pois outra lágrima escorreu por seu rosto.

― Você não é nada para mim.

― Por favor Filho...

― E sabe de uma coisa? Toda vez que eu me lembrar de todas as atrocidades que Mikael fez comigo, eu vou saber que ele não é o único culpado. Agora saia da minha casa. E nunca mais chegue perto de mim.

― Eu...

― Agora!

Quase berrei as palavras e ele deu as costas e saiu, me olhando uma última vez antes de sair. Esther ainda estava lá, parada me olhando.

― Vá embora Esther.

― Eu nunca pensei que aquilo estava acontecendo filho, eu juro que...

― Não me interessa Esther. Você conhecia o marido que tinha, e mesmo assim me jogou nas garras dele. Eu nunca tive um pai de verdade, e vivi num inferno, para que você pudesse ter um caso? É isso que você acha que eu devo entender?

― Klaus eu queria que você fosse feliz filho. Eu me afastei de você porque se Mikael achasse que eu estava te dando mais atenção poderia ter ainda mais raiva de você, mas eu nunca achei que ele estivesse te machucando.

― Saia da minha casa Esther. Agora.

Falei para ela que hesitou por um tempo mas acabou por sair.

Assim que ela saiu toda energia deixou meu corpo e eu senti meus joelhos baterem no chão.

― Klaus, amor. Eu estou aqui com você.

Falou Caroline me abraçando e a compota se abriu. Eu enterrei a cabeça em seu peito e chorei. Toda a dor e angústia que vivi durante tanto tempo pareciam ter voltado a tona. Meu peito queimava de dor. A frágil estabilidade que eu tinha conseguido durante a minha vida parecia ter desaparecido de debaixo dos meus pés, e eu sentia como se estivesse desabando.

Caroline me abraçou e deitamos no chão da sala, enquanto novas ondas de lágrimas viam. Os braços quentes dela a minha volta era a única coisa que me fazia ficar inteiro.

Muito tempo se passou, enquanto eu estava ali com ela. Mas finalmente eu tive forças para levantar. Então ela me pegou pela mão e me guiou até o banho. Tirando minhas roupas depois me levando para o chuveiro. Ela pegou uma esponja e ensaboou meu corpo bem devagar. Acariciando cada centímetro de pele. Depois ligou o chuveiro e tirou toda a espuma. Eu não tinha forças para fazer nada além de deixar ela cuidar de mim, e juntar os meus pedaços que pareciam espalhados por todo lado.

Quando terminou de me secar ela me levou para a cama e começou a beijar meu peito, braços, rosto. Tão de leve que seus lábios mal me tocavam. Mas a sensação era tão boa que eu fechei os olhos apenas para senti-la. Depois que terminou ele se deitou sobre mim e me abraçou.

― Você é amado Klaus. Talvez não por aquele monstro que te criou, mas eu o amo, seus irmãos também te amam. Você é perfeito para nós.

― Não sou não.

Respondi a ela com a voz rouca e quebradiça.

― Eu estou quebrado Caroline. Minha vida é uma sombra do meu passado, e eu nunca vou poder me livrar disso.

― Você não está quebrado Klaus. Você está se curando. Falar tudo aquilo hoje para sua mãe foi um grande passo, e além disso você soube de uma notícia muita pesada hoje. E isso não é fácil de digerir. Mas o processo de cura é sempre doloroso, só que vale a pena no final.

― E se eu nuca me curar?

― Mas você vai. Eu estou aqui, amo você e sou muito cabeça dura, então você não tem muitas opções.

Rolei por cima dela e segurei seu rosto com as duas mãos.

― Você é a minha cura.

― Sempre.

Eu a beijei, lentamente, sentindo o gosto de seus lábios, apreciando a doçura do seu toque. Continuei a beijá-la por muito tempo, até que nos afastamos um pouco. Eu sorri e ela tocou meu rosto.

― Você precisa conversar com ele Klaus.

Falou ela e eu nem precisei perguntar para saber quem era.

― Eu não quero falar sobre ele e nem com ele Caroline. Por favor.

― Eu entendo, mas em algum momento você vai precisar fazer isso.

― Eu não o quero na minha vida. E além disso tem outra coisa que eu vou me concentrar agora. Todo o resto pode esperar.

― E o que seria essa coisa tão importante?

― Nosso casamento.