Sexy Fire - Kalijah
9 Capítulo 9
Notas iniciais
POV’S Elijah
Assim que fiz a pergunta senti uma energia diferente, como se eu estivesse me preparando para o melhor e pior.
Katherine retesou as costas e jogou as pernas para fora da cama, depois encarou o espaço a sua frente. Seu maxilar estava travado, a tensão que exalava do seu corpo era palpável.
― Katherine?
Chamei com a voz saindo rouca e ansiosa. A sensação que eu tinha era que havia esperado minha vida inteira para ouvir isso. Como se durante o tempo em que nós dois ficamos separados era apenas uma preparação para isso, como se nunca tivesse acontecido de verdade.
― Você não deveria fazer uma pergunta quando não quer ouvir a resposta.
Respondeu Katherine, e senti um frio descer por minha espinha. Olhei o exame em cima da cama, e pela primeira vez desde que ele chegou, eu não tive vontade de abrir.
― Eu quero saber a verdade Katherine, vinda de você, e não de um maldito documento!
Não consegui conter minha voz. Eu não desejava brigar com Katherine, principalmente agora, mas eu já não suportava a pressão de não saber, de ser mantido de fora da vida dela, e talvez até da vida da minha filha.
Com isso ela finalmente me olhou, sua expressão estava triste e com raiva, mas ela levantou o queixo e me olhou bem nos olhos.
― Você quer saber a verdade? A verdade Elijah é que a Amy é sim sua filha.
É impossível descrever como eu me senti ao ouvir aquelas palavras. Os sentimentos me invadiram num turbilhão, que me deixou atordoado.
Eu tinha uma filha. Amy era minha filha. Levei a mão ao peito numa tentativa de aliviar os sentimentos caóticos que deixavam uma dor esquisita, e um nó na garganta. Em meio a tudo, levantei os olhos para Katherine. E mais sentimentos ainda me atingiram. Amor, dúvida, medo, raiva, traição...
― Como você pode esconder isso de mim?
Ela cruzou os braços e assumiu uma atitude defensiva.
― Sua família estava nos destruindo, foi bem fácil na verdade, escolher quem eu deveria proteger.
― Você não tinha o direito de me esconder isso! Não podia julgar se eu era ou não capaz de cuidar da minha filha.
― Sua mãe tinha um controle sobre você que eu nunca entendi Elijah, você deixou ela ficar entre nós.
― Minha mãe esteve ao meu lado de formas que você não entende...
Ela ergueu a sobrancelha e eu me dei conta do que tinha falado. Me arrependi quase imediatamente, mas não podia retirar as palavras.
― Pelo visto eu não sou a única a ter segredos não é?
― Isso não tem nada a ver com nós dois, e com a nossa filha!
― A não? Você quer saber o que aconteceu naquele dia? O que me fez sumir da sua vida daquele jeito?
Flash Back on
POV’S Katherine
Eu não conseguia acreditar que eu tinha deixado Elijah me convencer a vir aqui. A primeira vez que eu vim a está casa foi uma droga. Mas ele achava que era só uma questão de tempo, que se nos conhecêssemos melhor, tudo ficaria bem. Como ele não enxergava a megera odiosa que a mãe dele era?
Enxuguei a mão na toalha e fitei meu reflexo no espelho. A irritação estava nítida no meu rosto. Eu não queria estar aqui. Mas resolvi fazer isso por ele.
Era uma péssima noite para isso. Eu queria conversar com ele a sós. Fazer um jantar e contar para ele. Contar a melhor coisa que tinha acontecido. Talvez durante minha vida inteira. Minha mão pousou sobre meu ventre e não pude evitar o sorriso.
Eu não queria ter esperanças no começo, quando comecei a sentir os sintomas. Mas eu tinha feito o teste hoje de manhã, e tinha dado positivo. Era tão bom que às vezes eu tinha que me beliscar. Eu estava com o homem que eu amava, e agora carregava um pequeno milagre dentro de mim.
Passei as mãos nos cabelos. Já íamos comer a sobremesa, eu com certeza podia aturar mais vinte minutos de comentários sarcásticos daquela mulher.
Abri a porta e quase caí para trás quando a vi parada na porta esperando por mim.
― Podemos conversar um minuto?
Engoli em seco, pensei em recusar, mas não tinha muita escapatória. Eu estava em território inimigo. Concordei com a cabeça e a segui até o escritório.
Assim que entramos, ela se virou para mim. Seu rosto não demonstrava emoção alguma. Mas eu duvidava que alguma dia tivesse demonstrado.
― Você sabe que eu não aprovo seu envolvimento com meu filho.
Ela disse de forma tão natural que parecia estar me perguntando sobre o tempo.
― Sério? Eu nem tinha notado...
― Não seja sarcástica comigo garota.
― Eu paro, quando você parar de ser uma vaca comigo.
Ela deu uma risada tão fria que causou arrepios em mim.
― Você não tem idéia da quantidade de vigaristas que eu já afastei dos meus filhos durante todo esse tempo.
― Hum... que coisa mais chata. Você não deve ter muitas coisas para fazer com seu tempo não é?
Eu sabia que era uma péssima idéia provocar. Mas ela era tão odiosa que eu não conseguia me controlar. Como uma mulher dessas conseguiu colocar no mundo um filho como Elijah?
― Eu vou fazer o mesmo com você. Vou mostrar ao Elijah que você é mais uma golpista. Provavelmente planejando dar o golpe da barriga nele, e arrancar muito dinheiro.
As palavras cheias de veneno dela me atingiram como um soco no estomago. Dei um passo para trás e levei a mão a barriga quase involuntariamente. Ela olhou para meu rosto depois para minha barriga. A mascara de frieza finalmente caiu de seu rosto, ela veio até mim e agarrou meu braço.
― Nem pense nisso!
Ela falou baixo, mas para mim foi como se tivesse berrado.
― Me solte!
― Você não é ninguém! É só uma qualquer, que não merece sequer estar com meu filho, quanto mais carregar um Mikaelson na barriga!
Ela pareceu se tocar que ainda estava agarrando meu braço e finalmente me soltou. Depois se recompôs um pouco e deu alguns passos em minha direção.
― Se você sequer pensar nisso, eu vou fazer da sua vida um inferno, a sua e a de qualquer bastardinho que você pense em colocar no mundo!
O ódio estava estampando em seus olhos e eu saí de lá. Senti que o sangue fugiu do meu rosto. Tudo que mais queria era sumir dali, sair daquele maldito lugar. Parecia um pesadelo. Tudo que eu mais queria, agora tinha uma nuvem negra pairando em cima de mim e tentando me arrastar para tudo que eu tinha vivido.
Senti alguém atrás de mim e puxar minha mão, mas eu me soltei e continuei andando.
― Katherine por favor, espere.
Ouvi Elijah me chamar, assim que alcancei o carro eu respirei fundo e me virei para ele. Eu estava com raiva e com medo, cerrei as mãos ao lado do corpo.
― Eu quero que você me leve para casa Elijah, agora.
Falei para ele com os dentes serrados.
― Pensei que nós iríamos para minha casa, tomar sorvete e dar uns amassos no sofá.
Ele sorriu um pouco, mas eu não conseguia me acalmar. Não era só mais a mim que ela estava ameaçando.
― Isso foi bem antes de eu ter resolvido aceitar vir aqui, de novo e ter o desprazer de jantar com a vaca da sua mãe.
― Não fale assim Katherine, aposto que se vocês se conhecerem melhor esse mal estar vai passar.
― Conhecer melhor? Eu já vi o suficiente, e se você realmente acha que me chamar de golpista barata é um “mal estar”, você me conhece bem pouco.
― Ela não quis dizer isso.
― Ah ela quis sim, e aposto que vai dizer de novo se tiver uma chance.
― Katherine, fica calma.
― Eu me acalmar? Eu? Sua mãe é a perua mais arrogante que eu já conheci e se você não tiver percebido ainda, ela me odeia, acha que eu não sirvo para você.
― Ela vai mudar de idéia.
Ele parecia acreditar realmente nisso. Mas eu me sentia encurralada. Ele não sabia do que ela era capaz. Eu com certeza não podia pagar para ver.
― Ela não vai mudar de idéia Elijah, eu só me pergunto quanto tempo vai demorar para você mudar de idéia.
― Não! Eu nunca vou mudar de idéia sobre nós.
Ele se aproximou de mim e me abraçou. A proximidade do seu corpo era um conforto mais que necessário agora. Envolvi meus braços em seus ombros e respirei fundo. Eu o amava, e sabia que ele também me amava. Mas eu já tinha passado por isso, e a família dele me fazia estar perigosamente perto de passar por tudo aquilo de novo.
Ele afastou o rosto um pouco e me beijou, e por alguns preciosos segundos eu pensei que tudo ficaria bem, que não tinha porque temer.
― Elijah.
Senti um choque quando ouvi a voz dela e me afastei de Elijah num pulo.
― Eu preciso falar com você filho.
Elijah apertou meus dedos e beijou meu rosto.
― Eu já volto.
Mas assim que o vi se afastar eu sabia que não podia ficar aqui. Aquela maldita família nunca ia deixar que fossemos felizes. Eu não podia deixar que eles destruíssem meu filho, que sequer tinha nascido.
― Adeus Elijah...
Murmurei e sai dali praticamente correndo, com as lágrimas escorrendo por meus rosto.
Flash Back off
POV’S Elijah
Eu queria acreditar que minha mãe não faria isso. Mas no fundo eu sabia que faria. Sabia que ela não mediria esforços para conseguir o que queria.
Quando Katherine terminou de falar, eu via a mágoa e a dor brilhar em seus olhos. Ecoando a minha própria dor, ao imaginar tudo, o que ela tinha passado sozinha, tudo que eu tinha perdido, como eu me senti sem ela, como ela deve ter se sentido sozinha e com uma filha para criar.
― Eu teria protegido vocês.
― Você não teria acredito em mim Elijah, você estava cego para tudo que ela fazia.
― Katherine...
― Quer saber de uma coisa Elijah? Eu sei o que é ter sua vida destruída por pessoas que deveriam cuidar de você.
Ela respirou fundo e passou as mãos nos braços como se tentasse se aquecer. Depois me olhou de novo.
― Quando eu tinha dezessete anos eu engravidei, de um homem casado. Quando eu contei para os meus pais, eles surtaram, já era peso o bastante para eles me criarem, eles não iriam cuidar de mais alguém. Então, resolveram que eu tinha que fazer um aborto.
O choque percorreu meu corpo. E eu a imaginei, jovem, sozinha e assustada, tentando lidar com uma coisa assim.
― E o pai? O que ele fez?
― Ele nem soube, eu não era problema dele Elijah, ele tinha mulher e dois filhos, acha mesmo que ele iria querer nos assumir?
― Era obrigação dele cuidar de você. Assim como é minha cuidar de você e de Amy, desde o começo. Era isso que eu teria feito se você tivesse me contado Katherine.
Ela dei alguns passos em minha direção e parou bem na minha frente.
― Meus pais me levaram a uma clinica de aborto ilegal, e eles arrancaram meu filho de dentro de mim Elijah. Eu implorei para que não deixassem que fizessem isso, mas eles nem ligaram.
Estiquei a mão para tocar seu rosto, sem saber o que fazer para confortá-la, tentando aliviar um pouco de sua dor, mas ela se afastou do meu toque.
― Depois do aborto, eu tive hemorragia e infecção, o pessoal da clínica mandou meus pais me levarem a um hospital, eles não queriam que eu morresse lá. E quando chegamos ao hospital, meus pais disseram aos médicos que eu tinha engravidado, não contei para eles e fui fazer um aborto. Eu já tinha perdido muito sangue, mal sabia onde estava. Quando eu acordei os médicos me disseram o que ouve, e disseram que por causa da infecção eu talvez nunca mais conseguisse engravidar. Então assim que eu consegui sair do hospital, eu fui embora, e nunca mais voltei para casa.
― Katherine, eu... nem sei o que dizer.
― Não precisa me dizer nada. Quando eu descobri que estava grávida, eu nem sabia como reagir, era tudo que eu pensei que nunca teria Elijah, minha pequena guerreira tinha conseguido, ela estava dentro de mim.
― Eu vou cuidar de vocês Katherine, eu iria proteger vocês de tudo.
― Meus pais arrancaram meu filho de dentro de mim, e os seus iriam fazer o mesmo. Eu não tive escolha.
Assim que terminou de dizer isso ela foi para o banheiro. Eu olhei em volta para o quarto. Me lembrando que a alguns segundos estávamos abraçados, fizemos amor bem ali ao lado. E agora, parecia quase uma outra vida. Eu tinha uma filha. Uma criança que não sabia sobre mim. E que eu também não sabia quase nada. Não sabia qual tinha sido sua primeira palavra, ou com quantos anos ela começou andar, se tinha alguma alergia...
Era meu sangue, e ao mesmo tempo era uma estranha. Como era possível que a família que eu tanto desejei tivesse sido arrancada de mim sem que eu ao menos soubesse que ela existia?
Katherine saiu do banheiro completamente vestida. Eu estava magoado e sofrendo, mas ela também estava. A vida tinha sido muito dura com ela, e eu, que deveria ser seu porto seguro, só me tornei um ponto doloroso de sua vida.
― Eu vou para casa.
Disse ela. Isso me despertou e eu caminhei em sua direção, mas ela colocou a mão na frente do corpo para me afastar.
― Precisamos conversar Katherine.
― Sim precisamos, mas não agora e nem hoje. Eu vou para casa ficar com minha filha.
― Nossa filha.
Falei e ela foi em direção a porta, mas parou antes de sair, por fim se virou para mim.
― Eu nunca quis mentir para você, nem tirar a oportunidade de você ver sua filha. Mas a felicidade dela é o mais importante para mim, e eu não vou deixar sua família tirar isso dela.
E com isso ela saiu. Eu pensei em ir atrás dela. Mas eu não podia fazer isso agora, eu sequer pensei no que iríamos fazer. Eu queria fazer parte da vida de Amy, queria que ela soubesse que eu era o pai dela. Mas ela era só uma criança, antes do que fossemos pensar no que era melhor para nós, tínhamos que saber o que seria melhor para ela.
Olhei para os quatro cantos da casa, me sentindo irremediavelmente sozinho. Precisava tanto ouvir alguém, falar com alguém, tentar acalmar meus pensamentos, e raciocinar com clareza.
Demorei bastante para resolver, mas finalmente peguei o telefone na cabeceira da cama.
― Alô?
Ele atendeu no segundo toque.
― Klaus? Sou eu, Elijah. Será que podemos conversar?
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