Sexy Fire - Kalijah
10 Capítulo 10
Notas iniciais
POV'S Elijah
Usei cada grama de força de vontade que eu possuía para não ir a casa de Katherine no domingo. Achei que ela precisaria de um tempo para pensar e digerir isso tanto quanto eu. Tínhamos uma filha juntos e precisávamos pensar no futuro dela e no que faríamos agora.
Conversei com Klaus sábado a noite, mas não esperava realmente nada além de que ele me escutasse, parecia tão mais real quando eu falava aquilo em voz alta para mais alguém ouvir. Klaus ouviu tudo que eu precisava dizer e me disse que eu precisava conversar com Katherine.
E cá estava eu na segunda. Parado em sua porta. Talvez ela tenha me visto chegar, talvez não. Mas de qualquer jeito ainda não tinha saído para ver, e eu estava organizando meus pensamentos. O que eu gostaria de fazer nesse segundo era levar as duas para minha casa e casar com Katherine o mais rápido possível. Mas ela estava magoada, ambos estávamos. Isso não era a base com que se deve construir um relacionamento. E eu também não queria que ela pensasse que eu só estava fazendo isso por causa de Amy.
Desci do carro e toquei a campainha, ela demorou um pouco de atender. Senti um aperto no peito. Toquei mais vezes e mais rápido. A porta se abriu pouco depois, e la estava ela na porta. Não sorria. Eu podia ver a preocupação e o medo em seus olhos.
― Oi.
Falei a ela, que foi para o lado deixando que eu entrasse. Amy estava no meio da sala, com bonecas e bichinhos de pelúcia por todo lado. Ela levantou os olhos quando me aproximei e um enorme sorriso se abriu em seu rosto.
― Tio!
Gritou ela e se jogou em meus braços, eu a suspendi rodando-a no ar e a abraçando forte. Minha filha. Um sentimento inexplicável queimou em meu peito e senti meus olhos se encherem de lágrimas. Era tão incrível que eu nem sabia como começar a descrever. Ela se afastou de mim um pouco e tocou meu rosto.
― Você ta chorando?
― Não, só estou feliz em te ver.
Respondi enxugando os olhos, precisava me recompor. Para Amy essa era só mais uma visita de alguém que ela gostava. Fiz cócegas nela para distrair seus pensamentos e ela gargalhou. Depois a pus no chão e ela foi me puxando pela mão para o meio de seus brinquedos.
― Estamos tomando chá tio.
Falou a ela me entregando uma xícara. Eu a peguei sorrindo e fingi tomar um gole. Meus olhos não a deixavam sequer por um segundo. Percebendo agora coisas que eu nunca tinha notado. O jeito de franzir a testa, o formato dos olhos... Tantas coisas minhas que sempre estiveram ali, e eu nunca tinha percebido. Fiquei brincando com Amy por algum tempo, até que Katherine a chamou para tomar banho.
Eu fiquei na sala sentado. Esperando por elas. Os brinquedos de Amy ainda estavam no chão e eu comecei a junta-los. Peguei uma das bonecas, sua roupinha era vermelha, e Amy tinha amarrado um babador no pescoço para que ela não se sujasse de “chá”. Tirei o babador e comecei a arrumar o laço do vestido.
Minha mão congelou no lugar e minha respiração começou a vir mais rápido.
Não. Agora não.
Levantei do sofá e fui até a cozinha, peguei um copo de água, o bebi e comecei andar de um lado para outro. Se fechasse os olhos ainda podia sentir a sensação do sangue nas minhas mãos...
Fechei os olhos tentando me controlar, eu não podia permitir que isso tudo voltasse. Não agora. Mas minhas emoções estavam no limite e agora ameaçavam explodir.
Voltei para sala e olhei as fotos de Katherine e Amy de novo. Minha família. Minha filha e a mulher que eu amava. Mas como eu podia ser um bom pai, ou sequer um marido se ela não tinha idéia do que eu tinha feito?
Merda. Se eu pudesse voltar atrás... Se eu pudesse voltar no tempo e estar inteiro para Katherine nada disso teria acontecido. Ela saberia que eu podia cuidar dela, saberia que sempre estaria ali, que eu podia ser um bom pai para Amy.
Mas meu passado, o que eu fiz, e somente minha mãe sabia, tinha destruído tudo que eu podia ter.
Ela podia estar certa no final. O homem que eu exibia para o mundo não chegava nem perto do que eu era de verdade. De tudo que tinha dentro de mim, e que eu escondia por trás dessa fachada, de homem calmo e sempre impecavelmente vestido.
Amy e Katherine voltaram do quarto depois do que me pareceram horas. Ela me convidou para jantar e eu me sentei a mesa. Mal sentia o gosto da comida, minha boca estava amarga, algo que vinha de dentro para fora.
Terminamos o jantar e logo Katherine foi colocar Amy na cama. Eu queria ir também, colocar minha pequena na cama pela primeira vez. Mas a sensação que eu estava mentindo, que eu era uma mentira estava me sufocando. Eu não tinha direito de exigir a verdade de Katherine se eu mesmo não fui capaz de dar isso a ela.
― Elijah?
Katherine me chamou e eu olhei para ela respirando fundo.
― Precisamos conversar.
Falei a ela e sentamos no sofá. Ela estava distante de mim, eu queria tanto tocá-la. Tanto sentir seu toque. Eu nunca me senti tão inteiro do que quando estava em seus braços.
Nem um de nós dois falou nada por um bom tempo. E eu me permiti pensar que ela também sentia essa distancia, que também sentia minha falta.
― Eu sinto muito.
Falei por fim. Ela me olhou confusa.
― Sente muito pelo quê?
― Eu entendo porque você fugiu, eu não pude cuidar de você. Não pude te mostrar que você era a coisa mais importante para mim, eu mesmo te afastei e não te culpo por isso.
Falei tudo isso num único fôlego. Katherine ficou me olhando enquanto eu dizia isso, e ela finalmente pareceu relaxar.
― Eu errei também Elijah, era seu filho também. Você tinha o direito de saber.
Respondeu ela. Depois continuou.
― Eu errei, nós dois erramos. E ficar discutindo isso agora não adianta, temos que pensar na nossa filha.
Eu finalmente me permiti estender a mão e tocar seu rosto. Ela se retraiu um pouco, mas depois relaxou e inclinou o rosto sob meu toque. Senti um alívio tão grande no peito que soltei um suspiro, não sabia o que faria se ela recusasse meu toque.
― Eu quero vocês comigo. Quero vocês na minha vida, na minha casa, todos os dias.
Ela colocou a mão por cima da minha.
― É cedo demais para isso Elijah, ainda tem muita coisa que precisamos cuidar antes, além disso você não precisa se casar comigo porque temos uma filha.
― Eu preciso me casar com você porque eu te amo Katherine! Eu não quero mais ser só uma visita na vida da Amy, quero que ela saiba quem eu sou, quero que todos saibam, você e ela são tudo para mim, eu quero que vocês duas carreguem o meu sobrenome!
Assim que terminei de falar isso puxei-a pelos ombros e praticamente devorei sua boca, passei minha língua por seu lábio inferior e um gemido se formou no fundo da minha garganta quando seu gosto invadiu minha boca.
Ela enterrou os dedos em meus cabelos e puxou meu rosto mais perto, quando me dei conta eu já estava deitado sob seu corpo e puxando sua perna para que me envolvesse. Ela empurrou o paletó por meus ombros e eu comecei a beijar seu pescoço e ombros.
E pelo resto da noite nos perdemos um no outro como se quiséssemos gravar na pele cada toque, impregnar em nosso corpo a essência um do outro.
***
Um grito me acordou e levei algum tempo para me dar conta que era o meu próprio. Meu corpo inteiro tremia e eu chutei as cobertas tentando me levantar da cama. Estava escuro e eu não sabia direito onde estava, só sabia que precisava tirar o sangue das minhas mãos.
― Elijah!
Ouvi sua voz e a luz acendeu me cegando por um momento. Olhei em volta até visualizar Katherine. Ela acendeu a luz e agora vinha até mim devagar. Como que para se certificar que eu estava acordado. O suor frio se grudava a minha pele, e agora eu o sentia de dentro para fora.
Tinha acontecido de novo. Aquele maldito pesadelo.
Ela me olhava assustada e preocupada. Senti meus ombros se curvarem e cobri os olhos com as mãos.
― Sinto muito.
Senti suas mãos tocarem meu peito e estremeci, mas não pude olhar para ela. Não queria que me visse assim.
― O que houve? Com que você estava sonhando?
Eu tinha que contar a ela. Sabia que precisava. Mas ao mesmo tempo eu tinha medo. Medo do que ela poderia pensar de mim.
― Elijah?
Chamou ela e eu finalmente descobri os olhos. Ela estava assustada e isso era evidente. Mas não estava com medo de mim.
― Podemos falar sobre isso amanhã?
Minha própria voz soou rouca e estranha.
― Claro.
Respondeu ela e me abraçou. Depois nós dois voltamos para cama. Eu sentia que meu corpo estava pegajoso. A vontade de me levantar e lavar as mãos para tirar aquela sensação era quase insuportável.
TOC era o que os médicos diziam. Transtorno obsessivo compulsivo causado por traumas e ansiedade. Para mim parecia mais o inferno.
Katherine ergueu os olhos para mim.
― Amanhã podemos conversar com a Amy sobre você.
Ergui as mãos tocando seu cabelo. Meus dedos escorriam pelas mechas e eu repetia o movimento. Aquilo parecia me acalmar um pouco, e a tensão ia deixando meu corpo.
― Será que ela vai entender?
― Talvez não agora, mas com o tempo ela vai saber que você é o pai dela.
Sorrimos um para outro.
― Eu quero me casar com você Katherine.
Falei tocando seu lábio inferior.
― Não precisamos estar casados para sermos uma família.
― Eu sei disso, mas eu quero vocês na minha vida.
― Eu sei que quer e eu também quero você na nossa, mas agora não é o momento de agirmos no impulso.
― Não é um impulso. Eu queria me casar com você a quatro anos atrás Katherine e ainda quero.
― Eu sei, mas nós não nos casamos e agora a situação é diferente.
― Isso é um não?
Ela respirou fundo e me beijou.
― É um não por enquanto, mas quando eu tiver certeza que é o certo e que é o que nós dois queremos eu vou ter o maior prazer em te dizer sim.
Abracei-a e ela descansou a cabeça em meu peito. Continuei acariciando seus cabelos. Seu toque macio expulsando a sensação de sujeira de mim.
A respiração de Katherine foi ficando mais regular e ela adormeceu. Mas eu continuei acordando. Pensando em tudo que viria. No que ela faria, em como reagiria quando eu contasse.
Nós nos amávamos e iríamos lutar um pelo outro e pela felicidade da nossa filha. Mas agora mais que nunca nossa relação estava frágil, balançando numa corda bamba. Qualquer posso em falso e poderíamos cair de vez.
Ela tinha um segredo. Um que envolvia nós dois, que afetava a vida de uma criança. Mas eu também tinha. Precisávamos basear nosso relacionamento na verdade independente do quanto isso fosse difícil.
Katherine dormia em meus braços, e nossa filha dormia no quarto ao lado. Eu tinha que lutar para estar inteiro de novo para elas. Eu nunca pensei de verdade em fazer terapia. Minha mãe achava que falar sobre isso, para qualquer pessoa só seria pior. E por muito tempo eu acreditei em seu julgamento. Achei que, se ela achava que eu ficaria bem, então eu ficaria bem.
Mas esconder as coisas não as fariam sumir. Não contar para as pessoas o que aconteceu comigo não fazia com que aquilo sumisse. Eu tinha que contar a Katherine, mas também havia outra pessoa que eu precisava falar, para quem eu precisava contar o que eu fiz. Eu sabia que talvez ele nunca me perdoasse depois que soubesse, mas eu já não agüentava guardar aquilo dentro de mim. Eu tinha que contar a ele.
Klaus precisava saber..
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