Sexy Fire - Kalijah
16 Capítulo 16
Notas iniciais
POV’S Elijah
Amy adormeceu um pouco antes de irmos embora, eu a levei e Katherine até o carro e voltei para falar com Mikael que nos acompanhou até a porta.
― Foi uma noite agradável pai.
Falei a Mikael com um aceno. E era verdade, apesar da estranheza da situação tinha sido bom estar aqui.
― Cuide bem delas Elijah.
Falou meu pai colocando a mão em meu ombro.
― Eu vou.
Respondi e já ia saindo, mas ele segurou meu ombro e eu me virei.
― Eu deixei que a dor me consumisse Elijah e perdi muito mais do que posso dizer. Você precisa merecer estar com elas. Amy é uma nova chance das coisas darem certo para você.
― Dor? Dor pelo quê?
Ele olhou para o vazio a minha frente e limpou a garganta.
― Eu perdi uma coisa para qual não estava e nunca estarei pronto.
Eu ia perguntar mais, mas vi o exato segundo em que seu rosto se fechou. Ele não ia falar mais nada.
― Tenha cuidado Elijah, não deixe seus fantasmas te consumirem, ou você pode destruir a si mesmo e a elas também.
Então ele entrou em casa e eu fui para casa de Katherine com ela e ajudei a colocar Amy na cama. Depois fomos dormir.
Só que eu estava inquieto. As coisas estavam indo bem entre nós. Mas depois das palavras de Mikael eu não conseguia me livrar da sensação de que algo daria errado. De que eu faria tudo dar errado.
Não me lembro de ter caído no sono, mas lembro-me perfeitamente de como acordei.
“O cheiro estava grudado em mim, fazia minhas narinas queimarem. Só que eu estava frio por dentro. Não conseguia sentir nada. Só avançar. Bastava seguir em frente e não olhar para trás.
Parecia que eu estava num enorme corredor com uma porta no final. Então eu caminhei até lá e girei a maçaneta, a porta se abriu.
O cômodo era mal iluminado, parecia um quarto, sem portas ou janelas. E tinha uma mulher ajoelhada no meio da sala.
― Katherine?
Perguntei. Mas soou estranho. Eu deveria senti alguma coisa, qualquer coisa. Mas não havia nada lá.
― Elijah, não, por favor...
Ela chorava, seus olhos estavam apavorados e eu dei um passo em sua direção, ela quase caiu para trás de medo. Eu ergui a mão para alcança-la só então vendo o sangue em meus dedos. Era daí que estava vindo o cheiro.
Katherine soluçou ainda mais e eu olhei para ela de novo.
― Por favor, não...
Então eu fui até ela. Porque ela estava chorando?
Segurei-a pelos braços e a ergui do chão.
― Porque você está chorando?
― Por favor...
Ela implorou e aquilo me aborreceu. Ela não deveria implorar. Se eu não quisesse mais, então ela não serviria. Uma ferocidade cruel queimou em meu peito e eu a atirei de lado. Ela não soluçou mais, ficou imóvel, e eu não me importei. Eu tinha que achar outra coisa. Então eu vi o que era. O que Katherine tentava esconder de mim.
A garotinha chorava e me olhava com o pavor em suas feições. Olhei para Katherine imóvel no chão. Eu deveria fazer o mesmo não é? Porque não? Eu não me importava.
Eu avancei e ela gritou.”
Seu grito ainda ressoava em meus ouvidos quando eu me levantei bruscamente da cama. As cobertas se enrolaram em minhas pernas e eu me debati um pouco tentado me livrar.
Aquela sensação de não controlar a mim mesmo invadiu meus sentidos e me levantei ofegante e entrei no banheiro para lavar o rosto, a sensação da água na minha pele me fez arquejar e eu coloquei a cabeça embaixo da água. Mas não parecia o suficiente, então arranquei as roupas e fui para debaixo do chuveiro.
― Elijah? Está tudo bem?
Katherine surgiu na porta do banheiro, ela parecia ainda sonolenta, mas a preocupação vincava suas feições.
― Tudo.
Respondi e me virei. Não queria ver aquela expressão em seu rosto. Não queria me sentir assim. Eu deveria ser seu apoio, deveria ser a coisa mais firme em sua vida. Mas parecia que eu não tinha controle nem sobre mim mesmo.
Os ecos daquele maldito pesadelos estavam gravados em minha mente. E o pior era a percepção de que poderia estar certo. E se todas aquelas coisas que borbulhavam em mim fizessem com que eu machucasse Katherine ou Amy? E se ao invés de lhes proporcionar uma família eu quebrasse ainda mais o seu mundo?
Quando saí do banho muito tempo depois Katherine ainda estava acordado, ela ergueu os olhos quando me viu, mas eu não sabia o que dizer, nem sabia se havia algo que pudesse dizer.
Peguei minha calça e vesti, desejando álcool, querendo beber alguma coisa e abafar a sensação de que tudo estava me escapando.
― Eu vou para casa.
Falei a Katherine.
― O quê? São três da manhã!
Ela se levantou e cruzou os braços.
― Eu preciso de um pouco de espaço, só isso.
― Um pouco de espaço? É isso mesmo que você vai dizer para mim? Você precisa de ajuda Elijah, não ficar sozinho!
Eu sei que ela só queria ajudar, mas ver ela fazendo isso fazia com que eu me sentisse ainda pior. Era como se eu estivesse fracassando em algo que poderia ser realmente bom.
― Só... deixe que eu vá.
Falei a ela sem olhar em seus olhos e procurei a camisa querendo sair dali o mais rápido possível.
Então peguei as chaves do carro e dirigi para casa. O que foi a pior ideia que já tive. Assim que cheguei o silencio e o vazio me oprimiram. Cambaleei pelos cômodos tentando achar uma garrafa de uísque, mas só vi que aquilo não funcionou, e só me dei conta quando já havia bebido quase meia garrafa.
Eu precisava dormir. Precisava descansar e estar bem amanhã para poder voltar para Katherine. Abri a porta do banheiro sentindo que aquilo estava me enlouquecendo, então recorri a algo que já não fazia a anos. Remédios para dormir. Peguei a embalagem no banheiro e tomei dois. Depois mais dois. Eu precisava dormir. Rápido. Então virei o conteúdo quase todo na mão e engoli.
O efeito foi rápido e num segundo meus sentidos apagaram e eu caí.
***
Na manhã seguinte quando acordei tudo que eu podia sentir era dor e vergonha. Era humilhante. Apenas algumas palavras de Mikael fizerem com que eu perdesse o controle. Eu tinha medo de que o que aconteceu comigo ontem fosse nada mais que a verdade.
Eu me sentia equilibrado com Katherine. Mas e se eu fosse um risco? E se minhas dúvidas fossem o que iriam machuca-las?
Não fui trabalhar. Apenas fui correr. Eu gostava disso. Era apenas instinto e concentração no que você estava fazendo. Eu pude acalmar minha mente com isso. Mas não me deixava esquecer o que estaria esperando por mim. Eu precisava conversar com Katherine. Precisava tentar me explicar. Mesmo que não soubesse como.
O dia estava um pouco quente e eu já estava na segunda volta no parque quando vi uma mulher correndo a minha frente. Ela corria mais lentamente que eu. Eu já ia ultrapassa-la quando ela tropeçou em algo e caiu. Eu parei e fui rápido até ela, me inclinei para ajuda-la a levantar quando vi seu rosto.
― Hayley?
Perguntei quase sem acreditar enquanto eu a erguia.
― Elijah. Que surpresa. E bem mais patético do que eu podia imaginar.
Resmungou ela enquanto tentava colocar o pé no chão, mas parou com uma expressão de dor.
― Você deve ter torcido o tornozelo.
Falei enquanto a ajudava a ir sentar num banco bem próximo.
― Talvez. Bom, acho que meu hábito recém construído de correr acabou bem mais rápido do que eu pensei.
Falou ela e deu uma risada sem graça para mim. Mas eu não sorri de volta. Eu não tinha nada contra a Hayley pessoalmente, mas ela fez meu irmão e sua esposa sofrerem de propósito. Não era fácil lidar com isso.
― Tudo bem. Entendi. Você me odeia porque estraguei o casamento do seu irmão.
Falou ela olhando para as mãos no colo.
― Eu não te odeio. Só não sei como agir nessa situação.
― Não precisa agir de jeito nenhum. Eu vou entrar num táxi e vou embora, você não vai mais me ver e eu serei a bruxa da Hayley por mais tempo.
Ela deu uma risada sarcástica, mas por mais estranho que pudesse parecer, ela parecia magoada. E só então me ocorreu algo que eu não tinha pensando. Essa mulher acabou com o casamento do Klaus, mas antes disso ela tinha sido traída e abandonada. Ela tinha sofrido também.
― Você não é uma bruxa, é só...
― Só que você está do lado do seu irmão. E eu entendo isso. Eu faria o mesmo se estivesse no seu lugar, acontece que eu não estou. Então, tenho que me virar como posso.
Ela tentou levantar, mas seu pé doeu bastante pois ela sentou de volta.
― Que droga... Não acredito que vou ter que ir mancando para o ponto de táxi. Que ridículo.
Ela resmungou um pouco e eu me senti culpado por isso. Definitivamente não era assim que eu costumava agir.
― Meu carro está aqui perto. Posso te levar se quiser.
Ela seus olhos para mim.
― Não preciso que você tenha pena de mim Elijah.
― Eu não tenho pena de você, só queria ajudar.
― Então porque está me olhando com essa cara de quem está cuidando dos corações partidos que seu irmão deixou?
Ela ergueu uma sobrancelha e eu definitivamente não sabia como responder a isso.
― Não estou fazendo isso. Realmente só queria ajudar.
― Você quer realmente me ajudar?
― Claro.
― Então não me ajude.
E com isso ela levantou e começou a andar. Quer dizer, tentou, pois cada vez que tentava colocar o pé machucado no chão ela gemia de dor. Então me levantei do banco e fui até ela, segurei sua cintura e ajudei-a andar. Ela não protestou, talvez por ter notado que não ia conseguir fazer isso sozinha.
Quando cheguei perto do carro ela parou no lugar.
― Eu não vou com você.
― Hayley, você pode simplesmente dizer “tudo bem, obrigada”.
― E ser a garota que foi largada por um Mikaelson e está correndo atrás de Outro? Não, obrigada.
― Não é nada disso. Além disso eu tenho uma namorada e uma filha.
Ela sorriu um pouco.
― Sério? Como você conseguiu isso com aquela sua família?
Ela riu um pouco e eu ri também.
― Você ia fazer parte dela, então não desdenhe.
― Tem razão. De qualquer forma é um ponto para você.
― Obrigada.
― Mas isso não significa aceitar sua carona.
Eu já ia falar algo mas ela me interrompeu.
― Eu já dei vários passos para frente Elijah, e realmente não quero dar um para trás. Eu não quero me envolver, não quero chegar perto da sua família.
― Não é minha família. É só uma carona.
Então ela olhou de volta para o parque e continuou.
― É uma carona de você Elijah. Você. O irmão gentil e educado e que esteve mais comigo que meu próprio noivo durante esses dois anos.
Eu olhei para o parque também, tentando me ver gentil e educado num período tão conturbado da minha vida.
― Você realmente não me conhece.
― Pelo contrário. Eu vi o que tem dentro de você. Quanto mais você sofria Elijah mais eu via o quão bom você realmente é. Mesmo não tendo controle da sua própria vida você tentava me ajudar e me fazer sorrir. Mesmo quando você mesmo não podia fazê-lo.
Eu olhei de volta para ela e tentei enxergar o que ela dizia. Tentei ver se era realmente isso que estava enterrado em mim.
― Você se escondeu Elijah. Escondeu o quão compassivo e altruísta você é. Por medo de ficar exposto. Mas é isso que as pessoas enxergam. È isso que fez sua namorada se apaixonar, é isso que sua filha vai ver. E é isso que talvez tenha feito eu me apaixonar também.
Aquilo fez eu dar um passo para trás. Nunca pensei em Hayley daquele jeito. Nunca sequer cogitei isso. Ela era noiva do meu irmão e eu ainda estava sangrando pela Katherine.
― Então não, eu não posso aceitar sua carona. Adeus Elijah.
Então ela saiu mancando para rua e eu fiquei observando enquanto ela entrava no táxi. Se é que era possível eu me senti ainda mais confuso.
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