Sexy Fire - Kalijah
8 Capítulo 8
Notas iniciais
POV’S Elijah
― Elijah?
Forcei meus pensamentos para o presente e pisquei os olhos focalizando Klaus. Ele tinha se inclinado um pouco sobre a mesa e parecia esperar a resposta para alguma pergunta que eu sequer escutara. Minha cabeça estava longe dali, com tantas coisas para pensar que as vezes pareciam que tinham uma colméia de abelhas zumbindo dentro dos meus ouvidos.
― Desculpe, você perguntou alguma coisa?
Ele apoiou o queixo nas mãos e me olhou de forma avaliativa.
― Perguntei se você releu os contratos que te mandei com as alterações.
― Ah isso! Sim eu li todos.
― Ótimo.
Respondeu ele e voltou os olhos para os papeis em sua mesa. Mas de tempos em tempos ele me olhava de relance, como se para comprovar que eu ainda estava ali. Nossa relação tinha melhorado um pouco nas ultimas semanas, mas ainda era difícil conversar sobre alguns assuntos. Tanto para mim quanto para ele.
Assim que terminou a leitura ele assinou os documentos e fechou a pasta. Depois olhou para mim como se tentando decidir o que falar. Depois respirou fundo.
― Olha eu percebi que alguma coisa está acontecendo com você, se você não quiser falar eu vou entender, mas se quiser... Bom, eu estou aqui.
Ele falou tudo isso de uma vez depois ficou parado esperando a minha resposta. E eu já ia responder o habitual “eu estou bem”, mas parece que ficou travado na minha garganta. Eu havia lidado com meus próprios problemas sozinho durante bastante tempo, mas agora parecia que se eu não falasse com alguém eu iria explodir.
― Eu reencontrei a Katherine.
Ele piscou os olhos surpreso.
― Nossa! Depois de tanto tempo sem notícias...
― Pois é... Eu ainda a amo Klaus.
Falei a ele, que pareceu ficar ainda mais surpreso, mas nada na sua expressão demonstrava que não aprovava ou julgava meus sentimentos. Então eu falei sobre tudo, sobre como a reencontrei, meus sentimentos, ter conhecido Amy.
― Eu acho que a Amy é minha filha.
Finalizei meus pensamentos, falando aquilo em voz alta pela primeira vez. E só então me dando conta da enormidade do que aquilo significa. Ser pai. Ser responsável por uma vida. Ser a pessoa que podia ajudar a torná-la o melhor ou pior possível. Folguei um pouco a gravata e me recostei no assento da cadeira.
― Você acha que a garota é sua filha?
― Acho.
― Porquê?
― Todas as evidencias que eu tive, a idade dela bate com a ultima vez que estivemos juntos, duas pessoas já disseram que somos parecidos...
Conclui o raciocínio e ele continuou me olhando como se esperasse mais. Só que quando eu não continuei, ele apoiou o cotovelo na mesa.
― Só isso?
― Como assim só isso?
― Você acha que ela é sua filha só porque ela tem uma idade que poderia coincidir com o namoro de vocês?
― As pessoas acham que ela parece comigo Klaus, e isso pode significar que...
― Isso não quer dizer nada Elijah, qualquer um pode dizer que alguém é parecido com você mesmo não tendo nada a ver.
― Você não entende...
― Parece que é você que não está entendendo Elijah. Me desculpa dizer isso mas será que você não está projetando nelas a vida que você gostaria de ter? A garota que você ama, uma filha, construir uma família...
― Mas e se ela for minha filha?
― E se ela não for? Elijah mulheres tem filhos todos os dias, só porque você namorou a Katherine a quase quatro anos atrás não quer dizer que vocês tem uma filha juntos.
Segurei os braços da cadeira com força me sentindo um grande idiota. E se eu já estava incerto antes, agora eu estava dez vezes mais confuso. Será que era isso? Eu só estava pensando que a Amy era minha filha por querer muito isso?
― Eu não sei o que pensar...
― Olha eu não sei muito sobre essa coisa de ser pai, afinal eu nunca pensei muito sobre isso, mas você querer que ela seja sua filha não vai fazer com que seja.
― Esse é o problema Klaus, e se ela for e eu simplesmente não saiba disso? Eu não posso viver com essa dúvida.
― Faça um teste de DNA nela então, você vai poder ter certeza.
― Mas o que a Katherine vai pensar sobre isso?
― Elijah você está numa sinuca de bico, você precisa ter certeza, pois se ela for sua filha a Katherine escondeu isso de você, se ela não for, você duvidou da Katherine. De uma forma ou de outra vocês vão sair machucados.
Ele tocou no ponto chave. A questão que estava me fazendo perder o sono. Eu e Katherine estávamos relativamente bem. Nenhum de nós dois tocou mais no assunto da paternidade da Amy, eu ia a casa delas, ou as trazia para minha, nós nos divertíamos juntos, assistindo TV ou brincando de qualquer coisa que Amy inventasse. Mas era o mesmo que andar sobre uma corda bamba. No minuto que estávamos andando, poderíamos estar caindo.
― Você não pode viver assim Elijah. Descubra a verdade, e encare o problema, é o único jeito para vocês dois.
Completou Klaus. Suas palavras eram a mais pura verdade. Mas mesmo assim eu me sentia como um condenado indo para a execução.
Me limitei a concordar com a cabeça e peguei a pasta da mesa dele, saindo da sala.
Trabalhei o resto da tarde tentando organizar os pensamentos e decidindo que por mais doloroso que fosse eu precisava tirar isso a limpo.
Fui buscar Amy na creche no fim daquele dia. Eu e ela imploramos a Katherine para deixar. Amy e eu tínhamos um acordo tácito sobre tomar sorvete antes do jantar. Eu não contaria se ela também não contasse.
Chegamos a casa de Katherine e eu a levei até a porta, depois de tirar todos os vestígios de sorvete de suas mãos e rosto. Katherine já havia aberto a porta quando chegamos. Ela recebeu Amy com um enorme abraço e um beijo jogado por cima do ombro para mim.
― Isso que eu estou sentindo é cheiro de sorvete?
Perguntou Katherine e Amy respondeu um “não” às gargalhadas. E isso com certeza acabou com nosso segredo. Tentei segurar uma risada, mas não consegui.
― Elijah!
Ralhou Katherine, mas riu também. Eu beijei sua testa.
― Eu tenho que ir agora. Mas está tudo certo para o nosso jantar de sábado não é?
― Está sim. A babá vai vir cuidar da Amy a noite.
Ela respondeu e eu acariciei os cabelos de Amy e me despedi das duas. Depois me virei e fui andando em direção ao carro. Tentando esconder meus punhos cerrados em volta dos fios de cabelo da Amy. Que iriam direto para o laboratório.
***
No sábado a noite fui buscar Katherine em casa depois de deixar tudo pronto na minha casa. A minha semana tinha sido infernal e por mais dúvidas que eu tive, o que eu sentia por ela ainda me dominava por completo e eu queria passar o maior tempo possível tocando sua pele e apreciando sua beleza.
Abri a porta e fiquei de lado para que ela entrasse, ela sorriu para mim e entrou. Vestia um vestido preto simples, que ia até quase os joelhos, o decote não era muito profundo, mas fazia um ótimo trabalhão ressaltando suas curvas.
Ela caminhou até o meio da sala e parou. Eu tinha arrumado a comida na mesa de centro com duas grandes almofadas para nós. Acendi velas na mesa e apaguei as luzes. A meia luz fazia o ambiente ficar mais aconchegante e romântico. Caminhei até ela e apoiei a mão na base das suas costas. Ela ergueu os olhos para mim, parecia feliz, mas tinha uma melancolia no fundo, então eu ergui o braço e toquei seu rosto.
― Você fez tudo isso? ― Perguntou-me ela.
― Sim, foi eu e tenha certeza que você merece muito mais. Venha, vamos nos sentar.
Eu a guiei até a mesa e ela tirou os sapatos se sentando. Peguei a garrafa de vinho e a abri, enquanto ela me observava sem fazer comentários. Servi o vinho nas taças e entreguei a ela, batendo devagar minha taça a dela.
― O que foi? ― Perguntei notando seu olhar sério.
― Isso está ficando cada vez mais longe do relacionamento que eu tinha planejado.
Meu coração afundou e eu coloquei a taça em cima da mesa. Eu pensei sobre isso enquanto preparava tudo, mas eu queria mostrar o quanto ela era importante para mim. E mais importante, mostrar que eu ainda a amava. Mas era tão complicado as vezes, eu sentia como se andasse em um campo minado. Num segundo tudo estava bem e em outro tudo poderia explodir.
― Eu só preparei um jantar para nós.
― Não, você preparou uma noite romântica para nós.
― E isso é uma coisa tão ruim assim?
― Elijah não podemos nos envolver tanto assim, você sabe disso.
― Porque não? Porque você já estava fugindo? Porque nem sequer deu uma chance para nós e já decidiu que não daria certo?
― Porque não deu certo uma vez.
― Não somos mais as mesmas pessoas Katherine, você mudou, eu mudei, não significa nada para você?
― Significa. E esse é o problema.
Ela respondeu para mim e olhou fixamente a mesa, seu olhar estava angustiado e nervoso e não era desse jeito que eu queria que fosse nossa noite.
― Olha, eu sei que você está com medo, mas não precisa ficar, não vou deixar ninguém machucar você ou a Amy, eu prometo.
Toquei seu rosto e passei o polegar no seu lábio inferior.
― Eu já deixei que te ferissem uma vez, não vou deixar que aconteça de novo.
Ela tocou minha mão e fechou os olhos.
― Não somos só eu e Amy que podem sair machucadas dessa história Elijah.
Senti seu hálito quente arrepiar minha pele. Um misto de amor e desejo se espalhou por mim com suas palavras, mesmo assustada e magoada ela ainda se preocupava comigo.
― Não precisamos nos preocupar com isso tudo bem?
Ela acenou com a cabeça e eu baixei a mão do seu rosto, depois coloquei os pratos na frente dela.
― Agora vamos jantar.
Ela pegou o talher e começou a comer. Assim que pós a comida na boca ela me olhou desconfiada.
― Existe algum motivo específico para você preparar comida tailandesa afrodisíaca para nós?
Coloquei a mão na boca fingindo choque.
― Você acha mesmo que eu teria alguma intenção oculta?
Ela se limitou a sorrir de lado para mim e continuamos o jantar. O clima ficou bem mais leve depois disso. Conversamos sobre vários assuntos. Eu me senti tão bem que quase me esqueci a faca que rondava minha cabeça nos últimos dias. Mas eu não queria e nem iria estragar esse momento com ela. Eu iria aproveitar cada minuto ao seu lado, antes que finalmente a bomba explodisse.
Terminamos o jantar e ela pediu para ir ao banheiro, eu recolhi os pratos e pus na lavadoura. Quando terminei de fazer isso percebi que ela ainda não tinha voltado. Então fui até o banheiro do corredor mas a porta estava aberta e ela não estava lá. Senti um aperto no estomago com uma terrível sensação de dejavú. Entrei no meu quarto e fui em direção ao banheiro, um alívio estranho tomou conta de mim quando eu a vi. Ela estava em frente a pia arrumando o cabelo no espelho.
Eu sorri e fui até ela, me posicionando em suas costas e colocando as mãos em sua cintura. Ela parou de pentear o cabelo e apoiou as costas contra meu peito colocando as mãos sobre as minhas.
― Eu estava te procurando. ― Murmurei enquanto abaixava a cabeça para falar bem perto de seu ouvido.
― E para onde mais eu iria?
Ela respondeu e eu afastei seu cabelo dos ombros para beijar seu pescoço.
― Você é linda... Eu poderia ficar beijando você por horas.
Ela deu uma risada meiga e maldosa ao mesmo tempo, senti um arrepio descer por minhas costas.
― Você é tão fofo as vezes...
― Você não gosta que eu seja fofo?
Falei apertando mais sua cintura. Ela olhava fixamente em meus olhos através do espelho.
― Eu adoro quando você é fofo... Mas faz eu me sentir bem malvada.
Ela empurrou a bunda contra mim e eu quase gemi com a sensação deliciosa da sua pele quente contra meu pau que já pulsava dentro da calça. Eu segurei suas mãos e a inclinei sobre a pia, apoiando ambas na parede.
― Ah Katerina... Você sabe o que acontece com garotas malvadas?
Não tirei os olhos dos seus enquanto descia o zíper do vestido por suas costas fazendo-o cair em volta dos seus pés. Por baixo do vestido ela estava apenas com uma minúscula calcinha de renda preta. Eu desci a mão devagar por sua coluna até encontrar a barra da calcinha e a empurrei por suas pernas, deixando-a completamente nua na minha frente. Dei um passo atrás desabotoando a camisa e apreciando a beleza de cada curva do seu corpo.
― O que acontece com garotas malvadas?
Ela me perguntou com a respiração um pouco ofegante enquanto observava eu me despir pelo espelho.
― Elas são fodidas.
Deixei minhas roupas jogadas no chão e me aproximei dela, a visão de seu corpo com as mãos na parede e seu lindo traseiro empinado para mim daquele jeito estava me deixando tão duro que chegava a doer.
Encostei meu corpo no dela e dei um suspiro sentindo sua pele nua contra mim.
― Eu tenho sido uma garota bem malvada.
Falou ela e eu segurei seus cabelos inclinando um pouco o pescoço para poder beijá-la.
― Afaste as pernas.
Falei para ela que o fez quase imediatamente, eu desci as mãos por sua barriga acariciando lentamente. Quando meus dedos finalmente encontraram sua abertura eu penetrei um dedo bem devagar, mas ela estava deliciosamente molhada, então eu a penetrei com facilidade. Ela se empurrou contra mim e gemeu.
― Você está tão excitada... Estava pensando que eu estaria em breve dentro de você?
― Sim...
Respondeu ela com a voz rouca enquanto eu fazia círculos ao redor do seu clitóris e estocava ritmadamente meu dedo dentro dela. Ela ia se esfregando mais a mim a media que sua excitação crescia, seu prazer me consumia, eu me sentia prestes a mergulhar num abismo profundo de luxuria e desejo. Ela retirou as mãos da parede e as apoiou na pia. Eu tirei meus dedos de dentro dela na mesma hora pegando suas mãos e colocando na parede de novo, ela soltou um gemido de protesto.
― Não tire suas mãos da parede Katerina.
― Porque não?
Suas palavras se terminaram um gemido quando eu voltei a acariciar seu clitóris.
― Porque você vai precisar de apoio quando eu meter bem fundo em você...
Completei mordendo seu ombro, ela gemeu e gozou em meus dedos, empurrando sua bunda contra mim tão forte que eu pensei que fosse gozar junto com ela.
Tirei meus dedos dela e segurei sua cintura.
― Está pronta?
Perguntei encarando seu rosto pelo espelho.
― Sim, por favor.
Antes que ela terminasse de falar eu puxei seus quadris e a penetrei numa estocada profunda e forte. Ela mordeu o lábio e fechou os olhos. O prazer se espalhou por meu corpo, o desejo e a luxúria cobriram todo e qualquer outro pensamento e eu comecei a estocar num ritmo selvagem e rápido. Ela gemia e falava meu nome e isso me enchia ainda mais de tesão.
Segurei seu cabelo e puxei-a até sentir suas costas tocarem meu peito, me fazendo entrar ainda mais profundamente nela.
― Eu vou gozar...
Murmurou ela fechando os olhos, eu senti seu ventre se contrair inteiro, então mordi seu ombro fazendo-a abrir os olhos e gritar meu nome de novo enquanto gozava. Eu sentia cada nervo do meu corpo queimar enquanto enfiava uma última vez me derramando nela e gozando com toda força.
Apoiei a cabeça em seu ombro respirando pesadamente, recuperando o fôlego. Depois sai de dentro dela e a virei de frente para mim, tomando seus lábios num beijo apaixonado e delicioso. O sabor de sua boca era tudo que eu queria, seu língua quente tocando a minha fazia meu peito inflar de tanto amor que eu sentia por ela.
Fui reduzindo o ritmo dos beijos, até apenas pequenos toques e caricias. Ela tocou meu rosto e sorriu para mim, eu beijei a palma da sua palma e já ia abrir a boca para expressar tudo que eu estava sentindo quando me dei conta de que não era isso que ela queria. Ela já estava assustada com o jantar se eu disse-se aquelas três palavrinhas com certeza ela sumiria da minha vida antes que eu me desse conta.
Então me limitei a sorrir e beijar sua testa arrastando-a para o chuveiro. Depois que tomamos banho ela vestiu sua calcinha e pegou minha camisa do chão vestindo-a também. Depois foi até a cama e se jogou nela fechando os olhos.
Eu vesti a calça e fui até a porta do quarto. Ela estava tão linda assim, relaxada, parecia pertencer a esse lugar. E eu a amava mais que tudo. Mas havia algo que eu tinha que fazer, mesmo sabendo que esse momento perfeito que estávamos vivendo agora teria um fim perfeito ou um fim terrível. Respirei profundamente tomando coragem e fui até a cabeceira da cama, abri a primeira gaveta e tirei o envelope de lá. Depois sentei na ponta da cama, ela se apoiou nos ombros e me olhou com curiosidade.
Coloquei o envelope entre nós. Ela o olhou com curiosidade, depois olhou para mim ainda sorrindo.
― O que é isso? Quer que eu veja o resultado do seu hemograma?
Tentei rir, mas não consegui, então respirei fundo de novo.
― Isso não é um hemograma. É um teste de DNA.
Ela se sentou na cama e continuou a me olhar.
― Feito com o meu sangue e o DNA da Amy.
― O quê?
Várias emoções cruzaram seu rosto, angústia, medo, raiva... nenhum deles parecia um bom sinal, mas eu não iria conseguir passar mais nenhum dia sem saber a verdade.
― Eu já poderia ter aberto esse exame, mas não o fiz.
― E porque não?
Perguntou ela por entre os dentes serrados.
― Porque o resultado pode mudar tudo entre nós. Eu sei disso e você também sabe. Por isso, antes de abrir, eu vou te perguntar mais uma vez: a Amy é minha filha?
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