Notas iniciais
Hey gente, desculpa a demora, super atarefada aqui... Mas enfim, espero que gostem, boa leitura. bjinhos.

Estava relaxado e quentinho, provavelmente já estava na hora de me levantar, já que eu normalmente levantava as cinco, mas hoje eu não estava com nenhuma vontade de me levantar. A noite com Katherine apesar de ter sido frustrante, tinha sido completamente perfeita.

Um peso comprimiu meu estomago, tentei respirar profundamente mas não consegui, abri os olhos devagar tentando me adaptar a claridade do quarto e me deparei com dois olhos castanhos me encarando.

― O que você está fazendo?

Perguntou Amy com muitas curiosidade na voz, sorri instintivamente.

― Dormindo.

― Você dorme de olhos abertos?

― Não... Eu estava dormindo antes.

― Ah.

Foi a resposta dela, mas pela sua expressão imaginei que estava formulando várias outras perguntas, e estava tão confortável sentada em minha barriga que parecia sequer considerar levantar dali. Olhei para o lado e vi Katherine dormindo, seu rosto tranqüilo e sereno, meu coração se encheu de afeto e estiquei o braço para tocar seu rosto. Amy olhou para a mãe nesse instante e jogou sobre ela, Katherine sorriu de olhos fechados e abraçou a garotinha.

― Porquê você precisa acordar tão cedo?

― O eijah já ta acordado também.

Respondeu ela imediatamente e Katherine abriu os olhos rapidamente e me encarou. Sua expressão era de confusão, depois surpresa e por fim parecia finalmente feliz por eu estar ali.

Ela se sentou na cama e beijou Amy.

― Que tal irmos escovar os dentes?

A garotinha acenou com a cabeça e Katherine foi com a ela ao banheiro. Me levantei e peguei minha camisa do chão, agradecendo internamente por ter dormido de calça, ou teríamos uma situação mais que constrangedora. Vesti a camisa e olhei para o relógio na mesinha ao lado da cama. Já eram quase sete da manhã, logo eu precisaria estar no escritório.

Já estava calçando os sapatos quando elas saíram do banheiro. Se Katherine ficou surpresa ao me ver vestido não demonstrou.

― Vou fazer um café, quer um pouco?

― Café é sempre um ótimo jeito de começar o dia.

As acompanhei até cozinha, Katherine pós Amy na cadeira de bebê e começou a preparar cereais para a filha, depois ligou a cafeteira.

Me encostei no balcão e depois de algum tempo Katherine me deu uma xícara de café, enquanto Amy comia seus cereais feliz da vida.

― Como você está?

― Bem... Um pouco frustrada e com muita tensão sexual reprimida, mas no geral...

Dei risada com seu jeito, franco e direto. Uma das coisas que eu considerava sua marca registrada.

― Eu preciso ir para casa logo, mas quero te ver de novo, o mais rápido possível.

Toquei seu braço, querendo sentir o calor de sua pele, e a eletricidade que me percorria da cabeça aos pés quando nossas peles se tocavam. Nós passamos anos sem chegar perto um do outro, sem sequer nos vermos, mas agora, ali naquela cozinha, parecia que não tinha se passado nem um dia, a paixão, o desejo, o amor... Parecia ainda mais forte e lascivo.

― Eu e a Amy vamos comer pizza no sábado, se quiser pode vir também.

Ela disse e eu lamentei que ainda faltassem três dias para sábado, mas eu não queria forçá-la demais, Katherine era intensa e volátil, e no mesmo instante que eu poderia tê-la em meus braços, ela podia estar fugindo de mim, então resolvi não forçar a barra.

― Pizza no sábado está ótimo para mim.

Terminei o café e fui lavar minha xícara obedientemente, ela quase riu da minha expressão, mas se conteve. Quando terminei me inclinei para lhe dar um beijo, mas ela desviou o rosto e olhou para Amy, que nos encarava de volta, como se tentasse descobrir do que estávamos brincando.

― Eu levo você até a porta.

Dei um suspiro resignado e a segui a até a porta. Ela a abriu para mim e eu sai, depois me virei para olhar para ela.

― Eu não quero envolver a Amy nisso, eu e você somos adultos e sabemos nos cuidar, ela não.

― Eu entendo.

Ela assentiu e ergueu a mão para tocar meu rosto. Dei um suspiro e inclinei meu rosto contra sua palma, seu calor, seu toque era tudo que eu queria e precisava. Ela continuou a acariciar meu rosto por mais algum tempo, depois baixou a mão.

― Então... Até sábado.

Acenei para ela e fui em direção a meu carro.

O dia estava lindo, o sol brilhava no céu que estava quase sem nuvens. Era um daqueles raros momentos em que você desejava poder tirar o dia de folga e não fazer nada a não ser aproveitar. Eu particularmente nunca tinha tido um dia assim, sempre fui muito disciplinado e gostava de ordem, até demais como minha mão costumava dizer. Ela sempre dizia que eu fora uma criança-adulto, antes eu achava que isso era uma coisa boa mas agora eu me perguntava o que eu tinha perdido, e como tudo poderia ter sido se eu apenas tivesse me permitido aproveitar.

Cheguei em casa e fui direto para o chuveiro, depois me vesti e fui trabalhar. Enquanto dirigia para o escritório, tentei me lembrar exatamente onde minha história com a Katherine começou a dar errado.

Flash Back on

A porta do escritório se abriu e vi Katherine sair de lá, lívida como um papel. Ela passou por mim e saiu da casa feito um foguete, indo em direção ao carro. Tentei segurar sua mão mas ela se desvencilhou de mim.

― Katherine por favor, espere.

Ela se virou quando alcançou o carro e eu podia ver a fúria brilhar em seus olhos. Sua boca estava franzida e os punhos cerrados do lado do corpo.

― Eu quero que você me leve para casa Elijah, agora.

― Pensei que nós iríamos para minha casa, tomar sorvete e dar uns amassos no sofá.

Tentei sorrir para deixá-la mais calma, mas não parecia fazer diferença nenhuma.

― Isso foi bem antes de eu ter resolvido aceitar vir aqui, de novo e ter o desprazer de jantar com a vaca da sua mãe.

― Não fale assim Katherine, aposto que se vocês se conhecerem melhor esse mal estar vai passar.

― Conhecer melhor? Eu já vi o suficiente, e se você realmente acha que me chamar de golpista barata é um “mal estar”, você me conhece bem pouco.

― Ela não quis dizer isso.

― Ah ela quis sim, e aposto que vai dizer de novo se tiver uma chance.

― Katherine, fica calma.

― Eu me acalmar? Eu? Sua mãe é a perua mais arrogante que eu já conheci e se você não tiver percebido ainda, ela me odeia, acha que eu não sirvo para você.

― Ela vai mudar de idéia.

Eu tinha estado tão feliz em trazê-la aqui. Apresentar a garota por quem eu estava apaixonado a minha família me pareceu tão certo... Mas tinha sido um desastre. Minha mãe era uma mulher rigorosa e até controladora, mas não achei que fosse reagir tão mal, eu pensei que me ver tão feliz a faria mudar de idéia, mas aparentemente tinha sido bem o contrário.

Katherine estava muito magoada, eu podia ver que por baixo de toda essa agressividade ela estava sofrendo, e eu atendia, de verdade, só achava que era preciso um pouco mais de paciência e tudo ia se acertar.

― Ela não vai mudar de idéia Elijah, eu só me pergunto quanto tempo vai demorar para você mudar de idéia.

― Não! Eu nunca vou mudar de idéia sobre nós.

Me aproximei dela e a abracei pela cintura, ela envolveu os braços em meus ombros e respirou fundo. Por mais zangada que ela estivesse, as vezes eu sentia uma vulnerabilidade nela, algo que eu jamais podia alcançar, coisas que aconteceram em seu passado e que ainda a assombravam, mas que ela mantinha o mais longe de mim possível.

Afastei seu rosto e toquei seus lábios nos meus, eu a amava e por mais confusa que fosse aquela situação, isso não iria mudar.

― Elijah.

Katherine praticamente pulou dos meus braços e eu me virei para minha mãe.

― Eu preciso falar com você filho.

Apertei os dedos de Katherine e beijei seu rosto.

― Eu já volto.

Murmurei para ela e fui com minha mãe para dentro. Ela se virou para mim assim que passamos pela porta.

― Eu... Entendo que você esteja encantado por essa garota, ela é uma mulher linda, mas isso só não basta, ela não é mulher para você.

― Mãe...

― Me escute Elijah, você precisa ver isso antes que seja tarde, ela não tem um pingo de classe, é só uma garotinha qualquer querendo enriquecer a qualquer custo.

― Ela não é assim, você nem mesmo a conhece e sequer deu uma chance.

― Eu só quero proteger você Elijah, não quero ver você sofrendo.

― Mas eu estou feliz, será que você não vê? Será que você não pode ficar feliz por mim também?

Dei as costas para ela e voltei para Katherine. Eu jamais tinha dado as costas para minha mãe antes, sempre soube que por mais rígida que ela parecesse ela queria o nosso bem, mas agora ela queria me tirar da mulher que eu amava e isso jamais seria para o meu bem.

Mas quando cheguei ao carro Katherine não estava mais lá.

Flash Back off

Laços familiares podiam ser a força de um homem, mas depois de tudo, de tantas coisas que eu vi, a minha parecia querer sugar as coisas boas. E cá estava eu, um homem aparentemente bem sucedido, mas no fundo eu estava vazio, fazia tudo mecanicamente, como tinha aprendido, mas eram raras as coisas que me davam prazer real em fazer, e reencontrar Katherine me mostrou o quando eu me sentia vivo ao seu lado.

Fui para o trabalho e consegui trabalhar tranquilamente durante o dia. E a tarde, tudo que passava por minha cabeça, era que agora só faltavam dois dias e meio para eu ver Katherine e Amy. Mesmo que pareça cedo para muita gente, eu já gostava demais daquela garotinha. Nunca tinha sido bom com crianças, mas com Amy parecia tão fácil, tão natural... Ela e Katherine ganharam um lugar na minha vida que jamais poderia ser tomado por outra pessoa.

Enquanto saia do escritório, resolvi ir na casa dos meus pais. Eu só tinha ido lá uma vez desde que eles chegaram, e era melhor fazer isso logo antes que começasse todo aquele drama de que eu e Klaus tínhamos esquecido nossas famílias e etc.

Estacionei o carro e entrei. Encontrei Esther arrumando um vaso de flores, que já estava impecável. Ela deu um enorme sorriso quando me viu e veio me abraçar.

― Ah Elijah, estava com tantas saudades.

― Como está mãe?

― Não tão bem quanto poderia estar.

Ela me indicou o sofá e eu sentei ao seu lado.

― O que houve?

― Klaus esteve aqui. Para brigar comigo, ele parecia odiar o fato de estarmos aqui.

― Ele também não estava nada feliz.

― Eu não consigo entender, porque ele age como se fossemos inimigos dele.

― Tem certeza que você não entende o porque dele ter ficado assim?

Ergui uma sobrancelha para ela que apenas deu de ombros. As vezes eu me perguntava se ela realmente acreditava que tudo que fazia era mesmo aceitável.

― Eu não fiz nada que qualquer outra mãe não faria no meu lugar.

― Somos adultos mãe, podemos nos virar muito bem sozinho.

― Você tinha que ter visto a garota Elijah, parecia uma...

― Eu conheço a Caroline mãe, e ela parece uma garota boa e honesta, e o mais importante: ela o faz feliz.

― Ele está se enganando...

― Ele está feliz! Quando você vai entender que é isso que deveria importar, e não quanto dinheiro elas tem no banco?

Ela pareceu pensar sobre isso alguns minutos, depois se levantou.

― Eu só quero o bem dele, assim como queria o seu.

Eu me levantei também, já pronto para sair de lá o mais rápido possível. Eu tinha acabado de reencontrar Katherine, e por mais que o que ela dissesse não me afetasse em nada, vê-la tocar em um ponto tão doloroso para mim ia mostrar muito mais do que deveria, e eu tinha prometido a Katherine que os manteria longe. Dessa vez eu não ia deixar ninguém ficar entre mim a minha felicidade.

― Você já está indo?

― Já, estou um pouco cansado e acho melhor ir para casa.

― Aqui é sua casa também.

― Não é mais.

Dei um passo em direção a saída, mas ela pegou meu braço e me virou.

― Dói tanto ver vocês tão distantes Elijah, nada do que eu faça consegue mudar isso, parece afastá-los ainda mais.

― Você tirou de mim a mulher que eu amava por causa de status e dinheiro, e agora esta tentando fazendo a mesma coisa com o Klaus, como você espera que isso nos aproxime de você?

― Eu só...

― Ele a ama mãe, odiá-la só vai fazer com que ele vá ainda para mais longe de você.

― Eu também amo vocês Elijah, mais do que posso explicar.

Suas palavras pereciam sinceras, mas seu rosto permanecia tão frio que poderia estar me perguntando sobre o clima. Quando se é criança cada pingo de atenção que nossa mãe nos dá é incrível, cada sorriso, cada gesto... Mas com o passar do tempo, percebemos o quão distante e frágil eles eram, e quanto talvez lhe custasse fazer isso por nós.

― Não parece.

Não esperei uma resposta. Voltei para o carro e dirigi para casa.

Katherine e Amy deveriam estar em casa essa hora, talvez assistindo desenhos. O pensamento me fez sorrir. E por mais que eu quisesse ir até lá, ficar com elas por cada segundo que eu pudesse, eu não o fiz. Entrei em casa decidido a esperar pacientemente o sábado. Eu não ia deixar que nada ficasse entre Katherine e eu, nem minha própria ansiedade. Katherine podia querer ficar comigo também, mas eu não podia assustá-la e perdê-la de novo. Eu faria tudo certo dessa vez, mostraria o quanto eu a queria e que ela poderia contar comigo.

Peguei meu celular e fiquei olhando seu número. Sem querer ligar, mas sem poder resistir. Digitei apenas uma mensagem.

Elijah: “Oi. Lembrei de você. Saudades. Elijah”

Katherine: “Oi. Assistindo TV com Amy.”

Elijah: “Ótimo. Espero que sábado chegue logo... :)”

Katherine: “Eu Tb ;)”

Dei um enorme sorriso com sua resposta, me sentindo verdadeiramente bem e inteiro, de um jeito que eu não me sentia a anos.

Notas finais
E aí? Gostaram? =D