Sexy Fire - Kalijah
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Elijah
Eu não sabia que horas eram, nem me importava. Estava tudo bom demais do jeito que estava. Katherine deitada confortavelmente em meu peito, eu sentindo seu coração ainda acelerado depois do sexo incrível que acabamos de fazer. A promessa não dita de que tudo ficaria bem. Tudo que precisávamos era exatamente isso, nós dois juntos. E nossa pequena e linda filha.
― Você pensa muito nela?
Perguntou Katherine erguendo a cabeça para me olhar.
― Penso muito em quem?
― Tatia. Sua ex-namorada.
Eu olhei para frente sem saber como responder aquilo, eu não pensava diretamente nela, mas os reflexos de tudo que aconteceu estavam entranhados em mim.
― As vezes. Houve um tempo em que eu achava que a única coisa em que conseguia pensar era nela e em tudo que houve. Tudo que eu podia ter feito, ou tudo que podia ter acontecido caso ela não estivesse morta.
― Você acha que estariam juntos se ela estivesse viva?
― Não. Eu não a amava Katherine. O que me consumiu não foi de fato a perda de um amor, foi eu ter destruído a vida dela. Alguém que me amava e não merecia isso.
― Você passou todos esses anos se culpando Elijah. Mas você não a obrigou a nada.
― Talvez você tenha razão. Mas não é assim que meu cérebro funciona. O que aconteceu com Tatia me devastou Katherine. As vezes eu achava que nunca mais conseguiria estar inteiro.
― Isso não é verdade, você não é assim.
― Sim eu sou. Você me viu aquela noite. Viu aquele pesadelo. Mas isso não é tudo Katherine. Havia épocas em minha vida que eu tinha aquele pesadelo todas as noites, eu mal podia dormir, não sentia fome. Parecia que eu estava me afogando em dor. E durante o dia eu não tinha controle das minhas próprias ações. Você não percebeu isso porque quando estou com você eu sou outra pessoa, mas nem sempre foi assim.
― Como assim?
Me mexi desconfortavelmente embaixo dela. Era humilhante e deprimente dizer tudo a ela assim. Mas se eu queria honestidade eu precisava dar honestidade também.
― Eu desenvolvi TOC. No início achei que aquele hábito de lavar as mãos o tempo todo era uma bobagem, depois passou a ser os banhos, depois a organização das minhas coisas... Bom, basta dizer que ficou fora de controle para que só então eu visse que aquilo não era normal. Os terapeutas sempre chegavam ao mesmo diagnóstico, transtorno pós-traumático, no entanto nenhum deles conseguia fazer com que eu me sentisse menos culpado pela morte dela.
Ela ficou em silêncio, e minha mente disparou com isso. O que ela estava pensado? Como se sentia ao ouvir todas essas coisas?
― E como você melhorou?
― Você.
Segurei seu rosto com as mãos.
― Depois de você eu me sentia mais livre, mas dono de mim mesmo. Acho que você conseguiu mudar em mim o que nenhum outro terapeuta ou psicólogo já conseguiu.
Depois a beijei, sentindo o gosto dos seus lábios bem devagar. Tudo que eu queria agora era desacelerar, apenas curtir seus braços e seu carinho. Sem pressa de fazer ou pensar em mais nada. Porém tinha alguém com lindas covinhas que deveria estar esperado por nós agora.
Me afastei de Katherine e sorri.
― Eu adoraria ficar aqui a noite inteirinha com você, mas...
― Nossa filha não concordaria muito com isso.
Ela riu também e se levantou apanhando o sobretudo do chão e o vestindo.
Eu vesti minha calça e peguei uma camisa. E num segundo já estávamos no carro.
Uma criança era um milagre, algo surpreendente e que muda tudo a sua volta. Quando eu e Katherine começamos a namorar, a anos atrás, não tinha nada que conseguisse fazer com que ficássemos longe um do outro. Cada segundo do dia e da noite queríamos estar nos braços um do outro. Mas agora, depois de Amy, nossa atitude inteira mudou. Estávamos indo para a casa dela, colocar nossa filha na cama, e estávamos ansiosos por isso.
Quando chegamos a casa de Katherine Rebekah estava lendo para Amy que continuava completamente acordada. Quando nos viu ela pulou do colo da Rebekah e veio correndo até nós.
― Mamãe! Tio!
Meu coração se apertou um pouco a ouvir ela me chamar de “tio”. Katherine me olhou e eu senti que ela entendeu o que eu estava pensando. Mas eu sabia que tinha que ter paciência, ela era muito nova e demoraria a entender tudo, além disso não era culpa dela a bagunça que estávamos passando.
― Ainda bem que chegaram!
Disse Rebekah.
― Essa garota parecia estar disposta a ficar acordada a noite inteira!
Ela se levantou mas vi que seus olhos sorriam, e ela não se incomodaria nem um pouco de ficar a noite inteira lendo para Amy se fosse preciso. Fui até ela e a abracei.
― Obrigada por fazer isso querida.
― Não tem de quê.
Falou ela pegando o casaco e me deu um beijo no rosto antes de sair.
― Elas são adoráveis.
Comentou Rebekah e saiu. Então Katherine foi levando Amy para o quarto, eu as segui.
― Lê para mim tio!
Falou Amy depois deu um bocejo, sua boca formando um adorável “O”.
― Ela já vai dormir?
Perguntei a Katherine.
― Sim, seu sono é quase como o relógio, provavelmente só estava esperando por nós.
Puxei o cobertor sobre ela e beijei sua testa. Depois peguei um livro infantil da prateleira e comecei a ler para ela, que pegou no sono na terceira página. Eu pretendia continuar lendo mas Katherine puxou o livro das minhas mãos e apagou a luz, deixando apenas um abajur aceso.
***
Nós dias que se seguiram cada dia parecia mais perfeito que o anterior, nos fechávamos numa bolha e nada mais importava além de nós três. Porém o outro lado é que tinha alguma coisa bem errada acontecendo com meus pais, mas eles como sempre se recusavam a tocar no assunto. Um homem entrou em nossa casa e agrediu meu pai, eu não entendi nada, ninguém parecia querer dizer quem era o tal homem e nem porque ele fez isso. Quando eu tentava falar sobre isso com Klaus ele me cortava com um taxativo “Não quero falar sobre isso”, e tudo que ele se preocupava era o seu casamento.
Isso era bom, ele merecia esse momento e a Caroline também.
Porém eles não tiveram isso. Hayley, a ex-noiva do Klaus aprontou com eles e o casamento não aconteceu. Foi terrível, eu nunca os vi sofrer tanto. Ver o sonho dos dois destruídos foi um baque bem difícil de ser superado. E não havia muita coisa que eu pudesse fazer para ajudar. Klaus se fechava quando estava sofrendo, e não queria ouvir nem falar com ninguém sobre o assunto.
Então eu levei um susto enorme quando vi meu celular tocar as duas da manhã e seu nome aparecer na tela.
― Klaus? Está tudo bem?
Falei me sentando na cama.
― Não. Mas vai ficar. Eu estou preparando uma surpresa para a Caroline amanhã e preciso que vocês estejam aqui.
― Aqui onde?
― Estamos no lago.
― O que você pretende fazer Klaus? Precisa de ajuda com alguma coisa?
― Não. Basta que estejam aqui.
― Eu estarei. Não se preocupe.
Respondi a ele que desligou.
Na manhã seguinte eu, Katherine e Amy, acordamos bem cedo e fomos para o lago. Eu não entendi direito o que Klaus pretendia, mas se eu pudesse fazer qualquer coisa para ajudá-los, eu o faria.
Não demoramos muito a chegar. E para nossa surpresa não éramos os únicos, os nossos amigos e os de Caroline também estavam aqui.
Klaus veio até nós assim que chegamos.
― O que está acontecendo aqui irmão?
Ele olhou para Amy no meu colo e sorriu. O primeiro sorriso que vi em seu rosto na última semana.
― Meu casamento Elijah.
Respondeu ele simplesmente e eu sorri, mais do que feliz por ele.
― Precisa de alguma coisa?
Perguntei a ele, notando o pessoal montando um arco de flores nas margens do lago.
― De você nada, mas quem sabe você não queira ser nossa daminha e levar o buquê para Caroline, hein?
Falou ele olhando para Amy, que ficou tímida no começo depois sorriu para ele.
A cerimônia foi simples, mas... perfeita. Não tem outra palavra para descrever. Eles se amavam tão intensamente que qualquer um a sua volta podia sentir essa energia. E nem preciso descrever o quanto me senti orgulhoso quando minha pequena foi até Caroline com o buquê. Ela estava linda, ninguém na minha família além de Rebekah a conheciam, e todos pareciam encantados com ela.
Eu estava explodindo de felicidade. Não conseguia tirar o sorriso do rosto nem quando já estávamos no carro voltando para a casa.
― Nunca pensei que seu irmão fosse romântico.
Comentou Katherine.
― E não era. A Caroline o mudou completamente. De uma forma boa, além disso...
O toque do meu celular me interrompeu, e eu o conectei ao sistema de som do carro e atendi.
― Alô?
― Elijah, querido! Quanto tempo!
Era minha mãe, ela só podia estar querendo alguma coisa, e isso fez meu sorriso diminuir na mesma hora.
― Oi mãe.
― Como está filho?
― Ótimo e você?
― Bem... ― A voz dela baixou um pouco o tom e meus olhos se estreitaram. ― Queria convidar você para jantar conosco hoje. Você, sua namorada e sua... filha. Lembra que combinamos de nos conhecer?
― Mãe... Eu não sei se é uma boa idéia.
Olhei para Katherine. Ela tinha dito que já estava bem com isso, mas eu não tinha certeza e não queria de forma alguma estragar o que conseguimos até aqui. Ela me olhou no fundo dos olhos e eu concordei.
― Tudo bem então, nós vamos.
― Mas que ótimo! Estamos esperando vocês as oito então.
― Mãe, a Amy têm três anos.
― Claro... como pude me esquecer. As sete então. Até mais.
Concluiu ela e desligou. Ergui a mão para tocar o braço de Katherine.
― Tudo bem mesmo? Não precisamos ir se você não quiser.
― Claro que está. Eu não vou mais fugir Elijah, então o quanto antes fizermos isso melhor será.
Mesmo assim eu não consegui me sentir completamente a vontade. Quando chegamos a casa dos meus pais eu fiquei o tempo todo com a sensação de que algo daria errado. Katherine também parecia um pouco tensa, mas não queria demonstrar.
Assim que chegamos a casa deles tiramos Amy do carro e fomos em direção a casa. Meus pais estavam nos esperando na porta. Eu fiquei instantaneamente tenso e olhei para Katherine ao mesmo tempo que ela olhou para mim, e assim eu senti que realmente não importaria.
― Mãe, Pai. Tudo bem?
Cumprimentei e Katherine fez os mesmo. Os dois pareciam distantes como sempre, mas pelo menos não foram desagradáveis. Ainda.
― E está é nossa filha, Amy.
Minha mãe olhou para Amy e deu um sorriso forçado.
― Ela é linda.
Comentou, mas seu tom era tão monótono que poderia estar falando do clima.
― Você ta triste?
Perguntou Amy olhando para Mikael.
― Não.
― Você parece triste.
Respondeu ela, e para meu choque completo ele se abaixou na frente dela e tocou seus cabelos, depois fez algo que me chocou ainda mais. Ele sorriu. Não de um jeito falso, ou o sorriso de escárnio que era tão típico dele, mas sim um sorriso aberto e verdadeiro. Amy sorriu com ele.
― Ta vendo só? Agora eu to feliz.
Comentou ele sem olhar para nenhum de nós, apenas para ela. Se bem que ele só encontraria rostos chocados se o fizesse.
― Você é uma garotinha linda Amy, parece muito com...
Ele se interrompeu e o sorriso desapareceu do seu rosto. Depois se levantou.
― Parece muito com nossa família.
Concluiu ele, e finalmente olhou para nós, então finalmente voltamos ao normal e entramos.
Era tão estranho, ver Mikael demonstrando qualquer tipo de emoção positiva. Ele sempre foi um pai distante e as vezes até maldoso conosco. Nós nos acostumamos desde muito jovens a não esperar muita coisa de Mikael. Mas ele foi tão diferente com Amy. Como se alguma coisa despertasse nele.
Por outro lado, Esther foi absurdamente prestativa. Sempre elogiando o cabelo ou unhas da Katherine, ou comentando como Amy se parecia com ela. Foi bom, ela estava se esforçando para fazer as coisas diferentes dessa vez. Mas era tão anormal para ela que chegava a ser assustador.
Quase no fim da noite ela foi para a cozinha pegar buscar algo e então eu fui atrás dela.
― Oi.
Comentei quando entrei e ela se virou para mim.
― Oi. A Katherine gosta de café ou um vinho seria melhor?
― Vinho.
Respondi e ela começou a arrumar as taças.
― Mãe. Obrigada por fazer isso, é importante para mim.
Ela ficou parada e não se virou para mim.
― Eu não quero perder você também Elijah.
Respondeu ela e continuou a arrumar os copos.
― Também? Você está falando do Niklaus não é?
Quando eu terminei de falar uma taça escapou de sua mão e seus ombros tremiam ligeiramente.
― Mãe?
Um soluço irrompeu por sua garganta e ela finalmente se virou, com muitas lágrimas escorrendo por seu rosto.
― Eu nunca quis ferir vocês. Eu só queria que vocês tivessem mais chances de ser felizes do que eu tive Elijah. Eu nunca desejei ver meus filhos machucados.
Eu a abracei sem saber o que dizer. Esther foi uma péssima mãe. Parecia não dar a mínima para nós, apenas para o que ela queria. Mas vendo a dor em seus olhos agora me fazia pensar que ela não era assim, que ela talvez tenha ficado assim.
― Diga para a Katherine que eu tive uma enxaqueca terrível e precisei subir, peça desculpas por mim.
E com isso ela subiu. Minha mãe nunca quis demonstrar fraqueza, na frente de ninguém.
Me senti muito mal por ela, mas não sabia direito como ajudar. Então voltei para a sala, e encontrei outra cena que me fez pensar e muito se eu realmente conhecia os meus pais.
Mikael estava dançando pela sala com Amy. Ele segurava suas mãos, com seus pés sobre os pés dele. Ambos riam e Katherine observava com um sorriso no rosto. Ela veio até mim quando me viu e me abraçou pela cintura.
― Dá para acreditar numa coisas dessas?
Comentou Katherine.
― Talvez?
Foi a única resposta que pude dar. Pois não havia mais nada que fizesse sentindo no momento.
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