Notas iniciais
Hey guys, cap novo, um pouco mais curto que os outros mas logo estarei postando o próximo. Então boa leitura.

Me fazia mal falar sobre aquele assunto, ou sobre qualquer coisa relacionada a Tatia. Mas eu não me sentia assim agora, depois que falei com Katherine. Me sentia aliviado até, esconder aquilo tanto tempo dentro de mim estava me envenenando. Talvez por isso as crises e os pesadelos estivessem tão intensos ultimamente.

Dormimos abraçados naquela noite, dividindo o conforto que só poderíamos encontrar nos braços um do outro. Não falamos muito, e não era preciso, a profundidade do que dividamos era o suficiente por enquanto.

Mas a medida que o dia ia amanhecendo eu via outros desafios a minha frente, cada vez mais perto e impossíveis de ignorar ou adiar. Eu precisava contar a Klaus sobre Tatia e precisava falar a meus pais sobre Amy e Katherine. Não havia motivos para esconder aquilo, elas eram minha família e mais cedo ou mais tarde eles iriam saber, então não havia porque adiar isso.

Só que Katherine não ficou nem um pouco animada com isso.

― Nossa vida não é da conta deles, não precisamos fazer um relatório ou o que seja. Deixe-os fora disso.

Ela cruzou os braços e trincou os dentes. Havíamos acabado de deixar Amy na creche e eu agora a levaria para o trabalho.

― Eu sei disso, mas eles são meus pais e vocês são minha família. Não precisamos esconder nossa vida Katherine, não vou deixar que isso nos atinja.

― Meu Deus Elijah! Sua mãe é uma megera e seu pai me assusta, será que eu preciso repetir o mesmo que disse a quatro anos? Eles me odeiam e não vão me querer por perto, muito mesmo a Amy.

― Eles não precisam nos querer por perto. Só precisam saber que vocês são a minha vida e que eles não podem fazer nada para mudar isso.

Ela olhou a rua e não me respondeu. E eu entendia o porquê. Ela estava assustada, eu também estava, afinal da última vez que fomos a casa dos meus ela fugiu de mim. Mas era diferente agora. Eu estava mais forte, elas me faziam forte e eu não admitiria que nenhuma das duas fossem machucadas pela maldade da minha família.

― Olha eu entendo o porquê de você estar assim, mas eu preciso contar a eles. E se você realmente não quiser ir até lá, não precisa. Nós vamos ficar bem.

Falei a ela estacionando em frente ao seu trabalho. Ela se esticou para me beijar e eu segurei seu rosto. Sentindo o calor da sua pele e gosto doce da sua boca.

― Tudo bem.

Falou ela depois que nos afastamos e desceu do carro. Fiquei observando ela entrar no prédio e só depois fui embora.

Cheguei no escritório pouco depois e fui direto a sala do meu irmão. Quando cheguei, a secretária dele estava saindo da sala com uma xícara de café nas mãos e o rosto absolutamente vermelho.

Parei e olhei para ela.

― Esta tudo bem?

Ela acenou freneticamente.

― S-sim... Eu só... esqueci do açúcar.

E com isso ela correu para copa provavelmente para preparar outro.

Balancei a cabeça negativamente e bati na porta duas vezes entrando em seguida.

A expressão de Klaus era de puro aborrecimento, e pelas histórias que corriam pelos corredores sobre o fracasso com as novas secretárias eu podia entender por que.

― Bom dia Klaus.

Ele grunhiu alguma coisa e atirou a caneta na mesa.

― Será que é tão difícil preparar a droga de um café? Meu Deus do céu parece que elas fazem isso de propósito para me deixar maluco!

― O café dela é tão ruim assim?

― Eu não faço a mínima ideia! Ela começou hoje de manha e já conseguiu me trazer dois cafés horríveis! Pelo amor de Deus! Fazem o café da Caroline parecer um manjar dos deuses!

― Aposto que Caroline vai gostas de saber disso.

Comentei e um sorriso involuntário surgiu em seu rosto. Era tão gratificante vê-lo assim, feliz e apaixonado.

Assim que pensei isso outro pensamento logo se seguiu “e eu tirei isso dele a anos atrás”. Minha expressão ficou séria e eu logo me lembrei porque eu tinha vindo aqui.

― Eu preciso conversar com você irmão.

Falei e ele me encarou por um tempo, certamente notando a seriedade da minha expressão. Então ele pegou o telefone da sua mesa e discou.

― Não passe nenhuma ligação e eu não quero ser interrompido por absolutamente ninguém. ― Depois parou e ouviu um pouco ― Sim, exceto a Caroline.

Depois bateu o telefone e apoiou os cotovelos na mesa me olhando. Era meu sinal para começar.

― Você se lembra da Tatia?

Perguntei a ele, sua expressão era neutra, mas se alterou um pouco quando eu disse o nome dela. Ele se importava. É claro que se importava.

― Lembro.

Foi sua resposta curta. Mas no fundo eu via um sentimento meio nostálgico. Klaus não estava no país quando Tatia morreu e não esteve no enterro. Nem tenho certeza se ele soube que ela tinha morrido. Minha mãe nem meu pai tocavam no assunto. E só eles dois foram ao enterro.

― Você soube que ela... morreu?

Sua expressão foi de surpresa e choque e aquilo foi minha confirmação de que ele não sabia.

― Morreu? Quando?

― Muitos anos atrás.

Respondi rápido e sua surpresa se transformou em raiva misturada a tristeza.

― Anos atrás? E só agora você me diz isso?

― Era complicado Klaus.

― Complicado? Ela era minha amiga, porra! Ou você achou que por ser sua namorada você era o único que podia se despedir?

Ele se levantou da cadeira e socou a mesa. Ele se importava e muito com ela. Talvez tenha sido a primeira pessoa por quem ele de fato sentiu alguma coisa. E eu tirei até o pouco de afeto que ele tinha.

― Não éramos mais namorados quando ela morreu. Tínhamos terminado a dois meses.

Ele se virou para mim.

― Como ela se morreu?

― Ela... se matou.

― Como assim se matou? Porque ela faria uma coisa dessas? Ela sempre foi tão gentil e viva, cheia de planos...

Eu precisava dizer a ele. Toda a verdade.

― Depois que nós terminamos, ela não lidou bem com isso, então ficou meio depressiva e confusa e quando eu me dei conta... já era tarde demais.

― Você a abandonou é isso?

Eu respirei fundo. Não queria ver a raiva que eu estava vendo em seus olhos.

― Sim, é isso. ― respirei fundo e continuei. ― Eu via como você olhava para ela, sabia que você gostava dela mais do que só como amigo, então eu fiquei com ciúmes e a pressionei para se afastar de você. Eu gostava dela também, só não gostava tanto quanto eu imaginei, por isso nós terminamos...

― Você a fez se afastar de mim?

Sua pergunta estalou pela a sala como o barulho de um chicote.

― Sim.

Respondi baixo e num piscar de olhos ele me agarrou pelo paletó e me pós de pé.

― Você acabou com a única coisa boa que tinha me sobrado naquela maldita casa por ciúmes?

― Eu sinto muito Klaus, eu nunca quis que nenhum de vocês sofresse, eu só...

Um soco atingiu meu rosto e me atirou cambaleando pela sala. Eu me levantei, mas não reagi, sabia que ele tinha razão.

― Você faz ideia do inferno que eu passava todos os dias? De como ela era a única coisa que me fazia bem? Eu não queria ela desse jeito Elijah, eu tinha medo de destruí-la se eu chegasse perto demais, mais foi você quem fez isso.

Acusou ele apontando o dedo para mim.

― Irmão por favor, eu...

― Não!

Ele ergueu a mão como que para me calar.

― Saia da minha sala, agora.

― Klaus, eu sei o quanto você está magoado, mas eu... só queria que...

― Saia da minha sala agora! Você mente para você mesmo Elijah, se vestindo com ternos caros e bancando o gentil com todos. Acho que todos os anos que me mantive longe de você eu não estive perdendo muita coisa.

Suas palavras eram cruéis e carregadas de desprezo. Mas ele tinha razão, eu tive bastante tempo para que estas feridas cicatrizassem, mas ele não. Só agora a verdade tinha aparecido. Tudo que eu podia fazer era agradecer por saber que ele não estaria sozinho, Caroline estaria com ele.

Olhei para ele uma última vez e caminhei até a porta.

― Eu sinto muito.

Murmurei antes de sair e depois bati a porta atrás de mim. Desejando do fundo do meu coração que eu não estivesse perdendo meu irmão de novo.