Notas iniciais
Hey gente, então, vocês com certeza querem me matar. E eu realmente sinto muito pelo o atraso colossal com as postagens. Mas acontece que ta difícil conciliar o trabalho, a faculdade e conseguir escrever minhas fics, e eu realmente não pretendo abandoná-las então espero que vocês sejam compreensivas e pacientes comigo. Bjs e boa leitura.

POV’S Elijah

Foi uma tarefa praticamente impossível me concentrar no trabalho depois de ter conversado com Klaus. Parecia que minha vida era uma corda bamba, eu estava vivendo tudo que eu sempre desejei com Katherine e Amy, mas o outro lado disso era a dor que eu sentia por dentro e a bagunça que era minha família.

Família era tudo que um o homem poderia querer, e tudo que se precisava valorizar acima de tudo. A família é a base de tudo, o que nos faz fortes ou fracos para o resto do mundo. E agora eu me sentia quebrado. Eu os amava, mas sempre parecia que se eu chegasse perto demais eles acabavam me envenenando.

A ilusão de família perfeita e unida era pura e simplesmente isso. Uma ilusão. Fingíamos estar unidos, mas tentávamos arduamente viver vidas separadas e o mais distante possível. Por um tempo eu pensei que meu relacionamento com Klaus podia ser diferente, mas ele não confiava em ninguém e quando me deu uma abertura para chegar mais perto, as minhas mentiras abriram um buraco entre nós. Um buraco que eu não sabia se iria se fechar algum dia.

As cinco horas em ponto eu sai da empresa e fui a casa dos meus pais. Precisava falar com eles sobre Katherine e deixar claro de uma vez por todas que não havia nada que eles pudessem fazer que me faria mudar de idéia sobre ela. Eu já tinha perdido Katherine para minha própria covardia uma vez, mas não o faria de novo.

Cheguei a casa deles e aguardei na sala enquanto um dos empregados ia avisá-los que eu estava aqui. Era formal demais, e eu sabia disso, mas foi assim que fomos criados.

Minha mãe desceu primeiro e veio me abraçar.

― Elijah! Senti tantas saudades filho!

― Oi mãe.

Respondi enquanto a abraçava de volta.

Depois ela se afastou e segurou meu rosto com as mãos.

― Fico me perguntando sempre se vocês se esqueceram de que estamos aqui.

― Não exagere, Kol, Rebekah e Finn moram aqui.

Comentei e nos sentamos.

― Sim, mas você e Niklaus parecem que andam fugindo de nós.

― Trabalhamos muito mãe.

― E quando não estão trabalhando o que fazem? Seu irmão passa o tempo todo com a... namorada dele. ― Sua boca entortou um pouco de desgosto quando falou isso. ― Mas você pelo menos deveria vir aqui mais vezes.

― O nome dela é Caroline, e sim eu deveria vir mais vezes, mas ando ocupado também.

Ela deu um sorriso frio e acariciou meus cabelos.

― Arranjou uma namorada também?

Ela não queria saber, e provavelmente não se importava. Mas queria ter o controle sobre nós de qualquer jeito. Olhando para minha mãe agora eu percebia algo que talvez eu fingisse não ver. Éramos marionetes para ela, nossa vida era o que ela queria que fizéssemos dela. Por isso ela estava aqui, não por saudade ou nada tipo. Pura e simplesmente ela queria nos controlar, nos manter na linha.

― Na verdade eu encontrei, lembra-se da Katherine?

Eu nunca vi uma expressão tão perplexa no rosto da minha mãe. O choque a paralisou totalmente e ela levou um bom tempo para conseguir me responder.

― Lembro.

Ela limpou a garganta e respondeu.

― Pois é, nós nos reencontramos e... Acertamos tudo que ficou pendente da última vez.

Antes que ela pudesse responder Mikael desceu as escadas e se juntou a nós. Ele não demonstrava expressão nenhuma, mas eu sabia que tinha escutado.

― Olá Filho.

― Pai.

Acenei brevemente para ele que se sentou ao lado da minha mãe.

― Katherine Pierce filho? Vocês estão juntos de novo?

Falou minha mãe e parecia que tinha engolido algo amargo e nojento pela expressão em seu rosto. E aquilo só aumentou minha determinação.

― Na verdade é mais do que isso. Nós não estamos apenas juntos. Vamos nos casar e... temos uma filha.

― O quê?

Minha mãe praticamente gritou a pergunta para mim e Mikael permaneceu inexpressivo.

― Como assim uma filha? A quanto tempo vocês se reencontraram?

― A pouco tempo. Mas acontece que quando ela foi embora, ela estava esperando um filho meu.

Esther fez menção de se levantar, mas Mikael a conteve segurando seus ombros.

― Tem certeza que essa criança é sua filha?

Mikael me perguntou, mas antes que eu abrisse a boca Esther respondeu por mim.

― Claro que não! Aquela vadia te convenceu que vocês têm uma filha para arrancar dinheiro de você Elijah, não seja ingênuo.

Isso fez com que eu me levantasse, com os dentes trincados de raiva.

― Nunca mais se refira a minha mulher desse jeito mãe. E a Amy é sim minha filha. E você quer saber porque eu tive que esperar quatro anos para descobrir isso? Porque você a afastou de mim com sua crueldade e veneno, só que você não vai fazer de novo. Eu esperei muito tempo pela minha família, e você não vai me tirar isso.

Quando terminei de falar eu já estava praticamente gritando, meu peito subia e descia e emoções protetoras e fortes dominavam meu corpo.

― Nós somos sua família!

Respondeu ela e eu vi lágrimas falsas brilharem em seus olhos. Antes isso fazia meu coração se apertar e eu acabava concordando com o que ela dizia. Mas agora eu podia ver a mentira em seus olhos e suas lágrimas sequer chegaram perto de me tocar.

― São mesmo? Pois não é o que parece. Vocês destruíram a minha felicidade, e agora pretendem fazer de novo. Comigo e com o Klaus. Mas as coisas estão bem diferentes, e eu não vou permitir isso. Se vocês quiserem aceitar nosso casamento e nossa filha, ótimo. Se não, isso não vai fazer diferença nenhuma para mim.

Esther se levantou e Mikael fez o mesmo.

― Calma Elijah. Não precisa ser assim. Não vamos espantar sua família.

Esther se virou para ele como se estivesse chocada com suas palavras, depois olhou para mim.

― É sua filha e nosso sangue também. Adoraríamos conhecê-la.

Bom, a essa altura eu duvidava que alguma coisa sobre eles me surpreendesse. Mas isso conseguiu. Eu não saberia dizer quem estava mais chocado, eu ou minha mãe.

― Você quer conhece-la?

Consegui perguntar. E ele balançou a cabeça concordando.

― Claro que quero. Afinal de contas essa garotinha é minha neta não é?

― Sim.

Respondi a ele e Esther continuou encarando-o.

― Nós precisamos...

― Não precisamos nada Esther. Ela é da nossa família, sangue do nosso sangue. E você sabe como isso é importante para mim.

Completou Mikael e isso fez Esther se calar imediatamente, eles trocarem olhares estranhos, que eu não fazia idéia do significado. Depois se virou para mim respirando fundo.

― Seu pai tem razão. Traga-as aqui para que nós a conheçamos.

― Vou falar com Katherine a respeito.

Reponde a ela depois nos despedimos.

Eu saí de lá sem entender direito o que estava acontecendo, mas com a esperança renovada de que conseguiríamos fazer isso dar certo.

Eles sabiam agora que elas faziam parte da minha vida, e mesmo sem concordar com isso eles teriam que aceitar.

Fui para casa tomar banho, e fui para a casa de Katherine logo depois.

Ela abriu a porta e quando me viu um sorriso iluminou seu rosto.

― Oi!

Puxei-a pela cintura e a beijei, deixando que seu toque me fizesse esquecer todo o resto.

Depois nos afastamos e eu entrei, procurando por Amy, que assim que me viu pulou do sofá e veio correndo me abraçar.

― Olha só você! Senti sua falta baixinha.

Falei abraçando-a.

― Também senti.

― Você sabe o que eu preciso agora?

― O quê?

― Beijos! Muitos beijos!

Beijei seu rosto, cabelo e braços várias vezes enquanto ela gargalhava.

― Tá bom! Tá bom!

Ela falou e eu a coloquei no chão, então ela disparou para o sofá e agarrou o ursinho mais feio do mundo.

― Você quer assistir televisão com a gente?

Perguntou ela erguendo o ursinho. Ele era marrom, com manchas pretas ao redor dos olhos e da boca. Acontece que já estava lhe faltando um olho e a pelúcia já estava absurdamente gasta. Olhei para Katherine interrogativamente.

― Nem pergunte.

Resmungou ela e foi para a cozinha.

― Eu vou falar com sua mãe e volto para assistir Tv com vocês, tudo bem?

― Tudo.

Então sua atenção se voltou para a Tv e fui para cozinha.

― Então, aquilo já foi um urso algum dia?

Comentei me encostando no balcão, então ela me passou a faca alguns legumes para cortar. E eu não fazia idéia de como fazer aquilo.

― Nem me fale! Eu comprei aquela coisa para ela quando ela nasceu, e desde então ela não quer largar mais! Eu já comprei milhões de outros ursos, bonecas, já tentei subornar, negociar e nada dá certo. Ela enfiou na cabeça que aquilo é um amigo dela e que não pode trocar por outro.

Eu ri enquanto analisava as batatas tentando visualizar um jeito de descascá-las, principalmente sem arrancar meus dedos.

― Isso é saudável para ela? Quer dizer, minha irmã costumava brincar com todos os brinquedos pelo que me lembro.

― Ela brinca com outros também. Mas aquele tem que fazer parte da brincadeira. De qualquer forma isso é só uma fase. Uma colega minha diz que o filho dela inventou um amigo imaginário porque queria ter um irmão. Vai passar com tempo.

Parei com as batatas e olhei para Katherine. Eu nunca tinha pensando nisso. Quer dizer, desde que descobri sobre Katherine e Amy eu as via como minha família. Nunca tinha pensando sobre outros filhos. Mas isso aconteceria eventualmente eu suponho. Sempre que eu pensava sobre construir uma família eu sempre a via bem grande, com crianças correndo para todo lado. Mas a realidade de estar com Katherine e Amy parecia tão diferente... Mas como seria ter outros filhos com Katherine? E dessa vez fazer tudo do jeito certo, acompanhar a gravidez, ver o primeiro ultra-som, vê-los dar seu primeiro passo...

― As batatas são para o jantar de hoje, não de amanhã.

As palavras de Katherine interromperam meus pensamentos e eu dei um sorriso sem graça.

― Estou trabalhando nisso.

Comentei e voltei a descascar as batatas.

― Então, você acha que a Amy quer um irmão?

Perguntei tentando parecer despreocupado.

― Talvez, toda criança da idade dela quer eu acho. Mas essa coisa do urso vai passar.

― Com certeza vai passar. Mas você já pensou em... Sei lá, dar um irmão para ela?

Eu ri como se aquilo fosse uma piada, mas Katherine não achou graça e parou ao meu lado.

― Não, não pensei. Ter mais filho não fazem parte dos meus planos.

― Porque não?

Virei-me para ela.

― Porque a Amy não foi planejada, e não foi muito fácil criá-la sozinha até agora. Mas eu estou bem com isso, e amo minha filha mais que tudo, mas para por aí.

― Não precisa ser mais assim, eu estou aqui agora.

― É, você está agora. Mas acabamos de nos reencontrar, nem sabemos como isso vai funcionar, ou sequer se vai funcionar. Então eu acho que planejar filhos é mais que precipitado.

― Como assim não vai funcionar? Nós estamos juntos agora, e nos amamos. Você sabe disso.

― É, eu sei Elijah, mas amor nem sempre basta.

Ela já ia se virando, mas eu segurei seu braço.

― Você não acredita em mim? Não confia que eu posso fazer isto dar certo não é?

Ela se calou e depois de torturantes segundos finalmente me olhou nos olhos.

― Eu confio que vou lutar com unhas e dentes pela felicidade da minha filha.

Aquilo doeu bem fundo, e eu soltei seu braço na hora.

Ela me olhava determinada. Katherine era uma mulher marcada por tudo que tinha passado na vida. E era difícil para ela se abrir. Mas era difícil para mim também, só que eu estava disposto a lutar por nosso relacionamento. Mas não adiantaria se ela não estivesse disposta a fazer mesmo por mim.

― Não faça isso Katherine. Eu amo vocês duas, e quero mais que tudo vê-las feliz.

― Eu sei.

Respondeu ela, mas não de um jeito real, era mais como se ela quisesse realmente acreditar.

― Eu sei que você ficou magoada Katherine, mas eu também fiquei. Precisamos estar nessa juntos, ou não vai adiantar.

― Eu só estou me protegendo Elijah.

Dei um passo para trás olhando em seu rosto. Ela era determinada, e eu a admirava demais por isso. Mas as vezes, como agora, sua determinação era em afastar as pessoas.

― Você não precisa se proteger de mim.

― Não preciso?

De todas as respostas que ela poderia me dar aquela foi a que doeu mais. Parecia que estávamos dando um passo para frente e dez para trás.

Olhei em volta tentando digerir o que ela estava me dizendo.

― Eu estou aqui Katherine. Me entregando de corpo e alma para você. Mas eu não posso fazer isso sozinho. Se você não estiver disposta também, isso não vai funcionar. Eu amo você, e quero que você seja minha mulher. Mas eu não vou ficar aqui se for para você me chutar na primeira oportunidade que tiver. Ou estamos juntos ou não.

Então fui para sala assistir Tv com Amy. E não trocamos mais sequer uma palavra durante o resto da noite. Eu ajudei a colocar Amy na cama e depois peguei meu casaco para ir embora. Ela me acompanhou mas também não tentou me impedir, ou falar qualquer para eu ficar.

Parei na porta e olhei para ela.

― Só depende de você Katherine. Eu não posso me entregar totalmente se você não fizer o mesmo. Então... Eu sempre vou estar aqui para você e para Amy, e quero ser um pai de verdade para ela.

― Eu sei.

― E quando você achar que está pronta para mim você precisa me dizer. Você fugiu uma vez e nos reencontramos, mas agora é você quem precisa voltar para mim.

Então, na corda bamba da minha vida, esse é o momento é que a corda treme e nós temos certeza absoluta que vamos cair. Tudo que nos resta é ter uma pequena esperança de que aquela pequena corda se estabilize e consigamos chegar ao final.