Notas iniciais
Hey people. Essa é uma Short Fic com o casal Kalijah. É um spin off de uma fic nossa http://fanfiction.com.br/historia/526897/Sexy_Fire/, se quiserem conferir. Então é isso, espero que gostem.

Desliguei o telefone e fiquei olhando para o aparelho por alguns segundos. Niklaus estava de péssimo humor, o que na verdade não era nenhuma surpresa. Raras vezes eu o vi feliz ou sorrindo. Eu tentei durante anos me aproximar, mas ele sempre me afastava e se mantinha isolado.

De todos os meus irmãos Niklaus era o mais isolado e complexo. Mas se analisarmos nossa família, acho que sermos problemáticos não era nenhuma surpresa. Bom tecnicamente eu não me considerava um homem problemático. Eu gostava de música clássica, comida mexicana duas vezes por semana, me exercitava exatamente duas horas por dia, trabalhava e saia esporadicamente com alguns amigos. Gostar das coisas organizadas não é exatamente um problema não é?

Quando me mudei para Nova Iorque eu pensei que eu me sentiria diferente, mas era tudo tão igual que eu me sentia sufocado. Tudo parecia tão bem, tão normal... Mas tão vazio. Como se não houvesse sentido para o que eu fazia.

Arrumei minha mesa e peguei a pasta. Bonnie Bennet, minha secretária estava concentrada na leitura de um documento quando abri a porta. Ela ergueu os olhos para mim e sorriu.

― Eu já estou indo Bonnie. Pode encerrar o dia também.

― Só vou terminar isso aqui, e já estou indo.

― Tudo bem então, boa noite.

Entrei no elevador imaginando o apartamento vazio que me esperava.

No começo morar sozinho parecia uma boa ideia, mas agora o silêncio daquela casa parecia me sufocar.

Dirigi devagar pelas ruas tentando prologar ao máximo a viagem, quando ouvi o estouro no fundo do carro. Parei o carro e desci. O pneu tinha furado, que ótimo.

Liguei para o reboque, e me encostei no carro para esperar. Olhei em volta só então prestando atenção ao bairro simples que eu estava.

Trabalhadores cansados andavam rápido pela calçada, querendo logo chegar em casa depois de um dia longo no trabalho. Eu sempre gostei de observar as pessoas. Sempre achei que cada um tem muito a nos ensinar. Como um rapaz que acabou de sair da mercearia e olhava o celular sorrindo. Talvez uma foto de uma garota especial, ou talvez um filho... Ele parecia realmente satisfeito com o que estava fazendo, ele estava vestido com uma calça jeans simples e uma jaqueta. Parecia ser alguém simples, mas esbanjava o tipo de alegria, que só pessoas que são felizes com a vida que tem, tinham. Acompanhei seu caminhar até o fim da rua, e não consegui não me comparar a ele. Aqui estava eu, com um belo e muito caro carro, vestindo um terno feito sob medida para mim, e um par de sapatos italianos, e com certeza trocaria tudo isso para ter a alegria daquele rapaz.

Um ônibus parou no ponto quase ao lado do meu carro, e uma mulher saltou com uma garotinha no colo. Olhei enquanto o ônibus partia, depois olhei de novo para mulher. Ela estava de costas para mim, seus cabelos eram castanhos e cacheados e desciam quase até o meio das costas. Fiquei olhando para ela por vários minutos, até o reboque chegar.

Eles trocaram o pneu e eu já estava entrando no carro quando notei que a mulher permanecia no mesmo lugar. Já estava escuro e não era seguro ela ficar ali, ainda mais com uma criança. Fui até ela e bati em seu ombro.

― A senhora está esp...

Minhas palavras morreram na garganta quando ela se virou para mim. Meu coração disparou no peito, Katherine... Já fazia tanto tempo que eu não a via...

― Elijah?

Limpei a garganta várias vezes antes de conseguir falar. Eu era um misto de sentimentos, ver essa mulher, alguém que eu tinha amado tão profundamente, me deixou sem chão. Tinha um zumbido no meu ouvido, parecia que eu tinha levado um soco bem no estomago.

― Katherine? O que você está fazendo aqui?

― O que parece? Estou esperando o ônibus.

Ele revirou os olhos de uma forma tão característica que senti um sorriso se formar em meu rosto.

― Mamãe?

Uma vozinha interrompeu meus pensamentos e só então olhei para a criança em seus braços. Ela era não parecia ter mais de 4 anos, estava com a cabeça apoiada no pescoço da mãe. Seu cabelinho era cacheado e castanho como os de Katherine e ia até a altura do ombro.

Era tão estranho vê-la assim. Com uma criança. Quando eu conheci Katherine ela era jovem, despreocupada e alegre, de uma forma quase contagiante. Era quase impossível estar perto dela e não se deixar levar. Ela parecia quase a mesma agora, seu boca pequena, o rosto fino e com traços delicados, mas sua expressão estava um pouco mais séria, mais madura.

― Pare de me olhar com essa cara de espanto Elijah, parece que eu criei chifres!

― Bom, eu só estou um pouco surpreso, não sabia que você tinha uma filha.

― Claro que não sabia. Já fazem anos que não nos vemos.

― Quatro anos, desde que você foi embora da minha casa e sumiu.

― Quer dizer, quatro anos desde que a vaca da sua mãe praticamente me chutou de lá?

Ela falou aquilo como se fosse uma piada, mas eu não achava a menor graça nisso. Minha mãe tinha arrancado Katherine da minha vida, e me deixado ferido e sangrando. Já faziam muitos anos e eu tinha seguido com minha vida, mas as cicatrizes ainda estavam lá.

― Para onde você vai? Porque seu marido não vem te buscar?

― Marido? Vamos lá Elijah, você me conhece bem o suficiente para saber que não preciso de um marido para conseguir um bebê.

Ela deu uma piscadinha para mim, e eu sorri um pouco.

― Para onde vocês estão indo? Posso dar uma carona.

― Eu posso cuidar de mim mesma Elijah, mas obrigada.

Ela parecia aborrecida e olhou para o fim da rua, provavelmente para ver se o ônibus estava chegando e se livrar de mim. Era tão estranho ver uma garota que um dia me olhara com tanto amor, e hoje tudo que eu podia ver em seus olhos era frieza.

― Mamãe?

A voz da garotinha soou meio chorosa e Katherine acariciou seus cabelos.

― Já estamos chegando querida.

― Katherine isso não faz sentido. Eu estou de carro, e você prefere ficar aqui com uma criança esperando um ônibus?

Ela me olhou depois olhou para o fim da rua de novo.

― Tudo bem. Mas só para deixar bem claro, isso não significa nada para mim está bem?

― Está bem.

Fomos até o carro e abri a porta do fundo para ela. Ela se acomodou e pude ver o rosto da sua filha. Era absurdamente parecida com ela, os mesmo traços, nariz, boca... Era linda tal como a mãe.

Entrei no carro e ela me disse onde ir, comecei a dirigir, e olhar pelo espelho sempre que podia. Era tão bom ver seu rosto depois de todo esse tempo.

Ela colocou a mão na testa da garota e sorriu.

― Viu só? Você já está bem melhor! Merece um monte de beijos por ser tão corajosa.

Ela se inclinou para a filha e espalhou vários beijos no rosto, fazendo-a rir muito. Quando ela ergueu o rosto eu finalmente pude ver o mesmo sorriso de quando eu a conheci e que me fez ama-la quase instantaneamente.

― Ela esta doente?

― Com um pouco de febre, mas já passou.

Ela me olhou um pouco depois continuou conversando com a filha até chegarmos. Assim que estacionei ouvi um som alta, música e risadas abafadas. Olhei em volta e vi uma casa com todas as luzes acesas e música bem alta.

― A fala sério!

Katherine desceu do carro e eu a segui. Ela caminhou direto para a casa com musica e abriu a porta. Olhei por cima do ombro dela e vi várias pessoas semivestidas dançando e bebendo.

― Megan! Que porra é essa?

Ela berrou para uma das garotas, que deu um enorme sorriso para ela e veio até nós cambaleando.

― Kath! Você voltou! Vem logo, a festa está ótima!

― Festa? Você ficou maluca? Têm uma criança aqui caramba!

― Relaxa, ela vai dormir logo, logo e aí você pode vir dançar!

Ela voltou para o meio daquilo e começou a dançar. Katherine olhava furiosa e chocada ao mesmo tempo. Puxei seu braço para fora e bati a porta.

― Você não pode estar realmente pensando em ficar aqui com uma criança não é?

― Bom, eu moro aqui, e não preciso que você me diga como cuidar da minha filha!

― Katherine está tendo uma festa aqui, esse pessoal não vai embora tão cedo.

― A é? E o que você espera que eu faça? Quer que eu fique sentada na porta esperando eles irem embora?

― Vamos para minha casa, tem vários quartos lá, vocês podem ficar e...

― Nem pensar. Eu não vou para sua casa, ficou maluco?

― Você não pode ficar aqui!

― Para de tentar me dizer o que fazer Elijah! Eu seu cuidar de mim mesma.

Ela era cabeça dura, e isso parecia só ter piorado com o tempo. Respirei fundo e tentei parecer mais calmo, gritar com ela não ia adiantar nada.

― Katherine, eu sei que você não querer ir para minha casa, mas olha só para essa casa, sua filha estava com febre, precisa descansar agora, não ficar acordada até a hora que o pessoal resolver ir embora.

― Porque você está fazendo isso? Não temos mais nada, e se você acha que vou cair de amores por você por causa disso, melhor esquecer.

― Eu só quero ajudar Katherine, não quero nada em troca.

Ela pensou por alguns instantes, até que respirou fundo e acenou.

― Ok. Vamos.

Ela entrou no carro, e passou o caminho inteiro até minha casa sem falar nada.

Quando chegamos ao meu prédio, eu tentei ajudar com a garotinha, mas ela se recusou e continuou a carrega-la. Ela perecia ter adormecido durante a viagem.

Entramos, e fui com ela até o quarto. Ela colocou a filha na cama e puxou o lençol sob seu corpo.

― Sua filha é linda. Quantos anos ela têm?

― Três.

― Ela se parece muito com você.

― Eu sei.

Depois disso se sentou na ponta da cama e olhou em volta.

― Sua casa é muito bonita. A quanto tempo você mora aqui?

― Três meses mais ou menos. E você?

― Desde que a Amy nasceu. Eu não podia ficar viajando por aí com um bebê, então...

― Aquela casa é sua?

― Alugada de uma senhora que mora do outro lado da cidade. Eu divido a casa com duas universitárias loucas para ajudar no orçamento, mas depois de hoje eu vou chutá-las de lá o mais rápido possível.

― E o pai da sua filha?

― Isso não é da sua conta Elijah.

― Eu só quero saber um pouco mais Katherine.

― Você não precisa saber um pouco mais Elijah, amanhã de manhã bem cedo nós vamos embora e você nunca mais vai nos ver, então, realmente não é da sua conta.

― Era da minha conta.

Ela pareceu finalmente se lembrar de tudo entre nós e seu rosto ficou melancólico.

― Tem razão, era. Mas não é mais. Olha eu agradeço pela ajuda, mas não precisamos de mas ninguém na minha vida.

Olhei para a garotinha na cama depois de volta para ela. Ela estava vestindo uma calça jeans e um casaco que ia até quase os joelhos.

― Tudo bem. Você quer tomar um banho? Ou comer alguma coisa?

― Eu não sei se...

― A vamos lá Katherine! Pelo que eu me lembro você adora pizza de calabresa...

― Tudo bem, você me convenceu, onde fica o banheiro?

― No fim do corredor. Precisa de alguma coisa para Amy?

― Só um pouco de leite. Ela não come direito quando está assim, e talvez uns biscoitos...

― Vou providenciar.

Sai de lá e pedi a pizza, depois fui para meu quarto tomar banho e vesti uma camisa verde claro e uma calça preta, depois fui para sala esperar a pizza.

Quando finalmente chegou coloquei na mesa e preparei o leite e os biscoitos, depois fui para o quarto. Bati na porta e esperei alguns segundos antes de entrar.

Katherine estava sentada na cama, só de camiseta agora e Amy tinha acordado e estava no colo da mãe.

― A pizza chegou.

Falei para ela que sorriu e se levantou. Amy olhava curiosa para mim, e eu sorri para ela. Ela parecia desconfiada no começo mas depois sorriu de volta mostrando duas lindas covinhas. E eu me apaixonei imediatamente por aquele sorriso.

Fomos a cozinha e elas se sentaram a mesa enquanto eu colocava os pratos na mesa e pegava os biscoitos.

― Os biscoitos são de chocolate Belga e nozes, aposto que você vai adorar.

Falei oferecendo um biscoito a Amy, ela pegou um e deu uma mordida. Katherine me olhava como se eu tivesse feito uma grande bobagem.

― O quê? ― Perguntei a ela.

― Ela tem três anos Elijah, você acha que ela sabe o que é chocolate belga?

― Ela está adorando, olha só?

Nós dois sorrimos e olhamos para Amy. Depois servi a mim a Katherine de pizza, mas ela empurrou os talheres e pegou a fatia com a mão. Isso era tão sua cara, fazer o que gostava e não o que esperavam dela.

Ali sentado na minha cozinha, com elas eu me sentia estranhamente confortável, como eu nunca tinha me sentido nessa casa desde que me mudei.

Nós terminamos o jantar e Katherine levou Amy para cama. Eu as segui, não sabia exatamente porque, só não queria voltar para o meu quarto vazio e ver o quanto aquilo refletia o que estava dentro de mim.

Ela colocou a pequena na cama depois beijou sua testa, e se virou para mim.

― Vocês precisam de mais alguma coisa?

― Não Elijah, está tudo bem. Só vamos dormir agora.

― Okay, se precisar de alguma coisa meu quarto é no fim do corredor.

― Não vamos precisar.

Ficamos num silencio constrangedor por alguns segundos, até que eu entendi a deixa e me encaminhei para a porta.

― Elijah, espere.

Me virei para ela, talvez esperando um sorriso ou qualquer coisa que demonstrasse que ela ainda era minha Katherina, mas ela estava séria com os braços cruzados na frente do peito.

― Obrigada por tudo, mas como eu disse antes, isso não muda nada.

― Eu sei Katherine, eu só... Estou feliz de te ver, provavelmente é esperar muito que você sinta o mesmo.

Me virei de novo para a porta mas congelei quando senti ela tocar minhas costas. Quase fechei os olhos com a quantidade de lembranças que aquele toque despertava.

― Eu estou feliz em te ver, mas os motivos que me fizeram ir embora anos atrás ainda existem.

― Eu sei.

Respondi simplesmente e sai de lá batendo a porta, porque sabia que se passasse mais um segundo sequer naquele quarto eu não resistiria. Seu cheiro estava impregnado em mim, eu podia senti-la em cada poro do meu corpo mesmo que ela mal tenha me tocado.

Eu tinha conseguido seguir em frente quando ela foi embora a primeira vez. Eu tinha superado e refeito minha vida, mas agora que ela estava de novo sob o mesmo teto que eu, com apenas algumas paredes nos separando, como eu conseguiria deixa-la partir de novo?

Notas finais
E então? Gostaram? Devo continuar? =D