Seven
1 Gula...
Notas iniciais
Boa leitura
Assim como quase todos os seres humanos quando se encontram em estado de ansiedade avançada ou nervosismo extremo, o Conde Phantomive de apenas treze anos, vulgarmente conhecido como ''Cão de guarda da Rainha'' ou o ''Nobre Maligno'' se alimenta em demasia.
Naquela manha em particular o Conde se encontrava em singular situação, estava nervoso, ansioso e notavelmente aborrecido, talvez fosse as consequências da puberdade, talvez fosse somente sua mania de querer que tudo saísse perfeitamente o tempo inteiro, papeis importantes estavam com sua entrega atrasada, os desejos de Vossa Majestade demorariam mais do que o necessário para serem atendidos.
O conde suspirou, batucando os dedos na madeira da mesa de seu escritório, até pequenas ranhuras pertencentes ao passado estavam ali, eram apenas copias, copias baratas, mas ainda assim algo reconfortante.
Ordens dadas horas antes não estavam de fato demorando mas para o perfeito serviço prestado pelo impecável criado a demora para que algo tão simples fosse realizado, era apenas mais um grão de areia no deserto em tempestade que era o humor do jovem conde. Era algo fácil, pensou o Conde se recostando na poltrona e abrindo o primeiro botão do paleto.
O criado passou a mão sem luva pela testa retirando uma fina camada de suor que se formava ali, as mangas remangadas enquanto batia a massa para mais um bolo, era o quarto ou seria o quinto havia já perdido as contas de quantos doces havia feito naquela tarde.
O pequeno Conde pedira ao criado que fizesse todas as suas sobremesas favoritas, com o claro intuito de atormentar o criado sempre tão cheio de si e também obviamente apreciar os tão saborosos criadores de carés.
Apos ter sua tarefa findada o mordomo fora para o escritório com um carrinho recheado por inúmeros doces servir seu pequeno mestre, o Conde comera praticamente todos os doces, algund engolira quase que por inteiro outros somente dera uma pequena mordida, e assim após algumas horas oque era obviamente suposto aconteceu.
Ciel estava com indigestão.
Sebastian avaliava com um olhar pesado mesmo que por dentro houvesse uma certa preocupação o franzir de testa contaste do seu Bocchan, o levar de mãos ao ventre e os olhos levemente marejados.
-Algo que você preparou deveria estar contaminado. -falou quando o criado acabou por retirar a bacia de perto de si, o mordomo apenas revirou os olhos, colocando a bacia com dejetos perto de seus pés abaixo da cama, limpou os lábios do pequeno Conde com um lenço, a outra mão indo para a testa do pequeno, verificar a temperatura do mesmo.
-Já estou melhor. -Ciel falou, afastando a mão do criado de si. -Posso voltar ao serviço. -tentou levantar, mas o fato é que aquela hora da noite, o que o pequeno Conde menos poderia fazer era levantar, estava fraco havia passado a tarde toda praticamente de cama com o fiel criado ao seu lado aguentado as inúmeras acusações, em certo momento Ciel até mesmo supos que Sebastian tentara o envenenar, ledo engano, tudo que o criado menos queria era um mestre adoentado e mais mimado e resmungão do que o normal.
-Bocchan. -Sebastian falou colocando uma das mãos sobre o peito da criança o impedindo de levantar. -Mantenha-se deitado. — a expressão dura em seu rosto se desfez quando o pequeno mestre gemeu baixinho de dor.
Sebastian foi até a mesa perto da janela na qual seu Bocchan realizava alguns dos seus dejejuns e pegou uma cadeira a colocando ao lado da cama e se sentando ali, Ciel dormira, era assim acordava, vomitava, xingava o criado e voltava a ter um sono leve e nada tranquilo.
Apos algumas horas em que a criança permaneceu no estado de sonolência, Ciel acordou deveria ser madrugada já que pela janela ele via a lua alta no céu, estava sozinho no quarto, e se sentia meio tonto incapaz de levantar, pensou em chamar o criado mas até para fazer seu braço alcançar a corda que balançava o sino no quarto do mordomo, estava fraco demais, suspirou derrotado e ódio em admitir que um reles criado tinha razão nunca mais, nunca mais comeria em demasia ainda mais doces. Foi surpreendido pelo criado que adentrou seu quarto com uma bandeja em mãos.
-Não, não vou comer nada. -miou manhoso fazendo o criado sorrir em divertimento, Sebastian colocou a bandeja sobre a mesa e foi até seu mestre o ajudando a se sentar na cama ajeitando alguns travesseiros nas suas costas.
-Estás melhor? preparei uma sopa bem leve, para não deixar seu estomago vazio. -Ciel só fez uma careta enquanto o mordomo colocava a bandeja sobre seu colo, ele remexia com a colher o liquido bastante aguado e Sebastian podia jurar a existência de um biquinho nos lábios do jovem.
-Quer que eu lhe de na boca? -perguntou estendo a mão para pegar a colher.
-Não sejas estupido. -o Conde em contra partida respondeu, se agilizando em dar a primeira colherada no alimento.
-Hum...E então. -Sebastian falou e seu Mestre apenas deu de ombros. -Aprendemos uma lição hoje, não foi?
-Esta feliz por eu ter passado mal? -perguntou Ciel.
-Obviamente que não Bocchan, mas deves admitir que procurou por si próprio esse mau estar. -falou a figura nefasta, o olhar penetrante observando a criança que ainda permanecia em estado debilitado.
-Está bem você venceu. -o Conde respondeu em uma clara tentativa de acabar com o falatório do mordomo.
-Ah é mesmo, Bocchan? -perguntou sorrindo daquele modo estranho que o fazia fechar os olhos.
-Sim Sebastian, eu aprendi uma lição. -repousou a colher sobre o guardanapo em cima da bandeja. -Gula é um dos pecados mais dolorosos. -falou fazendo uma careta, e dessa vez Sebastian não pode deixar de dar uma gostosa gargalhada.
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