Seus Olhos

9 Capítulo VIII


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? E ai vocês sentiram saudades? Ou só foi Alicia que fugiu da pergunta? Espero que gostem ♥

Junho de 2088

Alicia abriu os olhos e devido ao breu que encontrou não sabia dizer se era dia ou não. Ela se mexeu na cama e sentiu o corpo do Matheus próximo ao seu, na verdade sua perna estava muito bem entrelaçada a dele. Ela tratou de tirar a perna dali rapidamente. Merda! Ela havia se mexido muito a noite, se perguntava como foi que não dormiu de conchinha com ele. Ela se lembrou dele perguntando se ela tinha sentindo saudades. Ela ainda não sabia responder a pergunta dele, mas ficou em dúvida em que sentido ele havia perguntado aquilo. Por fim, ela resolveu se levantar e tomou cuidado para não tropeçar no cômodo pequeno.

Será que era incômodo ela ligar a luz? Seria. Pensou. E abrir a janela? Perigoso, talvez.

Ela ouviu Matheus resmunga alguma coisa indecifrável, mas não acordou. Ela acabou por decidir ligar a luz, o que fez Matheus se mexer na cama, mas não acordou. Suspirou aliviada, não queria ser incômoda ao acordá-lo. Ela olhou um relógio em cima da bancada da pia e marcava seis e quarenta e dois. Era cedo, mas ainda não o suficiente para ela voltar para casa.

Ela foi para cozinha e conseguiu encontrar uns pacotes de bolachas velha, mas ainda dentro do prazo de validade e uma caixa de suco na geladeira. Tirou para fora e comeu rapidamente, deixando um pouco para Matheus. Ela acabou voltando para cama e se sentou, ele sequer se mexeu. Dormia feito uma pedra, sua blusa havia subido um pouco e Alicia conseguia ver o elástico de sua cueca e a as cicatrizes pequenas em sua barriga em volta do umbigo. O que será que ele fazia para ter aquelas cicatrizes?

Por fim ela se deitou e ficou olhando para o teto. Havia manchas verde nele também. Aquela casa com certeza não seria um lugar que ela escolheria para morar. Mas ficou se perguntando como seria o futuro dela. Será que ela pegaria o início daquele futuro? Ela não ousou pergunta em que ano estavam, até porque ela sabia que Matheus não a responderia.

Matheus se mexeu e se aproximou mais de Alicia, agora colocando o braço em volta da sua barriga. Ela começou a pensar quem será que tinha se mexido mais durante a noite. Mas ela não quis tirar seu braço dali, para não acordá-lo. Vai sabe a quanto tempo ele não dorme em paz? Passou algum tempo em que Alicia ficou ali olhando para teto e para o Matheus, se fazendo mil perguntas que nunca conseguiria responder. Até que ele acordou e se assustou por esta tão perto dela.

Matheus quase pulou da cama quando viu que seu braço estava em cima da barriga de Alicia, mas respirou fundo e tirou o braço se sentando na cama.

— Desculpas. — Ele pediu.

Alicia viu suas costas e ficou tentada a puxar a camiseta dele para cima para ver onde terminava aquela cicatriz que começava nas costelas. Mas se conteve e saiu da cama, para que ele pudesse sair também. Ele foi direto comer alguma coisa e Alicia foi para o banheiro.

Sua roupa velha ainda estava ali em cima do vaso sanitário. Ela ficou tentada a usar o vaso, mas ele parecia bem nojento. Por fim, decidiu tomar um banho, poderia fazer xixi no chuveiro. Ela abriu a porta e perguntou para o Matheus se havia alguma toalha, ele apareceu minutos depois com uma toalha preta.

Tudo no futuro era escuro, concluiu ela.

Tomou um banho rápido e se secou, voltou a usar a mesma roupa que estava usando antes. Deixaria sua roupa de festa junina ali mesmo, depois ela compraria outra camisa xadrez. Enrolou a toalha na cabeça e saiu do banheiro. Matheus estava sentado na cama e parecia olhar um celular. Alicia ficou curiosa para saber como era um celular do futuro e deu um pulo na cama ao lado dele.

— Posso ver? — Ela perguntou.

— Claro que não, vai saber o que você pode fazer com a tecnologia que tem aqui. — Matheus escondeu o celular.

— Nada, sou uma negação com tecnologia. — Ela respondeu, tentando pegar o celular da mão dele.

— Mas pode vender as informações que vê.

— Menos, Matheus. — Ela conseguiu puxar o celular da mão dele.

Parecia um celular como o dela, claro que a resolução era bem melhor e parecia ter muito mais aplicativos que ela desconhecia. Mas nada que chamasse a atenção dela em especial. Ela entregou o celular para o Matheus.

— Obrigada, agora ficarei rica no meu tempo. — Ela riu.

— Você sabe que não pode dizer nada.

— Oh se sei, por conta disso menti para polícia, minha família e amigos. Pode deixar, eu sei guardar segredos. — Falou amarga ao se lembrar das mentiras que contou.

— É necessário. — Matheus falou.

Alicia deu de ombros.

— Engraçado essa toalha nos seus cabelos. — Matheus sorriu torto e tirou a toalha da cabeça dela por pirraça.

Alicia revirou os olhos para ele e deixou os cabelos pingando na cama.

— Há um pente, por aqui?

— Claro. Não somos selvagens. — Matheus saiu da cama e voltou com um pente preto.

Alicia desembaraçou os nós do cabelo e os prendeu em um coque ainda molhada. Ela se preocuparia com o cabelo depois quando estivesse em casa.

Matheus foi para o banheiro e levou a toalha que tinha tirado de Alicia com ele. Alicia não quis pensar se ele se secaria com a mesma toalha. Ela se aproximou da janela e ficou tentada abrir só um pouquinho, para ver como estava lá fora. Ela abriu uma fresta da janela, viu um céu cinza escuro, um poste de luz amarelada. A janela dava para um outro lado do beco, uma rua, que parecia bem iluminada. As pessoas lá embaixo andavam rapidamente, olhando para seus celulares. Quase não havia crianças na rua, Alicia estranhou. Todo mundo usava preto, exceto por algumas pessoas que usavam um tom de vinho e carregavam armas. Deveria ser a polícia da época, concluiu Alicia.

— Alicia! — Matheus gritou atrás dela e pulou na cama fechando a janela.

Alicia mordiscou a bochecha.

— É perigoso. O Governo consegue ver tudo hoje em dia, seria fácil eles te acharem e te matarem. Não teriam a compaixão de apagar só sua memória. E já imaginou o que seria caso você morresse nesse tempo? — Matheus estava alterado, mexia nos cabelos molhado.

Alicia entendia tudo o que ele falava, mas olhava para seu tronco nu, repleto de cicatrizes e molhado. Ela mordiscou mais ainda a bochecha e sentiu o gosto de sangue na língua. Droga!

— Seu futuro sumiria e tudo aquilo que você, seus filhos e netos poderiam fazer. Poderia causar um caos no mundo.

— Eu só estava curiosa. Você não pode me condenar por querer ver as coisas. Você roubou para pode ver o passado e as pessoas. — Ela jogou na cara dele.

— É diferente. — Matheus virou de costas. — Eu sei os riscos que corro e consigo lidar com eles. Você não pode nem pensar nesses riscos e nem se atrever a mudar o futuro.

Alicia viu onde dava a cicatriz que começava na costela. Era irregular e dava na metade das costas, perto da espinha.

— O que foi isso? — Ela se aproximou de Matheus e tocou a cicatriz.

Matheus se encolheu ao toque dela.

— Nada! — Ele pegou uma camiseta embaixo da cama e a vestiu.

— Você poderia me contar as coisas ou vamos ficar o resto do dia aqui sem muito o que fazer. — Ela bufou.

— Posso lidar com o tédio. — Ele apareceu vestindo uma calça.

Alicia revirou os olhos para ele.

Um som estrondoso foi ouvido no pequeno cômodo e Matheus se apressou em atender a porta. Ele olhou pelo olho mágico e viu o amigo Henrique do outro lado, abriu a porta. Henrique parecia um pouco assustado, mas as olheiras embaixo dos olhos haviam diminuído.

— Tomás e Adriana estão de volta. Eles já sabem que você está aqui. — Henrique contou esbaforido.

— Eles te viram? — Matheus parecia assustado.

— Não, mas acho bom vocês se apressarem. Toma. — Henrique entregou para ele o dispositivo de salto temporal que já brilhava em uma luz fraca.

— Esse é da onde?

— Roubei da minha família, não sentiram falta.

— Mas saberão que sua família me ajudou e podem chegar até você. — Matheus devolveu o dispositivo para o amigo.

— Eu invento alguma desculpa. Vá. Você sabe que eles não terão piedade de matá-la aqui. As coisas desastrosas que podem acontecer no tempo quando é alterado não é preocupação deles.

Matheus suspirou fundo e pegou o dispositivo.

— Obrigada. — Ele abraçou o amigo.

Henrique foi embora.

Alicia viu toda a cena preocupada. Será que aquilo traria complicações para o Henrique? Quanto mais poderiam arriscar por tudo aquilo?

— Vamos? — Matheus olhou para ela.

Os cabelos encaracolados de Matheus ainda pingavam e ele estava com uma expressão preocupada no rosto. Alicia se levantou da cama e se aproximou dele. Ele pegou na mão dela e girou o dispositivo com força e a luz violeta começou a envolvê-los. E de novo aquela sensação de salto tão maravilhosa foi sentida por Alicia, até ela senti o chão sobre seus pé. Estavam em frente a escola.

— Que dia? — Ela perguntou ainda segurando na mão de Matheus.

— 20 de junho, algumas horas depois que você saiu. — Ele olhou para o relógio de pulso que acompanhava seus saltos.

Ele soltou a mão de Alicia e ficou encarando aqueles olhos verdes. Alicia não quis abaixar o olhar, queria continuar encarando ele, até que ele sumisse junto com aquela sensação que formigava no seu peito.

— Você vai acabar machucando as pessoas a sua volta de uma forma que não terá volta, se continuar nisso. — Alicia se lembrou do amigo dele e do que ele estava arriscado por Matheus.

Mesmo Lici não sabendo se era muito e se afetaria tanto o amigo dele, ela achava errado. E olhava para sua vida e o quanto havia mudado depois disso tudo, tudo bem que ela não havia pedido para está ali e que todas as vezes Matheus só queria ajuda-la, mas ainda sim ela estava sacrificando coisas. Ela só não tinha certeza de todas as coisas que sacrificava ainda.

— Eu sei cuidar de mim, Alicia. Prometo não envolvê-la mais nisso tudo. Você estará livre. — Matheus abaixou o olhar por fim.

— Eu sentirei saudades. — Ela levantou o rosto dele o obrigando a olhar para os olhos dela.

E viu aqueles olhos cor de mel.

— Alicia! — Uma voz feminina foi ouvida se aproximando.

Mel e Bia estavam a poucos metros de distância da amiga, mas pararam quando viram ela com um homem.

Alicia olhou para amigas e soltou o rosto de Matheus. Matheus acompanhou o olhar dela e viu as amigas da jovem vestidas de festa junina ainda.

— Se você não parar, coisas piores aconteceram. — Lici voltou o olhar para ele.

— Eu vou para o passado, tudo ficará bem. — Ele deu um beijo na bochecha de Alicia e foi embora.

Alicia o viu ir embora e suspirou segurando o colar que sua mãe dará para ela, como se ali ela sentisse todo o peso que estava sobre seus ombros.

— Tudo bem? — Suas amigas se aproximaram.

A jovem concordou com a cabeça e disse que precisava voltar para casa. Suas amigas acompanharam, perguntaram uma vez sobre o homem que estava com ela, mas Lici não quis responder e elas deixaram. Se preocuparão com isso depois.

Notas finais
E ai o que acharam? Vejo vocês no próximo capítulo :)